{"id":1119,"date":"2026-09-15T14:20:20","date_gmt":"2026-09-15T17:20:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/?p=1119"},"modified":"2026-09-15T14:27:54","modified_gmt":"2026-09-15T17:27:54","slug":"leucemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/2026\/09\/15\/leucemia\/","title":{"rendered":"Desvendando a Leucemia Linfoide Aguda"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No Centro de Pesquisa Boldrini, em Campinas, o grupo do Prof. Dr. Jos\u00e9 Andr\u00e9s Yunes dedica-se a investigar a biologia da leucemia linfoide aguda (LLA), o c\u00e2ncer infantil mais frequente. Os pesquisadores buscam responder uma pergunta central: por que algumas c\u00e9lulas do c\u00e2ncer conseguem resistir ao tratamento enquanto outras s\u00e3o destru\u00eddas?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para esta reportagem, conversamos com o <strong>Prof. Dr. Jos\u00e9 Andr\u00e9s Yunes, assim como suas alunas e pesquisadoras Ma. Manuella Munuera Rosati<\/strong>, <strong>Mikaela Teodoro<\/strong>, <strong>Ma. Gabriella de Oliveira Fortes<\/strong>, <strong>Maria Luiza Silva Pires<\/strong> e <strong>Ma. Marina Buzatto Gilioli<\/strong>. Falamos tamb\u00e9m com a <strong>Profa.<\/strong> <strong>Dra. Silvia Brandalise<\/strong>, m\u00e9dica pediatra e fundadora do <strong>Centro Infantil Boldrini<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-vivid-cyan-blue-color has-text-color has-link-color has-large-font-size wp-elements-1\"><strong>A busca por novas respostas para a leucemia infantil<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 quase tr\u00eas d\u00e9cadas, o pesquisador <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/7572028567458424\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>Jos\u00e9 Andr\u00e9s Yunes<\/strong><\/a> dedica sua trajet\u00f3ria cient\u00edfica ao estudo das <strong>leucemias que atingem crian\u00e7as<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Prof. Yunes \u00e9 formado em Engenharia Agron\u00f4mica pela Universidade Federal de Santa Catarina. Ap\u00f3s isso, concluiu o doutorado em Gen\u00e9tica e Biologia Molecular pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em 1997. Yunes ainda realizou p\u00f3s-doutorado na Unicamp (1997) e no Dana-Farber Cancer Institute, ligado \u00e0 Harvard Medical School, nos Estados Unidos, entre 2001 e 2003. Atualmente, Yunes tamb\u00e9m atua como professor colaborador da Unicamp, incluindo nosso <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/farmacologia-da-unicamp\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Farmacologia<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Logo ap\u00f3s o doutorado, Prof. Yunes iniciou sua trajet\u00f3ria como pesquisador no <a href=\"https:\/\/www.boldrini.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Centro Infantil de Investiga\u00e7\u00f5es Hematol\u00f3gicas Dr. Domingos A. Boldrini<\/a>, em Campinas. Hoje, Prof. Yunes atua no <a href=\"https:\/\/www.boldrini.org.br\/centro-de-pesquisa-boldrini\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Centro de Pesquisa Boldrini<\/a>, um dos maiores centros de pesquisa em Oncologia pedi\u00e1trica da Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Centro de Pesquisa Boldrini foi inaugurado em 2018 para aproximar a pesquisa cient\u00edfica de ponta das necessidades da oncologia pedi\u00e1trica. \u00c9 um dos poucos centros brasileiros dedicados exclusivamente \u00e0 pesquisa em c\u00e2ncer pedi\u00e1trico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/8596174740140376\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>Dra. Silvia Brandalise<\/strong><\/a>, <strong>fundadora do Centro Infantil Boldrini<\/strong>, conta sobre a cria\u00e7\u00e3o desse espa\u00e7o: <em>\u201cCom a Funda\u00e7\u00e3o do Centro Infantil Boldrini, as atividades de pesquisa tiveram significativo incremento, justificando a necessidade da cria\u00e7\u00e3o do Centro de Pesquisa Boldrini.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso porque o Centro de Pesquisa Boldrini d\u00e1 suporte ao Centro Infantil Boldrini, realizando an\u00e1lises laboratoriais que auxiliam na escolha do melhor tratamento para os pacientes com c\u00e2ncer infantil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A estrutura do Centro de Pesquisa Boldrini \u00e9 surpreendente. Eu, Mia, j\u00e1 conheci diversos laborat\u00f3rios dentro e fora do Brasil. Posso dizer com confian\u00e7a que ainda n\u00e3o havia visto uma estrutura t\u00e3o incr\u00edvel como a do Centro de Pesquisa Boldrini.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dentro desse ambiente se desenvolvem os trabalhos do <strong>Laborat\u00f3rio de Biologia da Leucemia<\/strong>, coordenado pelo Prof. Yunes. Pode-se dizer que os projetos do Laborat\u00f3rio giram em torno de uma pergunta central: por que algumas c\u00e9lulas da leucemia conseguem sobreviver ao tratamento enquanto outras s\u00e3o eliminadas pela quimioterapia?<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/09\/Copia-de-Final-blog-1024x576.jpg\" alt=\"boldrini yunes laborat\u00f3rio leucemia \" class=\"wp-image-1139\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/09\/Copia-de-Final-blog-980x551.jpg 980w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/09\/Copia-de-Final-blog-480x270.jpg 480w\" sizes=\"(min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) and (max-width: 980px) 980px, (min-width: 981px) 1024px, 100vw\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><mark style=\"background-color:#ffffff\" class=\"has-inline-color has-cyan-bluish-gray-color\">Laborat\u00f3rio de Biologia da Leucemia e Prof. Jos\u00e9 Andr\u00e9s Yunes.<\/mark><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para responder essa pergunta, diferentes projetos do laborat\u00f3rio focam em quest\u00f5es distintas: <strong>a doen\u00e7a residual m\u00ednima<\/strong> (c\u00e9lulas leuc\u00eamicas que permanecem no organismo ap\u00f3s tratamento), <strong>a resist\u00eancia \u00e0 quimioterapia<\/strong>, <strong>a descoberta de novos alvos terap\u00eauticos<\/strong> e <strong>a intera\u00e7\u00e3o das c\u00e9lulas leuc\u00eamicas com o microambiente da medula \u00f3ssea<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesta mat\u00e9ria, iremos abordar seis diferentes projetos do grupo do Prof. Yunes. Mas, antes de mais nada, precisamos compreender um pouco mais sobre a leucemia linf\u00f3ide aguda.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-vivid-cyan-blue-color has-text-color has-link-color has-large-font-size wp-elements-2\"><strong>O que \u00e9 a leucemia linfoide aguda?<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para entender o que acontece na <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">leucemia linfoide aguda (LLA)<\/mark><\/strong>, primeiro precisamos conhecer o funcionamento normal do sangue. O sangue \u00e9 formado por diferentes tipos de c\u00e9lulas, cada uma com fun\u00e7\u00f5es espec\u00edficas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As <strong>hem\u00e1cias<\/strong> (gl\u00f3bulos vermelhos), por exemplo, s\u00e3o respons\u00e1veis pelo transporte de oxig\u00eanio para todo o corpo. As <strong>plaquetas<\/strong> participam da coagula\u00e7\u00e3o, ajudando a controlar sangramentos. J\u00e1 os <strong>leuc\u00f3citos<\/strong> (gl\u00f3bulos brancos) atuam na defesa do organismo contra infec\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre os diferentes tipos de leuc\u00f3citos temos os <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">linf\u00f3citos<\/mark><\/strong>. Estas s\u00e3o c\u00e9lulas fundamentais para a chamada imunidade adaptativa, processo no qual o nosso corpo reconhece uma amea\u00e7a de forma espec\u00edfica e \u201cse lembra\u201d dela, tornando a resposta mais r\u00e1pida e eficiente em um novo contato.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por exemplo, quando uma pessoa \u00e9 vacinada contra uma doen\u00e7a viral, o organismo come\u00e7a a produzir c\u00e9lulas de mem\u00f3ria contra o v\u00edrus que causa aquela doen\u00e7a. Assim, se a pessoa futuramente tiver contato com aquele v\u00edrus, as c\u00e9lulas de mem\u00f3ria conseguir\u00e3o reconhec\u00ea-lo e organizar uma resposta de defesa r\u00e1pida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como comentamos, os linf\u00f3citos s\u00e3o fundamentais para esse tipo de imunidade. Existem diferentes tipos de linf\u00f3citos, entre eles <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">os linf\u00f3citos B e os linf\u00f3citos T<\/mark><\/strong>, que possuem fun\u00e7\u00f5es diferentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os <strong>linf\u00f3citos B<\/strong> podem produzir anticorpos usados para identificar microrganismos de forma espec\u00edfica. J\u00e1 os <strong>linf\u00f3citos T<\/strong> ajudam a coordenar a defesa do corpo contra aquele microrganismo identificado pelos anticorpos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ambos os linf\u00f3citos T e B t\u00eam a mesma origem: as chamadas <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">c\u00e9lulas progenitoras na medula \u00f3ssea<\/mark><\/strong>. Essas c\u00e9lulas progenitoras, ao se desenvolverem, podem seguir diferentes caminhos, se tornando assim linf\u00f3citos T ou B.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 justamente nessa etapa que come\u00e7a a hist\u00f3ria da <strong>leucemia linfoide aguda (LLA)<\/strong>. A doen\u00e7a recebe esse nome porque envolve as c\u00e9lulas progenitoras que d\u00e3o origem aos linf\u00f3citos (por isso, \u201c<strong>leucemia linf\u00f3ide<\/strong>\u201d) e apresenta uma prolifera\u00e7\u00e3o r\u00e1pida de c\u00e9lulas imaturas (por isso, \u201c<strong>aguda<\/strong>\u201d).<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/09\/64-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1141\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/09\/64-980x551.jpg 980w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/09\/64-480x270.jpg 480w\" sizes=\"(min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) and (max-width: 980px) 980px, (min-width: 981px) 1024px, 100vw\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><mark style=\"background-color:#ffffff\" class=\"has-inline-color has-cyan-bluish-gray-color\">Um esfrega\u00e7o de aspirado de medula \u00f3ssea de um paciente com leucemia linfoide aguda de c\u00e9lulas B precursoras (fonte: Wiki Commons, VashiDonsk).<\/mark> <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Altera\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas nas c\u00e9lulas progenitoras podem fazem com que elas percam os mecanismos normais de multiplica\u00e7\u00e3o. Como resultado, as c\u00e9lulas passam a proliferar de forma descontrolada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Prof. Yunes explica: <em>\u201cEssa c\u00e9lula sofre uma muta\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica e fica proliferando sem parar, ocupando o lugar das outras c\u00e9lulas normais.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O problema \u00e9 que a medula \u00f3ssea funciona como uma esp\u00e9cie de \u201cf\u00e1brica\u201d do sangue. \u00c9 nela que s\u00e3o produzidas continuamente as c\u00e9lulas que v\u00e3o circular pelo organismo. Quando as c\u00e9lulas leuc\u00eamicas se multiplicam excessivamente, elas passam a ocupar espa\u00e7o e recursos que seriam utilizados pelas c\u00e9lulas normais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com isso, <strong>a produ\u00e7\u00e3o das c\u00e9lulas sangu\u00edneas saud\u00e1veis fica prejudicada<\/strong>. A redu\u00e7\u00e3o das hem\u00e1cias pode levar \u00e0 anemia; a diminui\u00e7\u00e3o das plaquetas aumenta o risco de sangramentos; e a menor produ\u00e7\u00e3o de leuc\u00f3citos pode deixar a crian\u00e7a mais vulner\u00e1vel a infec\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-vivid-cyan-blue-color has-text-color has-link-color has-large-font-size wp-elements-3\"><strong>O Enigma das Reca\u00eddas<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">At\u00e9 a d\u00e9cada de 1960, o diagn\u00f3stico de LLA pedi\u00e1trica era encarado praticamente como uma senten\u00e7a de morte. N\u00e3o existiam tratamentos eficazes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com a introdu\u00e7\u00e3o da <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">quimioterapia<\/mark><\/strong>, os m\u00e9dicos observaram grande melhora no tratamento da LLA. Num primeiro momento utilizava-se apenas um medicamento na quimioterapia. <strong>A doen\u00e7a entrava em remiss\u00e3o (era controlada), mas logo retornava.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A grande revolu\u00e7\u00e3o veio com a introdu\u00e7\u00e3o da <strong>quimioterapia combinada<\/strong> (poliquimioterapia), combinando m\u00faltiplos medicamentos quimioter\u00e1picos com diferentes mecanismos de a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nas primeiras semanas do tratamento, utilizam-se cerca de quatro a cinco drogas em conjunto para combater a doen\u00e7a agressivamente. Os m\u00e9dicos perceberam que era preciso atuar no <strong>limite da toxicidade<\/strong>. &#8220;Quando a crian\u00e7a entrava no tratamento, n\u00e3o podia ficar dando descanso&#8221;, explica o Prof. Yunes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim que os m\u00e9dicos aperfei\u00e7oaram a quimioterapia para aumentar a sobreviv\u00eancia dos pacientes ap\u00f3s a fase inicial, um novo desafio surgiu.<strong> O c\u00e2ncer retornava no c\u00e9rebro e na medula espinhal de muitas crian\u00e7as.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Descobriu-se que isso ocorria pois o sistema nervoso central funcionava como um &#8220;santu\u00e1rio&#8221; para a leucemia. Isso porque ele apresenta a chamada <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">barreira hematoencef\u00e1lica<\/mark><\/strong>, uma estrutura que impede a entrada de toxinas, assim como v\u00e1rios quimioter\u00e1picos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ou seja, as c\u00e9lulas leuc\u00eamicas conseguiam \u201cse esconder\u201d da quimioterapia nessas regi\u00f5es, permitindo sua prolifera\u00e7\u00e3o. Para contornar isso, o tratamento come\u00e7ou a incluir a profilaxia do sistema nervoso central, na qual \u00e9 administrada a medica\u00e7\u00e3o diretamente no <strong>l\u00edquido cefalorraquidiano<\/strong>, o l\u00edquido que envolve e protege o c\u00e9rebro e a medula espinhal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ou seja, a medica\u00e7\u00e3o consegue alcan\u00e7ar diretamente o sistema nervoso central, desviando da filtragem pela barreira hematoencef\u00e1lica. Assim, as c\u00e9lulas leuc\u00eamicas que se esconderem nessa regi\u00e3o tamb\u00e9m ser\u00e3o alvo da quimioterapia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com o somat\u00f3rio dessas estrat\u00e9gias, houve <strong>evolu\u00e7\u00e3o das taxas de sobreviv\u00eancia<\/strong> dos pacientes com LLA. Em centros de refer\u00eancia, como o Centro Infantil Boldrini, a taxa de cura da LLA pedi\u00e1trica ultrapassa 80% dos casos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/09\/65-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1142\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/09\/65-980x551.jpg 980w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/09\/65-480x270.jpg 480w\" sizes=\"(min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) and (max-width: 980px) 980px, (min-width: 981px) 1024px, 100vw\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><mark style=\"background-color:#ffffff\" class=\"has-inline-color has-cyan-bluish-gray-color\">Centro de Pesquisa Boldrini (fonte: Centro Boldrini).<\/mark><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-vivid-cyan-blue-color has-text-color has-link-color has-large-font-size wp-elements-4\"><strong>Quais desafios ainda permanecem<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar desse avan\u00e7o hist\u00f3rico impressionante, o problema est\u00e1 longe de estar resolvido. <strong>As <mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">reca\u00eddas<\/mark> ainda s\u00e3o o principal problema<\/strong>. Quando a doen\u00e7a retorna, significa que algumas c\u00e9lulas leuc\u00eamicas conseguiram escapar da a\u00e7\u00e3o dos medicamentos. Mas como isso \u00e9 poss\u00edvel?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estudos mostram que existem c\u00e9lulas leuc\u00eamicas que entram em um estado de <strong>&#8220;dorm\u00eancia&#8221; (quiesc\u00eancia)<\/strong>, parando temporariamente de se dividir. Como grande parte dos quimioter\u00e1picos ataca justamente as c\u00e9lulas que est\u00e3o se dividindo, essas c\u00e9lulas adormecidas conseguem &#8220;passar despercebidas&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essas c\u00e9lulas permanecem no organismo na forma de <strong>doen\u00e7a residual m\u00ednima<\/strong> e, quando o tratamento termina, voltam a se multiplicar, gerando a <strong>reca\u00edda<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pergunta \u00e9: <strong>o que essas c\u00e9lulas que entram em estado de \u201cdorm\u00eancia\u201d t\u00eam de diferente das outras c\u00e9lulas leuc\u00eamicas?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Voc\u00ea pode imaginar que essas c\u00e9lulas sofreram muta\u00e7\u00f5es para se tornarem mais fortes. Mas a verdade \u00e9 que estudos mostram que <strong>essas c\u00e9lulas s\u00e3o id\u00eanticas geneticamente<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Acontece que o DNA funciona como um grande livro de receitas que orienta como produzir todas as prote\u00ednas necess\u00e1rias para a c\u00e9lula realizar suas fun\u00e7\u00f5es. Mas duas c\u00e9lulas podem ter exatamente o mesmo DNA, mas estarem &#8220;lendo&#8221; p\u00e1ginas completamente diferentes desse livro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso significa que c\u00e9lulas geneticamente id\u00eanticas podem adotar o que chamamos de <strong>estados transcricionais<\/strong> distintos. Isso resulta em diferen\u00e7as no comportamento das c\u00e9lulas, tornando-as mais lentas ou dormentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por isso a mestranda <a href=\"\/\/lattes.cnpq.br\/4299654958859427\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>Manuella Munuera Rosati<\/strong><\/a> investiga a chamada <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">mem\u00f3ria transcricional<\/mark><\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mem\u00f3ria transcricional \u00e9 o mecanismo pelo qual uma c\u00e9lula, ap\u00f3s ser exposta a algum est\u00edmulo, aprende como reagir a este est\u00edmulo. Ou seja, cria mem\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo Manuella, esse mecanismo pode estar envolvido na mudan\u00e7a de estados transcricionais das c\u00e9lulas leuc\u00eamicas. Assim elas podem \u201caprender\u201d a responder ao quimioter\u00e1pico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>&#8220;Em muitos casos, essa resposta ocorre de forma mais r\u00e1pida ou mais intensa (&#8230;), permitindo que a c\u00e9lula responda de maneira mais eficiente a uma nova exposi\u00e7\u00e3o ao estresse, contribuindo para sua adapta\u00e7\u00e3o e, em alguns contextos, para sua sobreviv\u00eancia.\u201d<\/em>, explica Manuella.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O projeto de Manuella busca desvendar como ocorre a forma\u00e7\u00e3o dessa mem\u00f3ria transcricional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No estudo, os pesquisadores avaliam como c\u00e9lulas de LLA que resistiram ao tratamento quimioter\u00e1pico respondem a <strong>61 drogas oncol\u00f3gicas diferentes<\/strong>. Assim eles poder\u00e3o avaliar como essas c\u00e9lulas adquiriram <strong>resist\u00eancia<\/strong> \u00e0 medica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, os estados transcricionais das c\u00e9lulas ser\u00e3o avaliados antes e ap\u00f3s exposi\u00e7\u00e3o aos quimioter\u00e1picos. Assim ser\u00e1 poss\u00edvel tamb\u00e9m dizer se a resist\u00eancia adquirida \u00e0 medica\u00e7\u00e3o est\u00e1 relacionada \u00e0 forma\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria transcricional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desvendar esses mecanismos pode abrir portas para futuros medicamentos que ataquem a leucemia antes mesmo que ela aprenda a se defender.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-vivid-cyan-blue-color has-text-color has-link-color has-large-font-size wp-elements-5\"><strong>O &#8220;robozinho molecular&#8221; que conta as divis\u00f5es celulares<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre todos os caminhos investigados pelo grupo do Prof. Yunes, um em particular parece sa\u00eddo de um livro de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. O projeto da doutoranda <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/2215301953407286\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>Mikaela Teodoro<\/strong><\/a> busca construir uma forma de contar, c\u00e9lula por c\u00e9lula, quantas vezes ela se multiplicou desde o in\u00edcio de sua jornada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas porque isso \u00e9 t\u00e3o importante? Saber quantas vezes uma c\u00e9lula leuc\u00eamica se dividiu ajuda a identificar onde ela proliferou rapidamente e, mais importante, em quais locais ela preferiu ficar dormente e fugir da quimioterapia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para que isso seja poss\u00edvel, a equipe utiliza a tecnologia de <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">Prime Editing<\/mark><\/strong>. Essa \u00e9 uma t\u00e9cnica avan\u00e7ada de edi\u00e7\u00e3o de genes que funciona com extrema precis\u00e3o, como um editor do \u201ctexto\u201d do DNA. <strong>Esse sistema ser\u00e1 configurado para fazer pequenas edi\u00e7\u00f5es no DNA da c\u00e9lula cada vez que ela se dividir.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Prof. Yunes resume o conceito com uma met\u00e1fora: <em>&#8220;\u00c9 como um robozinho molecular que voc\u00ea implanta na c\u00e9lula e ele vai fazendo a contagem de quantas vezes essa c\u00e9lula se dividiu. Assim voc\u00ea pode saber onde essa c\u00e9lula fica dormente. E se isso se relaciona com a resist\u00eancia \u00e0 terapia.&#8221;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por isso, <strong>os pesquisadores pretendem investigar diretamente a rela\u00e7\u00e3o entre o n\u00famero de divis\u00f5es celulares e a capacidade das c\u00e9lulas de resistir aos tratamentos quimioter\u00e1picos.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/09\/67-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1145\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/09\/67-980x551.jpg 980w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/09\/67-480x270.jpg 480w\" sizes=\"(min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) and (max-width: 980px) 980px, (min-width: 981px) 1024px, 100vw\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><mark style=\"background-color:#ffffff\" class=\"has-inline-color has-cyan-bluish-gray-color\">Representa\u00e7\u00e3o das c\u00e9lulas de leucemia &#8220;adormecidas&#8221; no c\u00e9rebro para fugir dos quimioter\u00e1picos.<\/mark><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-vivid-cyan-blue-color has-text-color has-link-color has-large-font-size wp-elements-6\"><strong>Uma leucemia, dois subtipos<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para quem v\u00ea de fora, a LLA pode parecer uma \u00fanica doen\u00e7a. No entanto, ela \u00e9 extremamente diversa. A come\u00e7ar pela origem das c\u00e9lulas afetadas: <strong>a doen\u00e7a se divide em LLA de c\u00e9lulas B (que representa cerca de 85% dos casos infantis) e LLA de c\u00e9lulas T (cerca de 15%).<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Apesar de menos frequente, a LLA-T \u00e9 mais agressiva<\/strong>. Al\u00e9m disso, a diferen\u00e7a na origem celular faz com que um tratamento eficaz para a LLA-B n\u00e3o funcione necessariamente para a LLA-T, especialmente quando a quimioterapia convencional falha.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Neste campo de investiga\u00e7\u00e3o que atua a doutoranda <strong><a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/9151876214678276\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Ma. Gabriella de Oliveira Fortes<\/a><\/strong>. Ela resume o objetivo por tr\u00e1s de sua pesquisa:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>&#8220;C\u00e9lulas B e T possuem um perfil transcricional e ferramentas diferentes para sobreviver ao tratamento. Como os f\u00e1rmacos convencionais j\u00e1 est\u00e3o sendo usados em suas doses m\u00e1ximas toleradas, a busca por alvos espec\u00edficos e novas estrat\u00e9gias de tratamento \u00e9 essencial para pacientes que n\u00e3o respondem \u00e0 quimioterapia tradicional.&#8221;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pesquisa mapeia as caracter\u00edsticas moleculares de amostras de LLA-T e cruza esses dados com a resposta das c\u00e9lulas diante de 61 f\u00e1rmacos antitumorais. <strong>O objetivo \u00e9 identificar marcadores moleculares (caracter\u00edsticas gen\u00e9ticas) que indiquem quais pacientes respondem melhor a determinados medicamentos.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa abordagem abre portas para a medicina de precis\u00e3o na oncologia pedi\u00e1trica: em vez de aplicar um tratamento gen\u00e9rico para todos, a caracteriza\u00e7\u00e3o molecular pr\u00e9via permite identificar vulnerabilidades espec\u00edficas de cada c\u00e2ncer.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-vivid-cyan-blue-color has-text-color has-link-color has-large-font-size wp-elements-7\"><strong>Representando a diversidade da leucemia<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m da divis\u00e3o principal entre LLA-B e LLA-T, existem dezenas de subtipos moleculares com suas <strong>altera\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas espec\u00edficas<\/strong>, que ditam qu\u00e3o agressivo ser\u00e1 o c\u00e2ncer e como ele responder\u00e1 ao tratamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa grande variedade cria um gargalo para a ci\u00eancia. <strong>Os pesquisadores dependem das linhagens celulares que t\u00eam dispon\u00edvel. <\/strong>Ou seja, em seus experimentos, eles podem usar popula\u00e7\u00f5es de c\u00e9lulas leuc\u00eamicas mantidas vivas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O problema \u00e9 que as linhagens dispon\u00edveis hoje no mundo s\u00e3o limitadas, n\u00e3o abrangendo todos os subtipos moleculares conhecidos da LLA.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por isso a aluna de inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/5288631416129361\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Maria Luiza Silva Pires<\/strong><\/a> busca ajudar a preencher essas lacunas em seu projeto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo utiliza amostras do biobanco institucional do <strong>Centro Infantil Boldrini<\/strong> e tenta cultiv\u00e1-las em cultura de c\u00e9lulas. E isso est\u00e1 longe de ser uma tarefa simples. Muitas dessas c\u00e9lulas n\u00e3o se multiplicam em laborat\u00f3rio. O que \u00e9 uma grande contradi\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que uma das principais caracter\u00edsticas do c\u00e2ncer \u00e9 o crescimento desenfreado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Prof. Yunes comenta: <em>&#8220;\u00c9 surpreendente como uma c\u00e9lula que prolifera tanto assim no paciente, na hora que voc\u00ea p\u00f5e na cultura, ela n\u00e3o gosta e morre&#8221;.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como explica Yunes, no corpo humano as c\u00e9lulas leuc\u00eamicas contam com o suporte constante do microambiente da medula \u00f3ssea. Ao serem retiradas desse &#8220;ninho&#8221; e colocadas numa placa de pl\u00e1stico, a maioria n\u00e3o resiste ao estresse ou \u00e0 aus\u00eancia dos fatores de crescimento adequados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conseguir estabelecer novas linhagens que sobrevivam no laborat\u00f3rio, sem precisar alter\u00e1-las geneticamente, abriria portas valiosas para a pesquisa. Permitir\u00e1 que pesquisadores investiguem abordagens terap\u00eauticas muito mais alinhadas com a realidade de cada paciente.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-vivid-cyan-blue-color has-text-color has-link-color has-large-font-size wp-elements-8\"><strong>O ambiente tamb\u00e9m importa<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Falando em \u201cninho\u201d das c\u00e9lulas leuc\u00eamicas, vamos comentar um pouco da import\u00e2ncia da <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">medula \u00f3ssea<\/mark><\/strong>. Ela \u00e9 uma verdadeira <strong>&#8220;f\u00e1brica do sangue&#8221;<\/strong>. O microambiente da medula \u00f3ssea fornece sinais qu\u00edmicos, nutrientes e suporte f\u00edsico para a matura\u00e7\u00e3o das c\u00e9lulas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na leucemia, o tumor se aproveita desse ambiente, ocupando o espa\u00e7o e esgotando os recursos que deveriam alimentar a produ\u00e7\u00e3o de c\u00e9lulas sangu\u00edneas saud\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/09\/66-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1144\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/09\/66-980x551.jpg 980w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/09\/66-480x270.jpg 480w\" sizes=\"(min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) and (max-width: 980px) 980px, (min-width: 981px) 1024px, 100vw\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><mark style=\"background-color:#ffffff\" class=\"has-inline-color has-cyan-bluish-gray-color\">Representa\u00e7\u00e3o de c\u00e9lulas de leucemia linf\u00f3ide aguda ocupando o espa\u00e7o das c\u00e9lulas saud\u00e1veis na medula \u00f3ssea.<\/mark><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A quimioterapia \u00e9 eficaz em destruir as c\u00e9lulas doentes, mas atinge indiscriminadamente os tecidos saud\u00e1veis da medula. Como comentamos antes, a quimioterapia ataca c\u00e9lulas que se dividem muito. Isso ocorre tamb\u00e9m na medula \u00f3ssea, que n\u00e3o para de produzir novas c\u00e9lulas do sangue.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso levanta uma quest\u00e3o: <strong>seria poss\u00edvel estimular a recupera\u00e7\u00e3o seletiva das nossas c\u00e9lulas saud\u00e1veis perdidas na quimioterapia, para que elas ajudem a vencer a doen\u00e7a?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Afinal, observa\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas e estudos do pr\u00f3prio grupo sugerem que pacientes que conseguem recompor a popula\u00e7\u00e3o de linf\u00f3citos saud\u00e1veis respondem muito melhor ao tratamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A resposta para essa pergunta pode estar na <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">interleucina 7 (IL-7)<\/mark><\/strong>, mol\u00e9cula essencial para o processo de linfopoiese, isso \u00e9, a forma\u00e7\u00e3o e o desenvolvimento de novos linf\u00f3citos saud\u00e1veis. Essa \u00e9 a base do projeto da mestranda <strong><a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/2448523507165503\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Victoria Albeck<\/a><\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Prof. Yunes explica: <em>&#8220;Se a gente estimula com a citocina IL-7, a gente fortalece as c\u00e9lulas boas para ver se elas ganham espa\u00e7o e tiram o lugar da leucemia.&#8221;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para viabilizar esses testes no laborat\u00f3rio, a equipe enfrentou um obst\u00e1culo pr\u00e1tico: <strong>comprar IL-7 comercial para experimentos em animais \u00e9 extremamente caro<\/strong>. Em parceria com outros pesquisadores da Unicamp (Dr. Italo E. P. da Silva e Dra. Katlin Massirer), <strong>o grupo produziu a IL-7 utilizando c\u00e9lulas de inseto como f\u00e1brica biol\u00f3gica<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, <strong>desenvolveram uma vers\u00e3o mutante da mol\u00e9cula<\/strong>. A modifica\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica permitiu <strong>estender o tempo da IL-7 dentro do organismo<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Contudo, o Prof. Yunes faz quest\u00e3o de manter o p\u00e9 no ch\u00e3o quando se fala em aplica\u00e7\u00e3o da IL-7 em pacientes. O projeto ainda se encontra em fase iniciais, antes de avan\u00e7ar para os ensaios em animais. H\u00e1 um longo caminho experimental e regulat\u00f3rio at\u00e9 um eventual estudo cl\u00ednico com seres humanos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-vivid-cyan-blue-color has-text-color has-link-color has-large-font-size wp-elements-9\"><strong>N\u00e3o basta combater a leucemia, tamb\u00e9m \u00e9 preciso proteger o organismo<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A busca pela cura da leucemia infantil envolve um delicado equil\u00edbrio. <strong>Os medicamentos quimioter\u00e1picos atuam atacando c\u00e9lulas que se dividem rapidamente<\/strong>. Essa caracter\u00edstica \u00e9 perfeita para combater o c\u00e2ncer, mas tamb\u00e9m<strong> atinge em cheio tecidos saud\u00e1veis do corpo que possuem alta taxa de renova\u00e7\u00e3o, como o revestimento do trato gastrointestinal<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como consequ\u00eancia, um dos efeitos colaterais mais dolorosos e debilitantes do tratamento \u00e9 a <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">mucosite intestinal<\/mark><\/strong>. O ferimento e a inflama\u00e7\u00e3o da mucosa que cobre o intestino provocam dores intensas, diarreias frequentes e comprometem seriamente a absor\u00e7\u00e3o de nutrientes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, a quebra da integridade da barreira intestinal transforma o \u00f3rg\u00e3o em uma porta de entrada para bact\u00e9rias e infec\u00e7\u00f5es graves. O cen\u00e1rio se torna ainda mais perigoso quando lembramos que os pacientes de LLA est\u00e3o com imunidade baixa por conta da doen\u00e7a e do tratamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em casos severos, as complica\u00e7\u00f5es gastrointestinais for\u00e7am a interrup\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria da quimioterapia, reduzindo a efic\u00e1cia do combate ao c\u00e2ncer.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso levanta uma pergunta crucial para a ci\u00eancia: <strong>como tornar o tratamento da leucemia mais toler\u00e1vel e seguro sem diminuir sua efic\u00e1cia contra o tumor?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para responder a esse desafio, a doutoranda <strong><a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/9544019210564235\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Ma. Marina Buzatto Gilioli<\/a><\/strong> investiga o uso de <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">pept\u00eddeos bioativos<\/mark><\/strong> como uma terapia complementar. <strong>Pept\u00eddeos bioativos<\/strong> s\u00e3o pequenos fragmentos de prote\u00ednas que possuem <strong>propriedades imunomoduladoras, anti-inflamat\u00f3rias e protetoras dos tecidos<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pesquisadora Marina resume o projeto: <em>&#8220;Investigo se esses pept\u00eddeos conseguem proteger a mucosa intestinal durante a quimioterapia, ajudando o intestino a se manter \u00edntegro e a se recuperar mais r\u00e1pido do dano causado pelo tratamento.&#8221;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nos experimentos, <strong>camundongos recebem a quimioter\u00e1pica associada \u00e0 suplementa\u00e7\u00e3o oral dos pept\u00eddeos bioativos ou n\u00e3o<\/strong>. O grupo avalia minuciosamente a sa\u00fade da mucosa intestinal, revelando a efic\u00e1cia da suplementa\u00e7\u00e3o com os pept\u00eddeos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Prof. Yunes destaca o apelo dessa linha de pesquisa: <em>&#8220;N\u00e3o que ele v\u00e1 combater a leucemia diretamente, mas melhora a qualidade de vida do paciente durante o tratamento e reduz infec\u00e7\u00f5es. \u00c9 uma abordagem promissora e pr\u00e1tica, que no futuro pode fundamentar estudos cl\u00ednicos para prevenir a mucosite em crian\u00e7as em tratamento.&#8221;<\/em><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-vivid-cyan-blue-color has-text-color has-link-color has-large-font-size wp-elements-10\"><strong>O que conecta todos esses projetos?<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c0 primeira vista, os caminhos investigados pelo grupo do Prof. Yunes podem parecer diversos. E realmente s\u00e3o. Mas, no final das contas, todas essas frentes de trabalho convergem para o mesmo objetivo fundamental: <strong>desvendar a biologia da leucemia linfoide aguda para tornar os tratamentos mais precisos, eficazes e seguros<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Todas essas pesquisas encontram-se em diferentes est\u00e1gios da chamada <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">pesquisa pr\u00e9-cl\u00ednica<\/mark><\/strong>. O avan\u00e7o da ci\u00eancia m\u00e9dica segue uma jornada longa e rigorosa, com muitas etapas cient\u00edficas e regulat\u00f3rias antes de um tratamento ficar dispon\u00edvel. S\u00e3o necess\u00e1rios rigorosos testes de efic\u00e1cia, toxicidade e seguran\u00e7a em ensaios cl\u00ednicos com pacientes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 fundamental compreender as barreiras e as exig\u00eancias de cada etapas. Um resultado promissor observado em culturas de c\u00e9lulas n\u00e3o garante que a mesma resposta ocorrer\u00e1 em um paciente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso demonstra que a pesquisa cient\u00edfica do grupo do Prof. Andr\u00e9s Yunes n\u00e3o procura simplesmente &#8220;um novo rem\u00e9dio milagroso&#8221; para o c\u00e2ncer infantil. O trabalho busca construir um edif\u00edcio de conhecimento s\u00f3lido, compreendendo profundamente a biologia da doen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-white-color has-black-background-color has-text-color has-background has-link-color wp-elements-11 wp-block-paragraph\">O projeto divulgado nessa mat\u00e9ria conta com financiamento FAPESP (processos n\u00ba 24\/22071-1, 25\/12220-2, 24\/03383-2, 24\/03384-9, 26\/01815-8, 25\/17530-0 e 25\/03857-7) e pelo programa PRONON (NUP 25000.211174.2019-45) do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-light-green-cyan-background-color has-text-color has-background has-link-color wp-elements-12 wp-block-paragraph\">A presente mat\u00e9ria foi realizada com apoio da Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo (FAPESP), Brasil. Processo n\u00ba 25\/17158-3. As opini\u00f5es, hip\u00f3teses e conclus\u00f5es ou recomenda\u00e7\u00f5es expressas neste material s\u00e3o de responsabilidade do(s) autor(es) e n\u00e3o necessariamente refletem a vis\u00e3o da FAPESP.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-large-font-size\">Para saber mais:<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/21593192\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">IL-7 e LLA<\/a> (doi: 10.1158\/0008-5472.CAN-10-3606)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/34907175\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Muta\u00e7\u00e3o no receptor de IL-7 e LLA (artigo 1)<\/a> (doi: 10.1038\/s41467-021-27197-5)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/21892159\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Muta\u00e7\u00e3o no receptor de IL-7 e LLA (artigo 2)<\/a> (doi: 110.1038\/ng.924)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/41939480\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Screening de drogas para LLA<\/a> (doi: 10.3389\/fonc.2026.1685447)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/41183006\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Modelo murino para reca\u00edda de LLA<\/a> (doi: 10.3791\/68797)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading eplus-wrapper has-vivid-green-cyan-color has-text-color has-link-color has-large-font-size wp-elements-13\"><mark style=\"background-color:#ffffff\" class=\"has-inline-color has-vivid-green-cyan-color\">Autoria:<\/mark><\/h2>\n\n\n<div class=\"wp-block-image eplus-wrapper\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/02\/Design-sem-nome-3-1024x1024.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-258\" style=\"width:150px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/02\/Design-sem-nome-3-980x980.png 980w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/02\/Design-sem-nome-3-480x480.png 480w\" sizes=\"(min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) and (max-width: 980px) 980px, (min-width: 981px) 1024px, 100vw\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"has-text-align-center eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><strong><mark style=\"background-color:#ffffff\" class=\"has-inline-color has-vivid-green-cyan-color\">Mia Schezaro Ramos<\/mark><\/strong><br><mark style=\"background-color:#ffffff\" class=\"has-inline-color has-vivid-green-cyan-color\">Farmac\u00eautica. Doutora em Farmacologia. Jornalista cient\u00edfica, ilustradora, trans, nintendista, kpopeira e dependente de exerc\u00edcio f\u00edsico para n\u00e3o pirar<\/mark><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisadores do Centro de Pesquisa Boldrini investigam a leucemia linfoide aguda (LLA) infantil, buscando entender a resist\u00eancia \u00e0 quimioterapia e desenvolver tratamentos mais precisos, eficazes e seguros contra o c\u00e2ncer infantil.<\/p>\n","protected":false},"author":776,"featured_media":1140,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","_eb_attr":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[19,22,20],"tags":[316,314,320,318,326,313,312,317,322,321,325,327,323,324,328,329,319,315],"class_list":["post-1119","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-portugues","category-farmaco-explica","category-pesquisa","tag-boldrini","tag-cancer-infantil","tag-celulas-leucemicas","tag-doenca-residual-minima","tag-il-7","tag-leucemia-infantil","tag-leucemia-linfoide-aguda","tag-leucemia-pediatrica","tag-medicina-de-precisao","tag-memoria-transcricional","tag-microambiente-da-medula-ossea","tag-mucosite","tag-oncologia","tag-pediatria","tag-peptideos-bioativos","tag-prime-editing","tag-recaida-da-leucemia","tag-resistencia-a-quimioterapia"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/09\/63.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1119","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-json\/wp\/v2\/users\/776"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1119"}],"version-history":[{"count":14,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1119\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1153,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1119\/revisions\/1153"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1140"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1119"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1119"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1119"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}