{"id":217,"date":"2024-12-11T18:04:53","date_gmt":"2024-12-11T21:04:53","guid":{"rendered":"http:\/\/6759fb62315c3f86bc94cb99"},"modified":"2025-04-25T17:37:05","modified_gmt":"2025-04-25T20:37:05","slug":"cidade-de-ferro-ep-3-entre-a-mina-e-a-vila","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/2024\/12\/11\/cidade-de-ferro-ep-3-entre-a-mina-e-a-vila\/","title":{"rendered":"CIDADE DE FERRO &#8211; EP.3: Entre a Mina e a Vila"},"content":{"rendered":"\n<pre class=\" wp-block-code eplus-wrapper\"><code>Por Yama Chiodi<\/code><\/pre>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Mais um epis\u00f3dio de parceria entre o <a href=\"https:\/\/www.oxigenio.comciencia.br\/181-serie-cidade-de-ferro-ep-3-entre-a-vila-e-a-mina\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><u>Oxig\u00eanio Podcast<\/u><\/a> e o GEICT.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\" wp-block-image size-full eplus-wrapper\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"438\" height=\"679\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2024\/12\/image.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-315\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2024\/12\/image.png 438w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2024\/12\/image-194x300.png 194w\" sizes=\"(max-width: 438px) 100vw, 438px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Fam\u00edlia na antiga Vila Explosivo, em Itabira. Foto retirada do grupo &#8220;Saudades do Explosivo&#8221; no Facebook. A identidade das pessoas na foto \u00e9 desconhecida.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Este \u00e9 o terceiro epis\u00f3dio da s\u00e9rie Cidade de Ferro, uma s\u00e9rie sobre os impactos sofridos pela cidade mineira Itabira, conhecida por ser a cidade natal de Carlos Drummond de Andrade que usou de sua poesia e suas cr\u00f4nicas pol\u00edticas para denunciar a destrui\u00e7\u00e3o que a antiga Companhia Vale do Rio Doce \u2013 hoje, Vale, provocou na cidade, no Pico do Cau\u00ea, principalmente, que se tornou um buraco gigante. Em conversa com Lucas Nasser, pesquisador e advogado itabirano, autor do livro \u201cEntre a Mina e a Vila: viola\u00e7\u00f5es de direitos em Itabira\u201d, Yama Chiodi, jornalista do Geict, colaborador do O2, mostra que Itabira n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 minera\u00e7\u00e3o, \u00e9 uma cidade que tem mem\u00f3ria, que tem povo, que tem multiplicidade e um tecido social muito heterog\u00eaneo, com v\u00e1rias experi\u00eancias e modos de vida.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\" wp-block-separator has-alpha-channel-opacity eplus-wrapper\" \/>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Cidade de Ferro \u2013 hist\u00f3rias de poesia e minera\u00e7\u00e3o \u00e9 uma nova s\u00e9rie, produzida pelo antrop\u00f3logo e rep\u00f3rter Yama Chiodi e resultante da parceria do Grupo de Estudos Interdisciplinares em Ci\u00eancia e Tecnologia, o GEICT, com o Oxig\u00eanio. Dividida em quatro epis\u00f3dios, a s\u00e9rie trata dos efeitos da minera\u00e7\u00e3o na cidade de Itabira, cidade natal do grande poeta brasileiro Carlos Drummond de Andrade, hoje o grande atrativo tur\u00edstico do munic\u00edpio, frente a outro atrativo de antes, o pico do cau\u00ea, possivelmente a maior mina de ferro que j\u00e1 existiu, e que hoje \u00e9 uma enorme cratera. Participa do projeto a Fernanda Capuvilla, dando voz aos poemas de Drummond e a Elisa Valderano, que fez a edi\u00e7\u00e3o do podcast.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\" wp-block-separator has-alpha-channel-opacity eplus-wrapper\" \/>\n\n\n\n<h2 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\"><strong>CIDADE FERRO &#8211; Epis\u00f3dio 3 &#8211; Entre a Mina e a Vila<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">FERNANDA:<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-vlu7e243\" class=\" eplus-wrapper\">A cidade que deu ao pa\u00eds mais de 6 bilh\u00f5es de cruzeiros, sa\u00eddos de seu subsolo, e que sustenta, sozinha, 70% da renda de uma grande ferrovia interestadual, continua sendo, paradoxalmente uma das mais desaparelhadas, mais melanc\u00f3licas e mais esquecidas cidades brasileiras. Esta \u00e9 a mancha escura, no quadro da ind\u00fastria da minera\u00e7\u00e3o. E seria bom que deputados e senadores mineiros, sem distin\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria, n\u00e3o somente secundassem aquele parlamentar, mas assumissem a dianteira de uma campanha que, afinal, se resume nisso: impedir que a exporta\u00e7\u00e3o de hematita \u2013 o fil\u00e9 mignon da frase do cel. Juraci \u2013 deixe a Itabira, ou a Minas Gerais, apenas os ossos descarnados. Correio da Manh\u00e3, 12 de junho de 1955<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">YAMA: O trecho que voc\u00ea acabou de ouvir n\u00e3o vem do Drummond poeta, mas do Drummond cronista pol\u00edtico, desencantando com o mundo p\u00f3s-guerra e desolado do que foi feito da sua cidade natal. O trecho da cr\u00f4nica, como outros que voc\u00ea escutar\u00e1 nesse epis\u00f3dio, foram publicados no di\u00e1rio carioca Correio da Manh\u00e3, na d\u00e9cada de 50. E a escolha desse per\u00edodo n\u00e3o \u00e9 sem prop\u00f3sito. Foi na d\u00e9cada de 50 que a ent\u00e3o Companhia Vale do Rio Doce construiu sua primeira vila oper\u00e1ria. Ap\u00f3s sustentar o ferro necess\u00e1rio para a segunda guerra mundial, a Companhia vivia agora um segundo momento de sua produ\u00e7\u00e3o. A hematita era arrancada da terra n\u00e3o mais apenas nos bra\u00e7os dos le\u00f5es da Vale, mas com uso de explos\u00f5es.<br><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><mark style=\"color:#2410ea\" class=\"has-inline-color\">[som de explos\u00e3o 1]<\/mark><\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-dzlhn254\" class=\" eplus-wrapper\">N\u00e3o por acaso, a primeira vila oper\u00e1ria recebia o apelido pejorativo de Explosivo. Longe do centro de Itabira e perto da mina do Cau\u00ea, a vila onde viviam os trabalhadores de mais baixa hierarquia da estatal ganhou nome jocoso que caracterizava uma das precariedades de viver t\u00e3o perto das opera\u00e7\u00f5es miner\u00e1rias. O que havia entre a mina e a vila? A primeira vila oper\u00e1ria foi tamb\u00e9m a primeira a ser removida quando o progresso que nunca chega passou com seu trator insaci\u00e1vel.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-tx12s257\" class=\" eplus-wrapper\"><mark style=\"color:#2410ea\" class=\"has-inline-color\">[ som de explos\u00e3o 2]<\/mark><\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-5xaeg260\" class=\" eplus-wrapper\">Yama: Eu sou o Yama Chiodi, jornalista do GEICT, e neste terceiro epis\u00f3dio da s\u00e9rie cidade de ferro, me encontro uma vez mais com o amigo itabirano Lucas Nasser, autor do livro &#8220;Entre a mina e vila: viola\u00e7\u00f5es de direito em Itabira&#8221;. O epis\u00f3dio de hoje tem o mesmo nome do livro, que se encontra dispon\u00edvel pra download gratuito no link da descri\u00e7\u00e3o. Se voc\u00ea ainda n\u00e3o ouviu os dois primeiros epis\u00f3dios dessa s\u00e9rie, corre l\u00e1 antes pra ouvir.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-zytp4263\" class=\" eplus-wrapper\"><mark style=\"color:#2410ea\" class=\"has-inline-color\">[ Vinheta Cidade de Ferro ]&nbsp;<\/mark><\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-zk9oy266\" class=\" eplus-wrapper\"><mark style=\"color:#2410ea\" class=\"has-inline-color\">[Come\u00e7a m\u00fasica Documentary em fade in]&nbsp;<\/mark><\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-1i4v8269\" class=\" eplus-wrapper\">Yama: No epis\u00f3dio de hoje, a gente deixa a poesia de lado por um instante ao olhar pra geografia de Minas Gerais. Em uma das incr\u00edveis passagens do livro de Jos\u00e9 Miguel Wisnik sobre Drummond e a minera\u00e7\u00e3o, o autor diz que, abre aspas, &#8220;Os pontos culminantes da literatura mineira est\u00e3o entranhados na geografia f\u00edsica, e em Minas Gerais a geografia f\u00edsica, entranhada na experi\u00eancia individual e coletiva, \u00e9 geografia humana&#8221;. E \u00e9 isso que a gente busca aqui hoje. A geografia humana no cora\u00e7\u00e3o da montanha, \u00e0s margens da mina do Cau\u00ea. Das muitas remo\u00e7\u00f5es que aconteceram e acontecem at\u00e9 hoje, uma vila oper\u00e1ria ganha protagonismo. Distante do centro de Itabira, mas perto da mina, a Vila Explosivo foi pioneira e o lar da fam\u00edlia materna do Lucas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-os4kc272\" class=\" eplus-wrapper\">LUCAS: O Explosivo, al\u00e9m dela ser uma primeira vila oper\u00e1ria da Vale, muito emblem\u00e1tica, porque ela cedeu espa\u00e7o para a mina do Cau\u00ea, inclusive do Pico do Cau\u00ea, Famigerado, etc., que est\u00e1 na poesia do Drummond, que n\u00e3o existe mais. Tem uma rela\u00e7\u00e3o familiar tamb\u00e9m. Meu av\u00f4 foi um dos moradores da vila do Explosivo, do P\u00e9 de Pombo, minha m\u00e3e cresceu no Explosivo, meus tios, ent\u00e3o sempre escutei hist\u00f3rias do Explosivo, do P\u00e9 de Pombo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-2g1rl276\" class=\" eplus-wrapper\">YAMA: Sem cerim\u00f4nia, a vila criada nos anos 50 deixou de existir nos anos 70. A Companhia, ainda estatal, fortalecida em seu prop\u00f3sito desenvolvimentista da ditadura militar, iria come\u00e7ar um dos projetos mais destrutivos da hist\u00f3ria ambiental do Brasil: o projeto cau\u00ea. O mesmo que mudou a paisagem da cidade em definitivo, trocando um pico por um buraco de mais de 200 metros de profundidade.&nbsp; Como lembra Jos\u00e9 Miguel Wisnik, a maior das ironias que o Cau\u00ea d\u00ea nome \u00e0 opera\u00e7\u00e3o que causou seu exterm\u00ednio.&nbsp; Do ventre da montanha foi tirado mais do que ferro. Entre outros muitos tecidos, mais e menos humanos, sucumbiu a Vila Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus, mais conhecida como Vila Explosivo. Aos moradores que permaneceram quando tudo j\u00e1 era mais prec\u00e1rio do que nunca, somente um aviso &#8211; uma data final para deixar tudo para tr\u00e1s. Casas, viv\u00eancias, hist\u00f3rias e tudo que foi constru\u00eddo ao longo de mais de duas d\u00e9cadas. N\u00e3o houve qualquer indeniza\u00e7\u00e3o, mas a empresa pediu que seus trabalhadores, agora ex-moradores da Vila,&nbsp; buscassem novas casas na cidade, mais distantes das minas de hematita infinita. Mas como oper\u00e1rios de baixos sal\u00e1rios e trabalho precarizados comprariam casas? Pagando por elas por toda vida, por financiamento viabilizado pela Vale,&nbsp; descontado diretamente dos sal\u00e1rios. A quem j\u00e1 tinha casa, vida e comunidade foi retirado tudo. Em troca, receberam uma d\u00edvida que &nbsp; muitas vezes sequer acabou antes que os trabalhadores morressem.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-jnqc1278\" class=\" eplus-wrapper\">Longe dali, no Rio de Janeiro, duas crias Itabiranas pareciam fugir de seu destino mineral em trocas p\u00fablicas que duraram d\u00e9cadas. O poeta desencantado com sua cidade engolida pela minera\u00e7\u00e3o, e a sede da Vale do Rio Doce &#8211; que retirava tudo de Itabira e n\u00e3o devolvia nada. Se recusava at\u00e9 mesmo a estar presente na cidade &nbsp; onde nasceu. Se na poesia e nas p\u00e1ginas dos jornais Drummond n\u00e3o deixava descansar o descaso e a destrui\u00e7\u00e3o de sua cidade natal, a Companhia n\u00e3o deixava por menos sua mais famosa <em>persona non grata<\/em>. Em an\u00fancio publicado em 20 de novembro de 1970 no jornal O Globo, que divulgava a escala fara\u00f4nica do Projeto Cau\u00ea, n\u00e3o restava d\u00favidas sobre quem era o inimigo n\u00famero um da estatal. Dizia o an\u00fancio em letras garrafais: H\u00e1 uma pedra no caminho do desenvolvimento brasileiro.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-8ji6r283\" class=\" eplus-wrapper\"><mark style=\"color:#2410ea\" class=\"has-inline-color\">[termina Documentary em fade out]&nbsp;<\/mark><\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-ppabm286\" class=\" eplus-wrapper\"><mark style=\"color:#2410ea\" class=\"has-inline-color\">[Transi\u00e7\u00e3o &#8211; trem 2]<\/mark><\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-3yneb289\" class=\" eplus-wrapper\">FERNANDA: Nem haveria propriamente triunfo: ningu\u00e9m quis derrotar a Cia. Vale do Rio Doce. O que se passou foi um desses epis\u00f3dios da cr\u00f4nica familiar, em que um dos c\u00f4njuges, por muito amar o outro, reclama contra sua falta de assiduidade, e vai busc\u00e1-lo no bar ou \u00e0 mesa de buraco, onde ele permanece indefinidamente, esquecido de que seu lugar \u00e9 na poltrona caseira, junto ao primeiro c\u00f4njuge e aos filhos. A Vale do Rio Doce levou a aus\u00eancia a um ponto intoler\u00e1vel; gostou loucamente do Rio de Janeiro, e quase n\u00e3o se lembrava mais de que era uma senhora casada com o povo de Itabira. Correio da Manh\u00e3, domingo, 17 de julho de 1955.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-gi3lo293\" class=\" eplus-wrapper\">YAMA: Em seguida, converso com o Lucas sobre direito \u00e0 cidade e suas motiva\u00e7\u00f5es como pesquisador e como militante para pesquisar Itabira. Depois, recupero trechos de nossa conversa sobre a Vila Explosivo. E por fim, refletimos um pouco sobre o momento atual e como a experi\u00eancia de Itabira com as remo\u00e7\u00f5es e com o terrorismo de barragem tem a ensinar pra gente sobre as pr\u00e1ticas de minera\u00e7\u00e3o no Brasil.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-tsx6w296\" class=\" eplus-wrapper\"><mark style=\"color:#2410ea\" class=\"has-inline-color\">[Transi\u00e7\u00e3o &#8211; trem 1]<\/mark><\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-sd1br299\" class=\" eplus-wrapper\">YAMA: Lucas, vamos come\u00e7ar contando pros nossos ouvintes como que voc\u00ea come\u00e7ou a trabalhar com viola\u00e7\u00e3o de direitos. Advocacia popular n\u00e3o parece uma escolha \u00f3bvia para rec\u00e9m-formados em direito, n\u00e9?<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-cq2wo302\" class=\" eplus-wrapper\">LUCAS: Acho que \u00e9 uma escolha de vida, n\u00e9? Eu falo n\u00e3o \u00e9 do direito, de advocacia em espec\u00edfico, mas \u00e9 uma escolha de vida\u2026 a luta pol\u00edtica, ent\u00e3o a advocacia popular veio nesse lugar.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-7kj1d305\" class=\" eplus-wrapper\">YAMA: Aham. E porque voc\u00ea fez essa escolha?<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-fd619308\" class=\" eplus-wrapper\">LUCAS: Ap\u00f3s formado, eu tive um contato com um do trabalho mais r\u00edgido do escrit\u00f3rio, eu vi que n\u00e3o era aquilo que eu queria, fui para a advocacia popular atuando com viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos, n\u00e9? Ent\u00e3o atuei com desde viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos no sentido distrito da coisa, n\u00e9? No penal, prisional e sobretudo a\u00ed na quest\u00e3o da terra, que era algo que sempre me despertou. Ent\u00e3o, assentamentos rurais, ocupa\u00e7\u00f5es, fazendo a defesa que nem sempre a Defensoria d\u00e1 conta, e al\u00e9m da Defensoria n\u00e3o dar conta de ter tamb\u00e9m uma interlocu\u00e7\u00e3o e sobretudo uma constru\u00e7\u00e3o com as lutas populares, assim.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-t4l1z311\" class=\" eplus-wrapper\"><mark style=\"color:#2410ea\" class=\"has-inline-color\">&nbsp;[cork pop]&nbsp;<\/mark><\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-dcsv2314\" class=\" eplus-wrapper\">YAMA: O Lucas al\u00e9m de advogado e pesquisador no campo de direito \u00e0 cidade, \u00e9 militante do PSOL de Belo Horizonte. A pesquisa de mestrado dele, que ganhou o pr\u00eamio de disserta\u00e7\u00f5es da UFMG,&nbsp; foi o que deu origem ao livro Entre a Vila e a Mina, sobre o qual a gente tem falado. Continuando a conversa, eu perguntei pra ele sobre como ele deu prosseguimento \u00e0 pesquisa no doutorado e porque decidiu continuar pesquisando Itabira.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-24pfv317\" class=\" eplus-wrapper\"><mark style=\"color:#2410ea\" class=\"has-inline-color\">&nbsp;[cork pop]&nbsp;<\/mark><\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-byaqu320\" class=\" eplus-wrapper\">YAMA: Voc\u00ea continuou com a pesquisa em Itabira no doutorado\u2026<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-fgp5u323\" class=\" eplus-wrapper\">LUCAS:&nbsp; \u00c9 uma quest\u00e3o socioambiental que \u00e9 muito gritante, no caso de Itabira, que a gente come\u00e7a a se questionar e que nos afeta no sentido do afeto. Ent\u00e3o, no doutorado da continuidade dessa pesquisa de viola\u00e7\u00f5es de direitos, no caso de Itabira e do quadril\u00e1tero que alguns movimentos chamam de quadril\u00e1tero aqu\u00edfero, porque minera\u00e7\u00e3o s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel com \u00e1gua e \u00e9 onde tem as maiores reservas de \u00e1gua do estado de Minas Gerais. Ent\u00e3o, \u00e9 isso, pesquisador hoje dessa linha de territ\u00f3rio, direito \u00e0 cidade, territ\u00f3rios, da Faculdade de Direito da UFMG.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-sq332326\" class=\" eplus-wrapper\">YAMA: Eu queria que voc\u00ea falasse um pouco sobre direito \u00e0 cidade. Acho que muita gente n\u00e3o sabe o que \u00e9. Das muitas defini\u00e7\u00f5es poss\u00edveis n\u00e9?<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-m8p9i329\" class=\" eplus-wrapper\">LUCAS: Mas tem uma defini\u00e7\u00e3o, Yama,&nbsp; do David Harvey, que acho que \u00e9 muito interessante, que coloca assim, o direito \u00e0 cidade \u00e9 mais do que uma liberdade individual de ter acesso aos recursos urbanos. \u00c9 um direito de mudar n\u00f3s mesmos, mudando a cidade. E a\u00ed ele leva para uma esfera de um direito coletivo, n\u00e3o \u00e9 individualizado, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 ter acesso \u00e0 \u00e1gua, \u00e0 esgoto, a participar do processo deliberativo. Ele coloca no sentido que se o homem est\u00e1 condenado a viver na cidade porque ele criou, modificando essa cidade, ele refaz a si mesmo. Ent\u00e3o, a gente coloca tamb\u00e9m a liberdade de fazer e refazer a nossa cidade como se fosse algo de refazer a n\u00f3s mesmos. Ent\u00e3o, \u00e9 um direito humano muito precioso que ao mesmo tempo \u00e9 negligenciado.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-v2cce332\" class=\" eplus-wrapper\"><mark style=\"color:#2410ea\" class=\"has-inline-color\">&nbsp;[cork pop]&nbsp;<\/mark><\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-pn40u335\" class=\" eplus-wrapper\">YAMA: O David Harvey que o Lucas citou \u00e9 um ge\u00f3grafo ingl\u00eas e um dos maiores intelectuais da geografia urbana do mundo. Ele \u00e9 professor de antropologia e geografia na Universidade de Nova Iorque.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-9i0u5338\" class=\" eplus-wrapper\"><mark style=\"color:#2410ea\" class=\"has-inline-color\">&nbsp;[cork pop]&nbsp;<\/mark><\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-gydjy341\" class=\" eplus-wrapper\">YAMA: Pensando em direito \u00e0 cidade nesses termos\u2026 um dos conflitos que envolvem Itabira tem rela\u00e7\u00e3o com a baixa autonomia das cidades em rela\u00e7\u00e3o aos estados quando se trata de minera\u00e7\u00e3o e outros problemas socioambientais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-hsvn0344\" class=\" eplus-wrapper\">LUCAS: Isso, exatamente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-jdiq8347\" class=\" eplus-wrapper\">YAMA: Porque ocorrem esses problemas no \u00e2mbito dos licenciamentos, por exemplo?<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-23kdz350\" class=\" eplus-wrapper\">LUCAS: O licenciamento, tem uma autoriza\u00e7\u00e3o no \u00e2mbito municipal, mas o licenciamento \u00e9 feito no \u00e2mbito estadual. Tem um sistema que chama CODEMA, que d\u00e1 essas diretrizes, s\u00e3o diplomas nacionalizados, mas quem decide mesmo, quem opera ou deixa de operar, \u00e9 o COPAM, que \u00e9 o Conselho Estadual. Acaba que o munic\u00edpio tem muito pouca autonomia de fazer esse contraponto. Acho que, por exemplo, o que a gente tem na Serra do Curral de Belo Horizonte. Acho que para quem n\u00e3o conhece, da minera\u00e7\u00e3o que foi autorizada na Serra do Corral, foi uma reuni\u00e3o do COPAM, que foi aprovada, uma reuni\u00e3o online, na madrugada, que foi aprovada\u2026 o munic\u00edpio mesmo era contr\u00e1rio, tinha v\u00e1rios pareceres, um posicionamento at\u00e9 da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica municipal, contr\u00e1rio ao empreendimento, ele foi aprovado da mesma forma. Ent\u00e3o, acho que isso demonstra, da fragilidade e da pouca autonomia que o munic\u00edpio tem em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 minera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-04ffz353\" class=\" eplus-wrapper\"><mark style=\"color:#2410ea\" class=\"has-inline-color\">&nbsp;[cork pop]&nbsp;<\/mark><\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-14ij4356\" class=\" eplus-wrapper\">YAMA: Para al\u00e9m das particularidades legislativas que&nbsp; dificultam com que &nbsp; munic\u00edpios a conseguir proteger as cidades de impactos ambientais, situa\u00e7\u00f5es como a que Lucas descreveu que aconteceu em Belo Horizonte&nbsp; demonstram a import\u00e2ncia da organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica para pleitear pautas ambientais junto ao poder p\u00fablico. Voc\u00ea j\u00e1 se perguntou quais os planos dos pol\u00edticos que voc\u00ea votou para as barragens de rejeitos presentes e futuras? Ser\u00e1 que algum deles recebeu financiamento de campanhas de mineradoras?<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-vakjt359\" class=\" eplus-wrapper\"><mark style=\"color:#2410ea\" class=\"has-inline-color\">&nbsp;[cork pop]&nbsp;<\/mark><\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-w2d20362\" class=\" eplus-wrapper\"><mark style=\"color:#2410ea\" class=\"has-inline-color\">[Transi\u00e7\u00e3o &#8211; trem 2]<\/mark><\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-lvnj0365\" class=\" eplus-wrapper\">FERNANDA: &nbsp;Casa para empregado nunca foi benef\u00edcio coletivo; \u00e9, no m\u00e1ximo, individual, ditado pelo pr\u00f3prio interesse da empresa. Toda organiza\u00e7\u00e3o de vulto constroi essas moradias, como d\u00e1 escola aos filhos de seus auxiliares. \u00c9 despesa a incluir no custo operacional. (&#8230;) Grande servi\u00e7o \u00e0 cidade, que do contr\u00e1rio talvez se visse compelida a faz\u00ea-lo. Esta a concep\u00e7\u00e3o que a Cia. tem do patronato e dos direitos sociais do trabalho. Quero apenas ver a Cia. cumprir seus deveres sociais, pois n\u00e3o \u00e9 uma empresa particular de com\u00e9rcio, mas uma obra p\u00fablica, inspirada em alta concep\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de elimina\u00e7\u00e3o dos \u00edndices subumanos de vida no interior; e \u00e9 uma obra formada em magna parte com capital da Uni\u00e3o e alimentada pelas jazidas de minha terra.&nbsp; (Pausa)<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-te41k369\" class=\" eplus-wrapper\">N\u00e3o adianta dizer que 70% da popula\u00e7\u00e3o de Itabira vive em fun\u00e7\u00e3o das atividades da Cia. Responderei que 100% da Cia., inclusive a Estrada de Ferro Vit\u00f3ria a Minas, vive em fun\u00e7\u00e3o de Itabira. Correio da Manh\u00e3, 12 de junho de 1955.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-tv484373\" class=\" eplus-wrapper\"><mark style=\"color:#2410ea\" class=\"has-inline-color\">[Transi\u00e7\u00e3o &#8211; trem 2]<\/mark><\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-0p7lv376\" class=\" eplus-wrapper\"><mark style=\"color:#2410ea\" class=\"has-inline-color\">[cork pop]&nbsp;<\/mark><\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-zuy34379\" class=\" eplus-wrapper\">YAMA: Neste bloco recupero alguns trechos da conversa com o Lucas em torno da Vila Explosivo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-atm1v382\" class=\" eplus-wrapper\">&nbsp;<mark style=\"color:#2410ea\" class=\"has-inline-color\">[cork pop]&nbsp;<\/mark><\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-50d2y385\" class=\" eplus-wrapper\">YAMA: Vamos come\u00e7ar do come\u00e7o. Me fala da forma\u00e7\u00e3o da Vila, nos anos 50.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-iucr0388\" class=\" eplus-wrapper\">LUCAS: A Vale foi constru\u00edda com base do que chamam dos le\u00f5es da Vale, era um trabalho muito bra\u00e7al, muito degradante mesmo, e depois entrou esse processo de dinamita\u00e7\u00e3o, feito com as explos\u00f5es, um processo muito arcaico, e a vila oper\u00e1ria tinha que ficar perto da mina para facilitar, para ficar \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o, e tamb\u00e9m alienado tamb\u00e9m de outras possibilidades. Ent\u00e3o esse nome \u00e9 por causa dessa proximidade, por causa desse processo que acontecia, da minera\u00e7\u00e3o de explos\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-o7f2j391\" class=\" eplus-wrapper\">YAMA: Qual era o perfil dos moradores de l\u00e1? Quem foi morar na vila?<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-zwd5y394\" class=\" eplus-wrapper\">LUCAS: Era uma vila oper\u00e1ria de trabalhadores da Vale, de um per\u00edodo que a Vale n\u00e3o era t\u00e3o mecanizada, ent\u00e3o as pessoas que v\u00eam s\u00e3o dos distritos e dos munic\u00edpios ao redor, ent\u00e3o tem um perfil de um povo que tem rela\u00e7\u00e3o com a terra, de povos campesinos que v\u00eam do interior. E a\u00ed \u00e9 uma vila de casinhas, com quintal, com espa\u00e7o comunit\u00e1rio, tem uma rela\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m, uma tentativa da rela\u00e7\u00e3o da Vale, na \u00e9poca ainda estatal da companhia da M\u00e3e Vale do Rio Doce, deu casa, a M\u00e3e Vale deu casa para os trabalhadores, deu onde morar.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-0lh3f397\" class=\" eplus-wrapper\">YAMA: E o que motivou a pesquisar essa vila em espec\u00edfico? Remo\u00e7\u00f5es de bairros e vilas s\u00e3o epis\u00f3dios relativamente comuns na hist\u00f3ria da Vale. At\u00e9 hoje.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-ove1e400\" class=\" eplus-wrapper\">LUCAS: O Explosivo, al\u00e9m dela ser uma primeira vila oper\u00e1ria da Vale, muito emblem\u00e1tica, porque ela cedeu espa\u00e7o para a mina do Cau\u00ea, inclusive do Pico do Cau\u00ea, Famigerado, etc., que est\u00e1 na poesia do Drummond, que n\u00e3o existe mais. Tem uma rela\u00e7\u00e3o familiar tamb\u00e9m. Meu av\u00f4 foi um dos moradores da vila do Explosivo, do P\u00e9 de Pombo, minha m\u00e3e cresceu no Explosivo, meus tios, ent\u00e3o sempre escutei hist\u00f3rias do Explosivo, do P\u00e9 de Pombo. Isso \u00e9 muito curioso, porque ao mesmo tempo que tem um saudosismo, tem em partes uma vergonha de um passado pobre mesmo, com poucos acessos.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-vb5cn403\" class=\" eplus-wrapper\">YAMA: O nome explosivo come\u00e7ou como nome pejorativo e acabou ficando n\u00e9? E revela um certo conflito social entre os moradores mais centrais de Itabira.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-whp0c406\" class=\" eplus-wrapper\">LUCAS: O tormento de lidar com isso, das explos\u00f5es, deu o nome da vila, o apelido da vila explosiva, que na verdade ela se chama Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus, ent\u00e3o popularmente ficou conhecido como explosivo, que j\u00e1 era um nome pejorativo. A\u00ed a cidade legal chamou os habitantes de p\u00e9 de pombo, porque \u00e9 uma cidade que se chama de Santa Maria de Itabira, e a cidade legal chamou os habitantes de p\u00e9 de pombo porque \u00e9 um p\u00e9 vermelho, em alus\u00e3o \u00e0 terra. Enfim, ent\u00e3o voc\u00ea n\u00e3o tem direito \u00e0 mem\u00f3ria a esse territ\u00f3rio, \u00e9 um territ\u00f3rio hoje pertencente \u00e0 companhia, era companhia antes, a Vale S.A., pertence aos acionistas da Vale.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-ru6j4409\" class=\" eplus-wrapper\">YAMA: Voc\u00ea falou a\u00ed de p\u00e9 de pombo. Conta pro pessoal que ainda n\u00e3o leu o livro o que era isso?<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-rege7412\" class=\" eplus-wrapper\">LUCAS: \u00c9 um lugar prec\u00e1rio, ent\u00e3o as pessoas para ir \u00e0 escola, para ir aos bares, escutei muito isso no relato, da pessoa ter dois sapatos, levar um sapato na bolsa assim e chegar perto do local trocar, porque o p\u00e9 de pombo \u00e9 refer\u00eancia \u00e0 terra, o p\u00e9 de pombo \u00e9 a terra, levar um sapato na bolsa assim e chegar perto do local trocar, porque o p\u00e9 de pombo \u00e9 refer\u00eancia \u00e0 terra, a terra vermelha. Ent\u00e3o \u00e9 o paninho molhado para passar, para n\u00e3o ficar aparecendo a poeira ali, o trem vermelho e identificar a pessoa, fulano \u00e9 do p\u00e9 de pombo, fulano na verdade \u00e9 oper\u00e1rio da Vale, filhos de oper\u00e1rio da Vale, como se fosse algo a se envergonhar de morar de favor pela m\u00e3e doce num lugar mais afastado.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-oj53r415\" class=\" eplus-wrapper\">YAMA: E como que sua fam\u00edlia chegou l\u00e1?.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-a2tru418\" class=\" eplus-wrapper\">LUCAS: Meu av\u00f4, ele vem de uma comunidade que chama Morro de Sant&#8217;Ant\u00f4nio, pertence \u00e0 Santa Maria de Itabira, que \u00e9 ali no entorno, hoje \u00e9 uma comunidade quilombola, e minha av\u00f3 \u00e9 da comunidade que chama Os Gatos, eu nem sei o nome oficial dos gatos, mas era um distrito, s\u00e3o duas vilas campesinas. Meu av\u00f4 era &#8220;amanssador de burro&#8221;, quando eles casaram precisava de emprego formal, surgiu o boato na regi\u00e3o que tinha oportunidade de emprego formal, ent\u00e3o foi. Estou dizendo isso para mostrar que tem um perfil de pessoas campesinas que foram morar ali na vila, era uma vila oper\u00e1ria mesmo, de trabalhadores da \u00e9poca companhia Vale do Rio Doce. Ent\u00e3o eles eram trabalhadores mesmo da Vale, de baixa hierarquia, digamos assim, que tinha a vila oper\u00e1ria, a vila engenheira tamb\u00e9m, na cidade, tem os locais que eram bem diferenciados e fragmentados.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-czo00421\" class=\" eplus-wrapper\">&nbsp;<mark style=\"color:#2410ea\" class=\"has-inline-color\">[cork pop]&nbsp;<\/mark><\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-62ju1424\" class=\" eplus-wrapper\">YAMA: Uma caracter\u00edstica bastante particular do explosivo e que acabou dando a t\u00f4nica de seu desmembramento \u00e9 que as casas sempre pertenceram \u00e0 Vale. Nunca foi oficialmente de seus moradores. Quando chegou a hora desocupar aquele territ\u00f3rio pra mina expandir, j\u00e1 na implementa\u00e7\u00e3o do Projeto Cau\u00ea, n\u00e3o foi s\u00f3 o pico da montanha que se dissipou. Mas as vidas de muitas pessoas como as que moravam na vila Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus. Quando a gente pensa nisso, aquele verso do Drummond onde ele diz que &#8220;Cada um de n\u00f3s tem seu peda\u00e7o no pico do Cau\u00ea&#8221; ganha novos sentidos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-25ki3427\" class=\" eplus-wrapper\"><mark style=\"color:#2410ea\" class=\"has-inline-color\">&nbsp;[cork pop]&nbsp;<\/mark><\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-io962430\" class=\" eplus-wrapper\">YAMA: O que voc\u00ea pode me dizer do processo de remo\u00e7\u00e3o das pessoas e da posterior destrui\u00e7\u00e3o da vila? Pra onde foram os moradores do explosivo?<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-mzu31433\" class=\" eplus-wrapper\">LUCAS: Essa vila foi vila durante muitos anos, ela tem uma di\u00e1spora, cada um vai para um canto da cidade, e ainda esse trabalhador que \u00e9 removido, ele fica endividado com a pr\u00f3pria Vale. Na verdade a Vale lucra duas vezes, al\u00e9m de remover e expandir a mina, endivida o trabalhador com o programa de cr\u00e9dito dela para comprar a moradia dela. E \u00e9 muito doido que tem relatos que assim, eu mudei, a Vale me ajudou a financiar e eu paguei a casa inteira, teve gente que morreu e a\u00ed t\u00e1 quitado, porque como \u00e9 o financiamento com banco, deve ter algum tipo de seguro, mas ainda assim as pessoas diferenciam, quem faleceu e n\u00e3o teve que continuar pagando e aquele trabalhador que sobreviveu, que pagou a vida inteira esse financiamento que era descontado em folha. Ent\u00e3o na verdade era a garantia que a Vale vai receber, o desconto na sua folha salarial, esse financiamento imobili\u00e1rio e \u00e9 isso.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-azddj436\" class=\" eplus-wrapper\">YAMA: A casa n\u00e3o era das pessoas, n\u00e9? Ent\u00e3o elas pr\u00f3prias foram convencidas de que n\u00e3o podiam pleitear nada indenizat\u00f3rio, mesmo vivendo na vila por quase duas d\u00e9cadas\u2026<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-d79b7439\" class=\" eplus-wrapper\">LUCAS: Essa rela\u00e7\u00e3o se deu pelo fato de ser uma vila oper\u00e1ria mesmo, constru\u00edda pela Vale, refor\u00e7a esse car\u00e1ter que \u00e9 ela que define quem mora, quem deixa de morar, que est\u00e1 fazendo uma concess\u00e3o, que n\u00e3o seria obrigado, enfim. As pessoas tinham um direito de uso, parece que n\u00e3o tinham a propriedade da vila, ent\u00e3o meio que voc\u00ea fica com uma d\u00edvida de gratid\u00e3o, a m\u00e3e doce te d\u00e1 um lugar para morar, ent\u00e3o voc\u00ea tem uma rela\u00e7\u00e3o de favor, voc\u00ea acha que \u00e9 algo que est\u00e3o te fazendo, voc\u00ea ter uma moradia, ent\u00e3o n\u00e3o tinha uma rela\u00e7\u00e3o de enfrentamento.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-62vg1442\" class=\" eplus-wrapper\">YAMA: E como as pessoas ficaram sabendo que teriam que sair de l\u00e1?<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-c3irw445\" class=\" eplus-wrapper\">LUCAS: Falam que come\u00e7ou um boato que o pessoal teria que sair, n\u00e3o teve uma negocia\u00e7\u00e3o, a pessoa tem que sair at\u00e9 tal dia, e a\u00ed voc\u00eas podem olhar um lugar para voc\u00eas morarem na cidade, que a Vale vai te ajudar a apagar esse lugar, ent\u00e3o as pessoas sa\u00edram muito tranquilos, se n\u00e3o a Vale vai me ajudar a apagar um lugar que \u00e9 meu, que esse lugar aqui era a Vale, ent\u00e3o a rela\u00e7\u00e3o da vila era como se a vila fosse da Vale mesmo.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-6z3xb448\" class=\" eplus-wrapper\"><mark style=\"color:#2410ea\" class=\"has-inline-color\">&nbsp;[cork pop]&nbsp;<\/mark><\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-0qjel451\" class=\" eplus-wrapper\">YAMA: Eu depois perguntei pro Lucas sobre a mem\u00f3ria da vila. Se os moradores queele entrevistou tinham saudades de l\u00e1 ou se acharam melhor ir para as partes mais centrais de Itabira. Ele me disse que tinha uma dualidade &#8211; tem saudade mas tem gra\u00e7as a deus que sa\u00edmos do p\u00e9 da mina tamb\u00e9m.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-ove26454\" class=\" eplus-wrapper\"><mark style=\"color:#2410ea\" class=\"has-inline-color\">&nbsp;[cork pop]<\/mark>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-j1169457\" class=\" eplus-wrapper\">LUCAS: \u00c9 essa dualidade, ao mesmo tempo que \u00e9 lembrado os perrengues, o refor\u00e7o dos estigmas, como era dif\u00edcil o acesso de determinadas coisas, \u00e9 muito lembrado tamb\u00e9m a rela\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria de vizinho, da rela\u00e7\u00e3o que tinha com o vizinho, que se autoajudavam. De \u00e0s vezes ter fulano convivendo aqui em casa porque fulano ia trabalhar fora, ent\u00e3o de ter as festas tamb\u00e9m dentro da pr\u00f3pria comunidade, de ter uma rela\u00e7\u00e3o de amizade, de brincadeira entre as crian\u00e7as, ent\u00e3o voc\u00ea v\u00ea que tamb\u00e9m tem um sentimento de pertencimento de comunidade muito forte, e das manifesta\u00e7\u00f5es que tinha no Explosivo, acho que nunca teve um\u2026 \u00e9 sempre um&#8230; &#8220;Ah! Era foda ser p\u00e9 de pombo, mas era gostoso demais&#8221;, as pessoas gostavam de morar ali, mas&nbsp; n\u00e3o gostavam quando contrastavam com a cidade.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-xyydz460\" class=\" eplus-wrapper\"><mark style=\"color:#2410ea\" class=\"has-inline-color\">[Transi\u00e7\u00e3o &#8211; trem 2]<\/mark><\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-rfzjh463\" class=\" eplus-wrapper\">FERNANDA: Perdoem os poss\u00edveis leitores desta coluna se o cronista \u00e0s vezes municipaliza demais e parece dirigir-se apenas aos homens e mulheres de sua par\u00f3quia. Mas \u00easte caso do ferro de Itabira \u00e9 muito menos paroquial do que se sup\u00f5e a um exame r\u00e1pido. \u00c9 o caso t\u00edpico de um aspecto da economia brasileira, ao longo de nossa hist\u00f3ria: a explora\u00e7\u00e3o s\u00f4frega e inumana de riquezas minerais, para alimentar uma civiliza\u00e7\u00e3o de c\u00f4rte e de litoral, com sacrif\u00edcio completo da popula\u00e7\u00e3o do interior.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-lzdgg467\" class=\" eplus-wrapper\">Sempre se chamou a ind\u00fastria da minera\u00e7\u00e3o de \u201cind\u00fastria ladra\u201d porque ela tira e n\u00e3o p\u00f5e, abre cavernas e n\u00e3o deixa ra\u00edzes, devasta e emigra para outro ponto. Se em Ouro Preto o ciclo do ouro deixou algumas alguns monumentos que nos comovem e orgulham, a verdade \u00e9 que a regi\u00e3o em volta desenha um mapa de ru\u00ednas, e a pr\u00f3pria Ouro Preto n\u00e3o tem dinheiro para cuidar de suas igrejas velhas. O que Minas perdeu em ouro chegaria para cobrir de Alhambras cidades que hoje portam a sua mis\u00e9ria, uma prostra\u00e7\u00e3o intermedi\u00e1ria entre sono, indiferen\u00e7a e morte. Correio da Manh\u00e3, quinta-feira, 16 de maio de 1957<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-s3jct470\" class=\" eplus-wrapper\"><mark style=\"color:#2410ea\" class=\"has-inline-color\">[come\u00e7a baixo]<\/mark><\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-kmufq473\" class=\" eplus-wrapper\">YAMA: No dia 17 de novembro de 2023, saiu uma not\u00edcia no jornal mineiro O tempo. \u00c9 uma not\u00edcia, mas parece um filme de terror. O jornal anuncia que a Vale far\u00e1 treinamentos com itabiranos para o caso do rompimento de alguma das cinco barragens que est\u00e3o bastante pr\u00f3ximas da cidade. Somente uma delas, a Sistema Pontal, tem um volume de quase 4 vezes ao que havia na barragem de Fund\u00e3o, que se rompeu em Mariana. Ela \u00e9 considerada de Alto Risco. O treinamento se dar\u00e1 simulando uma situa\u00e7\u00e3o que pode acontecer a qualquer momento. Quando as sirenes tocarem, os moradores devem deixar tudo para tr\u00e1s e seguir as placas que indicam a melhor rota de fuga. Em outros termos: a remo\u00e7\u00e3o for\u00e7ada pode vir para aumentar a \u00e1rea de explora\u00e7\u00e3o, como foi com o Explosivo, mas tamb\u00e9m se faz presente no constante medo de que a cidade possa ser tomada de lama a qualquer momento. Em cinismo caracter\u00edstico, na comunica\u00e7\u00e3o da empresa, a Vale diz &nbsp; que &#8220;n\u00e3o h\u00e1 qualquer sinal de risco, mas que os treinamentos s\u00e3o para promover uma cultura de preven\u00e7\u00e3o&#8221;.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-27rti476\" class=\" eplus-wrapper\"><mark style=\"color:#2410ea\" class=\"has-inline-color\">[Explos\u00e3o 2]&nbsp;<\/mark><\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-wuryu479\" class=\" eplus-wrapper\">YAMA: Apesar de ter muita atividade miner\u00e1ria ainda acontecendo em Itabira, tal como boa parte de Minas Gerais, um problema central s\u00e3o as barragens.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-zz38u482\" class=\" eplus-wrapper\">LUCAS: Hoje tem uma coisa que a gente at\u00e9 chama de terrorismo empresarial de barragens, que \u00e9 diante da emin\u00eancia de rompimento, voc\u00ea dispara a sirene e manda as pessoas sa\u00edrem de casa. A princ\u00edpio seria temporariamente, mas tem v\u00e1rios relatos que nem sempre s\u00e3o temporariamente. O caso de uma cidade vizinha de Itabira, Bar\u00e3o de Cocais, \u00e9 exemplo disso. Mas em Itabira tem duas comunidades que passam esse terrorismo com alguma frequ\u00eancia, que \u00e9 o Boa Vista e a Pedreira. Tem situa\u00e7\u00f5es parecidas que vivem esse conflito. Hoje a configura\u00e7\u00e3o \u00e9 diferente, n\u00e3o \u00e9 a remo\u00e7\u00e3o expl\u00edcita para a expans\u00e3o da atividade, mas diante de um risco que nunca \u00e9 publicizado, que tem pouca transpar\u00eancia na gravidade desse risco, voc\u00ea tem treinamentos com a popula\u00e7\u00e3o para ir para\u2026 O nome formal \u00e9 ilhas de inunda\u00e7\u00e3o, n\u00e3o ilhas de auto-salvamento, mas s\u00e3o ilhas de desamparo, de caminhos para a morte, digamos assim. Mas essa \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o hoje de algumas comunidades em Itabira.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-m2mr7485\" class=\" eplus-wrapper\">YAMA: Como as barragens de rejeito impactam o direito \u00e0 cidade?<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-787tc488\" class=\" eplus-wrapper\">LUCAS: Eu acho que a cidade \u00e9 o palco dos conflitos, Itabira \u00e9 a s\u00edntese disso, voc\u00ea tem um conflito: n\u00e3o \u00e9 a cidade que foi invadida pela minera\u00e7\u00e3o, a minera\u00e7\u00e3o invadiu a cidade, ent\u00e3o por isso que tem barragens perto de regi\u00f5es urbanas, perto de popula\u00e7\u00f5es, perto de comunidades, ent\u00e3o voc\u00ea tem os efeitos disso, e efeitos diversos, seja da polui\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica, seja de tremor de terra, seja de rachadura de casas, e seja mesmo do modo de vida que \u00e9 totalmente alterado pela atividade. Ent\u00e3o &nbsp; voc\u00ea tem essa situa\u00e7\u00e3o que conflita com o modo de vida das pessoas mesmo.&nbsp; As barragens s\u00e3o parte de um epis\u00f3dio de todas as marcas que a minera\u00e7\u00e3o traz.&nbsp; A atividade em si \u00e9 violenta, quando a gente fala de extrativismo \u00e9 extrair com viol\u00eancia. \u00c9 diferente a rela\u00e7\u00e3o que uma comunidade extrativista tem em rela\u00e7\u00e3o a seringueiros, a catadores, a intensidade do volume. Barragens s\u00e3o um epis\u00f3dio das viol\u00eancias e das marcas que essa atividade traz para a cidade e para a popula\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-l0tyd491\" class=\" eplus-wrapper\">YAMA: O que voc\u00ea acha que a experi\u00eancia de Itabira com a minera\u00e7\u00e3o pode ensinar pra gente pensando no futuro da rela\u00e7\u00e3o das cidades com a minera\u00e7\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-07jf3494\" class=\" eplus-wrapper\">LUCAS: Eu acho que Itabira tem um car\u00e1ter emblem\u00e1tico, o primeiro ponto \u00e9 isso, de ser o ber\u00e7o da Vale, de ser uma atividade mais antiga, e a\u00ed comparar com as situa\u00e7\u00f5es que acontecem n\u00e3o s\u00f3 em Minas Gerais, como em regi\u00f5es portu\u00e1rias, como a quest\u00e3o do Par\u00e1, Itabira foi um laborat\u00f3rio de testes para outras regi\u00f5es mineradoras. E, sobretudo, a mineradora \u00e9 que invade a cidade. \u00c9 uma cidade que j\u00e1 tinha uma vida pulsante, ao seu modo, claro, ent\u00e3o eu acho que pode ser, para al\u00e9m do estudo de caso em si, de ser um contra-exemplo\u2026&nbsp; Itabira n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a minera\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a Vale, acho que isso \u00e9 uma marca que a cidade tem, mas mostra, Itabira \u00e9 um exemplo de uma cidade que tem mem\u00f3ria, que tem povo, que tem multiplicidade e um tecido social muito heterog\u00eaneo, com v\u00e1rias experi\u00eancias e modos de vida.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-258gy498\" class=\" eplus-wrapper\"><mark style=\"color:#2410ea\" class=\"has-inline-color\">[Vinheta Oxig\u00eanio]<\/mark>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-7do0j501\" class=\" eplus-wrapper\">YAMA: Eu sei que eu falei que a gente daria uma pausa com as poesias. Mas j\u00e1 fazendo uma ponte para o pr\u00f3ximo e \u00faltimo epis\u00f3dio dessa s\u00e9rie, eu queria deixar voc\u00eas com mais uma reflex\u00e3o po\u00e9tica do Drummond sobre a marcha sem r\u00e9 do progresso.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-nllxd504\" class=\" eplus-wrapper\"><mark style=\"color:#2410ea\" class=\"has-inline-color\">[Transi\u00e7\u00e3o &#8211; trem 2]<\/mark><\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-cv7sy507\" class=\" eplus-wrapper\">FERNANDA: Infatig\u00e1vel<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-2mo8r509\" class=\" eplus-wrapper\">O progresso n\u00e3o recua.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-hf6qo511\" class=\" eplus-wrapper\">J\u00e1 transformou esta rua<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-2j59r513\" class=\" eplus-wrapper\">em buraco.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-ni3yw516\" class=\" eplus-wrapper\">E o progresso continua.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-6al98518\" class=\" eplus-wrapper\">Vai abrir neste buraco<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-kx5pj520\" class=\" eplus-wrapper\">outra rua.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-ys1qx523\" class=\" eplus-wrapper\">Afinal, da nova rua,<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-7wh6x525\" class=\" eplus-wrapper\">o progresso vai compor<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-h2bx5527\" class=\" eplus-wrapper\">outro buraco.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-ln3ot530\" class=\" eplus-wrapper\"><mark style=\"color:#2410ea\" class=\"has-inline-color\">[pausa em sil\u00eancio]<\/mark><\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-v50ec533\" class=\" eplus-wrapper\"><mark style=\"color:#2410ea\" class=\"has-inline-color\">[Come\u00e7a bio unit]<\/mark><\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-xws7z536\" class=\" eplus-wrapper\">Este epis\u00f3dio foi roteirizado e produzido por mim, Yama Chiodi. A revis\u00e3o foi da coordenadora do Oxig\u00eanio, Simone Pallone. Quem narrou os textos do Drummond foi a Fernanda Capuvilla e quem conversou comigo foi o Lucas Nasser.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-b5exe539\" class=\" eplus-wrapper\">Eu queria deixar um agradecimento ao site Vila de Utopia, que disponibilizou todas as cr\u00f4nicas do Drummond no Correio da Manh\u00e3 e facilitou muito meu processo de pesquisa pra esse epis\u00f3dio.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-i386u542\" class=\" eplus-wrapper\">A edi\u00e7\u00e3o foi feita pela Elisa Valderano. O Oxig\u00eanio \u00e9 um podcast produzido pelos alunos do Laborat\u00f3rio de Estudos Avan\u00e7ados em Jornalismo da Unicamp e colaboradores externos. Tem parceria com a Secretaria Executiva de Comunica\u00e7\u00e3o da Unicamp e apoio do Servi\u00e7o de Aux\u00edlio ao Estudante, da Unicamp. Al\u00e9m disso, contamos com o apoio da FAPESP, que financia bolsas como a que me apoia neste projeto de divulga\u00e7\u00e3o do&nbsp; Grupo de Estudos Interdisciplinares em Ci\u00eancia e Tecnologia, o GEICT.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-hmpor545\" class=\" eplus-wrapper\">A lista completa de cr\u00e9ditos para os sons e m\u00fasicas utilizados voc\u00ea encontra na descri\u00e7\u00e3o do epis\u00f3dio.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-9dcc1548\" class=\" eplus-wrapper\">Voc\u00ea encontra todos os epis\u00f3dios no site <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/oxigenio.comciencia.br\" rel=\"noreferrer noopener\">oxigenio.comciencia.br<\/a> e na sua plataforma preferida. No Instagram e no Facebook voc\u00ea nos encontra como Oxig\u00eanio Podcast. Segue l\u00e1 pra n\u00e3o perder nenhum epis\u00f3dio! Aproveite para deixar um coment\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-1a13w553\" class=\" eplus-wrapper\"><mark style=\"color:#2410ea\" class=\"has-inline-color\">[Termina bio unit]<\/mark><\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-lg3b7556\" class=\" eplus-wrapper\">Aerial foi composta por Bio Unit; Documentary por Coma-Media. Ambas sob licen\u00e7a Creative Commons.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-wdyxh559\" class=\" eplus-wrapper\">Ambos os sons de trens utilizados nesse epis\u00f3dio foram feitos por Sandro Lima e s\u00e3o livres para uso.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-2flhn562\" class=\" eplus-wrapper\">Os sons de rolha e os loops de baixo s\u00e3o da biblioteca de loops do Garage Band.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-old91565\" class=\" eplus-wrapper\">Livro do Lucas Nasser: Entre a vila e a mina viola\u00e7\u00f5es de direitos<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Baixe gratuitamente em: <a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/experteditora.com.br\/entre-a-vila-e-a-mina\/\" rel=\"noreferrer noopener\"><u>https:\/\/experteditora.com.br\/entre-a-vila-e-a-mina\/<\/u><\/a><br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mais um epis\u00f3dio de parceria entre o Oxig\u00eanio Podcast e o GEICT. Este \u00e9 o terceiro epis\u00f3dio da s\u00e9rie Cidade de Ferro, uma s\u00e9rie sobre os impactos sofridos pela cidade mineira Itabira, conhecida por ser a cidade natal de Carlos Drummond de Andrade que usou de sua poesia e suas [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":726,"featured_media":315,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[32,40,42,41,33],"tags":[44,60],"class_list":["post-217","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-na-midia","category-jornalismo-cientifico","category-mudancas-climaticas","category-oxigenio","category-podcast","tag-cidade-de-ferro","tag-mineracao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/217","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-json\/wp\/v2\/users\/726"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=217"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/217\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":316,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/217\/revisions\/316"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-json\/wp\/v2\/media\/315"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=217"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=217"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=217"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}