{"id":528,"date":"2012-04-23T09:19:07","date_gmt":"2012-04-23T12:19:07","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/geofagos\/?p=528"},"modified":"2012-04-23T09:19:07","modified_gmt":"2012-04-23T12:19:07","slug":"manejo-da-adubacao-em-hortalicas-ii-cultivo-protegido-e-fertirrigacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geofagos\/2012\/04\/23\/manejo-da-adubacao-em-hortalicas-ii-cultivo-protegido-e-fertirrigacao\/","title":{"rendered":"Manejo da aduba\u00e7\u00e3o em hortali\u00e7as II &#8211; Cultivo protegido e fertirriga\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><strong>Cultivo Protegido<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 certas especificidades em rela\u00e7\u00e3o ao manejo da nutri\u00e7\u00e3o mineral de hortali\u00e7as em ambiente protegido que devem ser levadas em considera\u00e7\u00e3o sob o risco de tornar o cultivo invi\u00e1vel. Uma das principais diferen\u00e7as \u00e9 que em ambiente protegido h\u00e1 pouca ou nenhuma entrada de \u00e1gua de chuva. A \u00e1gua que entra no sistema prov\u00e9m quase que unicamente da irriga\u00e7\u00e3o, muitas vezes feita de forma localizada, como gotejamento, por exemplo. Como as doses de adubo s\u00e3o normalmente altas, h\u00e1 uma tend\u00eancia de ac\u00famulo de sais em superf\u00edcie, aumentando a condutividade el\u00e9trica da solu\u00e7\u00e3o do solo. Na verdade, independentemente das condi\u00e7\u00f5es de solo e clima, a saliniza\u00e7\u00e3o de solos em ambiente protegido \u00e9 quase inevit\u00e1vel. Al\u00e9m dos problemas de toxidez, o excesso de salinidade pode trazer problemas f\u00edsicos, biol\u00f3gicos e nutricionais.<\/p>\n<p><strong>Fertirriga\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m da aplica\u00e7\u00e3o de fertilizantes convencionais ao solo, em algumas culturas, principalmente hortali\u00e7as, a aduba\u00e7\u00e3o de plantio pode ser complementada pela aplica\u00e7\u00e3o de fertilizantes sol\u00faveis dissolvidos na \u00e1gua de irriga\u00e7\u00e3o &#8211; esta t\u00e9cnica se chama de fertirriga\u00e7\u00e3o. No cultivo em substrato, tamb\u00e9m chamado de semi-hidrop\u00f4nico, a totalidade das aduba\u00e7\u00f5es pode ser feita via fertirriga\u00e7\u00e3o, sem necessidade de uma aduba\u00e7\u00e3o de plantio.<\/p>\n<p>Uma das vantagens \u00f3bvias da fertirriga\u00e7\u00e3o \u00e9 a possibilidade de se subdividir a aduba\u00e7\u00e3o ao longo do ciclo da cultura visando otimizar a utiliza\u00e7\u00e3o dos nutrientes pelas esp\u00e9cies agr\u00edcolas ao disponibiliz\u00e1-los no momento mais adequado. Por momento adequado deve-se entender a cronometragem da aplica\u00e7de acordo com as necessidades fisiol\u00f3gicas da esp\u00e9cie. A aplica\u00e7\u00e3o de fertilizantes sol\u00faveis junto \u00e0 \u00e1gua de irriga\u00e7\u00e3o visa ent\u00e3o prover os nutrientes certos, nas quantidades corretas, o mais pr\u00f3ximo poss\u00edvel ao est\u00e1dio fisiol\u00f3gico em que o nutriente \u00e9 mais necess\u00e1rio. Isto s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel se houver disponibilidade de informa\u00e7\u00e3o quanto \u00e0 curva ou marcha de absor\u00e7\u00e3o de nutrientes da esp\u00e9cie cultivada em quest\u00e3o, nem sempre dispon\u00edvel para as condi\u00e7\u00f5es brasileiras.<\/p>\n<p>As necessidades nutricionais das hortali\u00e7as em cada fase de crescimento est\u00e3o predominantemente associadas a dois processos: forma\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os vegetativos e forma\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os reprodutivos. Embora exista uma depend\u00eancia entre a curva de absor\u00e7\u00e3o de nutrientes e a curva de produ\u00e7\u00e3o de mat\u00e9ria seca das plantas, n\u00e3o h\u00e1 completa coincid\u00eancia entre ambas devido a diferen\u00e7as no que se refere a varia\u00e7\u00f5es no est\u00e1gio de desenvolvimento e as necessidades de nutrientes espec\u00edficos. H\u00e1 hortali\u00e7as cuja produ\u00e7\u00e3o \u00e9 limitada a determinadas fases, enquanto outras apresentam um padr\u00e3o cont\u00ednuo de produ\u00e7\u00e3o ao longo do tempo, o que leva a diferen\u00e7as nas curvas de absor\u00e7\u00e3o de nutrientes.<\/p>\n<p>Em compara\u00e7\u00e3o com a aduba\u00e7\u00e3o convencional, a fertirriga\u00e7\u00e3o permite ajustes finos de acordo com as fases de desenvolvimento das plantas, melhorando a efici\u00eancia no uso de fertilizantes ao minimizar as perdas. Se o m\u00e9todo de irriga\u00e7\u00e3o utilizado for localizado, como o gotejamento, por exemplo, a economia de fertilizantes pode ser vantajosamente associada \u00e0 economia de \u00e1gua.<\/p>\n<p>Uma das consequ\u00eancias do uso de fertirriga\u00e7\u00e3o pode ser o menor volume de ra\u00edzes, principalmente no gotejamento, j\u00e1 que os nutrientes, assim como a \u00e1gua, s\u00e3o aplicados muito pr\u00f3ximos ao sistema radicular. Ali\u00e1s, se a informa\u00e7\u00e3o existir, pode-se manejar a fertirriga\u00e7\u00e3o localizando-a nos pontos onde h\u00e1 maior densidade de ra\u00edzes. A aplica\u00e7\u00e3o precoce da fertirriga\u00e7\u00e3o, no cultivo em solo, pode n\u00e3o ser completamente ben\u00e9fica ao desestimular o aprofundamento do sistema radicular, criando uma depend\u00eancia excessiva por parte das plantas, potencialmente danosa na eventualidade de pane tempor\u00e1ria do sistema de irriga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quando utilizada sob ambiente protegido, como estufas, h\u00e1 ainda o risco quase inevit\u00e1vel de saliniza\u00e7\u00e3o do solo, pela mesma raz\u00e3o por que o sistema pode ser vantajoso: pelas menores perdas do sistema. Como em geral n\u00e3o h\u00e1 entrada de \u00e1gua de chuva ou qualquer excesso de \u00e1gua no cultivo protegido, os adubos utilizados, que em gerais s\u00e3o sais, acumulam-se e aumentam a condutividade el\u00e9trica da solu\u00e7\u00e3o do solo, cl\u00e1ssico indicador da saliniza\u00e7\u00e3o. Estes problemas t\u00eam levado um expressivo n\u00famero de produtores a preferirem o cultivo em substratos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de ser t\u00f3xica aos vegetais, comprometendo a produ\u00e7\u00e3o, a saliniza\u00e7\u00e3o afeta negativamente a estrutura f\u00edsica do solo, por causar repuls\u00e3o entre as part\u00edculas de argila e de material org\u00e2nico coloidal, impedindo a forma\u00e7\u00e3o de agregados no solo. Desta forma, o solo sofre quase uma &#8220;compacta\u00e7\u00e3o qu\u00edmica&#8221;, comprometendo a infiltra\u00e7\u00e3o de \u00e1gua e o crescimento do sistema radicular. Se houver disponibilidade de \u00e1gua, isto pode ser evitado aplicando-se periodicamente l\u00e2minas de irriga\u00e7\u00e3o em excesso para que ocorra a &#8220;lavagem&#8221; dos sais acumulados. Idealmente, esta irriga\u00e7\u00e3o de lavagem deveria estar associada \u00e0 drenagem adequada do lixiviado. Seriam muito interessantes tamb\u00e9m pr\u00e1ticas que favorecessem o enriquecimento do solo em mat\u00e9ria org\u00e2nica e, antes de tudo, a aplica\u00e7\u00e3o racional dos fertilizantes.<\/p>\n<p>O uso inadequado da fertirriga\u00e7\u00e3o em cultivo protegido em solos tem sido causa constante de desequil\u00edbrios nutricionais que comprometem, por vezes irreversivelmente, a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola. Isso ocorre em geral pela aplica\u00e7\u00e3o excessiva de nutrientes, sem obedecer as necessidades do solo e da cultura. Assim como a aduba\u00e7\u00e3o convencional, o c\u00e1lculo das quantidades de fertilizantes a ser aplicados via irriga\u00e7\u00e3o deve ser feito a partir da an\u00e1lise qu\u00edmica do solo. Se realizada sem essa ferramenta e sem o conhecimento das necessidades da cultura, a fertirriga\u00e7\u00e3o n\u00e3o passar\u00e1 de adivinha\u00e7\u00e3o, o que \u00e9 impens\u00e1vel na moderna produ\u00e7\u00e3o de hortali\u00e7as ou de qualquer cultura.<\/p>\n<p><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>O produtor muitas vezes \u00e9 levado a acreditar que o segredo das altas produ\u00e7\u00f5es est\u00e1 no uso intenso de todo e qualquer tipo de tecnologia nova que apare\u00e7a no mercado. Em termos de manejo da aduba\u00e7\u00e3o de plantas, no entanto, o tipo de produto utilizado \u00e9 de menor import\u00e2ncia do que a forma com que se usa este produto. A aduba\u00e7\u00e3o adequada, novamente, s\u00f3 pode ser feita sabendo-se o que a planta necessita e o que o solo oferece. Das necessidades das v\u00e1rias esp\u00e9cies de hortali\u00e7as j\u00e1 se tem uma boa id\u00e9ia, mas o que o solo oferece s\u00f3 a an\u00e1lise qu\u00edmica pode dizer. Por melhor e mais moderno que seja o fertilizante, sua aplica\u00e7\u00e3o inadequada s\u00f3 poder\u00e1 trazer problemas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cultivo Protegido H\u00e1 certas especificidades em rela\u00e7\u00e3o ao manejo da nutri\u00e7\u00e3o mineral de hortali\u00e7as em ambiente protegido que devem ser levadas em considera\u00e7\u00e3o sob o risco de tornar o cultivo invi\u00e1vel. Uma das principais diferen\u00e7as \u00e9 que em ambiente protegido h\u00e1 pouca ou nenhuma entrada de \u00e1gua de chuva. A \u00e1gua que entra no sistema [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":509,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[3,4,36,56,90,92],"tags":[],"class_list":["post-528","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-agricultura","category-agricultura-de-baixo-uso-de-insumos","category-cultivo-protegido","category-fertilidade-do-solo","category-nutricao-de-plantas","category-olericultura"],"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geofagos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/528","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geofagos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geofagos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geofagos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/509"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geofagos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=528"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geofagos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/528\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geofagos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=528"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geofagos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=528"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/geofagos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=528"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}