{"id":642,"date":"2026-04-15T14:15:19","date_gmt":"2026-04-15T17:15:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/?p=642"},"modified":"2026-05-04T11:44:28","modified_gmt":"2026-05-04T14:44:28","slug":"obesidade-melatonina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/2026\/04\/15\/obesidade-melatonina\/","title":{"rendered":"Obesidade: qual a rela\u00e7\u00e3o da melatonina com o ganho de peso?"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Diante da complexidade do tratamento da obesidade, pesquisadores da UNICAMP e do Centro de Pesquisa em Obesidade e Comorbidades (CEPID OCRC) investigam novas alternativas. Entre elas, o reposicionamento de medicamentos j\u00e1 aprovados para outras condi\u00e7\u00f5es. Em um projeto tem\u00e1tico multidisciplinar, o grupo do Prof. Dr. Gabriel Forato Anh\u00ea analisa como agonistas de receptores de melatonina, usados no tratamento de dist\u00farbios do sono e do humor, podem impactar o metabolismo energ\u00e9tico e o comportamento alimentar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Para entender mais sobre o projeto, o Farmaco em Foco conversou com o Prof. Gabriel e dois de seus alunos, os doutorandos Carolina Namie Sato Cortez\u00e3o e Yuri Richard Silva da Concei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center eplus-wrapper has-vivid-cyan-blue-color has-text-color has-link-color has-large-font-size wp-elements-1\">Da fisiologia \u00e0 inova\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large eplus-wrapper\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/04\/33-1-1024x576.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-652\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/04\/33-1-980x551.png 980w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/04\/33-1-480x270.png 480w\" sizes=\"(min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) and (max-width: 980px) 980px, (min-width: 981px) 1024px, 100vw\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><mark style=\"background-color:#ffffff\" class=\"has-inline-color has-cyan-bluish-gray-color\">Prof. Dr. Gabriel, pesquisador da UNICAMP e do OCRC.<\/mark><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/8354101189481377\" target=\"_blank\" data-type=\"link\" data-id=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/8354101189481377\" rel=\"noreferrer noopener\">Prof. Gabriel<\/a> construiu sua trajet\u00f3ria acad\u00eamica conectando <strong>fisiologia<\/strong> e <strong>farmacologia<\/strong>. Seu foco de pesquisa s\u00e3o os <strong>mecanismos end\u00f3crinos que regulam o metabolismo<\/strong>. Assim, j\u00e1 desenvolveu trabalhos que investigaram a <strong>obesidade<\/strong> e o <strong>diabetes<\/strong>, bem como sua rela\u00e7\u00e3o com a gesta\u00e7\u00e3o, a lacta\u00e7\u00e3o e a alergia respirat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Prof. Gabriel \u00e9 graduado em Farm\u00e1cia-Bioqu\u00edmica pela Universidade de S\u00e3o Paulo. Em seguida, concluiu o doutorado e o p\u00f3s-doutorado em Fisiologia Humana pelo Instituto de Ci\u00eancias Biom\u00e9dicas da mesma institui\u00e7\u00e3o, aprofundando seus estudos na fisiopatologia do diabetes. Atualmente, \u00e9 professor do <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/farmacologia-da-unicamp\/\" target=\"_blank\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/farmacologia-da-unicamp\/\" rel=\"noreferrer noopener\">Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Farmacologia da Faculdade de Ci\u00eancias M\u00e9dicas da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP)<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Atualmente, Prof. Gabriel \u00e9 um dos pesquisadores principais do projeto tem\u00e1tico financiado pela FAPESP (<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/118808\/a-busca-por-novos-alvos-para-a-prevencao-e-tratamento-da-obesidade\/\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/118808\/a-busca-por-novos-alvos-para-a-prevencao-e-tratamento-da-obesidade\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">processo n\u00ba 23\/01448-7<\/a>): <strong>\u201cA busca por novos alvos para a preven\u00e7\u00e3o e tratamento da obesidade\u201d<\/strong>. O projeto \u00e9 coordenado pelo <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/0009613666274466\" data-type=\"link\" data-id=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/0009613666274466\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Prof. Dr. Licio Augusto Velloso<\/a> e re\u00fane uma equipe multidisciplinar que, al\u00e9m do Prof. Gabriel, conta com o <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/2085748617164696\" data-type=\"link\" data-id=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/2085748617164696\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Prof. Dr. Bruno Geloneze Neto<\/a> e a <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/6143397530772320\" data-type=\"link\" data-id=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/6143397530772320\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Profa. Dra. Eliana Pereira de Araujo<\/a>, todos pesquisadores da UNICAMP e do <a href=\"https:\/\/ocrc.org.br\/\" target=\"_blank\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/ocrc.org.br\/\" rel=\"noreferrer noopener\">Centro de Pesquisa em Obesidade e Comorbidades (CEPID OCRC)<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Neste projeto, os pesquisadores prop\u00f5em <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">investigar novos alvos na preven\u00e7\u00e3o e no tratamento da obesidade<\/mark><\/strong>. Com dura\u00e7\u00e3o prevista at\u00e9 2030, o estudo combina pesquisas em humanos e modelos experimentais e est\u00e1 estruturado em tr\u00eas eixos principais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">O primeiro eixo investiga o <strong>papel do hipot\u00e1lamo<\/strong>, uma regi\u00e3o do c\u00e9rebro, na regula\u00e7\u00e3o da fome e do gasto energ\u00e9tico. O segundo eixo avalia a <strong>fun\u00e7\u00e3o do tecido adiposo marrom<\/strong> (um tipo especial de gordura do corpo) como modulador do metabolismo. Por fim, o terceiro eixo investiga como o <strong>metabolismo do beb\u00ea \u00e9 programado desde a gesta\u00e7\u00e3o<\/strong>, influenciando o risco futuro de obesidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Assim, o projeto engloba diferentes abordagens para ampliar o conhecimento sobre a obesidade e, consequentemente, abrir caminho para estrat\u00e9gias terap\u00eauticas mais eficazes contra a doen\u00e7a e suas complica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center eplus-wrapper has-vivid-cyan-blue-color has-text-color has-link-color has-large-font-size wp-elements-2\">Por que nem todo tratamento funciona<\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large eplus-wrapper\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/04\/34-1024x576.png\" alt=\"obesidade obesity\" class=\"wp-image-648\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/04\/34-980x551.png 980w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/04\/34-480x270.png 480w\" sizes=\"(min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) and (max-width: 980px) 980px, (min-width: 981px) 1024px, 100vw\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><mark style=\"background-color:#ffffff\" class=\"has-inline-color has-cyan-bluish-gray-color\">As canetas emagrecedoras (como o Ozempix e Mounjara, fonte: Wikipedia Commons) n\u00e3o funcionam em aproximadamente 1 em cada 5 pessoas.<\/mark><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">A <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">obesidade<\/mark><\/strong> \u00e9 uma doen\u00e7a complexa, o que dificulta o seu tratamento. Ela pode ter <strong>causas de diferentes naturezas<\/strong>. Por exemplo, pode ser decorrente de hipotireoidismo, de algum outro dist\u00farbio no gasto energ\u00e9tico, de compuls\u00e3o alimentar, de fatores gen\u00e9ticos, entre outros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Assim, n\u00e3o existe um \u00fanico tratamento para a obesidade. Prof. Gabriel comenta: \u201cHoje n\u00f3s vemos uma revolu\u00e7\u00e3o das \u2018<strong>canetas emagrecedoras<\/strong>\u2019. Elas agem por uma via aparentemente comum para a maioria dos casos de obesidade, mas ainda assim tem uma <strong>parcela de pessoas que n\u00e3o s\u00e3o responsivas<\/strong>.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Pesquisas mostram que aproximadamente <strong>1 em cada 5 pessoas n\u00e3o responde ao tratamento com as \u201ccanetas emagrecedoras\u201d<\/strong>, como Ozempic, Mounjaro e Wegovy. Isso refor\u00e7a a import\u00e2ncia da descoberta de novos tratamentos para a obesidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Muitas vezes, a obesidade est\u00e1 associada a <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">dist\u00farbios psicol\u00f3gicos e psiqui\u00e1tricos<\/mark><\/strong>. Eles podem impactar o ritmo alimentar da pessoa, levando a <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">dist\u00farbios alimentares<\/mark><\/strong>. Esses casos contribuem para <strong>quadros de obesidade mais dif\u00edceis de tratar<\/strong>, especialmente os associados a uma condi\u00e7\u00e3o chamada <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">\u201cs\u00edndrome da alimenta\u00e7\u00e3o noturna\u201d<\/mark><\/strong> (em ingl\u00eas: NES, \u201cnight eating syndrome\u201d).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Essa s\u00edndrome \u00e9 caracterizada por um <strong>grande desequil\u00edbrio na distribui\u00e7\u00e3o das calorias consumidas ao longo do dia<\/strong>. Se 25% dessas calorias s\u00e3o ingeridas entre 20h e 5h, considera-se a presen\u00e7a dessa s\u00edndrome. Al\u00e9m do alto consumo durante a noite, tamb\u00e9m ocorre<strong> anorexia matutina<\/strong>, isto \u00e9, falta de apetite pela manh\u00e3. Apesar de mais rara, mesmo pessoas magras podem apresentar essa s\u00edndrome.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Prof. Gabriel explica: \u201cNessa s\u00edndrome, a pessoa tem compuls\u00e3o por alimentos com alta densidade cal\u00f3rica e com muito s\u00f3dio, a\u00e7\u00facar e gordura saturada. Voc\u00ea nunca acorda a noite com vontade de comer uma ma\u00e7\u00e3. \u2018Ai, eu estou com vontade de comer uma salada, n\u00e3o consigo dormir\u2019.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Encontrar um tratamento especialmente para esses casos de obesidade \u00e9 um desafio de longa data da medicina. \u00c9 exatamente nesses casos que se concentram os esfor\u00e7os do grupo do Prof. Gabriel.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center eplus-wrapper has-vivid-cyan-blue-color has-text-color has-link-color has-large-font-size wp-elements-3\">O potencial dos agonistas de melatonina<\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large eplus-wrapper\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/04\/35-1024x576.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-649\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/04\/35-980x551.png 980w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/04\/35-480x270.png 480w\" sizes=\"(min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) and (max-width: 980px) 980px, (min-width: 981px) 1024px, 100vw\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><mark style=\"background-color:#ffffff\" class=\"has-inline-color has-cyan-bluish-gray-color\">Melatonina e os agonistas ramelteona e agomelatina suas intera\u00e7\u00f5es com os receptores MT1, MT2 e 5-HT<sub>2C<\/sub>.<\/mark><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Prof. Gabriel explica sua participa\u00e7\u00e3o dentro do projeto tem\u00e1tico: \u201cTem uma s\u00e9rie de alternativas farmacol\u00f3gicas que est\u00e3o sendo estudadas. Eu, em especial, <strong>vou estudar aquelas drogas que j\u00e1 s\u00e3o aprovadas para outras finalidades<\/strong>.\u201d Essas drogas s\u00e3o os <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">agonistas dos receptores de melatonina<\/mark><\/strong>. Elas atuam principalmente no hipot\u00e1lamo, <strong>ativando as mesmas vias que a melatonina ativa em nosso c\u00e9rebro<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">A abordagem de utilizar essas drogas para o tratamento da obesidade pode parecer curiosa, mas j\u00e1 tem uma longa hist\u00f3ria. <strong>Prof. Gabriel estuda os efeitos da melatonina h\u00e1 anos<\/strong>, com foco no <strong>metabolismo energ\u00e9tico<\/strong>. Ou seja, foca nos processos que o corpo utiliza para transformar os alimentos em energia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Prof. Gabriel investiga o potencial de dois agonistas dos receptores de melatonina: <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">a ramelteona e a agomelatina<\/mark><\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">A <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">ramelteona<\/mark><\/strong> \u00e9 o primeiro <strong>agonista seletivo dos receptores de melatonina MT1 e MT2<\/strong>. Ela \u00e9 <strong>indicada exclusivamente para dist\u00farbios do sono<\/strong>. A ramelteona \u00e9 <strong>mais potente e tem uma meia-vida maior do que a melatonina<\/strong>. Isso significa que s\u00e3o necess\u00e1rias doses menores de ramelteona em compara\u00e7\u00e3o \u00e0 melatonina, e seus efeitos duram mais tempo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">J\u00e1 a <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">agomelatina<\/mark><\/strong> \u00e9 <strong>agonista dos receptores MT1 e MT2<\/strong>, mas tamb\u00e9m <strong>antagonista de receptores de serotonina 5-HT<sub>2C<\/sub><\/strong>. Ou seja, ela bloqueia os efeitos da serotonina do nosso corpo sobre esses receptores (um dos v\u00e1rios nos quais a serotonina pode atuar). A agomelatina \u00e9 uma droga mais antiga que a ramelteona, sendo <strong>aprovada para uso no tratamento de dist\u00farbios do humor<\/strong>, como a depress\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Prof. Gabriel estuda o <strong>reposicionamento desses medicamentos para o tratamento da obesidade<\/strong>. Ele explica como essa ideia surgiu: \u201cEu escolhi estudar a agomelatina por que existem alguns ensaios cl\u00ednicos de fase 3 com baixo n\u00famero de volunt\u00e1rios que mostraram que pacientes deprimidos e diab\u00e9ticos, que fizeram o uso de agomelatina como antidepressivo, apresentaram alguma melhora em alguns indicadores do controle glic\u00eamico. Principalmente hemoglobina glicada.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Ou seja, os pesquisadores realizaram estudos para confirmar que a <strong>agomelatina<\/strong> era eficaz no tratamento da depress\u00e3o (ensaios cl\u00ednicos de fase 3). Apesar de esse ser o objetivo principal, tamb\u00e9m foi observada<strong> melhora em par\u00e2metros relacionados ao diabetes<\/strong>. Diabetes e obesidade est\u00e3o intimamente relacionados, tanto que as \u201ccanetas emagrecedoras\u201d s\u00e3o utilizadas no tratamento de ambas as condi\u00e7\u00f5es. Assim, esses resultados sugeriram que a agomelatina pode ter uma a\u00e7\u00e3o adicional, al\u00e9m do controle do humor, que merece ser explorada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Por outro lado, os ensaios cl\u00ednicos com a ramelteona n\u00e3o demonstraram desfechos metab\u00f3licos relevantes. Ainda assim, como ela tamb\u00e9m \u00e9 um agonista de receptores de melatonina, a investiga\u00e7\u00e3o de seus efeitos sobre a obesidade permanece de interesse.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center eplus-wrapper has-vivid-cyan-blue-color has-text-color has-link-color has-large-font-size wp-elements-4\">Quando o rel\u00f3gio biol\u00f3gico desregula<\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large eplus-wrapper\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/04\/37-1024x576.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-651\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/04\/37-980x551.png 980w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/04\/37-480x270.png 480w\" sizes=\"(min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) and (max-width: 980px) 980px, (min-width: 981px) 1024px, 100vw\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><mark style=\"background-color:#ffffff\" class=\"has-inline-color has-cyan-bluish-gray-color\">Esquema do modelo animal que simula a s\u00edndrome da alimenta\u00e7\u00e3o noturna.<\/mark><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Mas por que investigar especificamente os agonistas de receptores de melatonina? Em seus estudos, Prof. Gabriel observou uma <strong>forte correla\u00e7\u00e3o entre dist\u00farbios alimentares, obesidade e a produ\u00e7\u00e3o de melatonina<\/strong>. Isso pode ser especialmente relevante ao considerarmos que os casos de obesidade mais dif\u00edceis de tratar s\u00e3o aqueles associados \u00e0 s\u00edndrome da alimenta\u00e7\u00e3o noturna.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Com sua ex-aluna, <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/2489458429561164\" target=\"_blank\" data-type=\"link\" data-id=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/2489458429561164\" rel=\"noreferrer noopener\">Dra. Juliana de Almeida Faria<\/a>, Prof. Gabriel desenvolveu um <strong>modelo animal que simula a s\u00edndrome da alimenta\u00e7\u00e3o noturna<\/strong>, no qual observaram resultados curiosos relacionados \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de melatonina.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">O primeiro ponto para entender esse modelo animal \u00e9 saber que <strong>camundongos e ratos funcionam em antifase em rela\u00e7\u00e3o aos humanos<\/strong>. Isso quer dizer que, enquanto os humanos s\u00e3o mais ativos e se alimentam mais durante o dia, esses roedores fazem isso durante a noite (fase escura). J\u00e1 os humanos repousam \u00e0 noite, enquanto esses roedores repousam durante o dia (fase clara).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">No modelo experimental, durante o dia, a <strong>\u00e1gua dos animais \u00e9 substitu\u00edda por uma solu\u00e7\u00e3o de frutose a 10%<\/strong>. Essa \u00e9 uma concentra\u00e7\u00e3o semelhante \u00e0 encontrada na maioria dos refrigerantes comerciais. Prof. Gabriel explica: \u201cNormalmente, o animal acorda ao longo do dia algumas vezes. Nisso, ao beber a \u00e1gua, ele bebe a frutose. Por ser doce, a frutose estimula o sistema de recompensa e, assim, estimula o animal a ficar acordado.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Ele complementa: \u201cCom o tempo, o animal fica acordado durante o dia, quando deveria estar dormindo. Enquanto o animal est\u00e1 acordado, ele acaba comendo ra\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m, se locomovendo, tendo maior gasto energ\u00e9tico.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Assim, \u00e9 poss\u00edvel <strong>simular a s\u00edndrome da alimenta\u00e7\u00e3o noturna nos animais<\/strong>. Nessa condi\u00e7\u00e3o, humanos permanecem acordados \u00e0 noite e se alimentam mais do que no restante do dia. O mesmo ocorre com os animais, mas, nesse caso, durante o dia, quando deveriam estar dormindo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Nesse modelo, os pesquisadores observaram que <strong>os animais apresentaram uma s\u00e9rie de altera\u00e7\u00f5es metab\u00f3licas<\/strong>, como a intoler\u00e2ncia \u00e0 glicose, associada ao diabetes tipo 2 e \u00e0 obesidade. Al\u00e9m disso, tamb\u00e9m foi observada <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">redu\u00e7\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o de melatonina<\/mark><\/strong>. Quando a<strong> melatonina era reposta<\/strong>, <strong>parte dessas altera\u00e7\u00f5es metab\u00f3licas era revertida<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Considerando a s\u00edndrome em humanos, algo semelhante deve ocorrer. Durante a noite, <strong>a luz (principalmente a luz azul e branca) inibe a produ\u00e7\u00e3o de melatonina<\/strong>. A pessoa com a s\u00edndrome permanece acordada, se alimentando e, possivelmente, ativa. Nesse per\u00edodo, as principais fontes de luz s\u00e3o telas eletr\u00f4nicas e l\u00e2mpadas. Assim, <strong>a produ\u00e7\u00e3o de melatonina \u00e9 inibida enquanto a pessoa se alimenta em hor\u00e1rios incomuns para o organismo<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center eplus-wrapper has-vivid-cyan-blue-color has-text-color has-link-color has-large-font-size wp-elements-5\">Novas gera\u00e7\u00f5es na pesquisa<\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large eplus-wrapper\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/04\/39-1024x576.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-654\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/04\/39-980x551.png 980w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/04\/39-480x270.png 480w\" sizes=\"(min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) and (max-width: 980px) 980px, (min-width: 981px) 1024px, 100vw\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><mark style=\"background-color:#ffffff\" class=\"has-inline-color has-cyan-bluish-gray-color\">Os doutorandos sob orienta\u00e7\u00e3o do Prof. Gabriel no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Farmacologia: Yuri e Carolina.<\/mark><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Atualmente, dois doutorandos orientados pelo Prof. Gabriel trabalham com agonistas dos receptores de melatonina: <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/2079733281492496\" target=\"_blank\" data-type=\"link\" data-id=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/2079733281492496\" rel=\"noreferrer noopener\">Carolina Cortez\u00e3o<\/a> e <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/5746647447601072\" target=\"_blank\" data-type=\"link\" data-id=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/5746647447601072\" rel=\"noreferrer noopener\">Yuri da Concei\u00e7\u00e3o<\/a>. Ambos investigam como o metabolismo pode ser programado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Embora nenhum dos dois tenha trabalhado diretamente com obesidade durante o mestrado, ambos j\u00e1 tinham certa proximidade com o tema. Para eles, a curiosidade em pesquisar a \u00e1rea foi o principal motivador para ingressarem no laborat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Yuri comenta: \u201cNo mestrado eu comecei a desenvolver uma pesquisa sobres as altera\u00e7\u00f5es comportamentais no diabetes. Mas eu gostaria de ver algo mais aplicado ao tratamento da doen\u00e7a. Pesquisando, eu encontrei o curr\u00edculo do Prof. Gabriel.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">J\u00e1 no caso de Carolina, a curiosidade surgiu ap\u00f3s uma conversa com o Prof. Gabriel, que foi membro da banca avaliadora de sua qualifica\u00e7\u00e3o de mestrado. Ela comenta sua experi\u00eancia anterior e proximidade com a \u00e1rea: \u201cEu n\u00e3o trabalhei exatamente com obesidade no mestrado, mas trabalhei com os neur\u00f4nios POMC, que s\u00e3o importantes na inibi\u00e7\u00e3o da ingest\u00e3o alimentar e aumento no gasto energ\u00e9tico\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center eplus-wrapper has-vivid-cyan-blue-color has-text-color has-link-color has-large-font-size wp-elements-6\">O impacto da dieta materna no c\u00e9rebro<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Yuri j\u00e1 est\u00e1 no doutorado h\u00e1 mais de 3 anos. Ele explica seu projeto: \u201c<strong>Eu investigo a modula\u00e7\u00e3o do sistema de recompensa pelo consumo materno de dieta hiperlip\u00eddica<\/strong>.\u201d Ou seja, ele investiga os filhos de m\u00e3es obesas por consumirem dieta rica em gordura. Em especial, busca entender se o <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">sistema de recompensa<\/mark><\/strong> desses filhos ser\u00e1 alterado. Esse sistema \u00e9 um conjunto de \u00e1reas do c\u00e9rebro que <strong>nos faz sentir prazer quando realizamos atividades que promovem bem-estar, como comer<\/strong>. Um sistema de recompensa alterado pode levar a dist\u00farbios alimentares.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Nesse contexto, Yuri tamb\u00e9m investiga os <strong>efeitos do tratamento com ramelteona nesses filhotes<\/strong>, c<strong>omparando os resultados entre machos e f\u00eameas<\/strong>. Curiosamente, ele observa que o medicamento apresenta respostas diferentes entre os sexos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Prof. Gabriel comenta a import\u00e2ncia dessa abordagem: \u201c<strong>A farmacologia cl\u00e1ssica investigava s\u00f3 os efeitos no sexo masculino<\/strong> e extrapolava os resultados para toda a popula\u00e7\u00e3o, incluindo para o sexo feminino. No entanto, a preval\u00eancia da s\u00edndrome da alimenta\u00e7\u00e3o noturna n\u00e3o \u00e9 a mesma entre homem e mulher, assim como de dist\u00farbios psiqui\u00e1tricos de compuls\u00e3o alimentar.\u201d Por isso, <strong>\u00e9 importante quebrar essa tradi\u00e7\u00e3o obsoleta da pesquisa em farmacologia<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">O projeto de Yuri tem algumas particularidades que o tornam especialmente desafiador. Ele explica: \u201cO mais dif\u00edcil \u00e9 que <strong>os experimentos s\u00e3o longos<\/strong>. Para eu saber se deu certo, eu tenho que esperar aproximadamente 6 meses. Eu preciso gerar a obesidade nos animais, para depois fazer o acasalamento e esperar a prole nascer. Nisso, eu preciso contar com algumas incertezas. Por exemplo, a fertilidade em obesas \u00e9 menor. \u00c0s vezes conto com um n\u00famero de animais que eu n\u00e3o consigo ter.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center eplus-wrapper has-vivid-cyan-blue-color has-text-color has-link-color has-large-font-size wp-elements-7\">Hipot\u00e1lamo em desenvolvimento<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">J\u00e1 Carolina acaba de iniciar seu projeto. Ela <strong>ir\u00e1 focar no hipot\u00e1lamo de camundongos neonatos<\/strong> (rec\u00e9m-nascidos), em especial nos <strong>n\u00facleos hipotal\u00e2micos que controlam o gasto energ\u00e9tico e a ingest\u00e3o alimentar<\/strong>. Ela avaliar\u00e1 os <strong>efeitos da melatonina e dos agonistas dos receptores de melatonina<\/strong> sobre esses n\u00facleos, observando a <strong>neurog\u00eanese<\/strong> (forma\u00e7\u00e3o de novos neur\u00f4nios) e a <strong>morte neuronal<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Carolina explica a abordagem: \u201cA gente sabe que a melatonina tem o papel de estimular a neurog\u00eanese. Com a melatonina, a ramelteona e a agomelatina, vou investigar o papel dos receptores <strong>MT1 e MT2<\/strong> na neurog\u00eanese. <strong>Ainda n\u00e3o se sabe qual desses receptores participa do processo<\/strong>.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Assim, Carolina observar\u00e1 outro par\u00e2metro da modula\u00e7\u00e3o do metabolismo. Em alguns de seus experimentos, ela simular\u00e1 um evento que pode ocorrer durante ou ap\u00f3s a gesta\u00e7\u00e3o: a <strong>encefalopatia hip\u00f3xico-isqu\u00eamica<\/strong>, isto \u00e9, quando o c\u00e9rebro n\u00e3o recebe sangue e oxig\u00eanio suficientes. Carolina explica: \u201cPor exemplo, quando o cord\u00e3o umbilical acabou enrolando no seu pesco\u00e7o do feto.\u201d Essa les\u00e3o pode afetar o hipot\u00e1lamo e, assim, modular o metabolismo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center eplus-wrapper has-vivid-cyan-blue-color has-text-color has-link-color has-large-font-size wp-elements-8\">Melatonina ou agonistas?<\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large eplus-wrapper\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/04\/40-1024x576.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-655\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/04\/40-980x551.png 980w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/04\/40-480x270.png 480w\" sizes=\"(min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) and (max-width: 980px) 980px, (min-width: 981px) 1024px, 100vw\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><mark style=\"background-color:#ffffff\" class=\"has-inline-color has-cyan-bluish-gray-color\">90% da melatonina sofre o efeito de primeira passagem.<\/mark><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><strong>Mas por que investigar o reposicionamento dos agonistas dos receptores de melatonina e n\u00e3o o uso da melatonina em si? <\/strong>Mesmo para os dist\u00farbios do sono, caso no qual muitas pessoas utilizam melatonina, <strong>os agonistas podem ser uma op\u00e7\u00e3o mais adequada<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Hoje a melatonina \u00e9 amplamente usada para dist\u00farbios do sono. Prof. Gabriel comenta: \u201c<strong>A melatonina ajuda a pegar no sono. Mas ela n\u00e3o tem efeito nenhum sobre a dura\u00e7\u00e3o e qualidade do sono<\/strong>.\u201d A forte publicidade em torno da melatonina passa a ideia de que ela melhora o sono como um todo. No entanto, problemas como despertares frequentes ou sono de baixa qualidade podem continuar ocorrendo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, muitas pessoas com dist\u00farbios cr\u00f4nicos do sono come\u00e7aram a usar melatonina por conta pr\u00f3pria e relataram a mesma frustra\u00e7\u00e3o: <strong>ela &#8220;perde efeito&#8221; com o tempo<\/strong>. Esse fen\u00f4meno \u00e9 comum, como explica Prof. Gabriel: \u201cO problema \u00e9 que <strong>mais de 90% da melatonina que ingerimos por via oral \u00e9 metabolizada pelo mecanismo de primeira passagem<\/strong>. E isso \u00e9 induz\u00edvel.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">O <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">efeito de primeira passagem<\/mark><\/strong> \u00e9 um evento que ocorre quando ingerimos um medicamento por <strong>via oral<\/strong>. Ap\u00f3s a ingest\u00e3o, o f\u00e1rmaco \u00e9 levado at\u00e9 a corrente sangu\u00ednea, mas n\u00e3o \u00e9 imediatamente distribu\u00eddo para todo o corpo. <strong>H\u00e1 um trajeto espec\u00edfico a ser percorrido<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Os vasos do trato digest\u00f3rio <strong>primeiro levam o medicamento ao f\u00edgado<\/strong> e s\u00f3 ent\u00e3o ao restante do corpo. \u00c9 como pegar um \u00f4nibus que precisa parar em um terminal para que voc\u00ea fa\u00e7a a conex\u00e3o com outro que o levar\u00e1 ao destino final.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">No f\u00edgado, o medicamento passa por um <strong>processo de metaboliza\u00e7\u00e3o<\/strong>. Nesse processo, enzimas modificam suas mol\u00e9culas, facilitando sua excre\u00e7\u00e3o (por exemplo, pela urina) e reduzindo seus efeitos. Trata-se de um mecanismo do organismo para lidar com subst\u00e2ncias externas, permitindo sua elimina\u00e7\u00e3o de forma mais segura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Como o Prof. Gabriel explicou, <strong>quase toda a melatonina passa por esse processo quando ingerida por via oral<\/strong>, restando apenas cerca de 10% para exercer efeito. Al\u00e9m disso, esse processo \u00e9 <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">induz\u00edvel<\/mark><\/strong>, ou seja, o <strong>organismo se adapta com o tempo, tornando o metabolismo mais eficiente<\/strong>. Assim, <strong>quanto mais melatonina \u00e9 consumida e por mais tempo, maior ser\u00e1 sua degrada\u00e7\u00e3o, o que explica a perda de efeito ao longo do uso<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Ainda h\u00e1 outros problemas associados ao uso da melatonina. Prof. Gabriel comenta: \u201cTem estudos que mostram que altas doses de melatonina \u00e9 teratog\u00eanico, ent\u00e3o ela n\u00e3o pode ser consumida durante a gesta\u00e7\u00e3o.\u201d Uma subst\u00e2ncia teratog\u00eanica \u00e9 aquela que pode causar altera\u00e7\u00f5es no desenvolvimento do beb\u00ea durante a gravidez.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Por esses motivos, a melatonina pode n\u00e3o ser a melhor alternativa para tratar dist\u00farbios do sono e, consequentemente, tamb\u00e9m <strong>n\u00e3o ser a melhor op\u00e7\u00e3o no contexto da obesidade<\/strong>. A alternativa s\u00e3o os <strong>agonistas dos receptores de melatonin<\/strong>a, que s\u00e3o capazes de <strong>ativar as mesmas vias da melatonina<\/strong> no organismo, mas <strong>sem os problemas associados ao efeito de primeira passagem<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><mark style=\"background-color:#ffffff\" class=\"has-inline-color has-black-color\">Ao fim da entrevista, Prof. Gabriel deixa um recado destinado \u00e0s pessoas que est\u00e3o lutando contra a obesidade: \u201cN\u00e3o se sinta culpado. Quem \u00e9 hipertenso n\u00e3o se sente culpado por ser hipertenso. Quem tem hipotireoidismo n\u00e3o se sente culpado por isso. Culturalmente, se atribui uma culpa por ser obeso, mas isso \u00e9 um bloqueio para o tratamento. A obesidade tem causas complexas. Independentemente da causa, a pessoa n\u00e3o \u00e9 culpada. Mesmo que a pessoa acorde \u00e0 noite para comer. Mesmo que ela seja viciada em comer. O v\u00edcio \u00e9 uma doen\u00e7a.\u201d<\/mark><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A presente mat\u00e9ria foi realizada com apoio da Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo (FAPESP), Brasil. Processo n\u00ba 25\/17158-3. As opini\u00f5es, hip\u00f3teses e conclus\u00f5es ou recomenda\u00e7\u00f5es expressas neste material s\u00e3o de responsabilidade do(s) autor(es) e n\u00e3o necessariamente refletem a vis\u00e3o da FAPESP.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading eplus-wrapper has-large-font-size\">Para saber mais:<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/cepid_ocrc\/\" target=\"_blank\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/www.instagram.com\/cepid_ocrc\/\" rel=\"noreferrer noopener\">OCRC no Instagram<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/39819958\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/39819958\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Tratamento com canetas emagrecedoras<\/a> (DOI: 10.1136\/bmjopen-2024-089477)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/12532147\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/12532147\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">S\u00edndrome da alimenta\u00e7\u00e3o noturna<\/a> (DOI: 10.1038\/sj.ijo.0802186)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/28346369\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/28346369\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Modelo animal da s\u00edndrome da alimenta\u00e7\u00e3o noturna<\/a> (DOI: 10.3390\/nu9040332)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/pmc.ncbi.nlm.nih.gov\/articles\/PMC11641584\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/pmc.ncbi.nlm.nih.gov\/articles\/PMC11641584\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Agomelatina em pacientes depressivos e com diabetes<\/a> (DOI: 10.3390\/ijms252312631)&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/34120066\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/34120066\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Agomelatina na obesidade e outros fatores metab\u00f3licos<\/a> (DOI: 10.1016\/j.biopha.2021.111807)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/fi-view.bvsalud.org\/lilacs\/biblio\/resource\/?id=biblioref.referenceanalytic.1620842\" target=\"_blank\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/fi-view.bvsalud.org\/lilacs\/biblio\/resource\/?id=biblioref.referenceanalytic.1620842\" rel=\"noreferrer noopener\">Melatonina e sindrome metab\u00f3lica<\/a> (DOI: 10.9789\/2175-5361.rpcfo.v17.14086)<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading eplus-wrapper has-vivid-green-cyan-color has-text-color has-link-color has-large-font-size wp-elements-9\"><mark style=\"background-color:#ffffff\" class=\"has-inline-color has-vivid-green-cyan-color\">Autoria:<\/mark><\/h2>\n\n\n<div class=\"wp-block-image eplus-wrapper\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/02\/Design-sem-nome-3-1024x1024.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-258\" style=\"width:150px\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/02\/Design-sem-nome-3-980x980.png 980w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/02\/Design-sem-nome-3-480x480.png 480w\" sizes=\"(min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) and (max-width: 980px) 980px, (min-width: 981px) 1024px, 100vw\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"has-text-align-center eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><strong><mark style=\"background-color:#ffffff\" class=\"has-inline-color has-vivid-green-cyan-color\">Mia Schezaro Ramos<\/mark><\/strong><br><mark style=\"background-color:#ffffff\" class=\"has-inline-color has-vivid-green-cyan-color\">Farmac\u00eautica. Doutora em Farmacologia. Jornalista cient\u00edfica, ilustradora, trans, nintendista, kpopeira e dependente de exerc\u00edcio f\u00edsico para n\u00e3o pirar.<\/mark><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisa da UNICAMP investiga como a melatonina e seus agonistas influenciam obesidade, metabolismo e comportamento alimentar. 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