{"id":443,"date":"2010-12-10T03:31:32","date_gmt":"2010-12-10T06:31:32","guid":{"rendered":"http:\/\/gilbertomartino.wordpress.com\/2010\/12\/10\/eficiencia-energetica-e-fontes-renovaveis\/"},"modified":"2010-12-10T03:31:32","modified_gmt":"2010-12-10T06:31:32","slug":"eficiencia-energetica-e-fontes-renovaveis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/energiaeambiente\/2010\/12\/10\/eficiencia-energetica-e-fontes-renovaveis\/","title":{"rendered":"Efici\u00eancia energ\u00e9tica e fontes renov\u00e1veis"},"content":{"rendered":"<p>IHU On-line\u00a0 09\/dez\/2010<\/p>\n<blockquote><p>Faltam pol\u00edticas p\u00fablicas para efici\u00eancia energ\u00e9tica e fontes renov\u00e1veis<\/p><\/blockquote>\n<p>?O Brasil, especialmente em algumas fontes, tem toda a capacidade de  inovar e ter um papel importante no panorama internacional,  competitivamente?, disse o matem\u00e1tico Gilberto de Martino Jannuzzi, na  entrevista que concedeu por telefone, nesta semana, \u00e0 IHU On-Line.  Docente na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), na Faculdade de  Engenharia Mec\u00e2nica, Departamento de Energia, ele acredita que  prospec\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica \u00e9 algo importante para o futuro e ?n\u00e3o podemos  perder essa chance de jeito nenhum?.<\/p>\n<p>Jannuzzi \u00e9 graduado em Matem\u00e1tica pela Unicamp e doutor em Energy  Studies, pela Universidade de Cambridge, Inglaterra, com a tese The  structure and development of the persoal demand for fuels and  electricity in Brazil. \u00c9 p\u00f3s-doutor, pela Universidade da Calif\u00f3rnia,  EUA, pelo UNEP Collaborating Centre on Energy and Environment\/Risoe Nat.  Laboratory, UNEP CENTRE EE, Dinamarca, e pelo Lawrence Berkeley  National Laboratory (LBNL), tamb\u00e9m nos EUA. Livre docente pela Unicamp, \u00e9  autor de in\u00fameros artigos t\u00e9cnicos e das seguintes obras, escritas em  parceria com outros pesquisadores: Introdu\u00e7\u00e3o ao estudo do planejamento  de sistemas energ\u00e9ticos (Campinas: Unicamp, 1994); Tools and methods for  Integrated Resources Planning: improving energy Efficiency and  protecting the environment (Rolskilde, Dinamarca: UNPE Collaborating  Centre on energy and environmet, 1997); Planejamento integrado de  recursos energ\u00e9ticos: meio ambiente, conserva\u00e7\u00e3o de energia e fontes  renov\u00e1veis (Campinas: Autores Associados, 1997); e Prospec\u00e7\u00e3o  tecnol\u00f3gica em energia (Bras\u00edlia: Centro de Gest\u00e3o e Estudos  Estrat\u00e9gicos, 2005). De sua autoria individual, destacamos: Pol\u00edticas  p\u00fablicas para efici\u00eancia energ\u00e9tica e energia renov\u00e1vel no novo contexto  de mercado: uma an\u00e1lise da experi\u00eancia recente dos EUA e do Brasil  (Campinas: Editora Autores Associados, 2000).<\/p>\n<p>IHU On-Line ? O que significa a op\u00e7\u00e3o do Brasil pelo sistema energ\u00e9tico de hidrel\u00e9tricas?<\/p>\n<p>Gilberto Jannuzzi ? \u00c9 uma op\u00e7\u00e3o natural e razo\u00e1vel para um pa\u00eds que  tem o potencial que tem. N\u00e3o \u00e9 nada surpreendente. Pa\u00edses que t\u00eam uma  reserva grande, como Brasil, Noruega e Canad\u00e1, possuem uma participa\u00e7\u00e3o  correspondente na sua matriz de produ\u00e7\u00e3o de eletricidade.<\/p>\n<p>IHU On-Line ? Quais s\u00e3o os limites do sistema hidrel\u00e9trico atual?<\/p>\n<p>Gilberto Jannuzzi ? Os limites sempre s\u00e3o ditados pela capacidade  que um pa\u00eds tem de produzir a energia de maneira economicamente  atraente. \u00c9 uma combina\u00e7\u00e3o da dist\u00e2ncia dessas reservas de  hidroeletricidade e dos centros de consumo, em compara\u00e7\u00e3o com as outras  fontes de gera\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica.<\/p>\n<p>IHU On-Line ? E, hoje no Brasil, o senhor v\u00ea algum tipo de limite desse g\u00eanero?<\/p>\n<p>Gilberto Jannuzzi ? J\u00e1 come\u00e7amos a enfrentar limites no que se  refere aos custos. Os empreendimentos come\u00e7am a ficar mais caros, j\u00e1  ficam mais distantes do centro de consumo, e essa \u00e9 uma raz\u00e3o que os  encarece. Esses empreendimentos come\u00e7am a ter que incorporar novas  exig\u00eancias que, no passado, eram menos levadas em conta, especificamente  a quest\u00e3o ambiental e de deslocamento da popula\u00e7\u00e3o. Esses s\u00e3o os  limitantes que v\u00e3o come\u00e7ar a agravar o processo da participa\u00e7\u00e3o da  hidroeletricidade na matriz brasileira.<\/p>\n<p>IHU On-Line ? O sistema hidrel\u00e9trico, estruturado para projetar energia em grande escala, poder\u00e1 se tornar ultrapassado?<\/p>\n<p>Gilberto Jannuzzi ? H\u00e1 v\u00e1rias maneiras de produzir eletricidade.  Usamos a hidroeletricidade, mas tamb\u00e9m aqui no Brasil se usa a energia  nuclear e de termoel\u00e9tricas. O que vai come\u00e7ar a acontecer \u00e9 uma  diversifica\u00e7\u00e3o das maneiras de produzir eletricidade. Teremos  crescentemente a participa\u00e7\u00e3o de outras fontes, inclusive de energia  e\u00f3lica, que a\u00ed no sul come\u00e7a a ser importante.<\/p>\n<p>IHU On-Line ? Que modelo de planejamento energ\u00e9tico deveria ser  adotado no Brasil, para garantir a distribui\u00e7\u00e3o de energia no futuro?<\/p>\n<p>Gilberto Jannuzzi ? Aqui na Unicamp, temos trabalhado bastante  dentro de um conceito que chamamos de planejamento integrado de recursos  energ\u00e9ticos. E entendemos que faz parte do processo de planejamento n\u00e3o  ficar apenas preocupado com a oferta de energia, mas tamb\u00e9m olhar a  maneira como estamos consumindo energia, se n\u00e3o podemos tamb\u00e9m evitar  desperd\u00edcios, investir em maneiras mais eficientes de consumir  eletricidade e todos os combust\u00edveis. Por isso, \u00e9 importante integrar as  op\u00e7\u00f5es de oferta e demanda.<\/p>\n<p>IHU On-Line ? Como o Brasil pode reformular a estrutura de produ\u00e7\u00e3o e  consumo de energia, e ao mesmo tempo, controlar o crescimento de  emiss\u00e3o de gases estufa?<\/p>\n<p>Gilberto Jannuzzi ? N\u00f3s realizamos um estudo espec\u00edfico para  eletricidade, no ano passado, para a WWF, onde fizemos esse tipo de  hip\u00f3tese. E sugerimos maneiras de estabilizar o n\u00edvel de emiss\u00f5es, mas  continuar atendendo a popula\u00e7\u00e3o com os servi\u00e7os de eletricidade. O  estudo trabalha muito a quest\u00e3o da efici\u00eancia energ\u00e9tica, que n\u00f3s  podemos melhorar bastante e tamb\u00e9m analisa uma maior participa\u00e7\u00e3o de  fontes renov\u00e1veis. Essa \u00e9 a estrat\u00e9gia poss\u00edvel para estabilizar as  emiss\u00f5es do setor.<\/p>\n<p>IHU On-Line ? Qual \u00e9 a import\u00e2ncia de pensar numa prospec\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica ampla para a \u00e1rea de energia?<\/p>\n<p>Gilberto Jannuzzi ? Isso \u00e9 fundamental. O Brasil, especialmente em  algumas fontes, tem toda a capacidade de inovar e ter um papel  importante no panorama internacional, competitivamente. A biomassa \u00e9 um  dos elementos em que temos vantagens comparativas, recursos e capacidade  intelectual, mesmo do setor industrial, de desenvolver tecnologias de  ponta, que possam ser utilizadas em muitos outros lugares pelo mundo  afora. A prospec\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica \u00e9 algo importante para o futuro e n\u00e3o  podemos perder essa chance de jeito nenhum.<\/p>\n<p>IHU On-Line ? Que medidas devem ser tomadas para criar uma matriz energ\u00e9tica limpa?<\/p>\n<p>Gilberto Jannuzzi ? No estudo que fizemos para a WWF, elencamos nove  medidas que ajudariam a ter uma matriz mais limpa, tentando reverter,  no caso da eletricidade, o aumento da participa\u00e7\u00e3o de fontes f\u00f3sseis e o  aumento das emiss\u00f5es. Naquele estudo, h\u00e1 detalhes dessas sugest\u00f5es para  tornar nossa matriz de eletricidade mais limpa. Tudo passa por uma  necessidade de tornarmos a nossa estrutura de consumo muito mais  eficiente do que ela \u00e9 hoje, e tamb\u00e9m de um esfor\u00e7o forte para  viabilizar uma maior escala na utiliza\u00e7\u00e3o de fontes renov\u00e1veis que n\u00e3o a  hidroeletricidade de grande porte.<\/p>\n<p>IHU On-Line ? Se existem op\u00e7\u00f5es energ\u00e9ticas para o Brasil, com  grande potencial de uso como a e\u00f3lica, a solar ou a de biomassa, por que  a demora em investir nessas alternativas?<\/p>\n<p>Gilberto Jannuzzi ? Existem v\u00e1rias dificuldades. Essas alternativas  t\u00eam tamb\u00e9m v\u00e1rios problemas, que \u00e9 importante serem considerados. Um  deles \u00e9 que s\u00e3o fontes de energia mais caras. Outro problema \u00e9 o da  nossa escala de consumo, com grandes exig\u00eancias de energia. E essas  fontes s\u00e3o descentralizadas, de pequeno porte, n\u00e3o s\u00e3o constantes, ou  seja, n\u00e3o duram o ano inteiro. Elas t\u00eam uma s\u00e9rie de dificuldades, e n\u00e3o  poder\u00edamos estar somente dependendo delas. O que temos que fazer \u00e9  saber usar todas essas fontes. Todas elas podem ter um papel importante.  No entanto, nossos planejadores n\u00e3o t\u00eam sido muito criativos. S\u00e3o  preferidas fontes convencionais, porque o planejamento do Pa\u00eds ainda  privilegia essas solu\u00e7\u00f5es. Tamb\u00e9m n\u00e3o podemos negar que existem grandes  interesses, j\u00e1 mobilizados, em favor das fontes convencionais e existe  maior dificuldade de mobiliza\u00e7\u00e3o desses mesmos interesses econ\u00f4micos e  pol\u00edticos em favor das fontes renov\u00e1veis. Esse \u00e9 um outro fator  importante. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma quest\u00e3o t\u00e9cnica nem econ\u00f4mica, mas tamb\u00e9m  envolve a participa\u00e7\u00e3o de agentes que t\u00eam maior interesse na solu\u00e7\u00e3o  tecnol\u00f3gica convencional.<\/p>\n<p>IHU On-Line ? Que rela\u00e7\u00f5es o senhor estabelece entre a efici\u00eancia  energ\u00e9tica brasileira e a americana, no livro Pol\u00edticas p\u00fablicas para  efici\u00eancia energ\u00e9tica e energia renov\u00e1vel no novo contexto de mercado:  uma an\u00e1lise da experi\u00eancia recente dos EUA e do Brasil?<\/p>\n<p>Gilberto Jannuzzi ? No caso dos Estados Unidos, durante muito tempo,  eles tiveram um papel bastante inovador, exatamente concebendo essas  pol\u00edticas e criando um mercado. Eles tiveram grandes oportunidades,  grandes experimentos, criando um mercado para fontes renov\u00e1veis e  efici\u00eancia energ\u00e9tica. Nessa Era Bush, muito foi erodido, mas  conseguimos ver novamente um papel importante dessas pol\u00edticas p\u00fablicas  em v\u00e1rios estados, na Calif\u00f3rnia, por exemplo, e a quest\u00e3o ambiental  sendo o pano de fundo para essas mudan\u00e7as. No Brasil, ainda n\u00e3o temos  nada nessa escala. N\u00e3o temos uma pol\u00edtica p\u00fablica para a efici\u00eancia  energ\u00e9tica e n\u00e3o temos uma pol\u00edtica p\u00fablica para fontes renov\u00e1veis  ainda. Essa \u00e9 uma grande diferen\u00e7a que n\u00f3s ainda guardamos em rela\u00e7\u00e3o  aos Estados Unidos.<\/p>\n<p>(IHU On-line)<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.zeeli.pro.br\/\">http:\/\/www.zeeli.pro.br<\/a><br \/>\n_______________________________<\/p>\n<p>Jose Eli Da Veiga<\/p>\n<p>UNIVERSITY OF SAO PAULO &#8211; BR<br \/>\nDep. Economics &#8211; Professor<br \/>\n_____________________________<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>IHU On-line\u00a0 09\/dez\/2010 Faltam pol\u00edticas p\u00fablicas para efici\u00eancia energ\u00e9tica e fontes renov\u00e1veis ?O Brasil, especialmente em algumas fontes, tem toda<\/p>\n","protected":false},"author":12,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","_monsterinsights_skip_tracking":false,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-443","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-diario"],"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/energiaeambiente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/443","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/energiaeambiente\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/energiaeambiente\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/energiaeambiente\/wp-json\/wp\/v2\/users\/12"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/energiaeambiente\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=443"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/energiaeambiente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/443\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/energiaeambiente\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=443"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/energiaeambiente\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=443"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/energiaeambiente\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=443"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}