{"id":397,"date":"2019-02-04T15:53:08","date_gmt":"2019-02-04T17:53:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/?p=397"},"modified":"2019-02-04T15:53:11","modified_gmt":"2019-02-04T17:53:11","slug":"o-exame-de-sangue-para-detectar-artrose-e-lesoes-da-cartilagem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/2019\/02\/04\/o-exame-de-sangue-para-detectar-artrose-e-lesoes-da-cartilagem\/","title":{"rendered":"O Exame de Sangue para Detectar Artrose e Les\u00f5es da Cartilagem"},"content":{"rendered":"\n<p>Um grande n\u00famero de pesquisadores est\u00e1 envolvido na busca por um exame de sangue ou de urina capaz de ser usado como marcador da artrose, uma doen\u00e7a que afeta as cartilagens do corpo e \u00e9 a causa mais frequente de dor articular em adultos. A descoberta de uma mol\u00e9cula que possa ser dosada nos l\u00edquidos corporais e que tenha rela\u00e7\u00e3o com a artrose pode acelerar a descoberta de medicamentos mais eficazes e possivelmente at\u00e9 a cura para esta doen\u00e7a.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>A cartilagem articular \u00e9 um tecido esbranqui\u00e7ado, que recobre a extremidade do osso dentro da articula\u00e7\u00e3o. Ela serve para amortecer os impactos e facilitar o deslizamento com menor atrito. A cartilagem \u00e9 formada basicamente por \u00e1gua, que fica retida em uma matriz extracelular formada por col\u00e1geno e outras prote\u00ednas. Essa matriz \u00e9 produzida e mantida por c\u00e9lulas especializadas chamadas condr\u00f3citos. A integridade dessa matriz \u00e9 fundamental para a sa\u00fade da articula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Muitas doen\u00e7as e traumatismos podem levar a morte dos condr\u00f3citos e consequente desestrutura\u00e7\u00e3o da matriz. Dentre elas, a osteoartrite, tamb\u00e9m chamada de artrose, \u00e9 a mais prevalente. Os joelhos s\u00e3o as articula\u00e7\u00f5es mais afetadas e a quantidade de pessoas com o problema explode ap\u00f3s os 60 anos de idade, conforme o gr\u00e1fico abaixo.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<figure id=\"attachment_398\" aria-describedby=\"caption-attachment-398\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-398 size-medium\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-content\/uploads\/sites\/99\/2019\/02\/nihms193462f1-300x213.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"213\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-content\/uploads\/sites\/99\/2019\/02\/nihms193462f1-300x213.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-content\/uploads\/sites\/99\/2019\/02\/nihms193462f1-768x545.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-content\/uploads\/sites\/99\/2019\/02\/nihms193462f1-380x270.jpg 380w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-content\/uploads\/sites\/99\/2019\/02\/nihms193462f1.jpg 800w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-398\" class=\"wp-caption-text\">Figura: Preval\u00eancia de artrose por faixa et\u00e1ria. <a href=\"https:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/pmc\/articles\/PMC2920533\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Zhang et al. 2010.<\/a><\/figcaption><\/figure>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>A artrose n\u00e3o tem cura.<\/strong> Todos os tratamentos dispon\u00edveis atualmente s\u00e3o paliativos, inclusive os cir\u00fargicos. Apesar dos intensos esfor\u00e7os e do dinheiro aplicado em pesquisas, para o paciente os resultados destas pesquisas s\u00e3o frustrantes.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Os pesquisadores colocam a culpa na falta de crit\u00e9rios claros para defini\u00e7\u00e3o do diagn\u00f3stico. O que fica cada vez mais claro \u00e9 que a artrose n\u00e3o \u00e9 uma doen\u00e7a, mas um grupo heterog\u00eaneo de doen\u00e7as que tem como caracter\u00edstica algumas altera\u00e7\u00f5es radiogr\u00e1ficas t\u00edpicas: oste\u00f3fitos, pin\u00e7amento articular, esclerose do osso subcondral e forma\u00e7\u00e3o de cistos.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Por isso existe um grande interesse na descoberta de um biomarcador capaz de fazer o diagn\u00f3stico de subtipos de artrose e capaz de ser usado para identificar a progress\u00e3o da doen\u00e7a ou a resposta a novos tratamentos.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>O marcador ideal deve ter 3 propriedades:<\/p>\n<ul>\n<li>ser espec\u00edfico para a doen\u00e7a<\/li>\n<li>ser sens\u00edvel para detectar varia\u00e7\u00f5es na intensidade da doen\u00e7a<\/li>\n<li>ter acur\u00e1cia para os desfechos cl\u00ednicos mais importantes, como por exemplo, prever se determinado paciente ir\u00e1 precisar de uma pr\u00f3tese no futuro.<\/li>\n<\/ul>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Infelizmente, apesar das dezenas de mol\u00e9culas estudadas, nenhuma parece nem perto de apresentar todas estas propriedades. Por outro lado, a utiliza\u00e7\u00e3o de diversos marcadores ao mesmo tempo talvez seja uma estrat\u00e9gia mais promissora.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Podemos dividir as mol\u00e9culas candidatas a marcadores da cartilagem de acordo com sua rela\u00e7\u00e3o com os principais constituintes da matriz extracelular:<\/p>\n<ul>\n<li>metabolismo do col\u00e1geno tipo 2<\/li>\n<\/ul>\n<p>O col\u00e1geno tipo 2 s\u00f3 existe na cartilagem articular. Na pele, no osso e nos tend\u00f5es, o col\u00e1geno \u00e9 do tipo 1. Por isso, detectar peda\u00e7os de col\u00e1geno 2 parece uma boa ideia para saber como est\u00e1 a cartilagem. Saindo da matriz extracelular, os peda\u00e7os v\u00e3o para o l\u00edquido sinovial, de onde s\u00e3o absorvidos pela membrana sinovial e chegam at\u00e9 o sangue, sendo no final excretados na urina. Alguns peda\u00e7os aparecem quando o col\u00e1geno 2 est\u00e1 sendo destru\u00eddo (catabolismo): <strong>CTX-2, C2C, ColCEQ, Helix-2<\/strong>. Outros aparecem quando o col\u00e1geno 2 est\u00e1 sendo constru\u00eddo (anabolismo): <strong>P2CP, P2ANP<\/strong> .\u00a0<\/p>\n<ul>\n<li>metabolismo dos proteoglicanos<\/li>\n<\/ul>\n<p>O principal proteoglicano \u00e9 o agrecano. Diversos anticorpos monoclonais est\u00e3o sendo produzidos para detectar fragmentos de Sulfato de Condroitina (7d4, 3b3, cs846); Sulfato de queratan (5d4); Agrecanases (Oa1, Bc3, bc-14)<\/p>\n<ul>\n<li>metabolismo de outras prote\u00ednas<\/li>\n<\/ul>\n<p>COMP, ancorina, fibronectina, trombospondina.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, na artrose, al\u00e9m dos marcadores da cartilagem, tamb\u00e9m podemos associar os marcadores do metabolismo \u00f3sseo e os marcadores inflamat\u00f3rios.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>O desenvolvimento das ci\u00eancias \u00f4micas (gen\u00f4mica, transcript\u00f4mica, prote\u00f4mica, metabol\u00f4mica), que surgiram com o Projeto Genoma Humano, surge como uma nova esperan\u00e7a, pois permite o mapeamento de milhares de mol\u00e9culas ao mesmo tempo. Desta forma, o n\u00famero de publica\u00e7\u00f5es sobre um biomarcador da artrose vem aumentando a cada ano. A descoberta deste marcador parece uma quest\u00e3o de tempo. Pouco tempo. Quem sabe isto possa revolucionar a busca por terapias mais eficazes para quem tem dores articulares.<\/p>\n<p>Saiba mais:<\/p>\n<ol>\n<li><a href=\"https:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/pubmed\/20488735\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Garvican<\/a> et al 2010<\/li>\n<li>Garvican et al 2010<\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/pubmed\/30552966\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Hosnijeh<\/a>\u00a0et al 2018<\/li>\n<\/ol>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":157,"featured_media":278,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","_monsterinsights_skip_tracking":false,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[14],"tags":[25,15,17,27],"class_list":["post-397","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-medicina-translacional","tag-artrose","tag-cartilagem","tag-joelho","tag-osteoartrite"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-content\/uploads\/sites\/99\/2017\/10\/Fotolia_103106807_XS.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/397","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/157"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=397"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/397\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":400,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/397\/revisions\/400"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/278"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=397"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=397"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=397"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}