O que há por trás de tudo isso?

As questões ambientais no âmbito político e diplomático têm ficado cada vez mais obscuras. As últimas notícias têm sido veiculadas com evidentes contradições, poucas explicações e resultados práticos ainda não vistos. É muito oba oba e poucas ações efetivas.
Nas duas últimas semanas a décima quarta Conferência das Partes (COP – 14) foi conduzida de forma, diria eu, irresponsável pelos representantes de cerca de 150 países. Como já dito em outro post, os resultados obtidos foram ínfimos, longe de um novo acordo contra as mudanças climáticas globais. A crise econômica restringiu acordos e individualizou as ações (pelo menos essa foi a desculpa do momento).
A conferência rumou ao fracasso durante quase todo seu curso, no entanto, aos 45 do segundo tempo, a União Européia, que havia esvaziado algumas reuniões, apresentou um plano de redução de 20% das suas emissões de gases do efeito estufa até 2020. Essa decisão é bem aquém do que, antes da crise, vinha sendo veiculado pelos órgãos de imprensa que seria uma meta de redução das emissões em 50%. Além disso, não representa uma união de esforços de nações contra o aquecimento global, mas sim, ações isoladas e, ao meu ver, oportunistas de um grande bloco econômico. Afinal, qual a outra conclusão que eu poderia tomar após esse mesmo bloco ter dificultado sobremaneira os resultados de Poznan?
Hoje, ao abrir os noticiários, vejo que também a Austrália adotou uma medida isolada. Pretende reduzir suas emissões em 15%, também até 2020. Coincidência ou não o prazo é o mesmo dos bloco europeu e a taxa de redução bem menor do que as anteriormente veiculadas. E mais uma vez, outra ação isolada.
Quanto ao governo americano do presidente Bush, é melhor nem comentar. Já o futuro governo de Obama vem falando muito, mas nesse e em outros casos, prefiro agir como São Tomé, é ver para crer. Será que as metas de redução das emissões em 50% continuarão em pauta após os resultados intensos da crise econômica? Honestamente não acredito.
O Brasil também não foge à regra. Após receber elogios de Al Gore, de ser considerado como uma “economia verde” por Ban Ki-Moon (esse realmente não conhece a realidade do país) e de ter anunciado o Plano Nacional de Mudanças Climáticas e as metas de redução do desmatamento da Amazônia pela metade até 2017, eis que o governo “limpou a barra” dos desmatadores por mais um ano. Além disso, apesar da inteligente posição do ministro Carlos Minc em exigir que os países em desenvolvimento também tenham responsabilidades, entre elas a ajuda tecnológica para resolução de problemas ambientais dos países pobres, lá de Poznan, chegaram notícias de que o estabelecimento de metas contra o desmatamento era um dos principais entraves brasileiros quanto a um futuro acordo que substituiria Kyoto. Outro entrave, era a também posição inteligente dos países em desenvolvimento, de exigir o “patrocínio” por partes dos países ricos para as ações conduzidas em países pobres.
Mas afinal de contas, se todos se mostram tão interessados e competentes em estabelecer metas, por que não houve um acordo em Poznan? Como diria aquele velho ditado, de boa vontade o inferno tá cheio. Essas contradições fazem-me pensar que estamos sendo manipulados como meros fantoches. Ou será que eles estão duvidando da nossa capacidade de raciocínio ou nos achando com cara de palhaço?
Carlos Pacheco

Discussão - 5 comentários

  1. Luiz Bento disse:

    Acho que é tudo marketing verde. Todos prometem reduções nas emissões, no desmatamento, mais energia “limpa”, etc. Mas na hora de concretizarem algum acordo, entra a veia política. Falar que é “verde” ou “ambientalmente” correto é fácil.
    Acho que estão todos brincando como fazíamos quando éramos crianças. Em um grupo de amigos, todos chegam a conclusão que vão mergulhar em um lago. Todos concordam que vai ser legal e ninguém fica de fora, para não se mostrar covarde ou que é o “do contra”. Aí na hora da verdade, quem pula pula primeiro? Ninguém, todos esperam que os primeiros pulem para seguir a maré. Assim, se ninguém for, o amigo que no primeiro momento não queria mergulhar no lago não fica com a fama de covarde e nem faz o combinado. Resumindo a história, no fim, ninguém faz nada e ninguém sai como culpado. Simples assim.

  2. geofagos disse:

    Excelente artigo Luís. Gostei muito do fechamento: “O mundo não agüenta o tipo de exibição desorganizada que foi encenada em Poznan. Nos últimos meses, os governos dos países ricos moveram montanhas financeiras para proteger a integridade de seus sistemas bancários. Qual é o preço da integridade ecológica do planeta, do bem-estar das gerações futuras e do compromisso com os pobres do mundo?”.
    PS: Eu já estava pensando em escrever um post criticando atitudes governamentais como salvar bancos ou mesmo aumentar números de vereadores, enquanto questões importantíssimas não só na esfera ambiental ficam de fora dos planos. Agora com certeza o farei.

  3. manuel disse:

    Caro Carlos
    Desculpe mais uma vez. É o nervoso,ou lá o que é,da velhice,da senelidade,do que lhe queiram chamar.
    A minha santa ignorância,de tudo e mais alguma coisa! Desta vez,sobre alterações climáticas. Veja lá que eu não sabia que Svante Arrhenius
    (1859-1927),Prémio Nobel da Física(1903),tinha sido “The father of climate change”,in Guardian(30/6/2005).
    Já é ignorância a mais,irra.
    Desculpe mais uma vez e muita saúde.

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