{"id":368,"date":"2009-04-16T12:05:00","date_gmt":"2009-04-16T15:05:00","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/geofagos\/2009\/04\/nova_reserva_de_potassio_pode\/"},"modified":"2009-04-16T12:05:00","modified_gmt":"2009-04-16T15:05:00","slug":"nova_reserva_de_potassio_pode","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geofagos\/2009\/04\/16\/nova_reserva_de_potassio_pode\/","title":{"rendered":"Nova reserva de pot\u00e1ssio pode deixar o Brasil auto-suficiente"},"content":{"rendered":"<p>O Ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, anunciou na \u00faltima semana que o Brasil possui atualmente a terceira maior reserva de pot\u00e1ssio do mundo, ficando atr\u00e1s apenas da R\u00fassia e do Canad\u00e1. Esta nova reserva est\u00e1 localizada no norte do pa\u00eds, estendendo-se at\u00e9 o Par\u00e1, ao longo do Rio Amazonas. H\u00e1 ainda ind\u00edcios da exist\u00eancia de outras duas pr\u00f3ximas a uma \u00e1rea j\u00e1 explorada pela Vale do Rio Doce para obten\u00e7\u00e3o do insumo. A expectativa do governo \u00e9 que a explora\u00e7\u00e3o destas \u00faltimas eleve a produ\u00e7\u00e3o dos 9% para 25% da necessidade de consumo interno. Em 2008, os produtores importaram 91% do cloreto de pot\u00e1ssio consumido, gastando US$ 5 bilh\u00f5es. (mat\u00e9ria publicada na Gazeta Mercantil, vers\u00e3o on-line<a href=\"http:\/\/www.gazetamercantil.com.br\/GZM_News.aspx?parms=2436415,26,1,1\"><\/a>).<br \/>\nEm primeira inst\u00e2ncia essa not\u00edcia figura-se como \u00f3timo presente de P\u00e1scoa, haja vista a preocupa\u00e7\u00e3o dos produtores e fornecedores quanto \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o do suprimento desse insumo. Embora o pot\u00e1ssio esteja entre os dez elementos mais abundantes na crosta terrestre, suas reservas no mundo s\u00e3o pontuais e acredita-se que as jazidas existentes n\u00e3o sejam suficientes para atender a sua demanda mundial. Obviamente, existem outras fontes alternativas para extra\u00e7\u00e3o desse fertilizante, por\u00e9m essas fontes apresentam limita\u00e7\u00f5es que inviabilizam sua comercializa\u00e7\u00e3o, tais como concentra\u00e7\u00e3o m\u00ednima e solubilidade. Abrindo um par\u00eantese, a legisla\u00e7\u00e3o brasileira prev\u00ea que para comercializa\u00e7\u00e3o de um produto como fonte de pot\u00e1ssio, ele deve ter em torno de 60 % de K2O sol\u00favel em \u00e1gua. Em geral as fontes alternativas possuem menos de 20 % (teores totais) de K2O &#8220;seq\u00fcestrados&#8221; em estruturas minerais bem mais est\u00e1veis, como os feldspatos. Assim, o primeiro desafio seria deixar esse pot\u00e1ssio mais sol\u00favel e depois concentr\u00e1-lo.<br \/>\nApenas para recordar, o pot\u00e1ssio \u00e9 um nutriente essencial para as plantas, o que significa que na sua aus\u00eancia ou fornecimento inadequado a produ\u00e7\u00e3o \u00e9 comprometida. Sua fun\u00e7\u00e3o nas plantas \u00e9 de regulador osm\u00f3tico necess\u00e1rio \u00e0 atividade enzim\u00e1tica e \u00e0 s\u00edntese prot\u00e9ica, sendo um nutriente m\u00f3vel. N\u00e3o se conhece sintomatologia para o seu excesso. A car\u00eancia de pot\u00e1ssio provoca um crescimento vegetal muito reduzido, clorose matizada da folha, manchas necr\u00f3ticas, folhas recurvadas e enroladas sobre a face superior e encurtamento de entren\u00f3s. Inicialmente, os sintomas acentuam-se nas zonas mais velhas das plantas.<br \/>\nEncarando essa not\u00edcia com certo ceticismo, a minha d\u00favida \u00e9 qual ser\u00e1 o real impacto dessa descoberta para os nossos produtores. Ela implicar\u00e1 somente na queda da importa\u00e7\u00e3o do KCl, o que j\u00e1 seria muito bom porque estar\u00edamos livres da carteliza\u00e7\u00e3o desse produto ou os agricultores poder\u00e3o sonhar com redu\u00e7\u00e3o ou at\u00e9 mesmo congelamento do pre\u00e7o desse insumo? Particularmente, eu n\u00e3o apostaria na ultima op\u00e7\u00e3o, veja, por exemplo, os pre\u00e7os que pagamos por nossos combust\u00edveis (e.g. gasolina). Somos praticamente auto-suficientes, mas o pre\u00e7o que pagamos \u00e9 um dos mais elevados do mercado mundial.<br \/>\nDe qualquer maneira, \u00e9 bom saber que em breve poderemos nos tornar auto-suficientes tamb\u00e9m na produ\u00e7\u00e3o desse fertilizante, o mais importado, percentualmente, pelos produtores brasileiros. Com isso ficaremos livres da carteliza\u00e7\u00e3o do KCl que deixa o Brasil bastante vulner\u00e1vel \u00e0s flutua\u00e7\u00f5es de pre\u00e7o, acarretando em custos muito altos de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, anunciou na \u00faltima semana que o Brasil possui atualmente a terceira maior reserva de pot\u00e1ssio do mundo, ficando atr\u00e1s apenas da R\u00fassia e do Canad\u00e1. Esta nova reserva est\u00e1 localizada no norte do pa\u00eds, estendendo-se at\u00e9 o Par\u00e1, ao longo do Rio Amazonas. 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