Por que não se usa controle biológico para combater a dengue?

Em geral a agricultura, principalmente alguns setores da horticultura, é criticada pelo uso teoricamente indiscriminado de inseticidas. Não há como negar que muitos agricultores utilizam quantidades exageradas, por vezes sem respeitar prazos de carência. Há no entanto outros setores da sociedade utilizando inseticidas de forma intensa, potencialmente muito perigosa à população e aos aplicadores, de forma ineficiente mas ainda assim pouco questionada. O combate ao inseto transmissor da dengue é um caso óbvio. Uma forma alternativa, eficaz e infinitamente menos perigosa de se combater insetos, tanto na agricultura quanto em outros casos, é a utilização de controle biológico. Basicamente, o controle biológico é a utilização de inimigos naturais do inseto indesejado, em geral outros insetos, predadores, e microrganismos causadores de doenças nas pragas. Mosquitos semelhantes aos da dengue são eficientemente eliminados, por exemplo, utilizando-se a bactéria Bacillus thuringiensis, o famoso Bt, o qual infecta a população de insetos mas não afeta outros organismos. No Brasil, no entanto, utiliza-se ainda o controle químico com inseticidas convencionais, perigoso e, pelo que se vê, ineficiente. A utilização constante de um mesmo grupo de inseticidas inevitavelmente leva à seleção de populações mais resistentes de insetos. Pergunto-me, os inseticidas utilizados pelos tais fumaceiros ou fumacês serão realmente eficientes? Por que o governo brasileiro não utiliza controle biológico, tão eficientemente utilizado em países como Austrália e os próprios EUA e muitíssimo menos perigoso que inseticidas químicos, já que o organismo utilizado só é danoso ao inseto alvo? Será possível que interesses escusos de empresas produtoras de inseticidas sobreponham-se a vidas humanas? Que me respondam os bem informados.

Discussão - 11 comentários

  1. André disse:

    Faltou dizer q a bactéria “se atualiza” para infectar mosquitos mais resistente, ao contrário do inseticida

  2. manuel disse:

    Caro Ítalo
    Eu estou consigo. A luta biológica parece ser o mais indicado. Mas não haverá garantia plena,suponho eu,de uma vitória certa. A luta pela vida ,do Darwin, deve levar os bichinhos a defenderem-se do inimigo,a darem luta,não se irão ficar de”braços cruzados”.Nesta guerra de grandes e pequenos,há quem a veja ganha pelos pequenos,que o maior dos grandes não há meio de ter juízo.
    Desculpe o tom,mas,às vezes,dá-me para isto.
    Depois,os “químicos”quando usados respeitando prazos prestaram grandes serviços. Estou-me a lembrar da vinha,aqui em Portugal.
    Mas não resta dúvida de que o biológico é o melhor.
    Saúde e progressos lá na sua nova vida.

  3. Ítalo Rocha!
    Desde os primórdios de minha formação agronômica sou fascinado pelo controle biológico, que possui as mais diversas possibilidades e estratégias. Mas ia eu lendo o seu texto, com tão oportuno questionamento, e já pensando na explicação para tal fato, com base em nossas constatações deste Brasil de governos corruptos, mafiosos, imorais, onde as verbas da merenda escolar, da educação, da saúde e etc. são desviadas por “sanguessugas”, “mensaleiros”… E então, no fim do texto, você chegou lá. Não me considero bem informado, pois creio que nos gabinetes dos políticos brasileiros, de todas as instâncias, acontecem coisas inimagináveis, que até Deus e o Diabo duvidam. Mas a resposta etá aí por perto…

  4. glenn disse:

    eu concordo que seja melhor que o controle químico, mas acho que investir na reeducação ainda é a forma mais efetiva, apesar de mais demorada. eu não gostaria de ver as espécies não-alvo serem atingidas por causa disso.
    além disso se há sítios de reprodução, a população do animal continuará a produzir indivíduos, não havendo redução definitiva.
    fora isso, com o tempo surgiriam os indivíduos resistentes ao microrganismo, assim como ocorre com os inseticidas químicos, não apresentando efeito a longo prazo.
    pessoalmente acho que a melhor forma de controle é diminuir as entradas – natalidade/imigração – de indivíduos numa população do que nas saídas – mortalidade/emigração.

  5. Ray disse:

    Concordo com isso. Mesmo se agricultores usarem exageradamente o controle biológico, a morte em larga escala de insetos não terá um impacto ambiental significativo aqui graças ao clima tropical.

  6. Claudia Chow disse:

    Tb nao tenho essa resposta, mas tenho medo dela, vc nao? As vezes prefiro ignorar certas coisas pra nao fica mais revoltada.

  7. Julio disse:

    que tipo de controle pode ser usado contra o mosquito da dengue?

  8. glenn disse:

    o controle biológico realmente seria melhor do que o controle químico, por questões de saúde e de contaminação – direta e indireta – do ambiente e de outros animais. mas ainda acho que programas de educação para a eliminação de criadouros seja a medida mais efetiva que temos para combater a dengue e outras doenças transmitidas por insetos hematófagos.
    não conheço a biologia do bt, mas um patógeno com o intuito de eliminar os mosquitos poderia acidentalmente afetar espécies não-alvo, tendo um impacto ecológico a se considerar.
    o controle biológico, assim como o controle químico seleciona a população, deixando-a resistente a essas medidas, e pode não ter efetividade a longo prazo.
    a eliminação de criadouros seria a forma de se reduzir as entradas da população (nascimento/imigração), que é muito mais eficaz do que aumentar as saídas (morte/emigração).
    medidas efetivas de manejos populacionais geralmente combinam diversas técnicas e em curto prazo o aumento de mortalidade de insetos é realmente bastante interessante.
    mas uma coisa deve ser enfatizada: a eliminação total de um problema é geralmente inviável, então o que se pode fazer, é reduzir o problema pra níveis em que não cause danos.
    para piorar, como v. já disse, sempre há interesses econômicos que podem dificultar este processo.
    a solução talvez seria mostrar que é possível ganhar mais dinheiro sem inseticidas. afinal temos que sempre mostrar onde o machucado dói mais: no bolso.

  9. Luiz Bento disse:

    Para mim a tentativa mais promissora é a utilização de mosquitos geneticamente modificados. Acho mais segura e mais eficiente.
    http://www.wired.com/science/planetearth/news/2008/01/gm_insects

  10. manuel disse:

    Caros Ítalo e Luiz Bento
    Parece ser,de facto,uma boa tentativa esta a de mosquitos transgénicos. Mas mesmo sem ler os comentários,é uma tentativa que irá gerar muita polémica,haja em vista o que se tem passado com outros transgénicos,em especial com o milho e a batata.
    Mas uma coisa é certa,a Natureza também tem produzido os seus transgénicos,e ela lá se tem ido governando,melhor ou pior.
    Enfim,mais uma matéria que irá ter os desenvolvimentos que o engenho humano permitir,e a Natureza.
    Muito boa tarde.

  11. Thainná disse:

    Gosteeeeei

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