{"id":961,"date":"2026-07-07T10:44:39","date_gmt":"2026-07-07T13:44:39","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/?p=961"},"modified":"2026-07-13T14:59:36","modified_gmt":"2026-07-13T17:59:36","slug":"metilglioxal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/2026\/07\/07\/metilglioxal\/","title":{"rendered":"Metilglioxal: a pista que une diferentes complica\u00e7\u00f5es do diabetes"},"content":{"rendered":"\n<p>Por que pessoas com obesidade costumam apresentar formas mais graves de asma? Ser\u00e1 que a resposta est\u00e1 no metilglioxal, uma pequena mol\u00e9cula que \u00e9 tanto produzida pelo nosso organismo quanto presente em alguns alimentos? Nesta entrevista, o Prof. Edson Antunes conta como uma sequ\u00eancia de descobertas levou seu laborat\u00f3rio a investigar o papel do metilglioxal, abrindo novas perspectivas para o desenvolvimento de futuras terapias.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-vivid-cyan-blue-color has-text-color has-link-color has-large-font-size wp-elements-d06f8d45af6b296b3daf2d83754d7d47\">Pequenas marcas em diferentes \u00e1reas<\/h2>\n\n\n\n<p>Ao longo de mais de quatro d\u00e9cadas dedicadas \u00e0 farmacologia experimental, <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/0527685382924520\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Prof. Edson Antunes<\/a> possui uma carreira que transita entre compreender os mecanismos que est\u00e3o por tr\u00e1s das doen\u00e7as e identificar novos caminhos para trat\u00e1-las.<\/p>\n\n\n\n<p>Prof. Edson \u00e9 <strong>bi\u00f3logo<\/strong> formado pela UNICAMP, com <strong>mestrado em Fisiologia<\/strong> (UNICAMP) e <strong>doutorado em Farmacologia<\/strong> (USP). Atualmente, \u00e9 Professor Titular da Faculdade de Ci\u00eancias M\u00e9dicas da UNICAMP, com laborat\u00f3rio no <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/farmacologia-da-unicamp\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Departamento de Farmacologia<\/a>, onde desenvolve pesquisas nas \u00e1reas de <strong>inflama\u00e7\u00e3o, doen\u00e7as pulmonares e trato urin\u00e1rio inferior<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa trajet\u00f3ria, por\u00e9m, j\u00e1 contou com ainda mais linhas de pesquisa. Ao relembrar epis\u00f3dios de sua carreira, o pesquisador aponta que sua contribui\u00e7\u00e3o cient\u00edfica foi sendo constru\u00edda por meio de <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">\u201cpequenas marcas em diferentes \u00e1reas\u201d<\/mark><\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes de se dedicar aos estudos sobre trato urin\u00e1rio inferior e doen\u00e7as pulmonares, Prof. Edson investigava a inflama\u00e7\u00e3o dentro de outro contexto: <strong>os venenos animais<\/strong>. Foi nesse per\u00edodo que desenvolveu boa parte do conhecimento sobre resposta inflamat\u00f3ria, que mais tarde orientaria, por exemplo, seus trabalhos em <strong>asma e inflama\u00e7\u00e3o pulmonar<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, o Prof. Edson relembra uma grande marca que deixou na Farmacologia: <strong>o desenvolvimento de medicamentos para a disfun\u00e7\u00e3o er\u00e9til<\/strong>. Em colabora\u00e7\u00e3o com outros pesquisadores, incluindo o <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/8169240855049337\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Prof. Gilberto De Nucci<\/a>, seu grupo realizou toda a etapa experimental em modelos animais para compostos da classe dos inibidores da fosfodiesterase tipo 5 (PDE5), entre eles o <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">Helleva<\/mark><\/strong>. Os resultados obtidos no laborat\u00f3rio serviram de base para o avan\u00e7o dessas mol\u00e9culas para estudos cl\u00ednicos posteriores.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos \u00faltimos anos, seu nome passou a ser associado principalmente \u00e0s pesquisas sobre as <strong>disfun\u00e7\u00f5es da bexiga urin\u00e1ria<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAcho que hoje sou mais conhecido internacionalmente por esses trabalhos envolvendo bexiga do que por outras linhas. N\u00e3o necessariamente porque sejam meus trabalhos mais importantes, mas porque existem poucos grupos trabalhando com esse tema\u201d, comenta.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-vivid-cyan-blue-color has-text-color has-link-color has-large-font-size wp-elements-bf8747d8787e6b5e38adde1806077ebd\">Quando a obesidade entrou na hist\u00f3ria<\/h2>\n\n\n\n<p>Foi justamente o conhecimento acumulado ao longo de anos estudando processos inflamat\u00f3rios que abriu caminho para uma das principais linhas de pesquisa do laborat\u00f3rio: <strong>compreender por que a obesidade agrava a asma e qual \u00e9 o papel das altera\u00e7\u00f5es metab\u00f3licas, como o diabetes, nesse processo<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>A <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">asma<\/mark><\/strong> \u00e9 uma doen\u00e7a inflamat\u00f3ria cr\u00f4nica que afeta as vias respirat\u00f3rias, os tubos que levam o ar at\u00e9 os pulm\u00f5es. Durante as crises asm\u00e1ticas, essas vias ficam inflamadas, mais estreitas e produzem mais muco, dificultando a passagem do ar. Isso provoca sintomas como falta de ar, chiado no peito, tosse e sensa\u00e7\u00e3o de aperto no peito, que podem variar de intensidade e frequ\u00eancia entre os pacientes.<\/p>\n\n\n\n<p>Cada vez mais, a <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">obesidade<\/mark><\/strong> ganha import\u00e2ncia como um problema de sa\u00fade p\u00fablica e como fator de risco para a asma. M\u00e9dicos costumam observar que <strong>pacientes obesos apresentam formas mais graves de asma e respondem pior aos tratamentos convencionais<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/07\/25-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-970\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/07\/25-980x551.jpg 980w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/07\/25-480x270.jpg 480w\" sizes=\"(min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) and (max-width: 980px) 980px, (min-width: 981px) 1024px, 100vw\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><mark style=\"background-color:#ffffff\" class=\"has-inline-color has-cyan-bluish-gray-color\">Fonte: Canva.<\/mark><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Para o Prof. Edson, o problema \u00e9 que <strong>ainda n\u00e3o existia uma boa explica\u00e7\u00e3o de por que isso acontece<\/strong>. \u201cMuitos m\u00e9dicos dizem: \u2018\u00c9 a mec\u00e2nica pulmonar que est\u00e1 prejudicada\u2019. Mas essa sempre me pareceu uma justificativa meio fraca. O que exatamente piora? Por qu\u00ea?\u201d, reflete o pesquisador.<\/p>\n\n\n\n<p>Mec\u00e2nica pulmonar \u00e9 a capacidade dos pulm\u00f5es e da caixa tor\u00e1cica de expandir e contrair para movimentar o ar. Embora o excesso de peso realmente possa dificultar esse movimento, essa explica\u00e7\u00e3o n\u00e3o parece suficiente para justificar por que a asma se tornava mais grave nem por que pacientes obesos respondiam pior aos tratamentos. Faltava entender o que estava acontecendo no n\u00edvel biol\u00f3gico.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEssa pergunta sempre ficava na minha cabe\u00e7a: precisamos estudar isso\u201d, conta.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, com a chegada da nutricionista <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/3073855632659938\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Dra. Marina Calixto<\/a> ao laborat\u00f3rio, iniciou-se a investiga\u00e7\u00e3o. Aproveitando a experi\u00eancia da Dra. Marina na \u00e1rea, o grupo desenvolveu uma <strong>dieta hiperlip\u00eddica<\/strong> (rica em gordura) para induzir obesidade em animais. Na \u00e9poca, a pr\u00f3pria equipe preparava a alimenta\u00e7\u00e3o no laborat\u00f3rio, misturando gordura e outros ingredientes em uma receita artesanal. \u201cEra praticamente um brigadeir\u00e3o\u201d, lembra o pesquisador, em tom bem-humorado. \u201cOs animais adoravam.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Com esse modelo, os pesquisadores conseguiam reproduzir a obesidade nos animais, assim como as altera\u00e7\u00f5es metab\u00f3licas decorrentes da obesidade, como o diabetes. Os experimentos mostraram que, assim como ocorria em humanos, <strong>os animais obesos desenvolviam uma inflama\u00e7\u00e3o pulmonar mais intensa e apresentavam uma forma mais grave de asma quando comparados aos animais magros<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses resultados ajudaram a mostrar que a obesidade n\u00e3o agravava a asma apenas por comprometer a mec\u00e2nica da respira\u00e7\u00e3o. Altera\u00e7\u00f5es inflamat\u00f3rias e metab\u00f3licas tamb\u00e9m desempenhavam um papel importante.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso abriu caminho para uma nova linha de investiga\u00e7\u00e3o que, anos mais tarde, levaria o grupo a estudar uma mol\u00e9cula produzida em excesso durante o diabetes: o <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">metilglioxal<\/mark><\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-vivid-cyan-blue-color has-text-color has-link-color has-large-font-size wp-elements-8d3067fb155a778ce1b5091e08256753\">Do diabetes ao metilglioxal<\/h2>\n\n\n\n<p>Prof. Edson se perguntava: o que exatamente conecta o diabetes ao agravamento da asma? A resposta poderia estar em uma pequena mol\u00e9cula produzida em excesso quando os n\u00edveis de glicose no sangue permanecem elevados: <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">o metilglioxal<\/mark><\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 abordamos brevemente o que \u00e9 o metilglioxal na mat\u00e9ria \u201c<a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/2026\/04\/01\/colageno-glicado\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Col\u00e1geno glicado: o que o diabetes deixa nos vasos mesmo ap\u00f3s o tratamento<\/a>\u201d. Em resumo, o metilglioxal \u00e9 produzido pelo corpo quando metaboliza a glicose. Em condi\u00e7\u00f5es normais, o organismo consegue elimin\u00e1-lo rapidamente. No entanto, em pessoas com diabetes, sua concentra\u00e7\u00e3o pode aumentar muito, favorecendo danos \u00e0s prote\u00ednas e contribuindo para processos inflamat\u00f3rios associados a diversas doen\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p>A investiga\u00e7\u00e3o da associa\u00e7\u00e3o entre metilglioxal e asma come\u00e7ou com <a href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/24204674\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">uma publica\u00e7\u00e3o anterior do grupo<\/a>, contando com a Dra. Marina Calixto como primeira autora. O trabalho mostrava que a <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">metformina<\/mark><\/strong>, medicamento amplamente utilizado no tratamento do diabetes tipo 2, tamb\u00e9m era capaz de melhorar a asma em camundongos obesos.<\/p>\n\n\n\n<p>A explica\u00e7\u00e3o mais aceita era que, ao controlar o diabetes e reduzir a resist\u00eancia \u00e0 insulina, a metformina tamb\u00e9m diminu\u00eda a inflama\u00e7\u00e3o pulmonar.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais tarde, por\u00e9m, o Prof. Edson encontrou uma hip\u00f3tese diferente. Alguns estudos mostravam que <strong>a metformina tamb\u00e9m consegue se ligar ao metilglioxal, formando um composto inativo e reduzindo sua concentra\u00e7\u00e3o no organismo<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQuando li esses trabalhos, pensei: talvez, no trabalho da Marina, a metformina tenha neutralizado o metilglioxal\u201d, relembra o Prof. Edson.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa observa\u00e7\u00e3o mudou a dire\u00e7\u00e3o da pesquisa. Em vez de enxergar apenas a glicose elevada como respons\u00e1vel pelo agravamento da asma, o grupo passou a investigar se o verdadeiro problema poderia ser o metilglioxal.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das principais caracter\u00edsticas do metilglioxal \u00e9 ser muito reativo. Ele pode interagir com prote\u00ednas importantes do nosso corpo, modificando sua estrutura e formando compostos conhecidos como <strong>produtos finais de glica\u00e7\u00e3o avan\u00e7ad<\/strong>a, ou <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">AGEs<\/mark><\/strong> (do ingl\u00eas Advanced Glycation End Products).<\/p>\n\n\n\n<p>Imagine que as prote\u00ednas do nosso organismo s\u00e3o como ferramentas cuidadosamente constru\u00eddas para desempenhar fun\u00e7\u00f5es espec\u00edficas. O metilglioxal age como um \u201ccaramelo\u201d extremamente grudento: ele se prende \u00e0 superf\u00edcie dessas ferramentas e altera seu formato, fazendo com que elas deixem de funcionar corretamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas prote\u00ednas modificadas (<strong>AGEs<\/strong>) passam ent\u00e3o a ser reconhecidas pelo organismo como um sinal de perigo. Ao se ligarem a um receptor chamado <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">RAGE<\/mark><\/strong> (receptor for advanced glycation end products), \u00e9 como se apertassem um alarme no nosso corpo, desencadeando uma resposta inflamat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/07\/26-1-1024x576.jpg\" alt=\"metilglioxal\" class=\"wp-image-976\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/07\/26-1-980x551.jpg 980w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/07\/26-1-480x270.jpg 480w\" sizes=\"(min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) and (max-width: 980px) 980px, (min-width: 981px) 1024px, 100vw\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Foi essa sequ\u00eancia (<strong>metilglioxal, forma\u00e7\u00e3o de AGEs e ativa\u00e7\u00e3o do receptor RAGE<\/strong>) que passou a ser o foco do laborat\u00f3rio e das investiga\u00e7\u00f5es do p\u00f3s-doutorando <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/8743633467342594\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Dr. Matheus Leite de Medeiros<\/a> e do mestrando <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/9544868301004477\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Mateus Costa Leutz<\/a>. A hip\u00f3tese \u00e9 que esse eixo molecular seja um dos respons\u00e1veis por intensificar a inflama\u00e7\u00e3o pulmonar observada em indiv\u00edduos obesos e diab\u00e9ticos com asma.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora o metilglioxal seja conhecido pela ci\u00eancia h\u00e1 d\u00e9cadas, seu papel na asma ainda \u00e9 pouco explorado. \u201cSe voc\u00ea procurar por \u2018asma\u2019, \u2018vias a\u00e9reas\u2019 e \u2018metilglioxal\u2019, vai encontrar principalmente os nossos trabalhos\u201d, afirma o Prof. Edson.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEstamos tentando consolidar essa ideia de que a ativa\u00e7\u00e3o dessa via, iniciada pelo metilglioxal, desempenha um papel importante na asma. Se conseguirmos bloque\u00e1-la, talvez possamos melhorar o tratamento da doen\u00e7a.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, essa linha \u00e9 investigada pelo p\u00f3s-doutorando Dr. Matheus e pelo mestrando Mateus. Al\u00e9m de tentarem entender os impactos da via metilglioxal\u2013AGE\u2013RAGE, os pesquisadores ainda avaliam estrat\u00e9gias capazes de bloquear essa via. Essas estrat\u00e9gias incluem compostos que removem metilglioxal, degradam AGEs j\u00e1 formados ou impedem a ativa\u00e7\u00e3o do receptor RAGE.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-vivid-cyan-blue-color has-text-color has-link-color has-large-font-size wp-elements-1e81391b8472c27d32c5b8e4b0793872\">Em busca de novos tratamentos<\/h2>\n\n\n\n<p>Se o metilglioxal realmente participa do agravamento da asma e de outras complica\u00e7\u00f5es associadas ao diabetes, surge uma nova possibilidade: <strong>ser\u00e1 que bloquear a via dessa mol\u00e9cula pode se tornar uma estrat\u00e9gia terap\u00eautica?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 justamente essa pergunta que orienta parte dos estudos atuais do laborat\u00f3rio. Dr. Matheus utiliza diferentes compostos experimentais capazes de interferir em etapas distintas dessa via, seja <strong>reduzindo os n\u00edveis de metilglioxal, impedindo a forma\u00e7\u00e3o dos AGEs ou bloqueando a ativa\u00e7\u00e3o do receptor RAGE<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das mol\u00e9culas mais estudadas \u00e9 o <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">alagebrium<\/mark><\/strong> (ALT-711), desenvolvido para <strong>romper as liga\u00e7\u00f5es formadas durante o processo de glica\u00e7\u00e3o<\/strong>. Basicamente, ele rompe as liga\u00e7\u00f5es entre o metilglioxal e as prote\u00ednas, \u201cdesfazendo\u201d os AGEs formados.<\/p>\n\n\n\n<p>O alagebrium chegou a avan\u00e7ar para fases bastante adiantadas de testes cl\u00ednicos, mas seu desenvolvimento foi interrompido antes de chegar ao mercado. Apesar disso, ele continua sendo uma importante ferramenta de pesquisa.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m do alagebrium, o grupo tamb\u00e9m investiga mol\u00e9culas como a <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">azeliragon<\/mark><\/strong>, que bloqueia o receptor RAGE. Embora ainda esteja em desenvolvimento, esse composto tamb\u00e9m j\u00e1 vem sendo estudado em doen\u00e7as neurodegenerativas, como Alzheimer e Parkinson, refor\u00e7ando a ideia de que essa via molecular pode estar envolvida em diferentes doen\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o Prof. Edson, <strong>ainda \u00e9 cedo para afirmar se essas estrat\u00e9gias resultar\u00e3o em novos medicamentos<\/strong>. No entanto, os avan\u00e7os da \u00e1rea refor\u00e7am a import\u00e2ncia de compreender melhor o papel do metilglioxal. \u201cNa minha interpreta\u00e7\u00e3o, sempre que existe hiperglicemia, existe excesso de metilglioxal. E o metilglioxal \u00e9 uma mol\u00e9cula extremamente reativa\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Se essa hip\u00f3tese continuar sendo confirmada por estudos futuros, bloquear essa mol\u00e9cula ou impedir seus efeitos poder\u00e1 representar uma nova abordagem para o tratamento da asma associada \u00e0 obesidade e ao diabetes, e tamb\u00e9m de outras complica\u00e7\u00f5es provocadas pela hiperglicemia.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-vivid-cyan-blue-color has-text-color has-link-color has-large-font-size wp-elements-9a0dd026568782bbb2e5b4999cee5f3b\">Do pulm\u00e3o para a bexiga<\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/07\/28-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-973\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/07\/28-980x551.jpg 980w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/07\/28-480x270.jpg 480w\" sizes=\"(min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) and (max-width: 980px) 980px, (min-width: 981px) 1024px, 100vw\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><mark style=\"background-color:#ffffff\" class=\"has-inline-color has-cyan-bluish-gray-color\">Fonte: Canva.<\/mark><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Enquanto os estudos sobre o metilglioxal avan\u00e7avam na inflama\u00e7\u00e3o pulmonar, o laborat\u00f3rio percebeu que a mesma hip\u00f3tese poderia responder a outra complica\u00e7\u00e3o frequente e muito menos conhecida do diabetes: <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">a disfun\u00e7\u00e3o da bexiga diab\u00e9tica<\/mark><\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Na verdade, o interesse do Prof. Edson pelo trato urin\u00e1rio inferior come\u00e7ou bem antes da descoberta do papel do metilglioxal. Ap\u00f3s anos estudando a musculatura lisa dos vasos sangu\u00edneos, ele decidiu explorar outro \u00f3rg\u00e3o com musculatura lisa: <strong>a bexiga<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cFazer pesquisa cardiovascular usando vasos \u00e9 extremamente competitivo. Existem muitos grupos excelentes trabalhando nisso. Ent\u00e3o pensei: \u2018Preciso procurar outra musculatura lisa para estudar\u2019. Foi assim que comecei a trabalhar com a bexiga\u201d, relembra.<\/p>\n\n\n\n<p>Os primeiros estudos ocorreram durante o doutorado da <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/7280590098448905\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Dra. Fabiola M\u00f3nica<\/a>, hoje tamb\u00e9m professora do <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/farmacologia-da-unicamp\/\" target=\"_blank\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/farmacologia-da-unicamp\/\" rel=\"noreferrer noopener\">Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Farmacologia da UNICAMP<\/a>. Nesses trabalhos, o grupo investigava o papel do \u00f3xido n\u00edtrico no funcionamento da bexiga durante o ciclo de armazenamento e elimina\u00e7\u00e3o da urina. Na \u00e9poca, poucos grupos exploravam essa quest\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o passar dos anos, por\u00e9m, a experi\u00eancia acumulada com modelos de <strong>obesidade e diabetes<\/strong> levou o Prof. Edson a fazer uma nova pergunta: <strong>como essas doen\u00e7as afetam o trato urin\u00e1rio inferior?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A resposta era especialmente relevante porque a chamada <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">disfun\u00e7\u00e3o da bexiga diab\u00e9tica<\/mark><\/strong> \u00e9 uma das complica\u00e7\u00f5es mais comuns do diabetes. Estima-se que mais da metade das pessoas com diabetes desenvolva algum grau de altera\u00e7\u00e3o urin\u00e1ria ao longo da vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Inicialmente, muitos pacientes apresentam urg\u00eancia urin\u00e1ria, aumento da frequ\u00eancia para urinar ou bexiga hiperativa. Com a progress\u00e3o da doen\u00e7a, a bexiga pode perder for\u00e7a e passar a esvaziar de forma incompleta, favorecendo reten\u00e7\u00e3o de urina, infec\u00e7\u00f5es e, em alguns casos, incontin\u00eancia urin\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de frequente, essa complica\u00e7\u00e3o ainda recebe pouca aten\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, as op\u00e7\u00f5es terap\u00eauticas atuais s\u00e3o limitadas. Os medicamentos utilizados aliviam os sintomas, mas n\u00e3o corrigem a causa da doen\u00e7a, e alguns deles v\u00eam sendo associados a efeitos adversos importantes ap\u00f3s uso prolongado.<\/p>\n\n\n\n<p>Falamos mais sobre a bexiga diab\u00e9tica na mat\u00e9ria \u201c<a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/2026\/03\/17\/bexiga-diabetes\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Diabetes: nova docente busca entender complica\u00e7\u00e3o silenciosa<\/a>\u201d. A mat\u00e9ria aborda a linha de pesquisa da <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/1250849061515760\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Profa. Mariana de Oliveira<\/a>, que inclusive foi doutoranda do Prof. Edson e primeira autora do <a href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/32317986\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">primeiro trabalho do grupo investigando os efeitos do metilglioxal na bexiga urin\u00e1ria<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi nesse contexto que surgiu a hip\u00f3tese de que o metilglioxal tamb\u00e9m pudesse desempenhar um papel importante na bexiga. Se o diabetes aumenta a concentra\u00e7\u00e3o dessa mol\u00e9cula na circula\u00e7\u00e3o, seria esperado que ela tamb\u00e9m se acumulasse no tecido da bexiga, desencadeando o mesmo eixo inflamat\u00f3rio observado no pulm\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Os resultados obtidos pelo grupo confirmaram essa suspeita. Os pesquisadores identificaram <strong>aumento dos n\u00edveis de metilglioxal, de AGEs e da ativa\u00e7\u00e3o do receptor RAGE na bexiga de modelos experimentais de diabetes<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, demonstraram que a <strong>exposi\u00e7\u00e3o prolongada ao metilglioxal \u00e9 capaz de reproduzir altera\u00e7\u00f5es caracter\u00edsticas da bexiga diab\u00e9tica<\/strong>, como mudan\u00e7as na capacidade de armazenamento da urina e altera\u00e7\u00f5es na contra\u00e7\u00e3o do m\u00fasculo detrusor, processo essencial para a expuls\u00e3o da urina durante a mic\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, essa linha re\u00fane diferentes projetos. A pesquisadora de p\u00f3s-doutorado <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/5464754100623582\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Dra. \u00c1kila Lara de Oliveira<\/a> e o mestrando <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/7447826903637886\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Tiago Marinho Barbalho<\/a> investigam potenciais <strong>alvos terap\u00eauticos no eixo metilglioxal-AGE-RAGE<\/strong>, como por exemplo o <strong>papel do receptor RAGE e se seu bloqueio pode prevenir ou reverter a disfun\u00e7\u00e3o da bexiga diab\u00e9tica<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Dra. \u00c1kila j\u00e1 investiga o papel do metilglioxal desde seu doutorado, sob orienta\u00e7\u00e3o do Prof. Edson. Sua tese, inclusive, recebeu o <strong><a href=\"https:\/\/www.gov.br\/capes\/pt-br\/assuntos\/premios\/premio-capes-de-tese\/teses-premiadas\/teses-premiadas-em-2024\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/www.gov.br\/capes\/pt-br\/assuntos\/premios\/premio-capes-de-tese\/teses-premiadas\/teses-premiadas-em-2024\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pr\u00eamio CAPES de Tese 2024<\/a><\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto isso, o mestrado de <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/6212797200615954\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Clarissa Paiva Horioka<\/a> investiga algo muito curioso: como <strong>a ingest\u00e3o de metilglioxal, que est\u00e1 presente em alimentos ultraprocessados, pode agravar as altera\u00e7\u00f5es na bexiga de animais diab\u00e9ticos<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-vivid-cyan-blue-color has-text-color has-link-color has-large-font-size wp-elements-8753407faf15996fedfa0fa4c00d5142\">O metilglioxal tamb\u00e9m pode vir da alimenta\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>Os estudos de Clarissa investigam uma quest\u00e3o que surgiu quase por acaso durante o desenvolvimento dessa linha de pesquisa. At\u00e9 ent\u00e3o, <strong>o grupo associava o metilglioxal principalmente ao diabetes<\/strong>, j\u00e1 que a mol\u00e9cula \u00e9 produzida em maior quantidade quando a glicose permanece elevada por longos per\u00edodos.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas seria poss\u00edvel estudar seus efeitos independentemente da hiperglicemia?<\/p>\n\n\n\n<p>Para responder a essa pergunta, o laborat\u00f3rio desenvolveu um modelo experimental diferente. Em vez de induzir diabetes nos animais, os pesquisadores passaram a administrar metilglioxal diretamente na \u00e1gua de animais saud\u00e1veis. Assim, eles continuavam com n\u00edveis normais de glicose, mas apresentavam concentra\u00e7\u00f5es elevadas de metilglioxal na circula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Os resultados chamaram a aten\u00e7\u00e3o. Ap\u00f3s cerca de doze semanas, esses animais passaram a apresentar altera\u00e7\u00f5es muito semelhantes \u00e0s observadas nos modelos de diabetes: desenvolveram uma inflama\u00e7\u00e3o pulmonar mais intensa e altera\u00e7\u00f5es na fun\u00e7\u00e3o da bexiga caracter\u00edsticas da bexiga diab\u00e9tica.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cFoi ent\u00e3o que come\u00e7amos a discutir uma possibilidade diferente\u201d, conta o Prof. Edson. \u201c<strong>Ser\u00e1 que esse modelo representa melhor a ingest\u00e3o cr\u00f4nica de metilglioxal presente na alimenta\u00e7\u00e3o do que propriamente o metilglioxal produzido pelo pr\u00f3prio organismo?<\/strong>\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A hip\u00f3tese faz sentido porque <strong>o metilglioxal n\u00e3o \u00e9 produzido apenas pelo nosso metabolismo<\/strong>. Ele tamb\u00e9m pode ser formado durante o preparo de alimentos. Quando um alimento rico em a\u00e7\u00facares e prote\u00ednas \u00e9 aquecido a altas temperaturas (como ao assar um p\u00e3o), ocorre a chamada <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">rea\u00e7\u00e3o de Maillard<\/mark><\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>A <strong>rea\u00e7\u00e3o de Maillard<\/strong> \u00e9 um conjunto de rea\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas respons\u00e1vel pelo aroma, sabor e colora\u00e7\u00e3o dourada caracter\u00edsticos de alimentos como p\u00e3o, caf\u00e9 torrado, chocolate e alimentos ultraprocessados. <strong>Durante esse processo, pequenas quantidades de metilglioxal e outras mol\u00e9culas altamente reativas tamb\u00e9m podem ser formadas<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/07\/29-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-974\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/07\/29-980x551.jpg 980w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/07\/29-480x270.jpg 480w\" sizes=\"(min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) and (max-width: 980px) 980px, (min-width: 981px) 1024px, 100vw\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><mark style=\"background-color:#ffffff\" class=\"has-inline-color has-cyan-bluish-gray-color\">Alimentos com colora\u00e7\u00e3o dourada t\u00edpica da rea\u00e7\u00e3o de Maillard (fonte: Canva) e a mol\u00e9cula do metilglioxal, composto formado nesse processo.<\/mark><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Isso n\u00e3o significa que esses alimentos sejam necessariamente prejudiciais ou que devam ser evitados. O pr\u00f3prio pesquisador faz essa ressalva. \u201cEu acredito que pessoas saud\u00e1veis consigam lidar melhor com essa exposi\u00e7\u00e3o. A principal preocupa\u00e7\u00e3o continua sendo o paciente diab\u00e9tico, principalmente aquele que j\u00e1 apresenta hiperglicemia persistente. A\u00ed voc\u00ea soma a produ\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio organismo com uma poss\u00edvel ingest\u00e3o alimentar elevada.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Essa \u00e9 justamente a pergunta que o mestrado de Clarissa busca responder: <strong>ser\u00e1 que o consumo cr\u00f4nico de metilglioxal presente na dieta pode agravar as altera\u00e7\u00f5es urin\u00e1rias j\u00e1 provocadas pelo diabetes?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Se a hip\u00f3tese se confirmar, a pesquisa poder\u00e1 ampliar o entendimento sobre como alimenta\u00e7\u00e3o e metabolismo interagem no desenvolvimento dessas complica\u00e7\u00f5es, abrindo novas perspectivas tanto para a preven\u00e7\u00e3o quanto para o tratamento.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-vivid-cyan-blue-color has-text-color has-link-color has-large-font-size wp-elements-2737d8792e23e4ba39ceb94401beec87\">As perguntas que ainda n\u00e3o t\u00eam resposta<\/h2>\n\n\n\n<p>Embora os estudos do laborat\u00f3rio tenham avan\u00e7ado na compreens\u00e3o do papel do metilglioxal em diferentes complica\u00e7\u00f5es do diabetes, muitas perguntas continuam em aberto. E, para o Prof. Edson, s\u00e3o justamente esses mist\u00e9rios que tornam a pesquisa cient\u00edfica t\u00e3o fascinante.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das quest\u00f5es que mais desperta sua curiosidade envolve uma aparente contradi\u00e7\u00e3o observada h\u00e1 d\u00e9cadas por m\u00e9dicos e pesquisadores. <strong>Sabe-se que o diabetes tipo 2, frequentemente associado \u00e0 obesidade, aumenta o risco de desenvolver asma e agrava a doen\u00e7a. No entanto, o mesmo n\u00e3o parece acontecer com o diabetes tipo 1.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cExiste uma observa\u00e7\u00e3o muito interessante. O indiv\u00edduo com diabetes tipo 1 praticamente n\u00e3o desenvolve asma. H\u00e1 muitos anos essa observa\u00e7\u00e3o cl\u00ednica chama a aten\u00e7\u00e3o dos pesquisadores\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>O fen\u00f4meno tamb\u00e9m aparece nos modelos experimentais. Mesmo apresentando n\u00edveis elevados de glicose no sangue, animais com diabetes tipo 1 n\u00e3o desenvolvem a mesma resposta inflamat\u00f3ria pulmonar observada nos modelos de diabetes tipo 2.<\/p>\n\n\n\n<p>O mais intrigante \u00e9 que ambos os tipos de diabetes apresentam hiperglicemia, condi\u00e7\u00e3o que favorece a forma\u00e7\u00e3o de metilglioxal. Se essa mol\u00e9cula realmente participa do agravamento da asma, por que os dois tipos de diabetes se comportam de forma t\u00e3o diferente?<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEssa \u00e9 uma pergunta para a qual ainda n\u00e3o temos resposta\u201d, admite o Prof. Edson. <strong>Uma das hip\u00f3teses \u00e9 que a diferen\u00e7a esteja relacionada \u00e0 insulina<\/strong>. Enquanto o diabetes tipo 2 \u00e9 marcado pela resist\u00eancia \u00e0 a\u00e7\u00e3o desse horm\u00f4nio, o diabetes tipo 1 ocorre porque o organismo praticamente deixa de produzi-lo. No entanto, como esses fatores interagem para influenciar a inflama\u00e7\u00e3o pulmonar ainda permanece um mist\u00e9rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Talvez entender por que o diabetes tipo 1 parece proteger contra a asma possa revelar mecanismos biol\u00f3gicos ainda desconhecidos e, no futuro, apontar novos caminhos para prevenir ou tratar a doen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-vivid-cyan-blue-color has-text-color has-link-color has-large-font-size wp-elements-474515d9467ecf559ff5b2c2dc890e9e\">A curiosidade que move a ci\u00eancia<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Al\u00e9m de responder perguntas, para o Prof. Edson a pesquisa \u00e9 uma forma constante de criar novas perguntas.<\/strong> \u00c9 isso que o faz entrar motivado no laborat\u00f3rio todos os dias ao longo de d\u00e9cadas de carreira.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cCada dia \u00e9 uma surpresa. Todo resultado experimental pode mostrar algo completamente inesperado. E, quando isso acontece, imediatamente nasce uma nova pergunta. Voc\u00ea quer entender o que existe por tr\u00e1s daquele fen\u00f4meno biol\u00f3gico.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Essa curiosidade, segundo ele, nunca diminuiu. Pelo contr\u00e1rio. \u201cEu realmente sou viciado em fazer perguntas\u201d, diz, sorrindo. \u201cAinda entro no laborat\u00f3rio e pergunto para os alunos: \u2018Voc\u00ea j\u00e1 terminou o experimento?\u2019. Se eles respondem que sim, eu j\u00e1 quero um spoiler do resultado. Esperar o gr\u00e1fico ficar pronto demora demais.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Talvez seja justamente essa inquieta\u00e7\u00e3o que explique sua trajet\u00f3ria. Em uma carreira marcada por <mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\"><strong>\u201cpequenas marcas em diferentes \u00e1reas\u201d<\/strong><\/mark>, cada resposta encontrada parece servir menos como um ponto final e mais como o <strong><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">in\u00edcio da pr\u00f3xima investiga\u00e7\u00e3o.<\/mark><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-white-color has-black-background-color has-text-color has-background has-link-color wp-elements-25a3bb756cc0549956c85de4a1f2322e\">As pesquisas divulgadas nessa mat\u00e9ria contaram com financiamento FAPESP (processos n\u00ba 23\/09353-5, 24\/03508-0, 24\/10306-4 e 25\/10412-1).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-light-green-cyan-background-color has-text-color has-background has-link-color wp-elements-99675a0056e6a7d02dbeba932fcf3e4d\">A presente mat\u00e9ria foi realizada com apoio da Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo (FAPESP), Brasil. Processo n\u00ba 25\/17158-3. As opini\u00f5es, hip\u00f3teses e conclus\u00f5es ou recomenda\u00e7\u00f5es expressas neste material s\u00e3o de responsabilidade do(s) autor(es) e n\u00e3o necessariamente refletem a vis\u00e3o da FAPESP.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-large-font-size\">Para saber mais:<\/h2>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/24204674\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Primeiro trabalho sobre metformina contra asma na obesidade<\/a> (doi: 10.1371\/journal.pone.0076786)<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/32007798\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Primeira publica\u00e7\u00e3o do grupo sobre metilglioxal nas vias a\u00e9reas<\/a> (doi: 10.1016\/j.intimp.2020.106254)<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/32317986\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Primeira publica\u00e7\u00e3o do grupo sobre metilglioxal na bexiga<\/a> (doi: 10.3389\/fphys.2020.00290)<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/repositorio.unicamp.br\/acervo\/detalhe\/1390282?guid=1783356611215&amp;returnUrl=%2fresultado%2flistar%3fguid%3d1783356611215%26quantidadePaginas%3d1%26codigoRegistro%3d1390282%231390282&amp;i=2\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/repositorio.unicamp.br\/acervo\/detalhe\/1390282?guid=1783356611215&amp;returnUrl=%2fresultado%2flistar%3fguid%3d1783356611215%26quantidadePaginas%3d1%26codigoRegistro%3d1390282%231390282&amp;i=2\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Metilglioxal na resposta inflamat\u00f3ria pulmonar al\u00e9rgica e n\u00e3o al\u00e9rgica<\/a> (Tese do Dr. Matheus)<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/repositorio.unicamp.br\/acervo\/detalhe\/1374803?guid=1783356596649&amp;returnUrl=%2fresultado%2flistar%3fguid%3d1783356596649%26quantidadePaginas%3d1%26codigoRegistro%3d1374803%231374803&amp;i=1\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Metilglioxal na fun\u00e7\u00e3o miccional<\/a> (Tese da Dra. \u00c1kila)<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/pmc.ncbi.nlm.nih.gov\/articles\/PMC8648108\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Via metilglioxa-AGE-RAGE nas vias a\u00e9reas<\/a> (doi: 10.2147\/JIR.S337115)<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/37560771\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Via metilglioxal-AGE-RAGE na disfun\u00e7\u00e3o miccional da obesidade<\/a> (doi: 10.1152\/ajprenal.00089.2023)<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/34516950\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Metformina contra a disfun\u00e7\u00e3o miccional induzida pelo metilglioxal<\/a> (doi: 10.1016\/j.ejphar.2021.174502)<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/37298498\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Metformina contra o efeitos do metilglioxal nas vias a\u00e9reas<\/a> (doi: 10.3390\/ijms24119549)<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.mdpi.com\/2076-3921\/14\/7\/793\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Azeliragon contra a disfun\u00e7\u00e3o miccional induzida pelo metilglioxal<\/a> (doi: 10.3390\/antiox14070793)<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/40565216\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Empagliflozin contra o efeitos do metilglioxal nas vias a\u00e9reas<\/a> (doi: 10.3390\/ijms26125753)<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading eplus-wrapper has-vivid-green-cyan-color has-text-color has-link-color has-large-font-size wp-elements-533c596946ce414f90d84d5d6ba5c407\"><mark style=\"background-color:#ffffff\" class=\"has-inline-color has-vivid-green-cyan-color\">Autoria:<\/mark><\/h2>\n\n\n<div class=\"wp-block-image eplus-wrapper\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/02\/Design-sem-nome-3-1024x1024.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-258\" style=\"width:150px\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/02\/Design-sem-nome-3-980x980.png 980w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/02\/Design-sem-nome-3-480x480.png 480w\" sizes=\"(min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) and (max-width: 980px) 980px, (min-width: 981px) 1024px, 100vw\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"has-text-align-center eplus-wrapper\"><strong><mark style=\"background-color:#ffffff\" class=\"has-inline-color has-vivid-green-cyan-color\">Mia Schezaro Ramos<\/mark><\/strong><br><mark style=\"background-color:#ffffff\" class=\"has-inline-color has-vivid-green-cyan-color\">Farmac\u00eautica. Doutora em Farmacologia. Jornalista cient\u00edfica, ilustradora, trans, nintendista, kpopeira e dependente de exerc\u00edcio f\u00edsico para n\u00e3o pirar<\/mark><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como o metilglioxal pode conectar obesidade, diabetes, asma e disfun\u00e7\u00e3o da bexiga? Nesta entrevista, o Prof. Edson Antunes explica como essa mol\u00e9cula pode agravar complica\u00e7\u00f5es do diabetes e abrir caminho para novas estrat\u00e9gias terap\u00eauticas e pesquisas em farmacologia.<\/p>\n","protected":false},"author":776,"featured_media":969,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","_eb_attr":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[19,20],"tags":[192,56,194,193,191,86],"class_list":["post-961","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-portugues","category-pesquisa","tag-asma","tag-diabetes","tag-farmacologia","tag-inflamacao","tag-metilglioxal","tag-obesidade"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-content\/uploads\/sites\/303\/2026\/07\/24.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/961","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-json\/wp\/v2\/users\/776"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=961"}],"version-history":[{"count":12,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/961\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":997,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/961\/revisions\/997"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-json\/wp\/v2\/media\/969"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=961"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=961"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/farmacoemfoco\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=961"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}