{"id":205,"date":"2015-06-09T09:27:07","date_gmt":"2015-06-09T12:27:07","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/ensaios\/?p=205"},"modified":"2015-06-09T09:27:07","modified_gmt":"2015-06-09T12:27:07","slug":"eventos-aleatorios-direcionados-virus-sao-vivos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ensaios\/2015\/06\/09\/eventos-aleatorios-direcionados-virus-sao-vivos\/","title":{"rendered":"Eventos aleat\u00f3rios direcionados: v\u00edrus s\u00e3o vivos"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_188\" style=\"width: 660px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-188\" class=\"size-full wp-image-188\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ensaios\/wp-content\/uploads\/sites\/245\/2015\/06\/virus_vivo.png\" alt=\"\u00a9Rodrigo Barreiro\" width=\"650\" height=\"474\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ensaios\/wp-content\/uploads\/sites\/245\/2015\/06\/virus_vivo.png 650w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ensaios\/wp-content\/uploads\/sites\/245\/2015\/06\/virus_vivo-300x219.png 300w\" sizes=\"(max-width: 650px) 100vw, 650px\" \/><p id=\"caption-attachment-188\" class=\"wp-caption-text\">\u00a9Rodrigo Barreiro<\/p><\/div>\n<p><em>Este post \u00e9 o resultado de uma prova aplicada \u00e0 turma da disciplina de Virologia, da gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias Biom\u00e9dicas do <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/icb.usp\">ICB\/USP<\/a>. A prova foi uma reda\u00e7\u00e3o sobre o tema &#8220;V\u00edrus \u00e9 vivo?&#8221; e as respostas seguem abaixo:<\/em><\/p>\n<p>Aprendemos na escola (ensino fundamental e m\u00e9dio) que os v\u00edrus n\u00e3o s\u00e3o seres vivos devido ao fato de n\u00e3o possu\u00edrem um metabolismo pr\u00f3prio, muito em fun\u00e7\u00e3o de eles serem parasitas intracelulares obrigat\u00f3rios, s\u00f3 se reproduzindo utilizando uma maquinaria celular pronta e outras caracter\u00edsticas que nos faziam acreditar e afirmar que esse conceito estava certo, pois a defini\u00e7\u00e3o de vida era \u00fanica e os v\u00edrus fugiam dessa regra. E, realmente, s\u00e3o argumentos v\u00e1lidos os utilizados na escola, j\u00e1 que \u00e9 dif\u00edcil acreditar que uma entidade que n\u00e3o possua um meio de nutrir-se e que \u00e9 constitu\u00edda basicamente de um material gen\u00e9tico e prote\u00ednas, ou seja, sem organelas, possa ser considerada viva.<\/p>\n<p>No entanto, entramos na faculdade e temos acesso a informa\u00e7\u00f5es sobre conceitos de biologia molecular, sobre os processos realizados pelos seres considerados vivos para se multiplicarem no ambiente. E, ent\u00e3o, estudamos os microorganismos conhecidos como v\u00edrus e percebemos que eles realizam os mesmos processos ou, para n\u00e3o utilizar essa palavra, processos muitos similares. N\u00e3o s\u00f3 isso, mas essas entidades possuem outras estrat\u00e9gias incr\u00edveis que obtiveram sucesso de acordo com a teoria da sele\u00e7\u00e3o natural. Diante dessas caracter\u00edsticas fica dif\u00edcil concordar plenamente com os conceitos aprendidos na escola.<\/p>\n<p>N\u00e3o que a escola esteja ensinando conceitos errados, pelo contr\u00e1rio, os ensinamentos passados t\u00eam uma base te\u00f3rica e argumentativa muito forte e defendida por muitas pessoas que estudam os v\u00edrus diariamente. Entretanto, argumentos contr\u00e1rios, ou seja, que defendem que os v\u00edrus s\u00e3o vivos e n\u00e3o somente part\u00edculas inertes dependentes de eventos aleat\u00f3rios como a cristaliza\u00e7\u00e3o tal qual ocorre com minerais como gr\u00e3os de areia ou mesmo com subst\u00e2ncias org\u00e2nicas como os fosfolip\u00eddios, formando micelas. Eles dependem, sim, de eventos aleat\u00f3rios, mas n\u00e3o podemos esquecer que os seres plenamente considerados como vivos tamb\u00e9m dependem da aleatoriedade para se manterem \u201cvivos\u201d.<\/p>\n<p>Peguemos como exemplo a reprodu\u00e7\u00e3o humana. Parece estranho comparar v\u00edrus com seres humanos, por\u00e9m devemos lembrar que estamos aqui somente por causa de um evento aleat\u00f3rio chamado fecunda\u00e7\u00e3o. Com certeza h\u00e1 muitos processos que aumentam a probabilidade de esse evento ser concretizado, dentre os quais podemos citar a morfologia das estruturas reprodutoras e os processos fisiol\u00f3gicos que ocorrem no intuito de dificultar menos o evento da fecunda\u00e7\u00e3o. E esses processos que aumentam a probabilidade de ocorr\u00eancia dos eventos s\u00e3o ditados por um material gen\u00e9tico, no caso, o DNA, que direciona e constr\u00f3i uma rela\u00e7\u00e3o entre as prote\u00ednas do organismo de modo a aumentar a probabilidade de propaga\u00e7\u00e3o e perpetua\u00e7\u00e3o dessa \u201cmol\u00e9cula da vida\u201d no ambiente.<\/p>\n<p>E o mesmo ocorre com os v\u00edrus. Eles dependem bastante da \u201csorte\u201d de reconhecer uma estrutura celular que permita a eles deixarem de ser v\u00edrions para se tornarem v\u00edrus propriamente ditos, ou seja, que possam se utilizar da maquinaria celular para se replicarem e se multiplicarem atrav\u00e9s das mais variadas estrat\u00e9gias de reprodu\u00e7\u00e3o. E a esse evento aleat\u00f3rio seguem-se outros como a organiza\u00e7\u00e3o dos caps\u00f4meros para formar o caps\u00eddeo na fase tardia por meio da cristaliza\u00e7\u00e3o. S\u00e3o eventos aleat\u00f3rios, sim, mas s\u00e3o direcionados por um material gen\u00e9tico que codifica essas prote\u00ednas constituintes do caps\u00eddeo, que regula o processo de transcri\u00e7\u00e3o dos genes tardios na fase tardia e que sofre muta\u00e7\u00f5es, caracter\u00edsticas que s\u00e3o compartilhadas pelos seres considerados vivos. O material gen\u00e9tico direciona os processos com a inten\u00e7\u00e3o de aumentar a probabilidade desse material gen\u00e9tico se propagar na biosfera regida pela sele\u00e7\u00e3o natural e isso acontece com os v\u00edrus e com os \u201cseres vivos\u201d. Portanto, como os v\u00edrus possuem essa caracter\u00edstica inerente \u00e0 vida, isto \u00e9, de possuir um material gen\u00e9tico que rege o seu modo de ser a partir do direcionamento dos eventos aleat\u00f3rios, os v\u00edrus s\u00e3o vivos.<\/p>\n<p><strong>Quem sou<\/strong><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignleft  wp-image-206\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ensaios\/wp-content\/uploads\/sites\/245\/2015\/06\/Victor-300x330.jpg\" alt=\"Victor Yuji Yariwake\" width=\"183\" height=\"201\" \/>Ol\u00e1, meu nome \u00e9 Victor Yuji, tenho 19 anos e sou aluno de Ci\u00eancias Biom\u00e9dicas. Sempre me interessei por ci\u00eancias, principalmente sobre assuntos relacionados \u00e0 fisiologia e \u00e0 imunologia. Amante de estudos, de conhecimento, de m\u00fasica e da natureza.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este post \u00e9 o resultado de uma prova aplicada \u00e0 turma da disciplina de Virologia, da gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias Biom\u00e9dicas do ICB\/USP. 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