{"id":414,"date":"2023-06-07T17:05:33","date_gmt":"2023-06-07T20:05:33","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/?p=414"},"modified":"2025-05-21T18:00:03","modified_gmt":"2025-05-21T21:00:03","slug":"o-controverso-leao-um-conto-sobre-o-mapeamento-de-debates-sociotecnicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/2023\/06\/07\/o-controverso-leao-um-conto-sobre-o-mapeamento-de-debates-sociotecnicos\/","title":{"rendered":"O Controverso Le\u00e3o: um conto sobre o mapeamento de debates sociot\u00e9cnicos"},"content":{"rendered":"\n<pre class=\" wp-block-code eplus-wrapper\"><code>Texto original de Tommaso Venturini e Anders Kristian Munk, traduzido para o blog do GEICT por J\u00e9ssica Ferreira Cardoso<\/code><\/pre>\n\n\n<p><\/p>\n<div data-breakout=\"normal\">\n<p class=\"e3Vej UGrRC gjiqH _7R2kR\" dir=\"auto\" id=\"viewer-eos93\"><span class=\"eKaei gjiqH\"><strong><span>\u200b\u200bNOTA DA TRADUTORA:<\/span><\/strong><span> No arcabou\u00e7o te\u00f3rico-metodol\u00f3gico dos estudos de Ci\u00eancia, Tecnologia e Sociedade (CTS) a Teoria Ator-Rede (TAR) [ANT ou Actor-Network Theory em ingl\u00eas] \u00e9 uma alternativa bem estabelecida, sendo a an\u00e1lise ou mapeamento de controv\u00e9rsias uma das suas formas de produzir reflex\u00f5es. No entanto, colocar em pr\u00e1tica seus princ\u00edpios pode n\u00e3o ser tarefa t\u00e3o simples, especialmente no caso de pesquisadores e pesquisadoras iniciantes ainda n\u00e3o habituados aos seus recursos e conceitos.<\/span><\/span><\/p>\n<\/div>\n<div data-breakout=\"normal\">\n<p class=\"e3Vej UGrRC gjiqH _7R2kR\" dir=\"auto\" id=\"viewer-9agtk\"><span class=\"eKaei gjiqH\"><span> <\/span><span>Ao ingressar no mestrado em Pol\u00edtica Cient\u00edfica e Tecnol\u00f3gica em 2020, este era o meu caso. Com forma\u00e7\u00e3o e experi\u00eancia em \u00e1reas muito distintas, na Engenharia Ambiental e nas Ci\u00eancias Sociais, eu buscava op\u00e7\u00f5es metodol\u00f3gicas que me permitissem articular essas duas \u00e1reas de conhecimento com os meus interesses de pesquisa. Diante disso, a TAR logo me capturou, em particular por um de seus princ\u00edpios, o de considerar simetricamente humanos e n\u00e3o-humanos. Com ela em mente, segui no desenvolvimento de uma pesquisa que inclu\u00eda subst\u00e2ncias qu\u00edmicas, formigas, plantas, leis, deputados, entomologistas, entre outros atores (CARDOSO, 2022), confiante sobre a aplica\u00e7\u00e3o da TAR ao meu problema. Contudo, como \u00e9 poss\u00edvel imaginar, n\u00e3o tardou para que os desafios surgissem, de modo que algumas vezes me senti t\u00e3o perdida quanto o estudante de doutorado do di\u00e1logo descrito em \u201cDa Dificuldade de Ser um ANT\u201d (LATOUR, 2012) que, at\u00f4nito com as quest\u00f5es que essa escolha metodol\u00f3gica fazia emergir, resolve buscar socorro em Bruno Latour. Por vezes voltei a esse di\u00e1logo porque, se por um lado, ele me alertava sobre algumas das dificuldades que existem nesse caminho, por outro, me trazia alento, por me mostrar que n\u00e3o era uma tarefa dif\u00edcil s\u00f3 para mim. <\/span><\/span><\/p>\n<\/div>\n<div data-breakout=\"normal\">\n<p class=\"e3Vej UGrRC gjiqH _7R2kR\" dir=\"auto\" id=\"viewer-9cvlc\"><span class=\"eKaei gjiqH\"><span> <\/span><span>Nessa trajet\u00f3ria de pesquisa outros encontros foram essenciais para que eu encontrasse dire\u00e7\u00f5es. Entre eles, destaco os dois artigos em que Tommaso Venturini (2010, 2012) nos apresenta o mapeamento de controv\u00e9rsias como uma vers\u00e3o educacional da TAR. Em meio \u00e0s orienta\u00e7\u00f5es, ele n\u00e3o deixa de advertir: essa escolha metodol\u00f3gica n\u00e3o tornar\u00e1 a pesquisa mais f\u00e1cil, ao contr\u00e1rio, ela ainda ser\u00e1 espinhosa, complexa, intrincada. Mas n\u00e3o porque o m\u00e9todo complique as coisas, e sim porque as coisas s\u00e3o complicadas por elas mesmas. Neste sentido, o mapeamento de controv\u00e9rsias s\u00f3 \u00e9 complexo, porque a vida coletiva tamb\u00e9m o \u00e9. Logo, n\u00e3o poderia ser diferente. Gosto especialmente da analogia que ele faz entre a forma\u00e7\u00e3o das rochas e a forma\u00e7\u00e3o do social: assim como as rochas se formam na complexidade do estado magm\u00e1tico, abarcando a coexist\u00eancia de diversos estados da mat\u00e9ria em constante fluxo, o social tamb\u00e9m \u00e9 forjado e fundido em meio a controv\u00e9rsias, incessantemente constru\u00eddo, desconstru\u00eddo e reconstru\u00eddo.<\/span><\/span><\/p>\n<\/div>\n<div data-breakout=\"normal\">\n<p class=\"e3Vej UGrRC gjiqH _7R2kR\" dir=\"auto\" id=\"viewer-8n1ls\"><span class=\"eKaei gjiqH\"><span> <\/span><span>Infelizmente, boa parte da bibliografia de apoio a essa metodologia encontra-se dispon\u00edvel apenas em l\u00edngua estrangeira, adicionando mais uma camada de dificuldade \u00e0s pessoas interessadas nessa abordagem. A tradu\u00e7\u00e3o que escolhemos publicar traz um ensaio mais recente publicado por este autor junto a Anders Munk, como uma amostra do que pode ser encontrado no recente manual publicado por eles em \u201cControversy Mapping: A Field Guide\u201d (VENTURINI e MUNK, 2021). Com uma narrativa l\u00fadica, os autores brincam com personagens e poss\u00edveis desdobramentos de uma controv\u00e9rsia enquanto elucidam pontos importantes sobre as din\u00e2micas desse fen\u00f4meno. Sua tradu\u00e7\u00e3o, pensada inicialmente como recurso de uma das aulas ministradas aos estudantes de gradua\u00e7\u00e3o da Unicamp em meu est\u00e1gio docente, na disciplina de Ci\u00eancia, Tecnologia e Sociedade, foi trazida para publica\u00e7\u00e3o visando ampliar o acesso a esse material. Com isso, esperamos que este possa ser mais um recurso no aux\u00edlio de cart\u00f3grafos e cart\u00f3grafas que desejem navegar em meio \u00e0s disputas e tens\u00f5es que comp\u00f5em as controv\u00e9rsias sociot\u00e9cnicas.<\/span><\/span><\/p>\n<\/div>\n<p dir=\"auto\"><\/p>\n\n\n<hr class=\" wp-block-separator has-alpha-channel-opacity eplus-wrapper\" \/>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Aproveito para agradecer aos autores, Tommaso Venturini e Anders Munk, e ao <a href=\"https:\/\/www.4sonline.org\/the-controversial-lion-a-tale-on-the-mapping-of-sociotechnical-debates\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><u>Backchannels<\/u><\/a> por terem gentilmente nos autorizado a publica\u00e7\u00e3o deste ensaio. O texto original em ingl\u00eas pode ser acessado integralmente clicando<a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/1knLMw5Vtrb30Dpqd3-5TkTB5xkBaY72y\/view?usp=sharing\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><u> aqui<\/u><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\" wp-block-separator has-alpha-channel-opacity eplus-wrapper\" \/>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Por <strong>Tommaso Venturini e Anders Kristian Munk<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-apl6h\" class=\" eplus-wrapper\">A an\u00e1lise de controv\u00e9rsia existe desde a d\u00e9cada de 1970 como uma t\u00e9cnica para investigar o papel da ci\u00eancia e da tecnologia na sociedade, bem como o papel da pol\u00edtica e da economia na tecnoci\u00eancia \u2013 e, de fato, a impossibilidade de separar os dois. Bem estabelecida nos estudos de Ci\u00eancia, Tecnologia e Sociedade (CTS), essa abordagem foi revivida nas duas \u00faltimas d\u00e9cadas pelo encontro com m\u00e9todos digitais e pela maneira como a m\u00eddia eletr\u00f4nica e as plataformas online aumentam a visibilidade das controv\u00e9rsias e facilitam sua rastreabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-2i9s6\" class=\" eplus-wrapper\">Em um guia de campo recente (Controversy Mapping. A Field Guide. Polity, 2021), examinamos as ra\u00edzes do mapeamento de controv\u00e9rsia na teoria ator-rede e m\u00e9todos digitais; exploramos seu elenco de atores e quest\u00f5es; introduzimos uma s\u00e9rie de t\u00e9cnicas quali e quantitativas para a curadoria de registros digitais e n\u00e3o digitais; discutimos como representar debates sociot\u00e9cnicos; e como intervir neles. Este curto ensaio oferece uma pequena degusta\u00e7\u00e3o e r\u00e1pida introdu\u00e7\u00e3o ao nosso livro, e resume algumas das ideias-chave do guia com uma met\u00e1fora embelezada, quase como uma hist\u00f3ria para dormir.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\" id=\"viewer-2ar2n\"><strong>O Rei sob o Baob\u00e1<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p id=\"viewer-aghcp\" class=\" eplus-wrapper\">Um dia, ao entardecer, enquanto os animais se reuniam sob o grande Baob\u00e1 perto de uma fonte de \u00e1gua, o Rinoceronte se manifestou perguntando ao Le\u00e3o: \u201cComo voc\u00ea se tornou nosso rei? Quem decidiu isso?\u201d O Le\u00e3o sorriu cerimoniosamente e respondeu: \u201cNingu\u00e9m <em>decidiu<\/em>. Sou rei porque sou o mais forte e minha for\u00e7a oferece prote\u00e7\u00e3o. Essa \u00e9 a Lei da Savana\u201d. Os animais assentiram, mas a pergunta permaneceu em suas mentes e no dia seguinte, sob o Baob\u00e1, o Rinoceronte voltou a falar: \u201cCerto, voc\u00ea tem suas garras, seus dentes e uma juba majestosa. Disso estou de acordo. Mas quem disse que a for\u00e7a deve ser medida por esses atributos? Eu tenho meu chifre e uma pele mais resistente que a sua, por que n\u00e3o devo ser rei?<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-9vo8q\" class=\" eplus-wrapper\">&#8220;Voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 errado, meu amigo&#8221;, respondeu o Le\u00e3o com um sorriso malicioso, &#8220;e, de fato, por que a for\u00e7a deveria decidir?&#8221; Ele fez uma pausa e olhou para os outros animais: \u201cO coelho tem orelhas compridas e pode ouvir o perigo se aproximando. O Macaco \u00e9 astuto e pode evitar armadilhas e ciladas. Talvez um deles devesse ser rei em vez disso?\u201d Os animais ponderaram suas palavras. \u201cTalvez <em>n\u00f3s<\/em> dev\u00eassemos ser reis\u201d, disseram as Formigas, \u201csomos bem organizadas e \u00e9 disso que uma comunidade mais precisa\u201d. \u201cOu talvez eu devesse ser rei\u201d, disse a Girafa, \u201ctenho o pesco\u00e7o mais longo e posso ver comida e \u00e1gua de longe\u201d. \u201cOu talvez eu devesse\u201d, disse o Elefante, \u201cporque eu sou o maior\u201d. \u201cOu eu\u201d, disse o Guepardo, \u201cpois sou o mais r\u00e1pido\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-80pq1\" class=\" eplus-wrapper\">\u201cTodos pontos excelentes\u201d, sorriu o Le\u00e3o, \u201ce todos eles parecem <em>igualmente<\/em> v\u00e1lidos para mim. Continuem discutindo e resolvam suas diferen\u00e7as. No momento em que voc\u00eas concordarem sobre meu sucessor (mas em nenhum momento antes), ele ou ela ter\u00e1 minha coroa. Levem o tempo que precisarem!\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-cn8mt\" class=\" eplus-wrapper\">\u00c9 nesses momentos de controv\u00e9rsia que o entrela\u00e7amento entre conhecimento e pol\u00edtica se torna mais evidente. O Le\u00e3o foi diretamente inserido no meio de um debate sociot\u00e9cnico, o que n\u00e3o significa necessariamente uma desvantagem para ele. Em circunst\u00e2ncias normais, a simples refer\u00eancia \u00e0s conven\u00e7\u00f5es impl\u00edcitas da \u2018Lei da Savana\u2019 resolveria as reivindica\u00e7\u00f5es ao trono. Enquanto ningu\u00e9m questionar como se mede a for\u00e7a, n\u00e3o h\u00e1 necessidade de recorrer a ela. E mesmo quando algu\u00e9m questionar o consenso, a pol\u00edtica n\u00e3o se transforma imediatamente em uma briga. Em vez disso, torna-se uma disputa de reivindica\u00e7\u00f5es concorrentes, na qual o Le\u00e3o astutamente aplica suas t\u00e1ticas protelat\u00f3rias de perpetuar a incerteza.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-9t1nn\" class=\" eplus-wrapper\">Esta \u00e9 uma din\u00e2mica familiar e que pode ser dividida em tr\u00eas elementos principais, os quais discutiremos com alguns detalhes a seguir.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-4fvjk\" class=\" eplus-wrapper\">\u2022 Primeiro, \u00e9 mais f\u00e1cil introduzir ou interromper um programa de vacina\u00e7\u00e3o, uma pol\u00edtica energ\u00e9tica ou um conjunto de regulamentos sobre privacidade se alguma forma de evid\u00eancia cient\u00edfica puder ser apresentada a favor ou contra eles e disseminada pela m\u00eddia.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-4lomj\" class=\" eplus-wrapper\">\u2022 Em segundo lugar, lutar em uma controv\u00e9rsia n\u00e3o \u00e9 apenas uma quest\u00e3o de ret\u00f3rica e evid\u00eancia, mas tamb\u00e9m de reconfigurar a situa\u00e7\u00e3o material para ganhar vantagem.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-7dr4k\" class=\" eplus-wrapper\">\u2022 Por fim, e \u00e9 um princ\u00edpio fundamental do mapeamento de controv\u00e9rsias, n\u00e3o h\u00e1 maneira f\u00e1cil de decidir de antem\u00e3o qual conhecimento ou tecnologia influenciar\u00e1 legitimamente o debate \u2013 n\u00e3o h\u00e1 como descartar posi\u00e7\u00f5es ou argumentos antes de investig\u00e1-los, incluindo <em>junk news<\/em> (Venturini, 2019) e <em>infodemias<\/em> (Simon &amp; Camargo, 2021).<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\" id=\"viewer-blq0a\"><strong>Navegando pela complexidade<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p id=\"viewer-786j8\" class=\" eplus-wrapper\">Come\u00e7ando pelo \u00faltimo dos elementos listados acima, o mapeamento de controv\u00e9rsias deve sempre iniciar com a resist\u00eancia a um impulso comum. No romance de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica <em>Timescape<\/em>, Gregory Benford (1980) formula sua \u2018lei da controv\u00e9rsia\u2019, afirmando que \u201ca paix\u00e3o \u00e9 inversamente proporcional \u00e0 quantidade de informa\u00e7\u00f5es reais dispon\u00edveis\u201d (ver tamb\u00e9m MacCoun, 2001). Esta \u00e9 uma ideia conveniente, que nos permite colocar entre par\u00eanteses quaisquer posi\u00e7\u00f5es que julguemos contraproducentes. De fato, as controv\u00e9rsias s\u00e3o facilmente interpretadas como sintomas da \u2018era da p\u00f3s-verdade\u2019 (Keyes, 2004), repleta de \u2018<em>fake news\u2019<\/em> e hip\u00e9rboles; distante de qualquer coisa que caracterize uma conversa racional e democr\u00e1tica. Certamente, ent\u00e3o, as controv\u00e9rsias n\u00e3o deveriam ser levadas a s\u00e9rio. Este \u00e9 o impulso ao qual voc\u00ea ter\u00e1 que resistir. Mesmo que as controv\u00e9rsias possam ser dif\u00edceis de amar, voc\u00ea n\u00e3o pode descart\u00e1-las ou ignorar suas facetas desagrad\u00e1veis se aceitar ser seu cart\u00f3grafo.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-dcebf\" class=\" eplus-wrapper\">Felizmente, \u00e9 poss\u00edvel adotar uma vis\u00e3o mais produtiva das controv\u00e9rsias. O debate dos animais sob o Baob\u00e1 \u00e9 um bom exemplo. Aqui est\u00e1 uma situa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o \u00e9 alimentada por sentimentos feridos ou emo\u00e7\u00f5es agitadas, mas pelo tipo de pol\u00edtica de conhecimento que caracteriza todas as diverg\u00eancias substanciais. Nenhum acordo pode ser alcan\u00e7ado sobre quais s\u00e3o as perguntas importantes a serem feitas e nenhum especialista singular e autorizado pode definir a disputa. \u00c9 dif\u00edcil imaginar uma maneira pela qual mais \u2018informa\u00e7\u00f5es reais\u2019 teriam sufocado as \u2018paix\u00f5es\u2019 e estabelecido a reivindica\u00e7\u00e3o ao trono. O rinoceronte n\u00e3o \u00e9 v\u00edtima de seus sentimentos. Pelo contr\u00e1rio, ele de maneira sensata desafia o paradigma de como avaliar a for\u00e7a. Se a for\u00e7a \u00e9 medida em dentes e garras, ent\u00e3o, \u00e9 claro, o le\u00e3o deveria ser o rei. Mas para que serve a for\u00e7a? Por que ela \u00e9 uma qualidade de lideran\u00e7a relevante na savana? O le\u00e3o alega prote\u00e7\u00e3o, mas contra o qu\u00ea? Outros animais podem invadir de ecossistemas adjacentes, ca\u00e7adores furtivos podem estar \u00e0 espreita ou perigos naturais podem alterar as condi\u00e7\u00f5es de vida. N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil imaginar uma situa\u00e7\u00e3o onde os talentos organizacionais das formigas, por exemplo, pudessem ser mais \u00fateis, ou onde os guepardos pudessem exibir o valor da velocidade. Pode chegar o dia em que os atributos de outros animais se tornem mais dignos do trono do que os dos le\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-dfd2o\" class=\" eplus-wrapper\">Se for essa a situa\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o a controv\u00e9rsia \u00e9 inevit\u00e1vel e necess\u00e1ria. \u00c9 <em>inevit\u00e1vel<\/em> porque mais informa\u00e7\u00f5es est\u00e3o fadadas a provocar mais discuss\u00f5es do que sua resolu\u00e7\u00e3o. Se a quest\u00e3o fosse t\u00e3o simples quanto quem tem os maiores dentes, poder\u00edamos razoavelmente esperar mais informa\u00e7\u00f5es para resolver o debate. Mas a quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o simples \u2013 trata-se antes de uma s\u00e9rie de reivindica\u00e7\u00f5es de for\u00e7a e os graus em que elas podem ou n\u00e3o ser valiosas em uma variedade de cen\u00e1rios. Mais informa\u00e7\u00f5es certamente produzir\u00e3o mais questionamentos e atrair\u00e3o mais an\u00e1lises. Digamos que a not\u00edcia de uma inunda\u00e7\u00e3o em um vale pr\u00f3ximo chegue aos animais reunidos sob o baob\u00e1 e que a hist\u00f3ria informe como um grupo de formigas organizou brilhantemente o esfor\u00e7o de socorro. A not\u00edcia fortalecer\u00e1 o caso das formigas, atrav\u00e9s de um cen\u00e1rio que deixa de ser hipot\u00e9tico. Por sua vez, isso atrair\u00e1 o escrut\u00ednio de outros animais. Eles podem questionar: at\u00e9 que ponto o vale vizinho \u00e9 compar\u00e1vel \u00e0 sua savana? Inunda\u00e7\u00e3o realmente representa um risco para eles? Se n\u00e3o, onde est\u00e1 a evid\u00eancia de que as habilidades das formigas s\u00e3o \u00fateis al\u00e9m do socorro no caso de enchentes? E, a prop\u00f3sito, voc\u00ea j\u00e1 ouviu falar como a chamada \u2018efic\u00e1cia\u2019 delas envolveu uma prioriza\u00e7\u00e3o brutal em que os animais menos \u00fateis (definidos segundo a l\u00f3gica das formigas) foram deixados para tr\u00e1s? Temos certeza de que esse \u00e9 o tipo de talento organizacional que queremos valorizar?<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-72uj8\" class=\" eplus-wrapper\">A controv\u00e9rsia tamb\u00e9m \u00e9 <em>necess\u00e1ria<\/em> e, de fato, desej\u00e1vel, pois oferece aos animais uma oportunidade de considerar os pr\u00f3s e os contras de sua organiza\u00e7\u00e3o coletiva. Certamente o le\u00e3o tentar\u00e1 jogar a seu favor, apostando que os outros animais ficar\u00e3o atolados em discuss\u00f5es intermin\u00e1veis, mas h\u00e1 poucas alternativas. A vida na savana \u00e9 prec\u00e1ria e as condi\u00e7\u00f5es est\u00e3o sujeitas a mudan\u00e7as. Faz sentido para os animais sob o baob\u00e1 manter a mente aberta e manter o di\u00e1logo sobre as habilidades e talentos que eles precisam aprimorar \u2013 uma conversa que \u00e9 dif\u00edcil de manter se o <em>status quo<\/em> se torna inquestion\u00e1vel ou tomado como certo. As controv\u00e9rsias desempenham um papel crucial na vida coletiva. Ao contr\u00e1rio do que muitas vezes se acredita, o conflito n\u00e3o \u00e9 um acidente infeliz na hist\u00f3ria humana e certamente n\u00e3o ser\u00e1 resolvido por qualquer ac\u00famulo progressivo de conhecimento ou proeza tecnol\u00f3gica. As controv\u00e9rsias n\u00e3o s\u00e3o calamidades a serem evitadas a todo custo; elas representam est\u00e1gios normais da exist\u00eancia social. Elas n\u00e3o s\u00e3o apenas inevit\u00e1veis, mas tamb\u00e9m podem ser \u00fateis.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-58tt3\" class=\" eplus-wrapper\">Ent\u00e3o, pedimos que abracem a controv\u00e9rsia, mas que esperem algo em troca. O mapeamento de controv\u00e9rsias como m\u00e9todo de pesquisa oferece a possibilidade de revelar a complexidade dos debates sociot\u00e9cnicos sem se perder neles. Como m\u00e9todo de interven\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, pode produzir clareza e ajuda \u00e0 navega\u00e7\u00e3o. O le\u00e3o encoraja o debate n\u00e3o para o bem da democracia, mas porque espera que os outros animais permane\u00e7am indecisos. Ele est\u00e1 procurando uma cortina de fuma\u00e7a: ele quer que nos percamos e provavelmente ele n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico. Os que negam chifres ou dentes podem aparecer argumentando que rinocerontes ou le\u00f5es n\u00e3o t\u00eam for\u00e7a alguma. Dados falsificados podem ser divulgados, campanhas de difama\u00e7\u00e3o realizadas, alian\u00e7as secretas forjadas e for\u00e7a bruta aplicada. Podemos imaginar como o debate sob o baob\u00e1 poderia tomar todo tipo de reviravolta menos produtiva. Acusa\u00e7\u00f5es de especismo poderiam ser lan\u00e7adas, macacos e girafas se recusando a ouvir qualquer coisa, exceto um vi\u00e9s felino nos argumentos dos guepardos. A quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 se tais situa\u00e7\u00f5es podem ser evitadas \u2013 elas provavelmente n\u00e3o podem \u2013 a quest\u00e3o \u00e9 como podemos aprender a navegar por elas.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\" id=\"viewer-c3ken\"><strong>Um emaranhado de conhecimento e poder<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p id=\"viewer-1vu1p\" class=\" eplus-wrapper\">Se f\u00f4ssemos completar a imagem antropom\u00f3rfica da reuni\u00e3o sob o baob\u00e1, n\u00e3o demoraria muito para que os animais come\u00e7assem a citar as pesquisas mais recentes ou a pedir uma investiga\u00e7\u00e3o independente para apoiar suas reivindica\u00e7\u00f5es. Isso nos permitiria mapear quais evid\u00eancias e recursos eles mobilizam para apoiar suas posi\u00e7\u00f5es, em vez de simplesmente pesquisar suas atitudes. Como diz Sergio Sismondo:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote eplus-wrapper is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\" eplus-wrapper\">Abra\u00e7ar a democratiza\u00e7\u00e3o epist\u00eamica n\u00e3o significa um barateamento total do conhecimento tecnocient\u00edfico no processo. (\u2026) relatos detalhados da constru\u00e7\u00e3o do conhecimento cient\u00edfico mostram que ele requer infraestrutura, esfor\u00e7o, engenhosidade e estruturas de valida\u00e7\u00e3o (2017, p.3).<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p id=\"viewer-a282g\" class=\" eplus-wrapper\">As girafas podem propor que sua capacidade de localizar comida e \u00e1gua \u00e0 dist\u00e2ncia \u00e9 uma habilidade de lideran\u00e7a essencial, mas n\u00e3o conseguir citar um estudo que corrobore esse argumento. Todos os relat\u00f3rios dispon\u00edveis podem sugerir que a savana continuar\u00e1 sendo um lugar de abund\u00e2ncia nos pr\u00f3ximos anos e que os riscos de secas e fome s\u00e3o insignificantes. O aumento de ca\u00e7adores invadindo o habitat, por outro lado, d\u00e1 um momento de gl\u00f3ria aos coelhos e suas orelhas compridas. Sua sensibilidade, no entanto, logo \u00e9 obscurecida pelo fato de que os macacos mantiveram registros meticulosos sobre os tipos de armadilhas que eles removeram ao longo dos anos. Muitos animais podem achar esse argumento convincente e come\u00e7am a divulgar a pesquisa dos macacos como um fato. A \u2018amea\u00e7a dos ca\u00e7adores\u2019 pode se tornar viral nas m\u00eddias sociais e rapidamente ser veiculada pelos canais de transmiss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-d8vrn\" class=\" eplus-wrapper\">Est\u00e1 surgindo uma paisagem na qual os macacos ocupam uma posi\u00e7\u00e3o elevada e as girafas ficam isoladas. Como Steven Shapin e Simon Schaffer explicam em seu livro sobre o nascimento da ci\u00eancia moderna: \u201csolu\u00e7\u00f5es para o problema do conhecimento est\u00e3o incorporadas em solu\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas para o problema de ordem social e diferentes solu\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas para o problema da ordem social encapsulam solu\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas contrastantes para o problema do conhecimento\u201d (Shapin &amp; Schaffer, 1985, p. 15). Sheila Jasanoff chama esse emaranhado de co-constru\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia e da ordem social (2004).<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-dse71\" class=\" eplus-wrapper\">Embora este emaranhado de conhecimento e pol\u00edtica possa ser \u00f3bvio para qualquer pessoa com o m\u00ednimo treinamento em estudos de ci\u00eancia e tecnologia, n\u00e3o h\u00e1 nada \u00f3bvio sobre as formas espec\u00edficas que ele assume. O simples fato de ter um panorama sobre quem est\u00e1 agindo, por quais meios e em rela\u00e7\u00e3o a quais quest\u00f5es pode ser uma tarefa monumental \u2013 ainda mais porque todos esses elementos evoluem com a situa\u00e7\u00e3o. Digamos que a not\u00edcia de uma inunda\u00e7\u00e3o em um vale pr\u00f3ximo chegue aos animais reunidos sob o baob\u00e1 e que a hist\u00f3ria informe como um grupo de formigas organizou brilhantemente o esfor\u00e7o de socorro. A not\u00edcia fortalecer\u00e1 o caso das formigas, atrav\u00e9s de um cen\u00e1rio que deixa de ser hipot\u00e9tico. Por sua vez, isso atrair\u00e1 o escrut\u00ednio de outros animais. Eles podem questionar: at\u00e9 que ponto o vale vizinho \u00e9 compar\u00e1vel \u00e0 sua savana? Inunda\u00e7\u00e3o realmente representa um risco para eles? Se n\u00e3o, onde est\u00e1 a evid\u00eancia de que as habilidades das formigas s\u00e3o \u00fateis al\u00e9m do socorro no caso de enchentes? E, a prop\u00f3sito, voc\u00ea j\u00e1 ouviu falar como a chamada \u2018efic\u00e1cia\u2019 delas envolveu uma prioriza\u00e7\u00e3o brutal em que os animais menos \u00fateis (definidos segundo a l\u00f3gica das formigas) foram deixados para tr\u00e1s? Temos certeza de que esse \u00e9 o tipo de talento organizacional que queremos valorizar?<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\" id=\"viewer-ev8v5\"><strong>A configura\u00e7\u00e3o material do debate<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p id=\"viewer-2qma7\" class=\" eplus-wrapper\">N\u00e3o s\u00e3o apenas os eventos naturais que afetam a sorte dos animais, mas tamb\u00e9m as inova\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas. Embora os macacos tenham conseguido definir o problema em torno dos ca\u00e7adores a seu favor, n\u00e3o h\u00e1 garantia de que suas habilidades continuar\u00e3o sendo essenciais. Os desenvolvimentos tecnol\u00f3gicos podem nivelar o campo, por exemplo, permitindo que animais sem polegares opositores desmontem armadilhas, erodindo assim a for\u00e7a da posi\u00e7\u00e3o dos macacos.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-e8d2t\" class=\" eplus-wrapper\">Algumas controv\u00e9rsias s\u00e3o geradas por inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas de forma direta (por exemplo, quando uma nova tecnologia de vigil\u00e2ncia aparece no mercado amea\u00e7ando a privacidade individual, ou quando os debates sobre sa\u00fade p\u00fablica s\u00e3o alimentados pela introdu\u00e7\u00e3o de um novo medicamento). No entanto, em muitos outros casos, a influ\u00eancia da tecnoci\u00eancia \u00e9 mais profunda e tem a ver com a forma como a ci\u00eancia e a tecnologia nos permitem (mas tamb\u00e9m nos obrigam) a partilhar a nossa exist\u00eancia coletiva com novos atores. Lembre-se de como o rio pr\u00f3ximo entrou na controv\u00e9rsia e se tornou o aliado mais poderoso das formigas e considere como outros animais poderiam se aliar a esse ator para sua causa, com todos os tipos de consequ\u00eancias desejadas e indesejadas. Um grupo de castores pode intervir e erguer um sistema de diques no vale a montante. Isso diminui o risco de inunda\u00e7\u00f5es, mas cria uma escassez de \u00e1gua a jusante, o que inesperadamente aumenta a sorte das girafas e seu longo pesco\u00e7o. \u00c9 uma consequ\u00eancia inevit\u00e1vel do progresso tecnocient\u00edfico que, ao ampliar nosso controle da vida natural e coletiva, tamb\u00e9m nos conectemos a um elenco cada vez maior e mais diversificado de atores (Beck, 1992; Latour, 1993).<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-8ttqe\" class=\" eplus-wrapper\">Tais mudan\u00e7as na configura\u00e7\u00e3o material do debate s\u00e3o essenciais para a compreens\u00e3o das controv\u00e9rsias. Embora existam muitos m\u00e9todos testados e comprovados para avaliar as opini\u00f5es p\u00fablicas (por exemplo, pesquisas, referendos, elei\u00e7\u00f5es, etc.), o que o mapeamento de controv\u00e9rsia traz \u00e0 mesa \u00e9 a capacidade de avaliar as mudan\u00e7as no tecido sociot\u00e9cnico em rela\u00e7\u00e3o a quais opini\u00f5es s\u00e3o formadas e quais reivindica\u00e7\u00f5es de conhecimentos adquirem for\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-ofjm\" class=\" eplus-wrapper\">\u00c0 medida que a controv\u00e9rsia se desenvolve, alguns atores v\u00e3o subir e outros v\u00e3o cair, e, consequentemente, o quadro de atores do cart\u00f3grafo deve mudar. De fato, ter\u00e3o que mudar n\u00e3o apenas os nomes nesse quadro, mas tamb\u00e9m as entidades que esses nomes representam. As formigas antes e depois da enchente n\u00e3o s\u00e3o as mesmas, pois seus talentos s\u00e3o diferentes. Da mesma forma, os atores mudam quando suas alian\u00e7as e oposi\u00e7\u00f5es mudam. A dificuldade de defender a pr\u00f3pria causa encoraja as girafas a se unirem aos elefantes e apresentar argumentos sobre o valor intr\u00ednseco do tamanho. Reunidos sob o lema \u201cquanto maior melhor\u201d, os dois animais se fundem provisoriamente em uma \u00fanica coaliz\u00e3o, que por sua vez inspira negocia\u00e7\u00f5es entre os \u2018pequenos, mas inteligentes\u2019 macacos e formigas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Algo semelhante se aplica ao quadro de quest\u00f5es do cart\u00f3grafo, que deve ser igualmente pass\u00edvel de mudan\u00e7a. Se a quest\u00e3o \u00e9 como medir a for\u00e7a f\u00edsica, isso acarreta oportunidades para certos tipos de provas e conhecimentos, mas se a quest\u00e3o diz respeito aos talentos organizacionais, ent\u00e3o essas provas e esses especialistas perdem relev\u00e2ncia. E assim, acompanhar quais atores s\u00e3o capazes de fazer a diferen\u00e7a em qual quest\u00e3o, como e em que momento, resume o trabalho do mapeador de controv\u00e9rsias. No caso da controv\u00e9rsia do Baob\u00e1, a seguir temos um exemplo da representa\u00e7\u00e3o cartogr\u00e1fica que pode resultar desse trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><\/p>\n\n\n\n<figure class=\" wp-block-image size-full eplus-wrapper\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"617\" height=\"653\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2023\/06\/a291fb_30d7f6193eb64277b7a8d345f78516bemv2.avif\" alt=\"\" class=\"wp-image-417\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2023\/06\/a291fb_30d7f6193eb64277b7a8d345f78516bemv2.avif 617w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2023\/06\/a291fb_30d7f6193eb64277b7a8d345f78516bemv2-283x300.jpg 283w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2023\/06\/a291fb_30d7f6193eb64277b7a8d345f78516bemv2-500x529.jpg 500w\" sizes=\"(max-width: 617px) 100vw, 617px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group eplus-wrapper is-vertical is-layout-flex wp-container-core-group-is-layout-fe9cc265 wp-block-group-is-layout-flex\">\n<p class=\" eplus-wrapper\"><strong>Refer\u00eancias da nota da tradutora:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-9iu62\" class=\" eplus-wrapper\">CARDOSO, J\u00e9ssica Ferreira. Entre seguro e poluente: disputas ontol\u00f3gicas em torno do PFOS e da sulfluramida no Brasil. Disserta\u00e7\u00e3o de Mestrado em Pol\u00edtica Cient\u00edfica e Tecnol\u00f3gica \u2013 Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2022.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-5phe9\" class=\" eplus-wrapper\">LATOUR, Bruno. Da Dificuldade de Ser um ANT: Interl\u00fadio na Forma de Di\u00e1logo. In: Reagregando o social: uma introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 teoria do ator-rede. Bauru, SP: Edusc, 2012. p. 205\u2013226.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-afhd4\" class=\" eplus-wrapper\">VENTURINI, Tommaso. Diving in magma: how to explore controversies with actor-network theory. Public Understanding of Science, v. 19, n. 3, p. 258\u2013273, maio 2010.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-2eqv7\" class=\" eplus-wrapper\">VENTURINI, Tommaso. Building on faults: How to represent controversies with digital methods. Public Understanding of Science, v. 21, n. 7, p. 796-812, outubro 2010.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-1oqod\" class=\" eplus-wrapper\">VENTURINI, Tommaso e MUNK, Anders Kristian. Controversy Mapping: A Field Guide. Cambridge, UK ; Medford, MA, USA: Polity, 2021.<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<p id=\"viewer-79qde\" class=\" eplus-wrapper\"><\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-fg04b\" class=\" eplus-wrapper\"><strong>Refer\u00eancias do artigo original:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group eplus-wrapper is-vertical is-layout-flex wp-container-core-group-is-layout-fe9cc265 wp-block-group-is-layout-flex\">\n<p id=\"viewer-eigaa\" class=\" eplus-wrapper\">Beck, Ulrich. 1992. Risk Society: Towards a New Modernity. Thousand Oaks: Sage Publications.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-en6c9\" class=\" eplus-wrapper\">Benford, Gregory. 1980. Timescape. New York: Simon &amp; Schuster.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-7gso0\" class=\" eplus-wrapper\">Jasanoff, Sheila. 2004. States of Knowledge. Edited by Routledge. London.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-9cd2o\" class=\" eplus-wrapper\">Keyes, Ralph. 2004. The Post-Truth Era: Dishonesty and Deception in Contemporary Life. New York: St. Martin\u2019s.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-b4120\" class=\" eplus-wrapper\">Latour, Bruno. 1993. We Have Never Been Modern (Translated by Cathy Porter). Cambridge, Mass: Harvard University Press.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-2jb8a\" class=\" eplus-wrapper\">MacCoun, Robert J. 2001. \u201cAmerican Distortion of Dutch Drug Statistics.\u201d Society 38 (3): 23\u201326.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-fjrf2\" class=\" eplus-wrapper\">Shapin, Steven, and Simon Schaffer. 1985. \u201cLeviathan and the Air-Pump. Hobbes, Boyle and the Experimental Life.\u201d Princeton: University Press.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-5knvv\" class=\" eplus-wrapper\">Simon, Felix M., and Chico Q. Camargo. 2021. \u201cAutopsy of a Metaphor: The Origins, Use and Blind Spots of the \u2018Infodemic.\u2019\u201d New Media and Society, 1\u201322.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-nag7\" class=\" eplus-wrapper\">Sismondo, Sergio. 2017. \u201cPost-Truth?\u201d Social Studies of Science 47 (1): 3\u20136.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Venturini, Tommaso. 2019. \u201cFrom Fake to Junk News, the Data Politics of Online Virality.\u201d In Data Politics: Worlds, Subjects, Rights, edited by Didier Bigo, Engin Isin, and Evelyn Ruppert, 123\u201344. London: Routledge.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u200b\u200bNOTA DA TRADUTORA: No arcabou\u00e7o te\u00f3rico-metodol\u00f3gico dos estudos de Ci\u00eancia, Tecnologia e Sociedade (CTS) a Teoria Ator-Rede (TAR) [ANT ou Actor-Network Theory em ingl\u00eas] \u00e9 uma alternativa bem estabelecida, sendo a an\u00e1lise ou mapeamento de controv\u00e9rsias uma das suas formas de produzir reflex\u00f5es. 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