{"id":538,"date":"2025-09-08T17:16:23","date_gmt":"2025-09-08T20:16:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/?p=538"},"modified":"2025-09-08T17:33:45","modified_gmt":"2025-09-08T20:33:45","slug":"the-ghost-work-inteligencia-artificial-e-precarizacao-do-trabalho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/2025\/09\/08\/the-ghost-work-inteligencia-artificial-e-precarizacao-do-trabalho\/","title":{"rendered":"The Ghost Work: Intelig\u00eancia Artificial e precariza\u00e7\u00e3o do trabalho"},"content":{"rendered":"\n<pre class=\" wp-block-code eplus-wrapper\"><code>Por Rodrigo Ram\u00edrez Autr\u00e1n\n\nRodrigo Autr\u00e1n \u00e9 pesquisador de p\u00f3s-doutorado do Instituto de Investigaciones Sociales da Universidad Nacional Aut\u00f3noma de M\u00e9xico. Doutor em Pol\u00edtica Cient\u00edfica e Tecnol\u00f3gica pela Universidade de Campinas. Antrop\u00f3logo social interessado pelos t\u00f3picos da apropria\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, transfer\u00eancia de conhecimento e, mais recentemente, pelos impactos socioculturais da Intelig\u00eancia Artificial.\n<\/code><\/pre>\n\n\n\n<h5 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\"><b>I<\/b><\/h5>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><span>Uma m\u00e3o autom\u00e1tica se move e uma pe\u00e7a do xadrez avan\u00e7a &#8220;magicamente&#8221;. Uma ap\u00f3s a outra as partidas eram sempre ganhas por esta proeza da mente humana. No entanto, dentro dele estava um segredo que n\u00e3o seria revelado at\u00e9 quase um s\u00e9culo depois. &#8220;O Turco&#8221; foi uma famosa estrutura que se pensava ser um aut\u00f4mato jogando xadrez. Foi constru\u00edda por Wolfgang von Kempelen (1734-1803) no ano de 1769. Tinha a forma de uma cabine de madeira, com um manequim vestido com t\u00fanica e turbante sentado sobre ele. A cabine tinha portas que uma vez abertas mostravam um mecanismo de relojoaria e quando estava ativada era capaz de jogar uma partida de xadrez contra um jogador humano em alto n\u00edvel. A cabine era uma ilus\u00e3o de \u00f3tica bem projetada que permitia um mestre de xadrez de baixa estatura se esconder dentro dela e operar o manequim, gra\u00e7as ao fato de que os olhos do manequim enviavam ao mestre de xadrez as posi\u00e7\u00f5es das pe\u00e7as do tabuleiro por meio de espelhos. J\u00e1 no s\u00e9culo XVIII o artista Joseph Racknitz desenhou como poderia ser este manequim, nomeando-a anos depois: a M\u00e1quina Turca.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"size-medium wp-image-539 alignnone wp-block-image is-resized eplus-wrapper\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"300\" height=\"273\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/09\/5023922675080343518-300x273.jpg\" alt=\"Se\u00e7\u00e3o transversal do Turco de Racknitz ilustrando o operador se sentava dentro do gabinete para enfrentar o oponente (1789). Fonte: Biblioteca da Universidade de Humboldt\/Wikimedia Commons.\" class=\"wp-image-539\" style=\"width:550px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/09\/5023922675080343518-300x273.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/09\/5023922675080343518-768x699.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/09\/5023922675080343518-500x455.jpg 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/09\/5023922675080343518.jpg 800w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Se\u00e7\u00e3o transversal da M\u00e1quina Turca de Racknitz ilustrando o operador se sentava dentro do gabinete para enfrentar seu oponente (1789). Fonte: Biblioteca da Universidade de Humboldt\/Wikimedia Commons.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h5 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\"><b>II<\/b><\/h5>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><span>Avan\u00e7amos no tempo quase 200 anos, agora estamos em Palo Alto Calif\u00f3rnia, na meca das <\/span><i><span>Big Tech<\/span><\/i><span>, o <\/span><i><span>Silicon Valley<\/span><\/i><span>. Uma mulher de meia idade, antrop\u00f3loga de forma\u00e7\u00e3o e especialista em inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica por caprichos do destino, junto com um programador renomado, escrevem um livro revelador: <em>Ghost Work. Como impedir que o Vale do Sil\u00edcio crie uma nova subclasse global<\/em>. Mary L. Gray n\u00e3o \u00e9 uma antrop\u00f3loga tradicional, ela trabalha no <\/span><i><span>Microsoft Research<\/span><\/i><sup data-fn=\"9f0e0896-ff83-47c6-9726-673550ef380f\" class=\"fn\"><a href=\"#9f0e0896-ff83-47c6-9726-673550ef380f\" id=\"9f0e0896-ff83-47c6-9726-673550ef380f-link\">1<\/a><\/sup><i><span> <\/span><\/i><span>como pesquisadora e preside o Comit\u00ea de \u00c9tica da empresa. Tamb\u00e9m \u00e9 membro do Centro Berkman Klein para a Internet e a Sociedade da Universidade de Harvard, paralelamente \u00e9 professora e membro do Comit\u00ea Permanente da Universidade de Stanford para seu projeto AI100, encarregado de refletir sobre o futuro da Intelig\u00eancia Artificial (IA). Seu parceiro \u00e9 Siddharth Suri, ele se considera tamb\u00e9m um &#8220;inform\u00e1tico social&#8221; e trabalha h\u00e1 v\u00e1rios anos na <\/span><i><span>Microsoft Research<\/span><\/i><span>. Juntos fizeram uma etnografia instigante sobre o que podemos chamar de <\/span><b><i>f\u00e1bricas modernas<\/i><\/b><span>. Sua inquieta\u00e7\u00e3o nasceu quando eles perceberam que n\u00e3o tinham ideia de quem compunha essa massa gigantesca de pessoas, que passam horas e horas atr\u00e1s de seus computadores em trabalhos que n\u00e3o est\u00e3o catalogados e que n\u00e3o pertencem a nenhum lugar espec\u00edfico. Na sua etnografia, eles examinaram o impacto da automa\u00e7\u00e3o no futuro do trabalho atrav\u00e9s das experi\u00eancias dos trabalhadores da economia online sob demanda (a chamada <\/span><i><span>Gig Economy<\/span><\/i><span>), muitas vezes caracterizada por longas jornadas de trabalho mal pagas, que carece de leis trabalhistas associadas e de benef\u00edcios sociais: <\/span><b>o trabalho &#8220;fantasma&#8221;.<\/b><span>\u00a0<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><\/p>\n\n\n\n<h5 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\"><b>III<\/b><\/h5>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><i><span>&#8220;Turkin&#8221; <\/span><\/i><span>\u00e9 como tem sido chamado de tarefas rotineiras como a marca\u00e7\u00e3o, modera\u00e7\u00e3o, comentar, traduzir, ou classificar publica\u00e7\u00f5es e outros tipos de trabalhos de &#8220;computa\u00e7\u00e3o humana&#8221;<\/span><sup data-fn=\"527f9f5e-da44-4d1c-887d-f0ef29a4a0c5\" class=\"fn\"><a href=\"#527f9f5e-da44-4d1c-887d-f0ef29a4a0c5\" id=\"527f9f5e-da44-4d1c-887d-f0ef29a4a0c5-link\">2<\/a><\/sup><span>: trabalhos que come\u00e7am e terminam online e que executam qualquer tipo de tarefa que possa ser gerenciada, processada, executada e paga online. Assim vemos como as interfaces de etiquetagem de dados evolu\u00edram para tratar este tipo de trabalhadores como m\u00e1quinas, muitas vezes atribuindo-lhes tarefas altamente repetitivas, monitorando seus movimentos e penalizando desvios atrav\u00e9s de ferramentas automatizadas. Segundo Gray e Suri, essa forma de trabalho, ainda por classificar, n\u00e3o \u00e9 intrinsecamente boa ou m\u00e1, no entanto, o problema reside no que poderia tornar invis\u00edvel o trabalho de centenas de milh\u00f5es de pessoas, e enquanto eles permanecem na sombra, sem defini\u00e7\u00e3o e escondidos dos consumidores, n\u00e3o ter\u00e3o direitos.\u00a0<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><span>Agora, com a promessa de maior flexibilidade no uso do tempo pessoal, empresas globais como a <\/span><i><span>Amazon <\/span><\/i><span>implementaram h\u00e1 alguns anos uma plataforma chamada <\/span><i><span>Mechanical Turk<\/span><\/i> (MTurk)<sup data-fn=\"2da59fa6-d580-416b-9f21-900ebca872dc\" class=\"fn\"><a href=\"#2da59fa6-d580-416b-9f21-900ebca872dc\" id=\"2da59fa6-d580-416b-9f21-900ebca872dc-link\">3<\/a><\/sup> <b>(lembram-se do \u201caut\u00f4mato\u201d, a M\u00e1quina Turca da qual lhes falei par\u00e1grafos acima?). <\/b><span>\u00a0&#8220;Mais trabalho, mas pior&#8221;, afirmaram categoricamente Gray e Suri sobre este tipo de &#8220;novo&#8221; trabalho nas sombras; ao mesmo tempo, para esses autores seu livro quebra com a linha de pensamento que assegura que as m\u00e1quinas substituir\u00e3o os seres humanos no trabalho e que a automa\u00e7\u00e3o destruir\u00e1 o emprego: isto \u00e9 o que eles chamam o paradoxo da \u00faltima milha de automa\u00e7\u00e3o &#8220;o grande paradoxo da automa\u00e7\u00e3o \u00e9 que o desejo de eliminar o trabalho humano [agora fortemente apoiado pela IA] sempre gera novas tarefas para os humanos&#8221; (Gray e Suri, 2019).<\/span><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"size-medium wp-image-541 alignnone wp-block-image is-resized eplus-wrapper\"><img decoding=\"async\" width=\"300\" height=\"212\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/09\/apps-426559_1280-300x212.jpg\" alt=\"Imagem de Gerd Altmann. Fonte: Pixabay.\" class=\"wp-image-541\" style=\"width:558px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/09\/apps-426559_1280-300x212.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/09\/apps-426559_1280-1024x724.jpg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/09\/apps-426559_1280-768x543.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/09\/apps-426559_1280-500x354.jpg 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/09\/apps-426559_1280-800x566.jpg 800w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/09\/apps-426559_1280.jpg 1280w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Imagem de Gerd Altmann. Fonte: Pixabay.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h5 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\"><b>IV<\/b><\/h5>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><span>A <\/span><i><span>Amazon, <\/span><\/i><span>por sua vez, chama HIT (Tarefas de Intelig\u00eancia Humana em portugu\u00eas), a estes trabalhos por encomenda.&nbsp; Para ser candidato a esses trabalhos, voc\u00ea precisa mostrar certas &#8220;qualifica\u00e7\u00f5es&#8221;. Mas, este termo n\u00e3o se relaciona com as habilidades (cognitivas, manuais, intelectuais, etc.), no mundo de MTurk, as qualifica\u00e7\u00f5es podem ser aspectos como a idade, o sexo e muito especialmente a localiza\u00e7\u00e3o de quem trabalha. <\/span><i><span>A Amazon <\/span><\/i><span>afirma ter 500 mil trabalhadores registrados em seu modelo MTurk, e se aplicarmos essa l\u00f3gica a todas as plataformas <em>on-demand<\/em>, poderia haver milh\u00f5es de empregos em tempo integral na sombra do trabalho fantasma.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><span>Como se n\u00e3o bastasse, para toda essa situa\u00e7\u00e3o de opacidade e precariedade, encontramos outro aspecto extremamente alarmante na hist\u00f3ria por tr\u00e1s de uma s\u00e9rie de documentos internos da <\/span><i><span>Amazon<\/span><\/i><span>. A hist\u00f3ria conta o vazamento de documentos confidenciais por ex-funcion\u00e1rios da empresa, em tais documentos alguns dos CEOs alegaram a seus acionistas que v\u00e1rios de seus processos de <\/span><i><span>Turkin <\/span><\/i><span>foram realizados apenas por algoritmos baseados em Intelig\u00eancia Artificial, por\u00e9m, mais tarde descobriu-se que isso era mentira e que n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o estava sucedendo e isso nem chegava perto da realidade da empresa. Aquele vazamento de documentos colocou em quest\u00e3o um dos mantras das grandes empresas autodenominadas de <\/span><i><span>AI First<\/span><\/i><span>, como a pr\u00f3pria <\/span><i><span>Amazon, <\/span><\/i><span>no qual se prioriza fortemente a automatiza\u00e7\u00e3o e digitaliza\u00e7\u00e3o de seus processos em toda a costa e custe o que custar.<\/span><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"size-medium wp-image-542 alignnone wp-block-image is-resized eplus-wrapper\"><img decoding=\"async\" width=\"300\" height=\"300\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/09\/5023922675080343522-300x300.jpg\" alt=\"Trabalhador da ind\u00fastria cinematogr\u00e1fica carrega um cartaz com os dizeres &quot;Associa\u00e7\u00e3o dos Escritores em Greve! A IA n\u00e3o vai levar em conta suas anota\u00e7\u00f5es bestas&quot;, ridicularizando as propostas dos est\u00fadios de cinema para substituir escritores por intelig\u00eancia artificial. Fonte: Wikimedia.\" class=\"wp-image-542\" style=\"width:402px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/09\/5023922675080343522-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/09\/5023922675080343522-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/09\/5023922675080343522-500x499.jpg 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/09\/5023922675080343522.jpg 608w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Trabalhador da ind\u00fastria cinematogr\u00e1fica carrega um cartaz com os dizeres &#8220;Associa\u00e7\u00e3o dos Escritores em Greve! A IA n\u00e3o vai levar em conta suas anota\u00e7\u00f5es bestas&#8221;, ridicularizando as propostas dos est\u00fadios de cinema para substituir escritores por intelig\u00eancia artificial. Fonte: Wikimedia.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h5 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\"><b>V<\/b><\/h5>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><span>No novo mundo do trabalho na \u201clinha de montagem digital global\u201d, as pessoas s\u00e3o a pequena engrenagem desta enorme maquinaria. Assim, no <\/span><i><span>mainstream <\/span><\/i><span>da cultura pop, a ideia de m\u00e1quinas superinteligentes (Hall 900, o T-800 ou TARS)<\/span><sup data-fn=\"07c1cdf1-92e3-4746-8b68-e204b20a08c7\" class=\"fn\"><a href=\"#07c1cdf1-92e3-4746-8b68-e204b20a08c7\" id=\"07c1cdf1-92e3-4746-8b68-e204b20a08c7-link\">4<\/a><\/sup><span> com sua pr\u00f3pria ag\u00eancia e poder de decis\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3 est\u00e1 longe da realidade, mas nos distrai dos riscos potenciais reais para as vidas humanas que cercam a implementa\u00e7\u00e3o de sistemas de IA. Enquanto o p\u00fablico, estamos distra\u00eddos com a promessa de m\u00e1quinas conscientes inexistentes, um ex\u00e9rcito de trabalhadores prec\u00e1rios apoia\/suporta as supostas conquistas dos sistemas de Intelig\u00eancia Artificial atuais: &#8220;[&#8230;] longe das sofisticadas m\u00e1quinas conscientes que se apresentam nos meios e na cultura pop, os chamados sistemas de IA alimentam-se de milh\u00f5es de trabalhadores mal pagos em todo o mundo, que realizam tarefas repetitivas em condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias de trabalho. E ao contr\u00e1rio dos pesquisadores de IA que ganham sal\u00e1rios milion\u00e1rios nas corpora\u00e7\u00f5es do Vale do Sil\u00edcio, esses trabalhadores explorados s\u00e3o geralmente recrutados em popula\u00e7\u00f5es empobrecidas e recebem sal\u00e1rios de apenas 1,46 d\u00f3lares por hora ap\u00f3s impostos&#8221;<\/span><sup data-fn=\"288e4f37-2108-4479-9ecc-dcc4104f2801\" class=\"fn\"><a href=\"#288e4f37-2108-4479-9ecc-dcc4104f2801\" id=\"288e4f37-2108-4479-9ecc-dcc4104f2801-link\">5<\/a><\/sup><span>. Em outras palavras, todo um ex\u00e9rcito industrial de reserva global, no estilo do pensamento de Marx: despossu\u00eddo e pronto para trabalhar quando for designado.\u00a0<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><span>De fato, achamos<\/span><a href=\"https:\/\/exame.com\/inteligencia-artificial\/falsa-automacao-startup-usou-700-engenheiros-indianos-para-simular-ia-e-inflar-vendas\/\"><span> o caso emp\u00edrico da Builder.ai, empresa sediada em Londres e financiada pela \u00cdndia e Dubai, que prometeu desenvolver um software de IA revolucion\u00e1rio e at\u00e9 enganou a gigante <\/span><i><span>Microsoft<\/span><\/i><\/a><span>. Em vez de algoritmos baseados em IA, descobriu-se que se tratavam de 700 engenheiros de computa\u00e7\u00e3o prec\u00e1rios. A empresa alegava que sua plataforma sem c\u00f3digo e alimentada por IA poderia construir software em m\u00f3dulos, como \u201cpe\u00e7as de Lego\u201d. No entanto, a realidade era bem diferente e, ap\u00f3s o pedido de fal\u00eancia e a interven\u00e7\u00e3o de seus credores, descobriu-se que por tr\u00e1s dessa fachada tecnol\u00f3gica havia apenas um ex\u00e9rcito de programadores humanos: a necessidade da intelig\u00eancia natural, n\u00e3o da artificial.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><span>Nesse sentido, considera-se interessante a pesquisa social futura que avalie os impactos e as mudan\u00e7as decorrentes desse novo tipo de trabalho n\u00e3o profissional planet\u00e1rio. Por exemplo, encontramos o projeto internacional <\/span><i><span>Ghostwork<\/span><\/i><sup data-fn=\"998e0382-cb73-4958-b849-84470f266e27\" class=\"fn\"><a href=\"#998e0382-cb73-4958-b849-84470f266e27\" id=\"998e0382-cb73-4958-b849-84470f266e27-link\">6<\/a><\/sup><span>, inspirado nas pesquisas de Gray e Suri, que \u00e9 conduzido pela Universidades de Utrecht e financiado por institui\u00e7\u00f5es renomadas como o Conselho Europeu de Pesquisa e a Uni\u00e3o Europeia. O primeiro resultado desse projeto \u00e9 o artigo cient\u00edfico <\/span><i><span>Lost in the Crowd? An investigation into where microwork is conducted and classifying worker types, <\/span><\/i><span>recentemente publicado na <\/span><i><span>European Journal of Industrial Relations<\/span><\/i><span>. Nele, os pesquisadores e pesquisadoras levantam duas quest\u00f5es fundamentais: Onde na Europa esse tipo de microtrabalho \u00e9 realizado? Quem o realiza? Com base na geolocaliza\u00e7\u00e3o de 5.239 trabalhadores na Uni\u00e3o Europeia, eles conseguiram identificar varia\u00e7\u00f5es na preval\u00eancia relativa do microtrabalho em compara\u00e7\u00e3o com outros pa\u00edses do norte global. Al\u00e9m disso, eles distinguiram quatro classes diferentes de microtrabalhadores em termos de diversidade laboral e depend\u00eancia econ\u00f4mica. A identifica\u00e7\u00e3o dessa varia\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica na preval\u00eancia dessas diferentes classes de microtrabalhadores sugere a import\u00e2ncia tanto da heterogeneidade laboral quanto dos contextos geogr\u00e1ficos para o futuro estudo e regulamenta\u00e7\u00e3o do microtrabalho.\u00a0<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><span>Infelizmente, este tipo de microtrabalho ou trabalho fantasma que os especialistas descreveram n\u00e3o mostra sinais aparentes de decl\u00ednio. Em vez disso, ele estar\u00e1 se constituindo nos pr\u00f3ximos anos como uma das principais formas de extra\u00e7\u00e3o global e precariza\u00e7\u00e3o, possivelmente uma forma de divis\u00e3o internacional do trabalho para a qual n\u00e3o estamos preparados como sociedade. Em 2006, o matem\u00e1tico brit\u00e2nico Clive Humby cunhou a frase que tem sido repetida incessantemente &#8220;os dados s\u00e3o o novo petr\u00f3leo&#8221;, por isso sob esta nova configura\u00e7\u00e3o, as novas refinarias planet\u00e1rias podemos encontr\u00e1-las em &#8220;qualquer lar&#8221; do mundo, 24 horas por dia, 7 dias por semana, 365 dias por ano.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><\/p>\n\n\n\n<h5 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\"><b>Ep\u00edlogo:<\/b><\/h5>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><a href=\"https:\/\/hbr.org\/2017\/01\/the-humans-working-behind-the-ai-curtain\"><i><span>Os Humanos Trabalhando por Tr\u00e1s da Cortina da IA<\/span><\/i><\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><span>Mary L. Gray, Siddharth Suri na The Harvard Business Review<\/span><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"size-medium wp-image-540 alignnone wp-block-image is-resized eplus-wrapper\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"198\" height=\"300\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/09\/5023922675080343519-198x300.jpg\" alt=\"Cartaz do filme &quot;O M\u00e1gico de Oz&quot; (Fleming, 1939). Fonte: Wikimedia.\" class=\"wp-image-540\" style=\"width:290px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/09\/5023922675080343519-198x300.jpg 198w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/09\/5023922675080343519-674x1024.jpg 674w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/09\/5023922675080343519-768x1166.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/09\/5023922675080343519-500x759.jpg 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/09\/5023922675080343519-800x1215.jpg 800w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/09\/5023922675080343519.jpg 843w\" sizes=\"(max-width: 198px) 100vw, 198px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Cartaz do filme &#8220;O M\u00e1gico de Oz&#8221; (Fleming, 1939). Fonte: Wikimedia.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><span>\u201cSejam os trending topics do Facebook; a entrega do Prime pela Amazon via Alexa; ou as in\u00fameras respostas instant\u00e2neas de bots que agora recebemos \u00e0s atividades ou reclama\u00e7\u00f5es de um consumidor, as tarefas anunciadas como impulsionadas pela IA envolvem humanos trabalhando em frente a telas de computador, pagos para responder a consultas e solicita\u00e7\u00f5es enviadas a eles por meio das interfaces de programa\u00e7\u00e3o de aplicativos (APIs) dos sistemas de crowdsourcing. A verdade \u00e9 que a IA \u00e9 t\u00e3o &#8220;totalmente automatizada&#8221; quanto o M\u00e1gico e Poderoso Oz era naquela famosa cena do filme cl\u00e1ssico, onde Dorothy e seus amigos percebem que o grande mago \u00e9 simplesmente um homem puxando alavancas freneticamente por tr\u00e1s de uma cortina\u201d.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Notas<\/p>\n\n\n<ol class=\"wp-block-footnotes\"><li id=\"9f0e0896-ff83-47c6-9726-673550ef380f\">A <em>Microsoft Research <\/em>(MSR) \u00e9 a divis\u00e3o de pesquisa da <em>Microsoft<\/em>. Foi fundada em 1991 para aprimorar o estado da arte em computa\u00e7\u00e3o e solucionar problemas desafiadores. Atualmente, emprega mais de 1.000 cientistas da computa\u00e7\u00e3o, f\u00edsicos, engenheiros e matem\u00e1ticos, incluindo vencedores do Pr\u00eamio Turing, da Medalha Fields, do MacArthur Fellows e do Pr\u00eamio Dijkstra, entre muitos outros especialistas renomados em ci\u00eancia da computa\u00e7\u00e3o, f\u00edsica e matem\u00e1tica. <a href=\"#9f0e0896-ff83-47c6-9726-673550ef380f-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 1 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"527f9f5e-da44-4d1c-887d-f0ef29a4a0c5\"><a href=\"https:\/\/www.xataka.com\/robotica-e-ia\/falacia-destruccion-empleo-investigadora-microsoft-mary-gray-trabajo-no-desaparece-se-precariza\">https:\/\/www.xataka.com\/robotica-e-ia\/falacia-destruccion-empleo-investigadora-microsoft-mary-gray-trabajo-no-desaparece-se-precariza<\/a> <a href=\"#527f9f5e-da44-4d1c-887d-f0ef29a4a0c5-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 2 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"2da59fa6-d580-416b-9f21-900ebca872dc\"><a href=\"https:\/\/www.fastcompany.com\/90349046\/what-its-really-like-to-be-one-of-the-ghost-workers-on-amazons-mechanical-turk\u00a0\">https:\/\/www.fastcompany.com\/90349046\/what-its-really-like-to-be-one-of-the-ghost-workers-on-amazons-mechanical-turk  <\/a> <a href=\"#2da59fa6-d580-416b-9f21-900ebca872dc-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 3 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"07c1cdf1-92e3-4746-8b68-e204b20a08c7\">Exemplos de intelig\u00eancia artificial avan\u00e7ada retirados, respectivamente, dos filmes hollywoodianos <em>2001: A Space Odyssey<\/em> (Kubrick, 1968), <em>Terminator <\/em>(Cameron, 1984) e <em>Interstellar<\/em> (Nolan, 2014). <a href=\"#07c1cdf1-92e3-4746-8b68-e204b20a08c7-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 4 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"288e4f37-2108-4479-9ecc-dcc4104f2801\"><a href=\"https:\/\/www.noemamag.com\/the-exploited-labor-behind-artificial-intelligence\/\">https:\/\/www.noemamag.com\/the-exploited-labor-behind-artificial-intelligence\/<\/a> <a href=\"#288e4f37-2108-4479-9ecc-dcc4104f2801-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 5 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"998e0382-cb73-4958-b849-84470f266e27\"><a href=\"https:\/\/www.ghostwork.org\/\">https:\/\/www.ghostwork.org\/<\/a> <a href=\"#998e0382-cb73-4958-b849-84470f266e27-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 6 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><\/ol>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>I Uma m\u00e3o autom\u00e1tica se move e uma pe\u00e7a do xadrez avan\u00e7a &#8220;magicamente&#8221;. Uma ap\u00f3s a outra as partidas eram sempre ganhas por esta proeza da mente humana. No entanto, dentro dele estava um segredo que n\u00e3o seria revelado at\u00e9 quase um s\u00e9culo depois. &#8220;O Turco&#8221; foi uma famosa estrutura [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":726,"featured_media":539,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":"[{\"id\":\"9f0e0896-ff83-47c6-9726-673550ef380f\",\"content\":\"A <em>Microsoft Research <\\\/em>(MSR) \\u00e9 a divis\\u00e3o de pesquisa da <em>Microsoft<\\\/em>. Foi fundada em 1991 para aprimorar o estado da arte em computa\\u00e7\\u00e3o e solucionar problemas desafiadores. 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