{"id":111,"date":"2012-02-24T20:23:00","date_gmt":"2012-02-24T23:23:00","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/haeck\/2012\/02\/o-open-access-e-a-solucao\/"},"modified":"2012-02-24T20:23:00","modified_gmt":"2012-02-24T23:23:00","slug":"o-open-access-e-a-solucao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/haeck\/2012\/02\/24\/o-open-access-e-a-solucao\/","title":{"rendered":"O Open Access \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o?"},"content":{"rendered":"<div><\/div>\n<div><a href=\"http:\/\/mrkwr.files.wordpress.com\/2009\/10\/screen-shot-2009-10-29-at-12-49-45.png?w=480&amp;h=266\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><span><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"177\" src=\"http:\/\/mrkwr.files.wordpress.com\/2009\/10\/screen-shot-2009-10-29-at-12-49-45.png?w=480&amp;h=266\" width=\"320\"><\/span><\/a><\/div>\n<div><span><br \/><\/span><\/div>\n<p><span>Recentemente houve uma grande exposi\u00e7\u00e3o do boicote da editora de peri\u00f3dicos acad\u00eamicos Elsevier pela comunidade cientifica<span>. Os motivos para esse motim cient\u00edfico est\u00e3o colocados no site\u00a0<\/span><span><a href=\"http:\/\/thecostofknowledge.com\/\">thecostofknowledge.com<\/a> (o Custo do Conhecimento), que tamb\u00e9m permite a assinatura do manifesto contra a editora. O site explica que acad\u00eamicos tem protestado contra as pr\u00e1ticas de trabalho da Elsevier a anos, sendo as principais obje\u00e7\u00f5es:<\/span><\/span><\/p>\n<ol>\n<li><span>Os pre\u00e7os altos para a assinatura de peri\u00f3dicos individuais<\/span><\/li>\n<li><span>A venda de &#8220;pacotes&#8221; de revistas, que diminuem o pre\u00e7o exorbitante das revistas individuais, mas requer a assinatura de revistas de pouco interesse (a Elsevier <a href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ciencia\/1050175-cientistas-podem-pagar-para-ter-seus-artigos-livres-diz-elsevier.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">negou<\/a> essa acusa\u00e7\u00e3o)<\/span><\/li>\n<li><span>O apoio da Elsevier \u00e0 medidas de restri\u00e7\u00e3o de difus\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o na internet, como o SOPA, PIPA e Research Works Act (RWA, uma esp\u00e9cie de SOPA Acad\u00eamico que impediria os autores de disponibilizar seu pr\u00f3prio trabalho se assim quisessem).<\/span><\/li>\n<\/ol>\n<div><span>Esse \u00faltimo motivo, ao meu ver, foi o real estopim do boicote, pois restringiria o livre fluxo de informa\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, dificultando de forma quase impeditiva o trabalho dos pesquisadores.\u00a0<\/span><\/div>\n<div><span><br \/><\/span><\/div>\n<div><span><span>Essa quest\u00e3o foi rapidamente emoldurada em uma discuss\u00e3o maior, que \u00e9 sobre o acesso \u00e0 publica\u00e7\u00f5es cient\u00edficas. No cen\u00e1rio atual, o acesso \u00e9 feito principalmente de duas maneiras:\u00a0<\/span><span><b>Acesso restrito<\/b>, no qual ele \u00e9 disponibilizado \u00e0 institui\u00e7\u00f5es de pesquisa mediante \u00e0 uma assinatura, e\u00a0<\/span><span><b>acesso aberto (<\/b><i>Open access<\/i>, ou OA<b>)<\/b>, no qual o acesso \u00e9 livre para qualquer usu\u00e1rio da internet.\u00a0<\/span><span>Fica rapidamente evidente que esse debate nada mais \u00e9 do que um reflexo de um processo de disponibiliza\u00e7\u00e3o de conte\u00fado online, seja ele m\u00fasica, arte, informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o-academica e, nesse caso, acad\u00eamica.<\/span><\/span><\/div>\n<div><span><br \/><\/span><\/div>\n<div><span>O sentimento geral \u00e9 que a ado\u00e7\u00e3o do OA como pol\u00edtica de publica\u00e7\u00e3o seria o caminho. Por\u00e9m uma quest\u00e3o que n\u00e3o vi ser profundamente explorada \u00e9 como se daria essa mudan\u00e7a, ou mesmo se essa alternativa \u00e9 realmente operacional, especificamente para o Brasil.<\/span><\/div>\n<div><span><br \/><\/span><\/div>\n<div><span><span>Um dos argumentos comuns que circulam por ai \u00e9 que o artigo OA <a href=\"http:\/\/svpow.wordpress.com\/2011\/10\/22\/economics-of-open-source-publishing\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">custa menos<\/a> por acesso:\u00a0com apenas o lucro derivado da venda de assinaturas dos peri\u00f3dicos cient\u00edficos da Elsevier, seria poss\u00edvel financiar OA para <a href=\"http:\/\/svpow.wordpress.com\/2011\/10\/22\/economics-of-open-source-publishing\/#comment-11695\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">metade de todos<\/a> os artigos publicados anualmente no mundo, de todos os pa\u00edses.\u00a0<\/span><span>Em outras palavras, apenas uma fra\u00e7\u00e3o do que \u00e9 investido em acesso (o equivalente ao <a href=\"http:\/\/poeticeconomics.blogspot.com\/2012\/01\/enormous-profits-of-stm-scholarly.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">lucro anual<\/a>\u00a0de algumas editoras apenas) poderia ser usado para financiar a produ\u00e7\u00e3o cientifica mundial e torna-la dispon\u00edvel \u00e0 todos.\u00a0<\/span><span>No Brasil, gastamos anualmente cerca <\/span><a href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ciencia\/1046769-cientistas-boicotam-a-maior-editora-de-periodicos-do-mundo.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><span>80<\/span><span>\u00a0milh\u00f5es de dolares<\/span><\/a>\u00a0em acesso a peri\u00f3dicos, dos quais <b>um ter\u00e7o<\/b> poderia ser gasto para financiar nossa <a href=\"http:\/\/www.google.com.br\/url?sa=t&amp;rct=j&amp;q=grr%20brazil&amp;source=web&amp;cd=1&amp;ved=0CCgQFjAA&amp;url=http%3A%2F%2Fresearchanalytics.thomsonreuters.com%2Fm%2Fpdfs%2FGRR-Brazil-Jun09.pdf&amp;ei=QwBIT_jIAen9sQL9_4DrCA&amp;usg=AFQjCNGygV0HQKOBVncSyweBDixdpbbZsQ\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">produ\u00e7\u00e3o anual<\/a>.<\/span><\/div>\n<div><span><br \/><\/span><\/div>\n<div><span><span>Esse argumento, entretanto, me parece partir de uma confus\u00e3o entre dois custos diferentes da publica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica: um \u00e9 o pagamento realizado para se ter acesso atrav\u00e9s de assinaturas das revistas e\u00a0<\/span><span>o outro \u00e9 o pagamento realizado para publicar, efetuado no momento do aceite do artigo.\u00a0<\/span><span>Essa confus\u00e3o parece decorrer do fato de que revistas OA normalmente cobram uma taxa de publica\u00e7\u00e3o dos pesquisadores*, por\u00e9m n\u00e3o cobram pelo acesso, enquanto grandes editoras normalmente cobram pelo acesso, por\u00e9m nem sempre pela publica\u00e7\u00e3o. A consequ\u00eancia disso \u00e9 que os artigos que s\u00e3o comprados das editoras <\/span><u>n\u00e3o s\u00e3o os mesmos<\/u><span> que s\u00e3o produzidos nas institui\u00e7\u00f5es de pesquisa de um dado pa\u00eds. Ou seja, o dinheiro que fosse transferido para \u00e0 publica\u00e7\u00e3o OA restringiria o acesso a revistas controladas pelas editoras, que podem ser essenciais para algumas \u00e1reas. Para pa\u00edses desenvolvidos, isso talvez implicasse em uma perda pouco significativa de artigos publicados (e de qualquer forma, eles provavelmente nem <a href=\"http:\/\/www.plosone.org\/article\/info:doi%2F10.1371%2Fjournal.pone.0003804\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">notariam a perda<\/a>). Mas para o Brasil, que contribui com aproximadamente <\/span><a href=\"http:\/\/www.google.com.br\/url?sa=t&amp;rct=j&amp;q=grr%20brazil&amp;source=web&amp;cd=1&amp;ved=0CCgQFjAA&amp;url=http%3A%2F%2Fresearchanalytics.thomsonreuters.com%2Fm%2Fpdfs%2FGRR-Brazil-Jun09.pdf&amp;ei=QwBIT_jIAen9sQL9_4DrCA&amp;usg=AFQjCNGygV0HQKOBVncSyweBDixdpbbZsQ\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">2% da publica\u00e7\u00e3o mundial<\/a><span>, isso implicaria em perda significativa de acesso a pesquisa de ponta**.\u00a0<\/span><span>Isso n\u00e3o significa que o OA n\u00e3o \u00e9 desej\u00e1vel***, mas n\u00e3o acredito que ele seja parte de uma decis\u00e3o institucional que possamos tomar agora.<\/span><\/span><br \/><span><span><br \/><\/span><\/span><\/div>\n<div><span>Ou talvez eu s\u00f3 esteja racionalizando minha resist\u00eancia em assinar o boicote. O que for mais plaus\u00edvel.<\/span><br \/><span><br \/><\/span><br \/><span>**********Notas adicionais<\/span><span>**********<\/span><br \/><span><br \/><\/span><br \/><span>* Como evidenciado pelo\u00a0<\/span><span><a href=\"http:\/\/www.scientia.blog.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Valdi Tutunji<\/a>, existem publica\u00e7\u00f5es OA que n\u00e3o s\u00e3o pagas em nenhum momento. Eu estou ciente de tais iniciativas, como o <a href=\"http:\/\/agencia.fapesp.br\/13572\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">SciELO<\/a>, que oferecem conte\u00fado de qualidade de gra\u00e7a e algumas revistas filiadas (as que conhe\u00e7o, ao menos) n\u00e3o cobram taxa de publica\u00e7\u00e3o. E, de fato, se estivermos falando apenas de revistas inteiramente sem custo, ent\u00e3o todo argumento baseado no custo do OA (tanto em favor ou contra) \u00e9 inv\u00e1lido. O que importa nesse momento \u00e9 avaliar o quanto da produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamica, principalmente da brasileira, est\u00e1 disponibilizado por alguma forma de OA.<\/span><br \/><span><br \/><\/span><br \/><span>** Em <a href=\"http:\/\/www.plosone.org\/article\/info%3Adoi%2F10.1371%2Fjournal.pone.0020961\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">2008<\/a>, aproximadamente 20% da produ\u00e7\u00e3o mundial era publicada em alguma forma de OA, sendo que essa fra\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica mundial n\u00e3o poderia ser perdida por qualquer mudan\u00e7a no or\u00e7amento.<\/span><br \/><span><br \/><\/span><br \/><span>*** Existem duas principais subdivis\u00f5es do OA: o <b>Green OA<\/b>, que consiste na disponibiliza\u00e7\u00e3o de artigos cient\u00edficos atrav\u00e9s de reposit\u00f3rios independentes (p.ex: institucionais) que s\u00e3o publicados em revistas OA ou n\u00e3o-OA; e o <b>Gold OA<\/b>, que consiste na disponibiliza\u00e7\u00e3o dos artigos pela editora diretamente na rede. Essa distin\u00e7\u00e3o \u00e9 importante pois o Green OA n\u00e3o tem custos para quem publica, por\u00e9m n\u00e3o \u00e9 um sistema sustent\u00e1vel por depender diretamente do trabalho editorial pago. J\u00e1 o gold OA pode ser pago e \u00e9 envolve todo o processo editorial (ou seja, \u00e9 sustent\u00e1vel). Aparentemente a <a href=\"http:\/\/www.plosone.org\/article\/info%3Adoi%2F10.1371%2Fjournal.pone.0020961\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">maioria<\/a> do OA \u00e9 na forma green, atrav\u00e9s de reposit\u00f3rios institucionais por exemplo, e seria esse tipo de OA o principal afetado pelo RWA.<\/span><br \/><span><br \/><\/span><br \/><span>&#8212;&#8211;Atualiza\u00e7\u00e3o&#8212;&#8212;<\/span><br \/><span><br \/><\/span><br \/><span>27\/02\/2012 &#8211;\u00a0A Elsevier resolveu <a href=\"http:\/\/www.elsevier.com\/wps\/find\/intro.cws_home\/newmessagerwa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">n\u00e3o apoiar mais o RWA<\/a>. Eu acho que essa \u00e9 a maior vit\u00f3ria que se podia ter.<\/span><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Recentemente houve uma grande exposi\u00e7\u00e3o do boicote da editora de peri\u00f3dicos acad\u00eamicos Elsevier pela comunidade cientifica. Os motivos para esse motim cient\u00edfico est\u00e3o colocados no site\u00a0thecostofknowledge.com (o Custo do Conhecimento), que tamb\u00e9m permite a assinatura do manifesto contra a editora. O site explica que acad\u00eamicos tem protestado contra as pr\u00e1ticas de trabalho da Elsevier a &hellip; <\/p>\n<p class=\"link-more\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/haeck\/2012\/02\/24\/o-open-access-e-a-solucao\/\" class=\"more-link\">Continue lendo<span class=\"screen-reader-text\"> &#8220;O Open Access \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o?&#8221;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":504,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[10,29],"tags":[],"class_list":["post-111","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ciencia","category-open-access"],"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/haeck\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/111","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/haeck\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/haeck\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/haeck\/wp-json\/wp\/v2\/users\/504"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/haeck\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=111"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/haeck\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/111\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/haeck\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=111"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/haeck\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=111"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/haeck\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=111"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}