{"id":607,"date":"2023-03-05T18:52:29","date_gmt":"2023-03-05T21:52:29","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/?p=607"},"modified":"2023-03-05T18:52:30","modified_gmt":"2023-03-05T21:52:30","slug":"8-fatores-de-risco-para-ter-artrose-no-joelho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/2023\/03\/05\/8-fatores-de-risco-para-ter-artrose-no-joelho\/","title":{"rendered":"8 Fatores de Risco para Ter Artrose no Joelho."},"content":{"rendered":"\n<p>A artrose (tamb\u00e9m chamada de osteoartrite) \u00e9 uma doen\u00e7a degenerativa que afeta a cartilagem articular, a sin\u00f3via e os ossos adjacentes. Os joelhos s\u00e3o as articula\u00e7\u00f5es mais frequentemente afetadas, mas a doen\u00e7a pode ser sist\u00eamica ou pode atingir muitas outras articula\u00e7\u00f5es. Na mat\u00e9ria anterior (leia em \u201cA import\u00e2ncia do Diagn\u00f3stico Precoce da Artrose\u201d em <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/tag\/artrose\/\">https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/tag\/artrose\/<\/a>), foi discutido a necessidade de iniciar o tratamento em fases iniciais ou se poss\u00edvel antes mesmo do aparecimento da doen\u00e7a. Para isso \u00e9 necess\u00e1rio saber quem tem mais risco de desenvolver o problema.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span><strong>Mas como saber quem tem risco de ter artrose?<\/strong><span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p>O aparecimento e a progress\u00e3o da artrose de joelho pode ser influenciada por diversos fatores, mas faremos aqui uma lista com os top oito mais conhecidos:<\/p>\n<p>A) Fatores N\u00e3o Modific\u00e1veis:<\/p>\n<ol>\n<li><b>Idade avan\u00e7ada:<\/b> A artrose \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o degenerativa das articula\u00e7\u00f5es que geralmente ocorre com o envelhecimento. Embora a causa exata da artrose n\u00e3o seja completamente compreendida, sabe-se que a idade \u00e9 um dos principais fatores de risco. De acordo com uma revis\u00e3o sistem\u00e1tica de 2006 publicada na revista Journal of Rheumatology, a preval\u00eancia de artrose de joelho em adultos com mais de 40 anos \u00e9 estimada em cerca de 19%, e aumenta para cerca de 37% em adultos com mais de 60 anos, praticamente o dobro. \u00c0 medida que envelhecemos, nossas articula\u00e7\u00f5es passam por mudan\u00e7as naturais, como o desgaste das cartilagens que revestem as extremidades dos ossos (senesc\u00eancia celular dos condr\u00f3citos), a diminui\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de l\u00edquido sinovial (um l\u00edquido que lubrifica as articula\u00e7\u00f5es) e a perda de elasticidade dos ligamentos e tend\u00f5es que ajudam a manter as articula\u00e7\u00f5es est\u00e1veis. Al\u00e9m da perda de for\u00e7a por sarcopenia \u00e9 claro. Essas mudan\u00e7as podem tornar as articula\u00e7\u00f5es mais suscet\u00edveis a danos e les\u00f5es. Al\u00e9m disso, outros fatores de risco associados \u00e0 artrose, como obesidade, les\u00f5es articulares e certas condi\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas, tamb\u00e9m tendem a ser mais comuns em pessoas mais velhas. Portanto, embora a idade avan\u00e7ada por si s\u00f3 n\u00e3o seja a \u00fanica causa da artrose, ela est\u00e1 fortemente associada a um maior risco de desenvolver a condi\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"2\">\n<li><b>Sexo Feminino:<\/b> As mulheres t\u00eam uma maior probabilidade de desenvolver a artrose de joelho do que os homens, especialmente ap\u00f3s a menopausa.A menopausa \u00e9 um per\u00edodo de grandes mudan\u00e7as hormonais na vida de uma mulher. Estudos sugerem que o estrog\u00eanio, um horm\u00f4nio sexual feminino, desempenha um papel importante na manuten\u00e7\u00e3o da sa\u00fade das articula\u00e7\u00f5es. O estrog\u00eanio ajuda a proteger a cartilagem articular, reduzindo a inflama\u00e7\u00e3o e promovendo a produ\u00e7\u00e3o de col\u00e1geno, uma prote\u00edna importante na estrutura da cartilagem. Durante a menopausa, os n\u00edveis de estrog\u00eanio diminuem significativamente, o que pode levar a uma diminui\u00e7\u00e3o na prote\u00e7\u00e3o da cartilagem articular. Al\u00e9m disso, a menopausa tamb\u00e9m est\u00e1 associada a uma s\u00e9rie de outros fatores de risco para a osteoartrite de joelho, incluindo aumento de peso e diminui\u00e7\u00e3o da densidade \u00f3ssea. O aumento de peso coloca uma press\u00e3o extra nas articula\u00e7\u00f5es, enquanto a diminui\u00e7\u00e3o da densidade \u00f3ssea pode tornar os ossos mais suscet\u00edveis a danos e les\u00f5es.<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"3\">\n<li><b>Hist\u00f3rico familiar<\/b>: Se houver casos de artrose de joelho na fam\u00edlia, h\u00e1 uma maior probabilidade de desenvolver a doen\u00e7a. Principalmente a forma sist\u00eamica conhecida como <strong>Osteoartrite Prim\u00e1ria Generalizada<\/strong>, que costuma afetar tamb\u00e9m as m\u00e3os e produzir caro\u00e7os nas articula\u00e7\u00f5es dos dedos, conhecidos como n\u00f3dulos de Heberden e n\u00f3dulos de Bouchard.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span><\/li>\n<\/ol>\n<figure id=\"attachment_608\" aria-describedby=\"caption-attachment-608\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-608 size-vp_md\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-content\/uploads\/sites\/99\/2023\/03\/heberden.001-800x600.jpeg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"600\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-content\/uploads\/sites\/99\/2023\/03\/heberden.001-800x600.jpeg 800w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-content\/uploads\/sites\/99\/2023\/03\/heberden.001-300x225.jpeg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-content\/uploads\/sites\/99\/2023\/03\/heberden.001-768x576.jpeg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-content\/uploads\/sites\/99\/2023\/03\/heberden.001-500x375.jpeg 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-content\/uploads\/sites\/99\/2023\/03\/heberden.001.jpeg 1024w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-608\" class=\"wp-caption-text\">Figura: M\u00e3o com artrose, apresentando os sinais t\u00edpicos &#8211; n\u00f3dulo de Heberden , n\u00f3dulo de Bouchard e Rizartrose na base do polegar (CMC Joint ou em portugu\u00eas, articula\u00e7\u00e3o trap\u00e9zio metac\u00e1rpica).<\/figcaption><\/figure>\n<p>A osteoartrite (OA) \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o multifatorial e estudos gen\u00e9ticos sugerem que v\u00e1rios genes podem estar envolvidos na predisposi\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica \u00e0 doen\u00e7a. Os estudos de gen\u00e9tica identificaram v\u00e1rios genes que parecem estar associados ao risco de OA generalizada, incluindo:<\/p>\n<p>3.1) GDF5: este gene codifica uma prote\u00edna chamada fator de crescimento de diferencia\u00e7\u00e3o 5, que est\u00e1 envolvida na forma\u00e7\u00e3o e regenera\u00e7\u00e3o da cartilagem. As variantes comuns em GDF5 foram associadas a um risco reduzido de OA do joelho e da m\u00e3o, mas um risco aumentado de OA do quadril.<\/p>\n<p>3.2)<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>FRZB: este gene codifica uma prote\u00edna chamada prote\u00edna relacionada a frizzled-b, que desempenha um papel na forma\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o da cartilagem articular. Variantes comuns em FRZB foram associadas a um risco aumentado de OA do joelho.<\/p>\n<p>3.3)<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>ASPN: este gene codifica uma prote\u00edna chamada asprolisina, que est\u00e1 envolvida na forma\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o da cartilagem articular. Variantes em ASPN foram associadas a um risco aumentado de OA do joelho e da m\u00e3o.<\/p>\n<p>3.4) COL2A1: este gene codifica uma prote\u00edna chamada col\u00e1geno tipo II, que \u00e9 um componente importante da cartilagem articular. Variantes raras em COL2A1 foram associadas a um risco aumentado de OA generalizada.<\/p>\n<p>3.5) CALM1: este gene codifica uma prote\u00edna chamada calmodulina, que regula a atividade de v\u00e1rias enzimas envolvidas na forma\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o da cartilagem articular. Variantes em CALM1 foram associadas a um risco aumentado de OA do joelho.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>B) Fatores Modific\u00e1veis:<\/p>\n<ol start=\"4\">\n<li><b>Obesidade:<\/b> Fatores como idade, sexo e hist\u00f3rico familiar n\u00e3o podem ser alterados. Mas aqui come\u00e7amos a falar de fatores ligados principalmente ao estilo de vida e a h\u00e1bitos pouco saud\u00e1veis. Quando uma pessoa est\u00e1 acima do peso, isso coloca uma press\u00e3o adicional sobre as articula\u00e7\u00f5es, especialmente os joelhos, que s\u00e3o respons\u00e1veis por suportar todo o peso do corpo durante atividades como caminhar, subir escadas e correr. Esse estresse extra pode acelerar o desgaste da cartilagem, o que pode levar a uma artrose mais grave e progressiva.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span><\/li>\n<\/ol>\n<p>Al\u00e9m disso, a obesidade tamb\u00e9m pode aumentar a inflama\u00e7\u00e3o nas articula\u00e7\u00f5es, o que pode piorar a dor e a rigidez associadas \u00e0 artrose. A obesidade pode aumentar a inflama\u00e7\u00e3o nas articula\u00e7\u00f5es de v\u00e1rias maneiras. Uma delas \u00e9 atrav\u00e9s da produ\u00e7\u00e3o de <b>adipocinas<\/b>, que s\u00e3o subst\u00e2ncias produzidas pelas c\u00e9lulas adiposas ou de gordura. Algumas adipocinas, como a leptina e o fator de necrose tumoral alfa (TNF-\u03b1), podem aumentar a inflama\u00e7\u00e3o nas articula\u00e7\u00f5es. A <b>leptina<\/b>, por exemplo, \u00e9 um horm\u00f4nio que regula o apetite e o metabolismo, mas tamb\u00e9m pode desencadear uma resposta inflamat\u00f3ria. Em pessoas obesas, a quantidade de leptina produzida pelo tecido adiposo \u00e9 aumentada, o que pode levar a uma inflama\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica e de baixo grau. O <b>TNF-\u03b1<\/b> \u00e9 uma prote\u00edna produzida pelas c\u00e9lulas do sistema imunol\u00f3gico que desempenha um papel importante na regula\u00e7\u00e3o da inflama\u00e7\u00e3o. No entanto, em pessoas obesas, os n\u00edveis de TNF-\u03b1 podem ser aumentados, o que pode levar a uma inflama\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica. Al\u00e9m disso, a obesidade tamb\u00e9m pode aumentar a produ\u00e7\u00e3o de mol\u00e9culas inflamat\u00f3rias, como a <b>interleucina-6 (IL-6)<\/b> e o f<b>ator de necrose tumoral beta (TNF-\u03b2),<\/b> que contribuem para a inflama\u00e7\u00e3o nas articula\u00e7\u00f5es. A <b>inflama\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica<\/b> pode contribuir para a progress\u00e3o da artrose, causando danos \u00e0 cartilagem e levando a sintomas como dor, incha\u00e7o e rigidez nas articula\u00e7\u00f5es. Por isso, \u00e9 importante manter um peso saud\u00e1vel e adotar um estilo de vida ativo para reduzir a inflama\u00e7\u00e3o nas articula\u00e7\u00f5es e prevenir a progress\u00e3o da artrose.A perda de peso pode ajudar a reduzir a press\u00e3o nas articula\u00e7\u00f5es do joelho e diminuir a progress\u00e3o da artrose.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p>Um estudo realizado na Unicamp em 2018 descobriu que h\u00e1 preval\u00eancia de 90,1% de sintomas dolorosos nos pacientes obesos m\u00f3rbidos encaminhados para cirurgia bari\u00e1trica. A preval\u00eancia de osteoartrite dos joelhos nesses obesos foi de 63,1% e a dos quadris foi de 40,8%. Muito acima da popula\u00e7\u00e3o geral.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<ol start=\"5\">\n<li><b>Outras condi\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas:<\/b> Algumas condi\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas podem aumentar o risco de desenvolver a artrose de joelho:<\/li>\n<\/ol>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>5.1) Doen\u00e7as articulares inflamat\u00f3rias: condi\u00e7\u00f5es como artrite reumatoide, gota, pseudogota, artrite psori\u00e1tica, l\u00fapus e hemofilia podem danificar a cartilagem nas articula\u00e7\u00f5es. Embora o padr\u00e3o de destrui\u00e7\u00e3o articular seja distinto, podemos considerar toda destrui\u00e7\u00e3o avan\u00e7ada de uma articula\u00e7\u00e3o como um tipo de artrose secund\u00e1ria.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p>5.2) Diabetes: o diabetes pode aumentar o risco de artrose, possivelmente devido ao aumento do estresse oxidativo nas articula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>5.3) Defici\u00eancias nutricionais: a falta de certos nutrientes, como vitamina D ou c\u00e1lcio, pode aumentar o risco de artrose.<\/p>\n<p>5.4) Hipotireoidismo: O hipotireoidismo \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o na qual a gl\u00e2ndula tireoide n\u00e3o produz horm\u00f4nios suficientes, o que pode levar a v\u00e1rios problemas de sa\u00fade. Um dos efeitos do hipotireoidismo \u00e9 a diminui\u00e7\u00e3o do metabolismo, o que pode afetar a sa\u00fade das cartilagens. Com o hipotireoidismo, a diminui\u00e7\u00e3o do metabolismo reduz a s\u00edntese de col\u00e1geno e proteoglicanos, que s\u00e3o componentes importantes da cartilagem. Al\u00e9m disso, o hipotireoidismo tamb\u00e9m pode levar a um aumento dos n\u00edveis de uma prote\u00edna chamada de metaloproteinases de matriz (MMPs), que s\u00e3o respons\u00e1veis \u200b\u200bpor quebrar a matriz da cartilagem. O aumento dos n\u00edveis de MMPs pode contribuir para a perda de cartilagem e piora dos sintomas da osteoartrite.<\/p>\n<p>5.5) Sarcopenia: \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o m\u00e9dica que se caracteriza pela perda gradual e progressiva da massa muscular e da for\u00e7a muscular relacionada \u00e0 idade. A sarcopenia \u00e9 uma consequ\u00eancia natural do envelhecimento, mas pode ser agravada por fatores como inatividade f\u00edsica, doen\u00e7as cr\u00f4nicas, m\u00e1 alimenta\u00e7\u00e3o, entre outros. A sarcopenia \u00e9 mais comum em pessoas com mais de 50 anos e pode levar a uma s\u00e9rie de complica\u00e7\u00f5es de sa\u00fade, incluindo fraqueza muscular, diminui\u00e7\u00e3o da mobilidade, maior risco de quedas e fraturas, incapacidade de realizar atividades cotidianas e menor qualidade de vida em geral. Falaremos mais sobre a sarcopenia numa pr\u00f3xima mat\u00e9ria que ser\u00e1 publicada em breve.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<ol start=\"6\">\n<li><b>Les\u00f5es articulares anteriores:<\/b> Les\u00f5es no joelho, como fraturas ou rupturas ligamentares, podem aumentar o risco de desenvolver a artrose de joelho no futuro. As les\u00f5es articulares anteriores podem aumentar o risco de artrose por v\u00e1rias raz\u00f5es. Quando uma articula\u00e7\u00e3o \u00e9 lesionada, o tecido da cartilagem que cobre as extremidades dos ossos pode ser danificado, levando a uma perda da sua superf\u00edcie lisa e \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o da sua capacidade de absorver choques. Al\u00e9m disso, a les\u00e3o pode afetar outros componentes da articula\u00e7\u00e3o, como ligamentos, tend\u00f5es e m\u00fasculos, o que pode alterar a biomec\u00e2nica normal da articula\u00e7\u00e3o e aumentar o estresse sobre a cartilagem. A inflama\u00e7\u00e3o que ocorre ap\u00f3s uma les\u00e3o tamb\u00e9m pode contribuir para o risco de artrose. A inflama\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica pode danificar a cartilagem, aumentar a produ\u00e7\u00e3o de enzimas que quebram a cartilagem e diminuir a produ\u00e7\u00e3o de subst\u00e2ncias que a mant\u00eam saud\u00e1vel. Por fim, les\u00f5es articulares anteriores podem levar a instabilidade da articula\u00e7\u00e3o, o que pode aumentar ainda mais o risco de artrose. A instabilidade pode resultar em desgaste excessivo nas superf\u00edcies articulares, desalinhamento dos ossos da articula\u00e7\u00e3o e aumento do estresse sobre a cartilagem. Em resumo, as les\u00f5es articulares anteriores podem aumentar o risco de artrose, tanto por danificar diretamente a cartilagem quanto por alterar a biomec\u00e2nica normal da articula\u00e7\u00e3o e aumentar a inflama\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Dentre as les\u00f5es pr\u00e9vias, devemos destacar a les\u00e3o do ligamento cruzado anterior (LCA), pela sua alta incid\u00eancia. \u00c9 uma das les\u00f5es esportivas mais frequentes e mais conhecidas. Ela pode aumentar significativamente o risco de artrose no joelho. V\u00e1rios estudos t\u00eam sugerido que a les\u00e3o do LCA pode aumentar o risco de artrose em at\u00e9 50% em rela\u00e7\u00e3o a pessoas sem les\u00e3o do LCA.A raz\u00e3o pela qual a les\u00e3o do LCA pode aumentar o risco de artrose \u00e9 que a les\u00e3o pode causar instabilidade na articula\u00e7\u00e3o do joelho, o que pode levar a uma sobrecarga nas superf\u00edcies articulares. A sobrecarga pode desencadear a degenera\u00e7\u00e3o da cartilagem articular, levando eventualmente \u00e0 artrose.Al\u00e9m disso, a les\u00e3o do LCA tamb\u00e9m pode causar les\u00f5es secund\u00e1rias em outras estruturas articulares, como meniscos e cartilagem articular, o que pode contribuir para o desenvolvimento de artrose.\u00c9 importante ressaltar que o risco de artrose ap\u00f3s a les\u00e3o do LCA varia de acordo com diversos fatores, como a idade do paciente, o grau de les\u00e3o do LCA, a presen\u00e7a de outras les\u00f5es associadas e o tratamento realizado ap\u00f3s a les\u00e3o. \u00c9 essencial que as pessoas que sofreram les\u00e3o do LCA procurem um m\u00e9dico especializado para avalia\u00e7\u00e3o e tratamento adequado, a fim de minimizar o risco de complica\u00e7\u00f5es a longo prazo, como a artrose. Tamb\u00e9m \u00e9 importante ressaltar que ainda n\u00e3o foi demonstrado que a cirurgia para reconstru\u00e7\u00e3o do LCA consiga reduzir o risco do aparecimento de artrose.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<ol start=\"7\">\n<li><b>Defeitos anat\u00f4micos:<\/b> Certas deformidades, como joelho varo (pernas arqueadas) ou joelho valgo (joelhos em &#8220;X&#8221;), podem causar distribui\u00e7\u00e3o assim\u00e9trica da carga nas articula\u00e7\u00f5es do joelho e contribuir para a progress\u00e3o da artrose. A displasia da tr\u00f3clea, a patela alta e a lateraliza\u00e7\u00e3o acentuada da tuberosidade da t\u00edbia s\u00e3o deformidades associadas com o desenvolvimento de artrose patelo-femoral e dor na parte da frente do joelho. J\u00e1 falamos um pouco sobre deformidades do joelho na mat\u00e9ria \u201cMinha Filha tem a Perna Torta?&#8221; (Leia em <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/2017\/01\/16\/minha-filha-tem-perna-torta-parte-1\/\">https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/2017\/01\/16\/minha-filha-tem-perna-torta-parte-1\/<\/a>).<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span><\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"8\">\n<li><b>Atividades repetitivas:<\/b> Atividades que exigem movimentos repetitivos do joelho, como agachamentos ou corrida, podem aumentar o risco de desenvolver a artrose de joelho. Principalmente atividades de alto impacto. Entretanto, existe uma atividade repetitiva negligenciada: o trabalho com telas. Hoje em dia as pessoas passam horas sentadas e im\u00f3veis trabalhando em casa ou nos escrit\u00f3rios, com o olhar fixo em uma tela de computador. Absorvidas em seu trabalho, perdem a consci\u00eancia corporal e mantem as articula\u00e7\u00f5es im\u00f3veis em posi\u00e7\u00f5es n\u00e3o funcionais por horas, gerando dores e les\u00f5es cada vez mais prevalentes. O sedentarismo \u00e9 t\u00e3o ou mais vil\u00e3o que as atividades de alto impacto. Al\u00e9m disso, embora o senso comum diga que esportes como a corrida s\u00e3o delet\u00e9rios para as articula\u00e7\u00f5es, a ci\u00eancia n\u00e3o apoia esta vis\u00e3o. Voltaremos a este tema pol\u00eamico na pr\u00f3xima mat\u00e9ria do blog.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span><\/li>\n<\/ol>\n<p>\u00c9 importante destacar que a presen\u00e7a desses fatores de risco n\u00e3o necessariamente leva \u00e0 progress\u00e3o da artrose de joelho. No entanto, esses fatores podem aumentar a probabilidade de desenvolver a doen\u00e7a ou acelerar sua progress\u00e3o. \u00c9 importante conversar com um m\u00e9dico para determinar o risco individual e estabelecer um plano de tratamento apropriado.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><b>Bibliografia:<\/b><\/p>\n<p>Dillon CF, Rasch EK, Gu Q, Hirsch R. Prevalence of knee osteoarthritis in the United States: arthritis data from the Third National Health and Nutrition Examination Survey 1991-94. J Rheumatol. 2006 Nov;33(11):2271-9. PMID: 17080501.<\/p>\n<p>Driban JB, Harkey MS, Barbe MF, Ward RJ, MacKay JW, Davis JE, Lu B, Price LL, Eaton CB, Lo GH, McAlindon TE. Risk factors and the natural history of accelerated knee osteoarthritis: a narrative review. BMC Musculoskelet Disord. 2020 May 29;21(1):332. doi: 10.1186\/s12891-020-03367-2. PMID: 32471412; PMCID: PMC7260785.<\/p>\n<p>Felson DT, Hodgson R. Identifying and treating preclinical and early osteoarthritis. Rheum Dis Clin North Am. 2014 Nov;40(4):699-710. doi: 10.1016\/j.rdc.2014.07.012. Epub 2014 Sep 12. PMID: 25437286; PMCID: PMC4251520.<\/p>\n<p>Gardiner BS, Woodhouse FG, Besier TF, Grodzinsky AJ, Lloyd DG, Zhang L, Smith DW. Predicting Knee Osteoarthritis. Ann Biomed Eng. 2016 Jan;44(1):222-33. doi: 10.1007\/s10439-015-1393-5. Epub 2015 Jul 24. PMID: 26206679; PMCID: PMC4690844.<\/p>\n<p>Georgiev T, Angelov AK. Modifiable risk factors in knee osteoarthritis: treatment implications. Rheumatol Int. 2019 Jul;39(7):1145-1157. doi: 10.1007\/s00296-019-04290-z. Epub 2019 Mar 25. PMID: 30911813.<\/p>\n<p>Mahmoudian A, Lohmander LS, Mobasheri A, Englund M, Luyten FP. Early-stage symptomatic osteoarthritis of the knee &#8211; time for action. Nat Rev Rheumatol. 2021 Oct;17(10):621-632. doi: 10.1038\/s41584-021-00673-4. Epub 2021 Aug 31. PMID: 34465902.<\/p>\n<p>Pacca DM, DE-Campos GC, Zorzi AR, Chaim EA, DE-Miranda JB. PREVALENCE OF JOINT PAIN AND OSTEOARTHRITIS IN OBESE BRAZILIAN POPULATION. Arq Bras Cir Dig. 2018 Mar 1;31(1):e1344. doi: 10.1590\/0102-672020180001e1344. PMID: 29513805; PMCID: PMC5863990.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":157,"featured_media":609,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","_monsterinsights_skip_tracking":false,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[29],"tags":[25,15,26,17,18],"class_list":["post-607","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cirurgia-do-joelho","tag-artrose","tag-cartilagem","tag-dor","tag-joelho","tag-ortopedia"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-content\/uploads\/sites\/99\/2023\/03\/shutterstock_304355633-1024x748-1.jpeg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/607","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/157"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=607"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/607\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":610,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/607\/revisions\/610"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/609"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=607"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=607"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/femurdistal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=607"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}