{"id":66,"date":"2012-07-21T11:34:00","date_gmt":"2012-07-21T14:34:00","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/haeck\/2012\/07\/encontro-improvavel-guest-post\/"},"modified":"2012-07-21T11:34:00","modified_gmt":"2012-07-21T14:34:00","slug":"encontro-improvavel-guest-post","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/haeck\/2012\/07\/21\/encontro-improvavel-guest-post\/","title":{"rendered":"Encontro improv\u00e1vel (guest post)"},"content":{"rendered":"<table align=\"center\" cellpadding=\"0\" cellspacing=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><a href=\"http:\/\/4.bp.blogspot.com\/-GWRRZ4mt_RM\/UAgthSLzUzI\/AAAAAAAAA4U\/vtKJRzLDR7U\/s1600\/lazer_eyes.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"293\" src=\"http:\/\/4.bp.blogspot.com\/-GWRRZ4mt_RM\/UAgthSLzUzI\/AAAAAAAAA4U\/vtKJRzLDR7U\/s400\/lazer_eyes.jpg\" width=\"400\"><\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Momento do encontro entre hereges na paulista. Esquerda para a direita: Guilherme Tomyshio, Pirulla, Rony, eu e Vivian. \u00a0Foi usada uma c\u00e2mera especial que captura a intensidade da malevolencia, evidenciado pela intensidade do brilho dos olhos. Nota especia para o Pirulla e para a Vivan.\u00a0<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><span><br \/><\/span><br \/><span><br \/><\/span><br \/><span>Segue abaixo um texto elaborado por meu amigo Rony Marques, relatando um encontro ocorrido entre eu, o <a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/user\/Pirulla25\">Pirulla<\/a>, o <a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/user\/Tomishiyo\">Guilherme Tomyshio<\/a>, a <a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/user\/vivianpaixao1\/\">Vivian Paix\u00e3o<\/a>, Rhafael Examus. Algo muito divertido que j\u00e1 est\u00e1 virando uma rotina. A pluralidade de opini\u00f5es e perspectivas \u00e9 bastante revigorante e estimulante.\u00a0<\/span><span>Talvez esse seja a verdadeira for\u00e7a de se ter um grupo totalmente heterog\u00eanio de pessoas sob o mesmo nome, seja ele &#8220;ateus&#8221; ou &#8220;c\u00e9ticos&#8221; ou qualquer coisa assim.\u00a0<\/span><br \/><span><br \/><\/span><br \/><span>Claro, eu objetaria \u00e0 minha representa\u00e7\u00e3o como um bebado irremediavel, mas \u00e9 uma representa\u00e7\u00e3o \u00a0 precisa o suficiente.<\/span><br \/><span><br \/><\/span><br \/><span><br \/><\/span><br \/><span><b>Rony Marques\u00a0<\/b>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;<\/span><\/p>\n<div><span><span lang=\"PT-BR\"><i>Fim de tarde em uma das principais avenidas de S\u00e3o Paulo, a Paulista. Saio do metr\u00f4 em dire\u00e7\u00e3o ao parque Trianon e vejo pessoas andando em uma desordem organizada, passando umas pelas outras, por\u00e9m sem se trombarem.\u00a0<\/i><\/span><i>Passo em frente a uma banca e vejo as not\u00edcias, quase c\u00f3pias umas das outras, nas primeiras p\u00e1ginas dos jornais.<\/i><\/span><\/div>\n<div><i><span><br \/><\/span><\/i><\/div>\n<div><span><span lang=\"PT-BR\"><i>Chego perto do bar que vai ser usado como ponto de encontro e vejo as pessoas com quem me encontrarei sentadas em uma mesa pr\u00f3xima a rua. N\u00e3o consigo deixar de comparar a cena que vejo com a Ultima Ceia, o afresco de Da Vinci: Um cara com cabelos e barbas longas passando a seus companheiros a bebida. O primeiro a pegar a cerveja \u00e9 um homem, com cara de uns 30 anos, barba escura e um olhar sarc\u00e1stico e inteligente, ao mesmo tempo; este dois s\u00e3o Paulo Miranda (mais conhecido como Pirulla) e o F\u00e1bio Machado, o Haeckeliano, que, para quem n\u00e3o os conhecem, s\u00e3o bi\u00f3logos e divulgadores da ci\u00eancia na internet.\u00a0<\/i><\/span><span lang=\"PT-BR\"><i>Al\u00e9m deles, estava o Rhafael, que se identificou mais tarde como um desocupado por excel\u00eancia, que na hora, respondia sem qualquer vontade um homem que fazia uma pesquisa sobre cigarros e que eu achei que fazia parte do grupo.\u00a0<\/i><\/span><i>Ao lado do F\u00e1bio estava Vivian, uma carioca, a mais tranquila deles, por\u00e9m n\u00e3o menos louca.\u00a0<\/i><i>E, como o \u00faltimo ap\u00f3stolo, estava Guilherme Tomishyo, um f\u00edsico da UFSCar e fumante moderado, que a prop\u00f3sito, era o \u00fanico que estava em p\u00e9, fumando.\u00a0<\/i><i>Por fim, para fechar o grupo estava o jornalista que decidiu por em palavras o que aconteceu neste encontro, conhecido por seus pais como Rony e por mim como \u201cEu\u201d.<\/i><\/span><\/div>\n<div><i><span><br \/><\/span><\/i><\/div>\n<div><span lang=\"PT-BR\"><i><span>Ao me sentar na mesa, Pirulla me apresentou a todos do grupo, que me ofereceram um copo de cerveja antes de sequer perguntarem meu nome. Agradeci, peguei meu copo e me juntei a conversa, depois que o pesquisador intruso foi embora. <\/p>\n<p><\/span><\/i><\/span><\/div>\n<div><span lang=\"PT-BR\"><i><span><br \/><\/span><\/i><\/span><\/div>\n<div><span lang=\"PT-BR\"><i><span>Se eu realmente fosse tentar transpor todas as conversas, piadas e frases filos\u00f3ficas regadas a \u00e1lcool que foram proferidas ou latidas na mesa do bar, teria de escrever um livro comparado em tamanho e complexibilidade a Ulisses. Por isto, irei resumir a conversa e o n\u00famero de garrafas de cerveja que bebemos. Al\u00e9m disto, eu n\u00e3o me lembro de tudo o aconteceu na mesa (N\u00e3o foi amn\u00e9sia alco\u00f3lica, s\u00f3 a conversa que foi muito extensa), ent\u00e3o n\u00e3o poderia reproduzir tudo, mesmo que quisesse.<\/p>\n<p><\/span><\/i><\/span><\/div>\n<div><span lang=\"PT-BR\"><i><span><br \/><\/span><\/i><\/span><\/div>\n<div><span><span lang=\"PT-BR\"><i>Para come\u00e7o de conversa discutimos a noite inteira sobre pol\u00edtica, ci\u00eancia e religi\u00e3o, ou seja, tudo o que n\u00e3o se discute em muitas outras mesas de bar.\u00a0<\/i><\/span><i>Falamos de cr\u00edticos e cr\u00edticas ao ate\u00edsmo (Algu\u00e9m leu Conde ali?) e, tamb\u00e9m, sobre os ateus \u201cbitolados\u201d e com argumentos rasos.\u00a0<\/i><i>Piadinhas sobre hist\u00f3rias de bebedeiras uns dos outros foram contadas e mais umas tr\u00eas rodadas de cerveja se passaram.<\/i><\/span><\/div>\n<div><i><span><br \/><\/span><\/i><\/div>\n<div><span lang=\"PT-BR\"><i><span>No meio de um assunto, um mendigo que passava por ali, veio pedir uma Coca para n\u00f3s. Chamamos o gar\u00e7om e pedimos que ele trouxesse o refrigerante e coloca-se em nossa conta. At\u00e9 ai, tudo bem, voltamos a nossa conversa e o mendigo come\u00e7ou a falar com o gar\u00e7om. O problema \u00e9 que o mendigo mudou de ideia e quis uma Fanta, mas o gar\u00e7om se recusou a dar, pois n\u00f3s t\u00ednhamos pedido uma Coca. Pronto. Foi s\u00f3 isso para que, sem que n\u00f3s perceb\u00eassemos, uma disputa come\u00e7asse do nosso lado&#8230; A briga foi ficando cada vez mais s\u00e9ria, at\u00e9 o ponto em que se tornou uma rincha entre cidades, pois cada um era de um lugar do nordeste que odiava o outro. Estramos no meio da conversa e pedimos a bendita Fanta, antes que algu\u00e9m pulasse no pesco\u00e7o do outro. Cinco minutos depois, vemos o mendigo indo embora, feliz da vida com sua latinha de Fanta, enquanto eu pedia desculpas ao gar\u00e7om.<\/p>\n<p><\/span><\/i><\/span><\/div>\n<div><span lang=\"PT-BR\"><i><span><br \/><\/span><\/i><\/span><\/div>\n<div><span><span lang=\"PT-BR\"><i>Mais umas quatro rodadas de cerveja e alguns bons minutos em filas para poder usar o banheiro, e a conversa entra na quest\u00e3o de cotas raciais, onde o F\u00e1bio, confuso pela quantidade de \u00e1lcool no sangue, j\u00e1 n\u00e3o se lembra mais se \u00e9 a favor ou contra. Depois de uma breve explica\u00e7\u00e3o dos pr\u00f3s e contras, feitas por Pirulla, ele faz uma cara de tanto faz e diz que s\u00f3 houve problema, pois as universidades n\u00e3o \u201ccriaram\u201d vagas para negros e sim pegaram reservaram vagas j\u00e1 existentes, ent\u00e3o o pessoal sente como se tivesse perdido uma vaga, ou ainda, um direito e por isto que houve tanta confus\u00e3o. Obviamente ele disse de um jeito um pouco mais confuso e enrolado, mas achei interessante botar isto aqui.\u00a0<\/i><\/span><i>Me levanto da mesa e vou ao banheiro no meio de uma conversa sobre ac\u00fastica, entre o Tomishyo e a Vivian, que \u00e9 formada em letras e est\u00e1 fazendo uma pesquisa na \u00e1rea de fonoaudiologia, ou algo do g\u00eanero. Ap\u00f3s quinze minutos em uma fila e v\u00e1rias tentativas, por parte dos homens da fila, de tentar usar o banheiro feminino, desisto e volto para a mesa.<\/i><\/span><\/div>\n<div><span lang=\"PT-BR\"><i><span><br \/><\/span><\/i><\/span><\/div>\n<div><span lang=\"PT-BR\"><i><span>Andando em dire\u00e7\u00e3o a mesa, percebo que um pequeno grupo de mascaras e suspens\u00f3rios se junta na esquina da rua, pegam um megafone e come\u00e7am a discursar sobre o mal da Globo, da televis\u00e3o, os comunistas, os direitistas, fim do mundo, Illuminatis e Nova Ordem Mundial, n\u00e3o nesta ordem. Esperava que isso acontecesse, afinal, estamos na Paulista; o problema \u00e9 que o cara s\u00f3 falava besteira e a merda do megafone estava muito alto e eles gritavam pr\u00f3ximos da nossa mesa. F\u00e1bio, j\u00e1 um pouco alterado, e eu resolvemos levantar e nos aproximar dos mascarados para ouvir o que eles berravam aos transeuntes e as outras pessoas no bar, que os ignoravam quase que por completo. Depois de mais alguns minutos, eles desistem de usar o megafone, tentam falar com algumas pessoas que passavam por ali, mas percebem o fracasso e v\u00e3o para o bar e pedem algumas cervejas.<\/p>\n<p><\/span><\/i><\/span><\/div>\n<div><span lang=\"PT-BR\"><i><span><br \/><\/span><\/i><\/span><\/div>\n<div><span lang=\"PT-BR\"><i><span>Nesta parte da noite Rafael j\u00e1 tinha indo embora e percebemos que j\u00e1 t\u00ednhamos falado de quase tudo que era poss\u00edvel: deus, pol\u00edtica, sacolinhas pl\u00e1sticas, fim do mundo etc. Ent\u00e3o come\u00e7amos a conversar sobre hist\u00f3rias particulares, que mais lembravam aqueles contos fant\u00e1sticos de rodas de fogueira. Cada um tinha a sua hist\u00f3ria mal contada que sempre deixou d\u00favidas em como aconteceu. A melhor, em minha opini\u00e3o, foi uma das do Pirulla, que tinha um bom n\u00famero de hist\u00f3rias estranhas para nos contar. Ele disse certa vez, estava dormindo com sua namorada e de repente ela acordou gritando, \u201cVai bater, vai bater!\u201d. Ele acordou assustado olhou para ela e alguns segundos depois, dois carros bateram na rua ao lado. A hist\u00f3ria at\u00e9 que n\u00e3o durou muito, mas passamos uma boa uma hora tentando explicar o que aconteceu. No final, chegamos a \u201cobvia\u201d conclus\u00e3o de que Leprechauns falaram o que iria acontecer em no ouvido dela.<\/p>\n<p><\/span><\/i><\/span><\/div>\n<div><span lang=\"PT-BR\"><i><span><br \/><\/span><\/i><\/span><\/div>\n<div><span lang=\"PT-BR\"><i><span>Passamos ent\u00e3o a jogar alguns jogos, como \u201cEu nunca\u201d, o que rendeu um bom n\u00famero de piadas, risadas, e, pelo menos, umas tr\u00eas ou quatro garrafas de cerveja e uns pasteizinhos. Est\u00e1 parte foi, talvez, a mais engra\u00e7ada, pois quase todas as perguntas eram obscenas, mas todos respondiam tranquilamente. F\u00e1bio, que uma hora j\u00e1 n\u00e3o conseguia ouvir mais as perguntas ou nem lembrava se tinha ou n\u00e3o feito o que perguntamos, acabou bebendo em todas as rodadas, mas no final das contas ele era quem estava mais s\u00e3o entre todos da mesa.<\/p>\n<p><\/span><\/i><\/span><\/div>\n<div><span lang=\"PT-BR\"><i><span><br \/><\/span><\/i><\/span><\/div>\n<div><span lang=\"PT-BR\"><i><span>Por fim, pagamos tudo (principalmente eu e o Pirulla), e sa\u00edmos do bar, tentando n\u00e3o pagar uma \u00fanica cerveja que pedimos depois, mas o pessoal ficou com certo peso na consci\u00eancia e acabamos pagando com algumas moedas os tr\u00eas reais que faltavam.<\/p>\n<p><\/span><\/i><\/span><\/div>\n<div><span lang=\"PT-BR\"><i><span><br \/><\/span><\/i><\/span><\/div>\n<div><span lang=\"PT-BR\"><i><span>Fomo embora em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 consola\u00e7\u00e3o, onde eles me deixaram em um ponto de \u00d4nibus em frente ao MASP e foram embora, os quatros loucos, que sa\u00edram rindo em dire\u00e7\u00e3o a rua Augusta, para continuar a as aventuras noturnas. Ainda n\u00e3o sei o que eles fizeram depois que eu fui embora, mas com certeza o pessoal n\u00e3o lembra direito o que aconteceu naquela noite, ent\u00e3o o breve relato sobre o encontro termina por aqui.<\/p>\n<p><\/span><\/i><\/span><\/div>\n<p><span><br \/><\/span><br \/><span><br \/><\/span><br \/><span><br \/><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Momento do encontro entre hereges na paulista. Esquerda para a direita: Guilherme Tomyshio, Pirulla, Rony, eu e Vivian. \u00a0Foi usada uma c\u00e2mera especial que captura a intensidade da malevolencia, evidenciado pela intensidade do brilho dos olhos. 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