Nova coleção busca atrair a atenção das crianças para as hortaliças

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Katia Marsicano (03645 MTB-DF)  
Embrapa Informação Tecnológica

Qual foi a mãe que, um dia, não precisou se desdobrar para convencer o filho a comer pelo menos um pouquinho de salada na hora do almoço? Um pedacinho de tomate que fosse… Ou uma folhinha de alface. Chuchu, berinjela, pepino, quiabo e chicória, então, nem adianta tentar, caso contrário é choro e birra na certa. Entre as hortaliças, só a famosa batatinha do fast food parece ter vez no cardápio infantil.

Pensando em mudar essa realidade e provar que nem tudo está perdido, a pesquisadora Milza Moreira Lana, da Embrapa Hortaliças (Brasília ,DF), resolveu apostar no desafio de conquistar a atenção da garotada, e acaba de lançar a coleção Hortaliças para crianças. São três volumes ilustrados, com linguagem simples e direta, como um diálogo entre amigos – tudo para desmitificar a imagem, a princípio pouco atraente, das hortaliças e transformá-las em algo que, além de alimentar, pode até divertir. Por quê não?

“A acelerada urbanização no Brasil impede que as crianças tenham contato com a produção de alimentos e por isso não conseguem reconhecer muitas frutas e hortaliças em seu estado natural”, conta a pesquisadora. “E como elas não conhecem, não têm interesse em consumir”. Para se comunicar com o universo infantil, Milza lembra que foi preciso usar um estilo de texto e um visual atraentes, que encantassem o olhar dos pequenos. “Eu não queria um livro de estórias em que a hortaliça fosse humanizada, mas um livro sobre como é a hortaliça de verdade”, afirma. “Eu queria um livro técnico para crianças e esse foi o maior desafio: equilibrar o caráter realista do texto e das imagens com o universo lúdico”.

Segundo a pesquisadora da Embrapa, outros fatores também pesaram no processo de criação dos livros. “O carinho e o respeito que tenho pelo alimento, quando coloco uma salada no prato e quando vou à feira são muito importantes, porque penso na quantidade de conhecimento e de trabalho que resultou naquele alimento, quantas pessoas trabalharam para que ele chegasse ao mercado”, comenta. “Acho que conhecer as plantas é uma grande aventura tão divertida quanto filme de super-herói”.

Tomate e maçã 
Além dos aspectos nutricionais das hortaliças, os textos procuram aproximar as crianças do alimento, com referências ao dia a dia da família. O tomate, por exemplo, é lembrado como o principal ingrediente do catchup e dos molhos, mas também pode virar suco, geleia e, claro, fazer parte de diversos tipos de salada e sopas. “Tomate é tão gostoso que dá para comer como se fosse uma maçã”, sugere o livro.

Com a coleção, os leitores têm a oportunidade de saber como as hortaliças nascem e se desenvolvem, aprendem a realizar experiências de plantio em casa e ainda têm à mão uma seção de curiosidades científicas, jogos de adivinhação e até receitinhas fáceis e econômicas para incluir no cardápio, como a do bolinho de folha de beterraba.

Mas engana-se quem pensa que apenas as hortaliças mais comuns foram as escolhidas para a publicação. Espécies como a mandioquinha-salsa, a abóbora, o feijão-vagem e a taioba também ganharam espaço, como forma de mostrar às crianças e suas famílias que é importante variar os pratos e criar novas combinações com as conhecidíssimas cenoura, batata e tomate.

Para ser lida em casa, como qualquer outro livro de história, a coleção também pretende despertar o interesse da criança em aplicar o conhecimento apreendido quando for ao mercado ou quando fizer suas refeições com a família. Na escola, as publicações podem ser usadas como material de apoio nas aulas relacionadas com o tema ciência e alimentação.

A coleção Hortaliças para crianças é resultado da parceria editorial entre a Embrapa Hortaliças e a Embrapa Informação Tecnológica (Brasília,DF), e já está disponível na Livraria Embrapa. Cada volume custa R$ 15,00 e pode ser adquirido pelo site www.embrapa.br/livraria, pelo telefone (61) 3448 4236, ou pessoalmente na livraria, localizada no Parque Estação Biológica, W3 Norte (final), Brasília-DF.

Discussão - 1 comentário

  1. thomas disse:

    Acho interessante a criança urbana saber o que é um vegetal, sua origem, benefícios, e o que é feito com ela em produtos industrializados.

    Neste sentido, o livro é legal.

    Mas não sei da premissa : a criança conhecimento o que é um vegetal, o comerá.

    Tenho minhas dúvidas se ilustração, marketing e propaganda legal irá fazer a criança comer hortaliça.

    O gosto não é tão bom, a textura, cor e cheiro não são agradáveis. O produto em si, não é chamativo. Não importa a propaganda.

    Nem mesmo nós, adultos, comemos como devíamos! Como exigir o mesmo de uma criança?

    Ao meu ver, (extremamente pessoal, sem embasamentos científicos), não temos que mentir para a criança que a hortaliça é gostosa ou achar que a criança terá vontade própria de comer quiabo! Mas falar: “é ruim, sim, é ruim. Tem coisa mais gostosa, sim tem” “Mas a vida é assim mesmo! Temos que fazer coisas que não gostamos agora, para no futuro!”

    Infelizmente toda a criação hoje em dia é pautada no imediatismo, no que é “gostoso”. A tal geração “nasci paar ser feliz”.

    Hoje o sacrifício + planejamento para o futuro, a paciência de se sofrer no início e o sentimento de “você não é especial”, não é ensinado para as crianças em nenhuma esfera da vida delas.

    Não será diferente na alimentação, e este tipo de material não tangeia esta questão mais profunda.

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