{"id":211,"date":"2017-06-16T08:45:23","date_gmt":"2017-06-16T11:45:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/?p=211"},"modified":"2017-06-16T08:58:44","modified_gmt":"2017-06-16T11:58:44","slug":"como-e-feito-o-transplante-de-osso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/2017\/06\/16\/como-e-feito-o-transplante-de-osso\/","title":{"rendered":"Como \u00e9 Feito o Transplante de Osso"},"content":{"rendered":"<p>Pouca gente sabe, mas al\u00e9m dos rins, f\u00edgado e cora\u00e7\u00e3o, \u00e9 poss\u00edvel fazer tamb\u00e9m o transplante de ossos. O osso \u00e9 o segundo tecido mais transplantado no ser humano, perdendo apenas para o sangue (transfus\u00f5es) (1). V\u00e1rias doen\u00e7as podem causar a perda de um peda\u00e7o grande de osso: infec\u00e7\u00f5es (osteomielite), tumores \u00f3sseos de v\u00e1rios tipos, fraturas graves provocadas por acidentes de transito ou tiros de fuzil, pr\u00f3teses de joelho ou quadril gastas, malforma\u00e7\u00f5es cong\u00eanitas, reumatismos, s\u00e3o algumas delas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_212\" aria-describedby=\"caption-attachment-212\" style=\"width: 640px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-212 size-large\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-content\/uploads\/sites\/99\/2017\/06\/IMG_0715-e1497614202526-1024x768.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"480\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-content\/uploads\/sites\/99\/2017\/06\/IMG_0715-e1497614202526-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-content\/uploads\/sites\/99\/2017\/06\/IMG_0715-e1497614202526-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-content\/uploads\/sites\/99\/2017\/06\/IMG_0715-e1497614202526-768x576.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-content\/uploads\/sites\/99\/2017\/06\/IMG_0715-e1497614202526-360x270.jpg 360w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-212\" class=\"wp-caption-text\">Figura: Transplante de osso. T\u00edbia proximal (metade da canela que fica perto do joelho) pronta para ser colocada no paciente. Fonte: arquivo pessoal do autor.<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O osso pode ser obtido de tr\u00eas grandes categorias, de acordo com a sua fonte:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Heter\u00f3logo:<\/strong> osso de outras esp\u00e9cies animais. No s\u00e9culo XVII, um cirurgi\u00e3o chamado Job Van Meekeren tratou uma perda \u00f3ssea no cr\u00e2nio de um soldado russo com osso retirado de um cachorro. Devido \u00e0s altas taxas de complica\u00e7\u00f5es e aos riscos de transmiss\u00e3o de doen\u00e7as, hoje n\u00e3o se faz mais este tipo de transplante;<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Hom\u00f3logo:<\/strong> osso de outro ser humano. Retirar osso de uma pessoa viva para colocar em outra causaria muito preju\u00edzo para o doador. Por isso, \u00e9 feita a retirada de osso de pessoas com morte cerebral que ir\u00e3o doar outros \u00f3rg\u00e3os e tecidos;<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Aut\u00f3logo:<\/strong> osso da pr\u00f3pria pessoa. Neste caso, podemos retirar o osso de um lugar onde far\u00e1 menos falta e coloca-lo em um lugar onde ser\u00e1 mais \u00fatil. Por exemplo, podemos retirar a f\u00edbula (osso mais fino da canela) e us\u00e1-la para reconstruir o f\u00eamur ou o antebra\u00e7o. Em geral, esse tipo de transplante \u00e9 o mais realizado, mas acabamos nos referindo a ele na maioria das vezes como enxerto \u00f3sseo. Acabamos usando o termo transplante de osso para nos referirmos ao transplante hom\u00f3logo, ou seja, tirar osso de uma pessoa e colocar em outra.<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Veja a seguir as etapas para a realiza\u00e7\u00e3o desta cirurgia:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ul>\n<li>Doa\u00e7\u00e3o<\/li>\n<\/ul>\n<p>Tudo come\u00e7a com um ato generosidade e de amor ao pr\u00f3ximo, de uma fam\u00edlia em sofrimento que aceita doar os \u00f3rg\u00e3os de uma pessoa querida que acaba de falecer na unidade de terapia intensiva (UTI). Ent\u00e3o \u00e9 preciso entender que n\u00e3o \u00e9 qualquer pessoa morta que pode doar o osso. Precisa ser uma pessoa jovem, saud\u00e1vel, sem nenhuma doen\u00e7a infecciosa e que est\u00e1 em morte cerebral numa UTI. O cora\u00e7\u00e3o continua batendo e o resto do corpo ainda est\u00e1 vivo. S\u00e3o feitos v\u00e1rios exames para descartar doen\u00e7as contagiosas.<\/p>\n<p>Aqui j\u00e1 temos o primeiro gargalo, porque poucas fam\u00edlias autorizam a doa\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os. Menos ainda a doa\u00e7\u00e3o dos ossos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ul>\n<li>Capta\u00e7\u00e3o<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Uma equipe de ortopedistas com capacita\u00e7\u00e3o espec\u00edfica e autoriza\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade \u00e9 acionada e leva o doador para o centro cir\u00fargico, onde s\u00e3o removidos os ossos longos das pernas e dos bra\u00e7os. A equipe instala no lugar dos ossos removidos implantes feitos de pl\u00e1stico, para n\u00e3o causar deformidades, fechando a pele para que n\u00e3o possam ser vistos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ul>\n<li>Processamento e armazenamento<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio dos outros \u00f3rg\u00e3os, como rim e cora\u00e7\u00e3o, que s\u00e3o implantados imediatamente no receptor para que continuem vivos, o osso removido precisa passar por um tratamento para remover todo o sangue e c\u00e9lulas do doador. Dessa forma, evita-se as rea\u00e7\u00f5es imunol\u00f3gicas de rejei\u00e7\u00e3o. Por isso o paciente que recebe o osso n\u00e3o precisa tomar rem\u00e9dios para baixar a imunidade.<\/p>\n<p>Esse osso \u00e9 medido, embalado e fica congelado at\u00e9 que haja necessidade de uso em um paciente com as mesmas medidas.<\/p>\n<p>Aqui temos o segundo gargalo. Como a estrutura necess\u00e1ria para armazenar esse osso \u00e9 muito cara e a burocracia necess\u00e1ria \u00e9 gigantesca, existem pouqu\u00edssimos bancos de tecidos musculoesquel\u00e9ticos no Brasil. Muitos fecharam as portas nas \u00faltimas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ul>\n<li>Implanta\u00e7\u00e3o<\/li>\n<\/ul>\n<p>Identificado um paciente com necessidade de osso, \u00e9 feito o contato com o banco de tecidos. Se as medidas forem compat\u00edveis, o osso \u00e9 transportado congelado at\u00e9 o hospital que far\u00e1 o implante. A cirurgia precisa ser feita em condi\u00e7\u00f5es rigoros\u00edssimas de limpeza e assepsia, para evitar infec\u00e7\u00f5es. Depois de implantado, o osso est\u00e1 \u201cmorto\u201d, sem sangue e sem c\u00e9lulas. O osso vizinho, do paciente, precisa se unir a ele e a partir da\u00ed ocorre um processo chamado <strong>\u201cintegra\u00e7\u00e3o<\/strong>\u201d.<\/p>\n<p>O osso \u00e9 um tecido vivo, em constante remodela\u00e7\u00e3o. Osso velho \u00e9 removido e osso novo depositado diariamente, por um conjunto de c\u00e9lulas chamado \u201c<strong>osteon\u201d<\/strong>. Uma c\u00e9lulas grande, o o<strong>steoclasto<\/strong>, vais na frente retirando o osso velho e um grande numero de c\u00e9lulas chamadas <strong>osteoblastos<\/strong> v\u00e3o atr\u00e1s depositando osso novo. Isso ocorre o tempo todo e nem percebemos. Se isto der errado, temos doen\u00e7as como a osteoporose e as fraturas de estresse.<\/p>\n<p>No processo de integra\u00e7\u00e3o, os osteons do paciente entram no osso do doador e v\u00e3o trocando ele por osso novo, vivo e com sangue. No final, ap\u00f3s alguns anos, o osso passa a ser povoado por c\u00e9lulas do pr\u00f3prio paciente. Se isso n\u00e3o acontecer, teremos a fratura ou a infec\u00e7\u00e3o daquele osso morto e o paciente perde o transplante.<\/p>\n<p>O Hospital de Cl\u00ednicas da UNICAMP \u00e9 referencia em transplante de \u00f3rg\u00e3os, sendo a institui\u00e7\u00e3o com maior n\u00famero de transplantes no interior do estado de S\u00e3o Paulo. No ano de 2016 foram realizados 351 transplantes, um n\u00famero recorde desde que os transplantes come\u00e7aram a ser realizados em 1984 na institui\u00e7\u00e3o. O HC realiza tamb\u00e9m o transplante de ossos. Atualmente o Departamento de Ortopedia e Traumatologia conta com uma equipe de m\u00e9dicos cadastrados para realizar o procedimento, mas por enquanto o osso precisa vir de outras institui\u00e7\u00f5es, por que ainda n\u00e3o existe um banco de tecidos musculoesquel\u00e9ticos na institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Refer\u00eancias<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.intechopen.com\/books\/bone-grafting\/introduction1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.intechopen.com\/books\/bone-grafting\/introduction1<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/sp\/campinas-regiao\/jornal-da-eptv\/videos\/v\/unicamp-realiza-numero-recorde-de-transplantes-em-2016-com-350-cirurgias\/5729015\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/g1.globo.com\/sp\/campinas-regiao\/jornal-da-eptv\/videos\/v\/unicamp-realiza-numero-recorde-de-transplantes-em-2016-com-350-cirurgias\/5729015\/<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pouca gente sabe, mas al\u00e9m dos rins, f\u00edgado e cora\u00e7\u00e3o, \u00e9 poss\u00edvel fazer tamb\u00e9m o transplante de ossos. O osso<\/p>\n","protected":false},"author":157,"featured_media":212,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","_monsterinsights_skip_tracking":false,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[13],"tags":[23,20,18,36,52],"class_list":["post-211","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-medicina-regenerativa","tag-cirurgia","tag-medicina","tag-ortopedia","tag-osso","tag-transplante"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-content\/uploads\/sites\/99\/2017\/06\/IMG_0715-e1497614202526.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/211","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/157"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=211"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/211\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":219,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/211\/revisions\/219"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/212"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=211"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=211"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=211"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}