{"id":610,"date":"2026-04-01T14:44:31","date_gmt":"2026-04-01T17:44:31","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/?p=610"},"modified":"2026-05-04T11:44:19","modified_gmt":"2026-05-04T14:44:19","slug":"colageno-glicado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/2026\/04\/01\/colageno-glicado\/","title":{"rendered":"Col\u00e1geno glicado: o que o diabetes deixa nos vasos mesmo ap\u00f3s o tratamento"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"eplus-wrapper\">Mesmo com a glicemia controlada, pessoas com diabetes ainda enfrentam alto risco de infarto e acidente vascular cerebral. A raz\u00e3o ainda n\u00e3o \u00e9 completamente esclarecida, mas pesquisadores do Laborat\u00f3rio de Matriz Extracelular (ECM Lab) da UNICAMP acreditam que uma poss\u00edvel pe\u00e7a-chave seja o col\u00e1geno glicado. Eles investigam se essa altera\u00e7\u00e3o pode tornar os vasos mais r\u00edgidos e favorecer a forma\u00e7\u00e3o de trombos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper\">Conversamos com o pesquisador l\u00edder do laborat\u00f3rio, o Prof. Dr. Renato Sim\u00f5es Gaspar, e alguns de seus orientandos: a aluna de inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica Beatriz Scardua da Silva; a mestranda Nat\u00e1lia Silva Oliveira; e os doutorandos M.Sc. Tatiana Alves Toledo (tamb\u00e9m biologista do laborat\u00f3rio), M.Sc. R\u00f4mulo Br\u00eanno Lopes Fr\u00f3es e Samuel Duarte Maia.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center eplus-wrapper has-vivid-cyan-blue-color has-text-color has-link-color has-large-font-size wp-elements-8ccfd57e974a7cf2b4294872b5231b14\"><strong>Investigando se o que acontece fora da c\u00e9lula pode definir o risco cardiovascular<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper\">\u00c0 frente do ECM Lab est\u00e1 o <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/2259028092215827\" target=\"_blank\" data-type=\"link\" data-id=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/2259028092215827\" rel=\"noreferrer noopener\">Prof. Dr. Renato<\/a>, docente do <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/quem-somos-2\/\" target=\"_blank\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/quem-somos-2\/\" rel=\"noreferrer noopener\">Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Farmacologia da UNICAMP<\/a>. Com forma\u00e7\u00e3o m\u00e9dica pela <a href=\"https:\/\/portais.ufma.br\/PortalUfma\/\" target=\"_blank\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/portais.ufma.br\/PortalUfma\/\" rel=\"noreferrer noopener\">Universidade Federal do Maranh\u00e3o<\/a>, doutorado pela <a href=\"https:\/\/www.reading.ac.uk\/\" target=\"_blank\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/www.reading.ac.uk\/\" rel=\"noreferrer noopener\">Universidade de Reading<\/a> (Reino Unido) e p\u00f3s-doutorado no <a href=\"https:\/\/www2.incor.usp.br\/sites\/incor2024\/\" target=\"_blank\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/www2.incor.usp.br\/sites\/incor2024\/\" rel=\"noreferrer noopener\">InCor-USP<\/a>, hoje tamb\u00e9m atua como editor da revista <em><a href=\"https:\/\/www.ahajournals.org\/journal\/res\" target=\"_blank\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/www.ahajournals.org\/journal\/res\" rel=\"noreferrer noopener\">Circulation Research<\/a><\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper\">Sua trajet\u00f3ria acad\u00eamica \u00e9 marcada pela <strong>investiga\u00e7\u00e3o de mecanismos que aumentam o risco cardiovascular<\/strong>. Nessa linha, seus estudos se concentram especialmente no <mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\"><strong>papel das prote\u00ednas da matriz extracelular<\/strong><\/mark>, assim como nas <strong>modifica\u00e7\u00f5es<\/strong> que elas podem sofrer: <strong>oxida\u00e7\u00e3o, redu\u00e7\u00e3o e modifica\u00e7\u00f5es p\u00f3s-translacionais<\/strong> (altera\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas irrevers\u00edveis de sua estrutura). Busca entender <strong>como plaquetas, c\u00e9lulas endoteliais e musculares lisas \u201csentem\u201d e respondem \u00e0 essas modifica\u00e7\u00f5es<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper\">\u00c9 a partir dessa perspectiva que o <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">Laborat\u00f3rio de Matriz Extracelular (ECM Lab)<\/mark><\/strong> se dedica a investigar o que acontece fora da c\u00e9lula. Nesse espa\u00e7o est\u00e3o prote\u00ednas de matriz muito importantes, como <strong>col\u00e1geno, fibronectina e fibrinog\u00eanio<\/strong>. O grupo parte da ideia de que <strong>doen\u00e7as cr\u00f4nicas<\/strong>, como o <strong>diabetes<\/strong>, promovem <strong>altera\u00e7\u00f5es duradouras nessas prote\u00ednas<\/strong>. Assim, estudam como as c\u00e9lulas percebem essas altera\u00e7\u00f5es, sobretudo no <strong>contexto cardiovascular<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper\">Para desvendar esses processos, o laborat\u00f3rio integra abordagens que v\u00e3o da an\u00e1lise molecular e biof\u00edsica de prote\u00ednas e suas intera\u00e7\u00f5es at\u00e9 estudos com c\u00e9lulas, modelos animais e amostras de pacientes. Assim, \u00e9 poss\u00edvel buscar novos alvos terap\u00eauticos para doen\u00e7as cardiovasculares.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center eplus-wrapper has-vivid-cyan-blue-color has-text-color has-link-color has-large-font-size wp-elements-6c8ef616237203e5d7bd2c6f0a013aa0\"><strong>Por que o diabetes aumenta tanto o risco de doen\u00e7as cardiovasculares?<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large eplus-wrapper\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/04\/28-1024x576.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-613\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/04\/28-980x551.png 980w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/04\/28-480x270.png 480w\" sizes=\"(min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) and (max-width: 980px) 980px, (min-width: 981px) 1024px, 100vw\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper\">Pacientes com diabetes possuem <strong>alto risco de desenvolver doen\u00e7as cardiovasculares<\/strong>. Prof. Renato comenta: \u201cN\u00f3s fizemos um estudo epidemiol\u00f3gico que mostrou que, para a popula\u00e7\u00e3o brasileira, quando a gente pega os fatores de risco para mortalidade por doen\u00e7as cardiovasculares, <strong>o diabetes \u00e9 disparado o maior fator de risco<\/strong>. Ele tem uma magnitude duas a tr\u00eas vezes maior que outros fatores, como tabagismo e hipertens\u00e3o.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper\">Existem diversos fatores envolvidos nesse risco aumentado. \u201cO diabetes nunca vem sozinho. Geralmente a pessoa \u00e9 diab\u00e9tica, mas tamb\u00e9m pode ser dislipid\u00eamica, obesa, sedent\u00e1ria ou tabagista. Ent\u00e3o tem os fatores de risco associados.\u201d, explica o Prof. Renato.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper\">Mas, al\u00e9m disso, o diabetes por si s\u00f3 tamb\u00e9m afeta diretamente outros mecanismos envolvidos no risco de a pessoa ter um <strong>evento isqu\u00eamico<\/strong>. Prof. Renato destaca que um mecanismo importante \u00e9 a <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">ativa\u00e7\u00e3o de plaquetas<\/mark><\/strong>: \u201c<strong>As plaquetas de pessoas diab\u00e9ticas tendem a ser hiper-reativas<\/strong>. Ent\u00e3o elas v\u00e3o formar um <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">trombo<\/mark><\/strong> maior. Assim, a chance de impactar um \u00f3rg\u00e3o como o cora\u00e7\u00e3o ou c\u00e9rebro \u00e9 maior.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper\">As <strong>plaquetas<\/strong> circulam no sangue e s\u00e3o essenciais para estancar sangramentos. Quando algum vaso sangu\u00edneo est\u00e1 danificado (causando sangramento), as plaquetas agem rapidamente, ativando-se e <strong>agregando-se<\/strong> para formar um <strong>co\u00e1gulo<\/strong>, o que previne uma hemorragia. Voc\u00ea j\u00e1 deve ter observado alguma ferida parar de sangrar ap\u00f3s pouco tempo. Isso acontece justamente porque as plaquetas formam o co\u00e1gulo para estancar o sangramento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper\">Acontece que <strong>as plaquetas de pessoas diab\u00e9ticas podem reagir muito mais que o normal<\/strong>. Assim, elas n\u00e3o reagem apenas \u00e0s les\u00f5es nos vasos que produzem sangramento. <strong>Est\u00edmulos bem menores podem causar rea\u00e7\u00e3o<\/strong>, como microles\u00f5es nos vasos e altera\u00e7\u00f5es no fluxo sangu\u00edneo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper\">Isso pode levar \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de <strong>co\u00e1gulos dentro dos vasos<\/strong> sangu\u00edneos, o que chamamos de <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">trombo<\/mark><\/strong>. No diab\u00e9tico, esses trombos podem ser t\u00e3o grandes que obstruem pequenos vasos do cora\u00e7\u00e3o ou do c\u00e9rebro, <strong>levando ao infarto e ao acidente vascular cerebral (AVC)<\/strong>, respectivamente. Ou seja, uma vez que o vaso est\u00e1 \u201centupido\u201d, o sangue n\u00e3o consegue circular e levar oxig\u00eanio para aquele local, causando a morte das c\u00e9lulas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center eplus-wrapper has-vivid-cyan-blue-color has-text-color has-link-color has-large-font-size wp-elements-d94c54e0a90ed1a217e57e55c606955d\"><strong>O enigma do risco persistente no diabetes<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large eplus-wrapper\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/04\/29-1024x576.png\" alt=\"Col\u00e1geno glicado\" class=\"wp-image-614\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/04\/29-980x551.png 980w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/04\/29-480x270.png 480w\" sizes=\"(min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) and (max-width: 980px) 980px, (min-width: 981px) 1024px, 100vw\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><mark style=\"background-color:#ffffff\" class=\"has-inline-color has-cyan-bluish-gray-color\">Col\u00e1geno glicado: um \u00e1lbum de mem\u00f3rias do diabetes.<\/mark><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper\">No entanto, um mist\u00e9rio ainda intriga os pesquisadores h\u00e1 d\u00e9cadas. Sabe-se que, <strong>mesmo ap\u00f3s o controle da glicemia, o risco cardiovascular muitas vezes permanece elevado<\/strong>. \u201cGeralmente o paciente diab\u00e9tico vai tomar <strong>metformina<\/strong>. Por\u00e9m, n\u00e3o temos nenhum estudo robusto que mostre que a metformina vai reduzir a chance dessa pessoa ter infarto.\u201d, comenta o Prof. Renato.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper\">H\u00e1 alguns anos, vimos as <strong>\u201ccanetas emagrecedoras\u201d<\/strong>, como Ozempic e Mounjaro, revolucionarem o tratamento do diabetes. Prof. Renato comenta: \u201cSe voc\u00ea olhar para esses medicamentos, eles reduzem a mortalidade em aproximadamente 15%. [&#8230;] Ent\u00e3o, <strong>mesmo esses medicamentos mais modernos talvez n\u00e3o levem a uma prote\u00e7\u00e3o muito eficiente<\/strong>.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper\">O motivo do <strong>risco cardiovascular permanecer elevado mesmo ap\u00f3s a corre\u00e7\u00e3o da glicemia<\/strong> continua sendo um mist\u00e9rio. Por isso, <strong>o ECM Lab decidiu investigar essa rela\u00e7\u00e3o<\/strong> (financiamento FAPESP, processo n\u00ba <a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/112583\/mecanismos-subjacentes-da-doenca-cardiovascular-no-diabetes-o-papel-do-colageno-glicado\/\" target=\"_blank\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/112583\/mecanismos-subjacentes-da-doenca-cardiovascular-no-diabetes-o-papel-do-colageno-glicado\/\" rel=\"noreferrer noopener\">22\/05750-7<\/a>). Uma das hip\u00f3teses levantadas aponta para o papel do <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">col\u00e1geno glicado<\/mark><\/strong>. Trata-se de uma forma modificada do col\u00e1geno por acumular <strong>danos ao longo dos anos de hiperglicemia<\/strong>. Esse processo \u00e9 chamado de <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">glica\u00e7\u00e3o<\/mark><\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper\">Na <strong>glica\u00e7\u00e3o<\/strong>, mol\u00e9culas de <strong>a\u00e7\u00facar se ligam a outras mol\u00e9culas<\/strong>, como, por exemplo, prote\u00ednas. No caso do col\u00e1geno, quando glicado, ele forma fibras maiores e mais r\u00edgidas que o normal. E essa rea\u00e7\u00e3o <strong>n\u00e3o pode ser revertida<\/strong>, j\u00e1 que envolve liga\u00e7\u00f5es covalentes, isto \u00e9, o compartilhamento de el\u00e9trons entre os \u00e1tomos da mol\u00e9cula. \u00c9 como se a glicose fosse unida ao col\u00e1geno com concreto, tornando-os insepar\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper\">A doutoranda e biologista do laborat\u00f3rio, <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/6739737268930820\" target=\"_blank\" data-type=\"link\" data-id=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/6739737268930820\" rel=\"noreferrer noopener\">M.Sc. Tatiana Toledo<\/a>, explica um pouco mais a l\u00f3gica por tr\u00e1s da investiga\u00e7\u00e3o do col\u00e1geno: \u201c<strong>Entre quando o paciente come\u00e7a a ter a hiperglicemia at\u00e9 ele ser diagnosticado com diabetes, tem uma lacuna de em torno de 5 anos<\/strong>. <strong>O col\u00e1geno \u00e9 uma prote\u00edna de meia-vida longa.<\/strong>\u201d Isso quer dizer que a mesma mol\u00e9cula de <strong>col\u00e1geno permanece no corpo por mais de 10 anos, sem ser renovada<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper\">M.Sc. Tatiana completa: \u201cComo \u00e9 uma prote\u00edna que est\u00e1 exposta a tudo que pode ocorrer dentro do corpo, ela pode sofrer modifica\u00e7\u00f5es, como a <strong>glica\u00e7\u00e3o<\/strong>. A gente pode fazer um paralelo com a hemoglobina glicada que \u00e9 usada como um par\u00e2metro para o diagn\u00f3stico do diabetes. S\u00f3 que a hemoglobina vai embora em 120 dias, o col\u00e1geno n\u00e3o. Ent\u00e3o voc\u00ea tem, como tempo, um ac\u00famulo de modifica\u00e7\u00f5es no col\u00e1geno.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper\">Por ter uma meia-vida longa, o col\u00e1geno funciona como uma esp\u00e9cie de \u201c<strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">mem\u00f3ria molecular<\/mark><\/strong>\u201d da doen\u00e7a, podendo <strong>manter altera\u00e7\u00f5es causadas pela hiperglicemia mesmo ap\u00f3s ela ser tratada<\/strong>. Esse processo j\u00e1 se mostrou importante para a dificuldade de cicatriza\u00e7\u00e3o de feridas no diabetes. Hoje, <strong>o ECM Lab investiga se a glica\u00e7\u00e3o do col\u00e1geno pode contribuir para o risco cardiovascular aumentado, por exemplo, ao deixar os vasos sangu\u00edneos mais r\u00edgidos ou alterar a reatividade das plaquetas.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper\">Os doutorandos <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/6899693545430012\" target=\"_blank\" data-type=\"link\" data-id=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/6899693545430012\" rel=\"noreferrer noopener\">M.Sc. R\u00f4mulo Fr\u00f3es<\/a> e <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/3046884902009162\" target=\"_blank\" data-type=\"link\" data-id=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/3046884902009162\" rel=\"noreferrer noopener\">Samuel Maia<\/a> foram atra\u00eddos para trabalhar para o grupo exatamente pela abordagem \u00fanica do estudo. M.Sc. R\u00f4mulo conta: \u201cO fator inova\u00e7\u00e3o foi o que me atraiu. H\u00e1 pouqu\u00edssimas pesquisas que envolvem o col\u00e1geno glicado com doen\u00e7as cardiovasculares.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper\">Samuel complementa: \u201cO que me despertou a curiosidade em trabalhar nesse projeto foi saber que existia esse subgrupo de pacientes do diabetes que ainda estavam suscet\u00edveis a desfechos cardiovasculares muito importantes. Que o projeto daria aten\u00e7\u00e3o a um grupo que \u00e9 muito esquecido e, quem sabe, at\u00e9 achar formas de solucionar isso.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center eplus-wrapper has-vivid-cyan-blue-color has-text-color has-link-color has-large-font-size wp-elements-8516ef9c9713428cd999fa2f36892d3f\">Como estudar a glica\u00e7\u00e3o na pr\u00e1tica<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper\">O projeto \u00e9 bem ousado e envolve a participa\u00e7\u00e3o de diversos alunos. Prof. Renato comenta: \u201cA ideia \u00e9 trabalhar desde a prote\u00edna isolada, passando pela c\u00e9lula, at\u00e9 chegar no paciente. At\u00e9 o momento j\u00e1 conseguimos fazer a prote\u00edna isolada, c\u00e9lulas e o animal. Em breve vamos come\u00e7ar a trabalhar com os pacientes.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper\">Nos modelos animais, os pesquisadores utilizam <strong>duas drogas para induzir a glica\u00e7\u00e3o do col\u00e1geno<\/strong>: <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">estreptozotocina<\/mark><\/strong> e <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">metilglioxal<\/mark><\/strong>. A <strong>estreptozotocina<\/strong> leva \u00e0 <strong>destrui\u00e7\u00e3o das c\u00e9lulas \u03b2 (beta) do p\u00e2ncreas<\/strong>, que s\u00e3o <strong>respons\u00e1veis pela produ\u00e7\u00e3o de insulina<\/strong>. A <strong>insulina<\/strong> \u00e9 um horm\u00f4nio essencial para o controle da glicemia, sendo <strong>respons\u00e1vel por permitir que a glicose presente na corrente sangu\u00ednea entre nas c\u00e9lulas<\/strong> e, assim, diminuir a glicemia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper\">Assim, ap\u00f3s a administra\u00e7\u00e3o da <strong>estreptozotocina<\/strong>, ocorre a <strong>diminui\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de insulina<\/strong> e, consequentemente, o desenvolvimento de <strong>hiperglicemia<\/strong>. Esse quadro se assemelha muito ao <strong>diabetes tipo 1<\/strong>, quando a pessoa tem pouca ou nenhuma produ\u00e7\u00e3o de insulina. Com a hiperglicemia, ocorre a <strong>glica\u00e7\u00e3o do col\u00e1geno<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper\">A outra droga utilizada \u00e9 o <strong>metilglioxal<\/strong>, um <strong>subproduto da glicose<\/strong> produzido pelo nosso corpo. No processo chamado metaboliza\u00e7\u00e3o, o organismo altera quimicamente a glicose para facilitar sua excre\u00e7\u00e3o, gerando o metilglioxal e outras mol\u00e9culas. O metilglioxal <strong>n\u00e3o causa hiperglicemia<\/strong>, mas \u00e9 <strong>altamente reativo<\/strong>, levando \u00e0 <strong>glica\u00e7\u00e3o de diversas mol\u00e9culas do nosso corpo<\/strong>, como o col\u00e1geno.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper\">A mestranda <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/9864371085855728\" target=\"_blank\" data-type=\"link\" data-id=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/9864371085855728\" rel=\"noreferrer noopener\">Nat\u00e1lia Oliveira<\/a>, que <strong>trabalha apenas com animais tratados com metilglioxal<\/strong>, conta a import\u00e2ncia dessa abordagem: \u201cEu fiz a mensura\u00e7\u00e3o da glicemia dos meus animais. <strong>Eles n\u00e3o eram diab\u00e9ticos<\/strong>. Assim, <strong>com o metilglioxal eu consigo ver algo bem mais afunilado. Somente observando a glica\u00e7\u00e3o do col\u00e1geno.<\/strong> Somente esse produto final que aconteceria com a hiperglicemia, sem produzir a hiperglicemia em si. O diabetes em si.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center eplus-wrapper has-vivid-cyan-blue-color has-text-color has-link-color has-large-font-size wp-elements-b2346001de58d7e831cbde1dd6e98852\">Trabalho em equipe para entender como surgem os trombos<\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large eplus-wrapper\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/04\/31-1024x576.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-615\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/04\/31-980x551.png 980w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/04\/31-480x270.png 480w\" sizes=\"(min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) and (max-width: 980px) 980px, (min-width: 981px) 1024px, 100vw\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><mark style=\"background-color:#ffffff\" class=\"has-inline-color has-cyan-bluish-gray-color\">Esquerda: forma\u00e7\u00e3o de trombos (fonte: Wikipedia Commons). Direita: acidente vascular cerebral (fonte: Canva).<\/mark><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper\">V\u00e1rios alunos trabalham neste mesmo projeto, mas cada um tem sua fun\u00e7\u00e3o. Cada um tem uma parte diferente da hist\u00f3ria a ser desvendada. Prof. Renato comenta: \u201cComo eu estou no come\u00e7o do meu laborat\u00f3rio, eu fiz projetos que t\u00eam uma comunica\u00e7\u00e3o muito grande entre eles. O aluno tem o seu projeto, mas ele tem um par que tamb\u00e9m est\u00e1 fazendo uma coisa semelhante. Ent\u00e3o eu sempre incentivo os alunos a colaborarem entre si.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper\">No ECM Lab, <strong>alunos de diferentes n\u00edveis trabalham com o col\u00e1geno glicado: <\/strong>a aluna de inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/9082161868516694\" data-type=\"link\" data-id=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/9082161868516694\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Beatriz da Silva<\/a> (processo FAPESP n\u00ba <a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/233696\/determinacao-do-efeito-do-colageno-glicado-em-plaquetas-lavadas\/\" target=\"_blank\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/237833\/prospeccao-do-efeito-dos-venenos-botropicos-na-agregacao-plaquetaria\/\" rel=\"noreferrer noopener\">25\/23132-7<\/a>) ; a mestranda Nat\u00e1lia Silva Oliveira (processo FAPESP n\u00ba <a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/221986\/estudo-da-associacao-entre-a-glicacao-do-colageno-arterial-e-a-disfuncao-vascular-em-camundongos-exp\/\" target=\"_blank\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/221986\/estudo-da-associacao-entre-a-glicacao-do-colageno-arterial-e-a-disfuncao-vascular-em-camundongos-exp\/\" rel=\"noreferrer noopener\">24\/00842-6<\/a>); e os doutorandos M.Sc. R\u00f4mulo Fr\u00f3es (processo FAPESP n\u00ba <a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/224132\/investigacao-dos-aspectos-biofisicos-e-de-sinalizacao-de-plaquetas-expostas-ao-colageno-glicado\/\" target=\"_blank\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/224132\/investigacao-dos-aspectos-biofisicos-e-de-sinalizacao-de-plaquetas-expostas-ao-colageno-glicado\/\" rel=\"noreferrer noopener\">24\/07470-7<\/a>) e Samuel Maia (processo FAPESP n\u00ba <a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/216582\/o-colageno-glicado-como-mecanismo-subjacente-da-disfucao-endotelial-no-diabetes\/\" target=\"_blank\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/216582\/o-colageno-glicado-como-mecanismo-subjacente-da-disfucao-endotelial-no-diabetes\/\" rel=\"noreferrer noopener\">24\/02620-0<\/a>).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper\"><strong>Beatriz e M.Sc. R\u00f4mulo trabalham com a <mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">resposta plaquet\u00e1ria<\/mark><\/strong>. M.Sc. R\u00f4mulo explica: \u201cA minha hip\u00f3tese \u00e9 que, em um cen\u00e1rio de hiperglicemia cr\u00f4nica (como \u00e9 o caso diabetes), o col\u00e1geno sofra a glica\u00e7\u00e3o e isso altere a resposta plaquet\u00e1ria fazendo com que ocorra o <strong>desenvolvimento de doen\u00e7as cardiovasculares, principalmente tromb\u00f3ticas<\/strong>.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper\">E \u00e9 exatamente o que est\u00e1 ocorrendo, como explica M.Sc. R\u00f4mulo: \u201c<strong>O col\u00e1geno glicado aumenta tanto a agrega\u00e7\u00e3o plaquet\u00e1ria quanto a ades\u00e3o plaquet\u00e1ria<\/strong>.\u201d Esse achado \u00e9 especialmente relevante. <strong>Se o col\u00e1geno glicado torna as plaquetas mais propensas a se agregarem e aderirem, isso facilita a forma\u00e7\u00e3o de trombos e, consequentemente, de infarto ou AVC<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center eplus-wrapper has-vivid-cyan-blue-color has-text-color has-link-color has-large-font-size wp-elements-dd80b65dd0575641ef5c4034e89aae00\">Entre relaxar e contrair: como o col\u00e1geno glicado altera o funcionamento dos vasos<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper\">O doutorando <strong>Samuel<\/strong> tamb\u00e9m <strong>investiga a fun\u00e7\u00e3o plaquet\u00e1ria<\/strong>, mas seu foco \u00e9 a <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">disfun\u00e7\u00e3o endotelial no diabetes<\/mark><\/strong>, importante para o funcionamento dos vasos. Assim, tamb\u00e9m realiza experimentos com animais para avaliar a <strong>reatividade vascular<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper\">Compreender a <strong>disfun\u00e7\u00e3o endotelial<\/strong> \u00e9 fundamental para desvendar o risco cardiovascular no diabetes. <strong>O endot\u00e9lio \u00e9 uma camada de c\u00e9lulas que reveste internamente os vasos sangu\u00edneos<\/strong>. Essas c\u00e9lulas desempenham um <strong>papel central na regula\u00e7\u00e3o do t\u00f4nus vascular, na circula\u00e7\u00e3o do sangue e no equil\u00edbrio entre fatores pr\u00f3 e anticoagulantes<\/strong>. <strong>Quando o endot\u00e9lio n\u00e3o funciona adequadamente, h\u00e1 preju\u00edzo na capacidade de dilata\u00e7\u00e3o dos vasos, aumento da inflama\u00e7\u00e3o e maior chance de forma\u00e7\u00e3o de trombos<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper\">A mestranda <strong>Nat\u00e1lia<\/strong> tamb\u00e9m investiga a <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">reatividade vascular<\/mark><\/strong>. Ela comenta: \u201cMeu foco \u00e9 a <strong>aorta tor\u00e1cica<\/strong>. Assim eu posso investigar o quanto o col\u00e1geno glicado est\u00e1 associado a acidentes vasculares.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper\">Enquanto <strong>Samuel induz o diabetes com estreptozotocina<\/strong>, <strong>Nat\u00e1lia foca apenas na glica\u00e7\u00e3o do col\u00e1geno por meio do uso do metilglioxal<\/strong>. Nat\u00e1lia comenta que, independente das diferentes drogas usadas, seus resultados conversam diretamente com os de Samuel: \u201c<strong>Ainda assim n\u00f3s tivemos resultados id\u00eanticos quanto ao estiramento dos vasos<\/strong>.\u201d Samuel complementa: \u201cVimos que os danos eram muito similares entre os dois modelos, como por exemplo os danos de <strong>remodelamento do vaso<\/strong>.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper\">Prof. Renato fala ainda mais sobre os dados achados: \u201c<strong>A gente viu que a aorta relaxa tanto quanto uma aorta controle. Tanto no tratamento com metilglioxal, quanto nos animais diab\u00e9ticos<\/strong>. Ou seja, a fun\u00e7\u00e3o endotelial est\u00e1 preservada. Agora <strong>a contra\u00e7\u00e3o desse vaso aumenta<\/strong>. Ent\u00e3o, talvez o impacto dessa glica\u00e7\u00e3o a longo prazo seja <strong>mais proeminente na musculatura lisa do vaso do que no endot\u00e9lio<\/strong>.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper\">Esse resultado \u00e9 importante porque ajuda a identificar onde exatamente est\u00e1 o problema nos vasos sangu\u00edneos. <strong>Os vasos precisam tanto relaxar quanto contrair para controlar o fluxo de sangue<\/strong>. Os pesquisadores observaram que o relaxamento continua funcionando normalmente. Como <strong>o endot\u00e9lio \u00e9 o principal respons\u00e1vel pelo relaxamento<\/strong>, conclu\u00edram que ele n\u00e3o foi afetado pela glica\u00e7\u00e3o do col\u00e1geno.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper\">Por outro lado, a <strong>contra\u00e7\u00e3o do vaso est\u00e1 aumentada<\/strong>, o que <strong>pode deixar os vasos mais \u201capertados\u201d do que deveriam<\/strong>. Isso sugere que o col\u00e1geno glicado est\u00e1 afetando principalmente a <strong>musculatura dos vasos, que \u00e9 respons\u00e1vel por regular a contra\u00e7\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center eplus-wrapper has-vivid-cyan-blue-color has-text-color has-link-color has-large-font-size wp-elements-2030e29bbc12fba338bd9cb8e059936b\">Quando o tratamento n\u00e3o apaga o dano<\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large eplus-wrapper\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/04\/30-1024x576.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-633\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/04\/30-980x551.png 980w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/04\/30-480x270.png 480w\" sizes=\"(min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) and (max-width: 980px) 980px, (min-width: 981px) 1024px, 100vw\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><mark style=\"background-color:#ffffff\" class=\"has-inline-color has-cyan-bluish-gray-color\">Mol\u00e9cula de metformina (fonte: Wikipedia Commons).<\/mark><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper\">Parte interessante do projeto de Nat\u00e1lia \u00e9 que ela faz o <strong>\u201cdesmame\u201d<\/strong> de seus animais, como explica o Prof. Renato: \u201cDemos metilglioxal durante 12 semanas e depois tiramos por 4 semanas. <strong>A ideia era ver qual o efeito a longo prazo do metilglioxal na reatividade vascular desses animais<\/strong>.\u201d Essa abordagem parte do princ\u00edpio de que o col\u00e1geno ser\u00e1 glicado pela exposi\u00e7\u00e3o ao metilglioxal e permanecer\u00e1 assim mesmo quando a droga \u00e9 retirada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper\">Al\u00e9m disso, Nat\u00e1lia ainda trata alguns animais com <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">metformina<\/mark><\/strong> ap\u00f3s esse per\u00edodo. Este \u00e9 um dos medicamentos mais prescritos para o tratamento do diabetes. A metformina \u00e9 capaz de <strong>reduzir a produ\u00e7\u00e3o de glicose pelo f\u00edgado<\/strong> e <strong>melhorar a sensibilidade \u00e0 insulina<\/strong>, assim <strong>ajudando a controlar os n\u00edveis glicemia<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper\">Usando a metformina, Nat\u00e1lia consegue observar se um medicamento muito usado no tratamento do diabetes \u00e9 capaz de atenuar os efeitos da glica\u00e7\u00e3o do col\u00e1geno. No entanto, a pesquisadora comenta que <strong>esse tratamento parece n\u00e3o surtir qualquer efeito<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper\">Esse resultado faz um <strong>paralelo direto com a realidade<\/strong>. Vemos que o <strong>risco cardiovascular continua mesmo ap\u00f3s os pacientes j\u00e1 terem a glicemia controlada e estarem recebendo tratamento medicamentoso<\/strong>. Isso demonstra a import\u00e2ncia de desenvolver novos tratamentos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center eplus-wrapper has-vivid-cyan-blue-color has-text-color has-link-color has-large-font-size wp-elements-0dd1036be2569bab6b5cffbed73a2e98\">Nem sempre a hip\u00f3tese se confirma, mas \u00e9 a\u00ed que a ci\u00eancia avan\u00e7a<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper\"><strong>A glica\u00e7\u00e3o n\u00e3o ocorre apenas com o col\u00e1geno, mas pode ocorrer com diversas prote\u00ednas ou lip\u00eddios<\/strong>. Quando essas mol\u00e9culas s\u00e3o glicadas, s\u00e3o chamadas de <strong>produtos finais de glica\u00e7\u00e3o avan\u00e7ada<\/strong> (abreviado para <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">AGE<\/mark><\/strong>, do ingl\u00eas \u201c<em>advanced glycation end-products<\/em>\u201d). Os AGE podem ativar <strong>receptores espec\u00edficos<\/strong> encontrados em diversas c\u00e9lulas, chamados de <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">RAGE<\/mark><\/strong> (receptores de AGE).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper\">A ativa\u00e7\u00e3o desses receptores \u00e9 muito importante para o nosso organismo. \u00c9 uma <strong>forma de sinalizar o corpo de que mol\u00e9culas sofreram algum tipo de dano<\/strong>, no caso, a glica\u00e7\u00e3o. Uma vez ativados pelos AGE, esses receptores ativam vias de <strong>sinaliza\u00e7\u00e3o pr\u00f3-inflamat\u00f3ria<\/strong>. Isso <strong>permite que o organismo reaja ao dano observado<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper\">O problema \u00e9 que <strong>o diabetes \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica<\/strong>. Assim, os <strong>RAGE ser\u00e3o ativados constantemente<\/strong>, levando \u00e0 <strong>inflama\u00e7\u00e3o persistente e ao dano tecidual<\/strong>. Por isso, o ECM Lab levantou a hip\u00f3tese de que estariam envolvidos nos efeitos produzidos pelo col\u00e1geno glicado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper\">Os resultados surpreenderam os pesquisadores. Prof. Renato comenta: \u201cO que os nossos dados mostram? <strong>Que na plaqueta, o RAGE n\u00e3o contribui<\/strong>. Vemos que o col\u00e1geno glicado ativa muito mais a plaqueta que o col\u00e1geno n\u00e3o glicado, mas n\u00e3o \u00e9 via RAGE.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper\">Resultados inesperados s\u00e3o muito comuns na ci\u00eancia. Na pr\u00e1tica, os pesquisadores possuem uma <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">pergunta<\/mark><\/strong> que querem responder, pensam em <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">experimentos<\/mark><\/strong> para test\u00e1-la e levantam uma <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">hip\u00f3tese<\/mark><\/strong>. <strong>A hip\u00f3tese \u00e9 uma suposi\u00e7\u00e3o do resultado que encontrar\u00e3o nesses experimentos<\/strong>. No caso do ECM Lab, eles levantaram a hip\u00f3tese de que os RAGEs estariam envolvidos na ativa\u00e7\u00e3o plaquet\u00e1ria pelo col\u00e1geno glicado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper\">Mas, nos experimentos, <strong>a hip\u00f3tese se provou falsa<\/strong>. Isso pode parecer frustrante, mas Prof. Renato tem outra vis\u00e3o: \u201cEu sempre falo para os meus alunos que o que a gente controla \u00e9 o experimento, n\u00e3o o resultado. N\u00e3o \u00e9 porque escrevemos uma hip\u00f3tese que ela tem que ser confirmada. N\u00f3s s\u00f3 podemos controlar que o experimento seja bem feito. Na ci\u00eancia \u00e9 muito mais interessante se a gente v\u00ea aquilo que n\u00e3o prevemos.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper\">Apesar disso, o racioc\u00ednio dos pesquisadores n\u00e3o estava completamente errado. Em seus experimentos, os pesquisadores utilizaram um <strong>inibidor de RAGE<\/strong> chamado <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">Azeliragon<\/mark><\/strong>. Essa droga inibe a ativa\u00e7\u00e3o dos RAGE pelos AGE e, assim, reverteria os efeitos produzidos pelo col\u00e1geno glicado nessa via. Os pesquisadores n\u00e3o utilizaram essa abordagem apenas nas plaquetas, mas tamb\u00e9m nas <strong>c\u00e9lulas endoteliais dos vasos sangu\u00edneos<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper\">Prof. Renato comenta os resultados: \u201cPensando nas plaquetas, o inibidor do RAGE n\u00e3o faz nada. Mas pensando <strong>na c\u00e9lula endotelial, ele reverte o efeito<\/strong>.\u201d Isso quer dizer que a ativa\u00e7\u00e3o dos RAGE \u00e9, sim, importante para os vasos. Isso \u00e9 muito comum na ci\u00eancia: quando <strong>hip\u00f3teses s\u00e3o parcialmente confirmadas<\/strong>, mostrando que os pesquisadores estavam no caminho certo, por\u00e9m ainda h\u00e1 mais mist\u00e9rios a serem investigados.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center eplus-wrapper has-vivid-cyan-blue-color has-text-color has-link-color has-large-font-size wp-elements-c2c3aef1485970f59244043bfd53064c\">Mentes em forma\u00e7\u00e3o, descobertas em constru\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper\">Ter diversos alunos trabalhando em projetos paralelos, mas que se conectam, torna o <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">ECM Lab<\/mark><\/strong> um <strong>ambiente de muita parceria<\/strong>. Prof. Renato conta que sempre estimula os alunos a colaborarem entre si. \u201cA gente tem reuni\u00f5es toda sexta-feira. Nela, os alunos comentam o que fizeram durante a semana.\u201d, ele comenta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper\">O Prof. Renato tem uma vis\u00e3o bem interessante sobre o trabalho dentro do laborat\u00f3rio: \u201c<strong>A ci\u00eancia \u00e9 um processo criativo<\/strong>. \u00c0s vezes voc\u00ea vai ter uma ideia de noite. \u00c0s vezes voc\u00ea n\u00e3o quer trabalhar no dia seguinte. \u00d3bvio que voc\u00ea precisa ter uma estrutura para ter um processo criativo for\u00e7ado, mas \u00e0s vezes n\u00e3o d\u00e1.\u201d <strong>Esse ambiente d\u00e1 espa\u00e7o para os alunos se desenvolverem enquanto desenvolvem seus projetos<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper\">Assim, o ECM Lab foi o espa\u00e7o que <strong>Beatriz<\/strong>, <strong>graduanda em Farm\u00e1cia pela UNICAMP<\/strong>, escolheu para desenvolver sua <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">primeira inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica<\/mark><\/strong>. Ela conta como \u00e9 estar envolvida em um projeto t\u00e3o ambicioso j\u00e1 no come\u00e7o de sua jornada acad\u00eamica: \u201cN\u00e3o vou negar que \u00e9 bem <strong>desafiador<\/strong> e consome uma certa energia mental, por\u00e9m \u00e9 <strong>muito gratificante<\/strong> poder ver os frutos da pesquisa e perceber o quanto de conhecimento foi absorvido com a viv\u00eancia no laborat\u00f3rio.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper\">Beatriz diz que os principais desafios de se envolver com a pesquisa s\u00e3o <strong>assimilar o conte\u00fado visto na gradua\u00e7\u00e3o de uma forma bem mais profunda<\/strong>, al\u00e9m de <strong>aprender experimentos novos constantemente<\/strong>. Ela conta o que a motivou a entrar para a equipe do ECM Lab: \u201cEu sempre tive curiosidade em fazer uma inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. Estava tendo aula de farmacologia na \u00e9poca e me interessei pela linha de pesquisa do Prof. Dr. Renato. Decidi ir conhecer o laborat\u00f3rio e adorei.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper\">&nbsp;Ao investigar o col\u00e1geno glicado, os pesquisadores do ECM Lab ajudam a revelar como ocorre o risco cardiovascular do diabetes. Altera\u00e7\u00f5es moleculares duradouras, acumuladas ao longo do tempo, podem continuar impactando o funcionamento dos vasos mesmo ap\u00f3s o tratamento. <strong>Esses achados apontam para a necessidade de novas abordagens terap\u00eauticas que v\u00e3o al\u00e9m do controle do a\u00e7\u00facar no sangue<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper\"><\/p>\n\n\n\n<p>A presente mat\u00e9ria foi realizada com apoio da Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo (FAPESP), Brasil. Processo n\u00ba 25\/17158-3. As opini\u00f5es, hip\u00f3teses e conclus\u00f5es ou recomenda\u00e7\u00f5es expressas neste material s\u00e3o de responsabilidade do(s) autor(es) e n\u00e3o necessariamente refletem a vis\u00e3o da FAPESP.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading eplus-wrapper has-large-font-size\">Para saber mais:<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper\"><a href=\"https:\/\/portal.fcm.unicamp.br\/ecmlab\/\" target=\"_blank\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/portal.fcm.unicamp.br\/ecmlab\/\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina do ECM Lab<\/a>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper\"><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/ecmlab_unicamp\" target=\"_blank\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/www.instagram.com\/ecmlab_unicamp\" rel=\"noreferrer noopener\">ECM Lab no Instagram<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper\"><a href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/35731729\" target=\"_blank\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/35731729\" rel=\"noreferrer noopener\">Fatores de risco para doen\u00e7as cardiovasculares no Brasil<\/a> (DOI: <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1371\/journal.pone.0269549\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">10.1371\/journal.pone.0269549<\/a>)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper\"><a href=\"http:\/\/www.scielo.edu.uy\/scielo.php?pid=S1688-04202021000101401&amp;script=sci_abstract&amp;tlng=pt\" target=\"_blank\" data-type=\"link\" data-id=\"http:\/\/www.scielo.edu.uy\/scielo.php?pid=S1688-04202021000101401&amp;script=sci_abstract&amp;tlng=pt\" rel=\"noreferrer noopener\">Diabetes e doen\u00e7a cardiovascular<\/a> (DOI: 10.29277\/cardio.36.1.4)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper\"><a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S0870255118300994\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S0870255118300994\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Tratamento da doen\u00e7a cardiovascular no diabetes<\/a> (DOI: <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1016\/j.repc.2018.03.013\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">10.1016\/j.repc.2018.03.013<\/a>)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper\"><a href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/8674897\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/8674897\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Glica\u00e7\u00e3o do col\u00e1geno no diabetes<\/a> (DOI: 10.2337\/diab.45.3.s67)&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper\"><a href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/12544424\" target=\"_blank\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/12544424\" rel=\"noreferrer noopener\">Col\u00e1geno glicado no enrijecimento de art\u00e9rias e do mioc\u00e1rdio<\/a> (DOI: 10.1097\/00004872-200301000-00002)<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading eplus-wrapper has-vivid-green-cyan-color has-text-color has-link-color has-large-font-size wp-elements-594553e0103795462a578b30548b5130\">Autoria:<\/h2>\n\n\n<div class=\"wp-block-image eplus-wrapper\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/02\/Design-sem-nome-3-1024x1024.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-258\" style=\"width:150px\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/02\/Design-sem-nome-3-980x980.png 980w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/02\/Design-sem-nome-3-480x480.png 480w\" sizes=\"(min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) and (max-width: 980px) 980px, (min-width: 981px) 1024px, 100vw\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"has-text-align-center eplus-wrapper has-vivid-green-cyan-color has-text-color has-link-color wp-elements-5535001a87f23d78c480257561b05a3c\"><strong>Mia Schezaro Ramos<\/strong><br>Farmac\u00eautica. Doutora em Farmacologia. Jornalista cient\u00edfica, ilustradora, trans, nintendista, kpopeira e dependente de exerc\u00edcio f\u00edsico para n\u00e3o pirar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mesmo com a glicemia controlada, o risco de infarto e AVC no diabetes persiste. Entenda como o col\u00e1geno glicado pode explicar esse efeito duradouro.<\/p>\n","protected":false},"author":776,"featured_media":623,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","_eb_attr":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[20,23,19],"tags":[74,71,72,70,73,77],"class_list":["post-610","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-pesquisa","category-portas-abertas","category-portugues","tag-cardiovascular","tag-colageno","tag-colageno-glicado","tag-ecm-lab","tag-glicacao","tag-infarto"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/610","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-json\/wp\/v2\/users\/776"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=610"}],"version-history":[{"count":13,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/610\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":767,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/610\/revisions\/767"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-json\/wp\/v2\/media\/623"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=610"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=610"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=610"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}