Pesquisadora do GEICT realiza estágio no exterior para investigar o uso de IA na justiça

Publicado por GEICT em

Por Thais Lassali

Sara Munhoz, pesquisadora de pós-doutorado do GEICT, iniciou no último mês de agosto de 2025 um estágio de pesquisa no exterior na Inglaterra para aprofundar seus estudos sobre a integração entre direito e ferramentas digitais, em especial tecnologias baseadas em inteligência artificial (IA), no sistema de justiça brasileiro. Sob supervisão do líder do GEICT, Marko Monteiro, seu trabalho examina as implicações que o uso de ferramentas de inteligência artificial (IA) pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) traz para os conceitos fundamentais de justiça e democracia.

A pesquisa conduzida por Sara no Brasil investiga as iniciativas de inovação do STJ voltadas para a implementação de ferramentas de IA, especialmente aquelas aplicadas ao manejo dos processos e, por consequência, da formulação de jurisprudência por parte do Tribunal. Paralelamente, a pesquisa também analisa os esforços de inovação e regulação vindos do poder legislativo e de órgãos como o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que afetam diretamente as rotinas e procedimentos da justiça brasileira, especialmente em relação às possibilidades (e aos riscos) da utilização de IAs na maneira de se produzir e interpretar jurisprudências. Você pode saber mais detalhes da pesquisa de Munhoz nessa entrevista.

Sara Munhoz em frente a University College London.

Já o estágio no exterior, realizado através do Programa de Bolsas Estágio de Pesquisa no Exterior (BEPE) da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), tem como objetivo aprofundar a pesquisa de pós-doutorado realizada no Brasil, dialogando diretamente com as discussões lideradas por pesquisadores de referência no Reino Unido. Sara será recebida por Tone Walford, docente do University College London e por Isadora Cruxên, docente da Queen Mary University of London.

Walford é especialista em antropologia digital e, ultimamente, o foco do seu trabalho tem sido os efeitos do volume crescente de dados digitais sobre as percepções e as ações na esfera sociopolítica, principalmente em relação a dados ambientais. É autore de artigos como “Mapa, território e tudo o que há no meio: dados ambientais e territorialização”, publicado na Revista Mana, e de “Introduction: Towards an anthropology of data”, no Journal of the Royal Anthropological Institute. Já Cruxên investiga a relação entre o capitalismo contemporâneo e a política democrática, focando em temas como finanças sustentáveis, poder corporativo e ativismo de dados. Atualmente, ela conduz projetos sobre a governança e o financiamento de infraestruturas essenciais (como saneamento) e de sistemas de IA. Escreveu os artigos “Securing financial returns in politically uncertain worlds: Finance and urban water politics in Brazil” e “Geographies of missing data: Spatializing counterdata production against feminicide”

Além do aprimoramento analítico, esse período no exterior visa promover a internacionalização da pesquisa e ampliar as redes de colaboração internacional dos grupos de pesquisa  aos quais a Munhoz está vinculada. Além do GEICT, ela também faz parte do Hybris, Grupo de Estudo e Pesquisa sobre Relações de Poder, Conflitos, Socialidades, ligado ao Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal de São Carlos e coordenado pelos professores Jorge Villela e Ana Cláudia Marques.

Selfie de Sara Munhoz em frente a UCL.

 No mais, desejamos à Sara Munhoz uma ótima BEPE!


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