{"id":399,"date":"2023-06-28T16:27:28","date_gmt":"2023-06-28T19:27:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/?p=399"},"modified":"2025-05-21T16:37:06","modified_gmt":"2025-05-21T19:37:06","slug":"regulacao-das-plataformas-digitais-grupos-minoritarios-e-trabalhadores-sexuais-entrevista-com-a-dra-lorena-caminhas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/2023\/06\/28\/regulacao-das-plataformas-digitais-grupos-minoritarios-e-trabalhadores-sexuais-entrevista-com-a-dra-lorena-caminhas\/","title":{"rendered":"Regula\u00e7\u00e3o das plataformas digitais, grupos minorit\u00e1rios e trabalhadores sexuais &#8211; Entrevista com a Dra. Lorena Caminhas"},"content":{"rendered":"\n<p class=\" eplus-wrapper\"><\/p>\n\n\n\n<pre class=\" wp-block-code eplus-wrapper\"><code>Por Yama Chiodi<\/code><\/pre>\n\n\n<div data-breakout=\"normal\">\n<div class=\"e3Vej UGrRC d-MNq GX0-h\" dir=\"auto\" id=\"viewer-62fa9\"><span class=\"eKaei\">\u00a0<\/span><\/div>\n<\/div>\n<div data-hook=\"rcv-block2\"><\/div>\n<div data-breakout=\"normal\">\n<p class=\"e3Vej UGrRC gjiqH GX0-h\" dir=\"auto\" id=\"viewer-f5b40\"><span class=\"eKaei gjiqH\">No \u00faltimo dia 15 de junho, a pesquisadora do GEICT Lorena Caminhas deu <a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/youtube.com\/live\/X31UCXFdtqk?feature=share\" rel=\"noopener\" class=\"q2QVv oiVLY\" data-hook=\"web-link\"><u>uma palestra na faculdade de direito da USP<\/u><\/a> que abordava a regula\u00e7\u00e3o das plataformas digitais e os modos como os chamados &#8220;marcadores sociais da diferen\u00e7a&#8221; importam nesse debate. O blog do GEICT acompanhou a fala de Caminhas e realizou uma entrevista com a pesquisadora.<span> <\/span><\/span><\/p>\n<p dir=\"auto\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/05\/a291fb_d83f7205742c4dceab2f1535c0282cd6mv2-212x300.jpg\" alt=\"\" width=\"321\" height=\"454\" class=\" wp-image-400 aligncenter\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/05\/a291fb_d83f7205742c4dceab2f1535c0282cd6mv2-212x300.jpg 212w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/05\/a291fb_d83f7205742c4dceab2f1535c0282cd6mv2.avif 292w\" sizes=\"(max-width: 321px) 100vw, 321px\" \/><\/p>\n<div data-breakout=\"normal\">\n<p class=\"e3Vej UGrRC gjiqH GX0-h\" dir=\"auto\" id=\"viewer-1ufef\"><span class=\"eKaei gjiqH\"><span> Parece cada vez mais expl\u00edcito que as plataformas digitais precisam de uma regula\u00e7\u00e3o espec\u00edfica. Al\u00e9m da concentra\u00e7\u00e3o de poder das empresas frequentemente referidas como &#8220;Big Tech&#8221;, abundam-se os casos de viol\u00eancia contra grupos minorit\u00e1rios, ataques \u00e0s democracias e outras pr\u00e1ticas criminosas no ambiente digital. <\/span><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.intercept.com.br\/2023\/05\/08\/pl-das-fake-news-big-techs-tem-maior-lobby-do-mundo\/\" rel=\"noopener\" class=\"q2QVv oiVLY\" data-hook=\"web-link\"><span><u>A muito noticiada<\/u><\/span><\/a><span> rea\u00e7\u00e3o do Google, Twitter, Telegram e outras detentoras de plataformas digitais perante o PL das Fake News (PL 2630) deu uma pequena demonstra\u00e7\u00e3o de qu\u00e3o longe estas empresas podem ir para garantir que continuem sem qualquer responsabilidade sobre o que acontece em suas plataformas.<\/span><\/span><\/p>\n<\/div>\n<div data-breakout=\"normal\">\n<p class=\"e3Vej UGrRC gjiqH GX0-h\" dir=\"auto\" id=\"viewer-c0qr5\"><span class=\"eKaei gjiqH\"><span> Por mais necess\u00e1ria que seja uma regula\u00e7\u00e3o que garanta a seguran\u00e7a de grupos minorit\u00e1rios e o respeito \u00e0s leis brasileiras, experi\u00eancias de regula\u00e7\u00e3o recentes, como a SESTA\/FOSTA nos Estados Unidos, mostram que uma regula\u00e7\u00e3o inadequada <\/span><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2019\/12\/17\/technology\/fosta-sex-trafficking-law.html\" rel=\"noopener\" class=\"q2QVv oiVLY\" data-hook=\"web-link\"><span><u>pode agravar o cen\u00e1rio de inseguran\u00e7a mesmo que a inten\u00e7\u00e3o seja o contr\u00e1rio<\/u><\/span><\/a><span>. Por isso \u00e9 essencial que o debate sobre a regula\u00e7\u00e3o das plataformas digitais passe por uma pesquisa cuidadosa sobre as caracter\u00edsticas espec\u00edficas de cada uma dessas plataformas e sobre os grupos que s\u00e3o mais afetados nas redes diante da omiss\u00e3o das Big Tech. <\/span><\/span><\/p>\n<\/div>\n<div data-breakout=\"normal\">\n<p class=\"e3Vej UGrRC gjiqH GX0-h\" dir=\"auto\" id=\"viewer-50a7l\"><span class=\"eKaei gjiqH\"><span> \u00c9 precisamente o que tem feito a pesquisadora Lorena Caminhas. Se no <\/span><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/repositorio.unicamp.br\/acervo\/detalhe\/1129045\" rel=\"noopener\" class=\"q2QVv oiVLY\" data-hook=\"web-link\"><span><u>doutorado<\/u><\/span><\/a><span> ela se concentrou em pesquisar as <\/span><em><span>camgirls<\/span><\/em><span> e as plataformas onde trabalhavam (<\/span><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.geict.com.br\/post\/plataformas-digitais-e-o-com%C3%A9rcio-er%C3%B3tico-sexual-no-brasil\" rel=\"noopener\" class=\"q2QVv oiVLY\" data-hook=\"web-link\"><span><u>tema sobre o qual ela escreveu para o blog no passado<\/u><\/span><\/a><span>), agora sua preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 menos direcionada a um grupo e plataformas espec\u00edficas. A regula\u00e7\u00e3o das plataformas digitais tem \u00edntima rela\u00e7\u00e3o com os problemas de classe, g\u00eanero, ra\u00e7a e sexualidade na contemporaneidade. Atenta a este problema, Lorena tem se dedicado a pensar nos elementos necess\u00e1rios para que uma nova regula\u00e7\u00e3o atenda \u00e0s necessidades e seguran\u00e7a de minorias, trabalhadores sexuais e outros grupos mais suscet\u00edveis a sofrer viol\u00eancias nas plataformas. <\/span><\/span><\/p>\n<h4 dir=\"auto\"><span class=\"eKaei gjiqH\"><strong><span>Cinco perguntas para a Dra. Lorena Caminhas<\/span><\/strong><\/span><\/h4>\n<div id=\"attachment_402\" style=\"width: 730px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-402\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/05\/lorena-300x135.jpg\" alt=\"Foto da pesquisadora Lorena Caminhas.\" width=\"720\" height=\"324\" class=\" wp-image-402\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/05\/lorena-300x135.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/05\/lorena-1024x462.jpg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/05\/lorena-768x346.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/05\/lorena-1536x693.jpg 1536w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/05\/lorena-500x226.jpg 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/05\/lorena-800x361.jpg 800w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/05\/lorena-1280x577.jpg 1280w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/05\/lorena.jpg 1760w\" sizes=\"(max-width: 720px) 100vw, 720px\" \/><p id=\"caption-attachment-402\" class=\"wp-caption-text\">Foto da pesquisadora Lorena Caminhas.<\/p><\/div>\n<div data-breakout=\"normal\">\n<p class=\"e3Vej UGrRC gjiqH GX0-h\" dir=\"auto\" id=\"viewer-da1rg\"><strong><span class=\"eKaei gjiqH\">Yama Chiodi: Boa tarde, Lorena. Obrigado por falar com o blog. A minha primeira pergunta \u00e9 a mais geral: por que fazer uma regulamenta\u00e7\u00e3o das plataformas digitais?<\/span><\/strong><\/p>\n<div data-breakout=\"normal\">\n<p class=\"e3Vej UGrRC gjiqH GX0-h\" dir=\"auto\" id=\"viewer-91d0o\"><span class=\"eKaei gjiqH\"><strong><span>Lorena Caminhas<\/span><\/strong><span>: Boa tarde, Yama. Obrigada por me enviar as perguntas e por estar fazendo esse trabalho de cobertura do evento! Desde cerca de 2010, n\u00f3s estamos acompanhando uma mudan\u00e7a estrutural na internet e no modo como usamos e circulamos por ela com a chegada do modelo das plataformas. Basicamente esse modelo estabelece uma infraestrutura de conex\u00e3o que se torna cada vez mais dependente de operadores centrais para ser viabilizada, tornando a internet um espa\u00e7o mais privatizado e propriet\u00e1rio. O efeito mais imediato disso pode ser visto no crescimento exponencial da GAFAM (Google, Apple, Facebook-Meta, Amazon e Microsoft). Com esse modelo, os processos decis\u00f3rios sobre o espa\u00e7o digital passaram a ser administrados por essas empresas privadas que coordenam as infraestruturas, sobretudo por meio de Termos de Uso e Pol\u00edticas de Privacidade que s\u00e3o mandat\u00f3rias para o uso dos v\u00e1rios espa\u00e7os da internet. <\/span><\/span><\/p>\n<\/div>\n<div data-breakout=\"normal\">\n<div dir=\"ltr\" id=\"viewer-6qc9r\">\n<blockquote class=\"_50Xdi\">\n<div class=\"gjiqH GX0-h\" dir=\"auto\" id=\"viewer-r2i55624475\"><span class=\"eKaei gjiqH\"><span>Em suma, empresas privadas de tecnologia e m\u00eddia passaram a ter poder regulador sobre os processos sociais e sobre o conte\u00fado que circula na internet. \u00c9 nesse contexto em que as demandas por regula\u00e7\u00e3o desde o Estado e a sociedade civil come\u00e7am a despontar, questionando a legitimidade de empresas privadas regularem um espa\u00e7o que \u00e9 sociocultural. <\/span><\/span><\/div>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<div data-breakout=\"normal\">\n<p class=\"e3Vej UGrRC gjiqH GX0-h\" dir=\"auto\" id=\"viewer-1abv2\"><span class=\"eKaei gjiqH\"><span>Do meu ponto de vista, a regulamenta\u00e7\u00e3o por via jur\u00eddica e legislativa \u00e9 uma forma democr\u00e1tica de legislar sobre o espa\u00e7o online, buscando definir que internet queremos enquanto sociedade. \u00c9 tamb\u00e9m uma forma de garantir os direitos constitucionais e de minorias sociais que se veem afetadas pelas decis\u00f5es unilaterais e antidemocr\u00e1ticas das plataformas. E, indo al\u00e9m, \u00e9 uma forma de estabelecer fronteiras e limites para empresas multinacionais que adentram territ\u00f3rios locais ignorando a jurisdi\u00e7\u00e3o nacional e as especificidades socioculturais do pa\u00eds. Apenas pontuo que uma regula\u00e7\u00e3o das plataformas deve ser um processo cont\u00ednuo que envolva um amplo debate social e que busque evitar, sempre na medida do poss\u00edvel, efeitos colaterais delet\u00e9rios \u00e0 minorias sociais.<\/span><\/span><\/p>\n<\/div>\n<div data-hook=\"rcv-block24\"><\/div>\n<div data-breakout=\"normal\">\n<p class=\"e3Vej UGrRC gjiqH GX0-h\" dir=\"auto\" id=\"viewer-ftb8v\"><span class=\"eKaei gjiqH\"><strong><span>YC: Durante a sua palestra voc\u00ea mencionou v\u00e1rias vezes a lei americana SESTA\/FOSTA e disse tamb\u00e9m que ela acabou tendo o efeito contr\u00e1rio do esperado. Voc\u00ea pode falar um pouco sobre a lei e como ela impacta o debate fora dos EUA?<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<\/div>\n<div data-breakout=\"normal\">\n<p class=\"e3Vej UGrRC gjiqH GX0-h\" dir=\"auto\" id=\"viewer-3sama\"><span class=\"eKaei gjiqH\"><span>LC: A SESTA\/FOSTA \u00e9 um conjunto legislativo passado em 2018, durante o governo Trump, na Corte Norte Americana promovendo uma emenda na Lei de Dec\u00eancia das Comunica\u00e7\u00f5es, mais especificamente na Se\u00e7\u00e3o 230 que define que as operadores de plataformas n\u00e3o podem ser responsabilizadas por conte\u00fado de terceiros, uma vez que elas n\u00e3o s\u00e3o equiparadas \u00e0s empresas de m\u00eddia e edi\u00e7\u00e3o de conte\u00fado mais tradicionais. SESTA \u00e9 a Lei de Combate \u00e0 Facilita\u00e7\u00e3o de Traficantes Sexuais e FOSTA \u00e9 a Lei de Combate ao Tr\u00e1fico Sexual Online. Em conjunto, elas representam a possibilidade legal de tornar os provedores de internet e as operadoras de plataformas respons\u00e1veis pela circula\u00e7\u00e3o de conte\u00fado de car\u00e1ter pornogr\u00e1fico e por facilita\u00e7\u00e3o de prostitui\u00e7\u00e3o. Veja-se que prostitui\u00e7\u00e3o nesse conjunto legal \u00e9 compreendida como uma atividade ilegal que necessariamente envolveria o tr\u00e1fico de pessoas e a explora\u00e7\u00e3o sexual. Por isso, j\u00e1 existe nos EUA uma brecha legislativa para responsabiliza\u00e7\u00e3o das plataformas mesmo por conte\u00fado de terceiros. A SESTA\/FOSTA est\u00e1 tamb\u00e9m colocada como uma tentativa de regular desde o Estado a atividade das plataformas. No entanto, elas trouxeram profundas consequ\u00eancias para a popula\u00e7\u00e3o de trabalhadores e trabalhadoras sexuais e para minorias sexuais e de g\u00eanero, mas tamb\u00e9m para como n\u00f3s usamos atualmente a internet. <\/span><\/span><\/p>\n<\/div>\n<div data-breakout=\"normal\">\n<div dir=\"ltr\" id=\"viewer-10hem\">\n<blockquote class=\"_50Xdi\">\n<div class=\"gjiqH GX0-h\" dir=\"auto\" id=\"viewer-eos6y624481\"><span class=\"eKaei gjiqH\"><span>Quando acompanhamos pol\u00edticas de modera\u00e7\u00e3o de conte\u00fado mais restritivas e punitivas nas m\u00eddias sociais, sobretudo aquelas que prejudicam minorias sociais, podemos associar esse fen\u00f4meno diretamente \u00e0 aprova\u00e7\u00e3o desse conjunto legislativo. Como as plataformas querem evitar a responsabiliza\u00e7\u00e3o por suas atividades, elas respondem de modo a exercer maior controle sobre os espa\u00e7os que elas coordenam, prejudicando popula\u00e7\u00f5es que socialmente j\u00e1 sofrem preju\u00edzos e exclus\u00f5es. <\/span><\/span><\/div>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<div data-breakout=\"normal\">\n<p class=\"e3Vej UGrRC gjiqH GX0-h\" dir=\"auto\" id=\"viewer-anju\"><span class=\"eKaei gjiqH\"><span>E os efeitos dessas legisla\u00e7\u00f5es extrapolam muito o contexto norte-americano, uma vez que as plataformas mais utilizadas mundialmente s\u00e3o estadunidenses e respondem \u00e0s legisla\u00e7\u00f5es daquele pa\u00eds. Aqui no Brasil, por exemplo, entre 2020 e 2021 acompanhamos uma s\u00e9rie de artistas e criadores LGBTQIA + banidos de m\u00eddias sociais como o Instagram ou mesmo lidando com a diminui\u00e7\u00e3o de seu alcance nesses espa\u00e7os &#8211; o famigerado shadowban. Al\u00e9m disso, vale salientar que os esfor\u00e7os de expulsar ou mesmo empurrar para guetos online as\/os profissinais do sexo s\u00f3 se acirraram ap\u00f3s a SESTA\/FOSTA, deixando essa popula\u00e7\u00e3o mais vulner\u00e1vel \u00e0s decis\u00f5es unilaterais e muitas vezes injustas das plataformas. <\/span><\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_401\" style=\"width: 302px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-401\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/05\/a291fb_912e97dd49bf45fc83034a09c70b43aamv2.avif\" alt=\"Imagem gerada utilizando a ferramenta Dall-E 2.5. Creditar o blog do GEICT em caso de reutiliza\u00e7\u00e3o. \" width=\"292\" height=\"292\" class=\"size-full wp-image-401\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/05\/a291fb_912e97dd49bf45fc83034a09c70b43aamv2.avif 292w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/05\/a291fb_912e97dd49bf45fc83034a09c70b43aamv2-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 292px) 100vw, 292px\" \/><p id=\"caption-attachment-401\" class=\"wp-caption-text\">Imagem gerada utilizando a ferramenta Dall-E 2.5. Creditar o blog do GEICT em caso de reutiliza\u00e7\u00e3o.<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div data-breakout=\"normal\">\n<p class=\"e3Vej UGrRC gjiqH GX0-h\" dir=\"auto\" id=\"viewer-89fh6\"><span class=\"eKaei gjiqH\"><strong><span>YC: Quais grupos sociais s\u00e3o mais afetados pela aus\u00eancia de regulamenta\u00e7\u00e3o? H\u00e1 uma correla\u00e7\u00e3o entre grupos mais vulner\u00e1veis na sociedade em geral e nas plataformas digitais?<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<\/div>\n<div data-breakout=\"normal\">\n<p class=\"e3Vej UGrRC gjiqH GX0-h\" dir=\"auto\" id=\"viewer-6u3q0\"><span class=\"eKaei gjiqH\"><span>LC: A sociedade como um todo \u00e9 afetada pela falta de regulamenta\u00e7\u00e3o, mas certamente grupos minorit\u00e1rios tendem a sofrer mais com esse processo. Por exemplo, popula\u00e7\u00f5es minorit\u00e1rias sofrem com a dissemina\u00e7\u00e3o de discurso de \u00f3dio e de preconceito racial, de g\u00eanero e de sexualidade, com a forma\u00e7\u00e3o de grupos extremistas e neonazistas. Esses processos exp\u00f5em ainda mais essa popula\u00e7\u00e3o \u00e0 viol\u00eancia e \u00e0 desigualdade. <\/span><\/span><\/p>\n<\/div>\n<div data-breakout=\"normal\">\n<div dir=\"ltr\" id=\"viewer-1kk8h\">\n<blockquote class=\"_50Xdi\">\n<div class=\"gjiqH GX0-h\" dir=\"auto\" id=\"viewer-y4z58624488\"><span class=\"eKaei gjiqH\"><span>\u00c9 poss\u00edvel estabelecer uma correla\u00e7\u00e3o entre popula\u00e7\u00f5es socialmente minorit\u00e1rias e posi\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade nas plataformas, mas essa n\u00e3o \u00e9 uma transposi\u00e7\u00e3o linear de uma realidade a outra. H\u00e1 processos pr\u00f3prios das plataformas que ampliam ou refor\u00e7am a condi\u00e7\u00e3o de minorias. Mas o que \u00e9 poss\u00edvel afirmar \u00e9 que sociedade e plataformas est\u00e3o em \u00edntima rela\u00e7\u00e3o quando falamos dos processos para estabelecer diferen\u00e7as e desigualdades. <\/span><\/span><\/div>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<div data-breakout=\"normal\">\n<p class=\"e3Vej UGrRC gjiqH GX0-h\" dir=\"auto\" id=\"viewer-bjc6a\"><span class=\"eKaei gjiqH\"><span>Se pegarmos o exemplo de trabalhadores e trabalhadoras sexuais, conseguimos ver muito claramente como os processos de exclus\u00e3o e marginaliza\u00e7\u00e3o se encontram no seio social e nas plataformas, cada um canalizando as desigualdades de modo diferente. Nas plataformas mais especificamente, temos o acirramento de uma desplataformiza\u00e7\u00e3o ou redu\u00e7\u00e3o dessa popula\u00e7\u00e3o em um processo de higieniza\u00e7\u00e3o que j\u00e1 vimos ocorrer em nossa sociedade, mas agora ocorrendo por meio de um processo tecnol\u00f3gico. Os esfor\u00e7os de regulamenta\u00e7\u00e3o precisam dar conta desses aspectos que muitas vezes s\u00e3o invisibilizados porque eles ocorrem com popula\u00e7\u00f5es que tamb\u00e9m s\u00e3o socialmente invizibilizadas. <\/span><\/span><\/p>\n<\/div>\n<div data-breakout=\"normal\">\n<p class=\"e3Vej UGrRC gjiqH GX0-h\" dir=\"auto\" id=\"viewer-2npm9\"><span class=\"eKaei gjiqH\"><strong><span>YC: Eu fiquei curioso com uma express\u00e3o que voc\u00ea utilizou na sua palestra. &#8220;Guetos digitais&#8221;, que acompanham uma s\u00e9rie de express\u00f5es &#8220;geogr\u00e1ficas&#8221;, se podemos dizer assim. O que s\u00e3o &#8220;guetos digitais&#8221; e como eles afetam as minorias? <\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<\/div>\n<div data-breakout=\"normal\">\n<p class=\"e3Vej UGrRC gjiqH GX0-h\" dir=\"auto\" id=\"viewer-afa78\"><span class=\"eKaei gjiqH\"><span>LC: Todo o meu trabalho de pesquisa circula em torno das franjas das plataformas digitais. Com isso quero dizer que a geografia do digital \u00e9 formada por centros, que correspondem \u00e0s plataformas mais usadas e acessadas, e suas franjas, que seriam as plataformas e os aplicativos relacionados e dependentes desses centros, ou plataformas e aplicativos novos que querem concorrer a um espa\u00e7o no centro, ou mesmo plataformas marginais como aquelas dedicadas ao sexo e erotismo. <\/span><\/span><\/p>\n<\/div>\n<div data-breakout=\"normal\">\n<div dir=\"ltr\" id=\"viewer-eq9pa\">\n<blockquote class=\"_50Xdi\">\n<div class=\"gjiqH GX0-h\" dir=\"auto\" id=\"viewer-ysj63624494\"><span class=\"eKaei gjiqH\"><span>Ou seja, a geografia do digital \u00e9, em si mesma, estratificada. Os guetos digitais, no meu entendimento, s\u00e3o essas plataformas das franjas. Eles n\u00e3o s\u00e3o necessariamente espa\u00e7os de exclus\u00e3o, mas constantemente eles s\u00e3o tornados espa\u00e7os excludentes. Um exemplo que est\u00e1 no nosso dia-a-dia: o Telegram enquanto uma plataforma de mensageria privada ainda faz parte das franjas, ainda que esteja se movendo cada vez mais r\u00e1pido para o centro. Esse tipo de plataforma costuma ter Termos de Uso e Pol\u00edticas de Privacidade mais flex\u00edveis e menos punitivas exatamente porque elas est\u00e3o disputando uma fatia do centro do digital. Isso acaba atraindo tanto grupos minorit\u00e1rios que passam a ser exclu\u00eddos de plataformas mais centrais ou precisam se engajar em um processo de autovigil\u00e2ncia para permanecer nelas, mas tamb\u00e9m atrai grupos extremistas, preconceituosos e antidemocr\u00e1ticos. <\/span><\/span><\/div>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<div data-breakout=\"normal\">\n<p class=\"e3Vej UGrRC gjiqH GX0-h\" dir=\"auto\" id=\"viewer-9cmr6\"><span class=\"eKaei gjiqH\"><span>Ent\u00e3o essas plataformas passam a ser guetos h\u00edbridos em que grupos que precisam ser protegidos e resguardados acabam compartilhando um mesmo espa\u00e7o com grupos que precisam ser abolidos e barrados. Esse \u00e9 um dos principais desafios da regulamenta\u00e7\u00e3o, refletir sobre como combater os grupos de \u00f3dio sem prejudicar as minorias sociais. Enquanto a regula\u00e7\u00e3o do digital continua na m\u00e3o das plataformas, a tend\u00eancia \u00e9 que as minorias continuem a sofrer as consequ\u00eancias das pol\u00edticas privadas e os grupos extremistas continuem a gozar de um espa\u00e7o para sua perpetua\u00e7\u00e3o. <\/span><\/span><\/p>\n<\/div>\n<div data-breakout=\"normal\">\n<p class=\"e3Vej UGrRC gjiqH GX0-h\" dir=\"auto\" id=\"viewer-1mtrh\"><span class=\"eKaei gjiqH\"><strong><span>YC: Tentando fazer uma conex\u00e3o com sua pesquisa de doutorado, eu gostaria de direcionar o debate para os trabalhadores e trabalhadoras sexuais. As plataformas digitais se estabeleceram como espa\u00e7os priorit\u00e1rios de trabalho para esse grupo de pessoas. Quais desafios essas pessoas encontram no trabalho na internet e como uma regula\u00e7\u00e3o pode tornar esse trabalho menos prec\u00e1rio?<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<\/div>\n<div data-breakout=\"normal\">\n<p class=\"e3Vej UGrRC gjiqH GX0-h\" dir=\"auto\" id=\"viewer-9fej9\"><span class=\"eKaei gjiqH\"><span>LC: A verdade \u00e9 que o sexo e a pornografia s\u00e3o um dos principais motores da internet desde seu surgimento. E com as plataformas n\u00e3o \u00e9 diferente: o sexo e a pornografia continuam sendo dois de seus principais impulsionadores. Uma estimativa \u00e9 de que s\u00e3o pelo menos 150 mil pessoas exercendo trabalho sexual em tr\u00eas principais plataformas nacionais dedicadas a esse servi\u00e7o. Mas esse \u00e9 um n\u00famero bastante subestimado da propor\u00e7\u00e3o desses\/as profissionais na internet. Ou seja, estamos falando de um n\u00famero substancial de pessoas que precisam ser resguardadas legalmente. S\u00e3o v\u00e1rios os desafios que essa popula\u00e7\u00e3o enfrenta. O primeiro \u00e9 a sua invisibilidade, que acaba empurrando-os para as franjas das plataformas. Por exemplo, o Twitter \u00e9 a principal m\u00eddia social utilizada por essa popula\u00e7\u00e3o (para com\u00e9rcio de servi\u00e7o, para conex\u00e3o com a audi\u00eancia, para forma\u00e7\u00e3o de la\u00e7os de solidariedade), mas ainda s\u00e3o poucos os usu\u00e1rios dessa rede que conhecem a participa\u00e7\u00e3o de trabalhadores sexuais por l\u00e1. Hoje em dia est\u00e1 havendo uma amplia\u00e7\u00e3o dessa visibilidade, mas de modo muito lento. Essa invisibilidade acarreta uma desplataformiza\u00e7\u00e3o crescente de trabalhadores sexuais, com derrubadas ou suspens\u00f5es massivas de contas. Al\u00e9m disso, h\u00e1 uma certa depend\u00eancia de plataformas er\u00f3ticas (aquelas que permitem alguma forma de trabalho sexual) porque elas facilitam uma s\u00e9rie de processos dos mercados sexuais: transa\u00e7\u00f5es financeiras, localiza\u00e7\u00e3o de clientes\/usu\u00e1rios\/assinantes, distribui\u00e7\u00e3o de conte\u00fado e servi\u00e7os, etc. Estas plataformas dedicadas tamb\u00e9m s\u00e3o invis\u00edveis para quem n\u00e3o busca esses servi\u00e7os, o que as deixa \u00e0s margens das discuss\u00f5es mais amplas sobre as responsabilidades dessas empresas. Em segundo lugar, h\u00e1 uma estigmatiza\u00e7\u00e3o desses profissionais nas plataformas digitais, seja pelas pol\u00edticas das pr\u00f3prias plataformas, seja pelo comportamento preconceituoso de usu\u00e1rios. <\/span><\/span><\/p>\n<\/div>\n<div data-breakout=\"normal\">\n<div dir=\"ltr\" id=\"viewer-hf83\">\n<blockquote class=\"_50Xdi\">\n<div class=\"gjiqH GX0-h\" dir=\"auto\" id=\"viewer-0vxbs624500\"><span class=\"eKaei gjiqH\"><span>S\u00e3o muitos os desafios para garantir uma participa\u00e7\u00e3o justa para trabalhadores sexuais no online. Uma proposta de regula\u00e7\u00e3o que preveja direitos sexuais e que busque assegurar os direitos de minorias sexuais e de g\u00eanero tem a contribuir muito com a perman\u00eancia de trabalhadores sexuais nas plataformas, de modo seguro e justo para todas as partes. No entanto, propostas que desconsiderem as dimens\u00f5es dos marcadores sociais, ou que os considerem mas escolham deixar de fora certas popula\u00e7\u00f5es que fazem parte dessas minorias, tendem a refor\u00e7ar os preconceitos, os estere\u00f3tipos, as exclus\u00f5es e a desplataformiza\u00e7\u00e3o dessa popula\u00e7\u00e3o. <\/span><\/span><\/div>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<div data-breakout=\"normal\">\n<p class=\"e3Vej UGrRC gjiqH GX0-h\" dir=\"auto\" id=\"viewer-9rpqs\"><span class=\"eKaei gjiqH\"><span>\u00c9 preciso considerar que requerer o direito de profissionais do sexo em participar desses espa\u00e7os \u00e9 advogar em nome de uma inetrnet mais positiva, mais justa, mais igualit\u00e1ria e mais democr\u00e1tica para v\u00e1rios grupos e n\u00e3o apenas para uma popula\u00e7\u00e3o espec\u00edfica. O trabalho sexual \u00e9 uma das pontas dos direitos sexuais e de g\u00eanero, talvez uma das pontas que mais sofra com as consequ\u00eancias de pol\u00edticas ou posturas retr\u00f3gradas. A expectativa \u00e9 que, no Brasil, o di\u00e1logo sobre a regula\u00e7\u00e3o v\u00e1 abarcando debates cada vez mais plurais e que os trabalhadores sexuais sejam pensados dentro do bojo das minorias de g\u00eanero e sexualidade. Nesse processo, o que se espera \u00e9 que essas pessoas conquistem mais direito \u00e0 perman\u00eancia nesses espa\u00e7os e mais controle sobre sua participa\u00e7\u00e3o em diversas plataformas. Entendo que h\u00e1 um longo caminho pela frente, mas esse \u00e9 um debate que precisamos urgentemente come\u00e7ar a desenvolver. <\/span><\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 No \u00faltimo dia 15 de junho, a pesquisadora do GEICT Lorena Caminhas deu uma palestra na faculdade de direito da USP que abordava a regula\u00e7\u00e3o das plataformas digitais e os modos como os chamados &#8220;marcadores sociais da diferen\u00e7a&#8221; importam nesse debate. 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