{"id":430,"date":"2025-06-02T17:12:00","date_gmt":"2025-06-02T20:12:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/?p=430"},"modified":"2025-06-02T17:22:43","modified_gmt":"2025-06-02T20:22:43","slug":"do-smart-ao-scrap-a-rede-de-telecomunicacao-do-futuro-carrega-um-paradoxo-ambiental","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/2025\/06\/02\/do-smart-ao-scrap-a-rede-de-telecomunicacao-do-futuro-carrega-um-paradoxo-ambiental\/","title":{"rendered":"\u201cDo smart ao scrap\u201d, a rede de telecomunica\u00e7\u00e3o do futuro carrega um paradoxo ambiental"},"content":{"rendered":"\n<p class=\" eplus-wrapper\"><\/p>\n\n\n\n<pre class=\" wp-block-code eplus-wrapper\"><code>Por Thais Lassali<\/code><\/pre>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><span>Quando se fala no impacto ambiental dos <\/span><i><span>smartphones<\/span><\/i><span>, comumente o debate se concentra na materialidade dos aparelhos que cabem na palma da nossa m\u00e3o: quais s\u00e3o os recursos necess\u00e1rios para eles serem produzidos, de onde vem os componentes eletr\u00f4nicos que os constituem e para eles onde v\u00e3o ap\u00f3s serem descartados. Pouco se discute, por\u00e9m, sobre as infraestruturas (menos palp\u00e1veis para n\u00f3s) que sustentam as redes de telecomunica\u00e7\u00e3o que permitem com que eles funcionem. Tais infraestruturas v\u00e3o muito al\u00e9m dos aparelhos. Elas incluem torres, antenas, servi\u00e7os de resfriamento, sistemas de energia, dentre outros. S\u00e3o justamente tais infraestruturas que normalizaram com termos como 3G, 4G e 5G no nosso cotidiano. Cada uma dessas siglas diz respeito a diferentes tecnologias de acesso \u00e0 rede celular, correspondendo, respectivamente, a diferentes gera\u00e7\u00f5es de padr\u00f5es de tecnologias de rede m\u00f3vel. Mas voc\u00ea j\u00e1 se perguntou o que acontece com a infraestrutura necess\u00e1ria para nutrir cada uma dessas gera\u00e7\u00f5es de redes quando uma nova gera\u00e7\u00e3o ganha espa\u00e7o na maioria dos celulares que utilizamos e outra passa a ser obsoleta?<\/span><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image wp-image-431\">\n<figure class=\"aligncenter eplus-wrapper\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"300\" height=\"200\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/ion2-300x200.jpg\" alt=\"Res\u00edduo de lixo vitrificado (transformado em vidro) antes de ir para um dep\u00f3sito de res\u00edduos t\u00f3xicos. Foto da pesquisa de Ion de las Heras.\" class=\"wp-image-431\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/ion2-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/ion2-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/ion2-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/ion2-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/ion2-500x333.jpg 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/ion2-800x534.jpg 800w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/ion2-1280x854.jpg 1280w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/ion2-360x240.jpg 360w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/ion2-272x182.jpg 272w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/ion2.jpg 1600w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Res\u00edduo de lixo vitrificado (transformado em vidro) antes de ir para um dep\u00f3sito de res\u00edduos t\u00f3xicos. Foto da pesquisa de Ion de las Heras.<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><span>Essa pergunta foi respondida por Ion Fern\u00e1ndez de las Heras, cientista social que o GEICT recebeu no dia 26 de maio. Ele apresentou ao grupo a confer\u00eancia \u201cDo <\/span><i><span>smart <\/span><\/i><span>ao <\/span><i><span>scrap<\/span><\/i><span>, ou como rematerializar as infraestruturas de comunica\u00e7\u00e3o celular\u201d, resultado da pesquisa que ele atualmente realiza, como pesquisador de p\u00f3s-doutorado, no Internet Interdisciplinary Institute (IN3) da Universitat Oberta de Catalunya (UOC)&nbsp; sobre a implementa\u00e7\u00e3o (e desativa\u00e7\u00e3o) de infraestruturas de telefonia m\u00f3vel. Seu projeto tem como foco especificamente os projetos de transi\u00e7\u00e3o para o 6G, a sexta gera\u00e7\u00e3o de tecnologias de comunica\u00e7\u00e3o sem fio que substituir\u00e1 o 5G utilizado pela maioria dos celulares atualmente.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><span>Bom, mas o que \u00e9 uma gera\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica no contexto das telecomunica\u00e7\u00f5es? Do ponto de vista t\u00e9cnico, \u201cgera\u00e7\u00e3o\u201d diz respeito aos padr\u00f5es e protocolos de rede que permitem com que nossos <\/span><i><span>smartphones <\/span><\/i><span>acessem a internet m\u00f3vel. Entretanto, em sua comunica\u00e7\u00e3o oral, Heras apontou&nbsp; para a import\u00e2ncia de compreendermos esse fen\u00f4meno tamb\u00e9m do ponto de vista s\u00f3cio-t\u00e9cnico: como um evento concomitantemente institucional, pol\u00edtico e econ\u00f4mico que organiza o setor de telecomunica\u00e7\u00f5es e suas tecnologias. \u00c9 a partir de cada gera\u00e7\u00e3o que se configuram \u201conde investimentos s\u00e3o mobilizados, licita\u00e7\u00f5es s\u00e3o abertas, fabricantes lan\u00e7am novos produtos, operadoras licenciam seus servi\u00e7os e pol\u00edticas e estrat\u00e9gias p\u00fablicas s\u00e3o reformuladas\u201d, afirma o pesquisador.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><span>Toda nova gera\u00e7\u00e3o de telecomunica\u00e7\u00f5es precisa se instalar sobre uma paisagem j\u00e1 existente de infraestruturas e tecnologias. Ao mesmo tempo, uma nova gera\u00e7\u00e3o precisa se diferenciar da anterior para justificar os investimentos necess\u00e1rios para implement\u00e1-la. A gera\u00e7\u00e3o 6G tem sido colocada pelas organiza\u00e7\u00f5es que a pesquisam como uma solu\u00e7\u00e3o mais sustent\u00e1vel e preocupada com o meio ambiente. \u201cEsse discurso, entretanto, \u00e9 paradoxal\u201d, afirma Heras. Isso porque para que o processo de transi\u00e7\u00e3o entre gera\u00e7\u00f5es se realize, muito da infraestrutura necess\u00e1ria para a manuten\u00e7\u00e3o das redes celulares acabam se tornando lixo. Heras chama esse processo de \u201cresidualiza\u00e7\u00e3o\u201d e \u00e9 categ\u00f3rico ao afirmar que ele n\u00e3o apenas \u00e9 um efeito colateral do processo de cria\u00e7\u00e3o de novas gera\u00e7\u00f5es, como uma vis\u00e3o linear poderia julgar que fosse. Pelo contr\u00e1rio, para Heras, a transforma\u00e7\u00e3o de infraestruturas em res\u00edduos por conta de sua obsolesc\u00eancia \u00e9 um elemento estruturante do processo produtivo, porque o lixo eletr\u00f4nico acaba tamb\u00e9m se tornado uma mercadoria para o pr\u00f3prio mercado que o est\u00e1 descartando.<\/span><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote eplus-wrapper is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\" eplus-wrapper\"><span>\u201cO que se gerou foi uma demanda material por parte de uma mir\u00edade de empresas e organiza\u00e7\u00f5es que atuam dentro da economia circular. Os locais de residualiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o destinos finais que simplesmente recebem os equipamentos descartados. Eles atuam como vetores ativos que moldam uma tend\u00eancia sistem\u00e1tica ao descarte de dispositivos ainda operacionais. Talvez seja mais apropriado pensar o res\u00edduo n\u00e3o como uma nega\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o, mas como seu excesso inevit\u00e1vel\u201d.<\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n<div class=\"wp-block-image wp-image-432\">\n<figure class=\"aligncenter eplus-wrapper\"><img decoding=\"async\" width=\"300\" height=\"246\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/ion1-300x246.jpg\" alt=\"Parte interna, j\u00e1 descartada, de um diplexador, dispositivo que lida com frequ\u00eancias de r\u00e1dio.\" class=\"wp-image-432\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/ion1-300x246.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/ion1-1024x839.jpg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/ion1-768x629.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/ion1-1536x1259.jpg 1536w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/ion1-500x410.jpg 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/ion1-800x656.jpg 800w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/ion1-1280x1049.jpg 1280w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/ion1.jpg 1600w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Parte interna, j\u00e1 descartada, de um diplexador, dispositivo que lida com frequ\u00eancias de r\u00e1dio.<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><span>Assim, uma gera\u00e7\u00e3o supostamente pensada como uma alternativa sustent\u00e1vel poder\u00e1 ser, ao mesmo tempo, a respons\u00e1vel pela cria\u00e7\u00e3o de um volume descomunal de lixo. Seu processo de ado\u00e7\u00e3o significar\u00e1 o descarte de toda uma infraestrutura dedicada \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o das gera\u00e7\u00f5es anteriores. Desse modo, como conclui Heras,&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote eplus-wrapper is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\" eplus-wrapper\"><span>\u201ca promessa de um futuro sustent\u00e1vel n\u00e3o pode ser dissociada dos processos materiais que sustentam sua implementa\u00e7\u00e3o. E olhar para o que \u00e9 descartado, o que \u00e9 substitu\u00eddo, enterrado ou reciclado pode ser uma chave importante para pensar politicamente a pr\u00f3pria ideia de transi\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica\u201d.<\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando se fala no impacto ambiental dos smartphones, comumente o debate se concentra na materialidade dos aparelhos que cabem na palma da nossa m\u00e3o: quais s\u00e3o os recursos necess\u00e1rios para eles serem produzidos, de onde vem os componentes eletr\u00f4nicos que os constituem e para eles onde v\u00e3o ap\u00f3s serem descartados. 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