{"id":55,"date":"2007-05-27T08:23:12","date_gmt":"2007-05-27T11:23:12","guid":{"rendered":"http:\/\/gilbertomartino.wordpress.com\/2007\/05\/27\/55\/"},"modified":"2007-05-27T08:23:12","modified_gmt":"2007-05-27T11:23:12","slug":"55","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/energiaeambiente\/2007\/05\/27\/55\/","title":{"rendered":"Duas opini\u00f5es sobre nosso futuro el\u00e9trico: fa\u00e7a a sua escolha"},"content":{"rendered":"<p>Reproduzo abaixo duas opini\u00f5es sobre planejamento energ\u00e9tico.  Os autores fazem um diagn\u00f3stico da presente situa\u00e7\u00e3o do setor el\u00e9trico e sua expans\u00e3o. O prof. Goldemberg apresenta uma vis\u00e3o mais abrangente e lista algumas das op\u00e7\u00f5es que se apresentam, mostrando seus limites e as dificuldades. J\u00e1 o prof. (ex?) Tolmasquim \u00e9 o verdadeiro &#8220;planejador de plant\u00e3o&#8221;. Demonstra o caracter\u00edsco otimismo de quem s\u00f3 tem um horizonte de 3 ou 4 anos pela frente dentro de um governo, tem o dever de mostrar resultados e justificar exdruxulamente determinadas op\u00e7\u00f5es. Ainda o planejamento de um setor importante com esse \u00e9 feito sem se considerar o longo prazo e a natureza de &#8220;bem p\u00fablico&#8221; dos recursos energ\u00e9ticos (tanto os recursos de oferta como os de demanda). O planejamento energ\u00e9tico \u00e9 muito mais que um planejamento de governo e uma tarefa de Estado.<\/p>\n<p>O futuro nos exige solu\u00e7\u00f5es mais criativas do que indicam as solu\u00e7\u00f5es do presente governo e penso que o artigo do prof. Goldemberg nos estimula muito mais nessa dire\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 minha modesta opini\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span class=\"Ttulo3Char\"><span style=\"font-size:13pt\">*A China, o bagre e as usinas do Rio Madeira*<br \/>\n<\/span><\/span><em><span style=\"font-size:10pt\"><br \/>\n*Artigo &#8211; Mauricio Tolmasquim*<br \/>\n* Correio Braziliense *<br \/>\n21\/5\/2007<\/span><\/em><\/p>\n<p><em>Acabo de voltar de um evento na China, onde era o \u00fanico sul-americano<br \/>\nconvidado a fazer uma apresenta\u00e7\u00e3o. A exposi\u00e7\u00e3o sobre o Brasil foi a que<br \/>\nmais atraiu interesse, dado o destaque da nossa matriz energ\u00e9tica<br \/>\nrenov\u00e1vel no contexto mundial. A participa\u00e7\u00e3o das fontes limpas no nosso<br \/>\npa\u00eds chega a 44,5%, contra 13,3% no mundo e apenas 6% nos pa\u00edses da OCDE.<\/em><\/p>\n<p><em>Em conseq\u00fc\u00eancia, as emiss\u00f5es de g\u00e1s carb\u00f4nico devido ao consumo de<br \/>\nenergia \u2014 principal respons\u00e1vel pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas \u2014 s\u00e3o muito<br \/>\nmenores aqui do que no resto do mundo. Para se ter uma id\u00e9ia, para cada<br \/>\ntonelada equivalente de petr\u00f3leo consumida no Brasil, \u00e9 emitida apenas<br \/>\n1,58 toneladas de g\u00e1s carb\u00f4nico, enquanto no resto do mundo essa<br \/>\npropor\u00e7\u00e3o \u00e9 50% maior (2,37).<\/em><\/p>\n<p><em>Das fontes renov\u00e1veis da matriz energ\u00e9tica brasileira, destaca-se a<br \/>\nenergia hidr\u00e1ulica, respons\u00e1vel por 15% da oferta interna de energia.<\/em><\/p>\n<p><em>A prosperidade decorrente do crescimento pelo qual a China vem passando<br \/>\n\u00e9 n\u00edtida: edif\u00edcios novos em cada quarteir\u00e3o, viadutos e amplas avenidas<br \/>\ninauguradas a todo momento e renda per capita aumentando de forma<br \/>\nconstante. Algo extraordin\u00e1rio, s\u00f3 poss\u00edvel gra\u00e7as \u00e0 expans\u00e3o sem igual<br \/>\ndo parque de gera\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica do pa\u00eds. Em 2005, a China<br \/>\ninstalou cerca de 50 mil MW, ou seja, cerca de 12 vezes mais do que o<br \/>\nBrasil vem instalando por ano. Contudo, um fato vem causando preocupa\u00e7\u00e3o<br \/>\nno mundo: tr\u00eas quartos das usinas utilizam carv\u00e3o, grande emissor de<br \/>\ngases do efeito estufa. V\u00e1rios organismos internacionais t\u00eam estimulado<br \/>\na China a promover o aumento da efici\u00eancia energ\u00e9tica e o uso de fontes<br \/>\nrenov\u00e1veis de energia, entre elas a hidreletricidade.<\/em><\/p>\n<p><em>No meu retorno, fui surpreendido pelo acirramento do debate sobre a<br \/>\npertin\u00eancia ou n\u00e3o da constru\u00e7\u00e3o das usinas do Rio Madeira. Apesar de<br \/>\ntermos utilizado apenas um ter\u00e7o do nosso potencial hidrel\u00e9trico,<br \/>\nconstato que proliferam propostas de constru\u00e7\u00e3o de usinas a carv\u00e3o, onde<br \/>\ntanto o combust\u00edvel quanto as plantas t\u00e9rmicas seriam importadas \u2014 esta<br \/>\n\u00faltima da China. Tudo isso pela falta de perspectiva quanto ao<br \/>\nlicenciamento das duas hidrel\u00e9tricas. Ora, por que ser\u00e1 que estamos indo<br \/>\nna contram\u00e3o da hist\u00f3ria?<\/em><\/p>\n<p><em>Os novos projetos de hidrel\u00e9tricos, vistos pela \u00f3tica da \u00e1rea alagada,<br \/>\ns\u00e3o menos impactantes do que o conjunto das usinas que comp\u00f5em o atual<br \/>\nparque hidr\u00e1ulico brasileiro. E a maior contribui\u00e7\u00e3o para a diminui\u00e7\u00e3o<br \/>\ndesse \u00edndice vem justamente das usinas localizadas na regi\u00e3o amaz\u00f4nica.<br \/>\nAs duas usinas previstas no Rio Madeira (Santo Antonio e Jirau) t\u00eam<br \/>\n\u00f3tima rela\u00e7\u00e3o entre \u00e1rea alagada e pot\u00eancia instalada. Cada uma delas<br \/>\nalaga apenas 0,08 km\u00b2 para cada megawatt instalado, sendo que, se<br \/>\ndescontarmos a \u00e1rea relativa \u00e0 calha do rio, esse valor cai para 0,03<br \/>\nkm\u00b2 para cada megawatt instalado, valores muito inferiores aos das<br \/>\nusinas hoje existentes no pa\u00eds, que alagam em m\u00e9dia 0,52 km\u00b2 para cada<br \/>\nmegawatt instalado.<\/em><\/p>\n<p><em>O projeto inicialmente idealizado para o Rio Madeira previa a constru\u00e7\u00e3o<br \/>\nde uma \u00fanica usina no trecho do rio considerado. A alternativa<br \/>\nmaximizava a gera\u00e7\u00e3o de energia. Por\u00e9m, em raz\u00e3o dos impactos potenciais<br \/>\nfora do territ\u00f3rio brasileiro, o projeto foi reformulado. O estudo de<br \/>\nparti\u00e7\u00e3o de queda eliminou a alternativa inicial de um \u00fanico<br \/>\nreservat\u00f3rio, na cota 90  metros, e optou por duas usinas de queda baixa.<br \/>\nLimitaram-se assim os reservat\u00f3rios a n\u00edveis pouco superiores aos da<br \/>\ncalha natural do rio.<\/em><\/p>\n<p><em>Ao contr\u00e1rio do temor de alguns ambientalistas, as represas n\u00e3o<br \/>\nimpedir\u00e3o que a Piramutaba \u2014 esp\u00e9cie de bagre \u2014 fique impossibilitada de<br \/>\nsubir as cachoeiras do rio Madeira at\u00e9 o sop\u00e9 dos Andes para desovar.<br \/>\nPara evitar a interrup\u00e7\u00e3o dessa migra\u00e7\u00e3o, foi projetado um sistema de<br \/>\ntransposi\u00e7\u00e3o de peixes, que consistir\u00e1 em um canal lateral a ser<br \/>\nmonitorado desde o in\u00edcio do funcionamento e poder\u00e1 ser eventualmente<br \/>\najustado em fun\u00e7\u00e3o dos resultados do monitoramento.<\/em><\/p>\n<p><em>Com rela\u00e7\u00e3o aos sedimentos, os estudos comprovam que n\u00e3o haver\u00e1<br \/>\nproblemas para o funcionamento das usinas durante toda a vida \u00fatil dos<br \/>\nreservat\u00f3rios, estimada em 100 anos. Vale ressaltar que o arranjo das<br \/>\nusinas, com a utiliza\u00e7\u00e3o de turbinas do tipo bulbo e o vertedouro de<br \/>\nsoleira baixa, aliado \u00e0s caracter\u00edsticas do Rio Madeira, permitir\u00e3o a<br \/>\ncontinuidade do transporte de sedimentos.<\/em><\/p>\n<p><em>Dessa forma, sendo pass\u00edveis de solu\u00e7\u00e3o as quest\u00f5es ambientais mais<br \/>\nrelevantes, \u00e9 l\u00f3gico concluir que as usinas do Madeira ter\u00e3o um papel<br \/>\nfundamental para o atendimento da demanda de energia el\u00e9trica de m\u00e9dio e<br \/>\nlongo prazo no Brasil, contribuindo de forma efetiva para a redu\u00e7\u00e3o das<br \/>\nemiss\u00f5es de gases do efeito estufa e, portanto, para o desenvolvimento<br \/>\nsustent\u00e1vel do pa\u00eds.<\/em><\/p>\n<p><em>Mauricio Tolmasquim<br \/>\nPresidente da Empresa de Pesquisa Energ\u00e9tica<\/em><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><em><span style=\"font-size:10pt\"> <\/span><\/em><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><em><span style=\"font-size:10pt\"> <\/span><\/em><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span class=\"Ttulo3Char\"><span style=\"font-size:13pt\">*Energia &#8211; sonhos e realidades*<br \/>\n<\/span><\/span><em><span style=\"font-size:10pt\"><br \/>\n*Artigo &#8211; Jos\u00e9 Goldemberg *<br \/>\n* O Estado de S. Paulo *<br \/>\n21\/5\/2007<\/span><\/em><\/p>\n<p><em>O governo federal parece ter acordado da letargia que o acometeu nos<br \/>\n\u00faltimos anos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de eletricidade, que \u00e9 essencial n\u00e3o<br \/>\ns\u00f3 para o crescimento da economia, para o PAC, mas para garantir o<br \/>\nsuprimento do que j\u00e1 existe no Pa\u00eds.<\/em><\/p>\n<p><em>Problemas com o planejamento e a falta de chuva j\u00e1 foram respons\u00e1veis<br \/>\npelo \u201capag\u00e3o\u201d de 2001, que afetou a vida de todos os brasileiros. As<br \/>\nperspectivas de que algo semelhante venha a ocorrer nos pr\u00f3ximos anos<br \/>\ns\u00e3o reais e o problema s\u00f3 n\u00e3o \u00e9 menos urgente devido \u00e0s excelentes<br \/>\nchuvas que tivemos este ano, que encheram os reservat\u00f3rios das usinas<br \/>\nhidrel\u00e9tricas, das quais depende a maior parte da nossa eletricidade.<\/em><\/p>\n<p><em>O nervosismo do governo e do pr\u00f3prio presidente da Rep\u00fablica \u00e9 evidente,<br \/>\ncom os repetidos \u201cpux\u00f5es de orelha\u201d nos \u00f3rg\u00e3os ambientais e nas amea\u00e7as<br \/>\ndo presidente de que se as usinas do Rio Madeira n\u00e3o forem liberadas a<br \/>\nop\u00e7\u00e3o ser\u00e1 concluir a Usina Nuclear Angra dos Reis 3.<\/em><\/p>\n<p><em>A coloca\u00e7\u00e3o do presidente \u00e9 equivocada. Mesmo que ambos os projetos<br \/>\nfossem iniciados amanh\u00e3, levaria pelo menos seis a sete anos para que<br \/>\nproduzissem eletricidade. \u00c9 preciso, pois, encontrar outras solu\u00e7\u00f5es<br \/>\nmenos problem\u00e1ticas, e elas existem.<\/em><\/p>\n<p><em>A pot\u00eancia das usinas j\u00e1 licitadas e autorizadas, com licen\u00e7a ambiental,<br \/>\n\u00e9 de 7,3 mil megawatts (a maioria, hidrel\u00e9tricas), equivalentes a seis<br \/>\nreatores nucleares do porte de Angra dos Reis. Al\u00e9m disso existem 3,3<br \/>\nmil megawatts do Programa de Incentivo \u00e0s Fontes Alternativas de Energia<br \/>\nEl\u00e9trica (Proinfa) para energias renov\u00e1veis, como a e\u00f3lica (ventos),<br \/>\nbiomassa e pequenas centrais hidrel\u00e9tricas. Somadas, estas fontes<br \/>\nequivalem a uma nova Itaipu. A gera\u00e7\u00e3o de eletricidade queimando baga\u00e7o<br \/>\nexcedente nas usinas de a\u00e7\u00facar e \u00e1lcool tamb\u00e9m est\u00e1 aumentando muito,<br \/>\nprincipalmente em S\u00e3o  Paulo. Em lugar de reclamar dos \u00f3rg\u00e3os ambientais,<br \/>\no governo deveria, portanto, enfrentar a realidade, e n\u00e3o sonhar com<br \/>\nsolu\u00e7\u00f5es \u201cmilagrosas\u201d como as usinas do Rio Madeira ou nucleares.<\/em><\/p>\n<p><em>A realidade \u00e9 que o Ibama \u00e9 lento, foi \u201caparelhado\u201d no in\u00edcio da<br \/>\nprimeira gest\u00e3o do atual presidente da Rep\u00fablica, seus quadros t\u00e9cnicos,<br \/>\nreduzidos, e muitos consideram seu desempenho question\u00e1vel. H\u00e1 quatro<br \/>\nanos ele deveria ter sido reformulado e teria havido tempo para melhorar<br \/>\nsua agilidade e sua compet\u00eancia t\u00e9cnica. Isso n\u00e3o foi feito e a<br \/>\nreformula\u00e7\u00e3o proposta agora levar\u00e1 tempo para produzir resultados.<\/em><\/p>\n<p><em>A verdade \u00e9 que o problema n\u00e3o est\u00e1 apenas no Ibama, mas no modelo<br \/>\nenerg\u00e9tico adotado, em 2002, pelo governo atual, baseado em leil\u00f5es da<br \/>\nEmpresa de Planejamento Energ\u00e9tico (EPE), que criaram mais problemas do<br \/>\nque resolveram. A EPE caiu um pouco na mesma ilus\u00e3o de governos<br \/>\nanteriores de acreditar que usinas licitadas s\u00e3o efetivamente<br \/>\nconstru\u00eddas. H\u00e1 toda uma \u201cind\u00fastria\u201d de concess\u00f5es &#8211; como havia no<br \/>\npassado &#8211; e os empres\u00e1rios hesitam em investir num sistema em que as<br \/>\nregras n\u00e3o s\u00e3o claras, apesar do enorme aumento das tarifas de<br \/>\neletricidade que ocorreu nos \u00faltimos anos. \u00c9 urgente analisar por que os<br \/>\n7,3 milh\u00f5es de quilowatts licitados ou autorizados ainda n\u00e3o sa\u00edram<br \/>\ntotalmente do papel, pois \u00e9 l\u00e1 que se encontra a solu\u00e7\u00e3o imediata dos<br \/>\nproblemas atuais, e n\u00e3o nas usinas do Rio Madeira ou nas usinas<br \/>\nnucleares. Os problemas com elas n\u00e3o s\u00e3o t\u00e9cnicos, mas econ\u00f4micos e<br \/>\nfinanceiros, pois ambos os empreendimentos s\u00e3o caros e n\u00e3o ser\u00e1 f\u00e1cil<br \/>\nfinanci\u00e1-los.<\/em><\/p>\n<p><em>As usinas do Rio Madeira est\u00e3o distante dos principais centros de<br \/>\nconsumo e as longas linhas de transmiss\u00e3o necess\u00e1rias para trazer a<br \/>\nenergia para o Sudeste, provavelmente, dobrar\u00e3o o investimento<br \/>\nnecess\u00e1rio, al\u00e9m dos problemas sazonais de usinas da Amaz\u00f4nia se n\u00e3o<br \/>\ncontarem com grandes reservat\u00f3rios, que s\u00e3o, em geral, os que criam<br \/>\nproblemas ambientais e sociais.<\/em><\/p>\n<p><em>Quanto \u00e0 usina Angra dos Reis 3, h\u00e1 com ela tr\u00eas problemas. O primeiro \u00e9<br \/>\nque a Eletronuclear (respons\u00e1vel pela sua constru\u00e7\u00e3o) tem um \u201cd\u00edvida<br \/>\nimpag\u00e1vel de 1 bilh\u00e3o de euros, e outro tanto em reais, ou d\u00f3lares, \u00e0<br \/>\nconta da Eletrobr\u00e1s, que est\u00e1 pagando os juros da d\u00edvida\u201d, segundo o seu<br \/>\nex-presidente Luiz Pinguelli Rosa.<\/em><\/p>\n<p><em>O segundo problema \u00e9 que esta usina ir\u00e1 custar, no m\u00ednimo, mais US$ 1,7<br \/>\nbilh\u00e3o, al\u00e9m dos US$ 700 milh\u00f5es de equipamentos j\u00e1 comprados. Uma<br \/>\nescalada de custos n\u00e3o seria uma surpresa, porque j\u00e1 ocorreu com Angra 1<br \/>\ne Angra 2.<\/em><\/p>\n<p><em>Em terceiro lugar, os entusiastas deste projeto raciocinam como se o<br \/>\ncombust\u00edvel nuclear (ur\u00e2nio enriquecido) fosse barato e f\u00e1cil de<br \/>\npreparar, repetindo sempre que o Brasil tem grandes reservas de min\u00e9rio<br \/>\nde ur\u00e2nio. Sucede que para transform\u00e1-lo em combust\u00edvel nuclear seriam<br \/>\nnecess\u00e1rios investimentos de centenas de milh\u00f5es de d\u00f3lares nas usinas<br \/>\nde enriquecimento. No fundo, \u00e9 como se confundissem bauxita com<br \/>\nalum\u00ednio, ou min\u00e9rio de ferro com placas de a\u00e7o de alta qualidade. H\u00e1 um<br \/>\nenorme caminho a percorrer entre min\u00e9rio de ur\u00e2nio e combust\u00edvel nuclear.<\/em><\/p>\n<p><em>Todos estes problemas s\u00e3o econ\u00f4mico-financeiros e n\u00e3o h\u00e1 argumento de<br \/>\ndefesa da soberania nacional que possa priorizar reatores nucleares, a<br \/>\nn\u00e3o ser decis\u00f5es pol\u00edticas que os privilegiem diante da necessidade de<br \/>\nconcluir empreendimentos j\u00e1 iniciados.<\/em><\/p>\n<p><em>O \u00fanico argumento de alguma solidez a favor das usinas nucleares \u00e9 o de<br \/>\nque elas emitem menos carbono do que usinas termoel\u00e9tricas, que usam<br \/>\ncombust\u00edvel f\u00f3ssil, como carv\u00e3o e g\u00e1s. Sucede que um reator como Angra<br \/>\ndos Reis reduz emiss\u00f5es de cerca de 2 milh\u00f5es de toneladas de carbono<br \/>\npor ano, que \u00e9 apenas 1% do que o desmatamento da Amaz\u00f4nia emite. Se o<br \/>\ngoverno desejasse de fato diminuir as emiss\u00f5es de carbono, reduzir o<br \/>\ndesmatamento da Amaz\u00f4nia seria o caminho a seguir.<\/em><\/p>\n<p><em>Jos\u00e9 Goldemberg foi presidente da Companhia Energ\u00e9tica de S\u00e3o Paulo (Cesp)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reproduzo abaixo duas opini\u00f5es sobre planejamento energ\u00e9tico. 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