{"id":134,"date":"2008-07-19T10:11:31","date_gmt":"2008-07-19T13:11:31","guid":{"rendered":"http:\/\/gilbertomartino.wordpress.com\/2008\/07\/19\/o-que-eficincia-energtica\/"},"modified":"2008-07-19T10:11:31","modified_gmt":"2008-07-19T13:11:31","slug":"o-que-eficincia-energtica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/energiaeambiente\/2008\/07\/19\/o-que-eficincia-energtica\/","title":{"rendered":"O que \u00e9 efici\u00eancia energ\u00e9tica?"},"content":{"rendered":"<p>A busca por maior efici\u00eancia energ\u00e9tica (EE) pode ocorrer como uma conseq\u00fc\u00eancia natural do progresso tecnol\u00f3gico, uma rea\u00e7\u00e3o dos consumidores ao aumento de pre\u00e7os de energia e mesmo como parte dos esfor\u00e7os de redu\u00e7\u00e3o de custos (inclusive os de energia) dos setores mais competitivos da economia.<\/p>\n<p>No entanto, o mercado n\u00e3o parece ser suficiente para sozinho mobilizar as a\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para promo\u00e7\u00e3o de maior efici\u00eancia energ\u00e9tica. No Brasil, j\u00e1 se tem uma tradi\u00e7\u00e3o de mais de 20 anos de apoio governamental a essas atividades, com cria\u00e7\u00e3o de programas nacionais para o setor de eletricidade e derivados de petr\u00f3leo nos anos 80. Os principais participantes t\u00eam sido, historicamente, os \u00f3rg\u00e3os governamentais, como o PROCEL, CONPET, concession\u00e1rias p\u00fablicas de eletricidade, ONGs e empresas privadas de servi\u00e7os de eletricidade.<\/p>\n<p>Ao privatizar e reestruturar o setor de eletricidade, o Governo do Brasil buscou preservar o apoio pol\u00edtico e financeiro para melhorar a efici\u00eancia energ\u00e9tica. A exig\u00eancia de que as empresas de distribui\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica no Brasil em aplicar parte de sua receita anual l\u00edquida em medidas e programas relacionados \u00e0 efici\u00eancia energ\u00e9tica \u00e9 uma ferramenta pol\u00edtica essencial, promulgada para garantir que recursos continuar\u00e3o a ser alocados para a efici\u00eancia energ\u00e9tica no setor el\u00e9trico atual.<\/p>\n<p>Os benef\u00edcios da efici\u00eancia energ\u00e9tica s\u00e3o bastante conhecidos especialmente quando comparados com as alternativas convencionais de expans\u00e3o do sistema de oferta de energia. Algumas das vantagens bem conhecidas: ajudam a reduzir gastos, evitar emiss\u00f5es e impactos ambientais, al\u00e9m de poderem ser implantadas mais rapidamente que o aumento da oferta de energia.<\/p>\n<p>Os \u00faltimos relat\u00f3rios do IPCC ressaltam a import\u00e2ncia da efici\u00eancia energ\u00e9tica como componente importante das a\u00e7\u00f5es para estabiliza\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es de gases estufa. A AIE<a href=\"#_ftn1_6321\" name=\"_ftnref1_6321\">[1]<\/a> atribui a a\u00e7\u00f5es de efici\u00eancia de energia cerca de 65% da contribui\u00e7\u00e3o para estabilizar as emiss\u00f5es de carbono at\u00e9 o ano 2030, contra apenas 12% das fontes renov\u00e1veis e 10% da energia nuclear. Outro estudo realizado por um cons\u00f3rcio europeu de energias renov\u00e1veis (EREC<a href=\"#_ftn2_6321\" name=\"_ftnref2_6321\">[2]<\/a>) tamb\u00e9m indica um papel significativo e crescente da EE at\u00e9 2050.<\/p>\n<p>No entanto, ser\u00e1 que todas essas vantagens e indica\u00e7\u00f5es nos garantem que a economia brasileira faz um uso eficiente da energia? Por que n\u00e3o se faz mais? O mercado tem sido capaz de atrair investimentos na velocidade e volume compat\u00edveis para que as necessidades de servi\u00e7os energia da sociedade sejam realizadas de maneira mais eficiente e com menores custos? Os esfor\u00e7os do governo, inclusive os programas de efici\u00eancia energ\u00e9tica das concession\u00e1rias de eletricidade pagos por todos os consumidores, tem sido suficientes e eficazes? Quais s\u00e3o os desafios para fazer da efici\u00eancia energ\u00e9tica uma atividade que atraia investimentos e maior participa\u00e7\u00e3o privada? Como efici\u00eancia energ\u00e9tica pode fazer parte de pol\u00edticas sociais e auxiliar consumidores de baixa renda a reduzir sua inadimpl\u00eancia? Quais s\u00e3o os grandes desafios para que efici\u00eancia energ\u00e9tica possa contribuir de maneira significativa para aumentar o acesso dos consumidores a melhores servi\u00e7os, diminuir as necessidades de expans\u00e3o da oferta e conseq\u00fcentemente reduzir os impactos ambientais?<\/p>\n<p>Estas s\u00e3o quest\u00f5es que devem ser exploradas a partir de diagn\u00f3sticos e perspectivas de diversos atores da sociedade: empresas de energia, consumidores, governo, fabricantes de equipamentos.<\/p>\n<hr align=\"left\" size=\"1\" width=\"33%\" \/>\n<p><a href=\"#_ftnref1_6321\" name=\"_ftn1_6321\">[1]<\/a> Ag\u00eancia Internacional de Energia , <i>World Energy Outlook, 2006<\/i>.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2_6321\" name=\"_ftn2_6321\">[2]<\/a> European Renewable Energy Council.<\/p>\n<h3><\/h3>\n<h3>Conceitos<\/h3>\n<p>O entendimento mais disseminado de EE diz respeito a maneiras de consumir menos energia para realizar a mesma quantidade de servi\u00e7o, ou seja, significa diminuir a quantidade de energia prim\u00e1ria destinada a produzir um bem ou servi\u00e7o de energia. Isso pode ser ilustrado pelas diferentes configura\u00e7\u00f5es de um sistema motor-bomba conforme a Ilustra\u00e7\u00e3o 1, onde se pode notar que diferentes configura\u00e7\u00f5es requerem menos energia para executar um mesmo servi\u00e7o.<\/p>\n<p>Pode-se ampliar a defini\u00e7\u00e3o de EE para incluir tamb\u00e9m a substitui\u00e7\u00e3o de energ\u00e9ticos (g\u00e1s, energia solar, etc.) onde se comprove menores custos (sociais, ambientais, financeiros) para a produ\u00e7\u00e3o de um bem ou servi\u00e7o.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/energiaeambiente\/wp-content\/uploads\/sites\/6\/2008\/07\/fluxo-ee.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/energiaeambiente\/wp-content\/uploads\/sites\/6\/2008\/07\/fluxo-ee-thumb.jpg\" alt=\"Fluxo EE\" width=\"640\" height=\"479\" \/><\/a><\/p>\n<p>Ilustra\u00e7\u00e3o 1: Exemplos de efici\u00eancia energ\u00e9tica atrav\u00e9s de melhoramentos t\u00e9cnicos em um sistema motor-bomba.<\/p>\n<p>Fonte: Scientific American (1990), modificado pelo autor.<\/p>\n<h3>Tipos de efici\u00eancia energ\u00e9tica<\/h3>\n<p>A Ilustra\u00e7\u00e3o 2\u00a0apresenta os tr\u00eas tipos de efici\u00eancia energ\u00e9tica que conhecemos: EE do lado da oferta, da demanda (ou usos finais) e \u201cestilos de vida\u201d.<\/p>\n<p>Esses tr\u00eas tipos de EE est\u00e3o associados aos principais componentes que afetam a efici\u00eancia de um sistema energ\u00e9tico: a qualidade da energia fornecida, as tecnologias (de convers\u00e3o) de energia e o usu\u00e1rio final.<\/p>\n<p>Garantir e melhorar constantemente a qualidade dos combust\u00edveis e da eletricidade, estabelecendo, por exemplo, padr\u00f5es de composi\u00e7\u00e3o (combust\u00edveis), regularidade de voltagem (eletricidade), etc., permite que equipamentos e processos possam funcionar dentro das especifica\u00e7\u00f5es \u00f3timas para as quais foram projetados. A qualidade de energia tem influ\u00eancia direta n\u00e3o s\u00f3 na quantidade de energia consumida, mas tamb\u00e9m na vida \u00fatil dos equipamentos e n\u00edvel de emiss\u00f5es (no caso dos combust\u00edveis).<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/energiaeambiente\/wp-content\/uploads\/sites\/6\/2008\/07\/tipos-de-ee.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-1\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/energiaeambiente\/wp-content\/uploads\/sites\/6\/2008\/07\/tipos-de-ee-thumb.jpg\" alt=\"Tipos de EE\" width=\"640\" height=\"480\" \/><\/a><\/p>\n<p><a name=\"_Ref202054807\"><\/a>Ilustra\u00e7\u00e3o 2: Tipos de efici\u00eancia energ\u00e9tica e fluxo de energia<\/p>\n<p>O fluxo de energia \u00e9 permeado por uma s\u00e9rie de tecnologias cuja fun\u00e7\u00e3o \u00e9 converter diversas formas de energia nos servi\u00e7os desejados. Como em geral o parque de tecnologias de energia possui uma vida \u00fatil longa e estas s\u00e3o intensivas em capital (especialmente as tecnologias do lado da oferta), existem grandes desafios para acelerar a substitui\u00e7\u00e3o ou mesmo moderniza\u00e7\u00e3o da infra-estrutura tecnol\u00f3gica de oferta e demanda de energia.<\/p>\n<p>A din\u00e2mica do mercado, a estrat\u00e9gia dos fornecedores de equipamentos e altos custos de transa\u00e7\u00e3o para se substituir ou modificar as tecnologias em uso, tem oferecido entraves significativos para acelerar a introdu\u00e7\u00e3o e dissemina\u00e7\u00e3o de novas tecnologias mais eficientes. Freq\u00fcentemente \u00e9 necess\u00e1rio recorrer a instrumentos regulat\u00f3rios ou legislativos para possibilitar a comercializa\u00e7\u00e3o de equipamentos mais eficientes. Incentivos financeiros acoplados a especifica\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas que garantam o desempenho energ\u00e9tico dentro de padr\u00f5es cada vez menor de consumo t\u00eam sido utilizados principalmente para v\u00e1rias tecnologias de uso final, como motores, refrigeradores, l\u00e2mpadas e inclusive edifica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O usu\u00e1rio final \u00e9 o terceiro elemento fundamental para um sistema energ\u00e9tico eficiente. Dele dependem decis\u00f5es importantes como compra, instala\u00e7\u00e3o e opera\u00e7\u00e3o de equipamentos e processos que consomem energia. Seu padr\u00e3o de consumo e estilo de vida determinam em \u00faltima an\u00e1lise o consumo de energia de toda a cadeira de produ\u00e7\u00e3o de bens e servi\u00e7os de um pa\u00eds ou regi\u00e3o. Acesso a informa\u00e7\u00e3o, poder aquisitivo, cultura e prefer\u00eancias influem de maneira complexa nas intera\u00e7\u00f5es dos consumidores com tecnologias e demanda final de energia.<\/p>\n<h3>O potencial de efici\u00eancia energ\u00e9tica<\/h3>\n<p>Estimar o potencial de EE de um pa\u00eds \u00e9 muito similar a realizar estimativas de reservas de petr\u00f3leo. Os valores podem variar de acordo com cada analista, metodologias e crit\u00e9rios utilizados. A cada novo pre\u00e7o de energia novos potenciais \u201cnegawatts\u201d aparecem, assim como novas reservas s\u00e3o contabilizadas.<\/p>\n<p>O potencial de negawatts n\u00e3o \u00e9 s\u00e3o desprez\u00edvel como j\u00e1 indicam os estudos da IEA e EREC citados. Os estudos realizados para o Brasil pela WWF<a href=\"#_ftn1_4341\" name=\"_ftnref1_4341\">[1]<\/a>, Greenpeace<a href=\"#_ftn2_4341\" name=\"_ftnref2_4341\">[2]<\/a> e mesmo EPE<a href=\"#_ftn3_4341\" name=\"_ftnref3_4341\">[3]<\/a> tamb\u00e9m apresentam estimativas com valores expressivos pela As avalia\u00e7\u00f5es do WWF e Greenpeace s\u00e3o bem superiores \u00e0quelas apontadas pelas proje\u00e7\u00f5es oficiais da EPE, ao redor de 30-38% da demanda projetada de eletricidade durante 2020-2030, enquanto a EPE estima um valor de cerca de 10%.<\/p>\n<p>Estimativas do potencial de EE implicam em considera\u00e7\u00f5es complexas sobre comportamento do consumidor, do mercado, desempenho e evolu\u00e7\u00e3o de tecnologias ao longo do tempo, e, principalmente da exist\u00eancia de pol\u00edticas p\u00fablicas para transformar o mercado de energia (e tecnologias). Dependem em grande parte dos investimentos que ser\u00e3o disponibilizados, pre\u00e7os de energia, lideran\u00e7a e coordena\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas.<\/p>\n<p>Existem tamb\u00e9m fatores que adicionam maiores incertezas \u00e0s estimativas de potencial de EE, como efeito rebote (\u201crebound effect\u201d), sazonalidade econ\u00f4mica e clim\u00e1tica que podem impactar nas economias de energia inicialmente estimadas.<\/p>\n<p>No entanto, \u00e9 importante observar que existe uma enorme evolu\u00e7\u00e3o em termos de metodologias e instrumentos de avalia\u00e7\u00e3o de programas de efici\u00eancia energ\u00e9tica de modo a reduzir as incertezas ou control\u00e1-las de maneira aceit\u00e1vel.<\/p>\n<p>Tradicionalmente se releva as incertezas de estimativas do potencial de fornecimento de energia (potencial de oferta de energia) e se penaliza as incertezas do potencial de efici\u00eancia energ\u00e9tica do lado da demanda (onde grande parte do potencial de EE se localiza). \u00c9 importante reconhecer que existem tamb\u00e9m enormes incertezas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 quantifica\u00e7\u00e3o de reservas de petr\u00f3leo, por exemplo e sua produ\u00e7\u00e3o ao longo do tempo. O mesmo acontece com invent\u00e1rios de potenciais hidroel\u00e9tricos e correspondente produ\u00e7\u00e3o anual de eletricidade. Mudan\u00e7as de regimes clim\u00e1ticos, atrasos em obras civis, varia\u00e7\u00f5es de custos, exemplificam as incertezas que permeiam as proje\u00e7\u00f5es de fornecimento de energia, e comprometem muitas vezes a gera\u00e7\u00e3o de energia e os custos inicialmente previstos.<\/p>\n<h3>A contribui\u00e7\u00e3o da EE para o Brasil<\/h3>\n<p>EE \u00e9 nada mais que outro recurso energ\u00e9tico que pode ser empregado para atender \u00e0s necessidades da sociedade. Destacam-se abaixo principais \u00e1reas onde EE pode ter uma contribui\u00e7\u00e3o significativa para o pa\u00eds.<\/p>\n<h4>Compatibilizar a oferta e demanda de energia<\/h4>\n<p>A curto prazo, a grande prioridade da efici\u00eancia energ\u00e9tica no Brasil \u00e9 ajudar a evitar perdas econ\u00f4micas em virtude de desequil\u00edbrio entre a demanda e a capacidade de gera\u00e7\u00e3o de energia. J\u00e1 h\u00e1 alguns anos, o crescimento econ\u00f4mico do Brasil imp\u00f5e demandas de nova capacidade de gera\u00e7\u00e3o e infra-estrutura adicional de eletricidade e combust\u00edveis. Conforme v\u00e1rios estudos e alertas feitos ao longo dos \u00faltimos anos, investimentos em nova capacidade de gera\u00e7\u00e3o n\u00e3o estavam acompanhando a crescente demanda. Restri\u00e7\u00f5es no abastecimento de causam s\u00e9rios transtornos \u00e0s atividades comercial e industrial, al\u00e9m da vida dos cidad\u00e3os, como foi poss\u00edvel verificar durante o ano de 2001.<\/p>\n<p>A\u00e7\u00f5es mais coordenadas e planejadas de efici\u00eancia energ\u00e9tica devem fazer parte de uma pol\u00edtica de investimentos para o setor de energia no longo prazo.<\/p>\n<h4>Reduzir os impactos ambientais, em n\u00edvel local e global, devidos ao fornecimento de energia<\/h4>\n<p>Maior efici\u00eancia e redu\u00e7\u00e3o do desperd\u00edcio no fornecimento e uso final de energia ajudariam a preservar o meio ambiente, na medida em que restringem a quantidade de energia que precisa ser gerada. O fornecimento e uso de energia afeta o meio ambiente em raz\u00e3o da extra\u00e7\u00e3o de combust\u00edvel e transporte, implanta\u00e7\u00e3o de usinas de gera\u00e7\u00e3o de eletricidade, refinarias e emiss\u00f5es na atmosfera. Embora o fornecimento de energia el\u00e9trica no Brasil tenha sido historicamente hidrel\u00e9trico, a capacidade adicional futura ser\u00e1 dominada por tecnologias t\u00e9rmicas. A queima de combust\u00edvel f\u00f3ssil para gera\u00e7\u00e3o de energia ocasiona polui\u00e7\u00e3o local e gases de efeito-estufa na atmosfera. Redu\u00e7\u00e3o do desperd\u00edcio de energia el\u00e9trica e melhor gerenciamento do setor de transportes podem ajudar o Brasil a melhorar a qualidade do ar local, al\u00e9m de contribuir para os esfor\u00e7os globais visando a redu\u00e7\u00e3o dos gases de efeito-estufa.<\/p>\n<h4>Garantir a expans\u00e3o dos servi\u00e7os de energia com menores custos<\/h4>\n<p>\u00c9 claro que usar energia de modo eficiente implica em investimentos e custos operacionais, no entanto grande parte das possibilidades indicam custos inferiores \u00e0queles necess\u00e1rios para gerar a quantidade equivalente evitada. Diversos estudos identificam essas oportunidades. O pr\u00f3prio mercado tem sido capaz de explorar uma parcela do potencial de EE que se mostra economicamente atraente para investidores privados. \u00c9 desse modo que tem havido oportunidades para as novas ESCOs.<\/p>\n<p>A sustentabilidade de mercados de efici\u00eancia energ\u00e9tica pode ser alcan\u00e7ada por meio da captura de economias de escala em produtos e servi\u00e7os, reduzindo os riscos de desempenho de projetos individuais por meio da diversifica\u00e7\u00e3o de carteira, e reduzindo os custos de transa\u00e7\u00e3o para financiamento e entrega dos servi\u00e7os. Essas caracter\u00edsticas, por sua vez, podem ser promovidas por meio de articula\u00e7\u00e3o de recursos, coopera\u00e7\u00e3o entre diferentes agentes do mercado e alavancagem de fundos.<\/p>\n<p>Na medida em que esses investimentos aumentem existir\u00e1 menor press\u00e3o para a expans\u00e3o do parque gerador de energia.<\/p>\n<h4>Garantir o acesso e capacidade de adquirir servi\u00e7os de energia para consumidores de baixa renda<\/h4>\n<p>Devido \u00e0 grave crise s\u00f3cio-econ\u00f4mica que atinge milh\u00f5es de domic\u00edlios de baixa renda em \u00e1reas urbanas e rurais, essas regi\u00f5es, historicamente, t\u00eam recebido subs\u00eddios expl\u00edcitos ou impl\u00edcitos pelos seus servi\u00e7os de eletricidade e GLP. Al\u00e9m disso, alguns domic\u00edlios de baixa renda recebem energia el\u00e9trica informalmente, sem a instala\u00e7\u00e3o de medidores ou cobran\u00e7a de tarifas. Com a reestrutura\u00e7\u00e3o e privatiza\u00e7\u00e3o do setor el\u00e9trico do Brasil, as tarifas residenciais ser\u00e3o reajustadas para que reflitam, mais diretamente, os custos do fornecimento dos servi\u00e7os, com arrecada\u00e7\u00e3o mais eficaz das receitas.<\/p>\n<p>Cerca de 37% dos consumidores residenciais brasileiros s\u00e3o considerados de baixa renda e recebem subs\u00eddios de cerca de R$ 120 milh\u00f5es ao m\u00eas. \u00c9 desej\u00e1vel, dessa forma, desenvolver uma estrat\u00e9gia de retirada dos subs\u00eddios sem provocar impactos negativos na capacidade de pagamento dessa popula\u00e7\u00e3o atualmente enquadrada na Tarifa Social. Efici\u00eancia energ\u00e9tica pode fazer parte dessa estrat\u00e9gia, desonerando os demais consumidores que est\u00e3o na realidade subsidiando o uso ineficiente de eletricidade dos equipamentos obsoletos encontrados nos domic\u00edlios de baixa renda.<\/p>\n<p>Maior efici\u00eancia energ\u00e9tica facilitar\u00e1 aos consumidores de baixa renda manter a condi\u00e7\u00e3o de acesso e a capacidade de pagar pela eletricidade, ao mesmo tempo podem contribuir para reduzir a necessidade de subs\u00eddios no m\u00e9dio e longo prazos.<\/p>\n<hr align=\"left\" size=\"1\" width=\"33%\" \/>\n<p><a href=\"#_ftnref1_4341\" name=\"_ftn1_4341\">[1]<\/a> Agenda El\u00e9trica Sustent\u00e1vel 2020, 2006.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2_4341\" name=\"_ftn2_4341\">[2]<\/a> Relat\u00f3rio [r]evolu\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica &#8211; Brasil, 2007.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3_4341\" name=\"_ftn3_4341\">[3]<\/a> PNE 2030.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A busca por maior efici\u00eancia energ\u00e9tica (EE) pode ocorrer como uma conseq\u00fc\u00eancia natural do progresso tecnol\u00f3gico, uma rea\u00e7\u00e3o dos consumidores<\/p>\n","protected":false},"author":12,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-134","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-eficiencia-energetica"],"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/energiaeambiente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/134","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/energiaeambiente\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/energiaeambiente\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/energiaeambiente\/wp-json\/wp\/v2\/users\/12"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/energiaeambiente\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=134"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/energiaeambiente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/134\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/energiaeambiente\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=134"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/energiaeambiente\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=134"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/energiaeambiente\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=134"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}