{"id":382,"date":"2023-08-08T15:56:43","date_gmt":"2023-08-08T18:56:43","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/?p=382"},"modified":"2025-05-21T16:02:55","modified_gmt":"2025-05-21T19:02:55","slug":"governar-as-plataformas-digitais-o-lugar-do-trabalho-sexual-no-debate-parte-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/2023\/08\/08\/governar-as-plataformas-digitais-o-lugar-do-trabalho-sexual-no-debate-parte-2\/","title":{"rendered":"Governar as plataformas digitais: o lugar do trabalho sexual no debate (parte 2)"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<pre class=\" wp-block-code eplus-wrapper\"><code>Por Lorena Caminhas<\/code><\/pre>\n\n\n<div data-breakout=\"normal\">\n<p class=\"e3Vej UGrRC gjiqH GX0-h\" dir=\"auto\" id=\"viewer-foo\"><span class=\"eKaei gjiqH\"><span>Este texto \u00e9 a continua\u00e7\u00e3o do artigo <\/span><u><span>&#8220;O que os marcadores sociais da diferen\u00e7a t\u00eam a nos dizer sobre os processos de governan\u00e7a da internet?&#8221;<\/span><\/u><span> <\/span><\/span><\/p>\n<p dir=\"auto\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/05\/a291fb_6d218bee68174d67a56e9768e7de72f2mv2-300x171.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"285\" class=\"wp-image-383 aligncenter\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/05\/a291fb_6d218bee68174d67a56e9768e7de72f2mv2-300x171.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/05\/a291fb_6d218bee68174d67a56e9768e7de72f2mv2-500x285.jpg 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/05\/a291fb_6d218bee68174d67a56e9768e7de72f2mv2.avif 617w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/p>\n<p dir=\"auto\"><span class=\"eKaei\"><span>H\u00e1 v\u00e1rias minorias de g\u00eanero e sexuais nas plataformas digitais contempor\u00e2neas, sobretudo se direcionarmos o foco para as m\u00eddias sociais. Neste texto, pretendo me focar em uma minoria que ainda est\u00e1 invis\u00edvel no debate sobre a regula\u00e7\u00e3o do digital, mas que talvez seja aquela que sofra mais diretamente as consequ\u00eancias dos processos de governan\u00e7a contempor\u00e2neos. S\u00e3o as trabalhadoras e os trabalhadores sexuais.<\/span><\/span><\/p>\n<div data-breakout=\"normal\">\n<p class=\"e3Vej UGrRC gjiqH GX0-h\" dir=\"auto\" id=\"viewer-830tu\"><span class=\"eKaei gjiqH\"><span> Imagino n\u00e3o ser novidade para ningu\u00e9m que <\/span><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/decodingstigma.substack.com\/p\/cybernetic-sex-worker\" rel=\"noopener\" class=\"q2QVv oiVLY\" data-hook=\"web-link\"><span><u>o sexo e a pornografia s\u00e3o importantes motores da internet<\/u><\/span><\/a><span>. Com a chegada das plataformas digitais, essa m\u00e1xima continua v\u00e1lida. Nos \u00faltimos anos, isso tem ficado ainda mais claro com o boom do OnlyFans e outras plataformas de patroc\u00ednio que t\u00eam sido tomadas pela venda de conte\u00fado pornogr\u00e1fico, a expans\u00e3o de plataformas para lives er\u00f3ticas e venda de pacotes de conte\u00fado, o uso das m\u00eddias sociais para divulga\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os e produtos sexuais e er\u00f3ticos. Em suma, a internet contempor\u00e2nea \u00e9 perpassada pelo sexo e erotismo (comercial ou n\u00e3o) e povoada por trabalhadoras e trabalhadores sexuais que utilizam esses espa\u00e7os para se promoverem e se expressarem. Mas a verdade \u00e9 que essa popula\u00e7\u00e3o tem sofrido com processos de discrimina\u00e7\u00e3o engendrados social e tecnologicamente, denominados como \u201c<\/span><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/nrl.northumbria.ac.uk\/id\/eprint\/48107\/1\/Deplatforming%20Sex%20Roundtable%20Final%20Version%209%20Nov%202021.pdf\" rel=\"noopener\" class=\"q2QVv oiVLY\" data-hook=\"web-link\"><span><u>automating whorephobia<\/u><\/span><\/a><span>\u201d. E isso vale para os processos de regula\u00e7\u00e3o, que passam ao largo do direito dessas\/es trabalhadoras\/es ou promovem efeitos colaterais delet\u00e9rios \u00e0 sua perman\u00eancia no digital. <\/span><\/span><\/p>\n<\/div>\n<div data-hook=\"rcv-block6\"><\/div>\n<div data-breakout=\"normal\">\n<h4 class=\"e3Vej UGrRC d-MNq GX0-h\" dir=\"auto\" id=\"viewer-6gulo\"><span class=\"eKaei gjiqH\"><strong><em><span>O centro, as franjas e o espa\u00e7o do trabalho sexual<\/span><\/em><\/strong><\/span><\/h4>\n<div data-breakout=\"normal\">\n<p class=\"e3Vej UGrRC gjiqH GX0-h\" dir=\"auto\" id=\"viewer-5ksp4\"><span class=\"eKaei gjiqH\"><span>Em texto anterior para este blog, comentei brevemente que o ecossistema do digital \u00e9 estratificado e que sua geografia \u00e9 formada por centros e franjas. Essa divis\u00e3o em centros e franjas pode ser interpretada de v\u00e1rias maneiras, mas aqui ela demonstra a divis\u00e3o entre plataformas massivamente utilizadas e centrais para o funcionamento do online e plataformas menores, mais recentes, em busca de usu\u00e1rios\/as para sua sustenta\u00e7\u00e3o. Tal segmenta\u00e7\u00e3o \u00e9 de suma import\u00e2ncia porque as plataformas das franjas costumam implementar termos de uso e pol\u00edticas de privacidade mais flex\u00edveis para poderem atrair pessoas e grupos, sobretudo aqueles que t\u00eam dificuldade de acesso e perman\u00eancia \u00e0s plataformas do centro. \u00c9 de suma import\u00e2ncia salientar que essas diretrizes s\u00e3o partes primordiais do processo de governan\u00e7a privada engendrada pelas plataformas. Trabalhadoras e trabalhadores sexuais t\u00eam sido constantemente empurrado para essas franjas. E quando elas\/es acessam os centros, <\/span><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/hackinghustling.org\/posting-into-the-void-content-moderation\/\" rel=\"noopener\" class=\"q2QVv oiVLY\" data-hook=\"web-link\"><span><u>s\u00e3o empurrados para guetos por processos t\u00e9cnicos de exclus\u00e3o<\/u><\/span><\/a><span>. Apenas \u00e0 t\u00edtulo de ilustra\u00e7\u00e3o: voc\u00ea j\u00e1 se deparou com algum\/a trabalhador\/a sexual em seu Instagram? E no seu Twitter? Mas voc\u00ea j\u00e1 encontrou um\/a criador\/a de conte\u00fado de moda ou de com\u00e9dia no seu feed? Agora aos fatos: o Twitter \u00e9 ainda hoje a principal m\u00eddia social para trabalho sexual no mundo, enquanto o Instagram (e tamb\u00e9m o TikTok!) tem se tornado central para trabalhadores\/as sexuais. Por fim, \u00e9 importante dizer que no Reddit e no Telegram, mais \u00e0s franjas, qualquer um de n\u00f3s encontraremos facilmente algu\u00e9m exercendo trabalho sexual. <\/span><\/span><\/p>\n<h4 dir=\"auto\"><span class=\"eKaei gjiqH\"><strong><em><span>Exclus\u00e3o, desplataformiza\u00e7\u00e3o e o impacto do SESTA\/FOSTA<\/span><\/em><\/strong><\/span><\/h4>\n<div data-breakout=\"normal\">\n<p class=\"e3Vej UGrRC gjiqH GX0-h\" dir=\"auto\" id=\"viewer-2353b\"><span class=\"eKaei gjiqH\"><span>Se a geografia do digital e os processos de governan\u00e7a implementados nos centros e nas franjas j\u00e1 promovem a expuls\u00e3o do trabalho sexual, as tentativas de regula\u00e7\u00e3o das plataformas tamb\u00e9m t\u00eam o potencial de impactar negativamente na popula\u00e7\u00e3o de trabalhadores\/as sexuais. <\/span><\/span><\/p>\n<\/div>\n<div data-hook=\"rcv-block12\"><\/div>\n<div data-breakout=\"normal\">\n<p class=\"e3Vej UGrRC gjiqH GX0-h\" dir=\"auto\" id=\"viewer-cbcj0\"><span class=\"eKaei gjiqH\"><span> Em 2018, um conjunto de leis denominado <\/span><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/hackinghustling.org\/what-is-sesta-fosta\/\" rel=\"noopener\" class=\"q2QVv oiVLY\" data-hook=\"web-link\"><span><u>SESTA\/FOSTA<\/u><\/span><\/a><span> (Lei Contra a Facilita\u00e7\u00e3o de Traficantes Sexuais e Lei de Combate do Tr\u00e1fico Sexual Online) foi aprovada no Congresso dos Estados Unidos com o princ\u00edpio de combater o tr\u00e1fico e a explora\u00e7\u00e3o sexual nas plataformas digitais. Esse arcabou\u00e7o pretende alterar a <\/span><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/hrlr.law.columbia.edu\/files\/2021\/04\/1084_Albert.pdf\" rel=\"noopener\" class=\"q2QVv oiVLY\" data-hook=\"web-link\"><span><u>se\u00e7\u00e3o 230 da Lei de Dec\u00eancia nas Comunica\u00e7\u00f5es de 1996<\/u><\/span><\/a><span> dos EUA de modo a tornar os provedores de internet respons\u00e1veis por conte\u00fado de natureza sexual e pornogr\u00e1fica que circulem em suas infraestruturas. No entanto, essas leis que visavam \u00e0 responsabiliza\u00e7\u00e3o tiveram <\/span><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.techdirt.com\/2021\/07\/29\/enough-about-fostas-unintended-consequences-they-were-always-intended\/\" rel=\"noopener\" class=\"q2QVv oiVLY\" data-hook=\"web-link\"><span><u>impactos diretos<\/u><\/span><\/a><span> nas pessoas que exercem trabalho sexual, promovendo <\/span><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/decriminalizesex.work\/advocacy\/sesta-fosta\/what-is-sesta-fosta\/\" rel=\"noopener\" class=\"q2QVv oiVLY\" data-hook=\"web-link\"><span><u>uma ca\u00e7a \u00e0s bruxas<\/u><\/span><\/a><span> a esses\/as trabalhadores\/as e a outras minorias sexuais e de g\u00eanero. No fim das contas, a ideia era promover uma limpeza dos espa\u00e7os digitais de \u201cpopula\u00e7\u00f5es indesejadas\u201d. Esse processo lembra bastante propostas higienistas para retirarem a prostitui\u00e7\u00e3o dos centros das cidades e confinarem as\/os trabalhadoras\/es em periferias. E \u00e9 not\u00f3rio o fato de que uma proposta que visava atribuir responsabilidade \u00e0s plataformas pelo conte\u00fado circulado se concentrou especificamente em promover um expurgo no digital e marginalizar uma popula\u00e7\u00e3o que tem historicamente seus direitos negados. <\/span><\/span><\/p>\n<\/div>\n<div data-breakout=\"normal\">\n<p class=\"e3Vej UGrRC gjiqH GX0-h\" dir=\"auto\" id=\"viewer-4mikt\"><span class=\"eKaei gjiqH\"><span> Olhar para o contexto de exclus\u00e3o do trabalho sexual no digital e nos processos de governan\u00e7a n\u00e3o significa apenas atestar a condi\u00e7\u00e3o de injusti\u00e7a enfrentada por trabalhadores\/as sexuais. As consequ\u00eancias sofridas por essa popula\u00e7\u00e3o s\u00e3o sentidas tamb\u00e9m por outras minorias sexuais e de g\u00eanero em todo o digital. O SESTA\/FOSTA criou preju\u00edzos para pessoas do universo LGBTQIAP+ e est\u00e1 diretamente relacionada aos casos dos artistas queer que tiveram contas derrubadas ou conte\u00fado censurado. Devido \u00e0 amplitude do entendimento de pornografia e conte\u00fado sexual desse conjunto legal, mesmo manifesta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas ou express\u00f5es de identidades est\u00e3o sujeitas a serem interpretadas como viola\u00e7\u00f5es. <\/span><\/span><\/p>\n<\/div>\n<div data-breakout=\"normal\">\n<p class=\"e3Vej UGrRC gjiqH GX0-h\" dir=\"auto\" id=\"viewer-5okn9\"><span class=\"eKaei gjiqH\"><span> O exemplo do SESTA\/FOSTA tamb\u00e9m revela qu\u00e3o complicado \u00e9 o campo da regula\u00e7\u00e3o. Ainda que o Estado defina diretrizes legais para a atua\u00e7\u00e3o das plataformas, uma parte dos processos de decis\u00e3o continuam na m\u00e3o dessas empresas. E a depender das press\u00f5es a quepress\u00f5es que elas se vejam submetidas, corre-se o risco de que elas ampliemampliam a ofensiva sobre minorias que utilizam o digital para se expressarem. Por isso, mecanismos que promovam a transpar\u00eancia nas decis\u00f5es das plataformas (que j\u00e1 est\u00e3o vislumbrados na <\/span><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.camara.leg.br\/proposicoesWeb\/prop_mostrarintegra?codteor=1909983&amp;filename=PL%202630\/2020\" rel=\"noopener\" class=\"q2QVv oiVLY\" data-hook=\"web-link\"><span><u>PL 2630<\/u><\/span><\/a><span>) s\u00e3o de primeira import\u00e2ncia. <\/span><\/span><\/p>\n<h4 dir=\"auto\"><span class=\"eKaei gjiqH\"><strong><em><span>Governar os processos de exclus\u00e3o<\/span><\/em><\/strong><\/span><\/h4>\n<div data-breakout=\"normal\">\n<p class=\"e3Vej UGrRC gjiqH GX0-h\" dir=\"auto\" id=\"viewer-cevf7\"><span class=\"eKaei gjiqH\"><span>Trabalhadores\/as sexuais est\u00e3o sujeitos\/as a formas de exclus\u00e3o que paulatinamente se tornam realidade para v\u00e1rias outras minorias sociais. \u00c9 de suma import\u00e2ncia reconhecer e nomear essas formas de segrega\u00e7\u00e3o no digital a fim de promover uma regula\u00e7\u00e3o que tenha em mente os mecanismos excludentes engendrados nas tecnologias digitais contempor\u00e2neas. Os principais processos s\u00e3o: a <\/span><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.vice.com\/en\/article\/a3q744\/where-did-shadow-banning-come-from-trump-republicans-shadowbanned\" rel=\"noopener\" class=\"q2QVv oiVLY\" data-hook=\"web-link\"><span><u>restri\u00e7\u00e3o<\/u><\/span><\/a><span>, a <\/span><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/journals.sagepub.com\/doi\/full\/10.1177\/20563051221117552\" rel=\"noopener\" class=\"q2QVv oiVLY\" data-hook=\"web-link\"><span><u>redu\u00e7\u00e3o<\/u><\/span><\/a><span> e a <\/span><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/journals.sagepub.com\/doi\/full\/10.1177\/0267323120922066\" rel=\"noopener\" class=\"q2QVv oiVLY\" data-hook=\"web-link\"><span><u>desplataformiza\u00e7\u00e3o<\/u><\/span><\/a><span>. Os tr\u00eas s\u00e3o correlacionados e evidenciam um processo de expuls\u00e3o gradual e quase silenciosa de pessoas e grupos inteiros das plataformas. O primeiro diz respeito \u00e0 restri\u00e7\u00e3o de conte\u00fado ou do alcance do conte\u00fado, exemplificado pelo shadowban. O segundo ocorre quando certos conte\u00fados ou contas inteiras s\u00e3o sinalizados como ofensivos e reportados como viola\u00e7\u00f5es \u00e0s diretrizes da comunidade (um aviso antes da expuls\u00e3o por completo). O \u00faltimo, a desplataformiza\u00e7\u00e3o, se relaciona ao ato de derrubar e banir contas, sem a possibilidade de retomada das mesmas. Trabalhadores\/as sexuais est\u00e3o sujeitos\/as a esses tr\u00eas mecanismos diariamente em seu uso das plataformas digitais, sobretudo das m\u00eddias sociais. Mas n\u00e3o s\u00f3 ele\/as. <\/span><\/span><\/p>\n<\/div>\n<div data-breakout=\"normal\">\n<p class=\"e3Vej UGrRC gjiqH GX0-h\" dir=\"auto\" id=\"viewer-f66pb\"><span class=\"eKaei gjiqH\"><span>Reconhecer essas engrenagens de estratifica\u00e7\u00e3o e a quem elas s\u00e3o direcionadas ajuda a questionar o discurso das plataformas de que elas n\u00e3o s\u00e3o capazes de controlar conte\u00fados extremistas, antidemocr\u00e1ticos e criminosos em suas infraestruturas. A administra\u00e7\u00e3o sobre a presen\u00e7a de trabalhadores\/as sexuais e de minorias sexuais e de g\u00eanero parece estar na ordem do dia, mas o mesmo n\u00e3o \u00e9 v\u00e1lido para o preconceito e o \u00f3dio no digital. Iniciativas de regula\u00e7\u00e3o que proponham uma outra governan\u00e7a se deparam com a dif\u00edcil tarefa de balancear e examinar os v\u00e1rios processos de exclus\u00e3o, legislando sobre eles e definindo quais exclus\u00f5es contribuem a um espa\u00e7o mais democr\u00e1tico. Dito de outro modo, desde uma perspectiva positiva, \u00e9 necess\u00e1rio regular para promover um espa\u00e7o em que a diversidade e a diferen\u00e7a possam existir, florescer e prosperar. Ainda que essa n\u00e3o seja uma tarefa f\u00e1cil e simples, ela \u00e9 necess\u00e1ria e urgente. E ela s\u00f3 pode ser realizada em di\u00e1logo cont\u00ednuo e atento com as minorias afetadas. H\u00e1 muito a se aprender com a experi\u00eancia de trabalhadores\/as sexuais e outros grupos marcados por g\u00eanero e sexualidade. Estamos certos de que a regula\u00e7\u00e3o e responsabiliza\u00e7\u00e3o das plataformas \u00e9 imprescind\u00edvel, e que a promo\u00e7\u00e3o de uma governan\u00e7a inclusiva \u00e9 o caminho para um digital mais democr\u00e1tico. <\/span><\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este texto \u00e9 a continua\u00e7\u00e3o do artigo &#8220;O que os marcadores sociais da diferen\u00e7a t\u00eam a nos dizer sobre os processos de governan\u00e7a da internet?&#8221; H\u00e1 v\u00e1rias minorias de g\u00eanero e sexuais nas plataformas digitais contempor\u00e2neas, sobretudo se direcionarmos o foco para as m\u00eddias sociais. 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