Oficina “Análise Crítica da Governança”: história e redes conceituais para uma aplicação prática com Mauricio Berger
Por Thais Lassali
No dia 6 de abril, aconteceu a oficina “Análise Crítica da Governança. Contextos, conceitos, dispositivos”, oferecida pelo pesquisador argentino Mauricio Berger como parte das suas atividades de professor visitante no GEICT/DPCT/IG/Unicamp (bolsa PV-FAPESP). O objetivo da oficina era oferecer aos participantes, pesquisadores interessados nas temáticas relacionadas à governança da ciência e da tecnologia, a possibilidade de atualizar seus enquadramentos conceituais e metodológicos em relação a esse tema, fortalecendo as suas próprias capacidades de pesquisa e análise crítica da governança da C&T.

A oficina foi pensada em um formato participativo, convidando aos interessados a entenderem os conceitos ali trabalhados a partir dos seus próprios projetos de pesquisas. Dessa maneira, primeiramente Berger ofereceu aos presentes uma curta reflexão sobre a importância e a necessidade de se realizar uma análise e um uso críticos da ideia de governança. Em seguida, apresentou uma breve historicização desse conceito, passando pelas diferentes abordagens que ele pode ter a depender do momento histórico que o mobiliza. Isso porque, conforme Berger apresentou, esse conceito costuma ser utilizado de maneira “acrítica tanto em relação à sua história conceitual quanto às perspectivas que problematizam seu alcance político, ético e epistêmico”.
A partir disso, Berger explicou aos presentes três diferentes níveis de análise sobre governança possíveis de serem compreendidas nos mais diferentes trabalhos que lidam com esse tema: o da intercontextualidade, que pensa o contexto normativos e socioculturais dos agentes lidando com governança na pesquisa; o dos dispositivos, relacionado aos procedimentos, aos programas, aos mecanismos e às arquiteturas da governança (por exemplo, um estatuto, uma lei, um termo de uso, etc) e, finalmente, o da estrutura sócio-epistêmica, que diz respeito às fontes de autoridade, de que tipo de conhecimento o processo de governança produz, e, em decorrência, da produção de justiça/injustiça epistemológica desse processo.

Com isso em mente, os presentes foram convidados a realizar o seguinte exercício, dividido em três etapas. Primeiramente, deveria-se identificar o uso do conceito de governança e como ele se relaciona ao seu problema de pesquisa, e a qual tradição ou perspectiva teórica ele está associado. Em seguida, o participante deveria selecionar de 5 a 10 palavras-chave de uma rede conceitual de governança presentes ou a serem desenvolvidas em sua pesquisa. E, finalmente, aplicar os três níveis de análise expostos anteriormente em um esquema de mapa mental, rascunhando as possibilidades de compreensão de tais níveis em seus próprios trabalhos.
A partir desse exercício, a oficina ministrada por Mauricio Berger buscou oferecer aos participantes um arcabouço conceitual atualizado e a possibilidade de compreenderem ferramentas metodológicas úteis para uma apropriação reflexiva do conceito de governança nos mais diferentes campos das humanidades, mas, principalmente, na sociologia e na política científica e tecnológica. Em termos práticos, a oficina estimulou o desenvolvimento de pesquisas mais situadas e comprometidas com o pensamento crítico e a justiça epistemológica no campo da governança da C&T.
Confira abaixo uma galeria de fotos da oficina.
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