Introdução à geoquímica do arsênio

Por Renato W. Veloso
O arsênio é constituinte de mais de 200 minerais e sua origem geoquímica está ligada a fases sulfetadas. É considerado pela Agência de proteção ambiental americana como o mais tóxico elemento do planeta. A maior ocorrência desses minerais estão associadas a áreas de mineração e apresentam teores variados de As (Arsênio), Pb (chumbo), Ag (prata), Au (ouro), Sb (Antimônio), P (fósforo), W (tungstênio) e Mo (molibidênio). De modo geral, as rochas apresentam teores variados de As. As concentrações em rochas ígneas dependem da origem do magma, com teores médios entre 1,5 e 5,9 mg/kg. As rochas metamórficas apresentam concentrações que refletem suas precursoras ígneas e sedimentares, com teores inferiores a 5 mg/kg. As sedimentares têm valores superiores à média da crosta terrestre pois podem funcionar como verdadeiros “filtros” das soluções geradas pelo intemperismo da crosta superficial. A tendência de concentração nas rochas sedimentares depende da proporão de sulfetos, óxidos, matéria orgânica e argilominerais presentes nos sedimentos.
Nos solos, o tempo de retenção do As é função de características do solo, tais como pH, Eh e teores de matéria orgânica e de óxidos de Al e Fe. Além disso, as condições hidrológicas e climáticas também interferem de maneira significativa nas interações do As com o solo. Entre os efeitos antrópicos, pode-se citar fontes geradoras como descarte de lixo, cinzas da queima de carvão mineral, atividades de mineração (principalmente de carvão mineral e ouro), agrícolas e industriais.
O aumento da exposição ao As já afetou saúde de milhares de pessoas, principalmente em países subdesenvolvidos devido à falta de infra-estrutura de saneamento básico. O maior envenenamento por As da história humana foi registrado em Bangladesh, com números estimados em 35 milhões de pessoas contaminadas, e em Bengala Ocidental, onde 6 milhões de pessoas estão sob risco.
O arsênio é encontrado em formas inorgânicas e orgânicas, sendo que a capacidade de participar de inúmeras ligações químicas torna seu comportamento ambiental especialmente complexo, com reflexos na sua mobilidade, biodisponibilidade e toxidez. A metilação do As inorgânico, por exemplo, constitui importante mecanismo de redução de sua toxidez.
Em razão da complexidade geoquímica do As, apenas a determinação do teor total não é suficiente para descrever seu comportamento no meio ambiente. Há necessidade do uso de técnicas de especiação do As para avaliar convenientemente aspectos relacionados à toxicidade e biodisponibilidade desse metalóide no ambiente.

Discussão - 6 comentários

  1. olha o “b…” (risos!), post bacana!

  2. Daniel disse:

    Caros organizadores.
    Achei muito interessante o blog de voces. Sou engenheiro ambiental e faço pós em geologia (geoquimica especificamente)
    Acabei de criar um blog Portal Brasil Ambiental e acho que temos muito em comum em nossos blogs.
    Coloquei o site ai. Da uma conferida e se puder uma resposta.
    Valeu

  3. Daniel disse:

    Legal Carlos! Coloquei um link de voces aqui também.
    Abraços.

  4. Raffael disse:

    Muito bom essa introdução sobre este assunto pouco conhecido pelos jovens
    parabens e obrigado pela informação
    tchau..

  5. tiago gonçalves disse:

    so uma pergunta. alguem sabe se os beatles fizeram alguma cena em que as receitas irias reverter a favor da eliminação dearsénio da agua nos paises sub-desenvlvidos?
    muito bom trabalho ai em ci,a

  6. Muito Bom, ajudou para meu trabalho !

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