{"id":475,"date":"2025-07-08T15:37:36","date_gmt":"2025-07-08T18:37:36","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/?p=475"},"modified":"2025-07-08T15:39:13","modified_gmt":"2025-07-08T18:39:13","slug":"governanca-climatica-como-transformar-evidencias-cientificas-em-politicas-publicas-eficazes-uma-conversa-com-o-dr-alexandre-marques","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/2025\/07\/08\/governanca-climatica-como-transformar-evidencias-cientificas-em-politicas-publicas-eficazes-uma-conversa-com-o-dr-alexandre-marques\/","title":{"rendered":"Como transformar evid\u00eancias cient\u00edficas em pol\u00edticas p\u00fablicas eficazes? Uma conversa com o Dr. Alexandre Marques"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Por Thais Lassali<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><span>O GEICT conta com um novo pesquisador de p\u00f3s-doutorado! O <\/span><a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/6565550018186431\"><span>Dr. Alexandre Marques<\/span><\/a><span> iniciou sua pesquisa no <\/span><a href=\"https:\/\/portal.ige.unicamp.br\/pos-graduacao\/programas\/politica-cientifica-e-tecnologica\"><span>Programa de P\u00f3s Gradua\u00e7\u00e3o em Pol\u00edtica Cient\u00edfica e Tecnol\u00f3gica<\/span><\/a><span> <span>no come\u00e7o do primeiro semestre de 2025,<\/span> sob supervis\u00e3o do Prof. Marko Monteiro e com financiamento da CAPES. Sua pesquisa investiga de que modo as evid\u00eancias fomentadas pelo projeto AmazonFACE \u2014 <\/span><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/2024\/11\/22\/governanca-por-meio-de-futuros-especulativos-na-amazonia\/\"><span>que simula os impactos do aumento de CO\u2082 na floresta amaz\u00f4nica<\/span><\/a><span> \u2014 podem ser incorporadas pelas pol\u00edticas p\u00fablicas brasileiras. O Blog do GEICT conversou com Alexandre Marques para saber mais detalhes sobre sua trajet\u00f3ria e sobre o projeto que ser\u00e1 desenvolvido nos pr\u00f3ximos anos.<\/span><\/p>\n\n\n\n<figure class=\" wp-block-image size-large eplus-wrapper\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"697\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/07\/11-1024x697.jpg\" alt=\"Foto de Alexandre Marques, novo pesquisador de p\u00f3s-doutorado do GEICT.\" class=\"wp-image-496\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/07\/11-1024x697.jpg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/07\/11-300x204.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/07\/11-768x523.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/07\/11-1536x1046.jpg 1536w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/07\/11-2048x1395.jpg 2048w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/07\/11-500x340.jpg 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/07\/11-800x545.jpg 800w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/07\/11-1280x872.jpg 1280w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/07\/11-1920x1307.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto de Alexandre Marques, novo pesquisador de p\u00f3s-doutorado do GEICT. Foto de arquivo pessoal.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h4 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\"><b>Uma trajet\u00f3ria preocupada com a quest\u00e3o ambiental<\/b><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><span>Formado em Geografia e com uma trajet\u00f3ria acad\u00eamica voltada para a quest\u00e3o ambiental, o interesse em problemas ambientais surgiu&nbsp; para Marques antes mesmo dele entrar na universidade. Entre 2000 e 2005, ele trabalhou na Embraer como t\u00e9cnico de ensaios de voo, realizando testes nos radares de aeronaves produzidas para o Sistema de Vigil\u00e2ncia da Amaz\u00f4nia (SIVAM), que tinham como objetivo proteger o espa\u00e7o a\u00e9reo, bem como vigiar desdobramentos em terra da Amaz\u00f4nia Legal.<\/span><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote eplus-wrapper is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><span>\u201cSempre fui fascinado por tecnologia aeroespacial, mas foi ali, naquela interface entre ci\u00eancia aeroespacial, territ\u00f3rio e preserva\u00e7\u00e3o, que a quest\u00e3o ambiental realmente me pegou. Esse envolvimento me levou \u00e0 gradua\u00e7\u00e3o em Geografia, onde comecei a compreender mais profundamente as rela\u00e7\u00f5es entre sociedade, territ\u00f3rio e meio ambiente.\u201d<\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><span>O Trabalho Conclus\u00e3o de Curso de Marques, realizado em 2005 na Universidade do Vale do Para\u00edba (UNIVAP) sob orienta\u00e7\u00e3o da professora doutora Sandra Costa (UNIVAP), intitula-se \u201cProjetos de MDL no M\u00e9dio Vale do Para\u00edba Paulista\u201d. O trabalho consistiu em uma revis\u00e3o te\u00f3rica sobre o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), um dos<\/span> <span>mecanismos de flexibiliza\u00e7\u00e3o criados pelo<\/span> <span>Protocolo de Kyoto para auxiliar o processo de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es de<\/span> <span>gases do efeito estufa, investigando a possibilidade de aplica\u00e7\u00e3o desse procedimento na paisagem do Vale do Para\u00edba.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><span>Alguns anos depois, j\u00e1 em 2014, Marques defendeu seu mestrado, realizado no Programa de Planejamento Urbano e Regional da mesma universidade onde se formou, dessa vez sob orienta\u00e7\u00e3o do Professor Doutor Mario Val\u00e9rio Filho (UNIVAP). Sua disserta\u00e7\u00e3o, intitulada \u201cOrdenamento e governan\u00e7a territorial: estrat\u00e9gias para prote\u00e7\u00e3o ambiental na APA de S\u00e3o Francisco Xavier &#8211; S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos &#8211; SP\u201d, aprofundou o interesse do autor pela interface entre ordenamento territorial, governan\u00e7a ambiental e gest\u00e3o de recursos h\u00eddricos, com foco na \u00c1rea de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental (APA) de S\u00e3o Francisco Xavier, localizada na Serra da Mantiqueira, Mata Atl\u00e2ntica.<\/span><\/p>\n\n\n\n<figure class=\" wp-block-image size-full eplus-wrapper\"><img decoding=\"async\" width=\"597\" height=\"373\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/07\/UCVista-aerea_Ie46944b1-c569-4ef3-8120-611212a613b8.jpg\" alt=\"Vista a\u00e9rea da APA S\u00e3o Francisco Xavier, onde Marques realizou sua pesquisa de mestrado. Fonte: Funda\u00e7\u00e3o Florestal - Governo do Estado de S\u00e3o Paulo.\" class=\"wp-image-502\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/07\/UCVista-aerea_Ie46944b1-c569-4ef3-8120-611212a613b8.jpg 597w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/07\/UCVista-aerea_Ie46944b1-c569-4ef3-8120-611212a613b8-300x187.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/07\/UCVista-aerea_Ie46944b1-c569-4ef3-8120-611212a613b8-500x312.jpg 500w\" sizes=\"(max-width: 597px) 100vw, 597px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Vista a\u00e9rea da APA S\u00e3o Francisco Xavier, onde Marques realizou sua pesquisa de mestrado. Fonte: Funda\u00e7\u00e3o Florestal &#8211; Governo do Estado de S\u00e3o Paulo.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><span>Marques \u00e9 doutor em Ci\u00eancia do Sistema Terrestre pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), onde defendeu a tese <\/span><a href=\"http:\/\/mtc-m21c.sid.inpe.br\/col\/sid.inpe.br\/mtc-m21c\/2020\/04.20.21.24\/doc\/thisInformationItemHomePage.html\"><span>\u201cGovernan\u00e7a adaptativa dos recursos h\u00eddricos do Vale do Para\u00edba Paulista: rede de atores e estrat\u00e9gias pol\u00edticas de adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas\u201d<\/span><\/a><span>, que investiga a governan\u00e7a adaptativa dos recursos h\u00eddricos frente a cen\u00e1rios de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas extremas.<\/span><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote eplus-wrapper is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><span>\u201cMinha pesquisa combinou an\u00e1lise de redes e modelagem socioambiental para entender como diferentes atores \u2014 p\u00fablicos, privados, sociedade civil e academia \u2014 articulam estrat\u00e9gias de adapta\u00e7\u00e3o em contextos marcados por incertezas. O interesse crescente pela modelagem socioambiental me levou a realizar um est\u00e1gio de pesquisa na Wageningen University, na Holanda, onde integrei, sob a lideran\u00e7a da antrop\u00f3loga Myanna Lahsen, o projeto internacional Comparing Climate Change Policy Networks (COMPON), aprofundando meus conhecimentos em redes de pol\u00edticas e testando os efeitos de organiza\u00e7\u00f5es sociais, significado cultural e mobiliza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas nas respostas nacionais \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas de v\u00e1rio pa\u00edses\u201d.<\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<figure class=\" wp-block-image size-full is-resized eplus-wrapper\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/07\/Rio_Paraiba_do_Sul_-_1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-503\" style=\"width:560px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/07\/Rio_Paraiba_do_Sul_-_1.jpg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/07\/Rio_Paraiba_do_Sul_-_1-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/07\/Rio_Paraiba_do_Sul_-_1-768x576.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/07\/Rio_Paraiba_do_Sul_-_1-500x375.jpg 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/07\/Rio_Paraiba_do_Sul_-_1-800x600.jpg 800w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Fotografia do Rio Para\u00edba do Sul (nas proximidades da cidade paulista de Jacare\u00ed), que nomeia a regi\u00e3o conhecida como Vale do Para\u00edba. Fonte: Wikipedia &#8211; OS2Warp.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><span>Ap\u00f3s defender seu doutorado, Marques permaneceu como pesquisador CNPq no INPE, atuando inicialmente no Departamento de Sensoriamento Remoto e Observa\u00e7\u00e3o da Terra (DSR\u2013OBT) e, posteriormente, no Laborat\u00f3rio de Aplica\u00e7\u00f5es de Dados Espaciais de Apoio \u00e0 Sociedade (LADES). Tamb\u00e9m integrou o Programa PRODES, que realiza o monitoramento, por meio do uso de sat\u00e9lites, do desmatamento por corte raso na Amaz\u00f4nia Legal, e o Climate Social Science Network (CSSN), da Universidade de Brown (EUA). Nesse segundo, participa, at\u00e9 hoje, de pesquisas voltadas ao papel do agroneg\u00f3cio brasileiro na pol\u00edtica clim\u00e1tica, analisando \u201cos discursos produzidos por empresas do setor, suas prefer\u00eancias pol\u00edticas e estrat\u00e9gias de financiamento, investigando como essas narrativas se conectam com o uso do solo e os processos de desmatamento no pa\u00eds\u201d. Atualmente, o pesquisador desenvolve, no GEICT, um p\u00f3s-doutorado voltado a uma pergunta que est\u00e1 no centro dos debates sobre o futuro clim\u00e1tico do pa\u00eds: como transformar dados cient\u00edficos robustos sobre a Amaz\u00f4nia em pol\u00edticas p\u00fablicas mais efetivas?<\/span><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\"><b>As arenas onde ci\u00eancia e pol\u00edtica se encontram<\/b><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><span>A pergunta acima n\u00e3o tem uma resposta simples. Em outras palavras, o que ela busca entender \u00e9 a tensa e complexa rela\u00e7\u00e3o entre a produ\u00e7\u00e3o de conhecimento cient\u00edfico e a aplica\u00e7\u00e3o desse conhecimento em problemas concretos, na forma de pol\u00edticas p\u00fablicas, por entes das mais diferentes esferas governamentais. No cerne dessa quest\u00e3o est\u00e1 a ideia de governan\u00e7a. <\/span><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/2025\/05\/26\/a-governanca-da-ct-como-uma-arena-arena-de-interface-entre-saberes-tecnologias-e-politicas-publicas\/\"><span>Como debatido por Mauricio Berger em um semin\u00e1rio que recebeu a cobertura do Blog<\/span><\/a><span>, esse conceito tem um lado anal\u00edtico que tenta compreender de que modo a produ\u00e7\u00e3o de conhecimento auxilia no estabelecimento de pol\u00edticas p\u00fablicas, ao mesmo tempo que tenta entender essa rela\u00e7\u00e3o como uma arena de disputas. Assim, a dificuldade em tornar o que se produz em grupos e projetos de pesquisa em impacto real na formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas n\u00e3o \u00e9 meramente t\u00e9cnica.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><span>Isso porque tanto a ci\u00eancia quanto a cria\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas, ainda que tidas em geral como totalmente racionais e neutras, s\u00e3o permeadas por interesses, ru\u00eddos e complexidades. E \u00e9 justamente essa compreens\u00e3o que \u00e9 basilar para a pesquisa de Marques. Segundo o pesquisador,&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote eplus-wrapper is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><span>\u201cO que eu tento mostrar na minha pesquisa \u00e9 que a interface entre ci\u00eancia e pol\u00edtica \u00e9 atravessada por din\u00e2micas de poder, disputas de interesse, e diferentes formas de entender o problema. Ou seja, n\u00e3o basta produzir ci\u00eancia de ponta, \u00e9 preciso entender tamb\u00e9m como esse conhecimento circula, \u00e9 interpretado e disputado por diferentes atores.\u201d<\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><span>Assim, ele critica a vis\u00e3o tradicional das chamadas Pol\u00edticas P\u00fablicas Baseadas em Evid\u00eancias (PPBEs), que frequentemente operam com uma l\u00f3gica linear: como se a ci\u00eancia simplesmente produzisse os fatos e os formuladores de pol\u00edticas basicamente os traduzissem e os aplicassem.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote eplus-wrapper is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><span>\u201cHistoricamente, o modelo linear [da PPBEs] reflete a ideia de que a ci\u00eancia pode oferecer solu\u00e7\u00f5es universais para problemas pol\u00edticos, apoiando-se em uma vis\u00e3o positivista, sistematizada pelas ci\u00eancias naturais, [que cr\u00ea em] um mundo singular para a ci\u00eancia representar, e os formuladores de pol\u00edticas governarem. Particularmente penso diferente, o meu projeto de pesquisa prop\u00f5e mostrar as pol\u00edticas clim\u00e1ticas como aquilo que o cientista pol\u00edtico Guy Peters chama de \u201c<\/span><i><span>super <\/span><\/i><i><span>wicked problems<\/span><\/i><span>\u201d, pautado pela n\u00e3o-linearidade, multicausalidade, apresenta resist\u00eancia dos atores envolvidos a sua resolu\u00e7\u00e3o, a sua solu\u00e7\u00e3o n\u00e3o se baseia em apenas um tipo de conhecimento, e <\/span><span>mesmo dependendo de grande ferramental t\u00e9cnico e cient\u00edfico,<\/span><span> a <\/span><span>avalia\u00e7\u00e3o do problema tamb\u00e9m \u00e9 normativa e depende de valores<\/span><span>.\u201d<\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><span>\u00c9 nesse contexto que surge um conceito central para a pesquisa de Marques: as arenas transepist\u00eamicas. Proposto pela soci\u00f3loga austr\u00edaca Karin Knorr-Cetina (1982), o conceito descreve espa\u00e7os onde se encontram cientistas, formuladores de pol\u00edticas, sociedade civil e setor produtivo para negociar o que conta como conhecimento leg\u00edtimo e relevante. Compreender a rela\u00e7\u00e3o entre os entes citados como uma arena passa tamb\u00e9m pela compreens\u00e3o que \u00e9 necess\u00e1rio construir pontes entre o mundo cient\u00edfico e o pol\u00edtico, e vice-versa, que s\u00e3o fundamentais para que nem a ci\u00eancia nem a pol\u00edtica se isolem uma da outra. \u201cA [economista estadunidense Elinor] Ostrom tamb\u00e9m chama isso de \u201carenas de a\u00e7\u00e3o\u201d (1990), e acho que esse paralelo \u00e9 importante: s\u00e3o espa\u00e7os de negocia\u00e7\u00e3o, onde se disputa sentido, legitimidade e poder\u201d, elucida Marques.<\/span><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\"><b>AmazonFACE e CIM como arenas transepist\u00eamicas<\/b><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><span>Assim, colocando em termos pr\u00e1ticos, a pesquisa de Alexandre Marques tem como objetivo observar como um ambicioso e complexo projeto de pesquisa com o AmazonFACE pode, ou n\u00e3o, influenciar as decis\u00f5es tomadas por arenas de a\u00e7\u00e3o como o Comit\u00ea Interministerial sobre Mudan\u00e7a do Clima (CIM). O AmazonFACE tem como objetivo avaliar os efeitos do aumento de CO<\/span><span>2<\/span><span> na resili\u00eancia da Floresta Amaz\u00f4nica. O escopo do projeto se encontra na rela\u00e7\u00e3o entre duas siglas: AFOLU, acr\u00f4nimo para <\/span><i><span>Agriculture, Forestry and Other Land Uses <\/span><\/i><span>(Agriculturas, florestas e uso do solo), e LULUCF, <\/span><i><span>Land Use, Land Use Change and Forestry<\/span><\/i><span>, ou \u201cuso da terra, mudan\u00e7a no uso da terra e florestas\u201d. Ambas t\u00eam um papel central tanto nas emiss\u00f5es quanto no potencial de mitiga\u00e7\u00e3o do Brasil. Esses setores concentram as principais din\u00e2micas associadas ao desmatamento, uso do solo e emiss\u00f5es relacionadas ao agroneg\u00f3cio e \u00e0 pecu\u00e1ria.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<figure class=\" wp-block-image size-full eplus-wrapper\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"382\" height=\"265\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/07\/Imagem1.jpg\" alt=\"Gr\u00e1fico demonstrando a import\u00e2ncia do setor LULUCF para as emiss\u00f5es de gases no ano de 2022 no Brasil. Fonte: Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o. Primeiro Relat\u00f3rio Bienal de Transpar\u00eancia do Brasil \u00e0 Conven\u00e7\u00e3o-Quadro das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7a do Clima. 2024. Dispon\u00edvel em: https :\/\/www .gov .br \/mcti \/pt -br \/acompanhe -o -mcti \/sirene \/publicacoes \/relatorios -bienais -de -transparencia -btrs \/BRA_BTR1_2024_ENG.pdf .\" class=\"wp-image-498\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/07\/Imagem1.jpg 382w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/07\/Imagem1-300x208.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 382px) 100vw, 382px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Gr\u00e1fico demonstrando a import\u00e2ncia do setor LULUCF para as emiss\u00f5es de gases no ano de 2022 no Brasil. Fonte: Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o. Primeiro Relat\u00f3rio Bienal de Transpar\u00eancia do Brasil \u00e0 Conven\u00e7\u00e3o-Quadro das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7a do Clima. 2024. Dispon\u00edvel em: https :\/\/www .gov .br \/mcti \/pt -br \/acompanhe -o -mcti \/sirene \/publicacoes \/relatorios -bienais -de -transparencia -btrs \/BRA_BTR1_2024_ENG.pdf .<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><span>Colocando em dados concretos, tais setores foram respons\u00e1veis por cerca de 70% das emiss\u00f5es nacionais de gases de efeito estufa,<\/span> <span>segundo o Primeiro Relat\u00f3rio Bienal de Transpar\u00eancia do Brasil \u00e0 Conven\u00e7\u00e3o-Quadro das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7a do Clima, elaborado pelo Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o em 2024. Isso ganha ainda mais relev\u00e2ncia diante do compromisso, firmado pelo governo brasileiro na COP29, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s metas clim\u00e1ticas do Brasil, quando se estabeleceu o comprometimento em reduzir de 59% a 67% as emiss\u00f5es l\u00edquidas de gases-estufa at\u00e9 2035, em rela\u00e7\u00e3o a 2005, estipulando a meta de se atingir a neutralidade de carbono at\u00e9 2050.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><span>Marques far\u00e1 uma pesquisa com recorte espec\u00edfico: o CIM &#8211; Comit\u00ea Interministerial de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas. Ele foi criado pelo Decreto Federal 12.040\/2024, sendo um comit\u00ea de car\u00e1ter permanente e que tem por finalidade monitorar e promover a implementa\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es e das pol\u00edticas p\u00fablicas no \u00e2mbito do Poder Executivo Federal relativas \u00e0 Pol\u00edtica Nacional sobre Mudan\u00e7a do Clima (PNMC). O projeto de Alexandre Marques focar\u00e1 este comit\u00ea&nbsp; para identificar como a produ\u00e7\u00e3o de evid\u00eancias cient\u00edficas, por parte de um projeto do porte do AmazonFACE, pode percolar em arenas de a\u00e7\u00e3o como o CIM, servindo para, al\u00e9m de cumprir seus objetivos cient\u00edficos, informar pol\u00edticas em \u00e2mbito federal.<\/span><\/p>\n\n\n\n<figure class=\" wp-block-image size-full eplus-wrapper\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"601\" height=\"223\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/07\/Imagem2.png\" alt=\"Estrutura de governan\u00e7a do Comit\u00ea Interministerial sobre Mudan\u00e7a do Clima (CIM). Fonte: . Minist\u00e9rio do Meio Ambiente, 2024. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.gov.br\/mma.\" class=\"wp-image-497\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/07\/Imagem2.png 601w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/07\/Imagem2-300x111.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/07\/Imagem2-500x186.png 500w\" sizes=\"(max-width: 601px) 100vw, 601px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Estrutura de governan\u00e7a do Comit\u00ea Interministerial sobre Mudan\u00e7a do Clima (CIM). Fonte: . Minist\u00e9rio do Meio Ambiente, 2024. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.gov.br\/mma.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h4 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\"><b>Uma metodologia: a An\u00e1lise de Redes Sociais<\/b><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><span>Para entender essa din\u00e2mica, a pesquisa utiliza como metodologia a An\u00e1lise de Redes Sociais (ARS). Oriunda da intersec\u00e7\u00e3o entre a antropologia e a sociologia, a ARS parte da ideia de \u201crede social\u201d para compreender as complexidades das intera\u00e7\u00f5es entre os mais variados atores sociais. Nesse contexto, se consideram como atores sociais os indiv\u00edduos, os grupos e as institui\u00e7\u00f5es. Ao inv\u00e9s de se focar apenas nas estruturas sociais ou apenas na a\u00e7\u00e3o individual, a ARS tenta aliar essas duas vis\u00f5es, compreendendo as rela\u00e7\u00f5es sociais por meio dos padr\u00f5es das intera\u00e7\u00f5es entre os atores. A partir disso, o que essa metodologia procura tornar vis\u00edvel s\u00e3o as din\u00e2micas dos processos sociais, bem como o modo como elas se configuram.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><span>Em outras palavras, esse instrumento metodol\u00f3gico permite mapear rela\u00e7\u00f5es entre pessoas, institui\u00e7\u00f5es e fluxos de informa\u00e7\u00e3o. No caso da pesquisa aqui descrita, a ARS permite observar quem s\u00e3o os atores que facilitam \u2014 ou bloqueiam \u2014 a circula\u00e7\u00e3o do conhecimento cient\u00edfico.<\/span><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote eplus-wrapper is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><span>\u201cIsso porque, quando a gente fala da rela\u00e7\u00e3o entre ci\u00eancia e pol\u00edtica, n\u00e3o estamos lidando apenas com ideias ou dados, mas com rela\u00e7\u00f5es sociais concretas \u2014 com pessoas, institui\u00e7\u00f5es e fluxos de informa\u00e7\u00e3o. E \u00e9 justamente esse componente relacional que o ARS permite mapear e analisar.&nbsp; Essa abordagem parte do pressuposto de que a probabilidade de uma evid\u00eancia cient\u00edfica ser usada em uma decis\u00e3o pol\u00edtica depende, em grande parte, da estrutura da rede em que ela circula.\u201d<\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<figure class=\" wp-block-image size-full eplus-wrapper\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"799\" height=\"516\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/07\/Captura-de-tela-2025-07-07-174046.png\" alt=\"Exemplo de grafo gerado por pesquisa, de autoria de Alexandre Marques, dentre outros autores, que utilizou a metodologia da An\u00e1lise de Redes Sociais. Fonte: Marques et al. &quot;Governan\u00e7a da \u00e1gua no Vale do Para\u00edba Paulista: Rede de Atores e Sistemas Socioecol\u00f3gicos&quot;. Ambiente &amp; Sociedade, Vol. 23, 2020.\" class=\"wp-image-500\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/07\/Captura-de-tela-2025-07-07-174046.png 799w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/07\/Captura-de-tela-2025-07-07-174046-300x194.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/07\/Captura-de-tela-2025-07-07-174046-768x496.png 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/07\/Captura-de-tela-2025-07-07-174046-500x323.png 500w\" sizes=\"(max-width: 799px) 100vw, 799px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Exemplo de grafo gerado por pesquisa que utilizou a metodologia da An\u00e1lise de Redes Sociais, de autoria de Alexandre Marques, dentre outros autores, . Fonte: Marques et al. &#8220;Governan\u00e7a da \u00e1gua no Vale do Para\u00edba Paulista: Rede de Atores e Sistemas Socioecol\u00f3gicos&#8221;. Ambiente &amp; Sociedade, Vol. 23, 2020.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><span>Para a ARS, ao mesmo tempo que as estruturas da rede ajudam a moldar o comportamento dos atores, esses mesmos atores tamb\u00e9m podem reconfigurar a rede de modo a alcan\u00e7arem seus objetivos. Nesse sentido, observa Marques, \u201ccertos indiv\u00edduos ou institui\u00e7\u00f5es funcionam como \u2018n\u00f3s de media\u00e7\u00e3o\u2019\u201d. Elas podem tanto facilitar quanto dificultar a circula\u00e7\u00e3o do conhecimento, por exemplo, do AmazonFACE at\u00e9 os espa\u00e7os decis\u00f3rios, como o Comit\u00ea Interministerial de Mudan\u00e7a do Clima. Assim, a metodologia utilizada por Marques na pesquisa o permite n\u00e3o apenas visualizar as conex\u00f5es entre diferentes atores, mas tamb\u00e9m entender quem influencia quem e como essas influ\u00eancias operam na pr\u00e1tica.<\/span><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote eplus-wrapper is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><span>\u201cO que eu espero com esse projeto \u00e9 justamente contribuir para o fortalecimento do uso de evid\u00eancias cient\u00edficas do AmazonFACE nas pol\u00edticas clim\u00e1ticas brasileiras. Ao integrar m\u00e9todos como ARS e a etnografia da ci\u00eancia, eu quero entender melhor como o conhecimento cient\u00edfico \u00e9 negociado, legitimado \u2014 e, muitas vezes, disputado \u2014 nas arenas onde ci\u00eancia e pol\u00edtica se encontram, especialmente nos setores AFOLU e LULUCF. A combina\u00e7\u00e3o de m\u00e9todos qualitativos e quantitativos vai me permitir fazer um diagn\u00f3stico mais preciso das barreiras que ainda dificultam essa integra\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m das oportunidades que existem para tornar as pol\u00edticas p\u00fablicas mais sens\u00edveis \u00e0 complexidade da realidade amaz\u00f4nica. O mapeamento das redes e fluxos de informa\u00e7\u00e3o, por exemplo, vai ajudar a analisar o papel estrat\u00e9gico do Comit\u00ea Interministerial de Mudan\u00e7a do Clima, o CIM, e como ele pode se articular melhor com outros atores e incorporar a ci\u00eancia de forma mais efetiva. No fim das contas, a ideia \u00e9 que a pesquisa gere n\u00e3o s\u00f3 conhecimento acad\u00eamico, mas tamb\u00e9m subs\u00eddios pr\u00e1ticos para pol\u00edticas p\u00fablicas mais integradas, baseadas em evid\u00eancias e voltadas \u00e0 justi\u00e7a clim\u00e1tica.\u201d<\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<h4 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\"><span>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/span><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><span>Knorr-Cetina, K. D. \u201cScientific Communities or Transepistemic Arenas of Research? A Critique of Quasi-Economic Models of Science\u201d. <\/span><i><span>Social Studies of Science<\/span><\/i><span>, n. 12, vol. 1, 1982, pp. 101-130.<\/span><a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1177\/030631282012001005\"> <span>https:\/\/doi.org\/10.1177\/030631282012001005<\/span><\/a><span>.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><span>Ostrom, E. <\/span><i><span>Governing the commons<\/span><\/i><span>. Nova Iorque: Cambridge University Press, 1990.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Thais Lassali O GEICT conta com um novo pesquisador de p\u00f3s-doutorado! O Dr. Alexandre Marques iniciou sua pesquisa no Programa de P\u00f3s Gradua\u00e7\u00e3o em Pol\u00edtica Cient\u00edfica e Tecnol\u00f3gica no come\u00e7o do primeiro semestre de 2025, sob supervis\u00e3o do Prof. Marko Monteiro e com financiamento da CAPES. 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