{"id":982,"date":"2026-04-29T16:17:50","date_gmt":"2026-04-29T19:17:50","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/?p=982"},"modified":"2026-04-29T17:12:50","modified_gmt":"2026-04-29T20:12:50","slug":"pensando-espacos-de-interacao-reflexao-e-co-producao-para-um-futuro-melhor-uma-conversa-com-tais-sonetti-gonzalez","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/2026\/04\/29\/pensando-espacos-de-interacao-reflexao-e-co-producao-para-um-futuro-melhor-uma-conversa-com-tais-sonetti-gonzalez\/","title":{"rendered":"Pensando espa\u00e7os de intera\u00e7\u00e3o, reflex\u00e3o e co-produ\u00e7\u00e3o para um futuro melhor &#8211; uma conversa com Ta\u00eds Sonetti Gonz\u00e1lez"},"content":{"rendered":"\n<pre class=\"wp-block-code\"><code>Por Thais Lassali<\/code><\/pre>\n\n\n\n<p>O GEICT conta com uma nova pesquisadora de p\u00f3s-doutorado! Desde de dezembro de 2025, Ta\u00eds Sonetti Gonz\u00e1lez faz parte do nosso grupo. Ela atuar\u00e1 no projeto \u201cAnalisando a interface entre ci\u00eancia e pol\u00edtica no experimento AmazonFACE\u201d, financiado pela FAPESP no \u00e2mbito do projeto internacional <a href=\"https:\/\/amazonface.unicamp.br\/\">AmazonFACE<\/a>, experimento <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/2024\/11\/22\/governanca-por-meio-de-futuros-especulativos-na-amazonia\/\">que simula os impactos do aumento de CO\u2082 na floresta amaz\u00f4nica<\/a>. A pesquisa de Sonetti-Gonz\u00e1lez tem como principal objetivo compreender como as evid\u00eancias cient\u00edficas s\u00e3o interpretadas, mobilizadas e disputadas em contextos de governan\u00e7a clim\u00e1tica. O Blog do GEICT entrevistou a pesquisadora para saber mais detalhes sobre sua trajet\u00f3ria acad\u00eamica, sobre os conceitos e teorias que motivaram sua carreira e sobre o seu atual projeto de pesquisa.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"722\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/04\/tais-gonzalez-722x1024.jpg\" alt=\"Foto da pesquisadora Tais Sonetti Gonzalez. Fonte: Curr\u00edculo Lattes.\" class=\"wp-image-991\" style=\"width:484px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/04\/tais-gonzalez-722x1024.jpg 722w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/04\/tais-gonzalez-212x300.jpg 212w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/04\/tais-gonzalez-768x1089.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/04\/tais-gonzalez-1083x1536.jpg 1083w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/04\/tais-gonzalez-1444x2048.jpg 1444w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/04\/tais-gonzalez-500x709.jpg 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/04\/tais-gonzalez-800x1134.jpg 800w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/04\/tais-gonzalez-1280x1815.jpg 1280w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/04\/tais-gonzalez-1920x2723.jpg 1920w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/04\/tais-gonzalez-scaled.jpg 1805w\" sizes=\"(max-width: 722px) 100vw, 722px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><sub><sup>Foto da pesquisadora Tais Sonetti Gonzalez. Fonte: Curr\u00edculo Lattes.<\/sup><\/sub><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Uma profissional multidisciplinar<\/h4>\n\n\n\n<p>Sonetti-Gonz\u00e1lez se formou em Comunica\u00e7\u00e3o Social pela Universidade S\u00e3o Judas Tadeu em 2010, tendo trabalhado como jornalista nos anos seguintes, sempre tendo como foco do seu of\u00edcio as quest\u00f5es socioambientais.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>Esse per\u00edodo foi muito importante porque me colocou em contato direto com conflitos socioambientais e com diferentes formas de narrar essas realidades e, ao mesmo tempo, com os limites dessas narrativas, sobretudo em rela\u00e7\u00e3o a quem tem voz e quem permanece invisibilizado.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Concomitante a isso, ela tamb\u00e9m atuou com desenvolvimento comunit\u00e1rio em contextos internacionais junto a organiza\u00e7\u00f5es sem fins lucrativos em pa\u00edses como S\u00e3o Vicente e Granadinas e Mo\u00e7ambique. Essas experi\u00eancias fora do contexto acad\u00eamico foram essenciais para despertar na pesquisadora o interesse em refletir e tentar encontrar diferentes maneiras para se enfrentar problemas sociais, tanto globais como comunit\u00e1rios. A pergunta que intrigava Sonetti Gonz\u00e1lez era a seguinte: de que modo \u00e9 poss\u00edvel influenciar e contribuir para transforma\u00e7\u00f5es sociais a partir de diferentes ferramentas, inclusive atrav\u00e9s da produ\u00e7\u00e3o de conhecimento?<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/04\/Caribe2-1024x768.jpg\" alt=\"Trabalho de educa\u00e7\u00e3o ambiental em escolas prim\u00e1rias no munic\u00edpio de Chatoubeleir, em S\u00e3o Vicente e as Granadinas, fevereiro de 2011. Fonte: acervo da pesquisadora.\" class=\"wp-image-984\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/04\/Caribe2-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/04\/Caribe2-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/04\/Caribe2-768x576.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/04\/Caribe2-500x375.jpg 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/04\/Caribe2-800x600.jpg 800w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/04\/Caribe2.jpg 1117w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><sub><sup>Trabalho de educa\u00e7\u00e3o ambiental em escolas prim\u00e1rias no munic\u00edpio de Chatoubeleir, em S\u00e3o Vicente e as Granadinas, fevereiro de 2011. Fonte: acervo da pesquisadora.<\/sup><\/sub><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Desse modo, a ent\u00e3o jornalista e agente comunit\u00e1ria resolveu se aproximar da pesquisa acad\u00eamica. Assim, em 2013 ela se mudou para a Su\u00e9cia e depois de trabalhar com refugiados por tr\u00eas anos iniciou um mestrado em Ci\u00eancia Pol\u00edtica na Universidade de Estocolmo sob orienta\u00e7\u00e3o de Josef Hien e coorienta\u00e7\u00e3o de Jouni Reinikainen. Dele, resultou a disserta\u00e7\u00e3o \u201cThe Resistances of Indigenous Women &#8211; a decolonial approach to the Case Study of Amazonian women from the Rio Negro\u201d. Sua pesquisa tinha como interesse compreender os modos de resist\u00eancia pol\u00edtica colocados em pr\u00e1tica pelas mulheres ind\u00edgenas da regi\u00e3o do Rio Negro, na Amaz\u00f4nia. Sonetti-Gonz\u00e1lez fez ent\u00e3o um est\u00e1gio no ISA (Instituto Socioambiental) com Adriana Ramos e acompanhou a \u00faltima oficina para a formula\u00e7\u00e3o do PGTA dos Povos Ind\u00edgenas no Alto Rio Negro, junto ao Departamento de Mulheres Ind\u00edgenas do Rio Negro (DMIRN), parte integrante da&nbsp; Federa\u00e7\u00e3o das Organiza\u00e7\u00f5es Ind\u00edgenas do Rio Negro (FOIRN). Para tanto, se apoiou em teorias decoloniais de autores como An\u00edbal Quijano, Gayatri Spivak e Braulina Baniwa, com o objetivo de apreender um olhar sobre as a\u00e7\u00f5es pol\u00edticas daquelas mulheres (e, por consequ\u00eancia, sobre a pr\u00f3pria a pol\u00edtica) que n\u00e3o fosse centrado nos autores, conceitos e teorias euroc\u00eantricos. Assim, a pesquisadora pode desenvolver uma contribui\u00e7\u00e3o para os estudos de movimentos sociais, t\u00e3o centrais para a Ci\u00eancia Pol\u00edtica brasileira, a partir de um olhar que evidenciasse diferentes dimens\u00f5es de resist\u00eancia, escapando \u00e0s leituras mais tradicionais da teoria pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>Isso me permitiu n\u00e3o apenas reinterpretar o conceito de resist\u00eancia, nas pequenas resist\u00eancias di\u00e1rias (Scott, 1985) do ser e performar mulher ind\u00edgenas, mas tamb\u00e9m contribuir para os debates nos estudos de movimentos sociais a partir de outras ontologias e experi\u00eancias. Nesse percurso, comecei tamb\u00e9m a aprofundar uma reflex\u00e3o cr\u00edtica sobre os fundamentos onto-epistemol\u00f3gicos da pesquisa, especialmente aqueles ancorados em tradi\u00e7\u00f5es europeias. Mais do que uma rejei\u00e7\u00e3o, tratou-se de um esfor\u00e7o de deslocamento e rearticula\u00e7\u00e3o, buscando contribuir para o di\u00e1logo e tensionar suas bases, abrindo fissuras nas formas hegem\u00f4nicas de produ\u00e7\u00e3o de conhecimento.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1022\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/04\/Flona-Tapajos-1022x1024.jpg\" alt=\"Foto da pesquisadora em campo na Floresta Nacional do Tapaj\u00f3s. Trabalho de campo incluiu acompanhar e viver com lideran\u00e7as mulheres da regi\u00e3o de Santar\u00e9m, Belterra, e Moju\u00ed dos Campos, em 2020. Fonte: acervo da pesquisadora.\" class=\"wp-image-985\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/04\/Flona-Tapajos-1022x1024.jpg 1022w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/04\/Flona-Tapajos-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/04\/Flona-Tapajos-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/04\/Flona-Tapajos-768x769.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/04\/Flona-Tapajos-500x501.jpg 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/04\/Flona-Tapajos-800x801.jpg 800w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/04\/Flona-Tapajos.jpg 1068w\" sizes=\"(max-width: 1022px) 100vw, 1022px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><sub><sup>Foto da pesquisadora em campo na Floresta Nacional do Tapaj\u00f3s. Trabalho de campo incluiu acompanhar e viver com lideran\u00e7as mulheres da regi\u00e3o de Santar\u00e9m, Belterra, e Moju\u00ed dos Campos, em 2020. Fonte: acervo da pesquisadora.<\/sup><\/sub><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>O segundo mestrado de Sonetti Gonz\u00e1lez, por sua vez, foi em Resili\u00eancia Socioecol\u00f3gica para o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel, no Stockholm Resilience Centre (SRC), tamb\u00e9m parte da Universidade de Estocolmo. Durante esse mestrado a pesquisadora tamb\u00e9m realizou um est\u00e1gio em Mo\u00e7ambique no projeto FoRel (Forum theatre to enhance joint agency) baseado no SRC que utilizou teatro comunit\u00e1rio (teatro-f\u00f3rum) para fortalecer a capacidade de a\u00e7\u00e3o de comunidades costeiras no Qu\u00eania e Mo\u00e7ambique contra os impactos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Sua disserta\u00e7\u00e3o, &#8220;Understanding women&#8217;s stewardship in the Amazon A decolonial-process-relational perspective\u201d, entretanto, focou-se na regi\u00e3o de Santar\u00e9m, Belterra e Moju\u00ed dos Campos no Par\u00e1, com trabalhadoras rurais, dentro do contexto do projeto internacional AGENTS, liderado pelo professor Eduardo Brond\u00edzio e teve como orientadora a professora Maria Teng\u00f6, do SRC.  A pesquisa teve como foco investigar pr\u00e1ticas sustent\u00e1veis desenvolvidas por atores locais na Amaz\u00f4nia, com foco no papel das mulheres. A partir de uma perspectiva decolonial, processual-relacional e feminista, ancorada em leituras latino-americanas, a pesquisadora buscou, com seu trabalho, n\u00e3o apenas aplicar, mas tensionar e reinterpretar criticamente os marcos te\u00f3ricos dominantes na literatura de sistemas socioecol\u00f3gicos e sustentabilidade.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>Esse movimento contribuiu para deslocar o olhar para experi\u00eancias situadas e para formas de conhecimento historicamente marginalizadas, a partir de uma pr\u00e1tica de pesquisa que se aproxima de uma pr\u00e1xis latino-americana, feminista e orientada pelo sentipensar (Fals-Borda, 1987). Com isso, procurei evidenciar tanto o potencial quanto os limites dessas pr\u00e1ticas, sobretudo na sua capacidade de articular conserva\u00e7\u00e3o ambiental e desenvolvimento local, ao mesmo tempo em que questionava as bases epistemol\u00f3gicas que sustentam essas categorias.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Essas primeiras experi\u00eancias de mestrado t\u00eam em comum, al\u00e9m do aparato te\u00f3rico decolonial e feminista, o fato de lidarem com olhares transdisciplinares, preocupados em problematizar as fronteiras comumente estabelecidas tanto entre as \u00e1reas do conhecimento e suas teorias, quanto entre os pesquisadores e os participantes de suas pesquisas. Dessa maneira, Sonetti-Gonz\u00e1lez realizou entre 2021 e 2025 seu doutorado em Gest\u00e3o Ambiental na Universidade Livre de Bruxelas como bolsista do Swedish Research Council for Sustainable Development. Ela defendeu a tese \u201cTransformations for Communal Sustainability ~ A pluriversal thinking\u201d, que se concentra na quest\u00e3o da justi\u00e7a epist\u00eamica em processos participativos de coprodu\u00e7\u00e3o de conhecimento. Fundamentada em perspectivas feministas decoloniais e processuais-relacionais, essa pesquisa buscou explorar como apoiar, de forma \u00e9tica, dial\u00f3gica e decolonial, a participa\u00e7\u00e3o de Povos Ind\u00edgenas e Comunidades Tradicionais no Cerrado brasileiro, integrando suas cosmovis\u00f5es a processos transdisciplinares e multissetoriais voltados \u00e0 sustentabilidade. O resultado da sua pesquisa de doutorado materializou-se na integra\u00e7\u00e3o de uma a\u00e7\u00e3o co-criada por esses povos no Plano de A\u00e7\u00f5es elaborado pelos participantes do projeto <a href=\"https:\/\/www.xpathsfutures.org\/\">XPaths<\/a>, do qual a pesquisadora fez parte. Ademais, esse Plano foi apresentado a diversas secretarias do governo federal e tem servido como base para a formula\u00e7\u00e3o do plano decenal do Comit\u00ea da Bacia Hidrogr\u00e1fica do Rio S\u00e3o Francisco (CBHSF).<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>Eu me debrucei sobre os desafios metodol\u00f3gicos e \u00e9ticos do \u201ccomo fazer o como\u201d em contextos participativos, isto \u00e9, como avan\u00e7ar de pr\u00e1ticas participativas para processos efetivamente colaborativos, orientados por princ\u00edpios de pesquisa-a\u00e7\u00e3o e compromisso \u00e9tico. Esse percurso levou-me a desenvolver uma reflex\u00e3o cr\u00edtica sobre a pr\u00f3pria pr\u00e1xis da pesquisa e sobre o meu papel enquanto mediadora de conhecimentos e facilitadora de processos colaborativos.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/04\/Barreiras5-1024x768.jpg\" alt=\"Oficina realizada no per\u00edodo do doutorado de Tais Sonetti Gonz\u00e1lez na cidade de Barreiras (BA) no ano de 2022. Fonte: acervo da pesquisadora.\" class=\"wp-image-986\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/04\/Barreiras5-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/04\/Barreiras5-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/04\/Barreiras5-768x576.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/04\/Barreiras5-1536x1152.jpg 1536w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/04\/Barreiras5-2048x1536.jpg 2048w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/04\/Barreiras5-500x375.jpg 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/04\/Barreiras5-800x600.jpg 800w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/04\/Barreiras5-1280x960.jpg 1280w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/04\/Barreiras5-1920x1440.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><sub><sup>Oficina realizada no per\u00edodo do doutorado de Tais Sonetti Gonz\u00e1lez na cidade de Barreiras (BA) no ano de 2022. Fonte: acervo da pesquisadora.<\/sup><\/sub><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Pensando pol\u00edtica, ci\u00eancia e poder na teoria e na pr\u00e1tica<\/h4>\n\n\n\n<p>Como a pesquisadora contou ao Blog do GEICT, suas reflex\u00f5es te\u00f3ricas sempre estiveram acompanhadas das tens\u00f5es entre as in\u00fameras assimetrias de poder que atravessam a constru\u00e7\u00e3o do conhecimento acad\u00eamico e da pr\u00f3pria posicionalidade da pesquisadora (uma mulher branca do Sudeste brasileiro, realizando pesquisa a partir do Norte Global e se situando em espa\u00e7os institucionais europeus dos quais era identificada como latina) em rela\u00e7\u00e3o aos sujeitos que participaram de suas pesquisas. Para Sonetti-Gonz\u00e1lez, tais tens\u00f5es acabaram se tornando parte constitutiva das an\u00e1lises que realizou, permitindo a ela realizar leituras situadas das din\u00e2micas de participa\u00e7\u00e3o dos atores pol\u00edticos e institucionais na pol\u00edtica local, bem como da coprodu\u00e7\u00e3o de conhecimento entre tais atores em diferentes contextos, seja entre mulheres ind\u00edgenas amaz\u00f4nidas, seja entre popula\u00e7\u00f5es tradicionais do Cerrado brasileiro. Colocando em outros termos, a grande preocupa\u00e7\u00e3o da pesquisadora no decorrer de sua trajet\u00f3ria foi a justi\u00e7a onto-epist\u00eamica, ou seja, a compreens\u00e3o sobre quais conhecimentos s\u00e3o reconhecidos, quais s\u00e3o marginalizados, e sob quais condi\u00e7\u00f5es seria poss\u00edvel construir processos mais plurais, inclusivos e transformadores para orientar pol\u00edticas p\u00fablicas mais assertivas.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi justamente articulando essa preocupa\u00e7\u00e3o com uma vis\u00e3o pr\u00e1tica sobre as tomadas de decis\u00e3o e a formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas com um refino te\u00f3rico voltado para constru\u00e7\u00e3o multisituada do conhecimento que a pesquisadora chegou ao GEICT, para realizar o projeto \u201cAnalisando a interface entre ci\u00eancia e pol\u00edtica no experimento AmazonFACE\u201d. Dessa vez, o objeto da an\u00e1lise de Sonetti-Gonz\u00e1lez ser\u00e1 a interface entre ci\u00eancia e pol\u00edtica a partir do experimento multidisciplinar AmazonFACE, que est\u00e1 sendo realizado na Amaz\u00f4nia Brasileira por meio simula\u00e7\u00e3o de condi\u00e7\u00f5es atmosf\u00e9ricas com altas concentra\u00e7\u00f5es de di\u00f3xido de carbono (CO\u2082). A \u00e1rea socioambiental do projeto, que se preocupa com compreender como as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas podem afetar n\u00e3o apenas a floresta, mas tamb\u00e9m as pessoas que dela dependem de maneira mais imediata, \u00e9 coordenada por Ma\u00edra Padgurschi e por Marko Monteiro, l\u00edder do GEICT.<\/p>\n\n\n\n<p>No contexto do AmazonFACE, o foco de Sonetti-Gonz\u00e1lez ser\u00e1 compreender como o conhecimento cient\u00edfico \u00e9 produzido, legitimado e mobilizado em processos de governan\u00e7a clim\u00e1tica, e quais s\u00e3o as implica\u00e7\u00f5es disso para a constru\u00e7\u00e3o de futuros mais justos e sustent\u00e1veis exatamente para as popula\u00e7\u00f5es que s\u00e3o as primeiras a serem atingidas pelo colapso clim\u00e1tico. Para isso, o ponto de partida da pesquisadora ser\u00e1 uma abordagem ancorada na ideia de justi\u00e7a onto-epist\u00eamica, entendendo que diferentes formas de conhecer e interpretar o mundo, apesar de coexistirem, influenciam de maneira desigual os processos de tomada de decis\u00e3o e a constru\u00e7\u00e3o de futuros, ainda mais em um contexto de acelera\u00e7\u00e3o das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Para tanto, Sonetti-Gonz\u00e1lez utilizar\u00e1 uma abordagem te\u00f3rica-metodol\u00f3gica denominada Base de Evid\u00eancias M\u00faltiplas (originalmente Multiple Evidence Base, MEB). Tal abordagem, desenvolvida pelos pesquisadores com os quais a pesquisadora trabalhou em seu mestrado , tem como o objetivo orientar processos inclusivos de colabora\u00e7\u00e3o entre diferentes sistemas de conhecimento, tendo como cerne a equidade e a utilidade dessa colabora\u00e7\u00e3o para todos os atores envolvidos. A MEB enfatiza que os sistemas de conhecimento ind\u00edgena, local e cient\u00edfico s\u00e3o complementares, igualmente v\u00e1lidos e \u00fateis para fundamentar a governan\u00e7a sustent\u00e1vel da biodiversidade e dos ecossistemas.<\/p>\n\n\n\n<p>Desse modo, como contou Sonetti-Gonz\u00e1lez ao Blog do GEICT, a pesquisa que ela realizar\u00e1 nos pr\u00f3ximos anos, inspirada pela MEB,<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>busca avan\u00e7ar em sua operacionaliza\u00e7\u00e3o emp\u00edrica, concebendo a coprodu\u00e7\u00e3o como um processo relacional e iterativo, estruturado em momentos de mobiliza\u00e7\u00e3o, tradu\u00e7\u00e3o, negocia\u00e7\u00e3o e s\u00edntese entre diferentes atores e formas de conhecimento. (&#8230;) [Compreendendo] a pesquisa como uma pr\u00e1tica relacional, na qual as fronteiras entre sujeito e objeto n\u00e3o s\u00e3o dadas a priori, mas co-constitu\u00eddas ao longo do processo investigativo.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Para tanto, a pesquisadora se ir\u00e1 realizar, primeiramente, uma revis\u00e3o bibliogr\u00e1fica acompanhada de uma an\u00e1lise documental das pol\u00edticas p\u00fablicas brasileiras relacionadas \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, com foco, claro, na Amaz\u00f4nia. Esse momento da pesquisa ter\u00e1 como objetivo compreender como problemas, solu\u00e7\u00f5es e evid\u00eancias s\u00e3o constru\u00eddos discursivamente nas pr\u00e1ticas das pol\u00edticas p\u00fablicas. Em seguida, Sonetti-Gonz\u00e1lez far\u00e1 uma investiga\u00e7\u00e3o emp\u00edrica e colaborativa, combinando entrevistas com cientistas, formuladores de pol\u00edticas e outros atores relevantes com a observa\u00e7\u00e3o participante em espa\u00e7os de intera\u00e7\u00e3o entre cientistas, pol\u00edticos e a popula\u00e7\u00e3o das localidades onde est\u00e3o sendo realizados os experimentos do AmazonFACE. Conforme nos explicou a pesquisadora, \u201ca pesquisa \u00e9 organizada em um processo de engajamento em etapas, articulando diferentes escalas e territ\u00f3rios\u201d.&nbsp;Uma das etapas desse processo foi o Workshop de Engajamento \u201cCi\u00eancia e Pol\u00edtica em Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas \u2013 o caso do Programa AmazonFACE\u201d que ocorreu em Bras\u00edlia em abril de 2025 e <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/2025\/08\/15\/amazonface-quando-a-ciencia-encontra-a-politica-em-brasilia\/\">contou com a cobertura do Blog do GEICT<\/a>. Um outro momento desse engajamento acontecer\u00e1 em junho de 2026 em Manaus (AM) e ter\u00e1 como objetivo o aprofundamento territorial com atores locais e regionais, com produ\u00e7\u00e3o conjunta de an\u00e1lises e materiais visuais, e culminar\u00e1 em uma terceira oficina, com previs\u00e3o para ser realizada em maio de 2027, na qual a pesquisadora espera consolidar redes institucionais com os atores locais e possibilitar a tradu\u00e7\u00e3o dos aprendizados em recomenda\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas para pol\u00edticas p\u00fablicas a partir dos resultados de um experimento de t\u00e3o larga escala como AmazonFACE.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/04\/Processo-1024x683.jpg\" alt=\"Linha do tempo das atividades e processos de engajamento na operacionaliza\u00e7\u00e3o emp\u00edrica da pesquisa. Fonte: acervo da pesquisadora.\n\" class=\"wp-image-987\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/04\/Processo-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/04\/Processo-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/04\/Processo-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/04\/Processo-500x333.jpg 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/04\/Processo-800x533.jpg 800w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/04\/Processo-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/04\/Processo-360x240.jpg 360w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/04\/Processo-272x182.jpg 272w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/04\/Processo.jpg 1536w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><sub><sup>Linha do tempo das atividades e processos de engajamento na operacionaliza\u00e7\u00e3o emp\u00edrica da pesquisa. Fonte: acervo da pesquisadora.<br><\/sup><\/sub><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Pensando espa\u00e7os de intera\u00e7\u00e3o, reflex\u00e3o e co-produ\u00e7\u00e3o<\/h4>\n\n\n\n<p>Essa organiza\u00e7\u00e3o orientada em etapas de engajamento a partir de oficinas e <em>workshops <\/em>tem como metodologia central a abordagem dos Tr\u00eas Horizontes integrada a dos Diagramas de La\u00e7os Causais (3H-CLD) (Aguiar et al., 2025). Tal metodologia une outras duas. A primeira \u00e9 a abordagem dos Tr\u00eas Horizontes (3H), que se popularizou nos espa\u00e7os que discutem sustentabilidade no decorrer dos anos 2010 por ser uma ferramenta que permite orientar o pensamento coletivo sobre caminhos para o futuro. Ela parte da ideia de se debater um primeiro horizonte em comum a ser modificado por meio de processos transit\u00f3rios (segundo horizonte) com a finalidade de alcan\u00e7ar um futuro alternativo melhor (terceiro horizonte). Exatamente por isso tal metodologia \u00e9 \u00fatil para ser utilizada em espa\u00e7os como as oficinas, por que cada um desses tr\u00eas horizontes \u00e9 discutido coletivamente no sentido de se debater poss\u00edveis atitudes, atores e a\u00e7\u00f5es a serem realizadas para agir e modificar a realidade social.<\/p>\n\n\n\n<p>A segunda metodologia, a dos Diagramas de La\u00e7os Causais (CLD, em ingl\u00eas), diz respeito \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de conceitualiza\u00e7\u00f5es e mapas de sistemas para descrever situa\u00e7\u00f5es de alta complexidade, apontando as principais vari\u00e1veis \u200b\u200be interconex\u00f5es em jogo, criando la\u00e7os causais entre elas. Esse tipo de constru\u00e7\u00e3o visual modelos permitem tornar mais vis\u00edveis como as mudan\u00e7as (como aquelas propostas na teoria dos Tr\u00eas Horizontes) em uma \u00e1rea podem afetar m\u00faltiplos atores e m\u00faltiplas situa\u00e7\u00f5es. A partir da cria\u00e7\u00e3o coletiva de diagramas, espera-se facilitar a comunica\u00e7\u00e3o, a colabora\u00e7\u00e3o coletiva e a constru\u00e7\u00e3o de consensos.<\/p>\n\n\n\n<p>A combina\u00e7\u00e3o dessas duas metodologias em uma s\u00f3 em sua pesquisa de p\u00f3s-doutorado permite a&nbsp; Sonetti-Gonz\u00e1lez, segundo a pr\u00f3pria, a<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>co-construir, com os participantes, vis\u00f5es de futuro, identificar desafios (ou problemas) sist\u00eamicos e explorar caminhos de transforma\u00e7\u00e3o. No contexto da minha pesquisa, a oficina n\u00e3o \u00e9 apenas uma t\u00e9cnica de coleta de dados, mas um espa\u00e7o de intera\u00e7\u00e3o, reflex\u00e3o e coprodu\u00e7\u00e3o entre diferentes atores, cientistas, formuladores de pol\u00edticas e, progressivamente, atores dos territ\u00f3rios.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Conforme explicou ao Blog a pesquisadora, durante as oficinas, por meio de tais metodologias, os participantes s\u00e3o convidados a refletir sobre diferentes temporalidades, o presente, as tend\u00eancias emergentes e os futuros desejados, e a mapear coletivamente as rela\u00e7\u00f5es causais, os desafios estruturais e os pontos de alavancagem para a a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"615\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/04\/Art-based-research-1024x615.jpg\" alt=\"Processo da oficina do 3H-CLD com \u00eanfase nos resultados de cada etapa. Fonte: Aguiar et al., 2025.\" class=\"wp-image-988\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/04\/Art-based-research-1024x615.jpg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/04\/Art-based-research-300x180.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/04\/Art-based-research-768x461.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/04\/Art-based-research-1536x923.jpg 1536w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/04\/Art-based-research-500x300.jpg 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/04\/Art-based-research-800x481.jpg 800w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/04\/Art-based-research-1280x769.jpg 1280w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/04\/Art-based-research.jpg 1761w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><sub><sup>Processo da oficina do 3H-CLD com \u00eanfase nos resultados de cada etapa. Fonte: Aguiar et al., 2025.<\/sup><\/sub><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>J\u00e1 do ponto de vista do AmazonFACE, projeto de pesquisa no qual Sonetti-Gonz\u00e1lez est\u00e1 alocada, os processos de di\u00e1logo com diversos atores por meio de oficinas t\u00eam o papel estrat\u00e9gico de fortalecer a interface entre ci\u00eancia, pol\u00edtica e sociedade desde as fases iniciais do experimento. Ao criar espa\u00e7os estruturados de di\u00e1logo e coprodu\u00e7\u00e3o, o projeto e a pesquisa da integrante do GEICT podem contribuir para tornar a ci\u00eancia mais acion\u00e1vel pelos sujeitos que participam ou s\u00e3o interpelados por ela, tornando-a tamb\u00e9m mais socialmente relevante.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>Trata-se, sobretudo, de fomentar espa\u00e7os de escuta ativa e sens\u00edvel, nos quais diferentes ci\u00eancias e formas de conhecer se encontram, se tensionam e se transformam mutuamente. \u00c9 nesse emaranhado que se abrem possibilidades n\u00e3o apenas de compreender o presente, mas tamb\u00e9m de ousar imaginar e cultivar futuros outros, que sejam n\u00e3o apenas tecnicamente vi\u00e1veis, mas tamb\u00e9m socialmente justos, eticamente sustent\u00e1veis e enraizados nas m\u00faltiplas formas de habitar e significar o mundo.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p><mark class=\"has-inline-color has-accent-color\"><strong>\u2192 A pesquisadora Tais Sonetti Gonz\u00e1lez ir\u00e1 oferecer um curso sobre 3H-CLD no dia 15 de maio, no Instituto de Geoci\u00eancias da Unicamp.<\/strong> <strong>As inscri\u00e7\u00f5es j\u00e1 est\u00e3o abertas (para a lista de espera) e podem ser realizadas <a href=\"https:\/\/docs.google.com\/forms\/d\/e\/1FAIpQLSfnPEGU2X6kJHBL4pdNAg-BosaqM5Oco9PnaIErVIGYhKLVjQ\/viewform\">clicando aqui<\/a>.<\/strong><\/mark><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group is-vertical is-layout-flex wp-container-core-group-is-layout-fe9cc265 wp-block-group-is-layout-flex\">\n<p>Aguiar, A. P. D., Collste, D., Cort\u00e9s-Calder\u00f3n, S., Sonetti-Gonz\u00e1lez, T., Alves-Martins, M., Castro, A. J., Diallo, A., Eriksson, K. M., Goffner, D., Harm\u00e1\u010dkov\u00e1, Z. V., Jim\u00e9nez-Aceituno, A., L\u00f3pez-Rodr\u00edguez, M. D., Mancilla-Garc\u00eda, M., Olofsson, V., Marin, A. M. P., Silva-Bezerra, F. G., Sinare, H., &amp; Stragier, C. (2025). Unraveling deep roots in drylands: A systems thinking participatory approach to SDGs. <em>Global Sustainability<\/em>, <em>8<\/em>, e13.<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1017\/sus.2025.6\"> https:\/\/doi.org\/10.1017\/sus.2025.6<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Fals-Borda, O. (1987). The Application of Participatory Action-Research in Latin America. <em>International Sociology<\/em>, <em>2<\/em>(4), 329\u2013347.<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1177\/026858098700200401\"> https:\/\/doi.org\/10.1177\/026858098700200401<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Escobar, A. (2018). <em>Designs for the pluriverse: Radical interdependence, autonomy, and the making of worlds<\/em>. Duke University Press.<\/p>\n\n\n\n<p>Escobar, A. (2020). <em>Pluriversal Politics: The Real and the Possible<\/em>. Duke University Press.<\/p>\n\n\n\n<p>Jasanoff, S. (2004). <em>States of Knowledge: The Co-Production of Science and the Social Order<\/em>. Routledge.<\/p>\n\n\n\n<p>Scott, J. C. (1985). <em>Weapons of the Weak: Everyday Forms of Peasant Resistance<\/em> (Reprint edition). Yale University Press.<\/p>\n\n\n\n<p>Sonetti-Gonz\u00e1lez, T., Mancilla Garc\u00eda, M., Teng\u00f6, M., Tourne, D. C. M., De Castro, F., &amp; Futemma, C. R. T. (2023). Foregrounding Amazonian women through decolonial and process-relational perspectives for transdisciplinary transformation. <em>Ecosystems and People<\/em>, <em>19<\/em>(1), 2260503.<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1080\/26395916.2023.2260503\"> https:\/\/doi.org\/10.1080\/26395916.2023.2260503<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Sonetti-Gonz\u00e1lez, T. (2025). <em>Transformations for Communal Sustainability ~ A Pluriversal Thinking<\/em> [Ph.D., Universit\u00e9 Libre de Bruxelles].<a href=\"https:\/\/difusion.ulb.ac.be\/vufind\/Record\/ULB-DIPOT:oai:dipot.ulb.ac.be:2013\/389856\/Holdings\"> https:\/\/difusion.ulb.ac.be\/vufind\/Record\/ULB-DIPOT:oai:dipot.ulb.ac.be:2013\/389856\/Holdings<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Sonetti-Gonz\u00e1lez, T., de Aguiar, A. P. D., de Henn, F., Ferreira da Silva, L. F. C., da Silva, D. C., Mancilla Garc\u00eda, M., &amp; Bastos Lima, M. G. (2025). Communal sustainable development goals, belonging and involvement: Engaging with the SDGs. <em>People and Nature<\/em>, <em>8<\/em>(2), 445\u2013460.<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1002\/pan3.70225\"> https:\/\/doi.org\/10.1002\/pan3.70225<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Sonetti Gonz\u00e1lez, T., Marini, M., Monteiro, M., &amp; Ferreira Guimar\u00e3es, M. C. (2026). <em>Sum\u00e1rio Executivo\u2014Oficina de Engajamento AmazonFACE<\/em>. Zenodo.<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.5281\/zenodo.18339953\"> https:\/\/doi.org\/10.5281\/zenodo.18339953<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Spivak, G. C. (1990). The post-colonial critic: Interviews, strategies, dialogues. New<\/p>\n\n\n\n<p>York: Routledge.<\/p>\n\n\n\n<p>Teng\u00f6, M., Brondizio, E. S., Elmqvist, T., Malmer, P., &amp; Spierenburg, M. (2014). Connecting Diverse Knowledge Systems for Enhanced Ecosystem Governance: The Multiple Evidence Base Approach. <em>AMBIO<\/em>, <em>43<\/em>(5), 579\u2013591.<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1007\/s13280-014-0501-3\"> https:\/\/doi.org\/10.1007\/s13280-014-0501-3<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Teng\u00f6, M., Hill, R., Malmer, P., Raymond, C. M., Spierenburg, M., Danielsen, F., Elmqvist, T., &amp; Folke, C. (2017). Weaving knowledge systems in IPBES, CBD and beyond\u2014Lessons learned for sustainability. <em>Current Opinion in Environmental Sustainability<\/em>, <em>26\u201327<\/em>, 17\u201325.<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1016\/j.cosust.2016.12.005\"> https:\/\/doi.org\/10.1016\/j.cosust.2016.12.005<\/a><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O GEICT conta com uma nova pesquisadora de p\u00f3s-doutorado! Desde de dezembro de 2025, Ta\u00eds Sonetti Gonz\u00e1lez faz parte do nosso grupo. Ela atuar\u00e1 no projeto \u201cAnalisando a interface entre ci\u00eancia e pol\u00edtica no experimento AmazonFACE\u201d, financiado pela FAPESP no \u00e2mbito do projeto internacional AmazonFACE, experimento que simula os impactos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":726,"featured_media":985,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[17,34,18],"tags":[55,405,402,278,344,404,399,401,406,403,103],"class_list":["post-982","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-academico","category-entrevista","category-geict","tag-amazonface","tag-ciencia-politica","tag-decolonialidade","tag-feminismo","tag-interface-ciencia-e-politica","tag-movimentos-sociais","tag-pesquisa-de-pos-doutorado","tag-producao-coletiva-de-conhecimento","tag-resistencia","tag-resistencia-indigena","tag-sustentabilidade"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-content\/uploads\/sites\/296\/2026\/04\/Flona-Tapajos.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/982","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-json\/wp\/v2\/users\/726"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=982"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/982\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":997,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/982\/revisions\/997"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-json\/wp\/v2\/media\/985"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=982"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=982"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geict\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=982"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}