{"id":280,"date":"2017-11-07T23:21:41","date_gmt":"2017-11-08T01:21:41","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/?p=280"},"modified":"2017-11-07T23:21:42","modified_gmt":"2017-11-08T01:21:42","slug":"salvem-os-meniscos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/2017\/11\/07\/salvem-os-meniscos\/","title":{"rendered":"Salvem os Meniscos!"},"content":{"rendered":"<p>O menisco \u00e9 uma estrutura anat\u00f4mica muito importante para a sa\u00fade do joelho. Formado por fibrocartilagem, ele promove congru\u00eancia, estabilidade, absor\u00e7\u00e3o de impacto e ajuda na distribui\u00e7\u00e3o do l\u00edquido sinovial.<\/p>\n<p>Les\u00f5es do menisco s\u00e3o a causa mais frequente de cirurgia do joelho. Existem basicamente dois grandes grupos de les\u00f5es meniscais: as traum\u00e1ticas e as degenerativas.<\/p>\n<figure id=\"attachment_282\" aria-describedby=\"caption-attachment-282\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-282 size-medium\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-content\/uploads\/sites\/99\/2017\/11\/Slide1-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-content\/uploads\/sites\/99\/2017\/11\/Slide1-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-content\/uploads\/sites\/99\/2017\/11\/Slide1-360x270.jpg 360w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-content\/uploads\/sites\/99\/2017\/11\/Slide1.jpg 720w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-282\" class=\"wp-caption-text\">Figura 1: Os meniscos medial e lateral.(1) menisco medial; (2) menisco lateral. O f\u00eamur deste joelho de cad\u00e1ver foi removido, expondo os dois meniscos, que ficam presos na t\u00edbia. O menisco medial \u00e9 maior, mas recobre uma por\u00e7\u00e3o menor da t\u00edbia. J\u00e1 o menisco lateral, apesar de menor, recobre uma por\u00e7\u00e3o maior da t\u00edbia. Por isso a retirada do menisco lateral causa maior dano e maior risco de desenvolver artrose. Fonte: Smigielsky et al. Medial meniscos anatomy &#8211; from basic science to treatment. KSSTA 2015, 23:8-14.<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong><span style=\"color: #ff0000\">\u00c9 consenso que as les\u00f5es traum\u00e1ticas devem ser tratadas cirurgicamente, enquanto as degenerativas n\u00e3o requerem cirurgia.<\/span><\/strong> At\u00e9 h\u00e1 algumas d\u00e9cadas atr\u00e1s, a cirurgia para tratar les\u00f5es traum\u00e1ticas do menisco consistia na remo\u00e7\u00e3o, chamada Meniscectomia. Com a observa\u00e7\u00e3o de que estes pacientes meniscectomizados evolu\u00edam invariavelmente para um quadro de osteoartrite (OA) precoce do joelho, hoje os tratamentos buscam a preserva\u00e7\u00e3o dos meniscos.<\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000\"><strong>A principal forma de preservar o menisco \u00e9 atrav\u00e9s da sutura.<\/strong> <\/span>O paciente ideal para sutura do menisco deve ser jovem, com les\u00e3o traum\u00e1tica, aguda (menos de tr\u00eas semanas de les\u00e3o), longitudinal, inst\u00e1vel e na zona perif\u00e9rica vascularizada junto \u00e0 c\u00e1psula articular. Entretanto, tais condi\u00e7\u00f5es s\u00e3o pouco frequentes na pr\u00e1tica cl\u00ednica. Principalmente porque nos servi\u00e7os p\u00fablicos, o paciente frequentemente j\u00e1 chega com mais de tr\u00eas semanas no hospital. Al\u00e9m disso, mesmo nestas condi\u00e7\u00f5es, a chance de insucesso \u00e9 alta, ao redor de 30%, levando a necessidade de nova cirurgia para remo\u00e7\u00e3o de parte do menisco, com grande demora na recupera\u00e7\u00e3o do paciente, o que faz com que muitos pacientes prefiram a remo\u00e7\u00e3o de parte do menisco logo na primeira cirurgia.<\/p>\n<figure id=\"attachment_283\" aria-describedby=\"caption-attachment-283\" style=\"width: 720px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-283\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-content\/uploads\/sites\/99\/2017\/11\/Slide2.jpg\" alt=\"\" width=\"720\" height=\"540\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-content\/uploads\/sites\/99\/2017\/11\/Slide2.jpg 720w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-content\/uploads\/sites\/99\/2017\/11\/Slide2-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-content\/uploads\/sites\/99\/2017\/11\/Slide2-360x270.jpg 360w\" sizes=\"(max-width: 720px) 100vw, 720px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-283\" class=\"wp-caption-text\">Figura 2: Nesta vis\u00e3o aproximada de um joelho de cad\u00e1ver, podemos ver como o menisco medial (MM) se encaixa entre o f\u00eamur e a t\u00edbia, como se fosse um cal\u00e7o. ACL = Ligamento cruzado anterior; MFC = condigo medial do f\u00eamur. Fonte:\u00a0Smigielsky et al. Medial meniscos anatomy &#8211; from basic science to treatment. KSSTA 2015, 23:8-14.<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por esta raz\u00e3o, <strong><span style=\"color: #ff0000\">formas de melhorar a cicatriza\u00e7\u00e3o do menisco atrav\u00e9s de est\u00edmulos biol\u00f3gicos tem sido buscadas e podem aumentar a quantidade de pacientes beneficiados com a sutura meniscal.<\/span><\/strong> Por ser uma fibrocartilagem, a cicatriza\u00e7\u00e3o do menisco \u00e9 limitada. Somente a parte perif\u00e9rica recebe suprimento sangu\u00edneo adequado, proveniente da c\u00e1psula articular. Esta regi\u00e3o \u00e9 chamada de zona vermelha do menisco. Sem sangue n\u00e3o h\u00e1 forma\u00e7\u00e3o de tecido cicatricial. Nas les\u00f5es com mais de tr\u00eas semanas de evolu\u00e7\u00e3o ou nas localizadas fora da zona vermelha, uma forma de estimular a cicatriza\u00e7\u00e3o \u00e9 fazer perfura\u00e7\u00f5es do menisco para a c\u00e1psula, tentando fazer o sangramento chegar at\u00e9 a les\u00e3o. Este procedimento enfraquece o menisco e tem grande risco de les\u00e3o de estruturas neuro-vasculares. J\u00e1 est\u00e1 bem documentado que pacientes submetidos a reconstru\u00e7\u00e3o do ligamento cruzado anterior concomitante com a sutura meniscal tem melhor evolu\u00e7\u00e3o. Acredita-se que a perfura\u00e7\u00e3o dos t\u00faneis \u00f3sseos necess\u00e1ria para a reconstru\u00e7\u00e3o do ligamento, promova a entrada de sangue da medula \u00f3ssea rico em c\u00e9lulas mesenquimais, que funcionaria como est\u00edmulo biol\u00f3gico.<\/p>\n<figure id=\"attachment_284\" aria-describedby=\"caption-attachment-284\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-284 size-medium\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-content\/uploads\/sites\/99\/2017\/11\/Slide3-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-content\/uploads\/sites\/99\/2017\/11\/Slide3-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-content\/uploads\/sites\/99\/2017\/11\/Slide3-360x270.jpg 360w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-content\/uploads\/sites\/99\/2017\/11\/Slide3.jpg 720w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-284\" class=\"wp-caption-text\">Figura 3: Menisco medial seccionado, mostrando o formato triangular. A parte mais perif\u00e9rica, em contato com a c\u00e1psula articular, recebe sangue e tem boa chance de cicatriza\u00e7\u00e3o. J\u00e1 a parte mais interna e mais fina n\u00e3o tem sangue e cicatriza mal. Fonte:Smigielsky et al. Medial meniscos anatomy &#8211; from basic science to treatment. KSSTA 2015, 23:8-14.<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Recentemente, tem sido descrito na literatura, estudos em animais e estudos cl\u00ednicos em humanos, com a aplica\u00e7\u00e3o de inje\u00e7\u00e3o articular de c\u00e9lulas mesenquimais obtidas de diversas fontes (medula \u00f3ssea, sin\u00f3via, gordura), com a inten\u00e7\u00e3o de estimular a cicatriza\u00e7\u00e3o das les\u00f5es meniscais submetidas a sutura. O problema \u00e9 que grande parte das c\u00e9lulas \u00e9 perdida na articula\u00e7\u00e3o por dispers\u00e3o. S\u00f3 uma fra\u00e7\u00e3o ir\u00e1 aderir no local da les\u00e3o. Uma forma de contornar este problema \u00e9 semear as c\u00e9lulas em uma membrana porosa e suturar esta membrana na les\u00e3o. Esta estrat\u00e9gia tamb\u00e9m apresenta problemas, porque \u00e9 necess\u00e1rio ressecar um peda\u00e7o do menisco para colocar membrana em seu lugar.<\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>Foi desenvolvida na UNICAMP uma t\u00e9cnica in\u00e9dita e inovadora para promover a ades\u00e3o de c\u00e9lulas mesenquimais em fios de sutura. Esta t\u00e9cnica j\u00e1 foi usada com sucesso em modelo animal para fechamento de f\u00edstula \u00eantero-cut\u00e2nea e foi aprovada para uso em estudos cl\u00ednicos em humanos. Acreditamos que esta t\u00e9cnica \u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o elegante e inovadora para o problema do est\u00edmulo da cicatriza\u00e7\u00e3o no menisco, porque ir\u00e1 promover a fixa\u00e7\u00e3o das c\u00e9lulas na les\u00e3o, sem necessidade de ressec\u00e7\u00e3o do menisco.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O menisco \u00e9 uma estrutura anat\u00f4mica muito importante para a sa\u00fade do joelho. 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