47 – Monstros S.A. e o debate energético

E aí, pessoal?

Esta é a segunda parte da relação entre Monstros S.A. e o conteúdo deste Blog. Neste link se encontra a primeira parte, caso não tenha lido. Conforme dito, tal parte haverá spoilers do filme. Recomendo que assista o filme antes caso não queira recebe-los durante a leitura.

O contexto do filme

O filme consiste em uma cidade denominada “Monstropolis”. Os personagens principais, Mike Wazowski e James P. Sullivan “Sulley” trabalham em uma usina, cujo objetivo é fabricar energia para sustentar a sua população. Para isso, eles atravessam um portal interdimensional e viajam num outro lugar aonde habitam os seres humanos, e consequentemente as crianças. Logo, eles necessitam através esse portal e assustar essas crianças para gerar energia. Após assusta-las, eles usam o mesmo portal para voltar a indústria.

No enredo do filme, consta que a usina passa por uma crise energética, pois as crianças não se assustam mais como antigamente, e consequentemente não geram energia.

Mudança de energia

O trama começa quando Sulley encontra uma menina, que acabada gostando do monstro, até achando-o engraçado. Durante o filme, a relação de afeto entre o Sulley e a menina se amadurecem aos poucos. Em uma parte do filme, enquanto a menina ria, energia é gerada na cidade, fazendo Mike e Sulley se impressionarem. Isto pois eles acabam de descobrir uma outra forma de geração de energia.

No filme, chega-se num ponto em que o chefe da empresa Waternoose, junto com outro funcionário Randall, tentam sequestrar a menina de forma a salvar a empresa, e consequentemente a energia. Porém, eles são impedidos no final. Além disso, é demonstrado que os risos geram mais energia do que os sustos, cujo ponto Sulley tentou provar para Waternoose, porém foi em vão.

Em outras palavras, a empresa acabou sendo salva pois houve uma mudança na geração de energia.

O enredo do filme e o contexto energético

Como você pode ver, há uma mudança de energia no filme, a qual é a dos sustos pelos risos. Tal analogia também pode ser relacionada com as fontes não-renováveis, as quais tendem a ser substituídas pelas renováveis. Os gritos representam as não-renováveis, enquanto os risos representam as renováveis[1][2].

Também da para fazer uma analogia com a extração do óleo, pois a extração anterior (gritos) é mais ultrapassada em relação a extração nova (risos).

Desta forma, o filme é um ótimo exemplo do contexto da implantação das energias renováveis, sendo que ele é baseado em uma crise energética, e a solução para esta são as energias mais “limpas”. E tal exemplo também é acompanhado do progresso da tecnologia, de forma que a mesma seja capaz de utilizar as energias mais limpas. A energia eólica e a solar são provas deste avanço da tecnologia, por exemplo.

Além disso, pode-se dizer que Waternoose representa não só apenas as energias não-renováveis, mas também uma tentativa de se manter no mercado, mesmo com consequências negativas (como ele querer sequestrar crianças, no filme). Sulley e Mike, por outro lado, representam as energias limpas, de forma a usa-las de forma mais ética, sem consequências negativas para as pessoas que trabalham para a indústria, idem a população de Monstropolis e as crianças as quais se desejam fazer rir. Tanto que no artigo no final deste texto[3] trata essas questões de relações trabalhistas abordadas durante o filme.

E você, o que achou? Os links estão na descrição, dentre eles estudos mais abrangentes sobre Monstros S.A., abordando temas além da energia. Boa leitura.

Referências

[1] WEBBER, Michael E., Monsters, Inc.: An Animated Movie About the Modern Energy Industry, Energy at the Movies, disponível em: <http://energyatthemovies.com/monsters-inc-an-animated-movie-about-the-modern-energy-industry/>, acesso em: 25 set. 2020.

[2] SERPA, Miguel, Monstros S.A. (2001), Medium, disponível em: <https://medium.com/@migdomserpa/monstros-s-a-2001-fe0fe6de1945>, acesso em: 25 set. 2020.

[3] LIMA, Luciana Belo de; SOUZA, Luciane Albuquerque Sá de, Análise do filme “Monstros S.A.”: As Relações Humanas no Trabalho, Anagrama, v. 4, n. 4, 2011.

Rafael Henrique

Sou graduado em Engenharia de Energia pela PUC Minas. Recentemente, concluí o mestrado em Planejamento de Sistemas Energéticos pela UNICAMP. Decidi dar inicio a este blog, com o intuito de abrir o espaço de divulgação científica relacionado a energia e seus temas relacionados.

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