{"id":824,"date":"2020-06-22T17:19:00","date_gmt":"2020-06-22T20:19:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/?p=824"},"modified":"2026-01-28T17:20:57","modified_gmt":"2026-01-28T20:20:57","slug":"de-que-o-governo-bolsonaro-tem-medo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/2020\/06\/22\/de-que-o-governo-bolsonaro-tem-medo\/","title":{"rendered":"De que o Governo Bolsonaro tem medo?"},"content":{"rendered":"\n<pre class=\" wp-block-preformatted eplus-wrapper\"><br><\/pre>\n\n\n\n<pre class=\" wp-block-code eplus-wrapper\"><code><span class=\"\"><span>Por Joana Cabral de Oliveira (Professora no Departamento de Antropologia, Unicamp)\ne Marisol Marini (P\u00f3s doutoranda no Departamento de Pol\u00edtica Cient\u00edfica e Tecnol\u00f3gica Unicamp. Membra do GEICT). <\/span><\/span><\/code><\/pre>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Nota Introdut\u00f3ria: O breve ensaio cr\u00edtico que se segue foi escrito por Marisol Marini e Joana Cabral de Oliveira no final de 2019, a pedido dos editores do dossi\u00ea da Cultural Anthropology.\u00a0Desde ent\u00e3o o cen\u00e1rio pol\u00edtico tornou-se acentuadamente cr\u00edtico e complexo, permeado de declara\u00e7\u00f5es ofensivas, discriminat\u00f3rias, que acompanharam a\u00e7\u00f5es catastr\u00f3ficas, que retiram ou colocam em risco conquistas recentes, como a pol\u00edtica de inclus\u00e3o de negros, ind\u00edgenas e pessoas com defici\u00eancia em programas de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, aprovada em 2012. Apesar das evid\u00eancias de sua efic\u00e1cia e legitimidade, ainda que enfrentando os desafios de sua implementa\u00e7\u00e3o, agora tal a\u00e7\u00e3o afirmativa \u00e9 colocada em risco com a revoga\u00e7\u00e3o da portaria que obrigava as institui\u00e7\u00f5es federais de ensino \u00e0 institui\u00e7\u00e3o de um plano de inclus\u00e3o de a\u00e7\u00f5es afirmativas. O \u00faltimo ato de Abraham Weintraub\u00a0antes de deixar o minist\u00e9rio, t\u00e3o tr\u00e1gico e violento quanto as a\u00e7\u00f5es de desmonte das institui\u00e7\u00f5es associadas ao governo de Bolsonaro, mais do que efeitos concretos, apresenta-se como uma afronta. Seu ato n\u00e3o deixa d\u00favidas quanto ao seu envolvimento nos retrocessos que vivemos na luta contra a desigualdade e o racismo. A despeito dos esfor\u00e7os de desmonte do atual governo, no entanto, as universidades resistem\u00a0 e colocam-se como um espa\u00e7o de combate ao racismo e mitiga\u00e7\u00e3o da desigualdade escandalosa do Brasil.\u00a0Publicado sob licen\u00e7a da revista Cultural Anthropology: <a href=\"https:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-nc-sa\/4.0\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><u>https:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-nc-sa\/4.0\/<\/u><\/a><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote eplus-wrapper is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\" eplus-wrapper\"><em>\u201cE, como disse Cotton Mather, o famoso ca\u00e7ador das bruxas de Salem, Massachusetts, \u2018o que n\u00e3o \u00e9 \u00fatil \u00e9 maligno&#8217;\u201d<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Vivemos no Brasil tempos sombrios, onde figura uma pol\u00edtica de desmonte das institui\u00e7\u00f5es cient\u00edficas. Abordaremos aqui o ataque que setores do governo t\u00eam feito \u00e0s ci\u00eancias humanas e \u00e0 antropologia em especial, perguntando quais s\u00e3o as amea\u00e7as que esses campos de saber apresentam.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-ea07l\" class=\" eplus-wrapper\">Ao assumir o minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, Abraham Weintraub, declarou que daria prioridade \u00e0s \u201c\u00e1reas que gerem um retorno imediato ao contribuinte\u201d e remendou: \u201cn\u00e3o sou contra estudar filosofia [\u2026] Mas imagina uma fam\u00edlia de agricultores que o filho entrou na faculdade e, quatro anos depois, volta com t\u00edtulo de antrop\u00f3logo? Acho que ele traria mais bem-estar para ele e para a comunidade se fosse veterin\u00e1rio, dentista\u2026\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-53ijc\" class=\" eplus-wrapper\">A pot\u00eancia transformativa das Ci\u00eancias Humanas pode ser atribu\u00edda a sua tradi\u00e7\u00e3o cr\u00edtica, mas, no caso brasileiro, podemos acrescentar mais um aspecto. Segundo n\u00fameros do Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais, os cursos de sociologia e filosofia t\u00eam 1 afro-descendente para cada 3 e 4 brancos, enquanto medicina e veterin\u00e1ria t\u00eam a propor\u00e7\u00e3o de 1 para 16. A luta dos movimentos negros por espa\u00e7o parece ter sido mais bem sucedida nas humanidades, que passa a reconhecer a import\u00e2ncia de outras perspectivas para pensar problemas atuais. A antropologia, tradicionalmente interessada em diferentes formas sociais, tem se transformado radicalmente com a contribui\u00e7\u00e3o de ind\u00edgenas e afro-descendentes que tomam seus lugares e se fazem ouvir na elabora\u00e7\u00e3o de uma nova reflex\u00e3o cr\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-eh5k2\" class=\" eplus-wrapper\">H\u00e1 pressupostos na fala do ministro que precisam ser desmontados. Em primeiro lugar uma concep\u00e7\u00e3o de utilidade filiada a um determinado projeto de desenvolvimento, que t\u00eam o consumo como norte. Em segundo, uma determina\u00e7\u00e3o a respeito de quem teria liberdade para escolher o que estudar, e aqueles a quem s\u00f3 resta responder \u00e0s imposi\u00e7\u00f5es de uma suposta necessidade pragm\u00e1tica. Em terceiro, um desconhecimento a respeito das contribui\u00e7\u00f5es desses saberes para a organiza\u00e7\u00e3o da sociedade, formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas, combate \u00e0 desigualdade, a sustenta\u00e7\u00e3o da democracia, dentre outras utilidades, inclusive as que se alinham a nova revolu\u00e7\u00e3o industrial em curso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Reconhecendo e propondo alian\u00e7as para al\u00e9m da divis\u00e3o entre ci\u00eancias duras e moles, diversos analistas e profissionais engajados na 4\u00b0 revolu\u00e7\u00e3o industrial t\u00eam destacado a import\u00e2ncia da Antropologia, Filosofia e Psicologia. Tratam-se de saberes estrat\u00e9gicos para o aprimoramento dos algoritmos e para a crescente automa\u00e7\u00e3o. A nova revolu\u00e7\u00e3o industrial anuncia a substitui\u00e7\u00e3o de profissionais do direito, da medicina e de campos pass\u00edveis de serem realizados por algoritmos, nos colocando diante de dilemas \u00e9ticos, de modo que saberes pensantes e capazes de intervir nas decis\u00f5es e planejamento do futuro ser\u00e3o fundamentais. Ser\u00e1 uma demanda cada vez mais urgente o mapeamento do que queremos enquanto sociedade\/humanidade, o que toleraremos e at\u00e9 onde iremos com as m\u00e1quinas.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><\/p>\n\n\n\n<figure class=\" wp-block-image size-full eplus-wrapper\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"925\" height=\"694\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/01\/6f4667_87d8094912d14d51998cb8540e593a2cmv2.avif\" alt=\"Imagem de uma manifesta\u00e7\u00e3o contra o governo de Jair Bolsonaro. \" class=\"wp-image-826\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/01\/6f4667_87d8094912d14d51998cb8540e593a2cmv2.avif 925w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/01\/6f4667_87d8094912d14d51998cb8540e593a2cmv2-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/01\/6f4667_87d8094912d14d51998cb8540e593a2cmv2-768x576.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/01\/6f4667_87d8094912d14d51998cb8540e593a2cmv2-500x375.jpg 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/01\/6f4667_87d8094912d14d51998cb8540e593a2cmv2-800x600.jpg 800w\" sizes=\"(max-width: 925px) 100vw, 925px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Direitos reservados \u00e0 autora [Marini, M.]<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<pre id=\"viewer-684ei\" class=\" wp-block-preformatted eplus-wrapper\"><\/pre>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Mas o ataque especificamente \u00e0 antropologia por um vi\u00e9s econ\u00f4mico parece n\u00e3o ser despropositado, j\u00e1 que \u00e9 nessa ci\u00eancia que se consolida uma cr\u00edtica aos reducionismos operados pelo entendimento econ\u00f4mico dos fen\u00f4menos. Para ficar com os cl\u00e1ssicos, temos o trabalho de Marcel Mauss sobre uma economia da d\u00e1diva, as elabora\u00e7\u00f5es de Mary Douglas que apontam para a fun\u00e7\u00e3o comunicativa dos bens, que s\u00e3o compreendidos para al\u00e9m do car\u00e1ter utilit\u00e1rio e comercial. Aos cl\u00e1ssicos se somam uma lista crescente de pensadores e pesquisadores que t\u00eam adensado a cr\u00edtica ao utilitarismo, nos alertando para onde o desenvolvimentismo est\u00e1 nos levando. Entre eles ressaltamos o pensador ind\u00edgena A\u00edlton Krenak, cuja produ\u00e7\u00e3o torna inevit\u00e1vel a problematiza\u00e7\u00e3o do entendimento e das pr\u00e1ticas que tomam a floresta e seus entes como recursos (ou empecilhos). De outra perspectiva, a antrop\u00f3loga Anna Tsing coloca em suspens\u00e3o o movimento do capital, que nos enreda em ideias de progresso e na dissemina\u00e7\u00e3o de t\u00e9cnicas de aliena\u00e7\u00e3o que objetificam humanos e outros seres. O interesse em narrativas alternativas decorre no esfor\u00e7o de desantropocentrizar o pensamento, mas n\u00e3o de todo antropo e sim daquele sujeito marcado que advogou para si o lugar de humanidade gen\u00e9rica, o homem branco europeu. A tarefa almejada por pesquisas engajadas em destacar a multiplicidade ontol\u00f3gica \u00e9 nos tornar sens\u00edveis \u00e0 materialidade, \u00e0s pr\u00e1ticas, aos animais, plantas e todos os outros seres n\u00e3o-humanos silenciados.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-9ffv7\" class=\" eplus-wrapper\">Se por um lado podemos argumentar a favor da utilidade das ci\u00eancias humanas e da antropologia, gostar\u00edamos aqui de reconhecer sua n\u00e3o-utilidade, como uma forma de resist\u00eancia radical ao projeto utilitarista alinhado aos valores capitalistas.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-dp36k\" class=\" eplus-wrapper\">Trabalhos recentes confrontam, imaginam e revelam outras possibilidades aos humanos e ao mundo face \u00e0 ascens\u00e3o e crise do capitalismo, tensionando a sustenta\u00e7\u00e3o do que John Law denominou como uma metaf\u00edsica de \u201cone-world world\u201d, catastr\u00f3fica para bons encontros p\u00f3s-coloniais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Apostar numa ci\u00eancia desacelerada, como sugere Isabelle Stengers, pode nos colocar contra tal ideia de progresso e de desenvolvimentismo sobre a qual proferimos nossa inten\u00e7\u00e3o declarada de inutilidade. \u00c9 preciso nos deixar tocar por outras perspectivas, como a do pensador ind\u00edgena Davi Kopenawa que resume aterradoramente a exist\u00eancia do mundo Ocidental: \u201c[Os brancos] est\u00e3o sempre impacientes e temerosos de n\u00e3o chegar a tempo a seus empregos ou de serem despedidos. [\u2026] Vivem sem alegria e envelhecem depressa sempre atarefados, com pensamento vazio e sempre desejando adquirir novas mercadorias\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><\/p>\n\n\n\n<figure class=\" wp-block-image size-full eplus-wrapper\"><img decoding=\"async\" width=\"925\" height=\"694\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/01\/6f4667_de650865cf234959b0d7fd09ebd696camv2.avif\" alt=\"Foto de uma manifesta\u00e7\u00e3o contra o governo de Jair Bolsonaro.\" class=\"wp-image-827\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/01\/6f4667_de650865cf234959b0d7fd09ebd696camv2.avif 925w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/01\/6f4667_de650865cf234959b0d7fd09ebd696camv2-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/01\/6f4667_de650865cf234959b0d7fd09ebd696camv2-768x576.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/01\/6f4667_de650865cf234959b0d7fd09ebd696camv2-500x375.jpg 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/01\/6f4667_de650865cf234959b0d7fd09ebd696camv2-800x600.jpg 800w\" sizes=\"(max-width: 925px) 100vw, 925px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Direitos reservados \u00e0 autora [Marini, M.]<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">H\u00e1 em curso um ataque \u00e0 antropologia por medo de sua potencialidade de permitir a emerg\u00eancia de outros mundos poss\u00edveis, por reconhecer outras utilidades que n\u00e3o aquelas comprometidas com o mercado, com multinacionais e determinadas fam\u00edlias. Levantemos, ent\u00e3o, a bandeira da inutilidade. Como resposta ao ministro Weintraub a respeito do que fazer com um t\u00edtulo de antrop\u00f3logo, uma sugest\u00e3o: colocar em quest\u00e3o o papel das ci\u00eancias (porque afinal a amea\u00e7a que vivemos se reflete na antropologia, mas n\u00e3o s\u00f3), buscando garantir seu lugar e sua legitimidade num pa\u00eds como o Brasil, num mundo neoliberal que caminha para o obscurantismo, em um momento de anticientificismo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nota Introdut\u00f3ria: O breve ensaio cr\u00edtico que se segue foi escrito por Marisol Marini e Joana Cabral de Oliveira no final de 2019, a pedido dos editores do dossi\u00ea da Cultural Anthropology.\u00a0Desde ent\u00e3o o cen\u00e1rio pol\u00edtico tornou-se acentuadamente cr\u00edtico e complexo, permeado de declara\u00e7\u00f5es ofensivas, discriminat\u00f3rias, que acompanharam a\u00e7\u00f5es catastr\u00f3ficas, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":726,"featured_media":826,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[38,36,30],"tags":[322,21,22,323,325,320,321,156,324],"class_list":["post-824","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-esct","category-pesquisa","category-politica-representacao","tag-anticientificismo","tag-antropologia","tag-ciencia","tag-ciencias-humanas","tag-davi-kopenawa","tag-governo-bolsonaro","tag-ministerio-da-educacao","tag-politica","tag-utilidade-das-ciencias-humanas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/824","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-json\/wp\/v2\/users\/726"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=824"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/824\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":828,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/824\/revisions\/828"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-json\/wp\/v2\/media\/826"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=824"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=824"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=824"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}