{"id":438,"date":"2025-06-12T17:28:59","date_gmt":"2025-06-12T20:28:59","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/?p=438"},"modified":"2025-06-16T16:07:22","modified_gmt":"2025-06-16T19:07:22","slug":"rastreando-o-estanho-transicao-energetica-e-caminhos-possiveis-para-uma-exploracao-responsavel-da-cassiterita-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/2025\/06\/12\/rastreando-o-estanho-transicao-energetica-e-caminhos-possiveis-para-uma-exploracao-responsavel-da-cassiterita-no-brasil\/","title":{"rendered":"RASTREANDO O ESTANHO: transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica e caminhos poss\u00edveis para uma explora\u00e7\u00e3o respons\u00e1vel da cassiterita no Brasil"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><span>\u201cRASTREANDO O ESTANHO: transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica e caminhos poss\u00edveis para uma explora\u00e7\u00e3o respons\u00e1vel da cassiterita no Brasil\u201d \u00e9 uma s\u00e9rie de duas reportagens feitas a partir do n\u00facleo de pesquisa do projeto \u201cCRAFTing Responsible Tin: A Path to Ethical and Sustainable Mining Practices in the Brazilian Amazon&#8221;. O projeto \u00e9 financiado pela European Partnership For Responsible Minerals (EPRM) e \u00e9 uma parceria entre a Unicamp, a ONG Association for Responsible Mining (ARM) e a Organiza\u00e7\u00e3o das Cooperativas Brasileiras (OCB). A primeira reportagem, dividida em dois posts, abordar\u00e1 a cadeia produtiva do estanho e como o Brasil est\u00e1 inserido nela.<\/span><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\">Parte 1: <strong>A import\u00e2ncia industrial do estanho<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<pre class=\" wp-block-code eplus-wrapper\"><code>Por Yama Chiodi<\/code><\/pre>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Um elemento relativamente inesperado ganha import\u00e2ncia diante dos processos de descarboniza\u00e7\u00e3o. Utilizado em ligas met\u00e1licas desde a antiguidade, o estanho \u00e9 componente essencial na fabrica\u00e7\u00e3o de placas solares e baterias, raz\u00e3o pela qual sua produ\u00e7\u00e3o se tornou importante no debate sobre transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica. Estudar sua cadeia produtiva se tornou necess\u00e1rio para compreender melhor como o Brasil se insere nas transforma\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas para a sustentabilidade. O estanho \u00e9 a principal commodity produzida a partir da explora\u00e7\u00e3o de cassiterita, que no Brasil \u00e9 majoritariamente feita na regi\u00e3o amaz\u00f4nica, com o uso de Minera\u00e7\u00e3o Artesanal e de Pequena Escala (MAPE). Ainda que diversos atores apontem que o uso de MAPE apresente menos riscos associados que outras formas de minera\u00e7\u00e3o, \u00e9 fundamental que essas pr\u00e1ticas sejam transformadas por protocolos internacionais e recursos de rastreabilidade para mitigar seus impactos socioambientais. \u00c9 nesse contexto que o projeto Crafting Responsible Tin se projeta como uma possibilidade de unir pesquisadores, cooperativas da cadeia de produ\u00e7\u00e3o do estanho e organiza\u00e7\u00f5es internacionais para produzir pr\u00e1ticas mais sustent\u00e1veis de explora\u00e7\u00e3o da cassiterita e levantar estrat\u00e9gias para mitigar danos e coibir a explora\u00e7\u00e3o ilegal de cassiterita na Amaz\u00f4nia.<br><\/p>\n\n\n\n<hr class=\" wp-block-separator has-alpha-channel-opacity eplus-wrapper\" \/>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">O estanho n\u00e3o \u00e9 um metal cujo uso foi descoberto recentemente. O arque\u00f3logo R. F. Tylecote atribui \u00e0 cultura Ubaide (3500-3200 AC), na cidade-estado de Ur, atual Iraque, o primeiro uso verificado do bronze. A forma mais comum de bronze \u00e9 composta de cobre e estanho e foi uma das primeiras ligas met\u00e1licas utilizadas de modo massivo pelos seres humanos. O estanho conferiu resist\u00eancia \u00e0s ferramentas de cobre e seu surgimento em diferentes culturas, por vezes separados por milhares de anos, em processos relativamente isolados, demonstra a particularidade de suas propriedades<sup data-fn=\"524dc86c-a13f-4263-a331-03cf029c3ac3\" class=\"fn\"><a href=\"#524dc86c-a13f-4263-a331-03cf029c3ac3\" id=\"524dc86c-a13f-4263-a331-03cf029c3ac3-link\">1<\/a><\/sup>. O bronze \u00e9 ainda hoje muito utilizado, mas a versatilidade do estanho em criar ligas met\u00e1licas com propriedades particulares ao ser unido com outros metais \u00e9 atualmente melhor conhecida. <br>Por muito tempo foi a solda com chumbo (Sn-Pb) que teve maior import\u00e2ncia industrial, em especial na ind\u00fastria de eletr\u00f4nicos. A International Tin Association (ITA), representante das empresas que produzem e comercializam estanho, \u00e9 respons\u00e1vel por boa parte dos dados dispon\u00edveis em torno dos usos econ\u00f4micos do metal. Segundo a associa\u00e7\u00e3o, na ind\u00fastria de eletr\u00f4nicos esse n\u00famero se reduziu ao longo dos anos e j\u00e1 era de apenas 8% em 2023<sup data-fn=\"43ff5527-f52f-426d-9dbb-9d4bf27eb597\" class=\"fn\"><a href=\"#43ff5527-f52f-426d-9dbb-9d4bf27eb597\" id=\"43ff5527-f52f-426d-9dbb-9d4bf27eb597-link\">2<\/a><\/sup>. \u00c0 medida que o impacto ambiental e a toxicidade do chumbo se tornaram conhecidos, a maioria dos pa\u00edses criaram legisla\u00e7\u00f5es para coibir seu uso. Desde 1974 os Estados Unidos come\u00e7aram a regular o uso das soldas de estanho e chumbo em seu sistema de encanamento de \u00e1gua pot\u00e1vel e agora se encaminham para a exclus\u00e3o total<sup data-fn=\"c442c4a0-631f-4577-825e-7b1a8884618b\" class=\"fn\"><a href=\"#c442c4a0-631f-4577-825e-7b1a8884618b\" id=\"c442c4a0-631f-4577-825e-7b1a8884618b-link\">3<\/a><\/sup>. A Uni\u00e3o Europeia baniu o uso de chumbo em todos eletr\u00f4nicos em 2006 e algo semelhante foi feito no Jap\u00e3o e em outros pa\u00edses. O Brasil estabelece limites m\u00e1ximos de chumbo na fabrica\u00e7\u00e3o de diversos produtos como tintas e pilhas, por\u00e9m a proibi\u00e7\u00e3o por lei da solda Sn-Pb s\u00f3 abrange as embalagens de alimentos<sup data-fn=\"792cb18d-c348-46c0-af35-d2d433b842f1\" class=\"fn\"><a href=\"#792cb18d-c348-46c0-af35-d2d433b842f1\" id=\"792cb18d-c348-46c0-af35-d2d433b842f1-link\">4<\/a><\/sup> &#8211; raz\u00e3o pela qual ela ainda \u00e9 bastante utilizada aqui. <br>De toda forma, diante deste cen\u00e1rio, ganharam protagonismo outras ligas de estanho que hoje se tornaram as melhores op\u00e7\u00f5es na produ\u00e7\u00e3o de soldas. A Comiss\u00e3o Europeia, por exemplo, justifica a proibi\u00e7\u00e3o do chumbo citando que em eletr\u00f4nicos elas j\u00e1 s\u00e3o facilmente substitu\u00eddas por outras soldas de estanho<sup data-fn=\"c0ae5731-e5c8-4d42-9d7e-f3211dbd6b90\" class=\"fn\"><a href=\"#c0ae5731-e5c8-4d42-9d7e-f3211dbd6b90\" id=\"c0ae5731-e5c8-4d42-9d7e-f3211dbd6b90-link\">5<\/a><\/sup>. Hoje as ligas com a prata, com o cobre e com o antim\u00f4nio em diferentes combina\u00e7\u00f5es s\u00e3o as mais comuns, mas estudos recentes apontam usos potenciais em soldas com \u00edndio, bismuto e zinco no futuro<sup data-fn=\"35e1eebf-df6e-4a79-b3d9-c8a93177ae2c\" class=\"fn\"><a href=\"#35e1eebf-df6e-4a79-b3d9-c8a93177ae2c\" id=\"35e1eebf-df6e-4a79-b3d9-c8a93177ae2c-link\">6<\/a><\/sup>. Na verdade, s\u00e3o justamente as soldas sem chumbo (lead-free) que primeiro deram ao uso do estanho uma justificativa ambiental.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\" wp-block-image size-large eplus-wrapper\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/1000024673-1024x768.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-441\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/1000024673-1024x768.png 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/1000024673-300x225.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/1000024673-768x576.png 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/1000024673-500x375.png 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/1000024673-800x600.png 800w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/1000024673-1280x960.png 1280w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/1000024673.png 1536w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Apesar de ser utilizado em quantidades muito pequenas, ele \u00e9 essencial para a produ\u00e7\u00e3o industrial de uma grande diversidade de produtos. Segundo a ITA, das 357 mil toneladas de estanho usadas no ano de 2023, 51% foram utilizadas para soldas. A associa\u00e7\u00e3o classifica o estanho como uma esp\u00e9cie de cola, essencial para que outros metais funcionem adequadamente. O uso em processos industriais qu\u00edmicos e em baterias tamb\u00e9m s\u00e3o bastante relevantes com, respectivamente, 16% e 8% do total. As ligas com cobre utilizadas h\u00e1 mil\u00eanios ainda representam 6% do seu uso total. <br>Em outras palavras, o estanho \u00e9 parte essencial de praticamente todos os objetos que utilizam soldas, incluindo carros, eletrodom\u00e9sticos, celulares, computadores, latas, baterias, equipamentos industriais, objetos de decora\u00e7\u00e3o e muitas outras coisas &#8211; o que se deve principalmente \u00e0 facilidade e versatilidade na liga com outros metais. Na ind\u00fastria aliment\u00edcia, por exemplo, sua alta resist\u00eancia \u00e0 corros\u00e3o e n\u00e3o toxicidade o tornam uma escolha popular para latas e embalagens met\u00e1licas. Na forma de bronze, a resist\u00eancia \u00e0 fadiga e as propriedades antifric\u00e7\u00e3o facilitam o trabalho ideal de m\u00e1quinas e motores industriais. Na fabrica\u00e7\u00e3o de soldas, como j\u00e1 dito antes, o estanho se tornou central para a produ\u00e7\u00e3o das soldas sem chumbo (soldas lead-free), hoje respons\u00e1veis por praticamente todas as soldas usadas em eletr\u00f4nicos. Al\u00e9m disso, as empresas produtoras de estanho afirmam que seu baixo ponto de fus\u00e3o e alta reciclabilidade tornam seu uso relativamente menos danoso ao meio-ambiente.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\">Um recurso escasso para a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica?<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">N\u00e3o s\u00e3o propriamente as ligas sem-chumbo e a alta reciclabilidade, contudo, que colocaram o estanho com import\u00e2ncia digna de nota no debate sobre transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica. Ainda com dados da International Tin Association, das soldas que representam mais da metade do uso de estanho atualmente, cerca de 20% j\u00e1 s\u00e3o utilizadas exclusivamente em fitas de cobre para placas solares<sup data-fn=\"909c7a01-6a34-4511-95c8-7bee5998ef12\" class=\"fn\"><a href=\"#909c7a01-6a34-4511-95c8-7bee5998ef12\" id=\"909c7a01-6a34-4511-95c8-7bee5998ef12-link\">7<\/a><\/sup> &#8211; ou seja, cerca de 10% de todo o estanho usado no mundo. E ainda h\u00e1 outras soldas de estanho nos pain\u00e9is, para al\u00e9m das fitas. Ademais, seu uso fundamental na produ\u00e7\u00e3o de baterias j\u00e1 corresponde a 8% todo o estanho utilizado, tanto em baterias de \u00edon de l\u00edtio como nas de chumbo-\u00e1cido usadas em ve\u00edculos el\u00e9tricos, por exemplo. Na pr\u00e1tica, isso significa que mesmo desconsiderado seu papel na diminui\u00e7\u00e3o do uso de chumbo e em tecnologias que prometem mais efici\u00eancia no uso de combust\u00edveis f\u00f3sseis, baterias e placas solares isoladas j\u00e1 correspondem a praticamente \u2155 de todo estanho utilizado no mundo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\" wp-block-image size-large eplus-wrapper\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/1000024674-1024x768.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-443\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/1000024674-1024x768.png 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/1000024674-300x225.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/1000024674-768x576.png 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/1000024674-500x375.png 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/1000024674-800x600.png 800w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/1000024674-1280x960.png 1280w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/1000024674.png 1536w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Por todas essas coisas, o metal come\u00e7a a ganhar tra\u00e7\u00e3o nos debates sobre mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. \u00c9 preciso, contudo, avaliar os dados dispon\u00edveis de modo cr\u00edtico. As empresas que comp\u00f5em a International Tin Association (ITA) est\u00e3o diretamente interessadas no aumento da explora\u00e7\u00e3o de cassiterita e da rentabilidade e sustentabilidade da produ\u00e7\u00e3o de sua principal commodity. O otimismo ambiental em torno de sua produ\u00e7\u00e3o deve, ent\u00e3o, ser observado com olhar atento aos interesses em jogo. Considerado o potencial vi\u00e9s no discurso ambiental da ITA, podemos aprofundar o debate sobre a import\u00e2ncia do estanho nos processos de descarboniza\u00e7\u00e3o. Em primeiro lugar porque se trata de um recurso natural que \u00e9, obviamente, limitado. A previs\u00e3o atual da pr\u00f3pria ITA \u00e9 que com as reservas j\u00e1 conhecidas atualmente a produ\u00e7\u00e3o est\u00e1 garantida por apenas cinquenta anos<sup data-fn=\"f7139024-9ad2-471b-ab56-48b16025dd25\" class=\"fn\"><a href=\"#f7139024-9ad2-471b-ab56-48b16025dd25\" id=\"f7139024-9ad2-471b-ab56-48b16025dd25-link\">8<\/a><\/sup>. Ent\u00e3o, ao passo que o metal aparece como solu\u00e7\u00e3o ambiental em diversos contextos, pesquisas e mercados j\u00e1 estudam alternativas para o que o substituir\u00e1 quando se tornar escasso. <br>Em outros termos, uma contradi\u00e7\u00e3o fica imposta no debate: por um lado, o estanho torna poss\u00edvel que sejam consolidadas pol\u00edticas de transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, como na produ\u00e7\u00e3o de fontes de energia renov\u00e1veis e na diminui\u00e7\u00e3o do uso de combust\u00edveis f\u00f3sseis.  Por outro lado, seguindo as infraestruturas de produ\u00e7\u00e3o do estanho conseguiremos enxergar de modo mais concreto que as medidas de descarboniza\u00e7\u00e3o e sustentabilidade tamb\u00e9m t\u00eam grande impacto ambiental. E n\u00e3o apenas o impacto de agora, mas o impacto futuro, quando as antigas minas e garimpos a c\u00e9u aberto d\u00e3o lugar a barragens e outras formas mais e menos vis\u00edveis de destrui\u00e7\u00e3o socioambiental. E conv\u00e9m assinalar os impactos sociais para al\u00e9m do ambiental, porque entra em quest\u00e3o o que acontece com as cidades e com os trabalhadores que vivem da minera\u00e7\u00e3o depois que o recurso se esgota. <br>Uma vista \u00e1rea do garimpo de Bom Futuro, em Rond\u00f4nia, de onde parte consider\u00e1vel da cassiterita brasileira \u00e9 retirada, pode assustar aos desavisados que o que est\u00e1 representado na foto \u00e9 uma regi\u00e3o amaz\u00f4nica. Pode uma atividade miner\u00e1ria ser compat\u00edvel com o desenvolvimento sustent\u00e1vel? Considerando que a minera\u00e7\u00e3o vai acontecer, parte consider\u00e1vel do esfor\u00e7o passa a ser minimizar os impactos na produ\u00e7\u00e3o e mitigar as consequ\u00eancias socioambientais da explora\u00e7\u00e3o de cassiterita. Esse \u00e9 o assunto da segunda parte desta reportagem, que voc\u00ea pode ler clicando na pr\u00f3xima p\u00e1gina (2) abaixo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\" wp-block-image size-large eplus-wrapper\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"690\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/1000024675-1024x690.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-445\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/1000024675-1024x690.png 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/1000024675-300x202.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/1000024675-768x518.png 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/1000024675-500x337.png 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/1000024675-800x539.png 800w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/1000024675-1280x863.png 1280w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/1000024675-272x182.png 272w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/1000024675.png 1510w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Imagem a\u00e9rea do garimpo de Bom Futuro retirada do Google Maps.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<!--nextpage-->\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><span>\u201cRASTREANDO O ESTANHO: transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica e caminhos poss\u00edveis para uma explora\u00e7\u00e3o respons\u00e1vel da cassiterita no Brasil\u201d \u00e9 uma s\u00e9rie de duas reportagens feitas a partir do n\u00facleo de pesquisa do projeto \u201cCRAFTing Responsible Tin: A Path to Ethical and Sustainable Mining Practices in the Brazilian Amazon&#8221;. O projeto \u00e9 financiado pela European Partnership For Responsible Minerals (EPRM) e \u00e9 uma parceria entre a Unicamp, a ONG Association for Responsible Mining (ARM) e a Organiza\u00e7\u00e3o das Cooperativas Brasileiras (OCB). A primeira reportagem, dividida em dois posts, abordar\u00e1 a cadeia produtiva do estanho e como o Brasil est\u00e1 inserido nela.<\/span><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\">Parte 2: O Brasil na cadeia produtiva de estanho e o garimpo de Bom Futuro<\/h2>\n\n\n\n<pre class=\" wp-block-code eplus-wrapper\"><code>Por Yama Chiodi e Nelson Gervoni Junior<\/code><\/pre>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Um elemento relativamente inesperado ganha import\u00e2ncia diante dos processos de descarboniza\u00e7\u00e3o. Utilizado em ligas met\u00e1licas desde a antiguidade, o estanho \u00e9 componente essencial na fabrica\u00e7\u00e3o de placas solares e baterias, raz\u00e3o pela qual sua produ\u00e7\u00e3o se tornou importante no debate sobre transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica. Estudar sua cadeia produtiva se tornou necess\u00e1rio para compreender melhor como o Brasil se insere nas transforma\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas para a sustentabilidade. O estanho \u00e9 a principal commodity produzida a partir da explora\u00e7\u00e3o de cassiterita, que no Brasil \u00e9 majoritariamente feita na regi\u00e3o amaz\u00f4nica, com o uso de Minera\u00e7\u00e3o Artesanal e de Pequena Escala (MAPE). Ainda que diversos atores apontem que o uso de MAPE apresente menos riscos associados que outras formas de minera\u00e7\u00e3o, \u00e9 fundamental que essas pr\u00e1ticas sejam transformadas por protocolos internacionais e recursos de rastreabilidade para mitigar seus impactos socioambientais. \u00c9 nesse contexto que o projeto Crafting Responsible Tin se projeta como uma possibilidade de unir pesquisadores, cooperativas da cadeia de produ\u00e7\u00e3o do estanho e organiza\u00e7\u00f5es internacionais para produzir pr\u00e1ticas mais sustent\u00e1veis de explora\u00e7\u00e3o da cassiterita e levantar estrat\u00e9gias para mitigar danos e coibir a explora\u00e7\u00e3o ilegal de cassiterita na Amaz\u00f4nia. Para ler a primeira parte desta reportagem, clique no n\u00famero (1) ao final do texto.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\" wp-block-separator has-alpha-channel-opacity eplus-wrapper\" \/>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Apesar de diferentes fontes apresentarem dados conflitantes, o Brasil est\u00e1 entre os maiores produtores e as maiores reservas de estanho do mundo. Segundo os dados mais recentes da Ag\u00eancia Nacional de Minera\u00e7\u00e3o (ANM), de 2020, somos o 4o maior em quantidade de reservas (9,2% do total global) e o 6o maior em produ\u00e7\u00e3o (6,1% do total global) (Ver gr\u00e1ficos 2 e 3). Apesar de estar muito longe de China e Indon\u00e9sia, que representam juntas 53% da produ\u00e7\u00e3o e 42% das reservas globais, h\u00e1 fortes ind\u00edcios de que a explora\u00e7\u00e3o em territ\u00f3rio nacional est\u00e1 longe de seu teto.<br>Um destes ind\u00edcios \u00e9 que a China Nonferrous Trade (CNT), subsidi\u00e1ria da mineradora estatal chinesa CNMG, adquiriu por cerca de 2 bilh\u00f5es de reais uma mina de estanho na regi\u00e3o amaz\u00f4nica, ao fim de 2024<sup data-fn=\"63f3edb1-62e0-4282-b6b2-dabdbd324bbb\" class=\"fn\"><a href=\"#63f3edb1-62e0-4282-b6b2-dabdbd324bbb\" id=\"63f3edb1-62e0-4282-b6b2-dabdbd324bbb-link\">9<\/a><\/sup>. Esta opera\u00e7\u00e3o comercial na pr\u00e1tica foi a compra da Taboca<sup data-fn=\"d61acd8d-bbe9-4344-85fb-a82e37112db1\" class=\"fn\"><a href=\"#d61acd8d-bbe9-4344-85fb-a82e37112db1\" id=\"d61acd8d-bbe9-4344-85fb-a82e37112db1-link\">10<\/a><\/sup>, uma das duas empresas brasileiras parte da International Tin Association (a outra sendo a White Solder). A venda causou bastante pol\u00eamica, em especial porque entrou num ciclo de divulga\u00e7\u00e3o de fake news que chegou a ser compartilhado como verdade por alguns ve\u00edculos da imprensa. A not\u00edcia falsa trazia uma foto dos presidentes Lula e Xi Jinping e dizia que o Brasil vendeu a explora\u00e7\u00e3o de ur\u00e2nio na Amaz\u00f4nia. Contudo, al\u00e9m de n\u00e3o haver explora\u00e7\u00e3o de ur\u00e2nio na regi\u00e3o, sua explora\u00e7\u00e3o e venda \u00e9 de exclusividade da Uni\u00e3o e s\u00f3 pode ser feita em parceria com a INB (Ind\u00fastrias Nucleares do Brasil)<sup data-fn=\"0d412260-7181-4962-9698-3dd4c13a56ae\" class=\"fn\"><a href=\"#0d412260-7181-4962-9698-3dd4c13a56ae\" id=\"0d412260-7181-4962-9698-3dd4c13a56ae-link\">11<\/a><\/sup>.<br>Determinar o tamanho dos recursos\/reservas e da produ\u00e7\u00e3o de estanho n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o f\u00e1cil porque os dados s\u00e3o frequentemente conflitantes. Os dados da International Tin Association (ITA) e do Servi\u00e7o de Geologia do governo dos Estados Unidos (USGS) parecem ser produzidos a partir de conceitos diferentes para avaliar o que seja a produ\u00e7\u00e3o, recursos e reservas, raz\u00e3o pela qual os dados de diferentes fontes n\u00e3o podem ser comparados sem um trabalho espec\u00edfico para medir o que cada um deles est\u00e1 aferindo e qual foi a metodologia utilizada. Em geral, os pr\u00f3prios pa\u00edses determinam as quantidades de seus recursos e reservas. Desse modo, decidimos reportar os dados sobre estanho no Brasil que s\u00e3o divulgados pela Ag\u00eancia Nacional de Minera\u00e7\u00e3o (AMN) que, segundo eles, s\u00e3o feitos a partir de uma corre\u00e7\u00e3o dos relat\u00f3rios globais da USGS. Os dados a seguir foram divulgados em 2020 e apresentam corre\u00e7\u00f5es feitas a partir do relat\u00f3rio de 2018 da USGS.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\" wp-block-image size-large eplus-wrapper\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"614\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-12-at-16.38.58-1024x614.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-449\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-12-at-16.38.58-1024x614.jpeg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-12-at-16.38.58-300x180.jpeg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-12-at-16.38.58-768x461.jpeg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-12-at-16.38.58-500x300.jpeg 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-12-at-16.38.58-800x480.jpeg 800w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-12-at-16.38.58-1280x768.jpeg 1280w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-12-at-16.38.58.jpeg 1500w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\" wp-block-image size-large eplus-wrapper\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"614\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-12-at-16.39.22-1024x614.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-450\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-12-at-16.39.22-1024x614.jpeg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-12-at-16.39.22-300x180.jpeg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-12-at-16.39.22-768x461.jpeg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-12-at-16.39.22-500x300.jpeg 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-12-at-16.39.22-800x480.jpeg 800w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-12-at-16.39.22-1280x768.jpeg 1280w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-12-at-16.39.22.jpeg 1500w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Gr\u00e1fico 2 e 3: reservas globais e produ\u00e7\u00e3o global de estanho, respectivamente.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Olhar apenas para a participa\u00e7\u00e3o brasileira nas reservas e produ\u00e7\u00e3o de estanho n\u00e3o explica em todo a import\u00e2ncia do pa\u00eds quando pensamos a rela\u00e7\u00e3o entre o metal e o debate p\u00fablico sobre mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Por ocasi\u00e3o do lan\u00e7amento de semin\u00e1rio sobre minerais estrat\u00e9gicos para a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, o diretor-geral da Ag\u00eancia Nacional de Minera\u00e7\u00e3o (AMN), Mauro Souza<sup data-fn=\"5d2382c6-86c3-4a4f-9e93-719469b10882\" class=\"fn\"><a href=\"#5d2382c6-86c3-4a4f-9e93-719469b10882\" id=\"5d2382c6-86c3-4a4f-9e93-719469b10882-link\">12<\/a><\/sup>, declarou que \u201cN\u00e3o h\u00e1 transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica sem minera\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o h\u00e1 minera\u00e7\u00e3o sem uma ag\u00eancia forte&#8221;. Por um lado, trata-se de um componente estrat\u00e9gico para o desenvolvimento nacional, menos pelo montante monet\u00e1rio gerado por sua ind\u00fastria, que n\u00e3o chega a ser t\u00e3o relevante, mas pelo fato de que hoje 22% da matriz energ\u00e9tica brasileira \u00e9 composta pela gera\u00e7\u00e3o de energia solar fotovoltaica<sup data-fn=\"6423e42e-a211-46b7-898b-4e13c6ed993a\" class=\"fn\"><a href=\"#6423e42e-a211-46b7-898b-4e13c6ed993a\" id=\"6423e42e-a211-46b7-898b-4e13c6ed993a-link\">13<\/a><\/sup> (de acordo com a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica).<br>Especialmente se considerarmos o aumento expressivo do uso de energia solar na nossa matriz energ\u00e9tica nas \u00faltimas d\u00e9cadas, o acesso ao metal produzido em territ\u00f3rio nacional ganha import\u00e2ncia. Por outro lado, \u00e9 o impacto ambiental que faz o Brasil estar no centro do debate. A quase totalidade da explora\u00e7\u00e3o de cassiterita em territ\u00f3rio brasileiro \u00e9 feita na regi\u00e3o amaz\u00f4nica. Para al\u00e9m da quest\u00e3o mais expl\u00edcita dos problemas decorrentes de atividades miner\u00e1rias desmatando a maior floresta \u00famida do mundo, a explora\u00e7\u00e3o do estanho tem sido palco de conflitos que passam tanto pela invas\u00e3o de territ\u00f3rio ind\u00edgena como pela aus\u00eancia de rastreabilidade, que torna quase imposs\u00edvel coibir a venda do metal oriunda de cassiterita ilegal.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\">MAPE e garimpo de Bom Futuro<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">De acordo com dados da ITA, cerca de 40% da minera\u00e7\u00e3o global de cassiterita \u00e9 feita por minera\u00e7\u00e3o artesanal e de pequena escala (MAPE). No Brasil, contudo, esse n\u00famero passaria dos 71% por cento, de acordo com a organiza\u00e7\u00e3o. Esse dado coloca uma diferen\u00e7a bastante importante da produ\u00e7\u00e3o brasileira e dos maiores produtores, como a China, onde a explora\u00e7\u00e3o \u00e9 significativamente mais mecanizada. Em 2022 foi lan\u00e7ado um programa de incentivo \u00e0 minera\u00e7\u00e3o artesanal e de pequena escala chamado PROMAPE<sup data-fn=\"98bb4b79-2eea-4e2c-bb4c-88a6ccb31551\" class=\"fn\"><a href=\"#98bb4b79-2eea-4e2c-bb4c-88a6ccb31551\" id=\"98bb4b79-2eea-4e2c-bb4c-88a6ccb31551-link\">14<\/a><\/sup>. Nas diretrizes do programa, o que seja MAPE \u00e9 definido como a minera\u00e7\u00e3o de pequena escala cujo fim \u00e9 produzir \u201csubst\u00e2ncias minerais garimp\u00e1veis&#8221;, como definido na lei No. 7805, de 18 de julho de 1989<sup data-fn=\"c257cd0d-1ae6-4b72-a5f3-324c55d4b4ed\" class=\"fn\"><a href=\"#c257cd0d-1ae6-4b72-a5f3-324c55d4b4ed\" id=\"c257cd0d-1ae6-4b72-a5f3-324c55d4b4ed-link\">15<\/a><\/sup>. A lei citada menciona especificamente quais minerais podem ser considerados como tal e, entre eles, est\u00e1 a cassiterita.<br>Ainda que a minera\u00e7\u00e3o artesanal possa representar menores danos socioambientais se comparada com uma minera\u00e7\u00e3o largamente mecanizada, \u00e9 necess\u00e1rio analisar casos espec\u00edficos n\u00e3o apenas para garantir que esses danos sejam controlados, mas que a promessa de uma produ\u00e7\u00e3o miner\u00e1ria mais respons\u00e1vel possa se concretizar. E \u00e9 justamente para tentar organizar e garantir que a produ\u00e7\u00e3o tome uma dire\u00e7\u00e3o mais respons\u00e1vel que ONGs e organismos internacionais t\u00eam trabalhado na cria\u00e7\u00e3o de protocolos mais rigorosos que ajudem a fiscalizar e transformar os garimpos de MAPE.<br>\u00c9 nesse contexto que foi estabelecido o CRAFTing Responsible Tin: A Path to Ethical and Sustainable Mining Practices in the Brazilian Amazon. O projeto \u00e9 financiado pela European Partnership for Responsible Minerals (EPRM) e \u00e9 composto por cinco parceiros principais: uma equipe interdisciplinar de pesquisadores do Instituto de Geoci\u00eancias da Unicamp, a ONG Alliance for Responsible Mining (ARM), a Organiza\u00e7\u00e3o de Cooperativas Brasileiras (OCB) e duas cooperativas que atuam em Bom Futuro, a COOPERSANTA e a COOPERMETAL. Reunindo atores de diferentes escopos de trabalho, seu objetivo principal \u00e9 transformar as pr\u00e1ticas de algumas cooperativas que exploram cassiterita no garimpo de Bom Futuro (Ariquemes &#8211; RO) para ter um impacto positivo na produ\u00e7\u00e3o de estanho legal e respons\u00e1vel. Na pr\u00e1tica isso significa a ader\u00eancia das cooperativas a dois protocolos internacionais de minera\u00e7\u00e3o respons\u00e1vel: o CRAFT<sup data-fn=\"e7e55b99-ec16-48c7-8ce1-e90a10ee8845\" class=\"fn\"><a href=\"#e7e55b99-ec16-48c7-8ce1-e90a10ee8845\" id=\"e7e55b99-ec16-48c7-8ce1-e90a10ee8845-link\">16<\/a><\/sup>, j\u00e1 largamente utilizado na explora\u00e7\u00e3o do ouro, e o Fairmined<sup data-fn=\"41f09047-452a-43e0-8c7d-b81ab66a9a8f\" class=\"fn\"><a href=\"#41f09047-452a-43e0-8c7d-b81ab66a9a8f\" id=\"41f09047-452a-43e0-8c7d-b81ab66a9a8f-link\">17<\/a><\/sup>. Com isso, a expectativa \u00e9 que as cooperativas adiram a pr\u00e1ticas mais sustent\u00e1veis que mitigam os impactos socioambientais da explora\u00e7\u00e3o de cassiterita e contribuam para a produ\u00e7\u00e3o legal e respons\u00e1vel de estanho.<br>Na primeira fase do projeto, o n\u00facleo de pesquisa de geotecnologias e recupera\u00e7\u00e3o ambiental (um dos tr\u00eas do projeto) trabalhou para fazer um detalhamento do munic\u00edpio de Ariquemes &#8211; RO e do distrito de Bom Futuro, de onde uma parte consider\u00e1vel da cassiterita brasileira \u00e9 explorada. Esse detalhamento foi feito por trabalho de campo e laboratorial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<figure class=\" wp-block-image size-large eplus-wrapper\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-12-at-16.46.14-1024x768.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-451\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-12-at-16.46.14-1024x768.jpeg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-12-at-16.46.14-300x225.jpeg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-12-at-16.46.14-768x576.jpeg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-12-at-16.46.14-1536x1152.jpeg 1536w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-12-at-16.46.14-500x375.jpeg 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-12-at-16.46.14-800x600.jpeg 800w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-12-at-16.46.14-1280x960.jpeg 1280w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-12-at-16.46.14.jpeg 1600w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Equipe do projeto faz trabalho de campo em Bom Futuro em dezembro de 2024. Foto de Jerusa Schneider.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<figure class=\" wp-block-image size-large eplus-wrapper\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-12-at-16.46.23-768x1024.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-452\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-12-at-16.46.23-768x1024.jpeg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-12-at-16.46.23-225x300.jpeg 225w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-12-at-16.46.23-1152x1536.jpeg 1152w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-12-at-16.46.23-500x667.jpeg 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-12-at-16.46.23-800x1067.jpeg 800w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-12-at-16.46.23.jpeg 1200w\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Garimpeiros trabalham em Bom Futuro. Foto tirada em campo por Maria Jos\u00e9 de Mesquita, coordenadora do projeto.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">O munic\u00edpio tem aproximadamente 4.500 km2<sup data-fn=\"d0b06d0c-e4e9-4b48-8f26-9f1d41bce749\" class=\"fn\"><a href=\"#d0b06d0c-e4e9-4b48-8f26-9f1d41bce749\" id=\"d0b06d0c-e4e9-4b48-8f26-9f1d41bce749-link\">18<\/a><\/sup> e um espa\u00e7o marcado muito mais pela atividade pecuarista que pela minera\u00e7\u00e3o. Segundo dados obtidos atrav\u00e9s da Plataforma MapBiomas, em 2023 a \u00e1rea ocupada pela pastagem era de 2.880 km2<sup data-fn=\"a86de2c4-c604-4679-887d-030b4c8568b4\" class=\"fn\"><a href=\"#a86de2c4-c604-4679-887d-030b4c8568b4\" id=\"a86de2c4-c604-4679-887d-030b4c8568b4-link\">19<\/a><\/sup>. Para al\u00e9m dessa atividade econ\u00f4mica, existem dois n\u00facleos urbanos no munic\u00edpio, originados tamb\u00e9m por demandas econ\u00f4micas sobre o territ\u00f3rio. O principal n\u00facleo, a cidade propriamente dita, originou-se a partir de ocupa\u00e7\u00f5es do Vale do Jamari (no centro do munic\u00edpio) em um contexto de primeiro ciclo da borracha no Brasil. O segundo n\u00facleo urbano \u00e9 o Distrito de Bom Futuro. No extremo oeste de Ariquemes, sua ocupa\u00e7\u00e3o se iniciou quase 80 anos depois, em 1987, a partir de descobertas de cassiterita na regi\u00e3o. De acordo com o Minist\u00e9rio do Trabalho<sup data-fn=\"7974c5ed-eefa-4ecf-bf4d-0fae511d8a31\" class=\"fn\"><a href=\"#7974c5ed-eefa-4ecf-bf4d-0fae511d8a31\" id=\"7974c5ed-eefa-4ecf-bf4d-0fae511d8a31-link\">20<\/a><\/sup>, a \u00e1rea total do Distrito, com suas instala\u00e7\u00f5es residenciais e de minera\u00e7\u00e3o propriamente dita, era de aproximadamente 35 km2 ao final do s\u00e9culo XX.<br>A partir de an\u00e1lises de dados da plataforma MapBiomas, foi poss\u00edvel observar as din\u00e2micas e mudan\u00e7as no uso da terra em Ariquemes\/RO. Com um recorte entre 1985, per\u00edodo de in\u00edcio das atividades de garimpo de cassiterita em Bom Futuro, e 2023, o que se observou foi um aumento dr\u00e1stico das atividades de pastagem em detrimento de florestas naturais. Em menos de 40 anos, cerca de 2.160 km2 de floresta foram derrubados e transformados em pasto, com a convers\u00e3o de 1.800 km2 entre 1985, ano inicial de amostragem, e 2005.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<figure class=\" wp-block-image size-large eplus-wrapper\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"724\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-12-at-16.50.24-1024x724.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-453\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-12-at-16.50.24-1024x724.jpeg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-12-at-16.50.24-300x212.jpeg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-12-at-16.50.24-768x543.jpeg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-12-at-16.50.24-1536x1086.jpeg 1536w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-12-at-16.50.24-500x353.jpeg 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-12-at-16.50.24-800x566.jpeg 800w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-12-at-16.50.24-1280x905.jpeg 1280w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-12-at-16.50.24.jpeg 1600w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<figure class=\" wp-block-image size-large eplus-wrapper\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"724\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-12-at-16.50.33-1024x724.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-454\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-12-at-16.50.33-1024x724.jpeg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-12-at-16.50.33-300x212.jpeg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-12-at-16.50.33-768x543.jpeg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-12-at-16.50.33-1536x1086.jpeg 1536w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-12-at-16.50.33-500x353.jpeg 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-12-at-16.50.33-800x566.jpeg 800w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-12-at-16.50.33-1280x905.jpeg 1280w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-12-at-16.50.33.jpeg 1600w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Mapas 1 e 2: classes de uso e ocupa\u00e7\u00e3o no munic\u00edpio de Ariquemes\/RO para os anos de 1985 e 2023, respectivamente.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Sobre o distrito de Bom Futuro, a pesquisa fez um levantamento dos usos da terra em uma escala maior e com mais detalhamento (1:5.000) em laborat\u00f3rio. A pesquisa laboratorial demonstrou que os dados do MapBiomas apresentam baixa acur\u00e1cia para an\u00e1lises mais detalhadas (a pr\u00f3pria plataforma recomenda a utiliza\u00e7\u00e3o de seus mapeamentos para escalas de at\u00e9 1:100.000)<sup data-fn=\"2d6a57ab-c6c5-4093-8f1b-05cc878259f1\" class=\"fn\"><a href=\"#2d6a57ab-c6c5-4093-8f1b-05cc878259f1\" id=\"2d6a57ab-c6c5-4093-8f1b-05cc878259f1-link\">21<\/a><\/sup>. As principais diferen\u00e7as se d\u00e3o no interior do garimpo: os dados da Plataforma apontavam para 20,95 km2 de \u00e1rea minerada, enquanto os dados levantados em laborat\u00f3rio mostraram haver uma vasta \u00e1rea de forma\u00e7\u00e3o campestre, o que reduz a \u00e1rea efetiva de garimpo para 7,12 km2, menos da metade do apontamento mais generalizante. Ainda assim, a \u00e1rea efetiva de garimpo \u00e9 quase 7 vezes maior que o adensamento urbano no Distrito \u2013 o que indica, dentre outras constata\u00e7\u00f5es, a permanente relev\u00e2ncia do garimpo sobre a exist\u00eancia desse n\u00facleo urbano e sobre as din\u00e2micas populacionais do munic\u00edpio como um todo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<figure class=\" wp-block-image size-large eplus-wrapper\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"879\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-12-at-16.53.43-879x1024.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-455\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-12-at-16.53.43-879x1024.jpeg 879w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-12-at-16.53.43-257x300.jpeg 257w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-12-at-16.53.43-768x895.jpeg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-12-at-16.53.43-1318x1536.jpeg 1318w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-12-at-16.53.43-500x583.jpeg 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-12-at-16.53.43-800x932.jpeg 800w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-12-at-16.53.43-1280x1492.jpeg 1280w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-12-at-16.53.43.jpeg 1373w\" sizes=\"(max-width: 879px) 100vw, 879px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Mapa 3: uso da terra do garimpo Bom Futuro, Ariquemes\/RO em 2024. Mapa por Nelson Gervoni Junior.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">O levantamento da pesquisa tamb\u00e9m observou os poss\u00edveis territ\u00f3rios ind\u00edgenas existentes em Ariquemes e\/ou em Bom Futuro, especificamente. A motiva\u00e7\u00e3o para isso foi que boa parte da cassiterita ilegal na regi\u00e3o da Amaz\u00f4nia \u00e9 retirada de territ\u00f3rio ind\u00edgena. Para fazer essa verifica\u00e7\u00e3o, a equipe coletou dados georreferenciados disponibilizados pela FUNAI sobre esses territ\u00f3rios<sup data-fn=\"5744cf13-d12e-4c26-81f3-27901bf3c069\" class=\"fn\"><a href=\"#5744cf13-d12e-4c26-81f3-27901bf3c069\" id=\"5744cf13-d12e-4c26-81f3-27901bf3c069-link\">22<\/a><\/sup> e, de acordo com a Funda\u00e7\u00e3o, n\u00e3o existem terras Ind\u00edgenas demarcadas no munic\u00edpio. O territ\u00f3rio mais pr\u00f3ximo ao Distrito de Bom Futuro est\u00e1 a cerca de 50 km de dist\u00e2ncia, em Porto Velho\/RO, seguido de dois outros territ\u00f3rios, ambos a 70 km de dist\u00e2ncia de Bom Futuro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<figure class=\" wp-block-image size-large eplus-wrapper\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"722\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-12-at-16.56.40-1024x722.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-456\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-12-at-16.56.40-1024x722.jpeg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-12-at-16.56.40-300x211.jpeg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-12-at-16.56.40-768x541.jpeg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-12-at-16.56.40-1536x1083.jpeg 1536w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-12-at-16.56.40-500x352.jpeg 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-12-at-16.56.40-800x564.jpeg 800w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-12-at-16.56.40-1280x902.jpeg 1280w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-12-at-16.56.40.jpeg 1599w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Mapa 4: Terras Ind\u00edgenas ao redor do munic\u00edpio de Ariquemes\/RO em 2024. Mapa por Nelson Gervoni Junior.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\">Rastreabilidade: um caminho para a produ\u00e7\u00e3o respons\u00e1vel<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Para al\u00e9m de melhorar as pr\u00e1ticas de explora\u00e7\u00e3o para torn\u00e1-las menos destrutivas do ponto de vista ambiental, os protocolos CRAFT e Fairmined t\u00eam por objetivo garantir que os impactos sociais das atividades miner\u00e1rias sejam reduzidos. Isso passa pela garantia de condi\u00e7\u00f5es melhores e de seguran\u00e7a de trabalho, pela igualdade de g\u00eanero nos garimpos e pelo plano de uma cidade futura, depois que a minera\u00e7\u00e3o de cassiterita se tornar escassa. Al\u00e9m disso, os protocolos visam contribuir para que a produ\u00e7\u00e3o de estanho se torne mais respons\u00e1vel, entre outras coisas, a partir de incentivos e um programa de cr\u00e9ditos para os garimpos que consigam garantir a origem e a legalidade de sua cassiterita. Para os n\u00facleos de pesquisa da geologia e das ci\u00eancias sociais, os outros dois al\u00e9m do n\u00facleo de geotecnologias, rastreabilidade \u00e9 a palavra de ordem. Os protocolos internacionais e o conceito de rastreabilidade s\u00e3o o principal tema da segunda reportagem desta s\u00e9rie, que tamb\u00e9m descrever\u00e1 em detalhe cada n\u00facleo de pesquisa de do projeto. Esta \u00e9 parte fundamental da contribui\u00e7\u00e3o da Unicamp: ajudar a encontrar mecanismos que permitam \u00e0s cooperativas de cassiterita legal provar a origem e produ\u00e7\u00e3o respons\u00e1vel de sua explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n<ol class=\"wp-block-footnotes\"><li id=\"524dc86c-a13f-4263-a331-03cf029c3ac3\">A History of Metallurgy, por R. F. Tylecote, Maney Publishings, 1992. <a href=\"#524dc86c-a13f-4263-a331-03cf029c3ac3-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 1 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"43ff5527-f52f-426d-9dbb-9d4bf27eb597\"><a href=\"https:\/\/www.internationaltin.org\/ita-study-tin-use-in-recovery-cycle\/\">https:\/\/www.internationaltin.org\/ita-study-tin-use-in-recovery-cycle\/<\/a> <a href=\"#43ff5527-f52f-426d-9dbb-9d4bf27eb597-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 2 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"c442c4a0-631f-4577-825e-7b1a8884618b\"><a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2023\/11\/30\/climate\/epa-lead-drinking-water-pipes.html?searchResultPosition=1\">https:\/\/www.nytimes.com\/2023\/11\/30\/climate\/epa-lead-drinking-water-pipes.html?searchResultPosition=1<\/a> <a href=\"#c442c4a0-631f-4577-825e-7b1a8884618b-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 3 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"792cb18d-c348-46c0-af35-d2d433b842f1\"><a href=\"https:\/\/antigo.mma.gov.br\/seguranca-quimica\/gestao-das-substancias-quimicas\/rohs-brasileira.html\">https:\/\/antigo.mma.gov.br\/seguranca-quimica\/gestao-das-substancias-quimicas\/rohs-brasileira.html<\/a> <a href=\"#792cb18d-c348-46c0-af35-d2d433b842f1-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 4 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"c0ae5731-e5c8-4d42-9d7e-f3211dbd6b90\"><a href=\"https:\/\/ec.europa.eu\/commission\/presscorner\/detail\/sk\/ip_06_903\">https:\/\/ec.europa.eu\/commission\/presscorner\/detail\/sk\/ip_06_903<\/a> <a href=\"#c0ae5731-e5c8-4d42-9d7e-f3211dbd6b90-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 5 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"35e1eebf-df6e-4a79-b3d9-c8a93177ae2c\"><a href=\"https:\/\/pmc.ncbi.nlm.nih.gov\/articles\/PMC6711112\/#CIT000\">https:\/\/pmc.ncbi.nlm.nih.gov\/articles\/PMC6711112\/#CIT000<\/a> <a 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