10 – Minha jornada no XI CBPE

E aí pessoal. Tudo bem?

Vocês já ouviram falar do Congresso Brasileiro de Planejamento Energético (CBPE)? Para quem não sabe, é um evento que ocorre de dois em dois anos, cujo tema principal é a discussão de questões energéticas no país.

Como prometido há semanas, eis aqui a minha análise do XI CBPE. Eu fui no congresso que ocorreu dos dias 11 a 14 de outubro em Cuiabá. E era um congresso que se tratava de temas que o blog discute, como planejamento energético, inserção de fontes de energia, dentre outros. Este resumo será mais focado nas mesas redondas, cujo evento é destinado a todos os que se inscreveram no evento. Tanto para quem apresentou trabalho quanto para quem não apresentou.

O que são as sessões técnicas

As sessões técnicas são as que os participantes que publicaram trabalhos no congresso apresentam. Logo, elas ocorriam em várias salas. Desta forma, os participantes (tanto os que publicaram no congresso quanto os que não publicaram) se dividiram entre estas salas para assistir as apresentações nas quais interessavam.

O que foi considerado na analise do XI CBPE

Foram considerados nas analises os slides das palestras, idem o conteúdo dito mais as anotações feitas. Não está incluso o conteúdo do debate feito após as apresentações (perguntas realizadas pelos ouvintes).

Homenagem/Palestra Especial

Durante a abertura do evento, foi dada uma palestra especial a respeito da Infraestrutura e Crescimento na Economia Brasileira. A palestra visa demonstrar a ineficiência dos investimentos em infraestrutura, e o relaciona com o planejamento energético. Ele cita a soja como exemplo, que é perdida em grande parte devido a falhas na logística. A conclusão da palestra é que a infraestrutura melhora o planejamento energético.

Mesa Redonda 1 – Mudanças no Setor Elétrico Nacional e seus Impactos

A mesa redonda 1, assim como todas as demais mesas, se dividiu em duas partes. A primeira parte discute as reestruturações no setor elétrico brasileiro. Esta palestra discutiu o modelo do setor elétrico brasileiro, idem suas reformas conforme o tempo. No final, é proposta uma reestruturação do setor elétrico.

A segunda parte da mesa é apresentada por um representante da Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (ABRACE). A ABRACE é uma sociedade consistida por grandes grupos industriais consumidores de energia no Brasil. Esta segunda parte demonstra como a energia elétrica é cara no Brasil, apontando o principal motivo, que é o excesso de intervenções. Como solução, propõe a ruptura do setor elétrico atual, tendo como uma das propostas a geração distribuída e a regulamentação do operador de serviços de distribuição (DSO).

Mesa Redonda 2 – A inserção das fontes renováveis na Matriz Energética: evolução e barreiras

A primeira parte desta mesa foi realizada pelo representante da Empresa de Pesquisa Energética (EPE). A empresa é destinada a fazer estudos relacionados ao planejamento do setor energético do Brasil. A partir desta palestra tomei conhecimento de seu canal no Youtube. Eis o vídeo de apresentação do canal, no qual pode ser acessado ao abrir o vídeo em uma nova janela.

A palestra em si fala dos conceitos básicos do planejamento energético. Ele começa citando as hidrelétricas, nas quais não atendem mais os requisitos de seu sistema considerando a mudança do cenário, havendo a necessidade da redução de sua participação no cenário energético. Logo, a partir deste caso, ele começa a falar da necessidade da expansão da oferta de energia elétrica. Tal expansão envolveria serviços para viabilizar a expansão, mudança na composição da matriz, e requisitos do sistema e atributos para suprir a demanda. A partir daí o palestrante fornece mais detalhes de como é feito um planejamento energético. Um exemplo é a explicação dos requisitos de capacidade e de flexibilidade, mais o planejamento da expansão.

A segunda parte tem um maior foco na inserção das energias renováveis. É demonstrado o panorama das energias renováveis e não-renováveis no mundo e no Brasil, utilizando-se de gráficos de oferta de energia e de geração de eletricidade. Da mesma forma que gráficos relatando a competitividade das renováveis aparecem na apresentação, nas quais apresentam dificuldades de bater o custo médio nivelado de usinas de combustíveis fósseis. Estes gráficos também apontam um crescimento da energia solar. Finalmente, é discutido o desafio da integração das renováveis. Em outras palavras, como as energias renováveis podem ser mais amigáveis, frentes as suas desvantagens quanto as não-renováveis. Como exemplo, é levantada a questão da geração distribuída.

Mesa Redonda 3 – Os desafios do Meio Ambiente considerando as mudanças do Setor Energético Nacional

A primeira parte foi feita pelo representante da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). Em sua apresentação ele toca em um ponto interessante. Que o nosso orgulho é possuir uma matriz “limpa”, porem repudiar hidrelétricas é uma contradição. O motivo é que todas as demais fontes renováveis são mais caras do que as hidrelétricas. A palestra enfatiza uma melhor exploração das hidrelétricas. E que a sociedade deve participar de um planejamento para um uso mais racional, integrando energia e meio-ambiente.

A segunda parte é em relação aos desafios do meio ambiente considerando as mudanças do Setor Energético Nacional. É ressaltado na palestra que o conselho é quem decide as medidas em relação ao meio-ambiente ao invés da sociedade. Nos slides é escrito que os pobres irão pagar a conta do caos climático. Um ponto interessante é que a palestra enfatiza que não existe energia limpa, cuja justificativa eu também fiz em um texto meu. Outro ponto é que grandes empreendimentos energéticos podem incidir em processos sociais e territoriais afetando a população local. Nesta parte também é comentado sobre energia centralizada e descentralizada. Prosseguindo com a mesa redonda, o palestrante fala a respeito do potencial eólico, em que há maior potencial no Nordeste. Porém, como estão crescendo de forma descontrolada, estão afetando a forma de vida das pessoas ao redor. A palestra também destaca a energia solar, idem seus problemas socioambientais. Basicamente, o final desta parte fala a respeito de como reduzir os problemas causados por estas duas energias renováveis.

Mesa Redonda 4 – Análise do setor de Petróleo e Gás no Brasil: desafios a vencer

A primeira parte foi palestrada por um representante da Agência Nacional do Petróleo (ANP). Esta primeira parte se tratava das perspectivas para a indústria do Gás Natural. Ele comentava sobre o mercado de gás natural, da mesma forma que explica suas políticas de incentivo, como a Lei do Gás. O palestrante também explica sobre os gasodutos e sua política. A palestra se encerra com propostas para aumentar a competitividade do gás natural, como desenvolver o mercado aumentando as reservas de capacidade de transporte (Gas Release). Da mesma forma que enfatiza o monopólio dos Estados, nos quais devem sentir esta necessidade.

A segunda parte da mesa redonda é em relação aos dilemas de longo prazo para a indústria de petróleo e derivados no Brasil. A palestra enfatiza as tecnologias digitais, que são importantes na transformação da matriz energética mundial. O palestrante também destaca as tecnologias se integrarem com as empresas de petróleo. Ele ainda relaciona o avanço destas tecnologias com as plataformas petrolíferas Offshore, com o intuito de protagoniza-las.

Mesa Redonda 5 – Energia para o desenvolvimento industrial do Centro Oeste

Esta última mesa redonda eu não estava presente, pois precisei voltar para casa mais cedo, e não pude fazer minhas anotações. Porém, eu tenho acesso aos slides e posso ao menos comenta-los.

A primeira parte foi realizada por um representante do Banco de Desenvolvimento Mundial (BNDES). Primeiramente, é detalhado como funciona o BNDES e suas formas de financiamento para apoio a construção de empreendimentos. Da mesma forma que explica como funciona as suas taxas de apoio, inclusive a metodologia de cálculo. Nos slides também mostram as usinas de geração de energia que foram contempladas com o financiamento do órgão. Também são detalhadas as condições financeiras para ocorrer o apoio do BNDES.

A segunda parte é mais relacionada ao tema da mesa redonda. O nome da palestra é “Políticas energéticas e industrialização do Centro Oeste”. Os primeiros slides ilustram o perfil industrial da região de Centro-Oeste, tal como seu setor elétrico, que é predominantemente voltado para a hidrelétrica. Tal como compara a região Centro-Oeste com o cenário brasileiro como um todo. Prosseguindo, os slides seguintes demonstram o custo da energia na região, em especial das energias hídrica e térmica. Da mesma forma que ilustra a projeção do crescimento das energias renováveis na região pelos próximos anos. A palestra se encerra com as propostas da Confederação Nacional da Indústria (CNI) para a melhoria da oferta de energia da região, frente os obstáculos do modelo atual do setor elétrico, com em relação aos leilões de energia elétrica e ampliar o mercado livre. A CNI também faz propostas em relação ao uso do gás natural na região.

Considerações quanto ao evento:

Em geral eu gostei do evento. Como podem ver foram bastante diversificadas as palestras, tanto de um ponto de vista energético, quanto ambiental e social. Particularmente, eu gostei mais da mesa redonda número 3, em que relacionada o cenário energético, quanto a aspectos ambientais e sociais. Achei bastante interessante a preocupação com o bem-estar social nesta mesa redonda. Também gostei da mesa redonda 2, na qual abordavam cenários para o planejamento energético frente as fontes renováveis, embora eu senti falta de detalhes das não renováveis, que foram mais abordadas na mesa redonda 4. A mesa redonda 5 teve um tema muito bom, em especial para aqueles que procuram estudar custos de implementação de fontes de energia. Se eu tivesse ido eu teria mais informações a dar, tal como uma opinião mais firme.

E este é só um exemplo de eventos relacionados ao Planejamento Energético. Obrigado por ter lido o texto todo.

Link da página do XI CBPE:

https://www.xicbpe.com.br/

Rafael Henrique

Sou graduado em Engenharia de Energia pela PUC Minas. Recentemente, concluí o mestrado em Planejamento de Sistemas Energéticos pela UNICAMP. Decidi dar inicio a este blog, com o intuito de abrir o espaço de divulgação científica relacionado a energia e seus temas relacionados.

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2 Resultados

  1. Penha disse:

    Parabéns Rafael, continue brilhando.

  2. Lourdinha Silva disse:

    Parabéns, Rafael Henrique!! Excelente texto. O tema é muito complexo , mas seu texto é bem didático, ajuda a quem não é do meio. Faltou você especificar qual a sua participação no Congresso.

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