{"id":1060,"date":"2026-08-13T13:50:16","date_gmt":"2026-08-13T16:50:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/?p=1060"},"modified":"2026-08-14T17:51:30","modified_gmt":"2026-08-14T20:51:30","slug":"gordura-hipotalamo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/2026\/08\/13\/gordura-hipotalamo\/","title":{"rendered":"Dieta rica em gordura e inflama\u00e7\u00e3o do hipot\u00e1lamo: o que muda entre machos e f\u00eameas?"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma dieta rica em gordura n\u00e3o afeta o organismo de machos e f\u00eameas da mesma maneira. E as diferen\u00e7as podem come\u00e7ar no c\u00e9rebro. Um novo estudo investigou como a exposi\u00e7\u00e3o a esse tipo de dieta modifica, ao longo do tempo, a comunica\u00e7\u00e3o entre c\u00e9lulas do hipot\u00e1lamo, regi\u00e3o cerebral envolvida no controle do metabolismo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo foi publicado no peri\u00f3dico cient\u00edfico <em>Journal of Neuroendocrinology<\/em> e contou com a participa\u00e7\u00e3o de pesquisadores do Laborat\u00f3rio de Sinaliza\u00e7\u00e3o Celular, do <a href=\"https:\/\/ocrc.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Centro de Pesquisa em Obesidade e Comorbidades (OCRC).<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para esta mat\u00e9ria, o <em><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/quem-somos-2\/\" target=\"_blank\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/quem-somos-2\/\" rel=\"noreferrer noopener\">Farmaco em Foco<\/a><\/em> conversou com a <strong><a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/2274816945028347\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Profa. Dra. Nat\u00e1lia Ferreira Mendes<\/a><\/strong>, orientadora da pesquisa, e <strong><a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/6536699479107468\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Giovanna Ariozi dos Santos<\/a><\/strong>, uma das primeiras autoras do trabalho. As pesquisadoras compartilharam detalhes sobre os resultados, as hip\u00f3teses levantadas pelo estudo e os desafios de compreender como essas respostas podem se relacionar com o metabolismo humano.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-vivid-cyan-blue-color has-text-color has-link-color has-large-font-size wp-elements-1\"><strong>O c\u00e9rebro tamb\u00e9m sente os efeitos da dieta<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pare e pense em quais s\u00e3o os efeitos de uma alimenta\u00e7\u00e3o rica em gordura. Provavelmente, voc\u00ea pensou em ganho de peso, na sa\u00fade do f\u00edgado ou at\u00e9 em algumas doen\u00e7as metab\u00f3licas, como o diabetes. Mas o que muita gente n\u00e3o imagina \u00e9 que o c\u00e9rebro tamb\u00e9m \u00e9 afetado por essa dieta, principalmente uma regi\u00e3o chamada <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">hipot\u00e1lamo<\/mark><\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/08\/47-1024x576.jpg\" alt=\"Hipot\u00e1lamo hypothalamus\" class=\"wp-image-1077\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/08\/47-980x551.jpg 980w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/08\/47-480x270.jpg 480w\" sizes=\"(min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) and (max-width: 980px) 980px, (min-width: 981px) 1024px, 100vw\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><mark style=\"background-color:#ffffff\" class=\"has-inline-color has-cyan-bluish-gray-color\">Hipot\u00e1lamo destacado em azul.<\/mark><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O hipot\u00e1lamo est\u00e1 localizado na base do c\u00e9rebro. Ele atua como um importante centro de controle de diversas fun\u00e7\u00f5es que ajudam a regular a <strong>ingest\u00e3o de alimentos e o gasto de energia<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando pesquisadores analisam animais submetidos a uma dieta rica em gordura, eles observam que o hipot\u00e1lamo desses animais pode inflamar. Nesse processo, ocorrem altera\u00e7\u00f5es nas c\u00e9lulas do sistema nervoso e na comunica\u00e7\u00e3o entre essas c\u00e9lulas e com outras c\u00e9lulas. Essas altera\u00e7\u00f5es podem interferir justamente na capacidade do hipot\u00e1lamo de regular o apetite e o gasto energ\u00e9tico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00f3s j\u00e1 abordamos anteriormente esses mecanismos aqui no <em>Farmaco em Foco<\/em>. Para entender melhor a fun\u00e7\u00e3o do hipot\u00e1lamo e as consequ\u00eancias de sua inflama\u00e7\u00e3o, <strong>confira a mat\u00e9ria \u201c<a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/2026\/05\/22\/hipotalamo-inflamado\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Hipot\u00e1lamo inflamado: como a obesidade remodela o c\u00e9rebro<\/a>\u201d<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas existe uma outra grande pergunta nessa hist\u00f3ria. J\u00e1 sabemos que a obesidade acontece de forma diferente em homens e mulheres, assim como tamb\u00e9m em animais machos e f\u00eameas. <strong>Ser\u00e1 que isso pode estar relacionado a diferen\u00e7as entre os sexos na forma como o hipot\u00e1lamo responde \u00e0 dieta?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-vivid-cyan-blue-color has-text-color has-link-color has-large-font-size wp-elements-2\">Machos e f\u00eameas n\u00e3o respondem da mesma forma<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Mulheres e homens apresentam padr\u00f5es diferentes de obesidade.<\/strong> Prof. Nat\u00e1lia explica: \u201cAs mulheres geralmente t\u00eam mais gordura corporal por uma quest\u00e3o hormonal. Os homens tendem a ganhar menos gordura, mas isso n\u00e3o quer dizer que eles s\u00e3o mais protegidos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso porque uma dieta rica em gordura n\u00e3o causa apenas obesidade. Ela tamb\u00e9m pode levar a outros sintomas metab\u00f3licos, como diabetes e altera\u00e7\u00f5es nos n\u00edveis de colesterol, que podem ocorrer no homem mesmo quando n\u00e3o est\u00e1 obeso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Profa. Nat\u00e1lia discute que, <strong>nos animais, o cen\u00e1rio \u00e9 diferente do observado em humanos<\/strong>: \u201cOs camundongos f\u00eameas geralmente s\u00e3o mais resistentes ao desenvolvimento da obesidade. Por exemplo, quando colocamos uma dieta rica em gordura para o animal, vemos que o macho fica gordinho bem mais r\u00e1pido. A f\u00eamea, \u00e0s vezes, leva um, dois, tr\u00eas ou quatro meses para ganhar peso de maneira significativa.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/08\/46-1024x576.jpg\" alt=\"fat gordura\n\" class=\"wp-image-1076\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/08\/46-980x551.jpg 980w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/08\/46-480x270.jpg 480w\" sizes=\"(min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) and (max-width: 980px) 980px, (min-width: 981px) 1024px, 100vw\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diante dessas diferen\u00e7as, os pesquisadores se depararam com uma pergunta ainda sem resposta: <strong>ser\u00e1 que a inflama\u00e7\u00e3o do hipot\u00e1lamo tamb\u00e9m \u00e9 diferente entre machos e f\u00eameas?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para investigar essa quest\u00e3o, \u00e9 necess\u00e1rio olhar <strong>como a inflama\u00e7\u00e3o do hipot\u00e1lamo se desenvolve ao longo do tempo<\/strong>. Nessa hist\u00f3ria, a equipe da Profa. Nat\u00e1lia tem especial interesse pelas <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">quimiocinas<\/mark><\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante a inflama\u00e7\u00e3o do hipot\u00e1lamo, as quimiocinas s\u00e3o as mol\u00e9culas respons\u00e1veis por sinalizar e recrutar c\u00e9lulas do sistema imune. \u00c9 como se elas fossem um perfume que atrai essas c\u00e9lulas ao hipot\u00e1lamo. Para isso, as quimiocinas precisam interagir com <strong>receptores<\/strong> dessas c\u00e9lulas, que agem como sensores dessas quimiocinas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/08\/48-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1078\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/08\/48-980x551.jpg 980w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/08\/48-480x270.jpg 480w\" sizes=\"(min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) and (max-width: 980px) 980px, (min-width: 981px) 1024px, 100vw\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma vez que essas c\u00e9lulas chegam ao hipot\u00e1lamo, elas s\u00e3o respons\u00e1veis por desencadear uma s\u00e9rie de altera\u00e7\u00f5es que a inflama\u00e7\u00e3o causa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ou seja, <strong>as quimiocinas s\u00e3o pe\u00e7as-chave nas altera\u00e7\u00f5es que ocorrem quando o hipot\u00e1lamo inflama pelo consumo de alimentos gordurosos<\/strong>. E, como comentamos, algumas dessas altera\u00e7\u00f5es est\u00e3o intimamente ligadas ao desenvolvimento da obesidade e de outras doen\u00e7as metab\u00f3licas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por isso, Profa. Nat\u00e1lia levantou a hip\u00f3tese de que <strong>as diferen\u00e7as na obesidade de machos e f\u00eameas podem ter rela\u00e7\u00e3o com as quimiocinas<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ela comenta que seu estudo \u00e9 pioneiro nessa investiga\u00e7\u00e3o: \u201cQuando eu olhei a literatura para ver se tinha alguma coisa sobre as quimiocinas e diferen\u00e7a entre os sexos biol\u00f3gicos, eu n\u00e3o achei nada. Geralmente a maioria dos estudos s\u00f3 usa animais machos.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por isso, os pesquisadores decidiram acompanhar, em diferentes momentos da exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 dieta rica em gordura, as altera\u00e7\u00f5es nas quimiocinas e em seus receptores no hipot\u00e1lamo de machos e f\u00eameas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-vivid-cyan-blue-color has-text-color has-link-color has-large-font-size wp-elements-3\">Acompanhando a inflama\u00e7\u00e3o ao longo do tempo<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para investigar todas essas quest\u00f5es, os pesquisadores alimentaram alguns camundongos com uma dieta normal e outros com uma dieta rica em gordura. Al\u00e9m disso, os pesquisadores observaram separadamente o que acontecia com <strong>camundongos machos e f\u00eameas<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os pesquisadores tamb\u00e9m acompanharam a resposta em <strong>diferentes momentos da exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 dieta<\/strong>: ap\u00f3s <strong>1, 3, 14 e 28 dias<\/strong>. Isso permitiu observar o que ocorreria em cada momento e, assim, analisar como a inflama\u00e7\u00e3o do hipot\u00e1lamo progredia ao longo dos 28 dias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em cada momento, os pesquisadores analisaram, no hipot\u00e1lamo, a <strong>express\u00e3o de genes relacionados \u00e0s quimiocinas e seus receptores<\/strong>. Esta \u00e9 uma forma de verificar se as c\u00e9lulas est\u00e3o produzindo mais ou menos quimiocinas e seus \u201csensores\u201d ao longo do tempo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dessa forma, o estudo avaliou tr\u00eas pontos: como a dieta provoca altera\u00e7\u00f5es nas quimiocinas e seus receptores; <strong>como essas altera\u00e7\u00f5es evoluem ao longo do tempo; e se esse processo acontecia de maneira diferente em machos e f\u00eameas<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-vivid-cyan-blue-color has-text-color has-link-color has-large-font-size wp-elements-4\">Primeiro a mudan\u00e7a, depois o reajuste<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os resultados revelaram algo muito curioso: a resposta do hipot\u00e1lamo \u00e0 dieta rica em gordura n\u00e3o acontece de maneira cont\u00ednua e progressiva. Ou seja, <strong>o cen\u00e1rio n\u00e3o piora com o tempo de forma simples<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A express\u00e3o de muitas das quimiocinas e de seus receptores reduziu em um primeiro momento, mas esse efeito foi transit\u00f3rio.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso indica que essa resposta do hipot\u00e1lamo <strong>depende do tempo de exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 dieta rica em gordura<\/strong>. Em outras palavras, os efeitos observados ap\u00f3s alguns dias de dieta n\u00e3o s\u00e3o necessariamente os mesmos encontrados ap\u00f3s semanas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para a Dra. Nat\u00e1lia, uma possibilidade \u00e9 que essas altera\u00e7\u00f5es iniciais mostrem que o organismo est\u00e1 tentando se adaptar \u00e0 dieta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ela explica: \u201cA gente tamb\u00e9m v\u00ea muito isso quando analisamos os neuropept\u00eddeos, que s\u00e3o aquelas mol\u00e9culas que regulam a fome. Geralmente, quando damos uma dieta hiperlip\u00eddica para o animal, os neuropept\u00eddeos anorex\u00edgenos, que tiram a fome, aumentam. E os orex\u00edgenos, que aumentam a fome, diminuem. Depois depois de um tempo, esse efeito desaparece.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso pode estar relacionado a um efeito que algumas pessoas podem observar. Quando mantemos uma dieta saud\u00e1vel, mas comemos algo muito gorduroso em um dia espec\u00edfico, \u00e9 comum sentirmos pouca fome no dia seguinte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso ocorre porque o organismo se adapta \u00e0 mudan\u00e7a s\u00fabita na dieta, liberando horm\u00f4nios orex\u00edgenos para reduzir a fome. \u00c9 como um sinal do corpo dizendo: \u201cTemos energia de sobra. Podemos comer um pouco menos por um tempo.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O mesmo efeito pode ocorrer com a express\u00e3o das quimiocinas e seus receptores.<\/strong> Quando o hipot\u00e1lamos dos animais se depara com a mudan\u00e7a repentina na dieta, em um primeiro momento, ele reduz a express\u00e3o dessas mol\u00e9culas para diminuir o recrutamento de c\u00e9lulas imunes ao hipot\u00e1lamo. \u00c9 quase como se ele estivesse falando: \u201cJ\u00e1, j\u00e1 isso vai passar. N\u00e3o vamos criar alarde por enquanto, sistema imune.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Profa. Nat\u00e1lia comenta: <strong>\u201cNo come\u00e7o, isso tenta dar uma segurada na situa\u00e7\u00e3o, mas depois meio que perde esse controle.\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pesquisadora ressalta, entretanto, que o estudo n\u00e3o permite afirmar definitivamente que esse efeito seja um mecanismo de prote\u00e7\u00e3o inicial. S\u00e3o necess\u00e1rios outros experimentos para compreender a fun\u00e7\u00e3o real dessas altera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os resultados apontam para um processo complexo, em que diferentes sinais moleculares s\u00e3o modificados em momentos distintos. Mas a hist\u00f3ria fica ainda mais interessante (e complexa) quando olhamos para as diferen\u00e7as entre machos e f\u00eameas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-vivid-cyan-blue-color has-text-color has-link-color has-large-font-size wp-elements-5\">CXCR3: a mol\u00e9cula que mais chamou aten\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No estudo, foram analisados diversos tipos de quimiocinas e seus variados receptores correspondentes. Entre todas essas mol\u00e9culas, um receptor de quimiocinas chamou a aten\u00e7\u00e3o: o <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">CXCR3<\/mark><\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/2026\/05\/22\/hipotalamo-inflamado\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">uma mat\u00e9ria anterior do <em>Farmaco em Foco<\/em><\/a>, j\u00e1 explicamos que diferentes quimiocinas interagem apenas com seus receptores espec\u00edficos. Tamb\u00e9m falamos que cada tipo de c\u00e9lula apresenta diferentes tipos de receptores de quimiocinas. Por isso, saber especificamente quais quimiocinas e receptores est\u00e3o mais expressos na inflama\u00e7\u00e3o do hipot\u00e1lamo nos permite saber exatamente quais c\u00e9lulas est\u00e3o sendo recrutadas para l\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse contexto, o receptor <strong>CXCR3<\/strong> se destaca. Em um trabalho anterior, Profa. Nat\u00e1lia j\u00e1 havia observado que c\u00e9lulas que apresentam <strong>o receptor CXCR3 parecem proteger o organismo contra algumas altera\u00e7\u00f5es metab\u00f3licas provocadas pela dieta rica em gordura.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Agora, nesse novo estudo, Profa. Nat\u00e1lia observou que a express\u00e3o do <strong>CXCR3<\/strong> no hipot\u00e1lamo ap\u00f3s <strong>14 e 28 dias<\/strong> de dieta rica em gordura foi <strong>maior nas f\u00eameas do que nos machos<\/strong>. Esse resultado chamou a aten\u00e7\u00e3o porque coincide com o per\u00edodo em que as f\u00eameas apresentam maior resist\u00eancia inicial aos efeitos dessa dieta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No entanto, o estudo atual <strong>n\u00e3o demonstra que o CXCR3 seja o respons\u00e1vel direto por essa prote\u00e7\u00e3o<\/strong>. S\u00e3o necess\u00e1rios experimentos adicionais para determinar quais c\u00e9lulas est\u00e3o envolvidas nesse processo e qual \u00e9, de fato, a fun\u00e7\u00e3o exercida por elas no hipot\u00e1lamo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Mas por que o CXCR3 est\u00e1 mais expresso em f\u00eameas?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Giovanna reflete sobre essa pergunta: \u201cQuando a gente observa que as f\u00eameas parecem estar mais protegidas, n\u00f3s quer\u00edamos entender o porqu\u00ea. O que que elas t\u00eam que os machos n\u00e3o t\u00eam. Imediatamente, a gente pensou nos horm\u00f4nios sexuais\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-vivid-cyan-blue-color has-text-color has-link-color has-large-font-size wp-elements-6\">E onde entram os horm\u00f4nios?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma diferen\u00e7a fundamental entre machos e f\u00eameas s\u00e3o seus <strong>horm\u00f4nios sexuais<\/strong>. Por isso, os pesquisadores decidiram investigar algo mais: o papel dos <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">horm\u00f4nios ovarianos<\/mark><\/strong>, ou seja, dos horm\u00f4nios sexuais femininos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para isso, foram necess\u00e1rios mais experimentos com camundongos f\u00eameas. Alguns animais foram submetidos a uma cirurgia de <strong>remo\u00e7\u00e3o dos ov\u00e1rios<\/strong>, chamada de <strong>ovariectomia<\/strong>. Obviamente, esses camundongos n\u00e3o produziam horm\u00f4nios ovarianos. Houve ainda outro grupo de animais que, al\u00e9m de ter os ov\u00e1rios retirados, teve um dos principais horm\u00f4nios ovarianos reposto: o <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">estrog\u00eanio<\/mark><\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Todos esses animais foram submetidos \u00e0 dieta rica em gordura para avaliar os mesmos par\u00e2metros que discutimos antes. <strong>Remover os ov\u00e1rios dos animais permite verificar se s\u00e3o os horm\u00f4nios ovarianos que est\u00e3o causando a prote\u00e7\u00e3o observada em f\u00eameas.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Repor o estrog\u00eanio dos animais sem ov\u00e1rios foi importante para confirmar que os efeitos observados est\u00e3o mesmo relacionados ao horm\u00f4nio e n\u00e3o a outros efeitos da cirurgia em si.<\/strong> Al\u00e9m disso, assim foi poss\u00edvel avaliar a import\u00e2ncia do <strong>estrog\u00eanio<\/strong> isoladamente, j\u00e1 que ele \u00e9 o principal horm\u00f4nio ovariano, mas n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico. Ainda temos a progesterona, por exemplo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Profa. Nat\u00e1lia explica essa abordagem experimental: \u201cUma vez que voc\u00ea tira os ov\u00e1rios, vamos supor que tenha um aumento ou uma diminui\u00e7\u00e3o de algum fator que estamos investigando. Quando voc\u00ea rep\u00f5e o estrog\u00eanio, espera-se que esse fator volte ao normal. Assim conseguimos atribuir, de fato, qual o papel dos horm\u00f4nios.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Comparando esses grupos de animais, o grupo da Profa. Nat\u00e1lia encontrou diferen\u00e7as no perfil de quimiocinas do hipot\u00e1lamo.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Na aus\u00eancia dos horm\u00f4nios ovarianos, houve aumento da express\u00e3o de CXCR3<\/strong>. Nos animais em que foi feita <strong>a reposi\u00e7\u00e3o de estradiol, observou-se que a express\u00e3o de CXCR3 foi parcialmente restaurada<\/strong>, aproximando-a do padr\u00e3o observado nas f\u00eameas com os ov\u00e1rios preservados.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/08\/Copia-de-Final-blog-2-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1082\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/08\/Copia-de-Final-blog-2-980x551.jpg 980w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/08\/Copia-de-Final-blog-2-480x270.jpg 480w\" sizes=\"(min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) and (max-width: 980px) 980px, (min-width: 981px) 1024px, 100vw\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Esses resultados indicam que os horm\u00f4nios ovarianos est\u00e3o mesmo por tr\u00e1s da diferen\u00e7a na express\u00e3o de CXCR3 observada entre machos e f\u00eameas.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda assim, os resultados n\u00e3o significam que o estradiol, isoladamente, explique todas as diferen\u00e7as entre os sexos biol\u00f3gicos. As respostas \u00e0 dieta envolvem uma rede complexa de sinais, que podem envolver ainda muitas outras mol\u00e9culas e c\u00e9lulas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-vivid-cyan-blue-color has-text-color has-link-color has-large-font-size wp-elements-7\">Do camundongo para o ser humano: o que podemos dizer?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os resultados do estudo levantam uma quest\u00e3o inevit\u00e1vel: <strong>ser\u00e1 que esse mecanismo tamb\u00e9m acontece em seres humanos?<\/strong> A resposta, por enquanto, exige cautela.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/08\/51-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1081\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/08\/51-980x551.jpg 980w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/08\/51-480x270.jpg 480w\" sizes=\"(min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) and (max-width: 980px) 980px, (min-width: 981px) 1024px, 100vw\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00e1 existem evid\u00eancias de que a obesidade est\u00e1 associada a altera\u00e7\u00f5es inflamat\u00f3rias no hipot\u00e1lamo humano. Mas estudar o que acontece nessa regi\u00e3o em humanos \u00e9 muito mais dif\u00edcil do que em modelos animais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em animais, os pesquisadores podem analisar o hipot\u00e1lamo diretamente. Mas, em seres humanos, n\u00e3o podemos fazer a mesma gama de experimentos. Grande parte das informa\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis vem de <strong>t\u00e9cnicas de imagem<\/strong>, que permitem observar altera\u00e7\u00f5es na regi\u00e3o, mas n\u00e3o oferecem os mesmos detalhes, como, por exemplo, sobre a express\u00e3o de quimiocinas e seus receptores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estudos <strong>p\u00f3s-mortem<\/strong> podem fornecer informa\u00e7\u00f5es mais detalhadas sobre os tecidos, mas tamb\u00e9m apresentam uma limita\u00e7\u00e3o importante: oferecem uma esp\u00e9cie de \u201cfotografia\u201d daquele momento e n\u00e3o permitem acompanhar, em tempo real, como o hipot\u00e1lamo respondeu a diferentes per\u00edodos de exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 dieta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outra abordagem com humanos s\u00e3o as an\u00e1lises p\u00f3s-mortem, isto \u00e9, ap\u00f3s a morte. Mas, ainda assim, elas tamb\u00e9m possuem suas limita\u00e7\u00f5es, como explica Profa. Nat\u00e1lia: \u201cNesse caso, voc\u00ea tem uma coisa est\u00e1tica. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel acompanhar, por exemplo, o efeito de uma dieta em diferentes per\u00edodos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-vivid-cyan-blue-color has-text-color has-link-color has-large-font-size wp-elements-8\"><strong>Podemos relacionar os resultados com a menopausa?<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A participa\u00e7\u00e3o dos horm\u00f4nios ovarianos observada no estudo podem nos fazer pensar imediatamente na <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">menopausa<\/mark><\/strong>. Nesse per\u00edodo, ocorre uma redu\u00e7\u00e3o importante dos n\u00edveis desses horm\u00f4nios, assim como nos experimentos onde os ov\u00e1rios foram removidos. Al\u00e9m disso, \u00e9 importante tamb\u00e9m comentar que mulheres que enfrentam a menopausa podem observa algumas mudan\u00e7as metab\u00f3licas, como ganho de gordura abdominal, resist\u00eancia \u00e0 insulina e altera\u00e7\u00f5es nos n\u00edveis de colesterol.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar de o estudo revelar a import\u00e2ncia dos horm\u00f4nios ovarianos, o que pode sugerir uma correla\u00e7\u00e3o com a menopausa, <strong>os resultados n\u00e3o permitem estabelecer diretamente essa rela\u00e7\u00e3o<\/strong>. Ainda s\u00e3o necess\u00e1rias pesquisas em humanos capazes de investigar de maneira mais precisa como altera\u00e7\u00f5es hormonais, sexo, idade e metabolismo se relacionam com a inflama\u00e7\u00e3o do hipot\u00e1lamo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-vivid-cyan-blue-color has-text-color has-link-color has-large-font-size wp-elements-9\">E aquele exagero do fim de semana?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os resultados tamb\u00e9m podem fazer surgir uma pergunta bastante cotidiana: <strong>se a resposta do hipot\u00e1lamo muda conforme o tempo de exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 dieta, alguns dias de alimenta\u00e7\u00e3o mais rica em gordura fazem mal?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A resposta da Profa. Nat\u00e1lia \u00e9 direta: <strong>n\u00e3o d\u00e1 para concluir isso a partir deste estudo<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O trabalho n\u00e3o reproduz exatamente o padr\u00e3o alimentar de uma pessoa que mant\u00e9m uma alimenta\u00e7\u00e3o equilibrada durante a semana e exagera no fim de semana. Al\u00e9m disso, o estudo foi feito em camundongos. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel estimar diretamente quanto tempo seria necess\u00e1rio para que uma resposta semelhante acontecesse em seres humanos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEu acho arriscado, baseado nos estudos experimentais, fazer alguma recomenda\u00e7\u00e3o do tipo: \u2018fica tranquilo, pode ter alguns dias de dieta rica em gordura que vai ficar tudo bem depois\u2019\u201d, alerta Profa. Nat\u00e1lia.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-vivid-cyan-blue-color has-text-color has-link-color has-large-font-size wp-elements-10\">O primeiro contato com a pesquisa cient\u00edfica<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m dos resultados cient\u00edficos, o estudo tamb\u00e9m representa uma experi\u00eancia importante para Giovanna. A pesquisadora realizou os experimentos em sua inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, ainda nos primeiros anos de sua gradua\u00e7\u00e3o em Medicina.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cFoi muito diferente de tudo que eu j\u00e1 vivi, porque eu comecei a fazer as coisas aqui no meu primeiro ano da faculdade\u201d, conta Giovanna. Segundo ela, o in\u00edcio foi especialmente desafiador. Esse foi seu primeiro contato com a pesquisa cient\u00edfica, sendo necess\u00e1rio aprender desde como manipular animais de experimenta\u00e7\u00e3o at\u00e9 os m\u00e9todos que desenvolveu.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A experi\u00eancia tamb\u00e9m significou aprender uma nova forma de pensar. Para Giovanna, um dos maiores desafios foi justamente entender o que estava sendo investigado e como uma pergunta cient\u00edfica poderia ser transformada em experimentos capazes de produzir respostas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com o tempo, esse processo se tornou mais natural. \u201cDepois que eu me adaptei, eu entendi como que eu me organizo, foi mais f\u00e1cil de fazer as coisas\u201d, relata. Hoje, j\u00e1 no terceiro ano da gradua\u00e7\u00e3o, ela considera a experi\u00eancia especialmente importante para ampliar sua vis\u00e3o sobre a pr\u00f3pria forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Giovanna, a aproxima\u00e7\u00e3o com a ci\u00eancia pode ser muito interessante para outros estudantes de Medicina. Ela comenta: \u201c\u00c9 importante que outros alunos tamb\u00e9m tenham experi\u00eancia com outras abordagens al\u00e9m da parte cl\u00ednica. Esse contato abre os horizontes\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os resultados do trabalho ampliam a compreens\u00e3o sobre a rela\u00e7\u00e3o entre <strong>alimenta\u00e7\u00e3o, inflama\u00e7\u00e3o, hipot\u00e1lamo, sistema imunol\u00f3gico, horm\u00f4nios e metabolismo<\/strong>. Uma de suas principais contribui\u00e7\u00f5es talvez esteja em refor\u00e7ar que a resposta do organismo \u00e0 obesidade e \u00e0s altera\u00e7\u00f5es provocadas pela dieta <strong>n\u00e3o \u00e9 uniforme<\/strong>. Ela depende do tempo de exposi\u00e7\u00e3o, das mol\u00e9culas envolvidas, das c\u00e9lulas que participam da resposta e tamb\u00e9m do sexo biol\u00f3gico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao mesmo tempo, a ci\u00eancia ainda precisa avan\u00e7ar para entender como essas respostas se traduzem para a complexidade do organismo humano. Por enquanto, o estudo realizado no laborat\u00f3rio oferece uma importante pista: <strong>para compreender melhor as altera\u00e7\u00f5es metab\u00f3licas provocadas pela dieta, tamb\u00e9m \u00e9 preciso olhar para o c\u00e9rebro e considerar que machos e f\u00eameas podem n\u00e3o contar exatamente a mesma hist\u00f3ria.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"isselectedend has-white-color has-black-background-color has-text-color has-background has-link-color wp-elements-11 wp-block-paragraph\">As pesquisas divulgadas nessa mat\u00e9ria contaram com financiamento FAPESP (processos n\u00ba 2013\/07607-8, 2022\/06282-7, 2023\/11393-5 e 2024\/18774-7) e pela CAPES.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"isselectedend has-black-color has-light-green-cyan-background-color has-text-color has-background has-link-color wp-elements-12 wp-block-paragraph\">A presente mat\u00e9ria foi realizada com apoio da Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo (FAPESP), Brasil. Processo n\u00ba 25\/17158-3. As opini\u00f5es, hip\u00f3teses e conclus\u00f5es ou recomenda\u00e7\u00f5es expressas neste material s\u00e3o de responsabilidade do(s) autor(es) e n\u00e3o necessariamente refletem a vis\u00e3o da FAPESP.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"isselectedend wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading isselectedend has-large-font-size\"><b>Para saber mais:<\/b><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"isselectedend wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/2026\/05\/22\/hipotalamo-inflamado\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Mat\u00e9ria anterior sobre as pesquisas de Profa. Nat\u00e1lia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"isselectedend wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/42345444\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Artigo que discutimos aqui nesta mat\u00e9ria<\/a> (DOI: 10.1111\/jne.70215)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"isselectedend wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/39535032\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Estudo anterior da Profa. Nat\u00e1lia mostrando o papel protetor relacionado ao receptor CXCR3<\/a> (DOI: 10.7554\/eLife.95044)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading eplus-wrapper has-vivid-green-cyan-color has-text-color has-link-color has-large-font-size wp-elements-13\"><mark style=\"background-color:#ffffff\" class=\"has-inline-color has-vivid-green-cyan-color\">Autoria:<\/mark><\/h2>\n\n\n<div class=\"wp-block-image eplus-wrapper\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/02\/Design-sem-nome-3-1024x1024.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-258\" style=\"width:150px\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/02\/Design-sem-nome-3-980x980.png 980w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/02\/Design-sem-nome-3-480x480.png 480w\" sizes=\"(min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) and (max-width: 980px) 980px, (min-width: 981px) 1024px, 100vw\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"has-text-align-center eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><strong><mark style=\"background-color:#ffffff\" class=\"has-inline-color has-vivid-green-cyan-color\">Mia Schezaro Ramos<\/mark><\/strong><br><mark style=\"background-color:#ffffff\" class=\"has-inline-color has-vivid-green-cyan-color\">Farmac\u00eautica. Doutora em Farmacologia. Jornalista cient\u00edfica, ilustradora, trans, nintendista, kpopeira e dependente de exerc\u00edcio f\u00edsico para n\u00e3o pirar<\/mark><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudo investiga como uma dieta rica em gordura afeta a inflama\u00e7\u00e3o do hipot\u00e1lamo em machos e f\u00eameas. 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