{"id":717,"date":"2026-10-21T12:47:41","date_gmt":"2026-10-21T15:47:41","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/emrc\/?p=717"},"modified":"2026-10-21T12:47:44","modified_gmt":"2026-10-21T15:47:44","slug":"coqueluche","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/emrc\/2026\/10\/21\/coqueluche\/","title":{"rendered":"O que \u00e9 coqueluche?"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao falar em coqueluche, muitas pessoas podem pensar que \u00e9 uma doen\u00e7a do passado, mas ela ainda existe no Brasil e no mundo, e as vacinas s\u00e3o a nossa melhor arma contra ela. Para se ter no\u00e7\u00e3o da pot\u00eancia e import\u00e2ncia da vacina\u00e7\u00e3o contra a coqueluche, no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1980, o Brasil registrava mais de 40 mil casos por ano da doen\u00e7a, com uma m\u00e9dia de 30 casos a cada 100 mil habitantes. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com a expans\u00e3o da vacina\u00e7\u00e3o contra coqueluche a partir de 1977 e o desenvolvimento de sistemas de vigil\u00e2ncia epidemiol\u00f3gica mais rebuscados, atualmente o Brasil abaixou a incid\u00eancia dos casos dessa doen\u00e7a para 0,1 a cada 100 mil habitantes. Dos 40 mil casos por ano no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1980, reduzimos para 216, 7.440 e 1.479, respectivamente, para os anos de 2023, 2024, 2025.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Mas, para come\u00e7o de conversa, o que causa a coqueluche?<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa doen\u00e7a \u00e9 causada por uma bact\u00e9ria, chamada <em>Bordetella pertussis<\/em>, que causa uma infec\u00e7\u00e3o respirat\u00f3ria, por isso seus principais sintomas s\u00e3o crises de tosse seca (em casos mais graves, pode atingir tamb\u00e9m a traqueia e os br\u00f4nquios). A coqueluche \u00e9 uma doen\u00e7a presente no mundo inteiro, sendo amplamente controlada por vacinas. Entretanto, por ser uma infec\u00e7\u00e3o respirat\u00f3ria, sua transmiss\u00e3o \u00e9 bastante eficiente, por ser pelo ar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Normalmente, a transmiss\u00e3o ocorre a partir do contato de uma pessoa doente com outra saud\u00e1vel, atrav\u00e9s de got\u00edculas expelidas na tosse, espirro, ou mesmo ao falar; em alguns casos mais raros, a transmiss\u00e3o pode acontecer por meio de objetos contaminados por elas, mas isso \u00e9 pouco frequente. Em m\u00e9dia, leva de 5 a 10 dias para uma pessoa infectada desenvolver os primeiros sintomas.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>E por falar em sintomas, \u00e9 s\u00f3 a tosse seca?<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o exatamente! A coqueluche \u00e9 uma doen\u00e7a em que os sintomas variam a depender da fase de desenvolvimento dela no nosso corpo. Essas fases podem ser divididas em tr\u00eas:<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Fase inicial<\/strong>: ap\u00f3s a infec\u00e7\u00e3o, a coqueluche come\u00e7a como um resfriado comum, causando epis\u00f3dios de febre baixa, mal-estar geral, a tosse seca que j\u00e1 mencionei e o nariz escorrendo (coriza). Com o passar do tempo, esses sintomas v\u00e3o evoluindo, principalmente a tosse seca para crises de tosse mais intensas.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Fase de tosse intensa<\/strong>: nesse ponto, a coqueluche quase n\u00e3o apresenta mais epis\u00f3dios de febre, entretanto, em alguns casos muito raros pode sim acontecer picos de febre ao longo do dia. O principal sintoma dessa fase s\u00e3o as intensas crises de tosse, que surgem de forma espont\u00e2nea e r\u00e1pida, podendo at\u00e9 mesmo causar v\u00f4mito devido \u00e0 for\u00e7a feita pelo abd\u00f4men. Somada \u00e0 crise de tosse, uma pessoa nessa fase pode ter dificuldade para inspirar o ar e &#8211; em alguns casos &#8211; fazer um som agudo durante a inspira\u00e7\u00e3o. Em geral, essa fase dura de duas at\u00e9 seis semanas.<\/li>\n\n\n\n<li>Fase de recupera\u00e7\u00e3o: aqui, as crises de tosse come\u00e7am a diminuir, tanto em frequ\u00eancia quanto em intensidade, mas podem permanecer por at\u00e9 tr\u00eas meses! Caso a pessoa tenha uma outra infec\u00e7\u00e3o respirat\u00f3ria durante esse tempo \u2014 como um resfriado, gripe ou covid-19 \u2014 pode haver um retorno das crises de tosse intensa, de forma tempor\u00e1ria.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Como posso saber se peguei coqueluche? E como me trato?<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diagnosticar a coqueluche no come\u00e7o dela \u00e9 bastante dif\u00edcil, justamente pelos seus sintomas serem muito parecidos com os de outras doen\u00e7as respirat\u00f3rias, ou mesmo com resfriados. O principal indicativo dela \u00e9 a tosse seca e, tendo isso em mente, um m\u00e9dico pode pedir um exame para fazer o diagn\u00f3stico. O melhor exame para isso \u00e9 via <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linhadefundo\/2020\/04\/26\/diagnostico-por-rt-qpcr-o-que-e-isso\/\">PCR em tempo real<\/a>, o mesmo exame que se fazia em larga escala para detectar a covid-19, principalmente entre 2020 e 2022.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00e1 o tratamento \u00e9 feito utilizando antibi\u00f3ticos, j\u00e1 que a causadora da doen\u00e7a \u00e9 uma bact\u00e9ria. Quanto mais cedo o diagn\u00f3stico \u00e9 feito de forma correta, mais cedo \u00e9 poss\u00edvel come\u00e7ar o tratamento com os medicamentos, a fim de se evitar complica\u00e7\u00f5es. A grande maioria das pessoas consegue se recuperar da coqueluche sem desenvolver problemas mais s\u00e9rios, entretanto, casos graves podem acontecer principalmente em crian\u00e7as menores de seis meses e pessoas imunossuprimidas, incluindo sintomas como: h\u00e9rnias abdominais (devido \u00e0 for\u00e7a frequente para tossir), infec\u00e7\u00f5es de ouvido, pneumonia, paradas respirat\u00f3rias, convuls\u00f5es e at\u00e9 a morte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse sentido, o modo mais f\u00e1cil de se prevenir contra a coqueluche \u00e9 atrav\u00e9s da vacina\u00e7\u00e3o!<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Quem pode se vacinar contra a coqueluche?<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Todo mundo pode se vacinar e muito provavelmente voc\u00ea se vacinou quando era crian\u00e7a! A vacina contra a coqueluche \u00e9 uma das vacinas obrigat\u00f3rias no Brasil e aplicada em crian\u00e7as com at\u00e9 6 anos, 11 meses e 29 dias. O foco nessa faixa et\u00e1ria \u00e9 devido a serem as crian\u00e7as aquelas que t\u00eam maior risco de desenvolver sequelas e formas mais s\u00e9rias da doen\u00e7a, como comentei acima.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, o SUS tamb\u00e9m indica que gestantes, profissionais de sa\u00fade e parteiras tradicionais tamb\u00e9m se vacinem, justamente por estarem lidando ou poderem lidar com crian\u00e7as. A vacina\u00e7\u00e3o em gestantes (mesmo que j\u00e1 tenha a pessoa j\u00e1 tenha sido vacinada e revacinada em outra gesta\u00e7\u00e3o) \u00e9 importante para que a imuniza\u00e7\u00e3o passiva do rec\u00e9m-nascido, via passagem de anticorpos maternos atrav\u00e9s do leite para o beb\u00ea.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por fim, \u00e9 importante todos n\u00f3s lembrarmos que doen\u00e7as respirat\u00f3rias t\u00eam ciclos e, mesmo que pare\u00e7a que elas n\u00e3o est\u00e3o mais por a\u00ed, essas doen\u00e7as podem voltar. A vacina\u00e7\u00e3o \u00e9 e continua sendo a nossa melhor aliada na luta contra a coqueluche e, para ajudar nessa batalha, o governo federal vai fazer nos pr\u00f3ximos dias uma consulta p\u00fablica para atualizar essa vacina por uma mais nova, mais potente, que gera uma prote\u00e7\u00e3o melhor, mais duradoura e com efeitos colaterais menores!&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Fiquem ligados aqui no EMRC porque logo mais teremos um texto fresquinho explicando sobre essa vacina.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Para saber mais:<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>BRASIL. Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. Sa\u00fade de A a Z. <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/saude\/pt-br\/assuntos\/saude-de-a-a-z\/c\/coqueluche\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Coqueluche<\/a>.<\/li>\n\n\n\n<li>BRASIL. Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. Sa\u00fade de A a Z. <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/saude\/pt-br\/assuntos\/saude-de-a-a-z\/c\/coqueluche\/situacao-epidemiologica\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Situa\u00e7\u00e3o epidemiol\u00f3gica da coqueluche.<\/a><\/li>\n\n\n\n<li>FANGET, Nicolas. (2020). <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/d42859-020-00013-8\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pertussis: a tale of two vaccines<\/a>. Nature portfolio.<\/li>\n\n\n\n<li>KUCHAR, Ernest <em>et al<\/em>. <a href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/27256351\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pertussis: history of the disease and current prevention failure<\/a>. Pulmonary dysfunction and disease, p. 77-82, 2016.<\/li>\n\n\n\n<li>MELVIN, Jeffrey A. <em>et al<\/em>. <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/nrmicro3235\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Bordetella pertussis pathogenesis: current and future challenges<\/a>. Nature Reviews Microbiology, v. 12, n. 4, p. 274-288, 2014.<\/li>\n\n\n\n<li>WARFEL, Jason M.; BEREN, Joel; MERKEL, Tod J. <a href=\"https:\/\/pmc.ncbi.nlm.nih.gov\/articles\/PMC3501154\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Airborne transmission of Bordetella pertussis<\/a>. The Journal of infectious diseases, v. 206, n. 6, p. 902-906, 2012.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Outros materiais:<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linhadefundo\/2020\/04\/26\/diagnostico-por-rt-qpcr-o-que-e-isso\/\">Diagn\u00f3stico por RT-qPCR, o que \u00e9 isso?<\/a><\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Ao falar em coqueluche, muitas pessoas podem pensar que \u00e9 uma doen\u00e7a do passado, mas ela ainda existe no Brasil e no mundo, e as <a class=\"mh-excerpt-more\" href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/emrc\/2026\/10\/21\/coqueluche\/\" title=\"O que \u00e9 coqueluche?\">Read More<\/a><\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":585,"featured_media":718,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[10,118,18],"tags":[191,48,75,90],"class_list":["post-717","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-doencas-infecciosas","category-saude-publica","category-vacinas","tag-doencas-infecciosas","tag-emrc","tag-saude","tag-vacinas"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.7 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>O que \u00e9 coqueluche? 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