{"id":243,"date":"2008-11-03T08:44:09","date_gmt":"2008-11-03T11:44:09","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/geofagos\/2008\/11\/avanco-do-nivel-do-mar-no-litoral-brasileiro\/"},"modified":"2008-11-03T08:44:09","modified_gmt":"2008-11-03T11:44:09","slug":"avanco-do-nivel-do-mar-no-litoral-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geofagos\/2008\/11\/03\/avanco-do-nivel-do-mar-no-litoral-brasileiro\/","title":{"rendered":"Avan\u00e7o do n\u00edvel do mar no litoral brasileiro"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 alguns meses atr\u00e1s tive a oportunidade de visitar duas regi\u00f5es por mim j\u00e1 conhecidas, uma no litoral sul e outra no litoral norte do estado do Esp\u00edrito Santo. Fiquei chocado com o que vi.\u00a0O n\u00edvel do mar subiu absurdamente nos \u00faltimos cinco ou seis anos, desde a minha visita anterior. Fiquei curioso com aquela situa\u00e7\u00e3o e fotografei com a finalidade de documentar o acontecido. Ao mesmo tempo fiquei chateado por,\u00a0no passado, n\u00e3o\u00a0ter\u00a0tomado a mesma atitude pois a documenta\u00e7\u00e3o e a\u00a0compara\u00e7\u00e3o das duas\u00a0\u00e9pocas seria de grande valia. A verdade \u00e9 que observei estradas, resid\u00eancias, hot\u00e9is e pousadas, todos \u00e0 beira mar, sendo consumidas pela for\u00e7a das mar\u00e9s, que ao meu ver, estariam ganhando for\u00e7a ao longo do tempo. Procurei ent\u00e3o uma forma de explicar esse fen\u00f4meno, afinal,\u00a0n\u00e3o \u00e9 comum em t\u00e3o curto per\u00edodo observar-se mudan\u00e7as t\u00e3o dr\u00e1sticas em se tratando de\u00a0meios naturais. Lembrei-me logo do t\u00e3o falado aumento dos n\u00edveis do mar devido ao aquecimento global, no entanto, tal hip\u00f3tese era muito improv\u00e1vel pois espera-se que\u00a0tais desastres naturais advindos\u00a0desse fen\u00f4meno global aconte\u00e7am a longo prazo. Entretanto, para minha surpresa, assistindo ao Jornal Nacional de s\u00e1bado, 01\/11\/2008, vi uma reportagem tratando de pesquisas realizadas pela Universidade Federal da Para\u00edba que concluiram que, a degrada\u00e7\u00e3o e represamento dos rios Paraibanos eram os grandes respons\u00e1veis pelo avan\u00e7o do mar sobre o continente daquele estado. A explica\u00e7\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil de ser entendida. Menos \u00e1gua transporta menos sedimentos. Esses \u00faltimos s\u00e3o os principais respons\u00e1veis pelos dep\u00f3sitos de areia que formam as praias. A presen\u00e7a de maiores quantidades de areias equivale a praias maiores, que por sua vez, impedem o avan\u00e7o do n\u00edvel do mar sobre o continente propriamente dito. No entanto, com a reduzida chegada de sedimentos, a reposi\u00e7\u00e3o de areia nas praias tem sofrido uma sens\u00edvel redu\u00e7\u00e3o, tornando o balan\u00e7o entre chegada e retirada (via mar) negativo. Ou seja, est\u00e1 se perdendo mais areia para o mar do que o rio \u00e9 capaz de repor. Dessa forma, a din\u00e2mica tem sido alterada gra\u00e7as \u00e0 degrada\u00e7\u00e3o dos rios e o mar tem ganhado for\u00e7a, destruindo paisagens continentais importantes naquela regi\u00e3o. Logo me lembrei de diversos outros casos semelhantes registrados na literatura, alguns deles no pr\u00f3prio litoral brasileiro, como aquele ocorrido na foz do Rio S\u00e3o Francisco, entre os estados de Sergipe e Alagoas. O avan\u00e7o do n\u00edvel do mar nesse caso tem produzido, al\u00e9m da destrui\u00e7\u00e3o de paisagens continentais, tamb\u00e9m a intrus\u00e3o de \u00e1gua salgada na calha do rio, tendo efeitos importantes na din\u00e2mica daquele ecossistema. Portanto, a hip\u00f3tese mais prov\u00e1vel dos casos por mim citados no in\u00edcio desse texto \u00e9 que a degrada\u00e7\u00e3o dos cursos d\u00b4\u00e1gua que banham aquela regi\u00e3o estejam comprometendo toda a din\u00e2mica do ciclo hidrol\u00f3gico. O resultado ent\u00e3o \u00e9 o avan\u00e7o do n\u00edvel do mar causando preju\u00edzos consider\u00e1veis \u00e0 popula\u00e7\u00e3o e ao ambiente. Corrobora com essa hip\u00f3tese uma das principais bacias hidrogr\u00e1ficas que tem sua foz no estado do Esp\u00edrito Santo, que \u00e9 a do Rio Doce. Quem conhece essa bacia sabe que ela \u00e9 uma das mais degradadas do territ\u00f3rio brasileiro, com \u00edndices de assoreamento assustadores. \u00c9 necess\u00e1rio revermos nossos conceitos imediatamente. N\u00e3o tenho d\u00favidas que um dos principais causadores de tais fen\u00f4menos \u00e9 o desperd\u00edcio. Quantos e quantos de n\u00f3s ainda hoje tomam banhos demorados, esquecem as torneiras abertas, lavam cal\u00e7adas com quantidades abundantes de \u00e1gua, entre outros. Fica o alerta, ou mudamos nossas atitudes ou sofremos as consequ\u00eancias de nossos atos.<br \/>\nCarlos Pacheco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 alguns meses atr\u00e1s tive a oportunidade de visitar duas regi\u00f5es por mim j\u00e1 conhecidas, uma no litoral sul e outra no litoral norte do estado do Esp\u00edrito Santo. Fiquei chocado com o que vi.\u00a0O n\u00edvel do mar subiu absurdamente nos \u00faltimos cinco ou seis anos, desde a minha visita anterior. 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