{"id":884,"date":"2026-03-18T17:49:48","date_gmt":"2026-03-18T20:49:48","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/?p=884"},"modified":"2026-03-18T17:49:51","modified_gmt":"2026-03-18T20:49:51","slug":"para-alem-do-x-como-universidades-na-holanda-estao-construindo-alternativas-as-big-techs","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/2026\/03\/18\/para-alem-do-x-como-universidades-na-holanda-estao-construindo-alternativas-as-big-techs\/","title":{"rendered":"Para al\u00e9m do X: como universidades na Holanda est\u00e3o construindo alternativas \u00e0s big techs"},"content":{"rendered":"\n<p class=\" eplus-wrapper\"><span>No atual cen\u00e1rio de transforma\u00e7\u00f5es digitais, a busca por soberania tecnol\u00f3gica e alternativas \u00e0s grandes plataformas centralizadas tem se tornado pauta central para governos, institui\u00e7\u00f5es de ensino e movimentos sociais ao redor do mundo. Com esse esp\u00edrito em mente, o Blog do GEICT abre espa\u00e7o para a entrevista realizada por Damny Laya com Wladimir Mufty. Laya \u00e9 doutor em Pol\u00edtica Cient\u00edfica e Tecnol\u00f3gica (IG\/Unicamp) e atualmente \u00e9 aluno da especializa\u00e7\u00e3o em Jornalismo Cient\u00edfico e Cultural do Labjor\/Unicamp, tendo uma bolsa M\u00eddia Ci\u00eancia voltada para o debate sobre soberania digital e redes sociais alternativas. Na entrevista, Laya e Mufty abordam um panorama detalhado sobre o funcionamento do Mastodon, suas diferen\u00e7as das plataformas das Big Techs em termos de privacidade e controle de dados. Al\u00e9m disso, oferecem exemplos concretos de governos e universidades que est\u00e3o adotando essa rede federada como parte de uma estrat\u00e9gia de autonomia digital, algo essencial para quem deseja compreender os rumos da comunica\u00e7\u00e3o institucional em tempos de plataformiza\u00e7\u00e3o e polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Boa leitura!<\/span><\/p>\n\n\n\n<hr class=\" wp-block-separator has-alpha-channel-opacity eplus-wrapper\" \/>\n\n\n\n<pre class=\" wp-block-code eplus-wrapper\"><code>Por Damny Laya\n\nDamny Laya \u00e9 Doutor em Pol\u00edtica Cient\u00edfica e Tecnol\u00f3gica (Unicamp), mestre em Estudos Sociais da Ci\u00eancia (IVIC \u2013 Venezuela), e aluno na especializa\u00e7\u00e3o de Jornalismo Cient\u00edfico no Laborat\u00f3rio de Estudos Avan\u00e7ados em Jornalismo (Labjor). Ele pesquisa sobre soberania digital e redes sociais alternativas.<\/code><\/pre>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Com a aquisi\u00e7\u00e3o do Twitter, hoje X, por Elon Musk em 2022 e seu posicionamento pol\u00edtico ligado ao movimento da extrema-direita mundial, v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es, institui\u00e7\u00f5es e governos no mundo migraram desta rede social e procuraram alternativas. Nessa migra\u00e7\u00e3o, alguns usu\u00e1rios encontraram uma &#8220;nova casa&#8221; na rede<a href=\"https:\/\/joinmastodon.org\/pt-BR\">Mastodon<\/a> \u2013 uma rede social descentralizada, que n\u00e3o possui um CEO que a dirige, a mais popular do universo federado (<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Fediverso\">Fediverso<\/a>), com quase 9 milh\u00f5es de usu\u00e1rios do total de 12 milh\u00f5es que fazem parte desse universo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">O Mastodon funciona sob uma estrutura de c\u00f3digo aberto, ou seja, qualquer pessoa pode pegar esse c\u00f3digo e instalar num servidor sua pr\u00f3pria inst\u00e2ncia Mastodon. Uma inst\u00e2ncia \u00e9 como uma comunidade que funciona com suas pr\u00f3prias regras de modera\u00e7\u00e3o e c\u00f3digos de conduta. Pode ser uma comunidade aberta ao p\u00fablico ou apenas, por exemplo, para os funcion\u00e1rios de uma institui\u00e7\u00e3o, ou estudantes de uma universidade, inclusive um instituto ou faculdade. Por\u00e9m, essas comunidades podem se comunicar com outras inst\u00e2ncias. Resumindo, a entrada na inst\u00e2ncia pode ser privada, apenas para uma comunidade espec\u00edfica, mas o fluxo de conte\u00fado e a intera\u00e7\u00e3o na rede Mastodon pode ocorrer entre usu\u00e1rios com contas de diferentes inst\u00e2ncias. A maneira mais f\u00e1cil de entender como funciona o Mastodon \u00e9 observando o funcionamento do e-mail: voc\u00ea pode usar diferentes servi\u00e7os de e-mail, como Gmail, Yahoo! ou Outlook, mas ainda pode enviar e-mails para outras pessoas, n\u00e3o importa qual desses servi\u00e7os use.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\" wp-block-image size-large is-resized eplus-wrapper\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"479\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/03\/Mastodon_desktop_web_screenshot-1024x479.png\" alt=\"Captura de tela da vers\u00e3o de desktop do Mastodon. Caputa realizada por: https:\/\/social.lou.lt. Fonte: Wikimedia.\" class=\"wp-image-887\" style=\"aspect-ratio:2.137767298384181;width:687px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/03\/Mastodon_desktop_web_screenshot-1024x479.png 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/03\/Mastodon_desktop_web_screenshot-300x140.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/03\/Mastodon_desktop_web_screenshot-768x359.png 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/03\/Mastodon_desktop_web_screenshot-500x234.png 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/03\/Mastodon_desktop_web_screenshot-800x374.png 800w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/03\/Mastodon_desktop_web_screenshot-1280x598.png 1280w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/03\/Mastodon_desktop_web_screenshot.png 1286w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><sub><sup>Captura de tela da vers\u00e3o de desktop do Mastodon. Captura realizada por: https:\/\/social.lou.lt. Fonte: Wikimedia.<\/sup><\/sub><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">O Mastodon n\u00e3o tem um algoritmo de recomenda\u00e7\u00e3o; o feed \u00e9 criado por ordem cronol\u00f3gica das postagens dos usu\u00e1rios que voc\u00ea segue. Tamb\u00e9m n\u00e3o tem an\u00fancios, nem coleta seus dados para fazer um perfilamento e vender \u00e0s empresas. Isto significa maior autonomia e privacidade para o usu\u00e1rio. E o mais importante: controle sobre o conte\u00fado que posta e consome. Devido a estes aspectos, o Mastodon tem se convertido numa op\u00e7\u00e3o para governos, institui\u00e7\u00f5es, movimentos sociais e pessoas que se preocupam com a soberania digital e querem cortar a depend\u00eancia das redes sociais das big techs.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Por exemplo, os governos da Fran\u00e7a, Alemanha e Holanda, e institui\u00e7\u00f5es governamentais como a Comiss\u00e3o Europeia, abriram suas pr\u00f3prias inst\u00e2ncias onde todos os seus funcion\u00e1rios e diferentes corpos do governo podem criar suas contas e se comunicar com a audi\u00eancia do Fediverso. O movimento parece estar motivado pela tentativa de construir uma soberania digital e exercer um maior controle na comunica\u00e7\u00e3o e informa\u00e7\u00e3o desses corpos de governo. Da mesma forma, universidades p\u00fablicas t\u00eam feito esse movimento, como \u00e9 o caso das universidades da Holanda. L\u00e1, gra\u00e7as ao<a href=\"https:\/\/www.surf.nl\/en\/about-the-mastodon-pilot\">projeto piloto<\/a> criado pelo SURF, a Rede Nacional de Pesquisa e Educa\u00e7\u00e3o Holandesa (NREN), foi criada uma inst\u00e2ncia no Mastodon para hospedar seus membros, que incluem universidades, universidades de ci\u00eancias aplicadas, institui\u00e7\u00f5es de educa\u00e7\u00e3o profissional, institui\u00e7\u00f5es de pesquisa e hospitais universit\u00e1rios. O SURF fornece servi\u00e7os compartilhados de TI e TIC e inova\u00e7\u00e3o para o setor holand\u00eas de educa\u00e7\u00e3o e pesquisa, assim como a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Para entender como tem sido esta experi\u00eancia, seus desafios, alcance e aprendizados, entrevistei o l\u00edder do projeto, Wladimir Mufty, Gerente de Programa de Soberania Digital no SURF. Ele impulsiona a inova\u00e7\u00e3o na interse\u00e7\u00e3o entre educa\u00e7\u00e3o, tecnologia e valores p\u00fablicos. Colaborando com o setor educacional, ele demonstra alternativas pr\u00e1ticas \u00e0s grandes empresas de tecnologia, abordando os riscos da plataformiza\u00e7\u00e3o enquanto apresenta oportunidades para uma mudan\u00e7a transformadora e para a constru\u00e7\u00e3o da soberania digital.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\" wp-block-image size-full eplus-wrapper\"><img decoding=\"async\" width=\"400\" height=\"400\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/03\/83c559ebede6595c.jpg\" alt=\"Fotografia de Wladimir Mufty. Fonte: Mastodon.\" class=\"wp-image-888\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/03\/83c559ebede6595c.jpg 400w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/03\/83c559ebede6595c-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/03\/83c559ebede6595c-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><sub><sup>Fotografia de Wladimir Mufty. Fonte: Mastodon.<\/sup><\/sub><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><strong>Damny Laya: <\/strong>Pesquisando a rela\u00e7\u00e3o entre o Fediverso, soberania digital e institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, me deparei com o projeto-piloto do SURF e sua inst\u00e2ncia Mastodon. Voc\u00ea pode me contar um pouco sobre como funciona esse projeto-piloto?<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><strong>Wladimir Mufty:<\/strong> No final de 2022, pouco antes do Natal, havia uma inquieta\u00e7\u00e3o significativa no Twitter (agora X). Muitos pesquisadores dependem das m\u00eddias sociais para comunica\u00e7\u00e3o acad\u00eamica, compartilhamento de publica\u00e7\u00f5es, colabora\u00e7\u00e3o, an\u00fancio de eventos e constru\u00e7\u00e3o de comunidades. No entanto, a atmosfera na plataforma havia se deteriorado consideravelmente. Tornou-se socialmente insegura, com crescente hostilidade, misoginia, racismo, sexismo e desinforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">A comunidade de pesquisa e educa\u00e7\u00e3o \u00e9 fortemente orientada por valores. Seguran\u00e7a social, transpar\u00eancia, combate \u00e0 desinforma\u00e7\u00e3o e salvaguarda da liberdade acad\u00eamica s\u00e3o princ\u00edpios fundamentais. Esses valores estavam cada vez mais em desacordo com a dire\u00e7\u00e3o dessa plataforma de m\u00eddia social e seu(s) propriet\u00e1rio(s).<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Como uma organiza\u00e7\u00e3o cooperativa de confian\u00e7a que atende essas institui\u00e7\u00f5es, o SURF foi questionado por seus membros se poderia ajudar a fornecer uma alternativa. Como o SURF j\u00e1 oferece infraestrutura digital compartilhada e inova\u00e7\u00e3o, estava em uma posi\u00e7\u00e3o forte para configurar um ambiente seguro e bem gerenciado no Mastodon. Em vez de cada institui\u00e7\u00e3o executar seu pr\u00f3prio servidor descentralizado de forma independente, o SURF poderia organizar isso centralmente, garantindo seguran\u00e7a, governan\u00e7a e conformidade adequadas desde o in\u00edcio e permitindo que os usu\u00e1rios se concentrassem em explorar, usar e aprender a plataforma que escolhemos como a mais orientada por valores e a que melhor se adequava a eles.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">O projeto piloto envolveu o lan\u00e7amento de uma inst\u00e2ncia Mastodon (servidor) adaptada para a comunidade holandesa de pesquisa e educa\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m de implantar a plataforma, o SURF construiu funcionalidades adicionais sobre ela.<br>Por exemplo:<br>&#8211; Os usu\u00e1rios podem fazer login usando suas contas institucionais existentes (como suas credenciais universit\u00e1rias). Isso significa que eles n\u00e3o precisam criar perfis totalmente novos. A autentica\u00e7\u00e3o pode ser vinculada \u00e0s mesmas contas que eles usam para sistemas de pesquisa ou servi\u00e7os como eduroam. Eles podem escolher trabalhar com nomes de usu\u00e1rio autodefinidos na plataforma se preferirem n\u00e3o compartilhar sua identidade.<br>&#8211; O SURF desenvolveu suporte para contas de grupo. Isso permite que m\u00faltiplos indiv\u00edduos gerenciem uma \u00fanica conta Mastodon sem compartilhar senhas. Isso \u00e9 particularmente \u00fatil para grupos de pesquisa, equipes de marketing e comunica\u00e7\u00e3o e cons\u00f3rcios acad\u00eamicos.<br>Essas adi\u00e7\u00f5es reduziram a barreira para a ado\u00e7\u00e3o e tornaram a plataforma mais pr\u00e1tica para uso institucional. O resultado \u00e9 um ambiente no Mastodon que ainda est\u00e1 em funcionamento hoje, projetado especificamente para apoiar a soberania digital, os valores acad\u00eamicos e um espa\u00e7o online mais seguro para comunidades de pesquisa e educa\u00e7\u00e3o dentro do Fediverso mais amplo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\" wp-block-image size-large is-resized eplus-wrapper\"><img decoding=\"async\" width=\"683\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/03\/pexels-thisisengineering-3861976-683x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-893\" style=\"width:529px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/03\/pexels-thisisengineering-3861976-683x1024.jpg 683w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/03\/pexels-thisisengineering-3861976-200x300.jpg 200w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/03\/pexels-thisisengineering-3861976-768x1151.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/03\/pexels-thisisengineering-3861976-1025x1536.jpg 1025w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/03\/pexels-thisisengineering-3861976-500x750.jpg 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/03\/pexels-thisisengineering-3861976-800x1199.jpg 800w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/03\/pexels-thisisengineering-3861976-1920x2879.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 683px) 100vw, 683px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><sub><sup>Foto: ThisIsEngineering. Fonte: Pexels.<\/sup><\/sub><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><strong>DL:<\/strong> O que motivou o SURF a abrir uma inst\u00e2ncia Mastodon e disponibiliz\u00e1-la para a educa\u00e7\u00e3o e pesquisa na Holanda? Por que o Mastodon?<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><strong>WM: <\/strong>A motiva\u00e7\u00e3o central foi que a comunidade de pesquisa e educa\u00e7\u00e3o ainda precisava de um lugar para se manter conectada. Pesquisadores e educadores dependem fortemente de redes profissionais de longo prazo. Eles compartilham conhecimento, publica\u00e7\u00f5es, eventos, colabora\u00e7\u00f5es e discuss\u00f5es que muitas vezes abrangem d\u00e9cadas. Um pesquisador ativo hoje pode ainda estar ativo daqui a 10, 20 ou at\u00e9 30 anos. Essas comunidades s\u00e3o globais e constru\u00eddas sobre continuidade e confian\u00e7a. Em seus primeiros anos, o Twitter fornecia exatamente esse tipo de espa\u00e7o em rede.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">No entanto, \u00e0 medida que a plataforma mudou, o ambiente tornou-se cada vez mais desalinhado com os valores centrais do setor acad\u00eamico. Quando essa mudan\u00e7a se tornou evidente, come\u00e7amos a explorar alternativas. Avaliamos v\u00e1rias plataformas de m\u00eddia social e as ponderamos cuidadosamente em rela\u00e7\u00e3o a um conjunto de valores p\u00fablicos e acad\u00eamicos: privacidade, transpar\u00eancia, governan\u00e7a, propriedade, pol\u00edticas de modera\u00e7\u00e3o, responsabilidade e controle. Quem tem o poder de decis\u00e3o? Quem \u00e9 o dono da plataforma? O que acontece quando as pol\u00edticas mudam? Sob qual jurisdi\u00e7\u00e3o ela opera? Como a seguran\u00e7a social \u00e9 salvaguardada?<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Ap\u00f3s considerar esses fatores, conclu\u00edmos que o Mastodon era a escolha mais apropriada. O Mastodon existe desde 2016 e \u00e9 constru\u00eddo sobre software de c\u00f3digo aberto e padr\u00f5es abertos. O que o torna particularmente atraente para a academia \u00e9 sua arquitetura descentralizada. N\u00e3o h\u00e1 um \u00fanico propriet\u00e1rio, nenhuma autoridade central e nenhum acionista determinando a dire\u00e7\u00e3o da plataforma. Isso se alinha estreitamente com valores acad\u00eamicos como autonomia institucional, governan\u00e7a distribu\u00edda e soberania digital<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Ao contr\u00e1rio de plataformas de propriedade comercial, como o Bluesky, que ainda t\u00eam investidores, executivos e estruturas de decis\u00e3o centralizadas, o Mastodon permite que as institui\u00e7\u00f5es operem seus pr\u00f3prios servidores (inst\u00e2ncias). Cada inst\u00e2ncia pode definir suas pr\u00f3prias pol\u00edticas de modera\u00e7\u00e3o, modelo de governan\u00e7a e diretrizes comunit\u00e1rias. Se os usu\u00e1rios discordarem de como um servidor \u00e9 administrado, eles podem mudar para outro sem perder o acesso \u00e0 rede mais ampla.<br>Essa descentraliza\u00e7\u00e3o \u00e9 semelhante a como o e-mail funciona: n\u00e3o h\u00e1 um \u00fanico propriet\u00e1rio global do e-mail. Diferentes provedores operam seus pr\u00f3prios servidores, mas eles se comunicam atrav\u00e9s de protocolos abertos compartilhados. O Mastodon, e o Fediverso, segue o mesmo princ\u00edpio. Servidores independentes interoperam usando padr\u00f5es comuns, permitindo a comunica\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da rede sem controle central.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Para o SURF e suas institui\u00e7\u00f5es membros, este modelo apoia fortemente a soberania digital. Permite que o setor holand\u00eas de educa\u00e7\u00e3o e pesquisa hospede e governe sua pr\u00f3pria infraestrutura, aplique suas pr\u00f3prias pol\u00edticas de modera\u00e7\u00e3o e incorpore valores acad\u00eamicos no design e opera\u00e7\u00e3o da plataforma.<br>Claro, h\u00e1 a quest\u00e3o dos efeitos de rede. Grandes plataformas comerciais como LinkedIn ou Instagram t\u00eam bases de usu\u00e1rios significativamente maiores. No entanto, para o SURF, a quest\u00e3o chave n\u00e3o era simplesmente escala, mas sustentabilidade e alinhamento com valores p\u00fablicos. Plataformas centralizadas podem oferecer alcance, mas tamb\u00e9m concentram poder nas m\u00e3os de poucos atores. Quando a lideran\u00e7a ou a propriedade muda, as pol\u00edticas e a cultura podem mudar rapidamente.<br>Um modelo descentralizado mitiga esse risco. Ele distribui o controle, reduz a depend\u00eancia de uma \u00fanica empresa e permite que institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas assumam a responsabilidade por seu pr\u00f3prio ambiente digital. Por essas raz\u00f5es, o Mastodon n\u00e3o foi apenas uma escolha t\u00e9cnica&#8230; foi uma decis\u00e3o orientada por valores que se alinha com os interesses de longo prazo da educa\u00e7\u00e3o e pesquisa na Holanda.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\" wp-block-image size-large is-resized eplus-wrapper\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/03\/pexels-hitarth-jadhav-57415-220357-1024x768.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-895\" style=\"width:658px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/03\/pexels-hitarth-jadhav-57415-220357-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/03\/pexels-hitarth-jadhav-57415-220357-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/03\/pexels-hitarth-jadhav-57415-220357-768x576.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/03\/pexels-hitarth-jadhav-57415-220357-1536x1152.jpg 1536w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/03\/pexels-hitarth-jadhav-57415-220357-2048x1536.jpg 2048w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/03\/pexels-hitarth-jadhav-57415-220357-500x375.jpg 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/03\/pexels-hitarth-jadhav-57415-220357-800x600.jpg 800w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/03\/pexels-hitarth-jadhav-57415-220357-1280x960.jpg 1280w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/03\/pexels-hitarth-jadhav-57415-220357-1920x1440.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><sub><sup>Foto: Hitarth Jadhav. Fonte: Pexels.<\/sup><\/sub><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><strong>DL:<\/strong> Como tem sido a recep\u00e7\u00e3o entre universidades e outras institui\u00e7\u00f5es de pesquisa em rela\u00e7\u00e3o ao projeto? E como voc\u00ea descreveria a participa\u00e7\u00e3o de estudantes, professores e pesquisadores no uso desta plataforma?<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><strong>WM:<\/strong> A recep\u00e7\u00e3o entre universidades e institui\u00e7\u00f5es de pesquisa tem sido amplamente positiva, por v\u00e1rias raz\u00f5es. Em um n\u00edvel pr\u00e1tico, a plataforma inicialmente parecia diferente do que as pessoas estavam acostumadas. Certas fun\u00e7\u00f5es tinham nomes diferentes ou funcionavam de maneira ligeiramente diferente. Por exemplo, n\u00e3o h\u00e1 &#8220;retweet&#8221;, mas um &#8220;boost&#8221;, e n\u00e3o h\u00e1 &#8220;curtir&#8221;, mas a op\u00e7\u00e3o de favoritar, &#8220;favorito&#8221;. A interface exigiu alguma adapta\u00e7\u00e3o. Com o tempo, muitas dessas diferen\u00e7as se tornaram menos uma barreira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Importante ressaltar, a comunidade acad\u00eamica \u00e9 geralmente capaz de lidar com um certo n\u00edvel de atrito. Pesquisadores e educadores est\u00e3o acostumados a lidar com sistemas complexos, aprender novas ferramentas e navegar por mudan\u00e7as. Portanto, embora houvesse pequenas preocupa\u00e7\u00f5es de usabilidade, elas n\u00e3o foram percebidas como obst\u00e1culos fundamentais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Mais significativamente, o projeto teve valor simb\u00f3lico. Embora possa parecer uma iniciativa relativamente pequena no debate mais amplo sobre soberania digital, tornou-se um dos primeiros exemplos tang\u00edveis do setor assumindo o controle de sua pr\u00f3pria infraestrutura digital em rea\u00e7\u00e3o a uma perda de valores. Especialmente em 2022 e 2023, as discuss\u00f5es sobre autonomia tecnol\u00f3gica europeia e depend\u00eancia de grandes empresas de tecnologia americanas j\u00e1 estavam ganhando impulso. Esta iniciativa do Mastodon demonstrou que institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas poderiam organizar, governar e operar com sucesso uma plataforma social por conta pr\u00f3pria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Isso criou um forte senso de esp\u00edrito coletivo. Mostrou que uma plataforma setorial, impulsionada pela comunidade, poderia funcionar de forma confi\u00e1vel e apoiar intera\u00e7\u00f5es significativas. Esse impulso inicial desempenhou um papel importante na ado\u00e7\u00e3o e percep\u00e7\u00e3o. Houve tamb\u00e9m uma aten\u00e7\u00e3o significativa da m\u00eddia em torno do lan\u00e7amento. De certa forma, essa aten\u00e7\u00e3o parecia desproporcional, j\u00e1 que muitas comunidades trabalhavam com o Mastodon h\u00e1 anos. No entanto, o SURF representa um setor nacional bem organizado, com forte apoio institucional, o que tornou a iniciativa mais vis\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">O interesse da m\u00eddia tamb\u00e9m pode refletir algo mais amplo. O jornalismo, como a academia, tornou-se altamente dependente de grandes plataformas de m\u00eddia social americanas para distribui\u00e7\u00e3o e visibilidade. Na \u00e9poca deste projeto, muitas organiza\u00e7\u00f5es de m\u00eddia j\u00e1 estavam lidando com quest\u00f5es como depend\u00eancia de plataforma, controle algor\u00edtmico, desinforma\u00e7\u00e3o, decl\u00ednio do tr\u00e1fego de refer\u00eancia e controle limitado sobre a visibilidade narrativa. A iniciativa do SURF, portanto, ressoou al\u00e9m da academia. Simbolizou um modelo alternativo alinhado com os valores p\u00fablicos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Em termos de participa\u00e7\u00e3o, os pesquisadores t\u00eam sido geralmente os usu\u00e1rios mais ativos. Para eles, a plataforma funciona como uma rede profissional onde compartilham publica\u00e7\u00f5es, comentam sobre desenvolvimentos em seu campo, participam de debates p\u00fablicos e mant\u00eam conex\u00f5es internacionais.<br>Contas institucionais, como as de universidades, grupos de pesquisa e equipes de comunica\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m t\u00eam sido ativas, particularmente porque o SURF habilitou contas compartilhadas ou de grupo. Isso facilita que as equipes gerenciem um perfil de forma colaborativa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">A participa\u00e7\u00e3o estudantil tem sido mais variada. Embora alguns estudantes sejam ativos, muitos continuam a usar plataformas maiores e tradicionais onde suas redes de pares j\u00e1 est\u00e3o presentes. Isso reflete a import\u00e2ncia cont\u00ednua dos efeitos de rede. Plataformas com bases de usu\u00e1rios maiores naturalmente atraem uma participa\u00e7\u00e3o mais ampla. No geral, o projeto tem sido recebido como uma alternativa significativa e cr\u00edvel, particularmente valorizada por seu alinhamento com princ\u00edpios acad\u00eamicos como autonomia, transpar\u00eancia e governan\u00e7a respons\u00e1vel. Mesmo onde a ado\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 universal, a iniciativa \u00e9 amplamente reconhecida como um passo importante para fortalecer a soberania digital no setor holand\u00eas de pesquisa e educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\" wp-block-image size-large is-resized eplus-wrapper\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/03\/pexels-markusspiske-330771-1024x683.jpg\" alt=\"Foto: Markus Spiske. Fonte: Pexels.\" class=\"wp-image-898\" style=\"aspect-ratio:1.4992860651486386;width:589px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/03\/pexels-markusspiske-330771-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/03\/pexels-markusspiske-330771-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/03\/pexels-markusspiske-330771-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/03\/pexels-markusspiske-330771-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/03\/pexels-markusspiske-330771-2048x1365.jpg 2048w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/03\/pexels-markusspiske-330771-500x333.jpg 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/03\/pexels-markusspiske-330771-800x533.jpg 800w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/03\/pexels-markusspiske-330771-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/03\/pexels-markusspiske-330771-1920x1280.jpg 1920w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/03\/pexels-markusspiske-330771-360x240.jpg 360w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/03\/pexels-markusspiske-330771-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><sub><sup>Foto: Markus Spiske. Fonte: Pexels.<\/sup><\/sub><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><strong>DL:<\/strong> Quantas universidades come\u00e7aram a usar o Mastodon atrav\u00e9s do projeto do SURF<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><strong>WM: <\/strong>A resposta n\u00e3o \u00e9 totalmente direta, pois requer algumas nuances. A Holanda tem quatorze universidades. O que posso dizer \u00e9 que todas elas pararam de usar o Twitter, agora X. Elas n\u00e3o sa\u00edram todas ao mesmo tempo, mas a \u00faltima universidade remanescente tamb\u00e9m descontinuou o uso ativo. Algumas institui\u00e7\u00f5es exclu\u00edram completamente suas contas, enquanto outras mant\u00eam uma conta inativa para reter seu nome, mas n\u00e3o est\u00e3o mais ativas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Em termos de Mastodon atrav\u00e9s do projeto do SURF, v\u00e1rias universidades est\u00e3o ativas em nosso servidor com contas institucionais. No entanto, a participa\u00e7\u00e3o n\u00e3o se limita \u00e0s contas centrais das universidades. Em muitos casos, os usu\u00e1rios ativos s\u00e3o indiv\u00edduos afiliados a essas universidades, como pesquisadores e funcion\u00e1rios. Al\u00e9m disso, voc\u00ea v\u00ea subentidades como bibliotecas universit\u00e1rias, faculdades ou institutos de pesquisa criando suas pr\u00f3prias contas. H\u00e1 tamb\u00e9m cons\u00f3rcios ativos na plataforma, e alguns desses cons\u00f3rcios consistem em m\u00faltiplas universidades. As universidades tamb\u00e9m est\u00e3o ativas em outros servidores Mastodon, o que \u00e9 \u00f3timo. Elas n\u00e3o precisam se mudar, s\u00e3o bem-vindas, mas n\u00e3o \u00e9 um objetivo para n\u00f3s dizer aos membros qual servidor devem usar para entrar no Fediverso. O mais importante \u00e9: eles devem entrar no Fediverso!<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Devido a essa estrutura em camadas, \u00e9 dif\u00edcil fornecer um n\u00famero preciso de &#8220;universidades&#8221; usando a plataforma. Os limites nem sempre s\u00e3o claros. Quando algo conta como uma universidade, uma faculdade, um grupo de pesquisa ou um cons\u00f3rcio?<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">O que posso compartilhar em termos de n\u00fameros \u00e9 que a plataforma atualmente tem mais de 1.250 usu\u00e1rios no total. Entre estes, h\u00e1 aproximadamente 50 contas de grupo. Cada uma dessas contas de grupo pode representar uma universidade, uma biblioteca universit\u00e1ria, uma faculdade, um grupo de pesquisa ou um cons\u00f3rcio. Portanto, em vez de um n\u00famero fixo de universidades, \u00e9 mais preciso descrev\u00ea-lo como uma ampla participa\u00e7\u00e3o setorial em m\u00faltiplos n\u00edveis institucionais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><strong>DL:<\/strong> Quais t\u00eam sido os desafios e sucessos do projeto?<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><strong>WM:<\/strong> Os desafios e sucessos do projeto operam tanto em n\u00edvel pr\u00e1tico quanto estrat\u00e9gico. Um dos principais desafios tem sido organizacional. O SURF est\u00e1 acostumado a gerenciar projetos de infraestrutura em larga escala e alto investimento. Estes tipicamente incluem supercomputadores nacionais, iniciativas de computa\u00e7\u00e3o qu\u00e2ntica, cabos submarinos, redes eduroam, infraestruturas WiFi seguras, GPTs e sistemas de login em larga escala. Esses projetos frequentemente envolvem or\u00e7amentos substanciais e estrat\u00e9gias de investimento de longo prazo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Em contraste, o Mastodon \u00e9 um servi\u00e7o relativamente pequeno e compacto. \u00c9 leve em termos de custo e infraestrutura. Paradoxalmente, isso torna mais dif\u00edcil posicion\u00e1-lo dentro das estruturas existentes de governan\u00e7a e financiamento. Nossos processos internos s\u00e3o projetados para grandes investimentos em infraestrutura, com modelos de custo detalhados, esquemas de deprecia\u00e7\u00e3o, acordos setoriais amplos e trajet\u00f3rias formais de ado\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Ao introduzir algo como o Mastodon, as institui\u00e7\u00f5es, com raz\u00e3o, fazem perguntas sobre custo, uso, sustentabilidade e valor de longo prazo. Em termos financeiros, \u00e9 modesto. Em termos estrat\u00e9gicos, no entanto, contribui para algo muito maior, ou seja, a soberania digital e a infraestrutura orientada por valores p\u00fablicos. A dificuldade reside no fato de que nossos processos ainda n\u00e3o est\u00e3o totalmente adaptados para acomodar ferramentas menores, flex\u00edveis e orientadas por valores desse tipo.Isto \u00e9 algo em que estamos trabalhando ativamente. O Mastodon n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico exemplo. Existem outras alternativas descentralizadas ou abertas, como o PeerTube, uma plataforma de v\u00eddeo do Fediverso, que tamb\u00e9m poderiam desempenhar um papel significativo na redu\u00e7\u00e3o da depend\u00eancia das big techs. Desenvolver modelos de governan\u00e7a e financiamento que apoiem essas ferramentas menores, mas estrategicamente importantes, continua sendo um desafio cont\u00ednuo.Em termos de sucessos, a resposta da comunidade tem sido muito encorajadora. Muitos usu\u00e1rios expressam apre\u00e7o pela atmosfera. Eles frequentemente a descrevem como reminiscente dos primeiros dias do Twitter, quando compartilhar conhecimento, humor e trocas informais parecia mais org\u00e2nico e menos polarizado. Nem tudo \u00e9 formal ou s\u00e9rio. H\u00e1 at\u00e9 tradi\u00e7\u00f5es descontra\u00eddas como o &#8220;Caturday&#8221;, onde as pessoas simplesmente compartilham fotos de gatos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Esse senso de comunidade e informalidade \u00e9 importante. Cada servidor Mastodon tende a desenvolver sua pr\u00f3pria identidade. Alguns focam em esportes, outros em m\u00fasica ou matem\u00e1tica. A inst\u00e2ncia do SURF desenvolveu um perfil claro centrado em pesquisa e educa\u00e7\u00e3o. Os usu\u00e1rios valorizam esse contexto compartilhado e o fato de a plataforma refletir as normas e a cultura da comunidade acad\u00eamica. Outro sucesso importante \u00e9 que a plataforma fornece um exemplo concreto de soberania digital na pr\u00e1tica. Em vez de discutir conceitos abstratos sobre valores, controle ou depend\u00eancia, o Mastodon nos permite demonstrar essas diferen\u00e7as de forma tang\u00edvel. Torna poss\u00edvel explicar o contraste entre sistemas abertos e fechados, governan\u00e7a centralizada e descentralizada, concentra\u00e7\u00e3o de poder versus responsabilidade distribu\u00edda.Como o Mastodon \u00e9 constru\u00eddo sobre padr\u00f5es abertos e protocolos abertos dentro do Fediverso mais amplo, ele se torna uma ilustra\u00e7\u00e3o acess\u00edvel e pr\u00e1tica de como as institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas podem recuperar a ag\u00eancia sobre sua infraestrutura digital. Nesse sentido, o projeto n\u00e3o tem sido apenas um sucesso funcional, mas tamb\u00e9m um importante sucesso educacional e estrat\u00e9gico.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\" wp-block-image size-large is-resized eplus-wrapper\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"682\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/02\/pexels-pixabay-270408-1024x682.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-861\" style=\"aspect-ratio:1.5014746298533421;width:612px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/02\/pexels-pixabay-270408-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/02\/pexels-pixabay-270408-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/02\/pexels-pixabay-270408-768x511.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/02\/pexels-pixabay-270408-1536x1023.jpg 1536w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/02\/pexels-pixabay-270408-2048x1364.jpg 2048w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/02\/pexels-pixabay-270408-500x333.jpg 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/02\/pexels-pixabay-270408-800x533.jpg 800w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/02\/pexels-pixabay-270408-1280x852.jpg 1280w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/02\/pexels-pixabay-270408-1920x1278.jpg 1920w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/02\/pexels-pixabay-270408-360x240.jpg 360w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/02\/pexels-pixabay-270408-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><sub><sup>Fonte: Pixabay\/Pexels.<\/sup><\/sub><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><strong>DL:<\/strong> H\u00e1 li\u00e7\u00f5es aprendidas com esta experi\u00eancia?<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><strong>WM:<\/strong> Sim, houve v\u00e1rias li\u00e7\u00f5es importantes aprendidas, tanto t\u00e9cnicas quanto organizacionais. Primeiro, de uma perspectiva tecnol\u00f3gica, a plataforma provou ser est\u00e1vel e confi\u00e1vel. A infraestrutura central funciona bem. Os principais desafios n\u00e3o s\u00e3o de natureza t\u00e9cnica, mas relacionam-se mais com usabilidade, expectativas e adapta\u00e7\u00e3o cultural.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Uma li\u00e7\u00e3o chave \u00e9 que, ao introduzir uma plataforma alternativa, voc\u00ea constantemente enfrenta trade-offs entre valores e expectativas dos usu\u00e1rios. Muitos usu\u00e1rios comparam o Mastodon ao Twitter ou outras plataformas comerciais. Eles esperam recursos semelhantes, como an\u00e1lises detalhadas, funcionalidade de pesquisa global e m\u00e9tricas de visibilidade. Por exemplo, equipes de comunica\u00e7\u00e3o frequentemente querem saber quantas vezes uma postagem foi visualizada, clicada ou compartilhada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">No entanto, o Mastodon \u00e9 constru\u00eddo em torno de princ\u00edpios de design diferentes. A privacidade \u00e9 um valor central. Por design, ele n\u00e3o rastreia os usu\u00e1rios da mesma forma que as plataformas comerciais. N\u00e3o fornece o mesmo n\u00edvel de estat\u00edsticas granulares ou pesquisa global em toda a rede. Essas limita\u00e7\u00f5es s\u00e3o intencionais e enraizadas em valores como privacidade, descentraliza\u00e7\u00e3o e minimiza\u00e7\u00e3o de dados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Isso cria uma tens\u00e3o real. Por um lado, as institui\u00e7\u00f5es dizem que querem digitaliza\u00e7\u00e3o orientada por valores e maior soberania digital. Por outro lado, os departamentos de comunica\u00e7\u00e3o ainda s\u00e3o avaliados com base em m\u00e9tricas de marketing e indicadores de desempenho que foram moldados pelas plataformas de m\u00eddia social comerciais nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas. Isso cria um dilema estrutural. Os valores por tr\u00e1s da tecnologia podem nem sempre estar alinhados com as estruturas de desempenho institucional existentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Outra li\u00e7\u00e3o diz respeito \u00e0 descentraliza\u00e7\u00e3o em si. O conceito nem sempre \u00e9 intuitivo. A ideia de que voc\u00ea n\u00e3o pode simplesmente pesquisar toda a rede da mesma forma que faria em uma plataforma centralizada pode ser confusa para muitos usu\u00e1rios. Um pequeno grupo valoriza fortemente essas escolhas de design baseadas em princ\u00edpios. Um grupo maior pode ach\u00e1-las dif\u00edceis de entender ou inconvenientes. Isso leva a discuss\u00f5es cont\u00ednuas dentro da comunidade sobre se devemos priorizar o crescimento e a familiaridade, ou permanecer estritamente alinhados com os princ\u00edpios originais de descentraliza\u00e7\u00e3o e abertura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">H\u00e1 uma tens\u00e3o natural entre aqueles que defendem a expans\u00e3o e a adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s expectativas dominantes, e aqueles que acreditam que uma alternativa deve permanecer fundamentalmente diferente para permanecer significativa. Esse debate \u00e9 saud\u00e1vel e faz parte do processo de amadurecimento. O progresso \u00e9 gradual. \u00c0s vezes voc\u00ea avan\u00e7a, \u00e0s vezes voc\u00ea reavalia. No geral, o ecossistema est\u00e1 se tornando mais maduro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Outra \u00e1rea importante de aprendizado diz respeito \u00e0 modera\u00e7\u00e3o. Historicamente, plataformas como o Mastodon e o Fediverso mais amplo frequentemente atra\u00edram comunidades tecnicamente inclinadas e altamente orientadas por valores. No entanto, esses grupos n\u00e3o s\u00e3o necessariamente representativos da sociedade como um todo. Se a modera\u00e7\u00e3o for feita apenas por um grupo demogr\u00e1fico restrito, isso pode criar pontos cegos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Portanto, refletimos sobre como criar uma estrutura de modera\u00e7\u00e3o mais representativa, envolvendo pessoas de diferentes setores educacionais e origens diversas. Curiosamente, no nosso caso, a modera\u00e7\u00e3o exigiu muito pouca interven\u00e7\u00e3o. Como os usu\u00e1rios fazem login atrav\u00e9s de suas contas institucionais, mesmo que usem um pseud\u00f4nimo publicamente, eles sabem que s\u00e3o responsabiliz\u00e1veis dentro de sua organiza\u00e7\u00e3o. Esse mecanismo de responsabiliza\u00e7\u00e3o reduziu significativamente o comportamento prejudicial. Como resultado, a modera\u00e7\u00e3o permaneceu m\u00ednima, o que \u00e9 tanto afortunado quanto um tanto te\u00f3rico em termos de constru\u00e7\u00e3o de grandes equipes de modera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">No geral, talvez a li\u00e7\u00e3o mais importante seja que a tecnologia em si n\u00e3o \u00e9 o principal desafio. Os verdadeiros desafios residem na usabilidade, nos efeitos de rede, nos modelos de governan\u00e7a, nos incentivos institucionais e no alinhamento das ferramentas digitais com os valores p\u00fablicos de longo prazo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\" wp-block-image size-large is-resized eplus-wrapper\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/10\/10.Marina-1-1024x683.jpg\" alt=\"Foto: Alina Grubnyak. Fonte: Unsplash.\" class=\"wp-image-697\" style=\"aspect-ratio:1.4992860651486386;width:599px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/10\/10.Marina-1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/10\/10.Marina-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/10\/10.Marina-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/10\/10.Marina-1-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/10\/10.Marina-1-2048x1365.jpg 2048w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/10\/10.Marina-1-500x333.jpg 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/10\/10.Marina-1-800x533.jpg 800w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/10\/10.Marina-1-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/10\/10.Marina-1-1920x1280.jpg 1920w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/10\/10.Marina-1-360x240.jpg 360w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/10\/10.Marina-1-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><sub><sup>Foto: Alina Grubnyak. Fonte: Unsplash.<\/sup><\/sub><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><strong>DL:<\/strong> Voc\u00ea tem relacionado este projeto como uma express\u00e3o de soberania digital. Voc\u00ea pode aprofundar um pouco mais nisso?<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><strong>WM:<\/strong> Sim, absolutamente. Considero este projeto uma express\u00e3o concreta de soberania digital. Para mim, soberania digital \u00e9 sobre a capacidade de exercer controle. Significa ter capacidade de governan\u00e7a, dire\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica e poder real de tomada de decis\u00e3o sobre sua infraestrutura digital. Inclui a liberdade de escolher, a capacidade de inovar de forma independente e a capacidade de moldar a tecnologia de acordo com suas pr\u00f3prias prioridades, em vez daquelas de atores comerciais externos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Quando voc\u00ea possui esses elementos, \u00e9 capaz de salvaguardar e defender ativamente os valores p\u00fablicos. Esses valores incluem autonomia, privacidade, intera\u00e7\u00e3o social e centrada no ser humano, independ\u00eancia e justi\u00e7a. Sem um m\u00ednimo de soberania digital, torna-se muito dif\u00edcil proteger e sustentar esses valores a longo prazo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">O projeto Mastodon incorpora esses princ\u00edpios. Ao hospedar e governar nossa pr\u00f3pria inst\u00e2ncia, o setor de educa\u00e7\u00e3o e pesquisa na |Holanda ret\u00e9m o controle sobre pol\u00edticas de modera\u00e7\u00e3o, desenvolvimento t\u00e9cnico, tratamento de dados e padr\u00f5es comunit\u00e1rios. As decis\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o ditadas por acionistas, interesses de capital de risco ou estrat\u00e9gias corporativas em mudan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Como o Mastodon \u00e9 de c\u00f3digo aberto e constru\u00eddo sobre padr\u00f5es abertos dentro do Fediverso, ele permite que institui\u00e7\u00f5es e indiv\u00edduos operem sua pr\u00f3pria infraestrutura enquanto permanecem interoper\u00e1veis com outros. Essa combina\u00e7\u00e3o de autonomia e interoperabilidade \u00e9 crucial. Evita o isolamento enquanto previne a depend\u00eancia de um \u00fanico provedor centralizado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Nesse sentido, o projeto n\u00e3o est\u00e1 apenas simbolicamente ligado \u00e0 soberania digital. \u00c9 uma demonstra\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica dela. Mostra que institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas podem organizar, governar e inovar digitalmente em alinhamento com seus pr\u00f3prios valores, em vez de terceirizar essa responsabilidade para grandes plataformas comerciais.<br><br><strong>DL:<\/strong> O governo holand\u00eas tamb\u00e9m disponibilizou uma inst\u00e2ncia Mastodon desde 2025 para todas as organiza\u00e7\u00f5es governamentais. Como voc\u00ea avalia essa pol\u00edtica?<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><strong>WM:<\/strong> Acho que \u00e9 um desenvolvimento fant\u00e1stico, e genuinamente me orgulha que o governo holand\u00eas tenha dado esse passo. \u00c9 importante esclarecer que a inst\u00e2ncia governamental n\u00e3o \u00e9 destinada a funcion\u00e1rios p\u00fablicos individuais ou a todos os 18 milh\u00f5es de cidad\u00e3os holandeses. Ela \u00e9 projetada para organiza\u00e7\u00f5es governamentais. Isso inclui minist\u00e9rios, os pr\u00f3prios ministros, ag\u00eancias executivas, autoridades fiscais, autoridades regionais e uma ampla gama de \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos que mant\u00eam uma presen\u00e7a oficial nas m\u00eddias sociais atrav\u00e9s deste servidor Mastodon compartilhado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Tamb\u00e9m vejo desenvolvimentos semelhantes surgindo em outros pa\u00edses, como a Alemanha. O fato de a Holanda ter assumido um papel de lideran\u00e7a nesta \u00e1rea merece verdadeiro reconhecimento, especialmente para as pessoas dentro do governo que trabalharam duro para torn\u00e1-lo realidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Estamos em contato com eles e compartilhamos conhecimento sobre desafios e oportunidades quando relevante. Essa colabora\u00e7\u00e3o \u00e9 valiosa e encorajadora de se ver.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Ao mesmo tempo, eu diria que o governo opera em um ambiente mais complexo e politicamente sens\u00edvel do que o setor de educa\u00e7\u00e3o e pesquisa. Dentro da comunica\u00e7\u00e3o governamental, h\u00e1 uma forte vis\u00e3o predominante de que as institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas devem estar presentes onde os cidad\u00e3os j\u00e1 est\u00e3o. Isso torna mais dif\u00edcil argumentar que certas plataformas comerciais podem n\u00e3o ser sustent\u00e1veis ou alinhadas com os valores p\u00fablicos a longo prazo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">H\u00e1 tamb\u00e9m riscos concretos. Por exemplo, se informa\u00e7\u00f5es oficiais do governo, como orienta\u00e7\u00f5es de sa\u00fade p\u00fablica, fossem rotuladas como desinforma\u00e7\u00e3o ou tivessem sua visibilidade reduzida por uma plataforma comercial, isso seria altamente problem\u00e1tico. Da mesma forma, se uma regi\u00e3o de seguran\u00e7a ou servi\u00e7o de emerg\u00eancia precisar se comunicar urgentemente, n\u00e3o deveria ter que se preocupar em ser bloqueado ou restringido por uma plataforma de propriedade privada ou por decis\u00f5es tomadas fora do controle democr\u00e1tico do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Por essa raz\u00e3o, acredito que a decis\u00e3o do governo de operar sua pr\u00f3pria inst\u00e2ncia Mastodon \u00e9 um passo importante e corajoso. Reduz a depend\u00eancia estrat\u00e9gica e fortalece a resili\u00eancia da infraestrutura de comunica\u00e7\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">De certa forma, isso me deixa pelo menos t\u00e3o orgulhoso quanto nossa pr\u00f3pria iniciativa setorial do Mastodon dentro da educa\u00e7\u00e3o e pesquisa. Talvez ainda mais, porque para o governo esse movimento requer romper com suposi\u00e7\u00f5es h\u00e1 muito estabelecidas sobre como alcan\u00e7ar os cidad\u00e3os e como estruturar a comunica\u00e7\u00e3o digital. Representa n\u00e3o apenas uma decis\u00e3o t\u00e9cnica, mas uma mudan\u00e7a no pensamento sobre autonomia, responsabilidade e o papel das institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas na esfera digital.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\" wp-block-image size-large is-resized eplus-wrapper\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/08\/9.Nina-da-Hora-3-1024x683.jpg\" alt=\"Foto: Ron Lach. Fonte: Pexels.\" class=\"wp-image-531\" style=\"aspect-ratio:1.4992860651486386;width:583px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/08\/9.Nina-da-Hora-3-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/08\/9.Nina-da-Hora-3-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/08\/9.Nina-da-Hora-3-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/08\/9.Nina-da-Hora-3-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/08\/9.Nina-da-Hora-3-2048x1365.jpg 2048w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/08\/9.Nina-da-Hora-3-500x333.jpg 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/08\/9.Nina-da-Hora-3-800x533.jpg 800w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/08\/9.Nina-da-Hora-3-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/08\/9.Nina-da-Hora-3-1920x1280.jpg 1920w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/08\/9.Nina-da-Hora-3-360x240.jpg 360w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2025\/08\/9.Nina-da-Hora-3-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><sub><sup>Foto: Ron Lach. Fonte: Pexels.<\/sup><\/sub><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><strong>DL: <\/strong>Voc\u00ea gostaria de acrescentar alguma informa\u00e7\u00e3o ou perspectiva que eu possa ter deixado de lado?<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><strong>WM:<\/strong> Uma perspectiva mais ampla que gostaria de acrescentar \u00e9 que, historicamente, a digitaliza\u00e7\u00e3o na Holanda n\u00e3o tem sido fortemente orientada por valores. Tradicionalmente, focamos em pre\u00e7o e funcionalidade. E, para ser justo, somos muito bons nisso. Negociamos contratos competitivos com grandes provedores de tecnologia e somos h\u00e1beis em especificar requisitos funcionais e obter exatamente o que pedimos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Tamb\u00e9m tendemos a estabelecer padr\u00f5es claros em quest\u00f5es como privacidade. Em alguns casos, grandes empresas de tecnologia at\u00e9 fizeram ajustes espec\u00edficos para o contexto holand\u00eas, inclusive para nosso setor de educa\u00e7\u00e3o e pesquisa, para atender a requisitos de privacidade mais rigorosos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">No entanto, quando se trata de valores mais amplos, como autonomia, interoperabilidade e independ\u00eancia estrutural, esses t\u00eam sido frequentemente considera\u00e7\u00f5es secund\u00e1rias. Quando confrontados com trade-offs, custo e funcionalidade frequentemente superaram quest\u00f5es mais profundas sobre controle e depend\u00eancia de longo prazo. Na Holanda, \u00e0s vezes descrevemos essa tens\u00e3o como a diferen\u00e7a entre o &#8220;comerciante de mercado&#8221; e o &#8220;pregador&#8221;. Otimizamos para pre\u00e7o e efici\u00eancia, ou priorizamos princ\u00edpios e valores?<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Por muito tempo, tendemos para a primeira abordagem. Costum\u00e1vamos olhar para pa\u00edses como a Fran\u00e7a com certa ironia, descrevendo-os como um tanto chauvinistas devido \u00e0 sua forte \u00eanfase no controle nacional em \u00e1reas como energia, infraestrutura digital e escolhas de TI no setor p\u00fablico. Mas tamb\u00e9m se poderia interpretar isso n\u00e3o como chauvinismo, mas como uma prioriza\u00e7\u00e3o consistente da autonomia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">O mesmo se aplica \u00e0 Alemanha. De uma perspectiva holandesa altamente digitalizada, \u00e0s vezes question\u00e1vamos por que certos processos p\u00fablicos l\u00e1 permaneciam menos digitalizados, como a administra\u00e7\u00e3o fiscal que historicamente dependia por mais tempo de sistemas baseados em papel. Mas isso n\u00e3o era necessariamente conservadorismo. Refletia um compromisso profundamente enraizado com a privacidade e cautela em torno de sistemas de dados centralizados, moldado pela experi\u00eancia hist\u00f3rica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">O que estamos vendo agora na Holanda, e iniciativas como o Mastodon s\u00e3o um exemplo disso, \u00e9 uma mudan\u00e7a gradual. Estamos come\u00e7ando a pesar valores como autonomia, controle e interoperabilidade mais seriamente em nossas estrat\u00e9gias digitais. Nesse sentido, estamos conseguindo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">A Holanda \u00e9 uma sociedade forte e saud\u00e1vel. Temos uma cultura c\u00edvica vibrante, institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas fortes e uma tradi\u00e7\u00e3o colaborativa. Mas no dom\u00ednio digital, permitimo-nos tornar demasiado dependentes de atores externos. Pode haver raz\u00f5es hist\u00f3ricas para isso, mas \u00e9 encorajador ver que agora estamos abordando a digitaliza\u00e7\u00e3o mais explicitamente desde uma perspectiva de valores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Se incorporarmos esses valores estruturalmente em nossas escolhas, n\u00e3o precisaremos reabrir o mesmo debate sobre soberania digital a cada cinco anos. Em vez disso, podemos trabalhar em dire\u00e7\u00e3o a solu\u00e7\u00f5es sustent\u00e1veis de longo prazo que permane\u00e7am alinhadas com nossos pr\u00f3prios princ\u00edpios sociais e, portanto, sejam mais dur\u00e1veis ao longo do tempo. Essa, na minha vis\u00e3o, \u00e9 o verdadeiro significado de iniciativas como esta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No atual cen\u00e1rio de transforma\u00e7\u00f5es digitais, a busca por soberania tecnol\u00f3gica e alternativas \u00e0s grandes plataformas centralizadas tem se tornado pauta central para governos, institui\u00e7\u00f5es de ensino e movimentos sociais ao redor do mundo. Com esse esp\u00edrito em mente, o Blog do GEICT abre espa\u00e7o para a entrevista realizada por [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":726,"featured_media":893,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[34,40],"tags":[356,53,352,80,226,354,353,355],"class_list":["post-884","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevista","category-jornalismo-cientifico","tag-autonomia-digital","tag-jornalismo-cientifico","tag-mastodon","tag-plataformas","tag-plataformizacao","tag-redes-sociais-alternativas","tag-soberania-digital","tag-wladimir-mufty"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/884","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-json\/wp\/v2\/users\/726"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=884"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/884\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":899,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/884\/revisions\/899"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-json\/wp\/v2\/media\/893"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=884"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=884"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=884"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}