Setembro- o mês do Protocolo de Montreal

Neste mês de setembro está sendo comemorado o 21ο aniversário da assinatura do Protocolo de Montreal sobre substâncias que reduzem a camada de ozônio , considerado um dos maiores avanços em benefício ao bem estar do nosso planeta.  Na conveção de Montreal ficou estabelecido a redução da produção e do uso de gases que danificam a camada de ozônio. Anos antes da Segunda Guerra Mundial foi descoberto um composto, os clorofluorcarbonetos-CFCs, gás até então considerado inerte, que revolucionaria a indústria de refrigeradores, tornando possível o armazenamento de alimentos e, principalmente, remédios a baixas temperaturas.

O ápice da utilização dos CFCs foi na década de 70, onde eles foram empregados exaustivamente na fabricação dos novos modelos de refrigeradores da época. Porém, na década de 80, mais precisamente no ano de 1985, descobriu-se que este gás estava causando passívo ambiental sem precedentes, que era a depleção da camada de ozônio- principal responsável pela retenção dos raios ultravioletas emitidos pelo sol. Estima-se que em torno de 99% da radiação emitida pelo sol seja retido pela camada de ozônio. Sem ela, provalmente, não seria possível a vida na Terra.
Ao atingir a estratosfera (segunda camada da atmosfera), o cloro, um dos principais constituinte dos CFCs, reage prontamente com o ozônio (O3) destruindo sua molécula, provocando a depleção da camada protetora. Como consequência da emissão continuada dos CFCs observou-se o surgimento de um buraco na referida camada que se ampliava a cada ano, sendo que este evento é mais catastrófico nos polos onde a espessura da camada é menor.
A partir desta constatação, na conferência da Organização das Nações Unidas-ONU do dia 16 de setembro de 1987, na cidade de Montreal, Canadá, foi assinado o Protocolo de Montreal proibindo o uso dos CFCs pelas indústrias, com exceção dos equipamentos utilizados para uso exclusivo em hospitais. De acordo com as estimativas realizadas por especialistas, se for seguido a risca os termos assinados no protocolo, em 2050 haverá o completo restabelecimento da camada de ozônio. Porém, o legado deixado pelo incomensurável uso dos CFCs pode perdurar por mais tempo, haja visto que ainda existem emissões, embora pequenas, desses gases e, por se tratar de um gas inerte na superfície, eles têm tempo de vida útil bastante longo. Alguns podem chegar a 150 anos.
Embora seja um fenômeno que ocorre na atmosfera, não se pode confundir a depleção na camada de ozônio com o aquecimento global. Não obstante, hoje já se admite que alguns gases partipam de ambos os fenômenos, tais como os hidroclorofluorcarbonetos (HCFCs) e hidrofluorcarbonetos (HFCs). Considerando a relação molar de 1:1, estes compostos são até 10.000 vezes mais potentes como gases de efeito estufa que o CO2. Diante disso, tem se proposto o cancelamento gradual da utilização dos HCFCs até o ano de 2030. Entretanto não há nenhuma restrição quanto ao uso dos HFCs.
O Protocolo de Montreal figura-se entre os vários bons exemplos do porquê o Protocolo de Kyoto deveria ser ratificado!
Juscimar Silva

Discussão - 2 comentários

  1. Juscimar, meu caro.
    Bom ver seus posts, parabéns.
    abraços

  2. Paula disse:

    Ué!
    Mas o protocolo de Kyoto foi ratificado…
    Sem dúvida nenhuma o protocolo de Montreal abriu várias possibilidades em negociações ambientais. O protocolo de Kyoto é apenas uma delas.
    Parabéns aos países signatários do protocolo de Montreal.

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