{"id":146,"date":"2017-01-16T03:16:51","date_gmt":"2017-01-16T05:16:51","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/?p=146"},"modified":"2017-01-16T03:16:52","modified_gmt":"2017-01-16T05:16:52","slug":"minha-filha-tem-perna-torta-parte-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/2017\/01\/16\/minha-filha-tem-perna-torta-parte-1\/","title":{"rendered":"Minha filha tem perna torta? (Parte 1)"},"content":{"rendered":"<p>As deformidades dos membros inferiores, principalmente as que envolvem os joelhos, s\u00e3o muito comuns e sempre acompanhadas de muita pol\u00eamica. Al\u00e9m da dificuldade em saber o que \u00e9 normal e o que pode causar problemas, existem muitos tratamentos que n\u00e3o funcionam sendo amplamente usados.<\/p>\n<p>Uma vizinha uma vez me abordou no parquinho do condom\u00ednio, sabendo que eu sou ortopedista, para perguntar se eu achava que sua filha tinha pernas tortas. Essa \u00e9 uma d\u00favida frequente para os pais. O que fazer?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Diagn\u00f3stico correto<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A primeira provid\u00eancia \u00e9 fazer o diagn\u00f3stico correto. Como saber se as pernas s\u00e3o tortas? O ideal \u00e9 procurar um ortopedista, mas j\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel ter uma ideia observando o paciente em p\u00e9, de frente.<\/p>\n<p>A figura 1 mostra os dois tipos de pernas tortas:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Joelho Valgo<\/strong>: tamb\u00e9m conhecido como joelho em X. O termo valgo vem do latim e significa algo que se desvia para fora. Quando a pessoa encosta um joelho no outro, as pernas est\u00e3o tortas para fora, fazendo com que a pessoa n\u00e3o consiga encostar um tornozelo no outro;<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Joelho Varo<\/strong>: conhecido como joelho arqueado ou joelho de cowboy. A palavra varo vem do latim e significa algo que se desvia para dentro. Ao encostar um tornozelo no outro, sobra um espa\u00e7o entre os joelhos.<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_148\" aria-describedby=\"caption-attachment-148\" style=\"width: 640px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-148 size-large\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-content\/uploads\/sites\/99\/2017\/01\/Fotolia_117898197_Subscription_Monthly_M-1024x920.jpg\" width=\"640\" height=\"575\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-content\/uploads\/sites\/99\/2017\/01\/Fotolia_117898197_Subscription_Monthly_M-1024x920.jpg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-content\/uploads\/sites\/99\/2017\/01\/Fotolia_117898197_Subscription_Monthly_M-300x270.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-content\/uploads\/sites\/99\/2017\/01\/Fotolia_117898197_Subscription_Monthly_M-768x690.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-content\/uploads\/sites\/99\/2017\/01\/Fotolia_117898197_Subscription_Monthly_M.jpg 1454w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-148\" class=\"wp-caption-text\">Figura 1: Olhando de frente, existem dois tipos de deformidade: joelho valgo (valgus) e joelho varo (varus). Fonte: Fotolia.<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O diagn\u00f3stico \u00e9 feito pelo exame cl\u00ednico. Para garantir maior precis\u00e3o, pode ser tra\u00e7ada uma linha que vai do centro do quadril ao centro do tornozelo, chamada EIXO MEC\u00c2NICO DO MEMBRO INFERIOR. Essa linha \u00e9 tra\u00e7ada em um RX especial, chamado <strong>radiografia panor\u00e2mica dos membros inferiores, <\/strong>pedido por um m\u00e9dico. O paciente fica em p\u00e9 e \u00e9 feita uma radiografia num filme bem longo, capaz de mostrar a perna toda, desde o quadril at\u00e9 o tornozelo. O m\u00e9dico encontra o centro do quadril, depois o centro do tornozelo e tra\u00e7a uma linha ligando esses dois pontos. Ent\u00e3o observa onde ela passa no joelho. Tem que passar no centro ou pr\u00f3ximo dele. Se a linha passar na parte interna do joelho, temos uma deformidade em varo. Se ela passar na parte de fora, temos uma deformidade em valgo (figura 2).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_153\" aria-describedby=\"caption-attachment-153\" style=\"width: 640px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-153 size-large\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-content\/uploads\/sites\/99\/2017\/01\/pernas-tortas-1024x724.jpg\" width=\"640\" height=\"453\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-content\/uploads\/sites\/99\/2017\/01\/pernas-tortas-1024x724.jpg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-content\/uploads\/sites\/99\/2017\/01\/pernas-tortas-300x212.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-content\/uploads\/sites\/99\/2017\/01\/pernas-tortas-768x543.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-content\/uploads\/sites\/99\/2017\/01\/pernas-tortas-382x270.jpg 382w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-153\" class=\"wp-caption-text\">Figura 2: Na primeira foto, uma adolescente com joelho valgo sim\u00e9trico, leve, sem dor. O Eixo Mec\u00e2nico (linha vermelha) passa do lado de fora do joelho. Na outra foto, uma senhora com joelho varo grave causado pela osteoartrite. Note que a deformidade \u00e9 assim\u00e9trica e a paciente tinha muita dor e dificuldade para se movimentar. O Eixo Mec\u00e2nico passa do lado de dentro do joelho. Fonte: arquivo pessoal do autor.<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A segunda provid\u00eancia \u00e9 determinar se essa deformidade \u00e9 normal, ou seja, uma caracter\u00edstica daquela pessoa e que n\u00e3o lhe causar\u00e1 nenhum mal. Portanto n\u00e3o precisa e n\u00e3o deve ser tratada. Em geral, as deformidades constitucionais apresentam as seguintes caracter\u00edsticas:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ul>\n<li>Os dois lados s\u00e3o sim\u00e9tricos. T\u00eam o mesmo grau de deformidade;<\/li>\n<li>A deformidade \u00e9 leve;<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>N\u00e3o causa dor. Na verdade a pessoa n\u00e3o sente nada, s\u00f3 percebe que existe uma quest\u00e3o est\u00e9tica;<\/li>\n<li>N\u00e3o atrapalha a fun\u00e7\u00e3o do membro, ou seja, a crian\u00e7a consegue brincar e fazer esportes normalmente;<\/li>\n<li>A posi\u00e7\u00e3o das pernas n\u00e3o \u00e9 igual a vida toda. <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Muda com o crescimento<\/strong><\/span>. Todos os beb\u00eas nascem com deformidade em varo. Isso \u00e9 normal. Com cerca de 2 anos de idade, em geral ocorre uma invers\u00e3o tempor\u00e1ria. Os joelhos ficam em valgo. Isso costuma durar at\u00e9 os 6 ou 7 anos de idade, quando a\u00ed sim as pernas atingem o alinhamento pr\u00f3ximo do definitivo.<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Se a deformidade for assim\u00e9trica (graus diferentes de cada lado, ou at\u00e9 mesmo um lado varo e o outro valgo), se causa dor ou se atrapalha as atividades, ent\u00e3o \u00e9 preciso investigar causas patol\u00f3gicas. As mais comuns s\u00e3o:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ul>\n<li>Doen\u00e7as do desenvolvimento: a mais comum se chama Doen\u00e7a de Blount;<\/li>\n<li>Doen\u00e7as metab\u00f3licas, como o raquitismo;<\/li>\n<li>Doen\u00e7as gen\u00e9ticas, como as displasias \u00f3sseas;<\/li>\n<li>Reumatismos e Osteoartrite;<\/li>\n<li>Traumatismos<\/li>\n<li>Infec\u00e7\u00f5es<\/li>\n<li>Hemofilia<\/li>\n<li>Doen\u00e7as raras<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Este diagn\u00f3stico \u00e9 feito pelo especialista e foge do objetivo deste blog.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Feito o diagn\u00f3stico correto, \u00e9 preciso avaliar a necessidade e o tipo de tratamento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Tratamento adequado<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Geralmente, as deformidades constitucionais n\u00e3o precisam ser tratadas. Um engano muito comum \u00e9 os pais levarem a crian\u00e7a pequena com joelho em X no m\u00e9dico. O m\u00e9dico, para acalmar a ansiedade dos pais prescreve <strong>talas e \u00f3rteses corretivas, que al\u00e9m de caras, s\u00e3o comprovadamente ineficazes<\/strong>. O que acontece \u00e9 que, como vimos anteriormente, a deformidade em X tende a diminuir espontaneamente dos 2 aos 6 anos de idade, por causa do crescimento. Os pais podem atribuir erradamente a corre\u00e7\u00e3o da deformidade \u00e0 tala. A confus\u00e3o est\u00e1 armada. \u00c9 frequente encontrar pais que dizem que os filhos tinham pernas tortas e gra\u00e7as ao tratamento com talas, a deformidade foi corrigida. Essa ideia errada se propaga at\u00e9 hoje gra\u00e7as \u00e0 propaganda boca-a-boca.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mesmo as deformidades patol\u00f3gicas nem sempre precisam de tratamento. Quem nunca ouviu falar de Garrincha, \u201co anjo de pernas tortas\u201d. Um dos maiores craques de futebol de todos os tempos, Garrincha tinha uma deformidade chamada <strong>\u201cjoelho em ventania\u201d<\/strong>. O joelho esquerdo era varo e o joelho direito valgo.<\/p>\n<p>No entanto, quando a deformidade \u00e9 muito grave, a ponto de causar dor ou interferir com a atividade da pessoa, o tratamento eficaz, infelizmente, \u00e9 a cirurgia. Existem v\u00e1rios tipos de cirurgias corretivas:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ul>\n<li>Epifisiodeses;<\/li>\n<li>Osteotomias;<\/li>\n<li>Artroplastias;<\/li>\n<li>Artrodeses.<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Vamos tratar disso na pr\u00f3xima postagem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As deformidades dos membros inferiores, principalmente as que envolvem os joelhos, s\u00e3o muito comuns e sempre acompanhadas de muita pol\u00eamica.<\/p>\n","protected":false},"author":157,"featured_media":147,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[29],"tags":[25,30,26,17,32,31],"class_list":["post-146","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cirurgia-do-joelho","tag-artrose","tag-deformidade","tag-dor","tag-joelho","tag-valgo","tag-varo"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-content\/uploads\/sites\/99\/2017\/01\/Fotolia_85069521_Subscription_Monthly_M.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/146","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/157"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=146"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/146\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":154,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/146\/revisions\/154"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/147"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=146"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=146"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=146"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}