{"id":1103,"date":"2015-11-29T11:00:56","date_gmt":"2015-11-29T11:00:56","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/energiaeambiente\/?p=1103"},"modified":"2015-12-15T18:36:55","modified_gmt":"2015-12-15T18:36:55","slug":"cop21eobrasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/energiaeambiente\/2015\/11\/29\/cop21eobrasil\/","title":{"rendered":"COP21 e o Brasil: algumas id\u00e9ias"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/gilbertodemartino.net\/my-blog\/2015\/5\/1\/dusk\" target=\"_blank\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1114 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/energiaeambiente\/wp-content\/uploads\/sites\/6\/2015\/11\/Captura-de-Tela-2015-11-28-\u00e0s-16.47.50-300x104.png\" alt=\"Captura de Tela 2015-11-28 \u00e0s 16.47.50\" width=\"638\" height=\"221\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/energiaeambiente\/wp-content\/uploads\/sites\/6\/2015\/11\/Captura-de-Tela-2015-11-28-\u00e0s-16.47.50-300x104.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/energiaeambiente\/wp-content\/uploads\/sites\/6\/2015\/11\/Captura-de-Tela-2015-11-28-\u00e0s-16.47.50.png 721w\" sizes=\"(max-width: 638px) 100vw, 638px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Mais de 190 pa\u00edses se re\u00fanem a partir de amanh\u00e3,\u00a0\u00a030 de novembro, para discutir v\u00e1rios temas relacionados a um plano de a\u00e7\u00e3o poss\u00edvel para limitar emiss\u00f5es globais de gases-estufa. \u00c9 a vig\u00e9sima-primeira rodada de negocia\u00e7\u00f5es da <a href=\"http:\/\/unfccc.int\/meetings\/paris_nov_2015\/meeting\/8926.php\" target=\"_blank\">Confer\u00eancia das Partes da Conven\u00e7\u00e3o Clim\u00e1tica da ONU<\/a>. S\u00e3o reuni\u00f5es complexas entre pa\u00edses extremamente diferentes em termos de contribui\u00e7\u00f5es para emiss\u00f5es, recursos, culturas e capacidades de adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s necessidades urgentes desses limites.<\/p>\n<p>As mudan\u00e7as necess\u00e1rias para que consigamos manter a meta de aquecimento global da atmosfera em at\u00e9 2 graus Celsius em 2050 s\u00e3o muito, mas muito mesmo, radicais. \u00a0Exigir\u00e3o grandes compromissos, muita determina\u00e7\u00e3o \u00a0e rapidez entre a heterogeneidade dos pa\u00edses participantes das negocia\u00e7\u00f5es. Muito interesses pol\u00edticos e econ\u00f4micos est\u00e3o em jogo, al\u00e9m da necessidade de mobilizar grandes recursos financeiros e esfor\u00e7os de transfer\u00eancia de tecnologias entre pa\u00edses.<\/p>\n<p>A diferen\u00e7a \u00e9 que desta vez que parece haver maior consenso com rela\u00e7\u00e3o ao problema, suas causas e consequ\u00eancias das mudan\u00e7as do clima. As expectativas s\u00e3o mais positivas para resultados concretos nessa reuni\u00e3o.<\/p>\n<p>O que isso pode significar para o Brasil?<\/p>\n<p>Diferentemente de outras reuni\u00f5es o Brasil, vai a essa reuni\u00e3o sem o protagonismo que j\u00e1 teve no passado, mas leva algumas boas not\u00edcias na \u00e1rea de emiss\u00f5es relativas ao desmatamento e uso do solo. As inten\u00e7\u00f5es, como indica o <a href=\"https:\/\/www.evernote.com\/l\/AAhSNecPz7BOGavJINAClWnTE-OVStjLErM\" target=\"_blank\">INDC<\/a> brasileiro, \u00a0indicam uma gradual redu\u00e7\u00e3o at\u00e9 &#8220;zerar&#8221; as emiss\u00f5es em 2030 nessa \u00e1rea.<\/p>\n<p>Na \u00e1rea de energia tamb\u00e9m h\u00e1 o que se comemorar no nosso <a href=\"https:\/\/www.evernote.com\/l\/AAhSNecPz7BOGavJINAClWnTE-OVStjLErM\" target=\"_blank\">INDC<\/a>\u00a0que cont\u00e9m compromissos de manter um percentual na matriz energ\u00e9tica de 45% de fontes renov\u00e1veis e de 10% efici\u00eancia energ\u00e9tica em eletricidade. No entanto,\u00a0poder\u00edamos ser mais ambiciosos na minha opini\u00e3o, e liderar mudan\u00e7as importantes. Isso nos \u00a0posicionaria em situa\u00e7\u00e3o de fronteira em ci\u00eancia, tecnologia e suas aplica\u00e7\u00f5es. A economia do futuro ser\u00e1 muito diferente dessa que estamos ainda promovendo aqui no Brasil. Ter metas mais ambiciosas na \u00e1rea de energia nos colocaria como novos protagonistas de uma revolu\u00e7\u00e3o que j\u00e1 come\u00e7ou e que n\u00f3s somos ainda meros observadores.<\/p>\n<p>Atualmente\u00a0nossas emiss\u00f5es medidas em &#8220;<a href=\"http:\/\/www.ipam.org.br\/saiba-mais\/glossariotermo\/CO2-equivalente-CO2e-\/15\" target=\"_blank\">carbono equivalente<\/a>&#8221; est\u00e3o concentradas no desmatamento e uso do solo, mas \u00e9 o setor de energia que est\u00e1 apresentando fortes tend\u00eancias de crescimento. J\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel verificar, segundo os dados compilados pelo <a href=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\" target=\"_blank\">Observat\u00f3rio do Clima<\/a> e ilustrados no gr\u00e1fico 1, as emiss\u00f5es l\u00edquidas advindas das mudan\u00e7as de uso do solo no pa\u00eds est\u00e3o caindo significativamente nos \u00faltimos anos. O pr\u00f3prio INDC indica que deveremos &#8220;zerar&#8221; as emiss\u00f5es desse setor at\u00e9 2030.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1117\" aria-describedby=\"caption-attachment-1117\" style=\"width: 406px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/energiaeambiente\/wp-content\/uploads\/sites\/6\/2015\/11\/Captura-de-Tela-2015-11-28-\u00e0s-16.34.01.png\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-1117\" title=\"Gr\u00e1fico 1: Evolu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es decorrentes de mudan\u00e7as do uso do solo\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/energiaeambiente\/wp-content\/uploads\/sites\/6\/2015\/11\/Captura-de-Tela-2015-11-28-\u00e0s-16.34.01-300x127.png\" alt=\"Mudan\u00e7as do uso do solo-emiss\u00f5es\" width=\"406\" height=\"172\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/energiaeambiente\/wp-content\/uploads\/sites\/6\/2015\/11\/Captura-de-Tela-2015-11-28-\u00e0s-16.34.01-300x127.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/energiaeambiente\/wp-content\/uploads\/sites\/6\/2015\/11\/Captura-de-Tela-2015-11-28-\u00e0s-16.34.01.png 815w\" sizes=\"(max-width: 406px) 100vw, 406px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1117\" class=\"wp-caption-text\">Gr\u00e1fico 1: Emiss\u00f5es decorrentes do Uso do Solo (1990-2913) Fonte: Observat\u00f3rio do Clima 2015<\/figcaption><\/figure>\n<p>Conforme mostra o estudo feito por\u00a0<a href=\"http:\/\/www.energiaeambiente.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/energia_industria_2015.pdf\" target=\"_blank\">IEMA<\/a> (2015), no per\u00edodo entre 1990 e 2012, as emiss\u00f5es do setor de energia aumentaram de 193,1 milh\u00f5es de tCO2e para 436,7 milh\u00f5es de tCO2e, o que significou um aumento de 126%. Entre os anos de 2010 e 2012, o mesmo estudo destaca o crescimento 13,4% dessas emiss\u00f5es.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1102\" aria-describedby=\"caption-attachment-1102\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/energiaeambiente\/wp-content\/uploads\/sites\/6\/2015\/11\/1_CapturadeTela2015-11-28as14.47.30.png\" target=\"_blank\" data-rel=\"lightbox-image-1\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-1102 size-medium\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/energiaeambiente\/wp-content\/uploads\/sites\/6\/2015\/11\/1_CapturadeTela2015-11-28as14.47.30-300x224.png\" alt=\"A estrutura setorial das emiss\u00f5es brasileiras Fonte IEMA 2015\" width=\"300\" height=\"224\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/energiaeambiente\/wp-content\/uploads\/sites\/6\/2015\/11\/1_CapturadeTela2015-11-28as14.47.30-300x224.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/energiaeambiente\/wp-content\/uploads\/sites\/6\/2015\/11\/1_CapturadeTela2015-11-28as14.47.30.png 875w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1102\" class=\"wp-caption-text\">Gr\u00e1fico 2: A estrutura setorial das emiss\u00f5es brasileiras Fonte IEMA 2015<\/figcaption><\/figure>\n<p>Isso se deve principalmente ao uso de combust\u00edveis no setor de transportes e a pr\u00f3pria produ\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica e combust\u00edveis f\u00f3sseis em termoel\u00e9tricas e extra\u00e7\u00e3o e refino de petr\u00f3leo respectivamente (Gr\u00e1fico 2). \u00a0O setor de energia \u00e9 extremamente complexo e \u00e9 aonde a maioria dos pa\u00edses est\u00e3o concentrando seus planos futuros dentro da estrat\u00e9gia de mitiga\u00e7\u00e3o e adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. \u00c9 tamb\u00e9m um dos maiores setores da economia e com impactos em toda a economia moderna. No caso brasileiro\u00a0\u00e9 um setor tamb\u00e9m vulner\u00e1vel a mudan\u00e7a do clima\u00a0\u00a0dado a forte depend\u00eancia que temos do regime de chuvas para abastecer os reservat\u00f3rios de nossas hidrel\u00e9tricas.<\/p>\n<p>Entendo que esta COP 21 \u00e9 uma oportunidade para o pa\u00eds aproveitar seu atual status de possuir um sistema energ\u00e9tico com grande participa\u00e7\u00e3o de energia renov\u00e1vel e ir al\u00e9m, projetando uma nova economia com alta penetra\u00e7\u00e3o de novas fontes renov\u00e1veis e com uma infra-estrutura de consumo altamente eficiente.<\/p>\n<p>Destaco abaixo, de uma maneira resumida as oportunidades existentes e os desafios a serem considerados.<\/p>\n<h3><strong>Capacidade para reduzir emiss\u00f5es do setor energ\u00e9tico brasileiro:<\/strong><\/h3>\n<ul>\n<li>Grande potencial existente de fontes renov\u00e1veis (solar, e\u00f3lica, biomassa, energia dos oceanos, entre outras) em todo territ\u00f3rio nacional;<\/li>\n<li>Grande potencial t\u00e9cnico e econ\u00f4mico para efici\u00eancia energ\u00e9tica e \u201cflexibiliza\u00e7\u00e3o\u201d da demanda;<\/li>\n<li>Experi\u00eancia com diversos mecanismos de difus\u00e3o tecnol\u00f3gica<\/li>\n<li>Experi\u00eancia com sistema interligado de grande porte (eletricidade) j\u00e1 instalado;<\/li>\n<li>Experi\u00eancia com sistema de produ\u00e7\u00e3o, armazenamento e distribui\u00e7\u00e3o de biocombust\u00edveis.<\/li>\n<\/ul>\n<h3><strong>Desafios a serem enfrentados para reduzir as emiss\u00f5es:<\/strong><\/h3>\n<ul>\n<li>Necessidade de grandes investimentos em melhorias infra-estrutura T&amp;D, armazenagem de energia e de melhorias no uso final de energia. Mudan\u00e7as necess\u00e1rias na infra-estrutura de transportes, incluindo mudan\u00e7a de modos de transportes e mobilidade urbana;<\/li>\n<li>Aperfei\u00e7oamento do planejamento e gest\u00e3o do setor de energia, incluindo o planejamento do lado da demanda;<\/li>\n<li>Aperfei\u00e7oamento regulat\u00f3rio favorecendo a dissemina\u00e7\u00e3o de novos neg\u00f3cios com novas tecnologias de energia;<\/li>\n<li>Melhorar a capacita\u00e7\u00e3o industrial e comercial para novas fontes e tecnologias de uso final;<\/li>\n<li>Maior \u00eanfase em inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica: opera\u00e7\u00e3o, sistemas de armazenamento de energia. gera\u00e7\u00e3o distribu\u00edda, co-gera\u00e7\u00e3o e integra\u00e7\u00e3o de grandes quantidades de fontes intermitentes e flexibiliza\u00e7\u00e3o da oferta e demanda.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Esses s\u00e3o alguns pontos que poderiam ser considerados para aumentar ainda mais a contribui\u00e7\u00e3o brasileira nos esfor\u00e7os globais de estabiliza\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es. \u00c9 tamb\u00e9m uma oportunidade para aproveitar as vantagens inicias que o pa\u00eds j\u00e1 possui na \u00e1rea energ\u00e9tica\u00a0e participar ativamente de uma nova economia mundial. Isso significa desenvolver aqui \u00a0 maior expertise em servi\u00e7os tecnol\u00f3gicos, capacita\u00e7\u00e3o industrial, know-how, patentes e, em \u00faltima an\u00e1lise mais renda e empregos para gera\u00e7\u00f5es futuras.<\/p>\n<p>P.S. Os gr\u00e1ficos 1 e 2\u00a0(e alguns outros) podem ser encontrados <a href=\"http:\/\/www.slideshare.net\/gilberto1096\/capacidades-e-limitaes-brasileiras-para-reduo-de-emisses-ge\" target=\"_blank\">aqui<\/a>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mais de 190 pa\u00edses se re\u00fanem a partir de amanh\u00e3,\u00a0\u00a030 de novembro, para discutir v\u00e1rios temas relacionados a um plano<\/p>\n","protected":false},"author":12,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","_monsterinsights_skip_tracking":false,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-1103","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-diario"],"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/energiaeambiente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1103","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/energiaeambiente\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/energiaeambiente\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/energiaeambiente\/wp-json\/wp\/v2\/users\/12"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/energiaeambiente\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1103"}],"version-history":[{"count":20,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/energiaeambiente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1103\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1145,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/energiaeambiente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1103\/revisions\/1145"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/energiaeambiente\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1103"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/energiaeambiente\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1103"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/energiaeambiente\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1103"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}