{"id":129,"date":"2016-12-01T12:17:21","date_gmt":"2016-12-01T14:17:21","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/?p=129"},"modified":"2016-12-01T12:17:22","modified_gmt":"2016-12-01T14:17:22","slug":"sera-que-ortopedistas-tratam-pacientes-como-tratariam-si-mesmos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/2016\/12\/01\/sera-que-ortopedistas-tratam-pacientes-como-tratariam-si-mesmos\/","title":{"rendered":"Ser\u00e1 que ortopedistas tratam pacientes como tratariam a si mesmos?"},"content":{"rendered":"<p>Um estudo feito na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, mostrou que os ortopedistas s\u00e3o muito mais agressivos ao indicar cirurgias para seus pacientes do que seriam para indic\u00e1-las para si mesmos, diante do mesmo diagn\u00f3stico e \u00a0mesma gravidade (1).<\/p>\n<p>A pesquisa foi feita com 254 m\u00e9dicos especialistas em cirurgia da m\u00e3o e membro superior. Eles receberam 21 casos fict\u00edcios de problemas ortop\u00e9dicos comuns, onde haveria a possibilidade de escolher entre o tratamento sem cirurgia ou com cirurgia. N\u00e3o eram casos onde a cirurgia seria obrigat\u00f3ria, portanto. Isto \u00e9 relativamente comum na ortopedia. Muitas fraturas podem ser tratadas com gesso ou com pinos. Da mesma forma, problemas cr\u00f4nicos em tend\u00f5es ou articula\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m podem ser tratdos das duas maneiras.<\/p>\n<p>Para cada caso, eles tinham que responder duas perguntas: primeiro, se indicariam cirurgia ou tratamento conservador (sem cirurgia); segundo, numa escala de zero a dez, o quanto confiante eles estavam sobre esta decis\u00e3o. Por exemplo, se eu indicar uma cirurgia e tiver certeza que \u00e9 a melhor escolha, ent\u00e3o daria nota 10. Se eu estiver totalmente em d\u00favida, daria nota 0. S\u00f3 que metade dos m\u00e9dicos tinham que responder se indicariam a cirurgia para seus pacientes, enquanto a outra metade tinha que responder se indicariam a cirurgia para eles mesmos.<\/p>\n<p>Diante dos mesmos casos, 44,2% dos m\u00e9dicos indicariam cirurgia para o paciente, mas s\u00f3 38,5% indicariam a mesma cirurgia caso o problema fosse com eles mesmos.<\/p>\n<p>Por outro lado, os m\u00e9dicos ficaram muito mais confiantes ao indicar o tratamento para si mesmos (a nota m\u00e9dia foi 7,9), do que para indicar o tratamento para seus pacientes (nota m\u00e9dia de 7,5). Para quem entende de estat\u00edstica, todas estas diferen\u00e7as foram significativas.<\/p>\n<p>O que isso significa? Os autores da pesquisa argumentam que este resultado destaca a import\u00e2ncia da mudan\u00e7a de paradigma no setor de cuidados de sa\u00fade (healthcare) para um modelo de <span style=\"color: #ff0000\"><strong>decis\u00e3o compartilhada<\/strong><\/span>.<\/p>\n<p>No modelo centrado na decis\u00e3o m\u00e9dica, tamb\u00e9m conhecido como <span style=\"color: #ff0000\"><strong>modelo paternalista<\/strong><\/span>, o profissional toma a decis\u00e3o sozinho, acreditando que o paciente escolheria a mesma coisa se tivesse o mesmo n\u00edvel de conhecimento. Isso pode n\u00e3o ser verdade, j\u00e1 que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel para o m\u00e9dico entender completamente todas as dores, emo\u00e7\u00f5es e anseios daquela pessoa espec\u00edfica.<\/p>\n<p>Muita gente n\u00e3o sabe, mas n\u00e3o e\u00b4um desrespeito fazer perguntas para o m\u00e9dico. Um dos pilares da \u00e9tica m\u00e9dica atual \u00e9 o chamado\u00a0<strong><span style=\"color: #ff0000\">princ\u00edpio da autonomia<\/span><\/strong>. A pessoa tem o direito de participar da escolha de seu tratamento, sendo informada n\u00e3o s\u00f3 sobre os benef\u00edcios, mas principalmente sobre riscos e alternativas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Verdadeiro portanto o velho ad\u00e1gio: &#8220;em casa de ferreiro, o espeto \u00e9 de pau&#8221;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Imagem: pixabay.com<\/p>\n<p>Refer\u00eancia:<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/pmc\/articles\/PMC4586191\/?platform=hootsuite\" target=\"_blank\">(1)Janssen SJ, Teunis T, Guitton TG, Ring D, Science of Variation Group. Do Surgeons Treat Their Patients Like They Would Treat Themselves? Clinical Orthopaedics and Related Research. 2015;473(11):3564-3572. doi:10.1007\/s11999-015-4304-z.<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um estudo feito na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, mostrou que os ortopedistas s\u00e3o muito mais agressivos ao indicar<\/p>\n","protected":false},"author":157,"featured_media":131,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[11],"tags":[23,22,18],"class_list":["post-129","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-etica","tag-cirurgia","tag-etica","tag-ortopedia"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-content\/uploads\/sites\/99\/2016\/11\/aid-1807543__340.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/129","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/157"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=129"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/129\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":132,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/129\/revisions\/132"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/131"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=129"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=129"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=129"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}