{"id":792,"date":"2026-05-08T10:18:07","date_gmt":"2026-05-08T13:18:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/?p=792"},"modified":"2026-05-14T14:57:11","modified_gmt":"2026-05-14T17:57:11","slug":"catecolaminas-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/2026\/05\/08\/catecolaminas-1\/","title":{"rendered":"Novas catecolaminas: a descoberta que desafia os livros de fisiologia (parte 1)"},"content":{"rendered":"\n<p>Por d\u00e9cadas, acreditamos que o &#8220;volante&#8221; do nosso sistema cardiovascular estava principalmente nas m\u00e3os do sistema nervoso e de horm\u00f4nios cl\u00e1ssicos chamados de catecolaminas (como adrenalina e noradrenalina). Mas e se essa hist\u00f3ria estiver incompleta? Pesquisas recentes lideradas pelo farmacologista Prof. Dr. Gilberto De Nucci sugerem que novos mecanismos podem estar envolvidos. Nesta mat\u00e9ria, exploramos como o endot\u00e9lio (a camada interna dos vasos) produz suas pr\u00f3prias mol\u00e9culas para controlar a press\u00e3o arterial e os batimentos card\u00edacos independentemente do sistema nervoso.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta mat\u00e9ria possui duas partes para facilitar a compreens\u00e3o desse tema complexo. Nesta primeira parte, vamos revisitar o que a fisiologia cl\u00e1ssica dizia sobre o controle da fun\u00e7\u00e3o cardiovascular. Tamb\u00e9m exploraremos os primeiros experimentos do grupo do Prof. De Nucci que levaram a descobertas que vem desafiando a fisiologia cl\u00e1ssica.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-vivid-cyan-blue-color has-text-color has-link-color has-large-font-size wp-elements-4e72f3988c2d15afbace99afa7015d6b\"><strong>Uma carreira marcada por descobertas inovadoras<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/05\/48-1024x576.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-799\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/05\/48-980x551.png 980w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/05\/48-480x270.png 480w\" sizes=\"(min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) and (max-width: 980px) 980px, (min-width: 981px) 1024px, 100vw\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><mark style=\"background-color:#ffffff\" class=\"has-inline-color has-cyan-bluish-gray-color\">Prof. Gilberto De Nucci.<\/mark><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A trajet\u00f3ria do <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/8169240855049337\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">professor Gilberto De Nucci<\/a> \u00e9 um exemplo de como a ci\u00eancia avan\u00e7a quando algu\u00e9m decide questionar o que parece estabelecido. \u00c9 graduado em Medicina pela Universidade de S\u00e3o Paulo (1981) e em Qu\u00edmica e Tecnologia Farmac\u00eautica pela Faculdade de Farm\u00e1cia da Universidade Federico II (2010, It\u00e1lia). Realizou doutorado em Farmacologia pelo Royal College of Surgeons of England (Universidade de Londres, 1986).<\/p>\n\n\n\n<p>Ao longo dos anos, De Nucci consolidou-se como <strong>um dos pesquisadores mais influentes e produtivos do Brasil<\/strong>. N\u00e3o \u00e0 toa, ocupa posi\u00e7\u00f5es como professor titular em diversas institui\u00e7\u00f5es: <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/farmacologia-da-unicamp\/\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/farmacologia-da-unicamp\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Unicamp<\/a>, USP, Universidade Brasil, UNIMES e S\u00e3o Leopoldo Mandic. Al\u00e9m disso, \u00e9 membro titular da Academia Brasileira de Ci\u00eancias, da Academia Nacional de Medicina, da Academia Nacional de Farm\u00e1cia e da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Cardiologia Translacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Prof. De Nucci construiu uma carreira internacional e multidisciplinar. Suas pesquisas transitam entre a <strong>farmacologia b\u00e1sica<\/strong> (focada em experimentos realizados em laborat\u00f3rio), <strong>cl\u00ednica<\/strong> (focada nos efeitos em humanos) e <strong>translacional<\/strong> (focada em transformar descobertas da farmacologia b\u00e1sica em aplica\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas). Esta abordagem traz ainda mais relev\u00e2ncia para suas descobertas, pois conecta diretamente experimentos de bancada com o desenvolvimento de novos tratamentos.<\/p>\n\n\n\n<p>Possui contribui\u00e7\u00f5es importantes em diferentes \u00e1reas da <strong>farmacologia<\/strong> e <strong>fisiologia<\/strong>, como cardiovascular, inflama\u00e7\u00e3o e farmacocin\u00e9tica (trajeto que um medicamento percorre dentro do corpo). Seus estudos frequentemente conectam diferentes sistemas do organismo, mostrando como mol\u00e9culas podem atuar de forma local e sist\u00eamica ao mesmo tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, mais do que t\u00edtulos, o que define a carreira do Prof. De Nucci \u00e9 a forma como suas investiga\u00e7\u00f5es parecem encarar o conhecimento cient\u00edfico: como algo sempre provis\u00f3rio. A ci\u00eancia muitas vezes se apoia em interpreta\u00e7\u00f5es que se tornam verdades absolutas e inquestion\u00e1veis. <strong>O papel do pesquisador \u00e9 justamente testar esses limites.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sua postura desafiadora das conven\u00e7\u00f5es da ci\u00eancia ficou ainda mais evidente recentemente. Em uma de suas linhas de investiga\u00e7\u00e3o mais provocativas, o Prof. De Nucci vem descobrindo que o endot\u00e9lio \u00e9 uma fonte ativa de catecolaminas, mol\u00e9culas tradicionalmente associadas ao sistema nervoso.<\/p>\n\n\n\n<p>Querido leitor, eu sei que joguei muitas palavras que podem ser novas para voc\u00ea, como \u201ccatecolamina\u201d e \u201cendot\u00e9lio\u201d. Mas me acompanhe nas se\u00e7\u00f5es seguintes desta mat\u00e9ria, onde tudo far\u00e1 mais sentido.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-vivid-cyan-blue-color has-text-color has-link-color has-large-font-size wp-elements-76514ff57138df2bcc0099121f149a63\"><strong>O que diz a fisiologia cl\u00e1ssica<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Antes de entender como as descobertas recentes do Prof. De Nucci e seu grupo v\u00eam revolucionando tudo o que sabemos, precisamos entender o que diz a fisiologia cl\u00e1ssica. <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">Fisiologia<\/mark><\/strong> \u00e9 a \u00e1rea da ci\u00eancia que estuda o funcionamento normal dos organismos vivos. Aqui vamos focar na <strong>fisiologia cardiovascular<\/strong>, ou seja, no cora\u00e7\u00e3o e nos vasos sangu\u00edneos.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes das descobertas mais recentes pelo Prof. De Nucci, o controle da fun\u00e7\u00e3o cardiovascular era explicado por um modelo relativamente aceito por toda a comunidade cient\u00edfica e m\u00e9dica.<\/p>\n\n\n\n<p>Basicamente, a fun\u00e7\u00e3o cardiovascular era controlada por dois grandes sistemas: <mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\"><strong>o sistema nervoso aut\u00f4nomo e fatores produzidos pelo endot\u00e9lio vascular<\/strong><\/mark>. Juntos, eles seriam respons\u00e1veis por ajustar, em tempo real, a press\u00e3o arterial, o calibre dos vasos e o desempenho do cora\u00e7\u00e3o (for\u00e7a e frequ\u00eancia dos batimentos).<\/p>\n\n\n\n<p>Vamos come\u00e7ar falando do <strong>sistema nervoso aut\u00f4nomo<\/strong>, depois explicamos a participa\u00e7\u00e3o do endot\u00e9lio vascular. Isso porque acreditava-se que essa parte do sistema nervoso assumisse o <strong>papel central<\/strong> no controle cardiovascular. \u00c9 como se o volante estivesse em suas m\u00e3os para definir, por exemplo, quando o cora\u00e7\u00e3o deve bater mais r\u00e1pido ou mais devagar.<\/p>\n\n\n\n<p>O sistema nervoso aut\u00f4nomo \u00e9 a parte do sistema nervoso respons\u00e1vel por <strong>controlar fun\u00e7\u00f5es vitais que acontecem de forma autom\u00e1tica<\/strong>, sem necessidade de controle consciente. Por exemplo, n\u00e3o precisamos pensar \u201ccora\u00e7\u00e3o, acelere os batimentos, pois agora estou correndo de um cachorro furioso\u201d. \u00c9 diferente, por exemplo, de quando pensamos \u201cvou levantar a m\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Era estabelecido que o sistema nervoso aut\u00f4nomo regulasse processos como a <strong>frequ\u00eancia card\u00edaca, a press\u00e3o arterial, a respira\u00e7\u00e3o, a digest\u00e3o e o calibre dos vasos sangu\u00edneos<\/strong>, garantindo que o organismo se adapte rapidamente a diferentes situa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>As fun\u00e7\u00f5es controladas pelo sistema nervoso aut\u00f4nomo precisam ser <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">autom\u00e1ticas e inconscientes<\/mark><\/strong> porque elas regulam aspectos fundamentais para o funcionamento correto do nosso corpo. Imagine se voc\u00ea precisasse pensar toda vez para fazer a digest\u00e3o, por exemplo. Se voc\u00ea esquecesse, o que aconteceria?<\/p>\n\n\n\n<p>Esse sistema \u00e9 dividido em dois ramos principais: <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">sistema nervoso simp\u00e1tico e parassimp\u00e1tico<\/mark><\/strong>. Esse nome n\u00e3o tem nada a ver com ser simp\u00e1tico e agrad\u00e1vel, mas sim porque esses dois sistemas \u201csimpatizam\u201d. Isto \u00e9, eles <strong>atuam em harmonia, de forma complementar<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>O <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">simp\u00e1tico<\/mark><\/strong> \u00e9 ativado em situa\u00e7\u00f5es de <strong>luta ou fuga<\/strong>, como quando estamos em perigo, fazendo exerc\u00edcio f\u00edsico ou tendo uma crise de p\u00e2nico. Pense como seu corpo reage nessas situa\u00e7\u00f5es: o cora\u00e7\u00e3o bate mais r\u00e1pido, voc\u00ea transpira mais, a boca fica seca e at\u00e9 seu pulm\u00e3o parece que se expande, deixando voc\u00ea puxar muito mais ar. Isso tudo \u00e9 efeito da ativa\u00e7\u00e3o do simp\u00e1tico.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 o <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">parassimp\u00e1tico<\/mark><\/strong> atua em condi\u00e7\u00f5es de <strong>repouso<\/strong>, como quando estamos prontos para dormir ou quando nos sentimos moles ap\u00f3s devorarmos um prat\u00e3o de feijoada. O parassimp\u00e1tico reduz a frequ\u00eancia card\u00edaca, favorece a digest\u00e3o e at\u00e9 a vis\u00e3o fica mais turva, preparando nosso corpo para tirar aquele cochilo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/05\/49-1024x576.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-800\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/05\/49-980x551.png 980w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/05\/49-480x270.png 480w\" sizes=\"(min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) and (max-width: 980px) 980px, (min-width: 981px) 1024px, 100vw\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><mark style=\"background-color:#ffffff\" class=\"has-inline-color has-cyan-bluish-gray-color\">A\u00e7\u00f5es cardiovasculares do sistema nervoso aut\u00f4nomo simp\u00e1tico e parassimp\u00e1tico.<\/mark><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Por isso dizemos que <strong>esses sistemas s\u00e3o complementares<\/strong>. Eles preparam o corpo para situa\u00e7\u00f5es opostas, gerando respostas opostas. Por exemplo, enquanto o simp\u00e1tico acelera o cora\u00e7\u00e3o, o parassimp\u00e1tico deixa os batimentos mais lentos. O equil\u00edbrio entre esses dois sistemas permite o ajuste das fun\u00e7\u00f5es do corpo em resposta \u00e0s necessidades do momento.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-vivid-cyan-blue-color has-text-color has-link-color has-large-font-size wp-elements-5cf3d962c3fd4b3d39aa27853d0d8dfa\"><strong>Como o sistema nervoso simp\u00e1tico regula o cora\u00e7\u00e3o e os vasos<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Vamos nos aprofundar um pouco mais no controle da fun\u00e7\u00e3o cardiovascular pelo <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">sistema nervoso simp\u00e1tico<\/mark><\/strong>, pois \u00e9 justamente essa \u00e1rea que as pesquisas do Prof. De Nucci t\u00eam revolucionado.<\/p>\n\n\n\n<p>Dentro do modelo cl\u00e1ssico da fisiologia, o sistema nervoso simp\u00e1tico \u00e9 considerado <strong>um dos principais respons\u00e1veis pelo ajuste r\u00e1pido da fun\u00e7\u00e3o cardiovascular<\/strong>. Sua atua\u00e7\u00e3o come\u00e7a com a ativa\u00e7\u00e3o de fibras nervosas que chegam ao cora\u00e7\u00e3o e aos vasos sangu\u00edneos, liberando mol\u00e9culas chamadas <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">catecolaminas<\/mark><\/strong> das termina\u00e7\u00f5es nervosas.<\/p>\n\n\n\n<p>As <strong>catecolaminas cl\u00e1ssicas<\/strong> s\u00e3o <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">noradrenalina<\/mark><\/strong> (a principal envolvida na ativa\u00e7\u00e3o simp\u00e1tica), <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">adrenalina<\/mark><\/strong> e <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">dopamina<\/mark><\/strong>. Uma vez liberadas, as catecolaminas se ligam a diferentes tipos de receptores no cora\u00e7\u00e3o e vasos, desencadeando diversas respostas. Neste caso, esses receptores s\u00e3o os chamados <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">adren\u00e9rgicos<\/mark><\/strong> (um dos diversos grupos de receptores que existem no corpo).<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/05\/51-1024x576.png\" alt=\"catecolaminas cl\u00e1ssicas.\" class=\"wp-image-802\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/05\/51-980x551.png 980w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/05\/51-480x270.png 480w\" sizes=\"(min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) and (max-width: 980px) 980px, (min-width: 981px) 1024px, 100vw\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><mark style=\"background-color:#ffffff\" class=\"has-inline-color has-cyan-bluish-gray-color\">As catecolaminas cl\u00e1ssicas.<\/mark><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>No cora\u00e7\u00e3o, as catecolaminas atuam principalmente sobre <strong>receptores adren\u00e9rgicos chamados de tipo \u03b2\u2081<\/strong> (beta-1; uma categoria de receptores adren\u00e9rgicos). A liga\u00e7\u00e3o das catecolaminas a esses receptores do cora\u00e7\u00e3o causa <strong>aumento da frequ\u00eancia card\u00edaca (efeito cronotr\u00f3pico) e aumento da for\u00e7a de contra\u00e7\u00e3o (efeito inotr\u00f3pico)<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos vasos, os efeitos variam conforme o tipo de receptor ativado. A ativa\u00e7\u00e3o de <strong>receptores adren\u00e9rgicos tipo \u03b1<\/strong> (alfa; outra categoria de receptores adren\u00e9rgicos) leva \u00e0 <strong>vasoconstri\u00e7\u00e3o (diminui\u00e7\u00e3o no calibre dos vasos), aumentando a press\u00e3o arterial<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, existem mecanismos de autorregula\u00e7\u00e3o. Receptores adren\u00e9rgicos presentes nas termina\u00e7\u00f5es nervosas (<strong>receptores pr\u00e9-sin\u00e1pticos<\/strong>), quando ativados pela liga\u00e7\u00e3o de catecolaminas, <strong>podem aumentar (receptores \u03b2\u2082) ou reduzir (receptores \u03b1\u2082) a libera\u00e7\u00e3o das pr\u00f3prias catecolaminas pela termina\u00e7\u00e3o nervosa<\/strong>. Isso funciona como um sistema inteligente, onde as pr\u00f3prias catecolaminas controlam sua libera\u00e7\u00e3o para que ela n\u00e3o seja exagerada.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-vivid-cyan-blue-color has-text-color has-link-color has-large-font-size wp-elements-f0e60c8e6dee8a2fe15dafb882a27891\"><strong>O papel do \u00f3xido n\u00edtrico<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Como comentado anteriormente, outro aspecto importante para a regula\u00e7\u00e3o da fun\u00e7\u00e3o cardiovascular \u00e9 a <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">produ\u00e7\u00e3o de \u00f3xido n\u00edtrico pelo endot\u00e9lio<\/mark><\/strong>. O <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">endot\u00e9lio<\/mark><\/strong> \u00e9 a camada de c\u00e9lulas que reveste internamente os vasos sangu\u00edneos.<\/p>\n\n\n\n<p>O <strong>\u00f3xido n\u00edtrico<\/strong> tem um conjunto de propriedades muito \u00fanicas e valiosas: \u00e9 extremamente pequeno (composto s\u00f3 por um \u00e1tomo de nitrog\u00eanio e um de oxig\u00eanio), n\u00e3o tem carga el\u00e9trica e atravessa facilmente as membranas das c\u00e9lulas. \u00c9 como se essas propriedades fornecessem ao \u00f3xido n\u00edtrico o poder de atravessar paredes dentro do nosso corpo.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, uma vez produzido, <strong>o \u00f3xido n\u00edtrico sai rapidamente do endot\u00e9lio e chega na musculatura lisa dos vasos<\/strong>. Basicamente, os m\u00fasculos que que se contraem para deixar os vasos mais fechados (<strong>vasoconstri\u00e7\u00e3o<\/strong>), ou se relaxam para deixar os vasos mais abertos (<strong>vasodilata\u00e7\u00e3o<\/strong>). No caso, o \u00f3xido n\u00edtrico relaxa essa musculatura, levando \u00e0 <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">vasodilata\u00e7\u00e3o<\/mark><\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/05\/53-1024x576.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-804\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/05\/53-980x551.png 980w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/05\/53-480x270.png 480w\" sizes=\"(min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) and (max-width: 980px) 980px, (min-width: 981px) 1024px, 100vw\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><mark style=\"background-color:#ffffff\" class=\"has-inline-color has-cyan-bluish-gray-color\">Efeito vasodilatador do \u00f3xido n\u00edtrico.<\/mark><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Um dos aspectos mais interessantes do \u00f3xido n\u00edtrico \u00e9 que sua produ\u00e7\u00e3o ocorre em resposta a est\u00edmulos mec\u00e2nicos. O aumento do fluxo sangu\u00edneo exerce uma for\u00e7a sobre o endot\u00e9lio, que estimula a produ\u00e7\u00e3o de \u00f3xido n\u00edtrico. O aumento do fluxo pode ocorrer, por exemplo, quando a ativa\u00e7\u00e3o simp\u00e1tica faz um vaso contrair. Igual quando voc\u00ea coloca o dedo fechando parcialmente a sa\u00edda de \u00e1gua de uma mangueira. O fluxo de \u00e1gua ficar\u00e1 mais forte.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso dos vasos, o aumento na produ\u00e7\u00e3o de \u00f3xido n\u00edtrico em resposta ao aumento no fluxo sangu\u00edneo permite que os vasos se ajustem continuamente \u00e0s necessidades do organismo: quanto maior a vasoconstri\u00e7\u00e3o, maior o fluxo, maior a libera\u00e7\u00e3o de \u00f3xido n\u00edtrico e maior a tend\u00eancia \u00e0 vasodilata\u00e7\u00e3o para controlar esse efeito. <strong>Na pr\u00e1tica, isso significa que o \u00f3xido n\u00edtrico atua de forma contr\u00e1ria \u00e0s a\u00e7\u00f5es vasoconstritoras do sistema simp\u00e1tico, ajudando a reduzir a press\u00e3o arterial<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-vivid-cyan-blue-color has-text-color has-link-color has-large-font-size wp-elements-da1f0e030039b8f49cbf8027e25d36fa\"><strong>Os primeiros sinais de que havia algo al\u00e9m dos nervos<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Assim, <strong>acreditava-se que as catecolaminas eram liberadas principalmente por termina\u00e7\u00f5es nervosas e que o endot\u00e9lio exercia seu papel sobretudo por meio do \u00f3xido n\u00edtrico<\/strong>. No entanto, alguns resultados come\u00e7aram a mostrar que essa hist\u00f3ria estava prestes a ganhar novos cap\u00edtulos.<\/p>\n\n\n\n<p>Tudo come\u00e7ou quando <strong>culturas de c\u00e9lulas endoteliais de aorta (o principal vaso do corpo) bovina demonstraram produzir e liberar noradrenalina e adrenalina<\/strong>. At\u00e9 o momento, pensava-se que o endot\u00e9lio n\u00e3o produzia catecolaminas, mas sim que elas vinham apenas das termina\u00e7\u00f5es nervosas.<\/p>\n\n\n\n<p>Posteriormente, o grupo do Prof. De Nucci chegou a resultados surpreendentes. Seu grupo estudou a aorta da cobra-do-milho (<em>Pantherophis guttatus<\/em>). Observaram que <strong>a aorta se contraia em resposta \u00e0 estimula\u00e7\u00e3o el\u00e9trica<\/strong>. Mas <strong>esse efeito desaparecia quando adicionavam bloqueadores dos receptores adren\u00e9rgicos<\/strong>. At\u00e9 esse momento, tudo indicava que o efeito das catecolaminas sobre esses receptores estava sendo bloqueado, impedindo que elas produzissem a contra\u00e7\u00e3o dos vasos.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, a contra\u00e7\u00e3o persistia mesmo na presen\u00e7a de <strong>tetrodotoxina<\/strong>. A tetrodotoxina \u00e9 uma toxina proveniente do peixe baiacu. Ela <strong>impede a libera\u00e7\u00e3o de catecolaminas pelo terminal nervoso<\/strong>. Se ela estava impedindo esse processo, ent\u00e3o o que poderia estar se ligando aos receptores adren\u00e9rgicos e fazendo a aorta contrair?<\/p>\n\n\n\n<p>Outro resultado curioso come\u00e7ou a dar pistas. <strong>Quando os pesquisadores removiam o endot\u00e9lio desses vasos, eles tamb\u00e9m perdiam a capacidade de contrair<\/strong>. Logo, algo que vinha do endot\u00e9lio estava sendo o respons\u00e1vel pela contra\u00e7\u00e3o dos vasos.<\/p>\n\n\n\n<p>Um resultado especialmente importante veio depois. Foi identificado que o endot\u00e9lio de aortas isoladas estava liberando as catecolaminas cl\u00e1ssicas (dopamina, noradrenalina e adrenalina). Ou seja, <strong>pela primeira vez o grupo do Prof. De Nucci observava que o endot\u00e9lio tamb\u00e9m \u00e9 capaz de liberar catecolaminas, n\u00e3o apenas os nervos simp\u00e1ticos<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>sse conjunto de evid\u00eancias se estendeu para humanos em experimentos com <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">vasos do cord\u00e3o umbilical<\/mark><\/strong>. A ideia inovadora foi proposta pelo pesquisador <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/5498384555654298\" data-type=\"link\" data-id=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/5498384555654298\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Dr. Jos\u00e9 Britto J\u00fanior<\/a>. Esse modelo \u00e9 particularmente interessante por n\u00e3o possuir inerva\u00e7\u00e3o. Os resultados mostraram que o endot\u00e9lio desses vasos era capaz de produzir e liberar <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">dopamina<\/mark><\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-vivid-cyan-blue-color has-text-color has-link-color has-large-font-size wp-elements-35bcc049e4c3d44c455046071ff347d5\"><strong>As novas catecolaminas endoteliais<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>A ideia de que o endot\u00e9lio poderia produzir catecolaminas j\u00e1 vinha ganhando for\u00e7a com os experimentos em culturas celulares e em vasos sem inerva\u00e7\u00e3o. No entanto, certos resultados apresentavam caracter\u00edsticas que n\u00e3o eram explicadas pelas catecolaminas cl\u00e1ssicas. Havia ind\u00edcios de que outra mol\u00e9cula, ainda n\u00e3o identificada, poderia estar envolvida.<\/p>\n\n\n\n<p>Resultados mostravam que a <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">dopamina<\/mark><\/strong> produzia <strong>contra\u00e7\u00e3o de vasos do cord\u00e3o umbilical<\/strong>. Essa contra\u00e7\u00e3o era <strong>maior quando a produ\u00e7\u00e3o de \u00f3xido n\u00edtrico era bloqueada<\/strong>. Como comentado anteriormente, o \u00f3xido n\u00edtrico produz relaxamento. Ent\u00e3o, era poss\u00edvel que simplesmente o efeito vasoconstritor da dopamina estivesse sendo neutralizado pelo efeito vasodilatador do \u00f3xido n\u00edtrico.<\/p>\n\n\n\n<p>Sabe-se que o endot\u00e9lio produz \u00f3xido n\u00edtrico continuamente. Al\u00e9m disso, o <strong>\u00f3xido n\u00edtrico tamb\u00e9m \u00e9 altamente reativo<\/strong>, interagindo com diversas outras mol\u00e9culas do microambiente vascular.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi ent\u00e3o que o <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/0527685382924520\" data-type=\"link\" data-id=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/0527685382924520\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Prof. Dr. Edson Antunes<\/a> (colaborador de longa data do grupo do Prof. De Nucci) levantou uma hip\u00f3tese que mudaria tudo: <strong>ser\u00e1 que catecolaminas e \u00f3xido n\u00edtrico poderiam interagir, j\u00e1 que ambas estavam sendo produzidas pelo endot\u00e9lio?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>De fato, alguns outros pesquisadores j\u00e1 haviam demonstrado que o \u00f3xido n\u00edtrico era capaz de modificar quimicamente as catecolaminas, gerando as chamadas catecolaminas nitradas. Uma das primeiras evid\u00eancias surgiu na Universidade Keio, no Jap\u00e3o, em estudos com c\u00e9rebros de ratos. No estudo, os pesquisadores observaram a presen\u00e7a de uma nova mol\u00e9cula: a <strong>6-nitronoradrenalina<\/strong>, resultado da associa\u00e7\u00e3o de noradrenalina e \u00f3xido n\u00edtrico.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir da hip\u00f3tese levantada, o grupo do Prof. De Nucci decidiu tamb\u00e9m investigar a presen\u00e7a das <strong>catecolaminas nitradas<\/strong> nos vasos de cord\u00e3o umbilical. E assim confirmaram a presen\u00e7a da <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">6-nitrodopamina<\/mark><\/strong>, mostrando que ela era produzida pelo endot\u00e9lio.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/05\/55-1024x576.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-806\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/05\/55-980x551.png 980w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/05\/55-480x270.png 480w\" sizes=\"(min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) and (max-width: 980px) 980px, (min-width: 981px) 1024px, 100vw\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>J\u00e1 nos primeiros experimentos, a <strong>6-nitrodopamina mostrou resultados surpreendentes<\/strong>. Seus <strong>efeitos s\u00e3o opostos aos da dopamina<\/strong>. Enquanto a dopamina produz vasoconstri\u00e7\u00e3o, a <strong>6-nitrodopamina produz vasodilata\u00e7\u00e3o<\/strong>. Isso explicava por que os efeitos vasoconstritores da dopamina eram atenuados quando a produ\u00e7\u00e3o de \u00f3xido n\u00edtrico era bloqueada. Afinal, sem \u00f3xido n\u00edtrico tamb\u00e9m h\u00e1 menor transforma\u00e7\u00e3o de dopamina em 6-nitrodopamina.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/05\/57-1024x576.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-808\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/05\/57-980x551.png 980w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/05\/57-480x270.png 480w\" sizes=\"(min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) and (max-width: 980px) 980px, (min-width: 981px) 1024px, 100vw\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><mark style=\"background-color:#ffffff\" class=\"has-inline-color has-cyan-bluish-gray-color\">Efeitos da 6-nitrodopamina e dopamina sobre a musculatura vascular.<\/mark><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ao longo desta primeira parte da mat\u00e9ria, <strong>vimos como o modelo cl\u00e1ssico da fisiologia cardiovascular est\u00e1 sendo desafiado por resultados experimentais inesperados do grupo do Prof. De Nucci<\/strong>. O endot\u00e9lio parece n\u00e3o ser apenas um regulador passivo, mas tamb\u00e9m uma fonte ativa de catecolaminas. Mais do que isso, ele produz uma nova catecolamina para a literatura: a <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">6-nitrodopamina<\/mark><\/strong>. Essas evid\u00eancias sugerem que o controle da fun\u00e7\u00e3o cardiovascular \u00e9 mais complexo do que se imaginava.<\/p>\n\n\n\n<p>Na segunda parte desta mat\u00e9ria, vamos explorar o que a descoberta da 6-nitrodopamina significa na pr\u00e1tica. Voc\u00ea vai entender mais a fundo os efeitos cardiovasculares da 6-nitrodopamina. E tamb\u00e9m conhecer\u00e1 os projetos atuais e as publica\u00e7\u00f5es mais recentes do grupo do Prof. Dr. Gilberto De Nucci. Ainda falaremos sobre quais s\u00e3o as pr\u00f3ximas perguntas que est\u00e3o guiando essas pesquisas. Afinal, se o endot\u00e9lio tamb\u00e9m \u201cfala\u201d em catecolaminas, ainda h\u00e1 muito a descobrir sobre essa nova linguagem.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-white-color has-black-background-color has-text-color has-background has-link-color wp-elements-7172da6df2e24eab63893e00a0433324\">As pesquisas divulgadas nessa mat\u00e9ria contaram com financiamento FAPESP (processos n\u00ba 11\/11828-4, 16\/04731-8, 17\/15175-1, 18\/09765-3, 19\/16805-4, 21\/13593-6, 21\/13726-6, 21\/14414-8, 22\/07737-8, 22\/08232-7, 23\/01376-6, 23\/04217-6, 23\/09792-9, 23\/15165-7 e 23\/16075-1) e CNPq (processos n\u00ba 303839\/2019-8 e 140731\/2013-0).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-light-green-cyan-background-color has-text-color has-background has-link-color wp-elements-fdd62a22a8b6019225a863256431d691\">A presente mat\u00e9ria foi realizada com apoio da Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo (FAPESP), Brasil. Processo n\u00ba 25\/17158-3. As opini\u00f5es, hip\u00f3teses e conclus\u00f5es ou recomenda\u00e7\u00f5es expressas neste material s\u00e3o de responsabilidade do(s) autor(es) e n\u00e3o necessariamente refletem a vis\u00e3o da FAPESP.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-large-font-size\">Para saber mais:<\/h2>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/vasos-sanguineos-liberam-compostos-que-modulam-forca-do-coracao-e-pressao-arterial\/\" target=\"_blank\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/vasos-sanguineos-liberam-compostos-que-modulam-forca-do-coracao-e-pressao-arterial\/\" rel=\"noreferrer noopener\">Mat\u00e9ria da Revista Pesquisa FAPESP sobre as novas catecolaminas<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>HALL, J. E.; HALL, M. E.&nbsp;<strong><strong>Guyton &amp; Hall<\/strong><\/strong>: <strong><a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/Guyton-Hall-Tratado-Fisiologia-M%C3%A9dica\/dp\/8595158614\" target=\"_blank\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/Guyton-Hall-Tratado-Fisiologia-M%C3%A9dica\/dp\/8595158614\" rel=\"noreferrer noopener\">Tratado de fisiolog\u00eda m\u00e9dica<\/a><\/strong>. 14. ed. Rio de Janeiro<strong>: Guanabara Koogan<\/strong>, 2021.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/37874898\/\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/37874898\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Catecolaminas endoteliais<\/a> (DOI: 10.1152\/physiol.00020.2023)<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading eplus-wrapper has-vivid-green-cyan-color has-text-color has-link-color has-large-font-size wp-elements-533c596946ce414f90d84d5d6ba5c407\"><mark style=\"background-color:#ffffff\" class=\"has-inline-color has-vivid-green-cyan-color\">Autoria:<\/mark><\/h2>\n\n\n<div class=\"wp-block-image eplus-wrapper\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/02\/Design-sem-nome-3-1024x1024.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-258\" style=\"width:150px\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/02\/Design-sem-nome-3-980x980.png 980w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/02\/Design-sem-nome-3-480x480.png 480w\" sizes=\"(min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) and (max-width: 980px) 980px, (min-width: 981px) 1024px, 100vw\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"has-text-align-center eplus-wrapper\"><strong><mark style=\"background-color:#ffffff\" class=\"has-inline-color has-vivid-green-cyan-color\">Mia Schezaro Ramos<\/mark><\/strong><br><mark style=\"background-color:#ffffff\" class=\"has-inline-color has-vivid-green-cyan-color\">Farmac\u00eautica. Doutora em Farmacologia. Jornalista cient\u00edfica, ilustradora, trans, nintendista, kpopeira e dependente de exerc\u00edcio f\u00edsico para n\u00e3o pirar.<\/mark><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisas lideradas pelo Prof. Dr. Gilberto De Nucci revelam que o endot\u00e9lio produz catecolaminas capazes de regular a fun\u00e7\u00e3o cardiovascular. 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