{"id":575,"date":"2021-10-14T13:11:54","date_gmt":"2021-10-14T16:11:54","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/?p=575"},"modified":"2021-10-14T13:11:56","modified_gmt":"2021-10-14T16:11:56","slug":"o-que-fazer-e-o-que-nao-fazer-nas-lesoes-da-cartilagem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/2021\/10\/14\/o-que-fazer-e-o-que-nao-fazer-nas-lesoes-da-cartilagem\/","title":{"rendered":"O Que Fazer e O Que N\u00e3o Fazer nas Les\u00f5es da Cartilagem"},"content":{"rendered":"\n<p>Muitas pessoas se queixam de uma dor chata no joelho, que piora quando desce degraus ou faz algum tipo de esfor\u00e7o. A dor melhora ou desaparece com o repouso, por isso a pessoa demora para buscar ajuda. Essa dor pode ser o sintoma de uma les\u00e3o na cartilagem. Les\u00f5es da cartilagem n\u00e3o tratadas podem evoluir e aumentar de tamanho. A boa not\u00edcia \u00e9 que a chegada no Brasil de produtos como a membrana e o hidrogel de col\u00e1geno tem melhorado muito o tratamento destas les\u00f5es.<\/p>\n<p>Les\u00f5es da cartilagem articular representam um desafio cl\u00ednico muito importante na ortopedia. A alta preval\u00eancia de les\u00f5es e a falta de capacidade de cura espont\u00e2nea do tecido deixa uma popula\u00e7\u00e3o de pessoas relativamente jovens e saud\u00e1veis expostas ao risco de <strong><u>desenvolver artrose precocemente<\/u><\/strong>.(1)<\/p>\n<p>Os procedimentos artrosc\u00f3picos revelam a presen\u00e7a de les\u00f5es condrais em mais de 60% dos pacientes com queixas nos joelhos (2,3) e as taxas de <strong><u>incid\u00eancia anual de les\u00f5es condrais quase triplicaram entre 1996 e 2011<\/u><\/strong>.(4)<\/p>\n<p>Ainda existe muito desconhecimento sobre o tratamento das les\u00f5es da cartilagem. O tratamento mais usado \u00e9 a osteocondroplastia realizada por artroscopia, que consiste na simples remo\u00e7\u00e3o de peda\u00e7os soltos de cartilagem. A famosa \u201craspagem\u201d. Embora isso forne\u00e7a al\u00edvio sintom\u00e1tico de curto prazo, a cartilagem restante \u00e9 mais suscet\u00edvel ao desgaste e degenera\u00e7\u00e3o. <strong><u>Comprovadamente esta t\u00e9cnica n\u00e3o funciona e deveria ser evitada.<\/u><\/strong><\/p>\n<p>Outra interven\u00e7\u00e3o comum \u00e9 a microfratura, que envolve a perfura\u00e7\u00e3o do osso que fica embaixo da cartilagem, chamado osso subcondral, para permitir o sangramento e a forma\u00e7\u00e3o de um co\u00e1gulo de medula \u00f3ssea para preencher o defeito. Esta abordagem resulta na forma\u00e7\u00e3o de tecido de fibrocartilagem mecanicamente inferior. O al\u00edvio \u00e9 apenas tempor\u00e1rio e pior que isso, a agress\u00e3o ao osso piora o risco de artrose. (5,6) Mais recentemente, tentou-se produzir furos menores,\u00a0 a chamada nanofratura, mas o resultado \u00e9 o mesmo. <strong><u>A agress\u00e3o ao osso subcondral deve ser evitada. <\/u><\/strong><\/p>\n<p><strong><u>\u00a0<\/u><\/strong>O transplante aut\u00f3logo osteocondral (OATs), \u00e9 um transplante aberto de cartilagem da pr\u00f3pria pessoa para ela mesma. Nesse procedimento, plugues osteocondrais (peda\u00e7os de osso com cartilagem) s\u00e3o colhidos de \u00e1reas mais perif\u00e9ricas da articula\u00e7\u00e3o e transferidos para o defeito, ou seja, tira da beirada e coloca no centro. Contudo, esta cartilagem transplantada pode causar morbidade na \u00e1rea doadora, pode n\u00e3o se integrar bem com a cartilagem existente. (7) O uso do OATs \u00e9 limitado a les\u00f5es pequenas e profundas, com les\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 da cartilagem mas tamb\u00e9m do osso, o que \u00e9 pouco comum.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o o que fazer?<\/p>\n<p>O m\u00e9todo mais atual e que vem ganhando a preferencia dos especialistas em cartilagem, utiliza t\u00e9cnicas de medicina regenerativa e engenharia de tecidos, que estimulam a produ\u00e7\u00e3o de cartilagem pelo pr\u00f3prio corpo do paciente. Baseadas no uso de \u201cscaffolds\u201d que sustentam c\u00e9lulas, s\u00e3o um campo f\u00e9rtil de pesquisas e publica\u00e7\u00f5es. Na pr\u00e1tica, atualmente temos duas op\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis no Brasil para uso nos pacientes:<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<ul>\n<li><strong><u>Membrana de col\u00e1geno (Chondrogide\u2122, da empresa su\u00ed\u00e7a Geistilich):<\/u><\/strong> muito vers\u00e1til, no in\u00edcio era indicada junto com as micro ou nanofraturas do osso subcondral, para reter o co\u00e1gulo proveniente da medula \u00f3ssea. Essa t\u00e9cnica ficou conhecida como AMIC. Atualmente, para evitar o dano ao osso subcondral, muitos especialistas tem preferido n\u00e3o fazer a micro\/nanofratura. \u00c9 poss\u00edvel adicionar c\u00e9lulas atrav\u00e9s de procedimentos simples como o BMA (Bone Marrow Aspirate) ou atrav\u00e9s do kit Lipogens (gordura microfraturada). O uso de cartilagem triturada (minced cartilage) \u00e9 uma alternativa nova que vem dando bons resultados.\u00a0<\/li>\n<\/ul>\n<p>\u00a0<\/p>\n<ul>\n<li><strong><u>Hidrogel de col\u00e1geno (CaReS-1S\u2122, da empresa austr\u00edaca Arthro Kinetics):<\/u><\/strong> a vantagem deste produto \u00e9 que ele utiliza a migra\u00e7\u00e3o celular dos condr\u00f3citos da borda da les\u00e3o, n\u00e3o necessitando micro\/nanofraturas nem adi\u00e7\u00e3o de outras fontes celulares.<\/li>\n<\/ul>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Existem ainda pesquisas utilizando fontes celulares como condr\u00f3citos ou c\u00e9lulas-tronco purificados e expandidos em laborat\u00f3rio, mas estes produtos por enquanto n\u00e3o est\u00e3o dispon\u00edveis para uso cl\u00ednico. Devido ao custo elevado, vem sendo questionado se um dia poder\u00e3o ser vi\u00e1veis para uso cl\u00ednico de rotina. Principalmente porque os resultados da membrana e do hidrogel tem sido muito bons.<\/p>\n<p>Nas pr\u00f3ximas postagens vou abordar de forma mais aprofundada cada uma destas t\u00e9cnicas.<\/p>\n<p>Referencias:<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<ol>\n<li>Smith, G. D., Knutsen, G. &amp; Richardson, J. B. &amp; of Orthopaedics Robert Jones, P. A clinical review of cartilage repair techniques. J. Bone Jt. Surg. 87, 445\u2013449 (2005).<\/li>\n<li>Curl, W. W. et al. Cartilage injuries: a review of 31,516 knee arthroscopies. Arthroscopy 13, 456\u2013460 (1997).<\/li>\n<li>Widuchowski, W., Widuchowski, J. &amp; Trzaska, T. Articular cartilage defects: study of 25,124 knee arthroscopies. Knee 14, 177\u2013182 (2007).<\/li>\n<li>Mor, A. et al. Trends in arthroscopy-documented cartilage injuries of the knee and repair procedures among 15-60-year-old patients. Scand. J. Med. Sci. Sport. 25, e400\u2013e407 (2015).<\/li>\n<li>Gomoll, A. Microfracture and augments. J. Knee Surg. 25, 009\u2013016 (2012).<\/li>\n<li>Carey, J. L. Fibrocartilage following microfracture is not as robust as native articular cartilage. J. Bone Jt. Surg.-Am. 94, e80\u2013e81 (2012).<\/li>\n<li>Devitt, B. M., Bell, S. W., Webster, K. E., Feller, J. A. &amp; Whitehead, T. S. Surgical treatments of cartilage defects of the knee: systematic review of randomized controlled trials. Knee (2017).<\/li>\n<\/ol>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Saiba mais:\u00a0<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/2017\/05\/13\/cartilagem-articular-principios-tratamento-cirurgico\/\">https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/2017\/05\/13\/cartilagem-articular-principios-tratamento-cirurgico\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/2019\/08\/24\/transplante-de-condrocitos-25-anos-em-busca-da-regeneracao-da-cartilagem\/\">https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/2019\/08\/24\/transplante-de-condrocitos-25-anos-em-busca-da-regeneracao-da-cartilagem\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/2017\/08\/29\/anatomia-aplicada-protese-de-joelho\/\">https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/2017\/08\/29\/anatomia-aplicada-protese-de-joelho\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/2017\/06\/28\/implante-autologo-de-condrocitos\/\">https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/2017\/06\/28\/implante-autologo-de-condrocitos\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/2017\/04\/13\/artrose-tambem-pode-aparecer-em-jovens\/\">https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/2017\/04\/13\/artrose-tambem-pode-aparecer-em-jovens\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/2016\/11\/14\/podemos-recompor-cartilagem-do-joelho-com-celulas-tronco-da-propria-pessoa\/\">https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/2016\/11\/14\/podemos-recompor-cartilagem-do-joelho-com-celulas-tronco-da-propria-pessoa\/<\/a><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Muitas pessoas se queixam de uma dor chata no joelho, que piora quando desce degraus ou faz algum tipo de esfor\u00e7o. A dor melhora ou desaparece com o repouso, por isso a pessoa demora para buscar ajuda. Essa dor pode ser o sintoma de uma les\u00e3o na cartilagem. Les\u00f5es da cartilagem n\u00e3o tratadas podem evoluir e aumentar de tamanho. A boa not\u00edcia \u00e9 que a chegada no Brasil de produtos como a membrana e o hidrogel de col\u00e1geno tem melhorado muito o tratamento destas les\u00f5es. <\/p>\n","protected":false},"author":157,"featured_media":581,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","_monsterinsights_skip_tracking":false,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[29,13],"tags":[25,15,23,26],"class_list":["post-575","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cirurgia-do-joelho","category-medicina-regenerativa","tag-artrose","tag-cartilagem","tag-cirurgia","tag-dor"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-content\/uploads\/sites\/99\/2021\/10\/07EB7921-75FF-4EDA-8C44-95E9D6540469.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/575","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/157"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=575"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/575\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":579,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/575\/revisions\/579"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/581"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=575"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=575"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=575"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}