{"id":930,"date":"2026-06-26T13:32:07","date_gmt":"2026-06-26T16:32:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/?p=930"},"modified":"2026-06-26T15:22:55","modified_gmt":"2026-06-26T18:22:55","slug":"hipertensao-caos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/2026\/06\/26\/hipertensao-caos\/","title":{"rendered":"Hipertens\u00e3o e o caos do corpo humano"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Medir a press\u00e3o arterial \u00e9 um procedimento t\u00e3o comum que muitas vezes parece simples. Um aparelho, dois n\u00fameros e um diagn\u00f3stico: \u201csua press\u00e3o est\u00e1 alta\u201d. Mas, por tr\u00e1s dessas palavras, existe uma rede complexa de mecanismos envolvendo cora\u00e7\u00e3o, vasos sangu\u00edneos, rins, horm\u00f4nios, sistema nervoso e at\u00e9 processos inflamat\u00f3rios. Utilizando conceitos da teoria do caos e ferramentas matem\u00e1ticas pouco exploradas na medicina, o grupo liderado pelo professor Heitor Moreno Junior busca compreender por que alguns pacientes continuam com a press\u00e3o alta mesmo ap\u00f3s o uso de m\u00faltiplos medicamentos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesta reportagem, conversamos com a rec\u00e9m-doutora Tatiane de Azevedo Rubio, pesquisadora que investigou como a perda da capacidade de adapta\u00e7\u00e3o do organismo pode ajudar a explicar os casos mais desafiadores de hipertens\u00e3o arterial.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-vivid-cyan-blue-color has-text-color has-link-color has-large-font-size wp-elements-1\">Uma trajet\u00f3ria marcada pela perseveran\u00e7a<\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/06\/16-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-938\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/06\/16-980x551.jpg 980w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/06\/16-480x270.jpg 480w\" sizes=\"(min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) and (max-width: 980px) 980px, (min-width: 981px) 1024px, 100vw\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><mark style=\"background-color:#ffffff\" class=\"has-inline-color has-cyan-bluish-gray-color\">Prof. Heitor Moreno Junior e Dra. Tatiane de Azevedo Rubio.<\/mark><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O interesse pela pesquisa cient\u00edfica acompanha a <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/0393776859347692\" target=\"_blank\" data-type=\"link\" data-id=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/0393776859347692\" rel=\"noreferrer noopener\">Dra. Tatiane de Azevedo Rubio<\/a> desde os tempos de gradua\u00e7\u00e3o. Dra. Tatiane \u00e9 graduada em <strong>Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica pela UNIFEV<\/strong> (2008) e em <strong>Pedagogia pela FACON<\/strong> (2018). &#8220;Eu sempre tive interesse em pesquisa. Sempre gostei dessa \u00e1rea e sempre quis ser professora universit\u00e1ria&#8221;, relembra Dra. Tatiane.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse caminho, por\u00e9m, n\u00e3o foi linear. Ap\u00f3s atuar no ensino superior, Tatiane precisou se afastar da carreira acad\u00eamica por cerca de quatro anos em raz\u00e3o da maternidade e de um quadro de depress\u00e3o. Mesmo longe das atividades acad\u00eamicas, a vontade de retornar permaneceu presente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A oportunidade surgiu de forma inesperada durante uma palestra promovida pela <strong>Sociedade de Cardiologia<\/strong>. Foi nesse evento que ela conheceu o m\u00e9dico e pesquisador <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/4711604253463499\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Juan Carlos Yugar Toledo<\/a>, que mais tarde se tornaria seu orientador de mestrado pela <strong>Faculdade de Medicina de S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto<\/strong> (FAMERP, 2021).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dra. Tatiane comenta: &#8220;Foi uma volta para a \u00e1rea e uma forma de conhecer tudo de novo. Eu estava muito tempo afastada e muita coisa era novidade para mim.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O reencontro com a pesquisa tamb\u00e9m marcou seu primeiro contato mais aprofundado com um tema que viria a definir sua trajet\u00f3ria cient\u00edfica: a <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">hipertens\u00e3o arterial resistente<\/mark><\/strong>. Embora j\u00e1 tivesse trabalhado com hipertens\u00e3o durante a gradua\u00e7\u00e3o, ela percebeu que existia um universo muito mais complexo por tr\u00e1s dos casos de hipertens\u00e3o resistente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Eu n\u00e3o tinha dimens\u00e3o do que era a <strong>hipertens\u00e3o resistente<\/strong> e a <strong>hipertens\u00e3o refrat\u00e1ria<\/strong>&#8220;, relembra Dra. Tatiane.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A partir dessa experi\u00eancia, Tatiane passou a integrar o grupo de pesquisa coordenado pelo <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/5345227618358797\" target=\"_blank\" data-type=\"link\" data-id=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/5345227618358797\" rel=\"noreferrer noopener\">Prof. Dr. Heitor Moreno Junior<\/a>, na <strong>Faculdade de Ci\u00eancias M\u00e9dicas da Unicamp<\/strong>, que foi coorientador de seu mestrado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Posteriormente, o Prof. Heitor foi seu orientador de doutorado pelo <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/farmacologia-da-unicamp\/\" target=\"_blank\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/farmacologia-da-unicamp\/\" rel=\"noreferrer noopener\">Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Farmacologia da Unicamp<\/a>. <strong>Seu trabalho de doutorado buscou compreender como altera\u00e7\u00f5es do sistema nervoso aut\u00f4nomo, mecanismos inflamat\u00f3rios e fatores hormonais interagem em pacientes com hipertens\u00e3o resistente e refrat\u00e1ria, condi\u00e7\u00f5es que desafiam m\u00e9dicos e pesquisadores por sua complexidade e dificuldade de controle.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Hoje, rec\u00e9m-doutora, Tatiane representa uma nova gera\u00e7\u00e3o de pesquisadores dedicados a desvendar os mecanismos por tr\u00e1s das formas mais graves da hipertens\u00e3o arterial. Sua trajet\u00f3ria tamb\u00e9m ilustra como a ci\u00eancia \u00e9 constru\u00edda por hist\u00f3rias de persist\u00eancia, reinven\u00e7\u00e3o e retorno \u00e0quilo que se acredita ser uma voca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-vivid-cyan-blue-color has-text-color has-link-color has-large-font-size wp-elements-2\">Quando a press\u00e3o n\u00e3o cede ao tratamento<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">hipertens\u00e3o arterial<\/mark><\/strong> \u00e9 uma das doen\u00e7as cr\u00f4nicas mais comuns do mundo e um dos principais fatores de risco para infarto, acidente vascular cerebral (AVC), insufici\u00eancia renal e outras doen\u00e7as cardiovasculares. De forma simples, ela ocorre <strong>quando os n\u00edveis de press\u00e3o arterial permanecem elevados de maneira persistente<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A press\u00e3o arterial \u00e9 a for\u00e7a que o sangue exerce contra as paredes das art\u00e9rias enquanto circula pelo corpo. <\/strong>Ela \u00e9 medida por dois n\u00fameros. O primeiro, conhecido como <mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\"><strong>press\u00e3o sist\u00f3lica<\/strong><\/mark>, indica a press\u00e3o gerada quando o cora\u00e7\u00e3o se contrai para bombear sangue. O segundo, chamado <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">press\u00e3o diast\u00f3lica<\/mark><\/strong>, representa a press\u00e3o nas art\u00e9rias quando o cora\u00e7\u00e3o relaxa entre um batimento e outro, sendo, assim, mais baixa que a press\u00e3o sist\u00f3lica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim como medimos dist\u00e2ncia em metros (m) e peso em gramas (g), a press\u00e3o arterial \u00e9 medida em uma unidade chamada mil\u00edmetros de merc\u00fario (mmHg). Quando algu\u00e9m diz que sua press\u00e3o est\u00e1 &#8220;12 por 8&#8221;, por exemplo, isso significa aproximadamente 120 mmHg de press\u00e3o sist\u00f3lica e 80 mmHg de press\u00e3o diast\u00f3lica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Atualmente, <strong>a meta ideal de press\u00e3o arterial \u00e9 inferior a 120 por 80 mmHg<\/strong>. <strong>Valores acima de 140 por 90 mmHg s\u00e3o considerados compat\u00edveis com o diagn\u00f3stico de hipertens\u00e3o.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na maioria dos casos, a doen\u00e7a pode ser controlada com mudan\u00e7as no estilo de vida e o uso de medicamentos anti-hipertensivos. Entretanto, existem dois grupos de pacientes para os quais o tratamento se torna um desafio muito maior: aqueles com <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">hipertens\u00e3o resistente<\/mark><\/strong> ou <mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\"><strong>hipertens\u00e3o refrat\u00e1ria<\/strong><\/mark>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A <strong>hipertens\u00e3o resistente<\/strong> \u00e9 caracterizada pela dificuldade de controlar a press\u00e3o arterial mesmo com tratamento adequado. Em geral, trata-se de pacientes que utilizam <strong>tr\u00eas ou mais medicamentos anti-hipertensivos<\/strong>, incluindo, preferencialmente, medicamentos da classe dos <strong>diur\u00e9ticos tiaz\u00eddicos<\/strong>, como a hidroclorotiazida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os hipertensos resistentes, mesmo utilizando os medicamentos em doses m\u00e1ximas ou nas maiores doses toleradas, continuam apresentando n\u00edveis elevados de press\u00e3o arterial ap\u00f3s pelo menos seis meses de acompanhamento m\u00e9dico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00e1 a <strong>hipertens\u00e3o refrat\u00e1ria<\/strong> \u00e9 um est\u00e1gio ainda mais grave. Nesses casos, o paciente utiliza <strong>cinco ou mais medicamentos anti-hipertensivos<\/strong> e, ainda assim, n\u00e3o consegue atingir as metas de controle da press\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-vivid-cyan-blue-color has-text-color has-link-color has-large-font-size wp-elements-3\">Procurando padr\u00f5es no aparente caos<\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/06\/17-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-939\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/06\/17-980x551.jpg 980w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/06\/17-480x270.jpg 480w\" sizes=\"(min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) and (max-width: 980px) 980px, (min-width: 981px) 1024px, 100vw\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diversos sistemas dentro do nosso corpo participam do controle da press\u00e3o arterial, formando uma grande rede de mecanismos que interagem continuamente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Precisamos considerar o ser humano como um <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">organismo complexo<\/mark><\/strong>, cheio de vari\u00e1veis que est\u00e3o interagindo o tempo todo&#8221;, explica. &#8220;Se um sistema n\u00e3o est\u00e1 funcionando adequadamente, outro tenta compensar. Quando percebemos que o paciente est\u00e1 doente, muitas dessas altera\u00e7\u00f5es j\u00e1 est\u00e3o acontecendo h\u00e1 anos.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essas intera\u00e7\u00f5es entre diversos sistemas para coordenar a press\u00e3o arterial s\u00e3o essenciais para o funcionamento correto do organismo. Isso porque <strong>o normal \u00e9 a press\u00e3o arterial variar em resposta a diferentes est\u00edmulos<\/strong>. Por exemplo, nossa press\u00e3o sobe quando passamos raiva, comemos muito sal, fazemos atividade f\u00edsica ou sentimos medo. Note que estamos falando de est\u00edmulos completamente diferentes interferindo na press\u00e3o: emocionais, alimentares e f\u00edsicos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Uma vez que temos diversos est\u00edmulos interferindo, precisamos de diversos sistemas para coordenar essa rede complexa de respostas<\/strong>. \u00c9 como um cachorro que \u00e9 responsabilidade de v\u00e1rios membros de uma fam\u00edlia. Uma pessoa d\u00e1 comida, outra leva para passear, outra dorme junto, etc. O trabalho de todos \u00e9 essencial para esse c\u00e3ozinho seguir feliz e saud\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A press\u00e3o subir ou baixar frente aos diferentes est\u00edmulos \u00e9 mais que normal, \u00e9 importante para a sobreviv\u00eancia. Um exemplo simples acontece quando uma pessoa se levanta da cadeira. Nesse momento, a press\u00e3o arterial precisa subir para que a circula\u00e7\u00e3o esteja forte o suficiente para levar o sangue ao c\u00e9rebro. Se isso n\u00e3o ocorre, temos a chamada <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">hipotens\u00e3o postural<\/mark><\/strong>: a vis\u00e3o escurece, temos tontura e, em casos graves, podemos at\u00e9 desmaiar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se isso j\u00e1 aconteceu com voc\u00ea, fique calmo. \u00c9 comum ter uma leve tontura se o corpo demora um pouco para subir a press\u00e3o. Mas, em indiv\u00edduos normais, rapidamente a situa\u00e7\u00e3o se estabiliza. J\u00e1 em pessoas hipertensas, esse mecanismo pode estar comprometido. Nesses casos, a press\u00e3o sobe, mas pode continuar alta por muito mais tempo do que deveria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;\u00c0s vezes a pessoa fala que a press\u00e3o est\u00e1 oscilando. Mas a quest\u00e3o \u00e9: oscilando quanto? Algumas oscila\u00e7\u00f5es s\u00e3o normais e necess\u00e1rias. O problema acontece quando o organismo perde a capacidade de se readaptar adequadamente&#8221;, explica Tatiane.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-vivid-cyan-blue-color has-text-color has-link-color has-large-font-size wp-elements-4\">Repensando a atividade do sistema nervoso simp\u00e1tico<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por d\u00e9cadas, pesquisadores acreditavam que uma das causas da hipertens\u00e3o resistente \u00e9 a chamada <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">hiperatividade do sistema nervoso simp\u00e1tico<\/mark><\/strong>, ou seja, o sistema nervoso simp\u00e1tico mais ativo que o normal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Explicamos anteriormente o que \u00e9 o <mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\"><strong>sistema nervoso simp\u00e1tico<\/strong><\/mark> na mat\u00e9ria \u201c<a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/2026\/05\/08\/catecolaminas-1\/\" target=\"_blank\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/2026\/05\/08\/catecolaminas-1\/\" rel=\"noreferrer noopener\">Novas catecolaminas: a descoberta que desafia os livros de fisiologia (parte 1)<\/a>\u201d. Voc\u00ea pode conferir essa mat\u00e9ria para mais detalhes. Em resumo, trata-se da <strong>parte do sistema nervoso respons\u00e1vel por preparar o organismo para situa\u00e7\u00f5es de alerta e estresse<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas ser\u00e1 que essa explica\u00e7\u00e3o \u00e9 suficiente? Foi essa pergunta que guiou a pesquisa de doutorado da Dra. Tatiane.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao examinar dados de pacientes hipertensos, Dra. Tatiane percebeu que os resultados n\u00e3o correspondiam \u00e0 teoria tradicional. <strong>Tanto os componentes associados ao sistema simp\u00e1tico quanto aqueles ligados ao sistema parassimp\u00e1tico estavam reduzidos.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tamb\u00e9m explicamos o <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">sistema nervoso parassimp\u00e1tico<\/mark><\/strong> na mat\u00e9ria \u201c<a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/2026\/05\/08\/catecolaminas-1\/\" target=\"_blank\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/2026\/05\/08\/catecolaminas-1\/\" rel=\"noreferrer noopener\">Novas catecolaminas: a descoberta que desafia os livros de fisiologia (parte 1)<\/a>\u201d. Basicamente, ele \u00e9 <strong>a parte do sistema nervoso respons\u00e1vel por promover o descanso e a recupera\u00e7\u00e3o do organismo, ajudando a reduzir a press\u00e3o arterial ap\u00f3s situa\u00e7\u00f5es de esfor\u00e7o ou estresse, sendo o \u201coposto\u201d do simp\u00e1tico.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em outras palavras, n\u00e3o parecia haver um aumento na atividade do sistema simp\u00e1tico. Na verdade, ela estava diminu\u00edda. O que acontecia \u00e9 que a atividade do sistema parassimp\u00e1tico, que se op\u00f5e ao simp\u00e1tico, estava ainda mais reduzida, dando a impress\u00e3o de que a atividade simp\u00e1tica havia aumentado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa observa\u00e7\u00e3o deu origem ao <a href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/40410352\/\" target=\"_blank\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/40410352\/\" rel=\"noreferrer noopener\">primeiro artigo cient\u00edfico do doutorado<\/a>. A partir da\u00ed, a pesquisa avan\u00e7ou para a compreens\u00e3o de que <strong>o problema n\u00e3o estava em um \u00fanico sistema regulador da press\u00e3o arterial, mas na grande rede que conecta todos esses sistemas<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Voltando \u00e0 met\u00e1fora do cachorro da fam\u00edlia: imagine que uma pessoa parou de recolher as coc\u00f4 do animal porque ficou doente e acamada. Outra pessoa come\u00e7ou a assumir a tarefa antes de ir trabalhar, mas, como esse h\u00e1bito n\u00e3o fazia parte de sua rotina, muitas vezes perdia tempo e se atrasava.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso come\u00e7ou a afetar seu trabalho, gerando estresse e conflitos dentro da casa, com essa pessoa se negando a continuar como respons\u00e1vel pela tarefa. Com o tempo, o aumento do estresse e a falta de limpeza adequada deixou o c\u00e3o estressado e doente, fazendo com que ele parasse de comer normalmente e n\u00e3o quisesse mais sair para passear.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel apontar claramente um \u00fanico culpado pelo adoecimento do cachorro. Seria a primeira pessoa que adoeceu? A segunda que n\u00e3o conseguiu reorganizar sua rotina? O restante da fam\u00edlia que n\u00e3o se adaptou? O problema est\u00e1 na incapacidade do sistema como um todo de se reorganizar diante de uma nova realidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A met\u00e1fora \u00e9 exagerada e at\u00e9 tr\u00e1gica, mas ajuda a ilustrar como <strong>mudan\u00e7as nos h\u00e1bitos de uma parte do sistema podem afetar a sa\u00fade do conjunto<\/strong>. O mesmo ocorre com a press\u00e3o arterial: quando um sistema n\u00e3o funciona adequadamente, os demais tamb\u00e9m s\u00e3o impactados de <strong>formas complexas<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-vivid-cyan-blue-color has-text-color has-link-color has-large-font-size wp-elements-5\">Complexo n\u00e3o \u00e9 o mesmo que complicado<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A observa\u00e7\u00e3o de que m\u00faltiplos sistemas do organismo pareciam estar alterados simultaneamente levou Dra. Tatiane e seus colaboradores a uma reflex\u00e3o importante: <strong>talvez o controle da press\u00e3o arterial n\u00e3o seja apenas um fen\u00f4meno complicado, mas sim complexo<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pode parecer apenas uma diferen\u00e7a de palavras, mas, para os pesquisadores, existe uma distin\u00e7\u00e3o essencial entre algo <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">\u201ccomplicado\u201d<\/mark><\/strong> e algo <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">\u201ccomplexo\u201d<\/mark><\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201c<strong>Complexo<\/strong> \u00e9 aquilo que est\u00e1 entrela\u00e7ado. A gente n\u00e3o consegue estabelecer claramente onde \u00e9 o come\u00e7o, onde \u00e9 o fim ou quem causou o qu\u00ea\u201d, explica a pesquisadora. \u201cJ\u00e1 um sistema <strong>complicado<\/strong> \u00e9 aquele dif\u00edcil de entender, mas no qual ainda \u00e9 poss\u00edvel estabelecer rela\u00e7\u00f5es claras.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante a entrevista, Dra. Tatiane usou uma met\u00e1fora para ilustrar essa diferen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/06\/19-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-941\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/06\/19-980x551.jpg 980w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/06\/19-480x270.jpg 480w\" sizes=\"(min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) and (max-width: 980px) 980px, (min-width: 981px) 1024px, 100vw\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Fazer uma macarronada \u00e9 um <strong>processo complexo<\/strong>. Se uma pessoa te passa uma receita de macarronada, provavelmente o resultado n\u00e3o ser\u00e1 id\u00eantico ao dela. Isso porque h\u00e1 <strong>muitas vari\u00e1veis envolvidas<\/strong>: a marca do macarr\u00e3o, o tempo de cozimento, a quantidade de sal, a pot\u00eancia do fog\u00e3o, entre outras. Nenhuma macarronada ser\u00e1 exatamente igual \u00e0 outra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por outro lado, montar um castelo de LEGO \u00e9 um <strong>processo complicado<\/strong>. Pode ser dif\u00edcil, mas, se todos seguirem o mesmo manual e utilizarem as mesmas pe\u00e7as, o resultado ser\u00e1 praticamente id\u00eantico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Entender que o controle da press\u00e3o \u00e9 algo complexo e n\u00e3o apenas complicado \u00e9 muito mais do que uma escolha de palavras.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante d\u00e9cadas, a hipertens\u00e3o foi estudada principalmente por meio de <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">modelos matem\u00e1ticos lineares<\/mark><\/strong>, que <strong>funcionam muito bem para sistemas considerados complicados<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nessa abordagem, os pesquisadores analisavam separadamente fatores como atividade do sistema nervoso simp\u00e1tico, funcionamento dos rins, horm\u00f4nios, inflama\u00e7\u00e3o ou rigidez das art\u00e9rias, buscando rela\u00e7\u00f5es diretas de causa e efeito, como se fosse poss\u00edvel encontrar um \u00fanico \u201cculpado\u201d pela hipertens\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa abordagem permitiu avan\u00e7os fundamentais no entendimento da doen\u00e7a e levou ao desenvolvimento de diversos medicamentos que salvaram milh\u00f5es de vidas. No entanto, tamb\u00e9m possui limita\u00e7\u00f5es. <strong>Ao tratar cada mecanismo de forma isolada, torna-se mais dif\u00edcil compreender como esses sistemas interagem entre si ao longo do tempo.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A vis\u00e3o da press\u00e3o arterial como um sistema complexo busca justamente ampliar essa perspectiva, utilizando novas ferramentas matem\u00e1ticas capazes de analisar as m\u00faltiplas intera\u00e7\u00f5es que ocorrem simultaneamente no organismo e que podem influenciar a evolu\u00e7\u00e3o da hiperten\u00e7\u00e3o arterial.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-vivid-cyan-blue-color has-text-color has-link-color has-large-font-size wp-elements-6\">Quando o caos ajuda a entender a sa\u00fade<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se a <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">press\u00e3o arterial \u00e9 um sistema complexo<\/mark><\/strong>, surge uma pergunta natural: como estudar algo t\u00e3o cheio de intera\u00e7\u00f5es e influ\u00eancias m\u00fatuas? Foi justamente para responder a essa quest\u00e3o que pesquisadores come\u00e7aram a recorrer \u00e0 chamada <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">teoria do caos<\/mark><\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar do nome assustador, a teoria do caos n\u00e3o estuda bagun\u00e7a ou desordem. Na verdade, <strong>ela busca compreender sistemas extremamente organizados, mas t\u00e3o complexos que pequenas mudan\u00e7as podem produzir consequ\u00eancias dif\u00edceis de prever<\/strong>. O conceito ganhou destaque a partir dos trabalhos do meteorologista <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Edward_Lorenz\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Edward Lorenz<\/a>, na d\u00e9cada de 1960.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A partir dessas observa\u00e7\u00f5es, surgiu uma importante discuss\u00e3o cient\u00edfica: sistemas complexos n\u00e3o podem ser compreendidos adequadamente apenas por <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">modelos matem\u00e1ticos lineares<\/mark><\/strong>. <strong>Modelos lineares s\u00e3o aqueles que estabelecem uma conex\u00e3o direta (uma linha) entre uma causa e um efeito.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ou seja, <strong>modelos lineares s\u00e3o \u00f3timos para analisar sistemas complicados, mas inadequados para interpretar sistemas complexos<\/strong>. Era necess\u00e1rio desenvolver ferramentas capazes de analisar uma rede de intera\u00e7\u00f5es que se adapta constantemente. Foi nesse contexto que a teoria do caos se consolidou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No caso da hipertens\u00e3o resistente, a necessidade do uso de modelos n\u00e3o lineares j\u00e1 foi apontada diversas vezes por outros pesquisadores ao longo dos anos. Dra. Tatiane comenta: \u201cA gente tem muitos artigos falando que precisamos usar o c\u00e1lculo n\u00e3o linear, mas nunca \u00e9 usado. Porque \u00e9 realmente uma grande dificuldade, e eu acho que a gente conseguiu.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dra. Tatiane tamb\u00e9m destaca um achado importante: \u201c<strong>Observamos que, quanto mais complexo o sistema est\u00e1, mais saud\u00e1vel ele se encontra. Quanto mais linear e previs\u00edvel ele se torna, mais associado ele est\u00e1 \u00e0 doen\u00e7a<\/strong>.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em outras palavras, um cora\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel apresenta uma grande riqueza de padr\u00f5es e respostas. J\u00e1 em pacientes hipertensos, especialmente nos casos mais graves, essa diversidade parece diminuir progressivamente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pode parecer contradit\u00f3rio, mas um organismo excessivamente previs\u00edvel n\u00e3o \u00e9 necessariamente um organismo saud\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Imagine um motorista experiente dirigindo por uma estrada. Ele ajusta constantemente a velocidade, a dire\u00e7\u00e3o e a dist\u00e2ncia dos outros ve\u00edculos conforme as condi\u00e7\u00f5es mudam. Agora imagine um carro que s\u00f3 consegue manter uma \u00fanica velocidade e uma \u00fanica trajet\u00f3ria. Embora seu comportamento seja mais previs\u00edvel, ele tem muito mais chances de se envolver em um acidente.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/06\/21-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-943\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/06\/21-980x551.jpg 980w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/06\/21-480x270.jpg 480w\" sizes=\"(min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) and (max-width: 980px) 980px, (min-width: 981px) 1024px, 100vw\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Algo semelhante parece ocorrer na hipertens\u00e3o. Conforme os sistemas que controlam a press\u00e3o perdem flexibilidade, o sistema cardiovascular se torna mais r\u00edgido e menos capaz de responder adequadamente aos desafios do ambiente.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-vivid-cyan-blue-color has-text-color has-link-color has-large-font-size wp-elements-7\">O desafio dos c\u00e1lculos<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Chegar a essas conclus\u00f5es, por\u00e9m, exigiu superar um obst\u00e1culo pouco comum na \u00e1rea da sa\u00fade: <strong>a matem\u00e1tica<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;No primeiro ano do doutorado eu encontrei um c\u00e1lculo que dizia ser capaz de identificar se um sistema era ca\u00f3tico ou n\u00e3o. O problema \u00e9 que eu n\u00e3o fazia ideia de como calcular aquilo&#8221;, relembra Dra. Tatiane.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A dificuldade n\u00e3o estava apenas na matem\u00e1tica em si. Muitos dos m\u00e9todos utilizados em estudos de din\u00e2mica n\u00e3o linear foram desenvolvidos originalmente para \u00e1reas como f\u00edsica, engenharia e meteorologia. <strong>Raramente esses c\u00e1lculos s\u00e3o apresentados de forma acess\u00edvel para profissionais da sa\u00fade<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Alguns dos primeiros c\u00e1lculos realizados durante a pesquisa dependeram de um software desenvolvido d\u00e9cadas atr\u00e1s por um pesquisador norte-americano. Para funcionar nos computadores atuais, o programa exigia at\u00e9 mesmo a simula\u00e7\u00e3o de um ambiente do Windows 95.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por isso, al\u00e9m de investigar a hipertens\u00e3o resistente, a tese tamb\u00e9m teve <strong>um objetivo pr\u00e1tico: aproximar essas ferramentas matem\u00e1ticas da realidade cl\u00ednica<\/strong>. Afinal, n\u00e3o adianta um m\u00e9todo ser capaz de revelar informa\u00e7\u00f5es importantes sobre a sa\u00fade cardiovascular se apenas especialistas em matem\u00e1tica conseguem utiliz\u00e1-lo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O desafio agora \u00e9 transformar esses c\u00e1lculos complexos em ferramentas simples o suficiente para que m\u00e9dicos e pesquisadores possam incorpor\u00e1-los \u00e0 rotina<\/strong>. Se isso acontecer, a teoria do caos poder\u00e1 deixar de ser apenas um conceito matem\u00e1tico fascinante e se tornar uma aliada no entendimento e no tratamento da hipertens\u00e3o resistente.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-vivid-cyan-blue-color has-text-color has-link-color has-large-font-size wp-elements-8\">O efeito borboleta da press\u00e3o arterial<\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/06\/23-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-945\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/06\/23-980x551.jpg 980w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/06\/23-480x270.jpg 480w\" sizes=\"(min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) and (max-width: 980px) 980px, (min-width: 981px) 1024px, 100vw\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um dos conceitos mais conhecidos da teoria do caos \u00e9 o chamado <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">\u201cefeito borboleta\u201d<\/mark><\/strong>. O meteorologista Edward Lorenz observou como <strong>pequenas diferen\u00e7as nas condi\u00e7\u00f5es iniciais de um sistema podem gerar resultados completamente distintos no futuro<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foi dele a famosa met\u00e1fora de que <strong>o bater das asas de uma borboleta no Brasil poderia, em determinadas circunst\u00e2ncias, contribuir para a forma\u00e7\u00e3o de um furac\u00e3o no Texas<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A frase n\u00e3o deve ser interpretada literalmente. O que Lorenz queria mostrar \u00e9 que, <strong>em sistemas complexos, pequenas mudan\u00e7as podem desencadear grandes consequ\u00eancias<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo Dra. Tatiane, esse conceito ajuda a compreender por que alguns pacientes com hipertens\u00e3o resistente apresentam melhoras surpreendentes ap\u00f3s mudan\u00e7as aparentemente simples.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Na pr\u00e1tica cl\u00ednica, isso significa que nem sempre a solu\u00e7\u00e3o est\u00e1 em adicionar mais medicamentos. \u00c0s vezes, um detalhe que parece pequeno pode ser justamente a pe\u00e7a que faltava para reorganizar todo o sistema.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pesquisadora se recorda de uma paciente cuja press\u00e3o arterial permanecia elevada apesar de sucessivos ajustes no tratamento. Quando os exames revelaram n\u00edveis extremamente altos de s\u00f3dio, a equipe chegou a suspeitar de erro laboratorial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ap\u00f3s uma conversa mais profunda com a paciente, Dra. Tatiane descobriu algo surpreendente. A paciente afirmava que sua alimenta\u00e7\u00e3o era normal e que n\u00e3o consumia muito sal. Durante a consulta, por\u00e9m, Tatiane decidiu fazer perguntas mais espec\u00edficas: \u201cQuando a senhora vai ao mercado, quantos pacotes de sal compra?\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A resposta surpreendeu: dois pacotes por m\u00eas. A partir desse momento, a paciente recebeu orienta\u00e7\u00f5es mais detalhadas sobre o consumo de s\u00f3dio. Um m\u00eas depois, sua press\u00e3o arterial estava controlada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse caso ajuda a ilustrar uma ideia central da pesquisa: quando lidamos com sistemas complexos, compreender os detalhes pode ser t\u00e3o importante quanto enxergar o quadro geral. Afinal, \u00e0s vezes, uma pequena mudan\u00e7a no ponto certo pode produzir efeitos muito maiores do que imaginamos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-vivid-cyan-blue-color has-text-color has-link-color has-large-font-size wp-elements-9\">Da teoria para a vida real<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao longo de seu doutorado, Tatiane transitou entre duas \u00e1reas que raramente conversam com facilidade: <strong>a medicina e a matem\u00e1tica<\/strong>. De um lado, pacientes enfrentando dificuldades para controlar a press\u00e3o arterial. De outro, c\u00e1lculos complexos capazes de revelar padr\u00f5es invis\u00edveis aos m\u00e9todos tradicionais de an\u00e1lise.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas, para ela, a pesquisa s\u00f3 faz sentido quando consegue atravessar essa dist\u00e2ncia. &#8220;N\u00e3o adianta a gente ficar l\u00e1 na pesquisa fazendo um c\u00e1lculo muito dif\u00edcil e o nosso paciente n\u00e3o ser beneficiado desse conhecimento que a gente traz&#8221;, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Muito al\u00e9m de gerar novos conhecimentos, Dra. Tatiane acredita que a ci\u00eancia deve funcionar como uma ferramenta de transforma\u00e7\u00e3o social. &#8220;Eu amo teoria, mas vejo que a gente precisa ser agente modificador. Modificar o pensamento de gr\u00e3ozinho em gr\u00e3ozinho para levar informa\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa vis\u00e3o resume a mensagem central de sua pesquisa. Entender a hipertens\u00e3o resistente como um sistema complexo exige novas formas de pensar, novas ferramentas de an\u00e1lise e novas perguntas. Mas, acima de tudo, exige que o conhecimento produzido nos laborat\u00f3rios e universidades chegue \u00e0s pessoas que convivem diariamente com a doen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-white-color has-black-background-color has-text-color has-background has-link-color wp-elements-10 wp-block-paragraph\">As pesquisas divulgadas nessa mat\u00e9ria contaram com financiamento FAPESP (processos n\u00ba 21\/04863-0 e 23\/10992-2).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-light-green-cyan-background-color has-text-color has-background has-link-color wp-elements-11 wp-block-paragraph\">A presente mat\u00e9ria foi realizada com apoio da Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo (FAPESP), Brasil. Processo n\u00ba 25\/17158-3. As opini\u00f5es, hip\u00f3teses e conclus\u00f5es ou recomenda\u00e7\u00f5es expressas neste material s\u00e3o de responsabilidade do(s) autor(es) e n\u00e3o necessariamente refletem a vis\u00e3o da FAPESP.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-large-font-size\">Para saber mais:<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.scielosp.org\/article\/csc\/2020.v25n6\/2271-2282\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Hipertens\u00e3o arterial<\/a> (DOI: 10.1590\/1413-81232020256.26972018)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/abc\/a\/Z6m5gGNQCvrW3WLV7csqbqh\/?lang=pt&amp;format=html\" target=\"_blank\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/abc\/a\/Z6m5gGNQCvrW3WLV7csqbqh\/?lang=pt&amp;format=html\" rel=\"noreferrer noopener\">Diretrizes Brasileiras de Hipertens\u00e3o Arterial<\/a> (DOI: 10.36660\/abc.20201238)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"http:\/\/departamentos.cardiol.br\/sbc-dha\/profissional\/revista\/26-2\/03_revista%20brasileira%20de%20hipertens\u00e3o_26_n2.pdf\" target=\"_blank\" data-type=\"link\" data-id=\"http:\/\/departamentos.cardiol.br\/sbc-dha\/profissional\/revista\/26-2\/03_revista%20brasileira%20de%20hipertens\u00e3o_26_n2.pdf\" rel=\"noreferrer noopener\">Hipertens\u00e3o resistente<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/pesquisa.bvsalud.org\/portal\/resource\/pt\/lil-364528\" target=\"_blank\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/pesquisa.bvsalud.org\/portal\/resource\/pt\/lil-364528\" rel=\"noreferrer noopener\">Hipertens\u00e3o refrat\u00e1ria<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/40410352\" target=\"_blank\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/40410352\" rel=\"noreferrer noopener\">Publica\u00e7\u00e3o do grupo que prop\u00f5e nova forma de interpretar par\u00e2metros da hipertens\u00e3o arterial<\/a> (DOI: 10.1038\/s41371-025-01028-2).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/Essence-Chaos-Edward-N-Lorenz\/dp\/0295975148\" target=\"_blank\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/Essence-Chaos-Edward-N-Lorenz\/dp\/0295975148\" rel=\"noreferrer noopener\">Teoria do caos<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/images\/stories\/cadernos\/ihu\/015cadernosihu.pdf\" target=\"_blank\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/images\/stories\/cadernos\/ihu\/015cadernosihu.pdf\" rel=\"noreferrer noopener\">Sa\u00fade e o paradigma da complexidade<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"http:\/\/nutecc.com.br\/caos.pdf\" target=\"_blank\" data-type=\"link\" data-id=\"http:\/\/nutecc.com.br\/caos.pdf\" rel=\"noreferrer noopener\">Teoria do caos aplicada \u00e0 medicina<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading eplus-wrapper has-vivid-green-cyan-color has-text-color has-link-color has-large-font-size wp-elements-12\"><mark style=\"background-color:#ffffff\" class=\"has-inline-color has-vivid-green-cyan-color\">Autoria:<\/mark><\/h2>\n\n\n<div class=\"wp-block-image eplus-wrapper\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/02\/Design-sem-nome-3-1024x1024.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-258\" style=\"width:150px\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/02\/Design-sem-nome-3-980x980.png 980w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/02\/Design-sem-nome-3-480x480.png 480w\" sizes=\"(min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) and (max-width: 980px) 980px, (min-width: 981px) 1024px, 100vw\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"has-text-align-center eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><strong><mark style=\"background-color:#ffffff\" class=\"has-inline-color has-vivid-green-cyan-color\">Mia Schezaro Ramos<\/mark><\/strong><br><mark style=\"background-color:#ffffff\" class=\"has-inline-color has-vivid-green-cyan-color\">Farmac\u00eautica. Doutora em Farmacologia. Jornalista cient\u00edfica, ilustradora, trans, nintendista, kpopeira e dependente de exerc\u00edcio f\u00edsico para n\u00e3o pirar.<\/mark><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hipertens\u00e3o resistente, teoria do caos e sistemas complexos. Pesquisa mostra como a press\u00e3o arterial envolve m\u00faltiplos sistemas do corpo e desafia modelos tradicionais, propondo novas abordagens matem\u00e1ticas na medicina.<\/p>\n","protected":false},"author":776,"featured_media":937,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","_eb_attr":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[19,20],"tags":[180,182,181,184,183],"class_list":["post-930","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-portugues","category-pesquisa","tag-hipertensao-arterial","tag-hipertensao-refrataria","tag-hipertensao-resistente","tag-sistemas-complexos","tag-teoria-do-caos"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/06\/15.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/930","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-json\/wp\/v2\/users\/776"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=930"}],"version-history":[{"count":12,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/930\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":964,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/930\/revisions\/964"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-json\/wp\/v2\/media\/937"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=930"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=930"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=930"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}