{"id":1154,"date":"2016-01-18T18:01:03","date_gmt":"2016-01-18T18:01:03","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/energiaeambiente\/?p=1154"},"modified":"2016-02-04T15:06:19","modified_gmt":"2016-02-04T17:06:19","slug":"cop21depois","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/energiaeambiente\/2016\/01\/18\/cop21depois\/","title":{"rendered":"Depois da COP21-Paris: o que fazer?"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center\">Depois da COP21-Paris: o que fazer?<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O grande diferencial da COP 21 foi que desta vez ficou demonstrado um maior comprometimento dos 195 pa\u00edses membros Conven\u00e7\u00e3o Clim\u00e1tica e que representam mais de 90% das emiss\u00f5es globais de gases-estufa. \u00a0Dois aspectos foram importantes. \u00c9 cada vez maior o reconhecimento das bases cient\u00edficas das mudan\u00e7as do clima, suas causas e consequ\u00eancias. A outra foi que, diferentemente das COPs anteriores, desta vez a estrat\u00e9gia foi do tipo <em>bottom-up:\u00a0<\/em>os pa\u00edses tiveram que fazer sua li\u00e7ao de casa e estudar como e aonde reduzir suas emiss\u00f5es, considerando seus desejos e prioridades de desenvolvimento nacional apresentando sua INDC (\u00a0<a href=\"http:\/\/www4.unfccc.int\/submissions\/indc\/Submission%20Pages\/submissions.aspx\">INDC &#8211; Intended National Determined Contribution<\/a>). N\u00e3o foram estabelecidas metas do tipo top-down a serem cumpridas pela diversidade de paises envolvidos, embora houvesse uma meta t\u00e1cita: a de manter o aquecimento global da atmosfera abaixo de 2 graus Celsius (os cientistas clim\u00e1ticos advogam a necessidade de se manter em 1,5 graus at\u00e9 2100). J\u00e1 temos comprometidos cerca de 1 grau de aquecimento por conta daquilo que j\u00e1 foi emitido ap\u00f3s a revolu\u00e7\u00e3o industrial e que ainda permanecer\u00e1 na atmosfera.<\/p>\n<p>Embora o <a href=\"http:\/\/newsroom.unfccc.int\/unfccc-newsroom\/finale-cop21\/\" target=\"_blank\">resultado final da COP21<\/a> seja positivo, ainda existem d\u00favidas se conseguiremos chegar l\u00e1 (os primeiros c\u00e1lculos indicam que a somat\u00f3ria dos planos nacionais ainda n\u00e3o ser\u00e1 suficiente para ficarmos abaixo dos 2 graus).<\/p>\n<p>A tarefa \u00e9, portanto, \u00e1rdua.<\/p>\n<p>Energia \u00e9 e ser\u00e1 o setor central para a transi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria de desenvolvimento econ\u00f4mico sem emiss\u00f5es de gases (especialmente di\u00f3xido de carbono). \u00a0Para o Brasil tamb\u00e9m!<\/p>\n<p>\u00c9 verdade que existe ainda muito carv\u00e3o e petr\u00f3leo para ser queimado. Toda uma infraestrutura e uma economia que foram constru\u00eddas em fun\u00e7\u00e3o deles dever\u00e1 ser alterada. Grandes emissores como <a href=\"http:\/\/www.nytimes.com\/2016\/01\/15\/us\/politics\/in-climate-move-obama-to-halt-new-coal-mining-leases-on-public-lands.html?_r=0\">EUA<\/a>, <a href=\"http:\/\/www.nytimes.com\/interactive\/projects\/cp\/climate\/2015-paris-climate-talks\/china-raises-its-targets-for-renewable-energy\">China<\/a>, <a href=\"http:\/\/www.theguardian.com\/world\/2015\/oct\/02\/india-pledges-40-percent-electricity-renewables-2030\">India<\/a> j\u00e1 declaram mudan\u00e7as significativas em suas pol\u00edticas energ\u00e9ticas favorecendo fontes renov\u00e1veis.<\/p>\n<p>Combust\u00edveis f\u00f3sseis come\u00e7am a cair de pre\u00e7o de maneira bastante agressiva em um momento onde v\u00e1rias tecnologias de energia renov\u00e1vel tamb\u00e9m est\u00e3o ficando mais baratas, ou seja a competi\u00e7\u00e3o se acentua entre essas duas categorias de tecnologias de energia.<\/p>\n<p>A ambi\u00e7\u00e3o do pr\u00e9-sal brasileiro parece seriamente comprometida tanto pelos pre\u00e7os atuais do petr\u00f3leo como pelas nossas (Petrobr\u00e1s) dificuldades de financiar essa explora\u00e7\u00e3o. Se a expectativa das divisas com o pr\u00e9-sal foi a raz\u00e3o de n\u00e3o avan\u00e7armos com maior aten\u00e7\u00e3o na dire\u00e7\u00e3o de efici\u00eancia energ\u00e9tica e tecnologias renov\u00e1veis, est\u00e1 na hora de re-pensar e recuperar o tempo perdido.<\/p>\n<p>Comento aqui os aspectos tecnol\u00f3gicos que fazem parte das negocia\u00e7\u00f5es internacionais da COP, e que muitas vezes n\u00e3o s\u00e3o muito conhecidas.<\/p>\n<p>Esfor\u00e7os de transfer\u00eancia de tecnologia j\u00e1 est\u00e3o contemplados nas negocia\u00e7\u00f5es internacionais do clima desde a COP16-Canc\u00fan, M\u00e9xico. Nessa ocasi\u00e3o foi criado o <a href=\"http:\/\/unfccc.int\/ttclear\/templates\/render_cms_page?TEM_home\">Mecanismo Tecnol\u00f3gico<\/a>. Ele consiste em um Comit\u00ea Executivo de Tecnologia (<a href=\"http:\/\/unfccc.int\/ttclear\/pages\/tec_home.html\">Technology Executive Committee \u2013 TEC<\/a>), um Centro de Tecnologia (Technology Center) e uma <a href=\"http:\/\/unfccc.int\/ttclear\/templates\/render_cms_page?TEM_ctcn\">Rede de Institui\u00e7\u00f5es Tecnol\u00f3gicas<\/a> (Technology Network). A partir da COP 18-Doha o <a href=\"http:\/\/unfccc.int\/ttclear\/templates\/render_cms_page?TEM_ctcn\">Centro de Tecnologia<\/a> est\u00e1 sendo operado pela UNEP com apoio da UNIDO.<\/p>\n<p>O Mecanismo Tecnol\u00f3gico d\u00e1 suporte ao desenvolvimento, difus\u00e3o e transfer\u00eancia de tecnologias de baixo carbono, especialmente nos pa\u00edses em desenvolvimento, representados por suas <a href=\"http:\/\/unfccc.int\/ttclear\/templates\/render_cms_page?TEM_ndes\">entidades nacionais designadas<\/a> (National Designated Entities \u2013 NDEs).<\/p>\n<p>As institui\u00e7\u00f5es que fazem parte da Rede Tecnol\u00f3gica mencionada (Technology Network) s\u00e3o universidades, centros de pesquisas p\u00fablicos ou privados, ou ainda firmas de base tecnol\u00f3gica, com o objetivo de desenvolver\/adaptar, oferecer assist\u00eancia t\u00e9cnica e transfer\u00eancia de tecnologia aos pa\u00edses interessados (NDE), sendo <a href=\"http:\/\/unfccc.int\/ttclear\/templates\/render_cms_page?IMS_home\">financiados pelos recursos captados sob a chancela da Conven\u00e7\u00e3o do Clima<\/a>. At\u00e9 o momento somente duas institui\u00e7\u00f5es brasileiras se credenciaram e fazem parte dessa rede. O Mecanismo Tecnol\u00f3gico n\u00e3o \u00e9 somente um local para solicitar apoio tecnol\u00f3gico mas tamb\u00e9m de ofertar produtos e servi\u00e7os tecnologicos. J\u00e1 existem cerca de 700 tecnologias \u201cclim\u00e1ticas\u201d no banco de tecnologias dispon\u00edveis para serem transferidas.<\/p>\n<p>No \u00e2mbito do Mecanismo Tecnol\u00f3gico, cada pa\u00eds deve elaborar um <a href=\"http:\/\/unfccc.int\/ttclear\/templates\/render_cms_page?TNA_gateway\">Technology Needs Assessment (TNA)<\/a>. Este \u00e9\u00a0um documento no qual s\u00e3o identificadas e priorizadas as\u00a0necessidades tecnol\u00f3gicas para implementar sua pol\u00edtica clim\u00e1tica. O TNA visa orientar as estrat\u00e9gias de desenvolvimento sustent\u00e1vel do pa\u00eds, aumentando a capacidade de <em>adapta\u00e7\u00e3o<\/em>, reduzindo as vulnerabilidades a mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e promovendo medidas de <em>mitiga\u00e7\u00e3o<\/em> de gases de efeito estufa para atender \u00e0s metas de estabiliza\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es. O TNA de cada pa\u00eds explicita portanto as prioridades tecnologicas para mitiga\u00e7\u00e3o e adapta\u00e7\u00e3o segundo a \u00f3tica de desenvolvimento nacional para as pr\u00f3ximas d\u00e9cadas. Ao mesmo tempo prepara um <em>roadmap<\/em> tecnol\u00f3gico a ser seguido, alinhando sua pol\u00edtica industrial, de ci\u00eancia e tecnologia, pol\u00edtica econ\u00f4mica, pol\u00edtica energ\u00e9tica, e demais \u00e1reas consideradas relevantes para cada pa\u00eds.<\/p>\n<p>Diversos pa\u00edses n\u00e3o s\u00f3 criaram os seus respectivos centros tecnol\u00f3gicos como submeteram os seus TNA (Technology Assement Needs). Esses planos contemplam n\u00e3o apenas o\u00a0invent\u00e1rio de necessidades, mas conforme mencionado, inclui planos de implementa\u00e7\u00e3o das tecnologias priorizadas.<\/p>\n<p>No meu entendimento, o <a href=\"http:\/\/www.itamaraty.gov.br\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=11915:contribuicao-brasil-indc-27-de-setembro&amp;catid=43&amp;lang=pt-BR&amp;Itemid=478\">INDC brasileiro<\/a> apresentado em Paris na COP 21 seria muito mais cr\u00edvel se fosse acompanhado por um documento do tipo TNA. Com isso, ficaria mais evidente que estamos delineando o roteiro tecnol\u00f3gico que dever\u00e1 suportar as inten\u00e7\u00f5es e metas, quais ser\u00e3o os recursos humanos e de capital necess\u00e1rios, quais tecnologias s\u00e3o de dom\u00ednio nacional, quais devem ser adaptadas ou desenvolvidas, etc. Ainda n\u00e3o temos um TNA brasileiro e nem um detalhamento de como ser\u00e1 operacionalizado o INDC apresentado. Detalhes fazem toda a diferen\u00e7a.<\/p>\n<p>Mudan\u00e7as tecnol\u00f3gicas ser\u00e3o necess\u00e1rias, mas n\u00e3o suficientes para estabilizarmos emiss\u00f5es e nos prepararmos para as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas que j\u00e1 vivenciamos.<\/p>\n<p>Depois de Paris temos que avan\u00e7ar no detalhamento e prioriza\u00e7\u00e3o das tecnologias que queremos e necessitamos seja para\u00a0cumprir com o INDC apresentado, seja &#8211; e isso \u00e9 importante &#8211; \u00a0e explorar as oportunidades de ofertar servi\u00e7os e produtos tecnol\u00f3gicos de energia que valer\u00e3o muito mais que as <em>commodities<\/em> prim\u00e1rias que tanto parecemos gostar de exportar.<\/p>\n<p>Em outro artigo falaremos sobre a necessidade de sistemas de governan\u00e7a e gest\u00e3o para a implementa\u00e7\u00e3o do INDC.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Depois da COP21-Paris: o que fazer? &nbsp; &nbsp; O grande diferencial da COP 21 foi que desta vez ficou demonstrado<\/p>\n","protected":false},"author":12,"featured_media":1156,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","_monsterinsights_skip_tracking":false,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-1154","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-diario"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/energiaeambiente\/wp-content\/uploads\/sites\/6\/2016\/01\/praia2.png","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/energiaeambiente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1154","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/energiaeambiente\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/energiaeambiente\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/energiaeambiente\/wp-json\/wp\/v2\/users\/12"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/energiaeambiente\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1154"}],"version-history":[{"count":11,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/energiaeambiente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1154\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1174,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/energiaeambiente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1154\/revisions\/1174"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/energiaeambiente\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1156"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/energiaeambiente\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1154"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/energiaeambiente\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1154"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/energiaeambiente\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1154"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}