{"id":242,"date":"2017-07-17T14:34:02","date_gmt":"2017-07-17T17:34:02","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/?p=242"},"modified":"2017-07-18T17:07:19","modified_gmt":"2017-07-18T20:07:19","slug":"cirurgia-do-ligamento-cruzado-anterior","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/2017\/07\/17\/cirurgia-do-ligamento-cruzado-anterior\/","title":{"rendered":"A Cirurgia do Ligamento Cruzado Anterior"},"content":{"rendered":"<p>A ruptura do Ligamento Cruzado Anterior (LCA) \u00e9 uma das les\u00f5es mais comuns do joelho, principalmente por causa do aumento da pr\u00e1tica de atividades esportivas que envolvem movimentos de dribles e saltos, tais como o futebol, o voleibol, artes marciais e skate. Particularmente no m\u00eas de Julho, muitos brasileiros se d\u00e3o mal nas esta\u00e7\u00f5es de esqui sul-americanas. \u00a0O joelho \u00e9 uma articula\u00e7\u00e3o que depende dos ligamentos para ficar est\u00e1vel, j\u00e1 que n\u00e3o tem uma boa congru\u00eancia \u00f3ssea (figura 1). Em consequ\u00eancia, a falta de um ligamento pode provocar sintomas de instabilidade, com tor\u00e7\u00f5es repetidas que lesionam progressivamente os meniscos e a cartilagem, geralmente progredindo para artrose, a principal causa de dor cr\u00f4nica articular em adultos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_244\" aria-describedby=\"caption-attachment-244\" style=\"width: 346px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-244 size-full\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-content\/uploads\/sites\/99\/2017\/07\/Fotolia_68450141_XS.jpg\" alt=\"\" width=\"346\" height=\"346\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-content\/uploads\/sites\/99\/2017\/07\/Fotolia_68450141_XS.jpg 346w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-content\/uploads\/sites\/99\/2017\/07\/Fotolia_68450141_XS-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-content\/uploads\/sites\/99\/2017\/07\/Fotolia_68450141_XS-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-content\/uploads\/sites\/99\/2017\/07\/Fotolia_68450141_XS-270x270.jpg 270w\" sizes=\"(max-width: 346px) 100vw, 346px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-244\" class=\"wp-caption-text\">Figura 1: Esquema do joelho, mostrando os quatro principais ligamentos respons\u00e1veis pela estabilidade da articula\u00e7\u00e3o. Por fora, os COLATERAIS, um de cada lado, conhecidos pelas siglas LCM (ligamento colateral medial) e LCL (ligamento colateral lateral). Por dentro, os CRUZADOS, o LCA (ligamento cruzado anterior) na frente e o LCP (ligamento cruzado posterior) atr\u00e1s dele.<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt\"><strong>Como saber se voc\u00ea rompeu o LCA?<\/strong><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O diagn\u00f3stico \u00e9 feito sempre por um m\u00e9dico ortopedista, mas d\u00e1 para voc\u00ea j\u00e1 ter uma ideia pelo jeito que se machucou (mecanismo de trauma) e pelos sintomas. A maneira mais comum para lesar o LCA \u00e9 atrav\u00e9s da tor\u00e7\u00e3o do joelho. Muitas vezes, a pessoa escuta um forte estalo no joelho e a dor \u00e9 imediata e muito intensa, fazendo com que o paciente caia no ch\u00e3o e n\u00e3o consiga mais prosseguir com a atividade que estava fazendo. \u00c9 dif\u00edcil at\u00e9 para andar.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, se voc\u00ea torceu mas conseguiu continuar jogando, \u00e9 menos prov\u00e1vel que tenha rompido o LCA.<\/p>\n<p>Outro sintoma \u00e9 o incha\u00e7o, que geralmente aparece nas primeiras horas depois da tor\u00e7\u00e3o. Algumas pessoas referem falseio no joelho ao tentar andar, ou seja, sentem que o joelho est\u00e1 \u201csolto\u201d, parece que ao pisar ele vai sair do lugar.<\/p>\n<p>Se voc\u00ea torceu o joelho e est\u00e1 com dor, procure um m\u00e9dico. Com essa hist\u00f3ria, o ortopedista vai examinar seu joelho em busca de sinais da les\u00e3o, que s\u00e3o muito claros para o profissional. Em geral, s\u00e3o pedidos dois exames complementares: a radiografia, para avaliar a parte \u00f3ssea; a resson\u00e2ncia magn\u00e9tica, para avaliar o ligamento, os meniscos e a cartilagem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt\"><strong>Toda les\u00e3o do LCA precisa ser tratada com cirurgia?<\/strong><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00e3o. Nas primeiras duas semanas ap\u00f3s a les\u00e3o, precisa ser feito um tratamento de fisioterapia para tratar a inflama\u00e7\u00e3o causada pela les\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 recomendado fazer a cirurgia neste per\u00edodo por causa do risco de rigidez articular causada pela inflama\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s as primeiras duas semanas, a primeira pergunta \u00e9: voc\u00ea quer continuar a praticar esportes com dribles e saltos? Se a resposta for sim, o mais prudente \u00e9 fazer a cirurgia de reconstru\u00e7\u00e3o do LCA.<\/p>\n<p>Se a resposta for n\u00e3o, a segunda pergunta \u00e9 se existem les\u00f5es associadas, como menisco, outros ligamentos ou fraturas. Se sim, pode ser necess\u00e1ria a cirurgia.<\/p>\n<p>Se novamente a resposta for n\u00e3o, ent\u00e3o \u00e9 recomendado iniciar um programa de fisioterapia espec\u00edfico, que dura de 3 a 6 meses. Durante e ap\u00f3s esse per\u00edodo, o paciente \u00e9 monitorado para saber se est\u00e1 tendo falseios. Se estiver bem, n\u00e3o precisa da cirurgia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt\"><strong>Como \u00e9 feita a cirurgia?<\/strong><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Existem muitas maneiras de operar, mas a mais comum \u00e9 a realiza\u00e7\u00e3o da cirurgia com v\u00eddeo artroscopia, sem necessidade de abrir a articula\u00e7\u00e3o. \u00c9 preciso retirar um tend\u00e3o da parte posterior do joelho, que faz pouca falta para o organismo em compara\u00e7\u00e3o com o LCA. Este tend\u00e3o ir\u00e1 ser transplantado para dentro do joelho e o corpo ir\u00e1 transform\u00e1-lo em um novo ligamento, um processo chamado <strong>\u201cligamentiza\u00e7\u00e3o do enxerto\u201d<\/strong>. Isto demora cerca de 1 ano. O enxerto precisa ficar preso no osso com parafusos, at\u00e9 que ele grude definitivamente, um processo chamado <strong>\u201cintegra\u00e7\u00e3o do enxerto\u201d<\/strong>, que dura em geral 3 meses. Como esses parafusos s\u00e3o feitos de materiais biocompat\u00edveis, eles podem ficar a vida toda e n\u00e3o precisam ser retirados. Entender esses processos biol\u00f3gicos \u00e9 importante para entender as decis\u00f5es tomadas durante a reabilita\u00e7\u00e3o p\u00f3s-cir\u00fargica.<\/p>\n<p>\u00c0 seguir, um v\u00eddeo demonstra o passo-a-passo da cirurgia, da maneira como fazemos com maior frequ\u00eancia no Hospital de Cl\u00ednicas da UNICAMP:<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=2qPQ9J4GCPY&amp;t=103s\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">&lt;iframe width=&#8221;854&#8243; height=&#8221;480&#8243; src=&#8221;https:\/\/www.youtube.com\/embed\/2qPQ9J4GCPY?ecver=1&#8243; frameborder=&#8221;0&#8243; allowfullscreen&gt;&lt;\/iframe&gt;<\/a><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt\"><strong>E depois, como \u00e9 a recupera\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/span><\/p>\n<p>Em geral, a alta hospitalar ocorre no dia seguinte da cirurgia.<\/p>\n<p>O paciente pode movimentar o joelho e pode inclusive pisar no ch\u00e3o, a menos que tenha havido algum outro procedimento associado durante a cirurgia, como por exemplo uma sutura do menisco. A reabilita\u00e7\u00e3o descrita aqui \u00e9 para a cirurgia da les\u00e3o isolada do LCA. \u00c9 importante sempre seguir a reabilita\u00e7\u00e3o individualmente prescrita para cada paciente pelo cirurgi\u00e3o.<\/p>\n<p>Nas primeiras semanas, o principal objetivo \u00e9 combater o incha\u00e7o e \u201cacordar o quadr\u00edceps\u201d. O quadr\u00edceps \u00e9 o m\u00fasculo da coxa que estica a perna (faz a extens\u00e3o do joelho). A tend\u00eancia natural de todo mam\u00edfero \u00e9 manter o joelho dobrado, como mecanismo de prote\u00e7\u00e3o. Isso diminui a dor e evita a pisada. S\u00f3 que o ser humano \u00e9 um animal b\u00edpede e precisa muito da extens\u00e3o completa do joelho para andar. Por isso, mesmo com dor, \u00e9 preciso lutar contra essa tend\u00eancia de dobrar o joelho e mant\u00ea-lo a maior parte do tempo completamente esticado.<\/p>\n<p>Durante seis semanas, o joelho costuma doer e ficar inchado, ent\u00e3o nessa fase \u00e9 dif\u00edcil fazer atividades como dirigir, andar, subir escadas. Depois da sexta semana, o joelho j\u00e1 est\u00e1 bem melhor e d\u00e1 para come\u00e7ar o fortalecimento.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o fortalecimento, vir\u00e3o exerc\u00edcios de equil\u00edbrio e coordena\u00e7\u00e3o motora (exerc\u00edcios de propriocep\u00e7\u00e3o), depois exerc\u00edcios de movimentos explosivos (pliom\u00e9tricos) e depois o treinamento funcional dos gestos esportivos.<\/p>\n<p>Antes de ter alta e retornar ao esporte, existe uma avalia\u00e7\u00e3o espec\u00edfica, feita pelo fisioterapeuta, que servir\u00e1 de subs\u00eddio para a decis\u00e3o final, que \u00e9 do ortopedista que fez a cirurgia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Saiba mais em <a href=\"http:\/\/www.joelhounicamp.com.br\">www.joelhounicamp.com.br<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A ruptura do Ligamento Cruzado Anterior (LCA) \u00e9 uma das les\u00f5es mais comuns do joelho, principalmente por causa do aumento<\/p>\n","protected":false},"author":157,"featured_media":243,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[29],"tags":[23,17,54,18],"class_list":["post-242","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cirurgia-do-joelho","tag-cirurgia","tag-joelho","tag-ligamento","tag-ortopedia"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-content\/uploads\/sites\/99\/2017\/07\/LCA.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/242","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/157"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=242"}],"version-history":[{"count":9,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/242\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":253,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/242\/revisions\/253"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/243"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=242"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=242"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=242"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}