{"id":211,"date":"2008-09-01T21:26:13","date_gmt":"2008-09-02T00:26:13","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/geofagos\/2008\/09\/elementos-traco\/"},"modified":"2008-09-01T21:26:13","modified_gmt":"2008-09-02T00:26:13","slug":"elementos-traco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geofagos\/2008\/09\/01\/elementos-traco\/","title":{"rendered":"Elementos-tra\u00e7o: enriquecimento do solo e valores orientadores II"},"content":{"rendered":"<p>\u00a0<br \/>\nA obten\u00e7\u00e3o de valores de refer\u00eancia de elementos-tra\u00e7o, embora incipiente no Brasil, j\u00e1 \u00e9 bem estabelecida em pa\u00edses como Estados Unidos, Alemanha, Fran\u00e7a e, principalmente, Holanda, que desenvolvem respeit\u00e1veis pol\u00edticas ambientais para prote\u00e7\u00e3o do solo e das \u00e1guas subterr\u00e2neas, por meio de suas ag\u00eancias de prote\u00e7\u00e3o ambiental. A Holanda foi a pioneira em criar sua lista de valores orientadores, e atualmente apresenta uma metodologia j\u00e1 consolidada de avalia\u00e7\u00e3o de risco, fundamentada em crit\u00e9rios cient\u00edficos, denominada C-soil. Na Uni\u00e3o Europ\u00e9ia existe a &#8220;<a href=\"http:\/\/europa.eu\/rapid\/pressReleasesAction.do?reference=IP\/06\/1241&amp;format=HTML\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Estrat\u00e9gia Tem\u00e1tica para Prote\u00e7\u00e3o do Solo<\/a>&#8221; que estabelece bases e regulamenta\u00e7\u00f5es para manuten\u00e7\u00e3o ou, at\u00e9, melhoria da qualidade do solo.<br \/>\nAt\u00e9 o presente momento, apenas os estados do Rio Grande do Sul e S\u00e3o Paulo, supostamente, j\u00e1 t\u00eam alguma defini\u00e7\u00e3o quanto aos valores de refer\u00eancia para elementos-tra\u00e7o em solos. No estado de S\u00e3o Paulo, a defini\u00e7\u00e3o dos valores orientadores, por interm\u00e9dio de sua ag\u00eancia ambiental &#8211; <a href=\"http:\/\/www.cetesb.sp.gov.br\/Solo\/publicacoes.asp\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">CETESB<\/a>, teve por base a metodologia adotada em outros pa\u00edses, principalmente a Holanda. Neste Pa\u00eds, os valores de refer\u00eancia de qualidade s\u00e3o derivados a partir de algumas propriedades dos solos. N\u00e3o obstante, os valores de refer\u00eancia adotados pela CETESB n\u00e3o est\u00e3o relacionados com caracter\u00edsticas dos solos, sendo considerado um \u00fanico valor de cada elemento para os solos de todo o estado.<br \/>\nRecentemente foi publicado um trabalho formulando uma proposta de valores de refer\u00eancia para &#8220;solos do Brasil&#8221;. Nesta proposta, sugere-se a defini\u00e7\u00e3o dos valores de refer\u00eancia para v\u00e1rios elementos-tra\u00e7o a partir de algumas caracter\u00edsticas dos solos tais como: capacidade de troca cati\u00f4nica e teores de silte, argila, ferro e mangan\u00eas, por meio de equa\u00e7\u00f5es emp\u00edricas, denominadas fun\u00e7\u00f5es de classifica\u00e7\u00e3o, obtidas experimentalmente. Tal proposta, entretanto, utiliza algumas caracter\u00edsticas de solo com base te\u00f3rica question\u00e1vel e agrupa os solos por similaridade estat\u00edstica (an\u00e1lise de agrupamento), aparentemente sem qualquer controle por forma\u00e7\u00e3o geol\u00f3gica. Al\u00e9m disso, possivelmente utiliza-se de amostras majoritariamente do estado do Rio de Janeiro, carecendo de confirma\u00e7\u00e3o em estudos de maior abrang\u00eancia, com maior n\u00famero de amostras, de modo a pretender o \u00e2mbito nacional. Al\u00e9m desse trabalho, existem tamb\u00e9m v\u00e1rios estudos pontuais avaliando os teores de elementos-tra\u00e7o em solos brasileiros, sugeridos para serem adotados como valores de refer\u00eancia.<br \/>\nObviamente, varia\u00e7\u00f5es significativas nos teores naturais de elementos-tra\u00e7o podem ser esperadas, mesmo dentro de classes de solo relativamente homog\u00eaneas pelos padr\u00f5es pedogen\u00e9ticos. Processos diferenciados de forma\u00e7\u00e3o das diferentes rochas, \u00edgneas, metam\u00f3rficas e sedimentares, em tese conduzem a diferen\u00e7as na distribui\u00e7\u00e3o de elementos-tra\u00e7o em solos e sedimentos. Por exemplo, um Latossolo Vermelho originado de sedimentos detrito-later\u00edticos terci\u00e1rios poder\u00e1 apresentar teores diferentes de elementos-tra\u00e7o em rela\u00e7\u00e3o a esta mesma classe de solo originado de um basalto cret\u00e1ceo. Por outro lado, os processos pedogen\u00e9ticos tendem, at\u00e9 certo ponto, a homogeneizar os produtos de intemperismo dos materiais parentais. H\u00e1 de se ter em mente que boa parte dos solos desenvolvidos sob condi\u00e7\u00f5es tropicais \u00e9 pass\u00edvel de intenso processo de redistribui\u00e7\u00e3o de material, n\u00e3o s\u00f3 ao longo do perfil, mas tamb\u00e9m lateralmente, que talvez alterem o padr\u00e3o de heran\u00e7a geoqu\u00edmica originalmente presente.<br \/>\nVia de regra, a metodologia adotada na defini\u00e7\u00e3o destes valores permite tamb\u00e9m derivar valores relacionados com riscos ecotoxicol\u00f3gicos, que foram designados, no Brasil, como &#8220;valores de alerta&#8221; e &#8220;valores de investiga\u00e7\u00e3o&#8221;, bem como valores relacionados com as concentra\u00e7\u00f5es naturais destas subst\u00e2ncias nos solos, denominados &#8220;valores de refer\u00eancia de qualidade&#8221;.<br \/>\nIndubitavelmente, os valores orientadores estabelecidos para uma regi\u00e3o espec\u00edfica n\u00e3o devem ser adotados para outras, n\u00e3o obstante a proximidade geogr\u00e1fica. Em especial os valores de refer\u00eancia de qualidade que merecem a cria\u00e7\u00e3o de um banco de dados global, tendo em vista a diversidade e as peculiaridades das forma\u00e7\u00f5es geol\u00f3gicas e dos solos. Por fim, a determina\u00e7\u00e3o detalhada de valores de refer\u00eancia permite a tomada de decis\u00f5es mais seguras quanto a usos de solos. Por exemplo, a constata\u00e7\u00e3o de valores de background naturalmente altos em determinado solo pode auxiliar na tomada de decis\u00e3o quanto ao uso deste solo como \u00e1rea de disposi\u00e7\u00e3o de res\u00edduos industriais. Em termos de uso agr\u00edcola, ser\u00e1 poss\u00edvel distinguir adi\u00e7\u00e3o antr\u00f3pica, via aplica\u00e7\u00e3o de insumos, do teor natural de elementos t\u00f3xicos no solo. Neste caso, tamb\u00e9m, pode-se tomar decis\u00f5es mais racionais quanto \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o de insumos como fosfatos, gesso agr\u00edcola, calc\u00e1rios, esc\u00f3rias de aciaria e lodos de esgoto ricos em elementos t\u00f3xicos em solos que naturalmente apresentam concentra\u00e7\u00f5es altas destes elementos.<br \/>\nJuscimar Silva<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 A obten\u00e7\u00e3o de valores de refer\u00eancia de elementos-tra\u00e7o, embora incipiente no Brasil, j\u00e1 \u00e9 bem estabelecida em pa\u00edses como Estados Unidos, Alemanha, Fran\u00e7a e, principalmente, Holanda, que desenvolvem respeit\u00e1veis pol\u00edticas ambientais para prote\u00e7\u00e3o do solo e das \u00e1guas subterr\u00e2neas, por meio de suas ag\u00eancias de prote\u00e7\u00e3o ambiental. 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