{"id":895,"date":"2026-06-22T11:46:13","date_gmt":"2026-06-22T14:46:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/?p=895"},"modified":"2026-06-22T19:40:19","modified_gmt":"2026-06-22T22:40:19","slug":"parhyale-hawaiensis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/2026\/06\/22\/parhyale-hawaiensis\/","title":{"rendered":"Parhyale hawaiensis: uma nova ferramenta para investigar os impactos da polui\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Pequeno e praticamente desconhecido fora dos laborat\u00f3rios. <em>Parhyale hawaiensis<\/em>, um crust\u00e1ceo de menos de um cent\u00edmetro est\u00e1 ajudando cientistas brasileiros a responder uma das perguntas mais urgentes da atualidade: quais s\u00e3o os impactos dos contaminantes qu\u00edmicos sobre os ecossistemas? Essa \u00e9 apenas uma das quest\u00f5es investigadas pela Profa. Dra. Gisela de Arag\u00e3o Umbuzeiro e sua equipe no Laborat\u00f3rio de Ecotoxicologia e Genotoxicidade (LAEG), da Faculdade de Tecnologia da Unicamp, em Limeira.<\/p>\n\n\n\n<p>Para conhecer melhor as pesquisas que v\u00eam colocando o laborat\u00f3rio em destaque internacional, o <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/quem-somos-2\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Farmaco em Foco<\/a> conversou com a <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/9246879554920774\" target=\"_blank\" data-type=\"link\" data-id=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/9246879554920774\" rel=\"noreferrer noopener\">Profa. Gisela<\/a>, a pesquisadora de p\u00f3s-doutorado <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/7213969708958765\" target=\"_blank\" data-type=\"link\" data-id=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/7213969708958765\" rel=\"noreferrer noopener\">Dra. Nat\u00e1lia de Farias<\/a>, a doutoranda <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/3473298498490363\" target=\"_blank\" data-type=\"link\" data-id=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/3473298498490363\" rel=\"noreferrer noopener\">Ma. Gabriely Fernanda Groto Milit\u00e3o<\/a>, a mestranda <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/7030020213916684\" target=\"_blank\" data-type=\"link\" data-id=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/7030020213916684\" rel=\"noreferrer noopener\">Giovanna Rodrigues de Melo<\/a> e as estudantes de inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/3240496525069849\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Amanda Rocha Rodrigues<\/a>, <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/8312737034554770\" target=\"_blank\" data-type=\"link\" data-id=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/8312737034554770\" rel=\"noreferrer noopener\">J\u00e9ssica Camila Miranda Cardoso<\/a> e <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/5154420114119538\" target=\"_blank\" data-type=\"link\" data-id=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/5154420114119538\" rel=\"noreferrer noopener\">Julya Cabral de Moura Tavares<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-vivid-cyan-blue-color has-text-color has-link-color has-large-font-size wp-elements-3a4d85f9a0ad8af2eb5d73c02ec9b824\"><strong>Uma refer\u00eancia internacional em ecotoxicologia<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/06\/Copia-de-Final-blog-4-1024x576.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-898\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/06\/Copia-de-Final-blog-4-980x551.png 980w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/06\/Copia-de-Final-blog-4-480x270.png 480w\" sizes=\"(min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) and (max-width: 980px) 980px, (min-width: 981px) 1024px, 100vw\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><mark style=\"background-color:#ffffff\" class=\"has-inline-color has-cyan-bluish-gray-color\">Profa. Gisela Umbuzeiro.<\/mark><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Profa. Gisela \u00e9 <strong>bi\u00f3loga<\/strong>, <strong>mestra e doutora em Gen\u00e9tica pela Unicamp<\/strong>. Atuou por mais de duas d\u00e9cadas na <strong>Companhia Ambiental do Estado de S\u00e3o Paulo (Cetesb)<\/strong>, experi\u00eancia que contribuiu para aproximar a pesquisa acad\u00eamica dos desafios reais enfrentados na gest\u00e3o da qualidade ambiental.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao longo de sua trajet\u00f3ria, Gisela tornou-se <strong>uma das principais especialistas brasileiras em <mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">mutag\u00eanese ambiental, ecotoxicologia e toxicologia regulat\u00f3ria<\/mark><\/strong>. Seu trabalho tem contribu\u00eddo para a compreens\u00e3o dos impactos de contaminantes qu\u00edmicos sobre organismos vivos e ecossistemas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Este ano, a pesquisadora foi inclu\u00edda novamente entre os cientistas \u00a0mais influentes do mundo na \u00e1rea de ci\u00eancias ambientais, segundo levantamento internacional publicado pelo portal acad\u00eamico Research.com.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisadora participou da elabora\u00e7\u00e3o e da revis\u00e3o de regulamenta\u00e7\u00f5es nacionais e integrou iniciativas internacionais ligadas \u00e0 avalia\u00e7\u00e3o de riscos ambientais de subst\u00e2ncias qu\u00edmicas. Al\u00e9m disso, suas pesquisas fornecem base para a elabora\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas relacionadas \u00e0 qualidade da \u00e1gua e \u00e0 prote\u00e7\u00e3o ambiental.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde 2009, Profa. Gisela coordena o <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">Laborat\u00f3rio de Ecotoxicologia e Genotoxicidade (LAEG)<\/mark><\/strong>, da <strong>Faculdade de Tecnologia da Unicamp, em Limeira<\/strong>. Al\u00e9m da investiga\u00e7\u00e3o dos efeitos de contaminantes ambientais, o LAEG desenvolve novos m\u00e9todos para o monitoramento ambiental dos riscos que esses contaminantes oferecem.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-vivid-cyan-blue-color has-text-color has-link-color has-large-font-size wp-elements-ad0779689a63f3f7eca0dfa1503c2eba\"><strong>Natural n\u00e3o significa seguro<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Como comentado anteriormente, Profa. Gisela desenvolve pesquisas em uma \u00e1rea chamada <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">Ecotoxicologia<\/mark><\/strong>. Essa \u00e9 a <strong>\u00e1rea que estuda como subst\u00e2ncias qu\u00edmicas e outros poluentes afetam os seres vivos e os ecossistemas<\/strong>. Nesse contexto, Profa. Gisela investiga os efeitos de diversas subst\u00e2ncias qu\u00edmicas, mas um grupo \u00e9 o carro-chefe do LAEG: <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">os corantes<\/mark><\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Os corantes est\u00e3o presentes em roupas, cosm\u00e9ticos, alimentos, embalagens e in\u00fameros produtos do cotidiano. Apesar dessa presen\u00e7a constante, seus impactos ambientais ainda recebem relativamente pouca aten\u00e7\u00e3o da comunidade cient\u00edfica.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Corantes est\u00e3o com a gente h\u00e1 anos e mil\u00eanios e nunca entrou na moda pesquisar isso&#8221;, comenta Profa. Gisela. Ao longo de d\u00e9cadas de trabalho, sua persist\u00eancia em investigar o tema transformou Profa. Gisela e o LAEG em uma refer\u00eancia internacional na \u00e1rea.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos focos das pesquisas \u00e9 compreender se determinados corantes s\u00e3o t\u00f3xicos e como eles causam danos aos organismos vivos. Essas pesquisas t\u00eam ganhado aten\u00e7\u00e3o das ind\u00fastrias, j\u00e1 que cresce cada vez mais o interesse por <strong>alternativas mais sustent\u00e1veis<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 primeira vista, os chamados corantes naturais parecem representar uma solu\u00e7\u00e3o mais amig\u00e1vel ao meio ambiente. No entanto, os resultados obtidos pelo LAEG mostram que a realidade \u00e9 mais complexa.<\/p>\n\n\n\n<p>Em um projeto internacional denominado <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">BioColour<\/mark><\/strong>, que reuniu pesquisadores da Finl\u00e2ndia, dos Estados Unidos e da Unicamp, o LAEG investigou os poss\u00edveis impactos de corantes obtidos a partir de fontes naturais.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a pesquisadora de p\u00f3s-doutorado Dra. Nat\u00e1lia de Farias, integrante da equipe, dois dos compostos estudados (<strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">a emodina e a alizarina<\/mark><\/strong>) apresentaram resultados preocupantes. &#8220;Eles s\u00e3o super t\u00f3xicos, super mutag\u00eanicos e super genot\u00f3xicos&#8221;, relata.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">Subst\u00e2ncias genot\u00f3xicas<\/mark><\/strong> <strong>alteram ou causam dano ao DNA<\/strong> de um organismo. J\u00e1 as <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">subst\u00e2ncias mutag\u00eanicas<\/mark><\/strong> s\u00e3o um tipo espec\u00edfico de subst\u00e2ncias genot\u00f3xicas que, ao afetarem o DNA, produzem <strong>muta\u00e7\u00f5es<\/strong> no organismo que podem at\u00e9 ser transmitidas para gera\u00e7\u00f5es futuras.<\/p>\n\n\n\n<p>Os achados refor\u00e7am uma importante mensagem cient\u00edfica: <strong>natural n\u00e3o \u00e9 sin\u00f4nimo de seguro<\/strong>. Afinal de contas, at\u00e9 mesmo os venenos de cobras e escorpi\u00f5es s\u00e3o produtos naturais, mas continuam perigosos.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da toxicidade dos corantes, h\u00e1 outros fatores a considerar, como, por exemplo, como ocorre a sua produ\u00e7\u00e3o. Extrair pigmentos naturais em larga escala pode exigir grandes \u00e1reas de cultivo, elevado consumo de recursos e processos qu\u00edmicos complexos.<\/p>\n\n\n\n<p>Por exemplo, se um corante natural vem de uma planta, \u00e9 preciso fazer algumas perguntas, como comenta a Dra. Nat\u00e1lia: \u201cSer\u00e1 que eu vou precisar de uma planta\u00e7\u00e3o gigantesca? Isso \u00e9 poss\u00edvel? Ser\u00e1 que os processos de extra\u00e7\u00e3o desses corantes usam solventes muito t\u00f3xicos ou menos t\u00f3xicos?\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 especialmente relevante para a <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">ind\u00fastria t\u00eaxtil<\/mark><\/strong>, <strong>uma das maiores consumidoras de \u00e1gua do mundo<\/strong>. Durante os processos de tingimento, grandes volumes de efluentes contendo corantes e outros produtos qu\u00edmicos podem ser liberados no ambiente.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, em muitos casos, para fixar os corantes em tecidos precisamos usar subst\u00e2ncias chamadas mordentes. Os mordentes s\u00e3o frequentemente \u00e0 base de metais, o que por si s\u00f3 pode ser um contaminante ambiental.<\/p>\n\n\n\n<p>Dra. Nat\u00e1lia comenta: \u201cCorante natural normalmente n\u00e3o adere bem a uma fibra de tecido, ent\u00e3o voc\u00ea normalmente tem que usar um mordente. Ser\u00e1 que isso \u00e9 melhor ou pior do que trabalhar com corante sint\u00e9tico?\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, compreender os efeitos ecotoxicol\u00f3gicos dessas subst\u00e2ncias \u00e9 fundamental para avaliar se alternativas consideradas &#8220;verdes&#8221; realmente representam uma solu\u00e7\u00e3o mais sustent\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-vivid-cyan-blue-color has-text-color has-link-color has-large-font-size wp-elements-70775f2e2e7024b204cbcd7a20bee318\"><strong>Um pequeno crust\u00e1ceo para responder grandes quest\u00f5es ambientais<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Entender os efeitos dos corantes e de outros contaminantes sobre os ecossistemas exige o uso de organismos vivos. O LAEG tem se diferenciado e ganhado relev\u00e2ncia por investir no desenvolvimento de uma nova ferramenta para a ecotoxicologia: o pequeno crust\u00e1ceo marinho <em><strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">Parhyale hawaiensis<\/mark><\/strong><\/em>, animal tamb\u00e9m chamado de <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">anf\u00edpode<\/mark><\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/06\/8-1024x576.png\" alt=\"Parhyale hawaiensis\" class=\"wp-image-899\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/06\/8-980x551.png 980w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/06\/8-480x270.png 480w\" sizes=\"(min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) and (max-width: 980px) 980px, (min-width: 981px) 1024px, 100vw\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><mark style=\"background-color:#ffffff\" class=\"has-inline-color has-cyan-bluish-gray-color\"><em>Parhyale hawaiensis<\/em> (fonte: J\u00e9ssica Cardoso).<\/mark><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>\u00c0 primeira vista, o animal pode parecer uma escolha incomum. Afinal, poucos j\u00e1 ouviram falar dele. No entanto, ele re\u00fane caracter\u00edsticas que o tornam extremamente valioso para a pesquisa cient\u00edfica.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 d\u00e9cadas, o <em>Parhyale hawaiensis<\/em> \u00e9 utilizado por pesquisadores das \u00e1reas de evolu\u00e7\u00e3o e biologia do desenvolvimento, o que significa que j\u00e1 <strong>existe uma enorme quantidade de informa\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis sobre sua gen\u00e9tica, fisiologia e ciclo de vida.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a Profa. Gisela, uma das grandes vantagens da esp\u00e9cie est\u00e1 justamente em sua riqueza gen\u00e9tica. O crust\u00e1ceo possui um genoma surpreendentemente grande: <strong>cerca de 30% mais DNA do que os seres humanos<\/strong>. Isso faz com que ele seja considerado por muitos pesquisadores uma esp\u00e9cie que oferece uma ampla gama de processos biol\u00f3gicos que podem ser estudados em laborat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>A hist\u00f3ria da chegada do animal ao LAEG \u00e9 muito curiosa e envolve uma dose de acaso. Inicialmente, a equipe buscava outro organismo marinho para seus estudos. Durante uma coleta em Itanha\u00e9m, no litoral de S\u00e3o Paulo, os pesquisadores trouxeram diferentes esp\u00e9cies para o laborat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>As esp\u00e9cies que eles desejam estudar n\u00e3o sobreviveram. Mas, em compensa\u00e7\u00e3o, a <em>Parhyale hawaiensis<\/em> continuou firme e forte. Num primeiro momento, Profa. Gisela n\u00e3o conhecia o pequeno crust\u00e1ceo e precisou identifica-lo. &#8220;Quando eu coloquei <em>Parhyale hawaiensis<\/em> no Google, eu falei: <strong>meu Deus, esse bicho veio porque ele queria muito ser estudado<\/strong>&#8220;, relembra Gisela, em tom bem-humorado.<\/p>\n\n\n\n<p>A descoberta foi especialmente importante porque a esp\u00e9cie ocorre naturalmente em regi\u00f5es tropicais, incluindo o litoral brasileiro. Isso representa uma vantagem significativa para a ecotoxicologia nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Grande parte dos testes ambientais foi desenvolvida em pa\u00edses com outros climas, como o clima temperado. Assim, utilizam organismos que nem sempre refletem adequadamente as condi\u00e7\u00f5es encontradas nos ecossistemas tropicais. <strong>O <em>Parhyale hawaiensis<\/em>, por outro lado, permite gerar dados mais representativos para o Brasil e para outros pa\u00edses do chamado Sul Global.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, o desenvolvimento dos m\u00e9todos experimentais com a esp\u00e9cie foi planejado desde o in\u00edcio para seguir as chamadas <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">New Approach Methodologies (NAMs)<\/mark><\/strong>, um conjunto de abordagens que busca tornar a pesquisa mais \u00e9tica e sustent\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-vivid-cyan-blue-color has-text-color has-link-color has-large-font-size wp-elements-82d4c04b3f26574c07c86bf1c022b570\"><strong>De organismo-modelo ambiental \u00e0 triagem de novas drogas<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>\u00c0 medida que os m\u00e9todos desenvolvidos pelo LAEG avan\u00e7am, a <em>Parhyale hawaiensis<\/em> come\u00e7a a despontar como uma ferramenta promissora para a triagem r\u00e1pida de subst\u00e2ncias qu\u00edmicas. No passado, outros organismos come\u00e7aram a ser usados em uma \u00e1rea espec\u00edfica da pesquisa e, pouco a pouco, tiveram suas aplica\u00e7\u00f5es ampliadas.<\/p>\n\n\n\n<p>O <strong>peixe-zebra (zebrafish)<\/strong>, por exemplo, come\u00e7ou sendo empregado principalmente em estudos de toxicidade e desenvolvimento embrion\u00e1rio, mas hoje tamb\u00e9m \u00e9 utilizado na descoberta e na avalia\u00e7\u00e3o preliminar de novos medicamentos. Segundo a Profa. Gisela, a <em>Parhyale hawaiensis<\/em> pode seguir um caminho semelhante.<\/p>\n\n\n\n<p>Como a <em>Parhyale hawaiensis<\/em> \u00e9 um organismo pequeno, com poucos mil\u00edmetros de comprimento, <strong>requer o uso de quantidades reduzidas das subst\u00e2ncias qu\u00edmicas cujos efeitos est\u00e3o sendo avaliados<\/strong>. Pense da seguinte forma: a quantidade necess\u00e1ria de um anest\u00e9sico ser\u00e1 muito menor para um gatinho que para um elefante. Agora imagine isso para um animal min\u00fasculo como a\u00a0<em>Parhyale hawaiensis<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso \u00e9 <strong>extremamente vantajoso<\/strong> se considerarmos que as metodologias com <em>Parhyale hawaiensis<\/em> tamb\u00e9m podem ser utilizadas para investigar se novas subst\u00e2ncias qu\u00edmicas apresentam efeitos t\u00f3xicos ou at\u00e9 terap\u00eauticos, especialmente no caso de compostos raros, caros ou dispon\u00edveis apenas em pequenas quantidades.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 justamente essa vantagem que est\u00e1 sendo explorada pela doutoranda Ma. Gabriely Milit\u00e3o. Ela investiga as chamadas <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/2026\/06\/15\/nsp\/\" target=\"_blank\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/2026\/06\/15\/nsp\/\" rel=\"noreferrer noopener\">Novas Subst\u00e2ncias Psicoativas (NSPs)<\/a>. Popularmente conhecidas como &#8220;drogas sint\u00e9ticas&#8221;, essas mol\u00e9culas s\u00e3o desenvolvidas para produzir efeitos semelhantes aos de drogas il\u00edcitas j\u00e1 conhecidas, mas com pequenas modifica\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas que frequentemente dificultam sua identifica\u00e7\u00e3o e regulamenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Muitas vezes, <strong>essas NSPs s\u00e3o apreendidas em quantidades extremamente pequenas<\/strong> pelas autoridades policiais. Para m\u00e9todos que utilizam outros animais, como ratos e camundongos, a quantidade apreendida seria insuficiente para realizar qualquer estudo.<\/p>\n\n\n\n<p>Ma. Gabriely investiga os efeitos de duas NSPs representativas de classes que v\u00eam ganhando destaque mundial. A primeira NSP \u00e9 a <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">eutilona<\/mark><\/strong>, uma catinona sint\u00e9tica, isso \u00e9, um parente estrutural pr\u00f3xima das anfetaminas. A segunda NSP \u00e9 o <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">MDMB-4en-PINACA<\/mark><\/strong>, um canabinoide sint\u00e9tico, ou seja, uma subst\u00e2ncia semelhante \u00e0s encontradas na maconha.<\/p>\n\n\n\n<p>Ambas as NSPs estudadas por Gabriely s\u00e3o capazes de atuar sobre o sistema nervoso central e est\u00e3o associadas a riscos ainda pouco compreendidos para a sa\u00fade humana e para os ecossistemas.<\/p>\n\n\n\n<p>Se os resultados forem promissores, a <em>Parhyale hawaiensis<\/em> poder\u00e1 se tornar uma ferramenta valiosa para a avalia\u00e7\u00e3o inicial de novas subst\u00e2ncias qu\u00edmicas, ajudando pesquisadores a identificar rapidamente compostos potencialmente perigosos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-vivid-cyan-blue-color has-text-color has-link-color has-large-font-size wp-elements-6efd378ce5f4ea5de8224430352a794a\"><strong>Os desafios de trabalhar com um organismo de poucos mil\u00edmetros<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Apesar do enorme potencial cient\u00edfico da <em>Parhyale hawaiensis<\/em>, utiliz\u00e1-la em experimentos n\u00e3o \u00e9 uma tarefa simples. Diferente de esp\u00e9cies amplamente utilizadas em laborat\u00f3rios ao redor do mundo, cada novo m\u00e9todo precisa ser desenvolvido, testado e validado praticamente do zero.<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro desafio come\u00e7a antes mesmo dos experimentos. Embora o laborat\u00f3rio esteja localizado em Limeira, no interior de S\u00e3o Paulo, a <em>Parhyale hawaiensis<\/em> \u00e9 uma esp\u00e9cie marinha. Isso significa que os pesquisadores precisam reproduzir, dentro do laborat\u00f3rio, condi\u00e7\u00f5es semelhantes \u00e0s encontradas no oceano.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;<strong>A gente tem que trazer a praia para Limeira<\/strong>&#8220;, resume a Profa. Gisela. Mas, para a pesquisadora, esse esfor\u00e7o vale a pena porque reduz a depend\u00eancia da coleta cont\u00ednua de animais na natureza, o que poderia at\u00e9 mesmo colocar uma esp\u00e9cie em risco de extin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro desafio surge justamente de uma das caracter\u00edsticas que tornam a esp\u00e9cie t\u00e3o atrativa: seu tamanho reduzido. Investigar estruturas internas t\u00e3o pequenas exige o desenvolvimento de <strong>t\u00e9cnicas altamente especializadas e dif\u00edceis de serem dominadas pelos pesquisadores<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos \u00faltimos anos, a equipe do LAEG tem avan\u00e7ado em estudos que pareciam improv\u00e1veis para um organismo desse porte. Entre eles est\u00e3o an\u00e1lises do DNA de espermatozoides e avalia\u00e7\u00f5es de c\u00e9lulas sangu\u00edneas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Quando voc\u00ea olha o tamanho do organismo, voc\u00ea fala: \u00e9 imposs\u00edvel&#8221;, comenta Gisela. &#8220;S\u00e3o coisas desafiadoras at\u00e9 quando eu s\u00f3 falo, imagina fazer.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Dentro desse esfor\u00e7o de ampliar as ferramentas dispon\u00edveis para <em>Parhyale hawaiensis<\/em>, a mestranda Giovanna Melo desenvolve um projeto voltado ao aprimoramento de m\u00e9todos de avalia\u00e7\u00e3o de danos celulares e gen\u00e9ticos na esp\u00e9cie.<\/p>\n\n\n\n<p>A proposta inclui a an\u00e1lise da <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">express\u00e3o de genes envolvidos na repara\u00e7\u00e3o do DNA<\/mark><\/strong>. Isso \u00e9 importante porque indica como o organismo consegue corrigir danos no seu material gen\u00e9tico, ajudando a entender sua capacidade de resistir ou se recuperar da exposi\u00e7\u00e3o a subst\u00e2ncias t\u00f3xicas.<\/p>\n\n\n\n<p>Giovanna tamb\u00e9m busca fazer uma <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">cultura celular de hem\u00f3citos<\/mark><\/strong> de <em>Parhyale hawaiensis.<\/em> Hem\u00f3citos s\u00e3o c\u00e9lulas presentes na hemolinfa (\u201csangue\u201d) desses organismos, com fun\u00e7\u00f5es semelhantes \u00e0s c\u00e9lulas de defesa em outros animais. Poder cultivar essas c\u00e9lulas permitiria investigar como esse mecanismo de defesa responde aos contaminantes.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/06\/Copia-de-Final-blog-5-1024x576.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-901\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/06\/Copia-de-Final-blog-5-980x551.png 980w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/06\/Copia-de-Final-blog-5-480x270.png 480w\" sizes=\"(min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) and (max-width: 980px) 980px, (min-width: 981px) 1024px, 100vw\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><mark style=\"background-color:#ffffff\" class=\"has-inline-color has-cyan-bluish-gray-color\">Cultura celular de hem\u00f3citos de <em>Parhyale hawaiensis<\/em> (fonte: Giovanna Melo).<\/mark><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-vivid-cyan-blue-color has-text-color has-link-color has-large-font-size wp-elements-46a0315513256157244a874f3d4152d7\"><strong>Entendendo o que acontece dentro do organismo<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Tradicionalmente, os estudos em ecotoxicologia concentram-se em efeitos mais evidentes, como a mortalidade. Embora isso seja fundamental para a avalia\u00e7\u00e3o de riscos ambientais, esses efeitos contam apenas parte da hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;<strong>N\u00e3o adianta s\u00f3 proteger o organismo e ele ficar com o comportamento abobalhado e ser predado o tempo todo<\/strong>&#8220;, explica Gisela.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 nesse contexto que o laborat\u00f3rio vem investindo no desenvolvimento de ferramentas para investigar a <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">neurotoxicidade<\/mark><\/strong> em <em>Parhyale hawaiensis<\/em>. O objetivo \u00e9 entender como diferentes subst\u00e2ncias qu\u00edmicas podem afetar o sistema nervoso e, consequentemente, o comportamento dos organismos.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a estudante de inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica Amanda Rodrigues, que est\u00e1 desenvolvendo um estudo na \u00e1rea, o projeto \u00e9 bastante ambicioso. <strong>Amanda pretende avaliar desde estruturas do c\u00e9rebro e das antenas, at\u00e9 altera\u00e7\u00f5es no comportamento da <em>Parhyale hawaiensis<\/em><\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa combina\u00e7\u00e3o de ferramentas permite detectar efeitos que seriam invis\u00edveis em avalia\u00e7\u00f5es tradicionais. Um organismo pode sobreviver \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o a uma subst\u00e2ncia qu\u00edmica, mas apresentar dificuldades para encontrar alimento, escapar de predadores ou se reproduzir adequadamente. <strong>Ao longo do tempo, essas altera\u00e7\u00f5es podem comprometer popula\u00e7\u00f5es inteiras.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-vivid-cyan-blue-color has-text-color has-link-color has-large-font-size wp-elements-4922d5e7cb49e1ffac35a9616116b671\"><strong>Sobreviver n\u00e3o significa estar saud\u00e1vel<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Os estudos de neurotoxicidade desenvolvidos no LAEG mostram que avaliar apenas a sobreviv\u00eancia dos organismos n\u00e3o \u00e9 suficiente para compreender os impactos reais dos contaminantes ambientais.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 justamente nessa linha que o LAEG investiga os impactos da <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">6PPD-quinona<\/mark><\/strong>, um contaminante que vem despertando preocupa\u00e7\u00e3o crescente entre cientistas e \u00f3rg\u00e3os reguladores ao redor do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa subst\u00e2ncia \u00e9 formada a partir da transforma\u00e7\u00e3o do <strong>6PPD<\/strong>, um <strong>aditivo amplamente utilizado na fabrica\u00e7\u00e3o de pneus<\/strong>. \u00c0 medida que os pneus se desgastam durante o uso, part\u00edculas microsc\u00f3picas s\u00e3o liberadas no asfalto. Em contato com o oz\u00f4nio presente na atmosfera, o <strong>6PPD \u00e9 convertido em 6PPD-quinona, que pode ser carregada pela \u00e1gua da chuva para rios, c\u00f3rregos e outros corpos de \u00e1gua<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>A preocupa\u00e7\u00e3o internacional com esse contaminante ganhou for\u00e7a ap\u00f3s a descoberta de que <strong>ele \u00e9 capaz de provocar morte em algumas esp\u00e9cies de salm\u00e3o<\/strong> mesmo em concentra\u00e7\u00f5es extremamente baixas.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas os pesquisadores acreditam que a mortalidade \u00e9 apenas parte da hist\u00f3ria. Entre os resultados obtidos pelo LAEG est\u00e1 uma descoberta pioneira: a demonstra\u00e7\u00e3o de que a 6PPD-quinona possui potencial mutag\u00eanico, ou seja, \u00e9 capaz de induzir muta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;<strong>Fomos o primeiro grupo que mostrou a mutagenicidade da 6PPD-quinona<\/strong>&#8220;, destaca a Profa. Gisela.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, uma das pesquisas em andamento busca entender <strong>como esse contaminante afeta o sistema imunol\u00f3gico e o desenvolvimento embrion\u00e1rio da <em>Parhyale hawaiensis<\/em><\/strong>. O projeto \u00e9 conduzido pela estudante de inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica J\u00e9ssica Cardoso.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/06\/Copia-de-Final-blog-6-1024x576.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-902\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/06\/Copia-de-Final-blog-6-980x551.png 980w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/06\/Copia-de-Final-blog-6-480x270.png 480w\" sizes=\"(min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) and (max-width: 980px) 980px, (min-width: 981px) 1024px, 100vw\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><mark style=\"background-color:#ffffff\" class=\"has-inline-color has-cyan-bluish-gray-color\">Est\u00e1gios do desenvolvimento da <em>Parhyale hawaiensisi<\/em> (fonte: J\u00e9ssica Cardoso).<\/mark><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A estrat\u00e9gia inclui a exposi\u00e7\u00e3o dos organismos adultos \u00e0 subst\u00e2ncia e o acompanhamento dos descendentes gerados durante esse per\u00edodo. Dessa forma, \u00e9 poss\u00edvel investigar se os efeitos da contamina\u00e7\u00e3o podem ser transmitidos de pais para filhos, algo que os resultados preliminares sugerem que pode estar acontecendo.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas informa\u00e7\u00f5es podem se tornar particularmente importantes nos pr\u00f3ximos anos. Diante das evid\u00eancias de toxicidade da 6PPD-quinona, fabricantes de pneus j\u00e1 come\u00e7am a buscar alternativas ao aditivo 6PPD. Quando novos substitutos forem desenvolvidos, ser\u00e1 necess\u00e1rio avaliar cuidadosamente se eles realmente representam uma op\u00e7\u00e3o mais segura para o ambiente.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-vivid-cyan-blue-color has-text-color has-link-color has-large-font-size wp-elements-4f727d0fd60238becbe28f454e509492\"><strong>Do laborat\u00f3rio para o mar<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Se estudos com contaminantes como a 6PPD-quinona ajudam a compreender os efeitos de subst\u00e2ncias espec\u00edficas em organismos aqu\u00e1ticos, outra frente de pesquisa do LAEG busca responder a uma pergunta ainda mais desafiadora: o que acontece quando milhares de compostos diferentes chegam simultaneamente ao ambiente?<\/p>\n\n\n\n<p>Essa quest\u00e3o \u00e9 particularmente relevante nas regi\u00f5es costeiras brasileiras, onde uma parcela significativa do esgoto dom\u00e9stico \u00e9 destinada ao oceano por meio dos chamados <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">emiss\u00e1rios submarinos<\/mark><\/strong>. Essas estruturas consistem em longas tubula\u00e7\u00f5es instaladas no fundo do mar que transportam e lan\u00e7am res\u00edduos a quil\u00f4metros da costa.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A gente fala muito de saneamento, mas a solu\u00e7\u00e3o considerada avan\u00e7ada para boa parte do litoral \u00e9 encaminhar o esgoto para o mar. <strong>A praia fica pr\u00f3pria para banho, mas isso n\u00e3o significa que o problema desapareceu<\/strong>&#8220;, afirma Profa. Gisela.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora o esgoto passe por etapas de tratamento antes do descarte, diversos compostos podem permanecer presentes. Por isso, a aluna de doutorado <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/2844073819075187\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Ma. Karin Critine Baldauf<\/a> vem desenvolvendo estudos que colocam <strong><em>Parhyale hawaiensis<\/em> em gaiolas posicionadas em \u00e1reas de interesse, onde os emiss\u00e1rios submarinos lan\u00e7am os res\u00edduos<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse m\u00e9todo \u00e9 chamado de biomonitoramento ativo. Diferentemente das an\u00e1lises convencionais, que avaliam apenas a \u00e1gua ou os sedimentos, essa abordagem permite observar o que efetivamente entra nos organismos e se acumula em seus tecidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Os resultados iniciais t\u00eam revelado informa\u00e7\u00f5es importantes. Em alguns casos, subst\u00e2ncias qu\u00edmicas foram detectadas nos organismos mesmo quando n\u00e3o eram encontradas nas amostras de \u00e1gua coletadas no local.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Observamos compostos que aparecem no corpinho do animal, mas n\u00e3o aparecem na \u00e1gua&#8221;, relata Gisela. &#8220;Isso mostra a import\u00e2ncia do <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">biomonitoramento ativo<\/mark><\/strong>.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-vivid-cyan-blue-color has-text-color has-link-color has-large-font-size wp-elements-3bf9a51c9637ae774e0394468aff6cae\"><strong>De v\u00edtimas da contamina\u00e7\u00e3o a hero\u00ednas<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Enquanto os estudos com emiss\u00e1rios submarinos mostram como contaminantes e res\u00edduos podem se acumular em <em>Parhyale hawaiensis<\/em>, outra linha de pesquisa do LAEG busca atacar o problema pela origem: encontrar novas formas de reaproveitar res\u00edduos antes que eles cheguem ao ambiente.<\/p>\n\n\n\n<p>O projeto investiga uma aplica\u00e7\u00e3o inusitada para <em>Parhyale hawaiensis<\/em>: transformar res\u00edduos da ind\u00fastria t\u00eaxtil em mat\u00e9ria-prima de alto valor agregado. Toneladas de res\u00edduos s\u00e3o produzidas diariamente durante a fabrica\u00e7\u00e3o e o descarte de roupas. Entre eles est\u00e3o as fibras de algod\u00e3o, que frequentemente acabam em aterros ou em ambientes aqu\u00e1ticos na forma de <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">microfibras<\/mark><\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora o algod\u00e3o seja um material de origem natural e biodegrad\u00e1vel, isso n\u00e3o significa que sua degrada\u00e7\u00e3o ocorra rapidamente. Os tratamentos qu\u00edmicos aplicados durante a fabrica\u00e7\u00e3o dos tecidos podem aumentar sua persist\u00eancia no ambiente, tornando seu descarte um desafio ambiental.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma caracter\u00edstica pouco explorada da <em>Parhyale hawaiensis<\/em> pode fornecer uma solu\u00e7\u00e3o para esse problema. Estudos mostram que esse organismo pode produzir <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">enzimas capazes de degradar a celulose<\/mark><\/strong>, principal componente das fibras de algod\u00e3o. Ou seja, a <em>Parhyale hawaiensis <\/em>poderia comer essas fibras.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-video\"><video height=\"1260\" style=\"aspect-ratio: 2240 \/ 1260;\" width=\"2240\" controls src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/06\/Copia-de-Final-blog.mp4\"><\/video><figcaption class=\"wp-element-caption\"><mark style=\"background-color:#ffffff\" class=\"has-inline-color has-cyan-bluish-gray-color\"><em>Parhyale hawaiensis<\/em> comendo fibras de algod\u00e3o (fonte: Julya Tavares).<\/mark><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A hip\u00f3tese \u00e9 simples, mas ambiciosa: <strong>e se o organismo pudesse ser utilizado para consumir res\u00edduos t\u00eaxteis e transform\u00e1-los em um material \u00fatil?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Essa \u00e9 a pergunta que orienta o projeto de inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica da aluna Julya Tavares. Ela avalia se a <em>Parhyale hawaiensis <\/em>consegue sobreviver, crescer e se reproduzir quando alimentado com dietas contendo fibras de algod\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O corpo da <em>Parhyale hawaiensis<\/em> cont\u00e9m um composto muito interessante: a <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">quitina<\/mark><\/strong>. A partir dela, \u00e9 poss\u00edvel produzir <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">quitosana<\/mark><\/strong>, um material amplamente utilizado em <strong>aplica\u00e7\u00f5es farmac\u00eauticas, biom\u00e9dicas, cosm\u00e9ticas e ambientais<\/strong>. Assim, a quitina poderia ser extra\u00edda dos animais que cresceram se alimentando de fibras de algod\u00e3o, para ser ent\u00e3o utilizada para diferentes fins.<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisadora destaca que o cultivo em larga escala do organismo n\u00e3o \u00e9 apenas uma possibilidade te\u00f3rica. Em outros pa\u00edses, <em>Parhyale hawaiensis<\/em> j\u00e1 \u00e9 produzida para uso como alimento para peixes.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, a estudante de inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica <strong>Amanda Rodrigues tamb\u00e9m avalia como os corantes presentes nas fibras de algod\u00e3o podem causar efeitos t\u00f3xicos na <em>Parhyale hawaiensis<\/em><\/strong>. Afinal, se esse organismo pode se alimentar dessas fibras, essa \u00e9 mais uma via pela qual os corantes oferecem risco.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-vivid-cyan-blue-color has-text-color has-link-color has-large-font-size wp-elements-517c53f08b5f584584b7fd0549e2d11f\"><strong>Ci\u00eancia para proteger o que sustenta a vida<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Dos corantes aos contaminantes emergentes, dos emiss\u00e1rios submarinos \u00e0 busca por solu\u00e7\u00f5es sustent\u00e1veis para res\u00edduos t\u00eaxteis, os trabalhos desenvolvidos no LAEG se unem para uma mesma preocupa\u00e7\u00e3o: compreender como as atividades humanas est\u00e3o transformando os ecossistemas e como esses impactos podem afetar a pr\u00f3pria sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p>Estudar a quest\u00e3o ambiental tamb\u00e9m \u00e9 estudar qualidade de vida. Afinal, a sa\u00fade dos ecossistemas est\u00e1 diretamente ligada \u00e0 seguran\u00e7a alimentar, ao abastecimento de \u00e1gua, \u00e0 economia costeira e ao bem-estar das popula\u00e7\u00f5es humanas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;<strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">Estamos esquecendo do ar que respiramos e da \u00e1gua que bebemos<\/mark><\/strong>&#8220;, alerta Profa. Gisela.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, a pesquisa cient\u00edfica desempenha um papel fundamental. Ao revelar riscos invis\u00edveis, desenvolver novas ferramentas de monitoramento e propor solu\u00e7\u00f5es mais sustent\u00e1veis. Estudos como os conduzidos pelo LAEG ajudam a construir o conhecimento necess\u00e1rio para proteger n\u00e3o apenas esp\u00e9cies e ecossistemas, mas tamb\u00e9m os recursos naturais dos quais depende a pr\u00f3pria sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-white-color has-black-background-color has-text-color has-background has-link-color wp-elements-edff14c83383751e58b85088a12f366a\">As pesquisas divulgadas nessa mat\u00e9ria contaram com financiamento FAPESP (processos n\u00ba 23\/10693-5, 25\/00020-9, 25\/07242-7, 25\/06744-9, 24\/20219-1, 24\/23631-0, 25\/17338-1, 25\/10258-2, 25\/15626-0 e 24\/20276-5).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-light-green-cyan-background-color has-text-color has-background has-link-color wp-elements-fdd62a22a8b6019225a863256431d691\">A presente mat\u00e9ria foi realizada com apoio da Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo (FAPESP), Brasil. Processo n\u00ba 25\/17158-3. As opini\u00f5es, hip\u00f3teses e conclus\u00f5es ou recomenda\u00e7\u00f5es expressas neste material s\u00e3o de responsabilidade do(s) autor(es) e n\u00e3o necessariamente refletem a vis\u00e3o da FAPESP.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-large-font-size\">Para saber mais:<\/h2>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/@giselaumbuzeiro\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/www.youtube.com\/@giselaumbuzeiro\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Canal do YouTube da Profa. Gisela<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/wordpress.ft.unicamp.br\/laeg\/\" target=\"_blank\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/wordpress.ft.unicamp.br\/laeg\/\" rel=\"noreferrer noopener\">Site oficial do LAEG<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/repositorio.unicamp.br\/acervo\/detalhe\/945921?guid=1781883900402&amp;returnUrl=%2fresultado%2flistar%3fguid%3d1781883900402%26quantidadePaginas%3d1%26codigoRegistro%3d945921%23945921&amp;i=2\" target=\"_blank\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/repositorio.unicamp.br\/acervo\/detalhe\/945921?guid=1781883900402&amp;returnUrl=%2fresultado%2flistar%3fguid%3d1781883900402%26quantidadePaginas%3d1%26codigoRegistro%3d945921%23945921&amp;i=2\" rel=\"noreferrer noopener\">Disserta\u00e7\u00e3o de mestrado que discute o uso de <em>Parhyale hawaiensis<\/em><\/a> (DOI: <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.47749\/T\/UNICAMP.2015.945921\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">10.47749\/T\/UNICAMP.2015.945921<\/a>)<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/repositorio.unicamp.br\/acervo\/detalhe\/1402283?guid=1781884687893&amp;returnUrl=%2fresultado%2flistar%3fguid%3d1781884687893%26quantidadePaginas%3d1%26codigoRegistro%3d1402283%231402283&amp;i=3\" target=\"_blank\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/repositorio.unicamp.br\/acervo\/detalhe\/1402283?guid=1781884687893&amp;returnUrl=%2fresultado%2flistar%3fguid%3d1781884687893%26quantidadePaginas%3d1%26codigoRegistro%3d1402283%231402283&amp;i=3\" rel=\"noreferrer noopener\">Disserta\u00e7\u00e3o que discute genotoxicidade em <em>Parhyale hawaiensis<\/em><\/a><em> <\/em>(DOI: <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.47749\/T\/UNICAMP.2024.1402283\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">10.47749\/T\/UNICAMP.2024.1402283<\/a>)<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/37741366\" target=\"_blank\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/37741366\" rel=\"noreferrer noopener\">Corantes naturais<\/a> (DOI: 10.1016\/j.chemosphere.2023.140174)<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/42033009\" target=\"_blank\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/42033009\" rel=\"noreferrer noopener\">Alizarina<\/a> (DOI: 10.1002\/em.70046)<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/38768938\" target=\"_blank\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/38768938\" rel=\"noreferrer noopener\">Emodina<\/a> (DOI: 10.1016\/j.fct.2024.114749)<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/37579598\" target=\"_blank\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/37579598\" rel=\"noreferrer noopener\">Toxicidade cr\u00f4nica em <em>Parhyale hawaiensis<\/em><\/a> (DOI: 10.1016\/j.marpolbul.2023.115375)<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/37402651\" target=\"_blank\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/37402651\" rel=\"noreferrer noopener\">6PPD-quinona<\/a> (DOI: 10.1002\/em.22560)<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/36973943\" target=\"_blank\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/36973943\" rel=\"noreferrer noopener\">Confer\u00eancia CICTA2021 e debate sobre quest\u00f5es ambientais<\/a> (DOI: 10.1016\/j.scitotenv.2023.162436)<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading eplus-wrapper has-vivid-green-cyan-color has-text-color has-link-color has-large-font-size wp-elements-533c596946ce414f90d84d5d6ba5c407\"><mark style=\"background-color:#ffffff\" class=\"has-inline-color has-vivid-green-cyan-color\">Autoria:<\/mark><\/h2>\n\n\n<div class=\"wp-block-image eplus-wrapper\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/02\/Design-sem-nome-3-1024x1024.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-258\" style=\"width:150px\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/02\/Design-sem-nome-3-980x980.png 980w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/02\/Design-sem-nome-3-480x480.png 480w\" sizes=\"(min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) and (max-width: 980px) 980px, (min-width: 981px) 1024px, 100vw\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"has-text-align-center eplus-wrapper\"><strong><mark style=\"background-color:#ffffff\" class=\"has-inline-color has-vivid-green-cyan-color\">Mia Schezaro Ramos<\/mark><\/strong><br><mark style=\"background-color:#ffffff\" class=\"has-inline-color has-vivid-green-cyan-color\">Farmac\u00eautica. Doutora em Farmacologia. Jornalista cient\u00edfica, ilustradora, trans, nintendista, kpopeira e dependente de exerc\u00edcio f\u00edsico para n\u00e3o pirar.<\/mark><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Parhyale hawaiensis \u00e9 um pequeno crust\u00e1ceo que est\u00e1 ajudando cientistas a investigar os impactos da polui\u00e7\u00e3o em ecossistemas aqu\u00e1ticos. Conhe\u00e7a como esse organismo-modelo contribui para pesquisas em ecotoxicologia e monitoramento ambiental.<\/p>\n","protected":false},"author":776,"featured_media":897,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","_eb_attr":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[19,20],"tags":[169,166,170,168,167,171,112,172,165,37],"class_list":["post-895","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-portugues","category-pesquisa","tag-6ppd-quinona","tag-anfipode","tag-biomonitoramento","tag-corante","tag-ecotoxicologia","tag-emissor-submarino","tag-etica","tag-experimental-animal","tag-parhyale-hawaiensis","tag-toxicologia"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/06\/Copia-de-Final-blog-3.png","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/895","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-json\/wp\/v2\/users\/776"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=895"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/895\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":933,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/895\/revisions\/933"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-json\/wp\/v2\/media\/897"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=895"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=895"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=895"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}