Uma cientista no Parlamento

Esse post é parte da Blogagem Coletiva de comemoração aos 10 anos do ScienceBlogs Brasil. O tema dessa semana é Ciência e Política. Hoje quem escreve é Mariana Moura membro-fundadora do Movimento dos Cientistas Engajados e pré-candidata a deputada estadual.

Se você quiser participar saiba mais em: http://bit.ly/SBBr10anos

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Você consome tecnologia todos os dias. Está surpreso?

O nosso colchão, a toalha, a roupa que usamos no dia a dia, o café, o pão e o leite, o pacote de macarrão e o de molho de tomate. A luz que chega na nossa casa, a geladeira, a televisão, o rádio. O nosso despertador, o chuveiro. O celular e o computador. As paredes da nossa casa, a tinta, o nosso sofá. O remédio que tomamos quando estamos doentes e o conhecimento do médico que a gente consulta. Tudo isso é resultado da ciência. O conhecimento acumulado pela humanidade ao longo dos séculos transformado em produtos. Ciência é qualidade de vida.

É a casa mais barata e construída com materiais melhores. É o remédio da doença que as empresas farmacêuticas não têm interesse em curar. É a comida mais barata porque a terra produz mais e porque chega mais rápido na nossa mesa. É a possibilidade de estudar à noite porque tem energia elétrica. É o emprego com salários melhores e a valorização do salário mínimo. Ciência é Habitação, Alimentação, Saúde, Segurança, Educação e Emprego.

Os países centrais perceberam isso há décadas. Perceberam também que desenvolvimento científico se produz com investimento do Estado. No Brasil, pelo contrário, os investimentos em ciência são sempre os primeiros a sofrer cortes quando chega uma crise. Desde 2013, os repasses federais para o Ministério da Ciência e Tecnologia caíram quase pela metade chegando, no ano passado, a patamares do início do Século XX. O corte de 44% nos recursos deixaram a pasta com apenas R$ 3,7 bilhões para investir em 2017. Essa mentalidade está colocando em risco as pesquisas em andamento com o êxodo de recursos humanos que levaram anos e muito investimento para serem formados. Formamos 20 mil doutores por ano, mas estes profissionais não têm onde trabalhar no Brasil e acabam saindo do país para continuar suas pesquisas. Um projeto como o LNLS, que contém o laboratório de luz síncroton mais avançado do mundo, e que foi orçado em R$ 1,8 bilhão, adiou suas atividades pela falta de recursos este ano. Para poder produzir novos materiais de construção, novos medicamentos, empregos com salários melhores é preciso investimento público maciço e contínuo em Ciência e Tecnologia. A interrupção desses recursos põe a perder o que foi feito antes.

Nós exportamos milhões de toneladas de minério barato para comprar barras de aço,  exportamos petróleo para importar gasolina. Consumimos a tecnologia produzida por outros países a um custo anual de R$ 20 bilhões apenas para o pagamento de royalties e licenças de uso. Só para ter a permissão de usar. Isso é de uma irracionalidade sem tamanho. Temos todas as condições de transformar essa matéria-prima gerando emprego e renda. Temos que mudar a lógica e explorar conscientemente os materiais que temos respeitando limites ambientais e sociais do nosso território. O Brasil não pode se dar ao luxo de não investir em Ciência.

Um país com tanta riqueza não pode achar normal que existam pessoas sem um lugar para morar, sem saberem o que vão comer na próxima refeição. São 52 milhões de brasileiros vivendo abaixo da linha da pobreza. Isso é inadmissível! Especialmente em um país que possui reservas minerais e naturais entre as maiores do mundo e em uma época em que a cada dia, a cada hora, surgem novos mecanismos, novos processos, novos produtos que são capazes de melhorar a vida das pessoas. Permitir que vivamos mais e melhor.

Há décadas não temos grandes projetos científicos e o Plano Nacional de Ciência e Tecnologia, construído com pesquisadores, trabalhadores e agentes sociais de todo o país, foi abandonado em 2014 antes mesmo de ser colocado em prática. Tivemos recursos, mas não tínhamos projeto e, quando tivemos projeto, os recursos foram extraídos dele. Os atuais políticos do país pensam em ciência com base em um modelo não eficiente, sem visão global e gerenciado de modo não organizado que não trouxe os resultados esperados. Temos hoje excelência em setores pontuais, mas isso não chega à sociedade. Para reverter essa situação, é preciso pensar em Ciência como motor do desenvolvimento e inserir a produção científica no projeto nacional.

Por isso sou pré-candidata a deputada estadual em São Paulo.

E conto com vocês nesta empreitada!

Um forte abraço,

marianamoura

Mariana Moura – Mestre em Ciências e doutoranda em Energia pelo Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo. Foi coordenadora geral da Associação de Pós Graduandos da USP Capital. É membro-fundadora do Movimento dos Cientistas Engajados e pré-candidata a deputada estadual pelo Partido Pátria Livre

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